A minha vida inteira está a ponto de dar uma guinada em direção ao Hemisfério Norte.
Não que eu tenha escolhido morar na Groenlândia ou me juntar às fileiras do Greenpeace em frente a alguma embaixada americana na Europa, mas as coisas do trabalho acabaram me levando a fazer algo que eu pensei que nunca faria: pisar o solo profano entre o Canadá e o México.
E não será apenas uma pisada breve, fugaz e higiênica: passarei longos nove meses juntando histórias norte-americanas e vivendo como um cubano em Miami.
Ou talvez apenas como um brasileiro em uma terra pertinho do Estados Unidos.
Ainda não sei quando isso vai acontecer, mas acho que meus parcos leitores perceberão quando eu começar a me comportar como o Will Smith.
Até daqui a pouco, compañeros.
"Welcome to Miami, bienvenidos a Miami!"
segunda-feira, setembro 22, 2008
quinta-feira, julho 17, 2008
Por que não escrevo mais?
Não escrevo mais por que fui atropelado. Foi um impacto lazarento de grande e não teve nada de rápido, como costumam descrever nos filmes. Se passaram "horas" entre o momento que eu vi que seria atingido e a pancada em si. Eu sabia que doeria, mas não fiz nada além de esperar a dor.
E a dor não me decepcionou. Veio acompanhada. Trouxe a desorientação, o desespero e a depressão.
Eu sabia que precisava de energia e vontade para levantar e sair andando, mas escolhi manter a dor e deixar o tempo passar. Tudo era mais tranquilo na dor. Até que não era tão ruim ser atropelado.
Quem me atropelou fugiu. Não parou. Nem pensou em prestar socorro. Até riu depois de me derrubar. Riu, acelerou e foi embora. Deixou o trouxa ali no chão. E o trouxa era fraco e impotente. Foi uma boa escolha de vítima.
A vida escolheu muito bem no dia em que me atropelou. Ela estava especialmente cruel e tinha muito o que fazer para me notar ali deitado.
Mudança de castelo, reformas, busca desesperada por um herdeiro, viagens para encontrar a família, estresse no trabalho, planos para as férias...eram coisas demais para perder tempo comigo.
E nessa eu dancei, me distraí e fui atropelado.
É por isso que eu não escrevo mais.
E a dor não me decepcionou. Veio acompanhada. Trouxe a desorientação, o desespero e a depressão.
Eu sabia que precisava de energia e vontade para levantar e sair andando, mas escolhi manter a dor e deixar o tempo passar. Tudo era mais tranquilo na dor. Até que não era tão ruim ser atropelado.
Quem me atropelou fugiu. Não parou. Nem pensou em prestar socorro. Até riu depois de me derrubar. Riu, acelerou e foi embora. Deixou o trouxa ali no chão. E o trouxa era fraco e impotente. Foi uma boa escolha de vítima.
A vida escolheu muito bem no dia em que me atropelou. Ela estava especialmente cruel e tinha muito o que fazer para me notar ali deitado.
Mudança de castelo, reformas, busca desesperada por um herdeiro, viagens para encontrar a família, estresse no trabalho, planos para as férias...eram coisas demais para perder tempo comigo.
E nessa eu dancei, me distraí e fui atropelado.
É por isso que eu não escrevo mais.
quinta-feira, junho 05, 2008
Natural
Era mais uma conversa trivial no trajeto entre unidades da empresa, tão trivial que ninguém tinha coragem de sair do confortável conjunto futebol-mulher-cerveja.
Não sei de onde veio o assunto "casamento". Acho que tinha a ver com atividades fáceis, difíceis e impossíveis.
Minto, tinha a ver com coisas naturais e anti-naturais.
O conceito-relâmpago que criamos dentro do carro dizia que se uma coisa acontece naturalmente, sem dar muito trabalho ou sem gerar muito esforço por parte do executor, então estamos diante de algo natural.
Naturalmente, a caracterização do oposto leva ao anti-natural.
Nessa linha, a principal conclusão deste papo-cabeça foi óbvia: nada mais anti-natural para o ser humano do que a instituição do casamento!
Explicando um pouco melhor essa mágica conclusão: a idéia é bem simples e trata do esforço que cada parceiro tem que fazer diariamente para manter a harmonia da união.
Não dá para encarar um casamento achando que o amor vai solucionar tudo, que é só deixar as coisas acontecerem sozinhas que tudo se encaixa.
Minha breve experiência de quase 3 anos mostra que, em se tratando de casamento, Edison nunca esteve tão certo: sem os 95% de transpiração, tudo vai para o buraco.
E essa transpiração tem que vir todos os dias e quase a todo tempo. Nada de folguinhas de egoísmo e narcisismo.
Portanto, um aviso aos jovens e iludidos casadoiros: se não houver esforço e dedicação diários e intensos, nem adianta vir com amor e paixão. O futuro não tem como ser diferente do inferno rotineiro e da dolorosa separação.
E tenho dito!
Não sei de onde veio o assunto "casamento". Acho que tinha a ver com atividades fáceis, difíceis e impossíveis.
Minto, tinha a ver com coisas naturais e anti-naturais.
O conceito-relâmpago que criamos dentro do carro dizia que se uma coisa acontece naturalmente, sem dar muito trabalho ou sem gerar muito esforço por parte do executor, então estamos diante de algo natural.
Naturalmente, a caracterização do oposto leva ao anti-natural.
Nessa linha, a principal conclusão deste papo-cabeça foi óbvia: nada mais anti-natural para o ser humano do que a instituição do casamento!
Explicando um pouco melhor essa mágica conclusão: a idéia é bem simples e trata do esforço que cada parceiro tem que fazer diariamente para manter a harmonia da união.
Não dá para encarar um casamento achando que o amor vai solucionar tudo, que é só deixar as coisas acontecerem sozinhas que tudo se encaixa.
Minha breve experiência de quase 3 anos mostra que, em se tratando de casamento, Edison nunca esteve tão certo: sem os 95% de transpiração, tudo vai para o buraco.
E essa transpiração tem que vir todos os dias e quase a todo tempo. Nada de folguinhas de egoísmo e narcisismo.
Portanto, um aviso aos jovens e iludidos casadoiros: se não houver esforço e dedicação diários e intensos, nem adianta vir com amor e paixão. O futuro não tem como ser diferente do inferno rotineiro e da dolorosa separação.
E tenho dito!
quinta-feira, abril 24, 2008
Viver é complicado demais
Mais uma vez alguém lá em cima puxa uma cordinha e o pai de alguém próximo vai passear em ares celestiais.
Não queria que fosse assim, mas a volta ao blog é para falar de morte e de dor.
E se a dor não é propriamente minha, não faz tanta diferença já que o Presidente é quase como se fosse do meu sangue.
O pai do Presidente partiu de uma hora para outra, em meio a um banho e depois de uma corrida. Tudo muito rotineiro, menos a parte do enfarte. Isso não é nada banal e deixou um buraco enorme na vida da família.
É o que acontece quando o macho-alfa vai embora sem avisar.
Tudo mudou na vida do Presidente. Na dele, na da companheira e, por que não dizer, na nossa. Tudo ficou mais cinza.
A cor deve voltar aos poucos, mas a dor vai demorar para ir embora.
Talvez não vá nunca, mas isso é algo que não vale a pena nem citar.
A vida já é complexa demais sem que a gente coloque estes componentes pessimistas nela.
Meus sentimentos, Presidente. Que a vida te devolva parte do que perdeu. E que você volte a ser parte do que era.
A gente vai te esperar o tempo que for necessário.
Não queria que fosse assim, mas a volta ao blog é para falar de morte e de dor.
E se a dor não é propriamente minha, não faz tanta diferença já que o Presidente é quase como se fosse do meu sangue.
O pai do Presidente partiu de uma hora para outra, em meio a um banho e depois de uma corrida. Tudo muito rotineiro, menos a parte do enfarte. Isso não é nada banal e deixou um buraco enorme na vida da família.
É o que acontece quando o macho-alfa vai embora sem avisar.
Tudo mudou na vida do Presidente. Na dele, na da companheira e, por que não dizer, na nossa. Tudo ficou mais cinza.
A cor deve voltar aos poucos, mas a dor vai demorar para ir embora.
Talvez não vá nunca, mas isso é algo que não vale a pena nem citar.
A vida já é complexa demais sem que a gente coloque estes componentes pessimistas nela.
Meus sentimentos, Presidente. Que a vida te devolva parte do que perdeu. E que você volte a ser parte do que era.
A gente vai te esperar o tempo que for necessário.
domingo, janeiro 06, 2008
Férias
Estou completando cinco dias de férias conjugais.
