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quinta-feira, setembro 03, 2009

Vida a dois

Hoje completamos 4 anos de junção de escovas de dentes.
Me lembro muito mal e porcamente do que aconteceu na minha vida até o dia 1 de setembro de 2005, mas sou capaz de descrever até o que pensei em cada momento do dia 2 para a frente.
Sem medo de exagerar, foi especificamente no dia 3 que que senti a felicidade mais intensa de toda a minha vida. Nem mesmo a chegada do Herdeiro teve o mesmo impacto.
Com ele, eu fiquei em um estado semi-catatônico, mal acreditando que aquela criaturinha estava viva e que se tornaria o foco das nossas vidas dali em diante.
Mas o que senti há quatro anos atrás foi diferente. Aquilo sim foi felicidade, felicidade em forma de amigos, de alegria, de muita cerveja gelada, de comida mineira, de atrasos, de padrinhos salvadores, de emoção sem controle, de incapacidade de me barbear, de choro sincero e ressacado, de mil cuidados, de homenagens portenhas, de declarações de amor e de preocupação zero.

Não dá para dizer que há quatro anos conheci a felicidade, já que isso fez parte de um processo que começou alguns anos antes, mas com certeza 2005 foi um marco, um divisor de águas.
Depois disso, viver bem e feliz ficou muito mais fácil.

Obrigado por tudo, Minha Mineira, principalmente pelo que fizemos desde 2005!
Deus sabe que valeu muito a pena!

Te amo, agora e sempre!

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Idas e vindas

Eles vieram, me encheram de alegria, se foram e me encheram de saudade.

Foi exatamente nessa ordem que as coisas aconteceram. Eles, a Minha Mineira e o Feijão (ainda sem sexo), me visitaram aqui no Norte, mudaram completamente a minha rotina, bagunçaram as minhas contas e eu adorei todo o processo.
Foi quase como estar de volta a Sampa, ao nosso Castelo, e dividindo cada momento do dia, como fazíamos antes de Janeiro. Até o cardápio era mais ou menos o mesmo, por mais que tenhamos acrescentado algumas improvisações e adaptações.
Vivemos como o casal normal e cada vez mais próximo que somos.
E conversamos muito entre nós e com o Feijão, já que daqui a pouco ele chegará de vez e começará a se manifestar, mesmo que a gente não tenha como aprender o idioma dele agora. Contamos a ele nossos planos, nossos problemas e nossa vontade de abraçá-lo logo. Mas dissemos para ele não ter pressa de chegar e continuar sugando a mamãe como bom Alien que é, até chegar a hora a certa de abrir o berreiro e, assim como os bahianos, não nascer, mas sim estrear.

E assim como eles vieram, se foram. Não foi para sempre, mas foi tão duro quanto se tivesse sido.
Tentei não chorar no dia, e também no dia seguinte, mas hoje é meio difícil segurar, mesmo que a lembrança venha no meio do expediente. É complicado fingir que está tudo bem quando falta um pedaço tão grande de mim.
Mas, seguindo a minha maior especialidade, eu vou sobreviver. Para vê-los e abraçá-los de novo daqui a pouquinho.

domingo, fevereiro 01, 2009

Sono

Eu não estava lá em corpo, mas mesmo assim o Feijão me desejou boa noite e foi dormir.
Ele parecia tão diferente de mim: sereno e tranquilo na hora de fechar os olhinhos e sonhar. Dá até para duvidar que ele (ou ela) herdará minhas qualidades e defeitos, conforme a mistura com as "coisas" da mãe dele, na proporção que a Natureza definir.

Pela foto mais recente, dá para ter uma idéia da parte da herança que caberá a mim: o cabeção, ou cabeçones, como a Sô costumava dizer.
Se isso significar mais ferramentas para ser feliz, que venha a cabeça. E o narigão e as orelhas de abano e o queixão pronunciado.
Tudo nele será bom e será nosso.
Por que o Feijão é nosso e nós somos dele.
Para sempre.


Soninho

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Escolhas

Agora mesmo estava lendo o novo blog do André Takeda e me deu vontade de chorar. Não tinha nenhum motivo especial para isso, mas foi o que aconteceu. Tenho disso de vez em quando, principalmente quando me identifico com alguém ou alguma coisa, caso da obra do Takeda. Acontece também quando sinto que minha vida poderia ter sido diferente se tivesse feito outras escolhas.

