sexta-feira, julho 18, 2003

Idade

Ela era mais velha do que eu quando nos conhecemos. Eu havia acabado de voltar da Europa e ainda estava vivendo meu amor italiano. Como não pude ter aquela Romana, resolvi me aproximar dela estudando a sua língua. Obviamente isso era pouco efetivo, mas eu nem ligava.
Conheci muita gente legal naquele curso mas a moça com nome de flor tinha algo diferente.

A gente não se aproximou logo de cara. Na verdade, isso demorou alguns estágios do curso para acontecer.
Pra que a gente começasse a sair, eu tive que viver o final do meu namoro (o primeiro), o fora sutil de uma das colegas de curso e o início da rotina de festas e jantares com o pessoal do italiano. Tudo isso aconteceu em cerca de seis meses.

Ela tinha sido casada e devia estar sozinha a um tempo razoável demais para ser estimado. Quando digo "sozinha" me refiro à ausência de relacionamentos estáveis e não à falta de companhia para cinemas, jantares, beijos e afins.
Eu curtia muito aquele cabelo curto (ainda vou escrever sobre isso), o biquinho quando ela falava francês e o fato de termos o mesmo signo.
Mesmo naquela época eu não me importava com os 16 anos que havia de diferença. O fato é que eu não me importava com coisa alguma.

O primeiro beijo rolou de um jeito meio marginal: foi no corredor do prédio dela. Parecia uma cena de filme americano: a gente ficou se olhando, parou de falar, começou a se beijar e o temporizador do andar cuidou do clímax quando apagou as luzes e nos deixou "a sós". Infelizmente a gente não podia ir além naquele momento: ela morava com a mãe e eu estava sem carro.
Foi só uma questão de tempo até que ela despachasse a mãe para o interior e me convidasse para jantar. Não foi preciso muito para que o escorpião mostrasse a sua natureza e o dia clareasse.
Repetimos a dose durante alguns finais de semana e curtimos muito a companhia um do outro. Os colegas do curso gostavam de nos ver juntos e sofreram um pouco quando a gente se afastou.
Não me lembro bem por que isso aconteceu. Acho que foi por conta da reaparição da San e da indefinição que pintou na minha cabeça nas semanas que se seguiram. Acho também que eu ainda gostava da San e não consegui esconder isso da moça com nome de flor.

A nossa amizade ficou bem abalada com o rompimento, mas voltou a ficar bem quando ela encontrou o cara que hoje é pai da sua única filha. Ele tinha muito mais a ver com ela, inclusive na idade.
Adoro pensar nas coisas que fizemos juntos mas gosto ainda mais de saber que hoje ela está feliz e bem.

Depois dela eu voltei a viver estórias de amor (ou quase isso) com moças mais velhas. A secretária que era psicóloga e a mãe do Felipe são os dois casos que me lembro neste momento. Nenhuma delas foi igual à outra e nenhuma delas me deixou infeliz.
Fico feliz quando penso que a diferença de idade (e de experiência de vida) não significou nada enquanto a gente esteve junto. Era como se não existisse. Era como se a gente só precisasse se preocupar com o presente. História e futuro eram valores de segunda classe.

Tenho saudade dessa época. Não exatamente para estar novamente com elas, mas sim por que era tudo mais simples de ser vivido.

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