A Minha Mineira está na praia com a família e eu estou aqui, sozinho e com a cidade inteira ao meu dispor para me esbaldar e cair na esbórnia.
Mas, estranhamente, estou sozinho aqui em casa, em pleno domingo à noite, escrevendo e sem uma gota de álcool no sangue.
Algo deve estar errado e acho que sei o que é.
Quer dizer, nada está errado, não no sentido etílico-sexual da coisa.
Eu só não senti necessidade de converter em bandalheira um intervalo que eu sempre achei que faria bem ao nosso relacionamento.
Já venho dizendo há algum tempo que alguns dias separados nos fariam bem e agora estou experimentando a verdade disso.
Dormir sozinho, sair com os amigos e beber sem me preocupar com o dia seguinte estão me fazendo muito bem.
E curtir mais a banda do Kiaora do que os decotes, fendas e perfumes ao redor é prova de que estou bem, mas estou com saudade das reclamações e da mania de limpeza da Minha Mineira.
Só espero que ela não me perturbe muito quando voltar para casa e perceber que não fiz muito além de ir supermercado para garantir o café da manhã e lavar a louça pelo mesmo motivo.
A Minha Mineira está na praia com a família e eu estou aqui, sozinho e com a cidade inteira ao meu dispor para me esbaldar e cair na esbórnia.
Mas, estranhamente, estou sozinho aqui em casa, em pleno domingo à noite, escrevendo e sem uma gota de álcool no sangue.
Algo deve estar errado e acho que sei o que é.
Quer dizer, nada está errado, não no sentido etílico-sexual da coisa.
Eu só não senti necessidade de converter em bandalheira um intervalo que eu sempre achei que faria bem ao nosso relacionamento.
Já venho dizendo há algum tempo que alguns dias separados nos fariam bem e agora estou experimentando a verdade disso.
Dormir sozinho, sair com os amigos e beber sem me preocupar com o dia seguinte estão me fazendo muito bem.
E curtir mais a banda do Kiaora do que os decotes, fendas e perfumes ao redor é prova de que estou bem, mas estou com saudade das reclamações e da mania de limpeza da Minha Mineira.
Só espero que ela não me perturbe muito quando voltar para casa e perceber que não fiz muito além de ir supermercado para garantir o café da manhã e lavar a louça pelo mesmo motivo.
Sonhos
Tenho tido sonhos esquisitos ultimamente.
Começou na última semana de 2007 onde fui brindado com uma história envolvendo um acidente de carro, uma vila do interior, moradores simpáticos, a amnésia da Minha Mineira, o tratamento evitando o choque, minha tristeza ao não ser reconhecido e a surpresa final ao chegar em casa e vê-la com outro.
Pensando bem, o sonho pode ter sido doido, mas a conclusão não: ela realmente não era mais a mesma, não se lembrava de mim e eu não significava mais nada na vida dela. Normal me trocar.
Normal, mas triste, muito triste.
O último episódio aconteceu na última quarta, primeiro dia em que fiquei sozinho em casa, durante as férias da Minha Mineira.
Sonhei que havia encontrado a mulher dos meus sonhos, 100% compatível com cada detalhe que sempre fez parte do meu imaginário, seja na parte física, seja na personalidade.
Ela tinha cabelo preto e liso, meio arrepiado na parte de trás, pele branca de poucas sardas, olhos claros, sorriso perfeito, sobrenome italiano e várias tatoos pelo corpo. Um sonho, mesmo.
O único que atrapalhava essa perfeição toda era eu mesmo: eu continuava casado e nenhuma das (agora) duas mulheres da minha vida sabia o que acontecia do outro lado.
Vivi uma insanidade nas duas vidas e a coisa acabou da forma mais natural: elas se descobriram e eu fiquei com a dor de ter causado dor a quem tinha a missão de me fazer feliz, mesmo que não fosse da forma mais tradicional.
Apesar de moralmente opostos, os sonhos tiveram em comum a minha solidão no final.
Com ou sem culpa, acabei sem ninguém e acordei triste.
Espero que seja verdade o que dizem sobre os sonhos: que eles refletem o contrário do que vai acontecer.
Para o bem da minha sanidade, é bom que seja assim mesmo.
Começou na última semana de 2007 onde fui brindado com uma história envolvendo um acidente de carro, uma vila do interior, moradores simpáticos, a amnésia da Minha Mineira, o tratamento evitando o choque, minha tristeza ao não ser reconhecido e a surpresa final ao chegar em casa e vê-la com outro.
Pensando bem, o sonho pode ter sido doido, mas a conclusão não: ela realmente não era mais a mesma, não se lembrava de mim e eu não significava mais nada na vida dela. Normal me trocar.
Normal, mas triste, muito triste.
O último episódio aconteceu na última quarta, primeiro dia em que fiquei sozinho em casa, durante as férias da Minha Mineira.
Sonhei que havia encontrado a mulher dos meus sonhos, 100% compatível com cada detalhe que sempre fez parte do meu imaginário, seja na parte física, seja na personalidade.
Ela tinha cabelo preto e liso, meio arrepiado na parte de trás, pele branca de poucas sardas, olhos claros, sorriso perfeito, sobrenome italiano e várias tatoos pelo corpo. Um sonho, mesmo.
O único que atrapalhava essa perfeição toda era eu mesmo: eu continuava casado e nenhuma das (agora) duas mulheres da minha vida sabia o que acontecia do outro lado.
Vivi uma insanidade nas duas vidas e a coisa acabou da forma mais natural: elas se descobriram e eu fiquei com a dor de ter causado dor a quem tinha a missão de me fazer feliz, mesmo que não fosse da forma mais tradicional.
Apesar de moralmente opostos, os sonhos tiveram em comum a minha solidão no final.
Com ou sem culpa, acabei sem ninguém e acordei triste.
Espero que seja verdade o que dizem sobre os sonhos: que eles refletem o contrário do que vai acontecer.
Para o bem da minha sanidade, é bom que seja assim mesmo.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Cada vez mais bonitos
Mais uma vez fui ao casamento de um amigo querido (na verdade, uma amiga) e saí com esperanças renovadas sobre o futuro dos relacionamentos humanos.
Sei que sou piegas (o que esperar de alguém que tem “Quatro Casamentos e um funeral” e “Simplesmente amor” como seus filmes favoritos”), mas quando estou em um casamento, acredito mesmo que a coisa do “felizes para sempre” pode funcionar.
Sei também que depois de umas boas doses de rotina e outras tantas de vida real, boa parte desse romantismo perde um pouco de espaço, mas isso é só até o próximo casamento. É só ver a noiva apontando lá longe e as lágrimas dos parentes durante os cumprimentos para esquecer de todas as dúvidas e ceticismos.
E nada mais renovador de esperanças do que um casamento na praia.
Tudo estava no lugar, planejado e executado nos mínimos detalhes, que é peculiar àquela pequena menina que aprendi a admirar desde os idos de 2001.
Até o noivo, com seu nervosismo e jeito de andar pendendo para os lados parecia combinar com o lugar.
Praia, amigos, felicidade e amor. Tudo combinado como o lombo assado, a couve refogada com alho e o tutu de feijão da minha sogra. Maravilha.
Apesar de curtir bastante a festa, nada havia me preparado para dois dos poucos momentos que tive com minha amiga.
O primeiro foi ver uma foto nossa, minha e dela, em um quadro pendurado na parede. Acho que é a única foto que temos juntos e senti um baita orgulho de merecer essa homenagem. Não havia muita gente nas fotos. Eram mais imagens do casal nas suas inúmeras viagens. Mas eu estava lá. E ela nos deixou ali para todo mundo ver.
Foi o máximo.
O segundo momento quase me derrubou de tão simples e inesperado.
Ela simplesmente me disse que gostou muito de eu ter ido e me estalou um beijo na bochecha. Fiquei envergonhado e emocionado. Foi simples, mas cheio de significado.
Ainda bem que ela não viu aquele “cisco” que entrou no meu olho esquerdo. E no direito também.
É por essas e outras que eu ainda acredito que o amor e o casamento valem a pena, apesar do cansaço que sinto às vezes.
Vale a pena te ter como esposa, Minha Mineira, e os casamentos dos amigos queridos só reforçam isso!
Que venham mais!
Sei que sou piegas (o que esperar de alguém que tem “Quatro Casamentos e um funeral” e “Simplesmente amor” como seus filmes favoritos”), mas quando estou em um casamento, acredito mesmo que a coisa do “felizes para sempre” pode funcionar.
Sei também que depois de umas boas doses de rotina e outras tantas de vida real, boa parte desse romantismo perde um pouco de espaço, mas isso é só até o próximo casamento. É só ver a noiva apontando lá longe e as lágrimas dos parentes durante os cumprimentos para esquecer de todas as dúvidas e ceticismos.