Mas assim como o Takeda, eu também fiz algumas escolhas boas. A mulher que amo é uma delas. Plagiando o "plágio" do Takeda, she´s the one too, man.

Tiamu, Minha Mineira!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

O Feijão

Na minha forma tradicional de ver as coisas, uma criança sempre foi uma enorme fonte de pavor e sarcasmo.
Acho graça em ir contra o senso comum de achar "bonitinho" tudo que uma criança faz ou é. Nesse assunto eu adoro ser do contra e "escandalizar". Minha situação favorita diz respeito ao que se deve fazer quando o casal precisa sair de casa: deixar um pote de ração e uma tigela de água perto da criança, mas não muito. Se ela quiser mesmo sobreviver, dará um jeito de chegar até elas.

Outra coisa que me matava de rir era chamar os filhos dos outros de Joelho, Cotovelo, Cabeção, Girino, Labrador e outros mimos.

Quando descobri que Ele havia decidido que era minha hora de criar algo mais do que baratas na despensa, comecei a tratar o herdeiro de Girino, mas isso perdeu logo a graça por que ele/ela logo perdeu o rabo e, principalmente, por que as esposas dos meus amigos começaram a me ameaçar de morte. Achei que elas haviam perdido o humor, mas preferi me render e passar a tratá-lo/a apenas de Feijão, um apelido "bonitinho" e bastante apropriado para alguém que na sua primeira aparição pública tinha assustadores 18 milímetros.

E como tudo isso que escrevi nada mais era do que uma preparação, deixo vocês com aquele que terá a grande responsabilidade de consertar as cagadas que fiz neste mundo. Coitado/a.

Go, Tiger!

domingo, janeiro 06, 2008

Sonhos

Tenho tido sonhos esquisitos ultimamente.

Começou na última semana de 2007 onde fui brindado com uma história envolvendo um acidente de carro, uma vila do interior, moradores simpáticos, a amnésia da Minha Mineira, o tratamento evitando o choque, minha tristeza ao não ser reconhecido e a surpresa final ao chegar em casa e vê-la com outro.
Pensando bem, o sonho pode ter sido doido, mas a conclusão não: ela realmente não era mais a mesma, não se lembrava de mim e eu não significava mais nada na vida dela. Normal me trocar.
Normal, mas triste, muito triste.

O último episódio aconteceu na última quarta, primeiro dia em que fiquei sozinho em casa, durante as férias da Minha Mineira.
Sonhei que havia encontrado a mulher dos meus sonhos, 100% compatível com cada detalhe que sempre fez parte do meu imaginário, seja na parte física, seja na personalidade.
Ela tinha cabelo preto e liso, meio arrepiado na parte de trás, pele branca de poucas sardas, olhos claros, sorriso perfeito, sobrenome italiano e várias tatoos pelo corpo. Um sonho, mesmo.
O único que atrapalhava essa perfeição toda era eu mesmo: eu continuava casado e nenhuma das (agora) duas mulheres da minha vida sabia o que acontecia do outro lado.
Vivi uma insanidade nas duas vidas e a coisa acabou da forma mais natural: elas se descobriram e eu fiquei com a dor de ter causado dor a quem tinha a missão de me fazer feliz, mesmo que não fosse da forma mais tradicional.

Apesar de moralmente opostos, os sonhos tiveram em comum a minha solidão no final.
Com ou sem culpa, acabei sem ninguém e acordei triste.
Espero que seja verdade o que dizem sobre os sonhos: que eles refletem o contrário do que vai acontecer.
Para o bem da minha sanidade, é bom que seja assim mesmo.

quarta-feira, julho 18, 2007

Mulher mineira

O "caldinho" que envolve a mineira e dá a ela este jeitinho gostoso foi preparado em panela de ferro num fogão à lenha!

Mineira não mente, conta lorota.

Não paquera, espia.

Não fica bonita, já nasce formosa.

Mineira não usa perfume e cheira gostoso demais (sô).

Mineira não curte um som, ouve música.

Não fala, proseia.

Mineira não come estrogonofe, mas adora um picadinho.

Não faz crediário, compra fiado.

Não fica pelada, mostra as "vergonhas".

Não erra, comete engano.

Não liga pra ninguém, mas telefona pra todo mundo.

Mineira ama diferente.

Flerta de longe, promete com o olhar e cumpre tudo o que nos fez sonhar.

Ela sabe que amor não é pra discursar, é pra fazer.

