quarta-feira, janeiro 17, 2007

Natal

Este foi um Natal atípico.
Ao contrário do que acontece todos os anos, desta vez não me enfurnei em shoppings e percorri aqueles corredores até encontrar "aquele" presente, aquela coisa que tivesse "a cara" de cada um dos meus entes queridos.
Isso sempre foi uma tradição que acabava carregando bastante o meu cartão de crédito, mas que me dava um grande prazer, tanto ao comprar quanto ao entregar o presente.

Desta vez isso não aconteceu. Em um misto de desânimo e passividade com a movimentação da minha mineira, acabei deixando tudo passar e quando acordei era dia 24 e todos estavam trocando presentes na casa da minha cunhada.
Todos menos eu. Eu não tinha nada para dar. Nem a minha mineira, a esposa querida, tinha algum presente para receber.
Esse desleixo me deixou em uma posição muito desconfortável, apesar de ninguém ter feito nenhum comentário.
Nem a minha mineira, talvez a única pessoa para quem eu devesse um presente.
Mas ela não precisou dizer nada para eu acordar e entender o impacto daquele gesto.
Ou melhor, o impacto de não ter feito gesto nenhum.
Apesar de ter me juntado ao espírito religioso que dominou aquele Natal, eu matei o simbolismo que sempre me acompanhou em todas as celebrações anteriores.
Fui descuidado e não gostei disso.

E não adiantou muito ter comprado um belo presente há alguns dias.
O presente era o menos importante. Mais do que tudo, era preciso demonstrar a preocupação. Se eu tivesse comprado uma bijouteria de camelô já estaria de bom tamanho.
Pelo menos para a minha mineira, o importante seria o gesto e a lembrança.
Mas não fiz isso e me arrependo.
Não sei bem a razão, mas achei que as idas dela ao Brás e à 25 de Março eram suficientes.
Não eram. Me enganei redondamente.
Me enganei e agora tenho que me mexer por que será necessário um bom conjunto de coisas boas para recuperar o clima dos Natais anteriores.
Ou não. Tudo depende de mim e da minha mineira.
Ou melhor, de mim, por que a parte dela é certa.

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