E nada mais renovador de esperanças do que um casamento na praia.
Tudo estava no lugar, planejado e executado nos mínimos detalhes, que é peculiar àquela pequena menina que aprendi a admirar desde os idos de 2001.
Até o noivo, com seu nervosismo e jeito de andar pendendo para os lados parecia combinar com o lugar.
Praia, amigos, felicidade e amor. Tudo combinado como o lombo assado, a couve refogada com alho e o tutu de feijão da minha sogra. Maravilha.
Apesar de curtir bastante a festa, nada havia me preparado para dois dos poucos momentos que tive com minha amiga.
O primeiro foi ver uma foto nossa, minha e dela, em um quadro pendurado na parede. Acho que é a única foto que temos juntos e senti um baita orgulho de merecer essa homenagem. Não havia muita gente nas fotos. Eram mais imagens do casal nas suas inúmeras viagens. Mas eu estava lá. E ela nos deixou ali para todo mundo ver.
Foi o máximo.
O segundo momento quase me derrubou de tão simples e inesperado.
Ela simplesmente me disse que gostou muito de eu ter ido e me estalou um beijo na bochecha. Fiquei envergonhado e emocionado. Foi simples, mas cheio de significado.
Ainda bem que ela não viu aquele “cisco” que entrou no meu olho esquerdo. E no direito também.
É por essas e outras que eu ainda acredito que o amor e o casamento valem a pena, apesar do cansaço que sinto às vezes.
Vale a pena te ter como esposa, Minha Mineira, e os casamentos dos amigos queridos só reforçam isso!
Que venham mais!
quarta-feira, novembro 14, 2007
Pede para sair
Acabei de voltar do cinema. Fui ver “Tropa de elite” e ainda estou “adrenado”.
Saí do cinema como o povo do BOPE: com cara de mau e querendo matar.
Obviamente isso passou logo depois do primeiro beijo da Minha Mineira, mas a memória do filme vai ficar por muito mais tempo.
Tive a sorte de não ler muitos comentários antes de ver o filme. Me poupei de críticas ao “fascismo” e ao “maniqueísmo” do filme.
Ao invés disso, tive a oportunidade de elaborar meu próprio parecer sobre o filme e achei que tudo fazia sentido.
Explicando um pouco melhor: não quero dizer que concordo com tortura, violência policial e tudo mais, mas, do ponto de vista de quem arrisca a vida para combater o crime, o filme faz sentido.
Pode não ser o único caminho nem a única “verdade”, mas segue fazendo sentido.
Fica uma certa idéia do BOPE como uma terceira via, um caminho de perfeição ética e honestidade (bem longe dos outros extremos: o crime organizado e o Estado corrupto), algo difícil de acreditar no país de Renan, mas ainda assim me vi torcendo para que o Capitão Nascimento pudesse voltar inteiro para a esposa e o filho recém nascido.
Eu e esse lado romântico que não me abandona nem em filme de matança, viu!
Sem perder tempo com um discurso vazio, o filme não é tão bem feito quanto “Cidade de Deus”, mas vale a pena como diversão e como breve exercício de reflexão.
Sim, por que acreditar que é possível mudar o mundo ou a cabeça das pessoas deste mundão é algo bastante além da ingenuidade.
E o melhor de tudo: o filme é policial, como milhares já feitos em Hollywood, mas tem cara de Brasil, por incrível que isso possa parecer.
Eu recomendo!
Saí do cinema como o povo do BOPE: com cara de mau e querendo matar.
Obviamente isso passou logo depois do primeiro beijo da Minha Mineira, mas a memória do filme vai ficar por muito mais tempo.
Tive a sorte de não ler muitos comentários antes de ver o filme. Me poupei de críticas ao “fascismo” e ao “maniqueísmo” do filme.
Ao invés disso, tive a oportunidade de elaborar meu próprio parecer sobre o filme e achei que tudo fazia sentido.
Explicando um pouco melhor: não quero dizer que concordo com tortura, violência policial e tudo mais, mas, do ponto de vista de quem arrisca a vida para combater o crime, o filme faz sentido.
Pode não ser o único caminho nem a única “verdade”, mas segue fazendo sentido.
Fica uma certa idéia do BOPE como uma terceira via, um caminho de perfeição ética e honestidade (bem longe dos outros extremos: o crime organizado e o Estado corrupto), algo difícil de acreditar no país de Renan, mas ainda assim me vi torcendo para que o Capitão Nascimento pudesse voltar inteiro para a esposa e o filho recém nascido.
Eu e esse lado romântico que não me abandona nem em filme de matança, viu!
Sem perder tempo com um discurso vazio, o filme não é tão bem feito quanto “Cidade de Deus”, mas vale a pena como diversão e como breve exercício de reflexão.
Sim, por que acreditar que é possível mudar o mundo ou a cabeça das pessoas deste mundão é algo bastante além da ingenuidade.
E o melhor de tudo: o filme é policial, como milhares já feitos em Hollywood, mas tem cara de Brasil, por incrível que isso possa parecer.
Eu recomendo!
sexta-feira, outubro 05, 2007
O casório do Presidente
A cerimonialista era meio confusa e esquisita com uns trejeitos meio afrescalhados demais para o meu gosto, mas acabou dando tudo certo na cerimônia, que foi cheia de pontos altos. Do desfile da Primeira Sobrinha pela nave até o “sim” definitivo, todos se sentiram felizes com a felicidade que eles aparentavam e, certamente, sentiam. O Presidente e a Primeira Dama se casaram felizes e bem acompanhados. Nós estávamos lá para o que desse e viesse.
O trajeto até a recepção manteve a confusão. Quase ninguém sabia onde ficava o tal Templo da Sonegação e eu cansei de tentar explicar as melhores alternativas. Chegou uma hora em que desisti, coloquei a Minha Mineira no carro e fui embora.
Na verdade, toda essa reação explosiva era uma reação à urticária que me percorria dos pés à cabeça por conta da concessão que eu estava a ponto de fazer.
Pisar naquele solo de sonegação e ostentação sempre havia sido um tabu para mim, mas o motivo era mais do que nobre e eu me rendi. Deixei de lado meus preconceitos proletários e entrei de cabeça na festa.
Confesso, sem vergonha nenhuma, que não senti culpa nenhuma depois disso.
Foi ótimo ser bem atendido e curtir a festa ao lado deles. Era o Presidente que estava se casando e tudo valia a pena. Até mesmo “derrubar” oito caipirinhas de limão com Smirnoff Black. Maravilha de ressaca!
Aliás, se tem uma coisa que me impressionou nessa festa de casamento foi o atendimento do bufê. Eu não precisava pensar duas vezes em alguma coisa e lá estava ela à minha disposição. E quando o copo ficava vazio, eu mal percebia quando havia alguém deixando novos líquidos à minha disposição. Impressionante! Deve ter ficado os olhos da cara, mas foi impressionante.
Mas independente de ideais, de bebidas e de serviço, o que realmente importa é que o objetivo da celebração foi alcançado e eles iniciaram uma nova etapa da vida a dois com os dois pés direitos: um de cada metade do casal.
Espero e desejo que as mudanças que devem acontecer após a cerimônia só façam aumentar a felicidade e a satisfação por estarem dividindo suas vidas com quem amam.
E isso vale para ambos!
Longa vida para o casal presidencial!
Que Deus sempre olhe por vocês!
E que nunca falte bebida e companhia!
Da minha parte, garanto a companhia, afinal de contas Presidente, em certas ocasiões, sempre haverá dois!
O trajeto até a recepção manteve a confusão. Quase ninguém sabia onde ficava o tal Templo da Sonegação e eu cansei de tentar explicar as melhores alternativas. Chegou uma hora em que desisti, coloquei a Minha Mineira no carro e fui embora.
Na verdade, toda essa reação explosiva era uma reação à urticária que me percorria dos pés à cabeça por conta da concessão que eu estava a ponto de fazer.
Pisar naquele solo de sonegação e ostentação sempre havia sido um tabu para mim, mas o motivo era mais do que nobre e eu me rendi. Deixei de lado meus preconceitos proletários e entrei de cabeça na festa.
Confesso, sem vergonha nenhuma, que não senti culpa nenhuma depois disso.
Foi ótimo ser bem atendido e curtir a festa ao lado deles. Era o Presidente que estava se casando e tudo valia a pena. Até mesmo “derrubar” oito caipirinhas de limão com Smirnoff Black. Maravilha de ressaca!