Ama com os olhos, com as mãos, com o sorriso, com os
gestos.

Conheci muitos tipos de brasileiras.

Faceiras, trigueiras, formosas, poderosas, turbinadas, loiras, morenas, mulatas, bonitas, mas lhes falta essa brejeirice das mineiras, essa paciência de tecer sem
pressa uma teia de aconchegos e mimos, de lembranças e sorrisos, que nós das gerais tanto apreciamos.

Existem coisas que já nascem com a mulher e muitas destas coisas estão
diretamente ligadas ao lugar.

Mineira faz doce como ninguém neste país.

Quem já provou doce de cidra ou de leite feito por mineira, sabe o que é
bom.

Goiabada e marmelada, então, nem se fala!

Mineira ensina mais porque, o que há de importante, ela já nasceu sabendo.

Mineiras se embelezam com bijuterias e ofuscam o brilho de jóias raras.

Vestem-se de chita e ficam bonitas, porque mineira não segue moda, faz moda.

Mineira não usa tênis, enfeita as alpercatas.

Mineira vai à igreja, assiste missa, comunga, mas por via das dúvidas toma
um passe no centro espírita e joga rosas vermelhas pra Iemanjá no "corgo"
de frente à horta.

Sabe que são misteriosos os caminhos que levam às graças de Deus.

Escondida por trás da simplicidade de toda mineira está uma guerreira...

Escondida atrás de toda simplicidade e graça está uma brasileira.


Domingos Leoni


Uma pequena homenagem a quem me inspira.

Um beijo, Minha Mineira.

sexta-feira, junho 22, 2007

Ida e volta

O lugar estava tinindo de novo. Parecia até um hotel ou um shopping. Só caí na real quando não encontrei as lojas e os cachorros do Higienópolis. Bom que isso tenha acontecido antes de eu incomodar a recepcionista.

Assinamos um calhamaço de papéis, seguimos a moça de coque impecável e mãos enrugadas até um quarto do tamanho do nosso apê e começamos a brincar com os botões e controles.
Fiquei fascinado com a cama, cheia de badulaques e inclinações. Precisei me deitar controlar para não tirar uma soneca antes de você e amarrotar a coisa toda. Imaginei que o povaréu que entrava e saía não aprovaria a substituição de corpos.

Falando em gente, a equipe do lugar precisou de reforço para chegar perto do tamanho da nossa turma. A caravana de Uberlândia estava toda lá, com faixas, cornetas e confetes. Só faltaram o tutu e o lombo assado.

Uma picadinha e uns minutos depois, você já estava tomando uma com Sonho e os Perpétuos.
Jogo de paciênca no Ipod, receitas da Ana Maria Braga, explicações para minha mãe sobre mp3 players. Enganei o tempo como deu e até que me dei bem no processo. Quase não dava para perceber que eu estava com vontade de sair correndo pelado pela Martiniano, mas me controlei, para o bem dos olhos do Presidente da empresa que poderia sair para almoçar justo naquela hora.

Só eu sei como você estava em boa companhia. Sei bem como a Matriarca pode ser eficiente e protetora. Tenho certeza que ela cuidou bem de você como se fosse eu. Melhor até.
Com tanto reforço, o lazarento do Murphy não tinha como dar as caras. Nem ele teria essa cara-de-pau.

Noves fora, você entrou e saiu da mesma maneira. Inteirinha. Talvez até mais completa.
Saúde e vaidade equilibradas novamente, o Castelo nos recebeu carinhoso e com saudade da moça rabiscada.
Agora é sossegar o facho e esperar uns dias até pode castigar canais novamente. Por mais que eles mereçam, melhor é não exigir demais da velha/nova carcaça.
Este escriba/acompanhante/amante e toda a trupe do Triângulo e da Octava Región agradecem.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

A primeira vez

O entorno era simples demais, espartano até: um colchão, uma TV, um DVD player, uma coletânea de clipes do Culture Club, um show da Joss Stone, uma garrafa de tinto chileno e duas taças emprestadas pela minha mãe.
A nossa primeira noite no apartamento foi isso e mais um monte de fantasias e sonhos.
Só não foi mais completa por que tínhamos hora para voltar e sono para compensar.
Mas valeu muito a pena. Aliás, ainda hoje vale.

Tudo isso foi há mais de um ano atrás, quase dois na verdade, mas parece que foi ontem.
É bom pensar que está valendo a pena.
Nada mais parece ser tão difícil e complicado.