Aliás, se tem uma coisa que me impressionou nessa festa de casamento foi o atendimento do bufê. Eu não precisava pensar duas vezes em alguma coisa e lá estava ela à minha disposição. E quando o copo ficava vazio, eu mal percebia quando havia alguém deixando novos líquidos à minha disposição. Impressionante! Deve ter ficado os olhos da cara, mas foi impressionante.
Mas independente de ideais, de bebidas e de serviço, o que realmente importa é que o objetivo da celebração foi alcançado e eles iniciaram uma nova etapa da vida a dois com os dois pés direitos: um de cada metade do casal.
Espero e desejo que as mudanças que devem acontecer após a cerimônia só façam aumentar a felicidade e a satisfação por estarem dividindo suas vidas com quem amam.
E isso vale para ambos!
Longa vida para o casal presidencial!
Que Deus sempre olhe por vocês!
E que nunca falte bebida e companhia!
Da minha parte, garanto a companhia, afinal de contas Presidente, em certas ocasiões, sempre haverá dois!
quinta-feira, setembro 06, 2007
Para fora
Me deu vontade de passar um tempo no exterior.
Deve ter a ver com o e-mail que escrevi há pouco para o amigo-irmão que está em Boston e com a idéia de que a solução para todos os problemas de uma amiga estão na Alemanha.
Mas não sou como ela. Não estou procurando soluções. Não preciso me arrepender (muito) do que fiz no passado e fugir.
Sou mais como ele, que está procurando viver melhor. E voltar, diga-se de passagem.
Tenho amigos morando em Madrid, também. Daqui a pouco terei mais, mas por enquanto é uma só pessoa que foi para lá mais ou menos fugida: ela deixou a vida para trás e fugiu.
Lá ela foi a uma lojinha de descontos e comprou outra, novinha em folha, cheia de coisas coloridas para alegrar os dias, cheia de amores novos, rotinas novas, vidas novas.
Mas também não preciso renovar tudo. Tem coisas que funcionam na minha vida. Nem tudo, mas algumas coisas sim. Não preciso largar tudo. Não quero largar tudo.
Mas bem que poderia passar dois anos na França como o X.
Ele largou pouca coisa aqui. Quase nada, na verdade. E quando voltou, tinha uma vida nova montadinha esperando por ele.
Tudo bem que falta um pouco de emoção, mas não se pode ter tudo, não é?
Ou será que sim?
Não vai adiantar buscar defeitos sentimentais na idéia de sair um pouco.
Por mais que eu os encontre, a vontade de ir só vai passar com o tempo.
Ou com a cerveja.
Ou ainda com uma boa conversa com a Minha Mineira, tão apegada que é às raízes, à família, a tudo.
Ou com tudo isso junto, misturado e batido com gelo e limão. Saúde!
A vontade talvez não passe e eu provavelmente não vá.
Mas fica o registro da vontade, ah, fica.
Quem sabe um dia eu tome coragem e vá. Ou fique e mude tudo. Sei lá.
Vontades são para isso mesmo.
UPDATE:
Esqueci de mencionar o Jar-Jar, que vai passar uma boa temporada em Buenos Aires, em uma situação onde eu queria estar (inveja pura), mas isso é outra história.
Deve ter a ver com o e-mail que escrevi há pouco para o amigo-irmão que está em Boston e com a idéia de que a solução para todos os problemas de uma amiga estão na Alemanha.
Mas não sou como ela. Não estou procurando soluções. Não preciso me arrepender (muito) do que fiz no passado e fugir.
Sou mais como ele, que está procurando viver melhor. E voltar, diga-se de passagem.
Tenho amigos morando em Madrid, também. Daqui a pouco terei mais, mas por enquanto é uma só pessoa que foi para lá mais ou menos fugida: ela deixou a vida para trás e fugiu.
Lá ela foi a uma lojinha de descontos e comprou outra, novinha em folha, cheia de coisas coloridas para alegrar os dias, cheia de amores novos, rotinas novas, vidas novas.
Mas também não preciso renovar tudo. Tem coisas que funcionam na minha vida. Nem tudo, mas algumas coisas sim. Não preciso largar tudo. Não quero largar tudo.
Mas bem que poderia passar dois anos na França como o X.
Ele largou pouca coisa aqui. Quase nada, na verdade. E quando voltou, tinha uma vida nova montadinha esperando por ele.
Tudo bem que falta um pouco de emoção, mas não se pode ter tudo, não é?
Ou será que sim?
Não vai adiantar buscar defeitos sentimentais na idéia de sair um pouco.
Por mais que eu os encontre, a vontade de ir só vai passar com o tempo.
Ou com a cerveja.
Ou ainda com uma boa conversa com a Minha Mineira, tão apegada que é às raízes, à família, a tudo.
Ou com tudo isso junto, misturado e batido com gelo e limão. Saúde!
A vontade talvez não passe e eu provavelmente não vá.
Mas fica o registro da vontade, ah, fica.
Quem sabe um dia eu tome coragem e vá. Ou fique e mude tudo. Sei lá.
Vontades são para isso mesmo.
UPDATE:
Esqueci de mencionar o Jar-Jar, que vai passar uma boa temporada em Buenos Aires, em uma situação onde eu queria estar (inveja pura), mas isso é outra história.
terça-feira, setembro 04, 2007
Tiozão
Em recente ida para Bertioga eu vivi uma situação que, se não era nova, acabou sendo meio que reveladora: me vi em meio a um bando de gente mais nova, dando conselhos sentimentais e desafiando algumas idéias que estavam enraizadas em alguns deles.
A idéia era mesmo fazer todo mundo pensar nas suas "verdades" e, adivinhem, virei ídolo dos bêbados.
As meninas me ouviram praticamente sem manifestações, mas os caras, principalmente os mais acelerados na birra me elogiaram até o início da madrugada.
E havia razão para tanta alegria.
Eu falei coisas em que acreditava e que fizeram os caras pensarem nas próprias realidades, principalmente no que se refere ao coração. Falei de mim, da Minha Mineira, do nosso relacionamento e do nosso acordo de cuidar da felicidade um do outro.
Não sei se foi bom ter mencionado o fim da ilusão e a maior adequação de sentimentos que vem com a idade, mas acredito que eles entenderam que a mensagem visava aumentar a confiança no sucesso de relacionamentos.
Sim, por que o sucesso no amor foi a tecla mais batida em toda a conversa.
Ficou a impressão de que só quem tem medo de ficar sozinho não entendeu a idéia de esperança, concessão e ajuste de expectativas que tentei passar.
Me senti como o irmão mais velho cuidando da molecada.
Um dos pontos que mais irritou uma das amigas da Minha Mineira foi a minha idéia de que a fidelidade é uma escolha e não uma coisa natural do ser humano.
Ela ficou indignada e não se acalmou, mesmo depois de eu explicar que não achava moralmente certo ter um relacionamento paralelo, mas sim que acreditava que isso dependia de esforço, dedicação e, principalmente, disposição.
Eu quis dizer que não era natural por não ser fácil, mas ela não entendeu. Ou não quis entender. Ou teve medo de entender.
Não sou o dono da verdade, por isso não posso falar por ela.
Mal posso falar por mim e pelas minhas escolhas, mas me sinto bem em conseguir passar algum tipo de mensagem para aqueles que ainda tem coisas para viver e amores para curtir.
Acho que sou um "tiozão" legal, compreensivo e preocupado e é assim que continuará sendo, mesmo que as recalcadas queiram me matar.
A idéia era mesmo fazer todo mundo pensar nas suas "verdades" e, adivinhem, virei ídolo dos bêbados.
As meninas me ouviram praticamente sem manifestações, mas os caras, principalmente os mais acelerados na birra me elogiaram até o início da madrugada.
E havia razão para tanta alegria.
Eu falei coisas em que acreditava e que fizeram os caras pensarem nas próprias realidades, principalmente no que se refere ao coração. Falei de mim, da Minha Mineira, do nosso relacionamento e do nosso acordo de cuidar da felicidade um do outro.
Não sei se foi bom ter mencionado o fim da ilusão e a maior adequação de sentimentos que vem com a idade, mas acredito que eles entenderam que a mensagem visava aumentar a confiança no sucesso de relacionamentos.
Sim, por que o sucesso no amor foi a tecla mais batida em toda a conversa.
Ficou a impressão de que só quem tem medo de ficar sozinho não entendeu a idéia de esperança, concessão e ajuste de expectativas que tentei passar.
Me senti como o irmão mais velho cuidando da molecada.
Um dos pontos que mais irritou uma das amigas da Minha Mineira foi a minha idéia de que a fidelidade é uma escolha e não uma coisa natural do ser humano.
Ela ficou indignada e não se acalmou, mesmo depois de eu explicar que não achava moralmente certo ter um relacionamento paralelo, mas sim que acreditava que isso dependia de esforço, dedicação e, principalmente, disposição.
Eu quis dizer que não era natural por não ser fácil, mas ela não entendeu. Ou não quis entender. Ou teve medo de entender.
Não sou o dono da verdade, por isso não posso falar por ela.
Mal posso falar por mim e pelas minhas escolhas, mas me sinto bem em conseguir passar algum tipo de mensagem para aqueles que ainda tem coisas para viver e amores para curtir.
Acho que sou um "tiozão" legal, compreensivo e preocupado e é assim que continuará sendo, mesmo que as recalcadas queiram me matar.
quarta-feira, julho 18, 2007
Mulher mineira
O "caldinho" que envolve a mineira e dá a ela este jeitinho gostoso foi preparado em panela de ferro num fogão à lenha!
Mineira não mente, conta lorota.
Não paquera, espia.
Não fica bonita, já nasce formosa.
Mineira não usa perfume e cheira gostoso demais (sô).
Mineira não curte um som, ouve música.
Não fala, proseia.
Mineira não come estrogonofe, mas adora um picadinho.
Não faz crediário, compra fiado.
Não fica pelada, mostra as "vergonhas".
Não erra, comete engano.
Não liga pra ninguém, mas telefona pra todo mundo.
Mineira ama diferente.
Flerta de longe, promete com o olhar e cumpre tudo o que nos fez sonhar.
Ela sabe que amor não é pra discursar, é pra fazer.
Ama com os olhos, com as mãos, com o sorriso, com os
gestos.
Conheci muitos tipos de brasileiras.
Faceiras, trigueiras, formosas, poderosas, turbinadas, loiras, morenas, mulatas, bonitas, mas lhes falta essa brejeirice das mineiras, essa paciência de tecer sem
pressa uma teia de aconchegos e mimos, de lembranças e sorrisos, que nós das gerais tanto apreciamos.
Existem coisas que já nascem com a mulher e muitas destas coisas estão
diretamente ligadas ao lugar.
Mineira faz doce como ninguém neste país.
Quem já provou doce de cidra ou de leite feito por mineira, sabe o que é
bom.
Goiabada e marmelada, então, nem se fala!
Mineira ensina mais porque, o que há de importante, ela já nasceu sabendo.
Mineiras se embelezam com bijuterias e ofuscam o brilho de jóias raras.
Vestem-se de chita e ficam bonitas, porque mineira não segue moda, faz moda.
Mineira não usa tênis, enfeita as alpercatas.
Mineira vai à igreja, assiste missa, comunga, mas por via das dúvidas toma
um passe no centro espírita e joga rosas vermelhas pra Iemanjá no "corgo"
de frente à horta.
Sabe que são misteriosos os caminhos que levam às graças de Deus.
Escondida por trás da simplicidade de toda mineira está uma guerreira...
Escondida atrás de toda simplicidade e graça está uma brasileira.
Domingos Leoni
Uma pequena homenagem a quem me inspira.
Um beijo, Minha Mineira.
Mineira não mente, conta lorota.
Não paquera, espia.
Não fica bonita, já nasce formosa.
Mineira não usa perfume e cheira gostoso demais (sô).
Mineira não curte um som, ouve música.
Não fala, proseia.
Mineira não come estrogonofe, mas adora um picadinho.
Não faz crediário, compra fiado.
Não fica pelada, mostra as "vergonhas".
Não erra, comete engano.
Não liga pra ninguém, mas telefona pra todo mundo.
Mineira ama diferente.
Flerta de longe, promete com o olhar e cumpre tudo o que nos fez sonhar.
Ela sabe que amor não é pra discursar, é pra fazer.
Ama com os olhos, com as mãos, com o sorriso, com os
gestos.
Conheci muitos tipos de brasileiras.
Faceiras, trigueiras, formosas, poderosas, turbinadas, loiras, morenas, mulatas, bonitas, mas lhes falta essa brejeirice das mineiras, essa paciência de tecer sem
pressa uma teia de aconchegos e mimos, de lembranças e sorrisos, que nós das gerais tanto apreciamos.
Existem coisas que já nascem com a mulher e muitas destas coisas estão
diretamente ligadas ao lugar.
Mineira faz doce como ninguém neste país.
Quem já provou doce de cidra ou de leite feito por mineira, sabe o que é
bom.
Goiabada e marmelada, então, nem se fala!
Mineira ensina mais porque, o que há de importante, ela já nasceu sabendo.
Mineiras se embelezam com bijuterias e ofuscam o brilho de jóias raras.
Vestem-se de chita e ficam bonitas, porque mineira não segue moda, faz moda.
Mineira não usa tênis, enfeita as alpercatas.
Mineira vai à igreja, assiste missa, comunga, mas por via das dúvidas toma
um passe no centro espírita e joga rosas vermelhas pra Iemanjá no "corgo"
de frente à horta.
Sabe que são misteriosos os caminhos que levam às graças de Deus.
Escondida por trás da simplicidade de toda mineira está uma guerreira...
Escondida atrás de toda simplicidade e graça está uma brasileira.
Domingos Leoni
Uma pequena homenagem a quem me inspira.
Um beijo, Minha Mineira.
quarta-feira, junho 27, 2007
Esperança
Acabei de voltar do cinema e minha vida mudou.
Tudo tem outra perspectiva.

Descobri que, se até o Shrek pode aceitar bem a idéia de ser pai, talvez haja mesmo esperança para mim.
Será?
Sobre o filme: como era de se esperar, é divertido, engraçado e vale a pena mesmo que você não precise de persuasão para aceitar que não terá como fugir da paternidade.
Pode confiar.
Tudo tem outra perspectiva.

Descobri que, se até o Shrek pode aceitar bem a idéia de ser pai, talvez haja mesmo esperança para mim.
Será?
Sobre o filme: como era de se esperar, é divertido, engraçado e vale a pena mesmo que você não precise de persuasão para aceitar que não terá como fugir da paternidade.
Pode confiar.
sexta-feira, junho 22, 2007
Ida e volta
O lugar estava tinindo de novo. Parecia até um hotel ou um shopping. Só caí na real quando não encontrei as lojas e os cachorros do Higienópolis. Bom que isso tenha acontecido antes de eu incomodar a recepcionista.
Assinamos um calhamaço de papéis, seguimos a moça de coque impecável e mãos enrugadas até um quarto do tamanho do nosso apê e começamos a brincar com os botões e controles.
Fiquei fascinado com a cama, cheia de badulaques e inclinações. Precisei medeitar controlar para não tirar uma soneca antes de você e amarrotar a coisa toda. Imaginei que o povaréu que entrava e saía não aprovaria a substituição de corpos.
Falando em gente, a equipe do lugar precisou de reforço para chegar perto do tamanho da nossa turma. A caravana de Uberlândia estava toda lá, com faixas, cornetas e confetes. Só faltaram o tutu e o lombo assado.
Uma picadinha e uns minutos depois, você já estava tomando uma com Sonho e os Perpétuos.
Jogo de paciênca no Ipod, receitas da Ana Maria Braga, explicações para minha mãe sobre mp3 players. Enganei o tempo como deu e até que me dei bem no processo. Quase não dava para perceber que eu estava com vontade de sair correndo pelado pela Martiniano, mas me controlei, para o bem dos olhos do Presidente da empresa que poderia sair para almoçar justo naquela hora.
Só eu sei como você estava em boa companhia. Sei bem como a Matriarca pode ser eficiente e protetora. Tenho certeza que ela cuidou bem de você como se fosse eu. Melhor até.
Com tanto reforço, o lazarento do Murphy não tinha como dar as caras. Nem ele teria essa cara-de-pau.
Noves fora, você entrou e saiu da mesma maneira. Inteirinha. Talvez até mais completa.
Saúde e vaidade equilibradas novamente, o Castelo nos recebeu carinhoso e com saudade da moça rabiscada.
Agora é sossegar o facho e esperar uns dias até pode castigar canais novamente. Por mais que eles mereçam, melhor é não exigir demais da velha/nova carcaça.
Este escriba/acompanhante/amante e toda a trupe do Triângulo e da Octava Región agradecem.
Assinamos um calhamaço de papéis, seguimos a moça de coque impecável e mãos enrugadas até um quarto do tamanho do nosso apê e começamos a brincar com os botões e controles.
Fiquei fascinado com a cama, cheia de badulaques e inclinações. Precisei me
Falando em gente, a equipe do lugar precisou de reforço para chegar perto do tamanho da nossa turma. A caravana de Uberlândia estava toda lá, com faixas, cornetas e confetes. Só faltaram o tutu e o lombo assado.
Uma picadinha e uns minutos depois, você já estava tomando uma com Sonho e os Perpétuos.
Jogo de paciênca no Ipod, receitas da Ana Maria Braga, explicações para minha mãe sobre mp3 players. Enganei o tempo como deu e até que me dei bem no processo. Quase não dava para perceber que eu estava com vontade de sair correndo pelado pela Martiniano, mas me controlei, para o bem dos olhos do Presidente da empresa que poderia sair para almoçar justo naquela hora.
Só eu sei como você estava em boa companhia. Sei bem como a Matriarca pode ser eficiente e protetora. Tenho certeza que ela cuidou bem de você como se fosse eu. Melhor até.
Com tanto reforço, o lazarento do Murphy não tinha como dar as caras. Nem ele teria essa cara-de-pau.
Noves fora, você entrou e saiu da mesma maneira. Inteirinha. Talvez até mais completa.
Saúde e vaidade equilibradas novamente, o Castelo nos recebeu carinhoso e com saudade da moça rabiscada.
Agora é sossegar o facho e esperar uns dias até pode castigar canais novamente. Por mais que eles mereçam, melhor é não exigir demais da velha/nova carcaça.
Este escriba/acompanhante/amante e toda a trupe do Triângulo e da Octava Región agradecem.
sexta-feira, junho 08, 2007
A arte de gostar de mulher
Ainda nos meus tempos de graduação em jornalismo na Uerj, fui assistir a uma palestra do fotógrafo André Arruda, que foi do JB, Globo e trabalhava, entre outras coisas, com moda. Em determinado momento da palestra ele relatava a sua experiência em fotografar nu artístico e soltou a seguinte frase: "para fotografar nu feminino é preciso gostar de mulher". Eu sorri, porque na minha cabeça aquilo parecia meio óbvio, mas antes que qualquer um fizesse algum comentário ele completou.
- Não se trata de gostar de mulher no sentido sexual, ter tesão por mulher nua, essas coisas. Isso pode ter também. Mas se trata de gostar de mulher em um sentido mais profundo. Gostar do universo feminino. Observar que cada calcinha é única, tem uma rendinha diferente e ficar entretido com isso - afirmou.
O fato é que eu concordo com o conceito do Arruda sobre gostar de mulher. Não basta ser heterossexual, o machão latino. Para gostar de verdade de uma mulher. São necessários outros requisitos que são raros. Por isso as mulheres andam tão insatisfeitas.
Sensibilidade é fundamental. Paciência também. O homem que não tem paciência para escutar a necessidade que a mulher tem de falar, ou sensibilidade para cativá-la, a cada dia, não gosta de mulher. Pode gostar de sexo com mulher. O que é bem diferente.
Gostar de mulher é algo além, é penetrar em seu universo, se deliciar com o modo com que ela conta todo o seu dia, minuto por minuto, quando chega do trabalho. Ficar admirando seu corpo, ser um verdadeiro devoto do corpo feminino, as curvas, o cabelo, seios. Mas também cultuar a sagacidade feminina, sua intuição, admirar seu sorriso que é muito mais espontâneo que o nosso.
Gostar de mulher é querer fazer a mulher feliz. Levar flores no trabalho sem nenhum motivo, a não ser o de ver seu sorriso. É escutar pacientemente todas as queixas da chefa rabugenta, que provavelmente, é assim, porque seu homem não gosta de mulher.
O homem que gosta de mulher não está preocupado em quantas mulheres ele comeu durante a vida, mas sim com a qualidade do sexo que teve. Quantas mulheres ele realizou sexualmente, fazendo-as se sentirem desejadas, amadas, únicas, deusas, na cama e na vida.
O homem que gosta de mulher não come mulher. Ele penetra não só no corpo, mas na alma, respirando, sentindo, amando cada pedacinho do corpo, e, é claro, da personalidade.
"Para viver um grande amor é necessário ser de sua dama por inteiro", afirmou Vinícius de Morais no poema "Para viver um grande amor". Para amar verdadeiramente uma mulher, o homem deve ser totalmente fiel, amá-la até a raiz dos cabelos. Admirá-la, se deixar apaixonar todo dia pelo seu sorriso ao despertar, e, principalmente conquistá-la, seduzi-la, como se fosse a primeira vez. O homem que não tem paciência, nem tesão, nem competência para lhe seduzir várias e várias vezes, esse, minha amiga, não se iluda, não gosta nem um pouco de mulher.
Conquistar o corpo e a alma de uma mulher é algo tão gratificante, que tem que ser tentado várias vezes. Só que alguns homens, os que não gostam de mulher, querem conquistar várias mulheres. Os que gostamos de mulher é que conquistamos várias vezes a mesma mulher. E isso nos gratifica, nos fortalece e nos dá uma nova dimensão. A dimensão da poesia, do amor e em última instância do impenetrável universo feminino.
Mas atenção amigos que gostam de mulher: gostar de mulher e penetrar em seu universo não é torná-las cativas e sim libertá-las, admirá-las em sua insuperável liberdade.
Uma das músicas com que mais me identifico é uma em inglês - por incrível que pareça, para um nacionalista e anti-imperialista convicto. É a "Have you really loved a woman?" do cantor Bryan Adams. A música foi tema do filme Don Juan de Marco, e em uma tradução livre quer dizer "você já amou realmente uma mulher?". Em toda a música o cantor fala sobre a necessidade de se conhecer os pensamentos femininos, sonhos, dar-lhe apoio, para amar realmente uma mulher. Essa música é perfeita.
Como se vê, gostar de comer mulher é fácil. Agora gostar de mulher é dificílimo. Precisa ser macho de verdade para isso. Quem se habilita?
- Não se trata de gostar de mulher no sentido sexual, ter tesão por mulher nua, essas coisas. Isso pode ter também. Mas se trata de gostar de mulher em um sentido mais profundo. Gostar do universo feminino. Observar que cada calcinha é única, tem uma rendinha diferente e ficar entretido com isso - afirmou.
O fato é que eu concordo com o conceito do Arruda sobre gostar de mulher. Não basta ser heterossexual, o machão latino. Para gostar de verdade de uma mulher. São necessários outros requisitos que são raros. Por isso as mulheres andam tão insatisfeitas.
Sensibilidade é fundamental. Paciência também. O homem que não tem paciência para escutar a necessidade que a mulher tem de falar, ou sensibilidade para cativá-la, a cada dia, não gosta de mulher. Pode gostar de sexo com mulher. O que é bem diferente.
Gostar de mulher é algo além, é penetrar em seu universo, se deliciar com o modo com que ela conta todo o seu dia, minuto por minuto, quando chega do trabalho. Ficar admirando seu corpo, ser um verdadeiro devoto do corpo feminino, as curvas, o cabelo, seios. Mas também cultuar a sagacidade feminina, sua intuição, admirar seu sorriso que é muito mais espontâneo que o nosso.
Gostar de mulher é querer fazer a mulher feliz. Levar flores no trabalho sem nenhum motivo, a não ser o de ver seu sorriso. É escutar pacientemente todas as queixas da chefa rabugenta, que provavelmente, é assim, porque seu homem não gosta de mulher.
O homem que gosta de mulher não está preocupado em quantas mulheres ele comeu durante a vida, mas sim com a qualidade do sexo que teve. Quantas mulheres ele realizou sexualmente, fazendo-as se sentirem desejadas, amadas, únicas, deusas, na cama e na vida.
O homem que gosta de mulher não come mulher. Ele penetra não só no corpo, mas na alma, respirando, sentindo, amando cada pedacinho do corpo, e, é claro, da personalidade.
"Para viver um grande amor é necessário ser de sua dama por inteiro", afirmou Vinícius de Morais no poema "Para viver um grande amor". Para amar verdadeiramente uma mulher, o homem deve ser totalmente fiel, amá-la até a raiz dos cabelos. Admirá-la, se deixar apaixonar todo dia pelo seu sorriso ao despertar, e, principalmente conquistá-la, seduzi-la, como se fosse a primeira vez. O homem que não tem paciência, nem tesão, nem competência para lhe seduzir várias e várias vezes, esse, minha amiga, não se iluda, não gosta nem um pouco de mulher.
Conquistar o corpo e a alma de uma mulher é algo tão gratificante, que tem que ser tentado várias vezes. Só que alguns homens, os que não gostam de mulher, querem conquistar várias mulheres. Os que gostamos de mulher é que conquistamos várias vezes a mesma mulher. E isso nos gratifica, nos fortalece e nos dá uma nova dimensão. A dimensão da poesia, do amor e em última instância do impenetrável universo feminino.
Mas atenção amigos que gostam de mulher: gostar de mulher e penetrar em seu universo não é torná-las cativas e sim libertá-las, admirá-las em sua insuperável liberdade.
Uma das músicas com que mais me identifico é uma em inglês - por incrível que pareça, para um nacionalista e anti-imperialista convicto. É a "Have you really loved a woman?" do cantor Bryan Adams. A música foi tema do filme Don Juan de Marco, e em uma tradução livre quer dizer "você já amou realmente uma mulher?". Em toda a música o cantor fala sobre a necessidade de se conhecer os pensamentos femininos, sonhos, dar-lhe apoio, para amar realmente uma mulher. Essa música é perfeita.
Como se vê, gostar de comer mulher é fácil. Agora gostar de mulher é dificílimo. Precisa ser macho de verdade para isso. Quem se habilita?
quarta-feira, maio 30, 2007
A difícil arte
Muita gente diz que estou na profissão errada, que eu deveria ser terapeuta ou, pior, que eu só preciso do diploma para sair por aí consertando o mundo e suas manias.
Outros dizem que eu deveria ser cozinheiro, guia turístico, colunista de jornal e outras coisas que nada têm a ver com a minha atividade atual.
De tudo isso, o que mais me dá prazer é a primeira parte que, mesmo feita sem nenhuma base teórica, acaba dando vários resultados positivos para as pessoas com quem converso.
É claro que não posso dizer que todo mundo encontra a solução dos seus problemas, mas entendo que acabo contribuindo para que a pessoa encontre suas próprias respostas, principalmente por que me coloco na posição de ouvinte atento e de opinador com respeito, o que invariavelmente é o que as pessoas precisam para seguir em frente.
Uma parte engraçada nessa vida de psicólogo amador é quando o necessitado sou eu.
Aí a coisa muda de figura e todos os meus conselhos perdem a sua efetividade.
Não adianta ninguém tentar conversar, me ajudar ou me animar. Nada funciona e eu sigo no buraco até que me decido a sair dele e efetivamente saio. Quando tenho um problema, eu me fecho e só saio quando melhoro.
Considero isso um defeito, mais do que uma capacidade de sobrevivência, coisa que eu admito que é forte em mim. Defeito por que afasta as pessoas de mim e impede que se preocupem comigo. Quer dizer, elas se preocupam, mas eu me isolo e ninguém fica feliz.
Se eu não estivesse em um rotina de estresse e raiva do mundo, talvez ninguém precisasse se preocupar comigo, mas infelizmente isso não está acontecendo e quando consegue se livrar das próprias frustrações e medos, a Minha Mineira vem babando para cima de mim e dos meus perrengues.
Pena que ela não pode fazer nada. Minto. Não que ela não possa, eu é que não deixo que ela faça nada.
Aliás, que não deixo que ninguém faça nada.
Somos só eu e minha casca.
Por enquanto tem sido suficiente.
Pena que seja assim.
É meio solitário e escuro às vezes.
Outros dizem que eu deveria ser cozinheiro, guia turístico, colunista de jornal e outras coisas que nada têm a ver com a minha atividade atual.
De tudo isso, o que mais me dá prazer é a primeira parte que, mesmo feita sem nenhuma base teórica, acaba dando vários resultados positivos para as pessoas com quem converso.
É claro que não posso dizer que todo mundo encontra a solução dos seus problemas, mas entendo que acabo contribuindo para que a pessoa encontre suas próprias respostas, principalmente por que me coloco na posição de ouvinte atento e de opinador com respeito, o que invariavelmente é o que as pessoas precisam para seguir em frente.
Uma parte engraçada nessa vida de psicólogo amador é quando o necessitado sou eu.
Aí a coisa muda de figura e todos os meus conselhos perdem a sua efetividade.
Não adianta ninguém tentar conversar, me ajudar ou me animar. Nada funciona e eu sigo no buraco até que me decido a sair dele e efetivamente saio. Quando tenho um problema, eu me fecho e só saio quando melhoro.
Considero isso um defeito, mais do que uma capacidade de sobrevivência, coisa que eu admito que é forte em mim. Defeito por que afasta as pessoas de mim e impede que se preocupem comigo. Quer dizer, elas se preocupam, mas eu me isolo e ninguém fica feliz.
Se eu não estivesse em um rotina de estresse e raiva do mundo, talvez ninguém precisasse se preocupar comigo, mas infelizmente isso não está acontecendo e quando consegue se livrar das próprias frustrações e medos, a Minha Mineira vem babando para cima de mim e dos meus perrengues.
Pena que ela não pode fazer nada. Minto. Não que ela não possa, eu é que não deixo que ela faça nada.
Aliás, que não deixo que ninguém faça nada.
Somos só eu e minha casca.
Por enquanto tem sido suficiente.
Pena que seja assim.
É meio solitário e escuro às vezes.
quarta-feira, maio 23, 2007
Abrir a mente
Livre Pensador
Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: "Mostre como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro."
A resposta do estudante foi a seguinte: "Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício."
Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente.
Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder à questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física.
Passados cinco minutos, ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor.
Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta: "Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo.
Depois, empregando a fórmula h = (1/2)gt^2 , calcule a altura do edifício."
Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.
Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.
"Ah, sim!" - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro".
Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.
"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício". Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se à altura do edifício. "Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas".
"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."
"Finalmente", - concluiu, - "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer diz-se: "Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o senhor me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.".
A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.
----------------------------------------------------------------------------------
"Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto"
Albert Einstein
Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: "Mostre como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro."
A resposta do estudante foi a seguinte: "Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício."
Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente.
Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder à questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física.
Passados cinco minutos, ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor.
Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta: "Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo.
Depois, empregando a fórmula h = (1/2)gt^2 , calcule a altura do edifício."
Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.
Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.
"Ah, sim!" - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro".
Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.
"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício". Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se à altura do edifício. "Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas".
"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."
"Finalmente", - concluiu, - "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer diz-se: "Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o senhor me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.".
A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.
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"Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto"
Albert Einstein
sexta-feira, maio 18, 2007
Vão com Deus
Para Edu e Nat
Tive uma conversa com o Coordenador da Comissão Técnica do Céu, meu querido amigo Judas Tadeu, e acordei uma série de táticas para quando vocês estiverem fora.
O primeiro acerto foi garantir que vocês voltem, por que visitar Boston uma vez quando o curso já tiver acabado é uma coisa, fazer dos States um destino frequente de férias é algo que nem os portenhos merecem.
Depois tratamos de temas como saúde, felicidade, diversão e coisas afins.
Achei prudente reforçar algo que vocês costumam levar muito bem. Nunca é demais uma ajuda divina em algo tão humano.

Boston
Acho que isso deve garantir que os próximos 12 meses sejam do jeito que vocês planejaram. Ou melhor, que sejam ainda melhores do que planejaram. Ou ainda que vocês deixem de lado essa besteira de planejamento e vivam a vida da forma mais feliz que puderem.
É melhor assim.
Vão com Deus meus queridos e que o sangue basco que corre nas veias de cada um de vocês garanta a emoção que a vida precisa.
Por aqui, os amigos ficarão torcendo e morrendo de saudades.
Pelo menos eu garanto a minha parcela de ambos.
Até a volta!
PS - Para descobrir coisas a fazer no tempo livre, cliquem aqui, aqui, aqui e também aqui.
Tive uma conversa com o Coordenador da Comissão Técnica do Céu, meu querido amigo Judas Tadeu, e acordei uma série de táticas para quando vocês estiverem fora.
O primeiro acerto foi garantir que vocês voltem, por que visitar Boston uma vez quando o curso já tiver acabado é uma coisa, fazer dos States um destino frequente de férias é algo que nem os portenhos merecem.
Depois tratamos de temas como saúde, felicidade, diversão e coisas afins.
Achei prudente reforçar algo que vocês costumam levar muito bem. Nunca é demais uma ajuda divina em algo tão humano.

Boston
Acho que isso deve garantir que os próximos 12 meses sejam do jeito que vocês planejaram. Ou melhor, que sejam ainda melhores do que planejaram. Ou ainda que vocês deixem de lado essa besteira de planejamento e vivam a vida da forma mais feliz que puderem.
É melhor assim.
Vão com Deus meus queridos e que o sangue basco que corre nas veias de cada um de vocês garanta a emoção que a vida precisa.
Por aqui, os amigos ficarão torcendo e morrendo de saudades.
Pelo menos eu garanto a minha parcela de ambos.
Até a volta!
PS - Para descobrir coisas a fazer no tempo livre, cliquem aqui, aqui, aqui e também aqui.
quarta-feira, maio 09, 2007
Pais
Há poucas semanas o pai de um grande amigo foi conversar com a Comissão Técnica do Céu deixando um espaço considerável na vida de um monte de gente, inclusive na minha, que se não era muito próximo dele, acaba admirando-o em silêncio quando cruzava com ele na descida da Consolação.
Quer dizer, para mim era uma descida, mas para ele, com 70 anos nas costas, era uma longa e cansativa subida.
Assim que soube do ocorrido, procurei fazer o que me cabia, mesmo que eu não soubesse bem o que isso significava. Eu não sabia se devia me fazer presente fisicamente ou se bastava ligar ou mesmo mandar um e-mail.
Essas coisas de cerimoniais nunca foram o meu forte e o fato dos demais amigos também não saberem o que fazer não ajudava muito.

Acabamos não visitando o hospital (nem quando ele ainda estava vivo), mas marcando presença no velório e na missa de sétimo dia.
Não foi como aquela história de Internet onde o doente terminal diz que sabia que o amigo relutante viria visitá-lo, mas acabaram sendo dois momentos bons para o reforço da nossa amizade.
Eu ainda estava sob efeito dessa solidariedade quando acabei sentindo algo muito parecido com o meu próprio sangue. Bastou uma abelha e uma alergia exagerada para que meu velho ficasse todo inchado e me enchesse de preocupação.
Felizmente não foi nada de mais, mas não foi bom pensar no que poderia ter acontecido com ele.
Sou bastante econômico nas demonstrações de sentimentos, mas tenho certeza que não estou preparado para reagir a esse tipo de perda. Não consigo entender a morte, apesar de aceitá-la e até esperá-la, mas no meu caso, não no dele. Ou da minha velha mãe ou de qualquer um da minha família.
Tenho certeza que vou "despirocar" quando isso acontecer.
Sim, por que aqui a condicional não vale. É uma coisa que depende apenas do tempo.
Outra coisa que não sei como será é a minha própria experiência como pai, isso se a Minha Mineira conseguir mesmo me convencer a largar o meu medo da responsabilidade.
Por que é exatamente isso que eu tenho quando se fala de filhos e família: medo de não ser capaz, medo de não fazer direito, medo do fracasso.
Mas acho que meu medo não é suficiente para convencê-la e terei mesmo muito assunto para expandir este tema de paternidade.
Por enquanto, fico com a dor do meu amigo e com o meu próprio susto.
Ou medo. Como queiram.
Quer dizer, para mim era uma descida, mas para ele, com 70 anos nas costas, era uma longa e cansativa subida.
Assim que soube do ocorrido, procurei fazer o que me cabia, mesmo que eu não soubesse bem o que isso significava. Eu não sabia se devia me fazer presente fisicamente ou se bastava ligar ou mesmo mandar um e-mail.
Essas coisas de cerimoniais nunca foram o meu forte e o fato dos demais amigos também não saberem o que fazer não ajudava muito.

Acabamos não visitando o hospital (nem quando ele ainda estava vivo), mas marcando presença no velório e na missa de sétimo dia.
Não foi como aquela história de Internet onde o doente terminal diz que sabia que o amigo relutante viria visitá-lo, mas acabaram sendo dois momentos bons para o reforço da nossa amizade.
Eu ainda estava sob efeito dessa solidariedade quando acabei sentindo algo muito parecido com o meu próprio sangue. Bastou uma abelha e uma alergia exagerada para que meu velho ficasse todo inchado e me enchesse de preocupação.
Felizmente não foi nada de mais, mas não foi bom pensar no que poderia ter acontecido com ele.
Sou bastante econômico nas demonstrações de sentimentos, mas tenho certeza que não estou preparado para reagir a esse tipo de perda. Não consigo entender a morte, apesar de aceitá-la e até esperá-la, mas no meu caso, não no dele. Ou da minha velha mãe ou de qualquer um da minha família.
Tenho certeza que vou "despirocar" quando isso acontecer.
Sim, por que aqui a condicional não vale. É uma coisa que depende apenas do tempo.
Outra coisa que não sei como será é a minha própria experiência como pai, isso se a Minha Mineira conseguir mesmo me convencer a largar o meu medo da responsabilidade.
Por que é exatamente isso que eu tenho quando se fala de filhos e família: medo de não ser capaz, medo de não fazer direito, medo do fracasso.
Mas acho que meu medo não é suficiente para convencê-la e terei mesmo muito assunto para expandir este tema de paternidade.
Por enquanto, fico com a dor do meu amigo e com o meu próprio susto.
Ou medo. Como queiram.
sexta-feira, abril 27, 2007
Exercícios
Na minha época áurea de comparecimento à academia, eu fazia questão de estar lá em dois períodos. De manhã, eu fazia alguma aula ou pedalava ou corria ou fazia um pouco de musculação. À noite, eu nadava, fazia yoga ou experimentava todas as modalidades novas que a academia chique inventava.
Eu experimentei de tudo mesmo, de ginástica animal a boxe, passando por alongamentos com grande bolas de plástico e hidroginástica.
Ir à academia era um vício bom e me dava um grande crédito para tomar as minhas tão adoradas cervejinhas.
Por falar nisso, ficaram notórias as noites em que eu saía arrebentado da natação, depois de ralar por 45 minutos e fazer várias "chegadas" das mais variadas formas, ligava para os amigos e ia encontrá-los no boteco.
Eles também haviam feito sua cota de exercícios e se achavam no direito de curtir um pouco a boa forma.
Até aí tudo bem, mas com a alta frequência dos exercícios vieram as lesões e com isso a depressão.
É incrível como em uma questão de dias, o alto astral provocado pela endorfina vira bode total por conta de uma lesão no punho ou por um estiramento no braço.
Mesmo quando não estou tão aplicado nos exercícios, interrompê-los por causa de uma lesão me deixa mais por baixo do que a moral dos deputados federais mensaleiros e sanguessugas.
Em um mesmo ano foram três ou quatro problemas mais ou menos seguidos, nem todos provocados por excesso de atividade ou por execução errada.
Assim não há santo que mantenha o alto astral.
Era azar puro mesmo!
E não são só as coisas coriqueiras que são afetadas por essa depressão pós-lesão.
Até o sexo perde com isso. Da mesma forma como acontece quando estou muito estressado no trabalho, também quando pinta alguma lesão física, a Minha Mineira acaba sendo a principal afetada.
Infelizmente ela não tem culpa, mas infelizmente também essa é uma coisa que faz parte do pacote.
Hoje em dia as lesões diminuíram bastante, mas só por que a atividade física também é quase nula.
Ultimamente só me sobra tempo (e vontade) para ir e voltar a pé do trabalho e para suar um pouco na esteira do prédio.
Como não estou em uma fase muito boa estresse, espero que eu não torça uma unha quando for pegar uma fruta na geladeira ou a Minha Mineira vai passar por um novo período de estiagem, maior até do que o atual.
Ai, meus sais!
Eu experimentei de tudo mesmo, de ginástica animal a boxe, passando por alongamentos com grande bolas de plástico e hidroginástica.
Ir à academia era um vício bom e me dava um grande crédito para tomar as minhas tão adoradas cervejinhas.
Por falar nisso, ficaram notórias as noites em que eu saía arrebentado da natação, depois de ralar por 45 minutos e fazer várias "chegadas" das mais variadas formas, ligava para os amigos e ia encontrá-los no boteco.
Eles também haviam feito sua cota de exercícios e se achavam no direito de curtir um pouco a boa forma.
Até aí tudo bem, mas com a alta frequência dos exercícios vieram as lesões e com isso a depressão.
É incrível como em uma questão de dias, o alto astral provocado pela endorfina vira bode total por conta de uma lesão no punho ou por um estiramento no braço.
Mesmo quando não estou tão aplicado nos exercícios, interrompê-los por causa de uma lesão me deixa mais por baixo do que a moral dos deputados federais mensaleiros e sanguessugas.
Em um mesmo ano foram três ou quatro problemas mais ou menos seguidos, nem todos provocados por excesso de atividade ou por execução errada.
Assim não há santo que mantenha o alto astral.
Era azar puro mesmo!
E não são só as coisas coriqueiras que são afetadas por essa depressão pós-lesão.
Até o sexo perde com isso. Da mesma forma como acontece quando estou muito estressado no trabalho, também quando pinta alguma lesão física, a Minha Mineira acaba sendo a principal afetada.
Infelizmente ela não tem culpa, mas infelizmente também essa é uma coisa que faz parte do pacote.
Hoje em dia as lesões diminuíram bastante, mas só por que a atividade física também é quase nula.
Ultimamente só me sobra tempo (e vontade) para ir e voltar a pé do trabalho e para suar um pouco na esteira do prédio.
Como não estou em uma fase muito boa estresse, espero que eu não torça uma unha quando for pegar uma fruta na geladeira ou a Minha Mineira vai passar por um novo período de estiagem, maior até do que o atual.
Ai, meus sais!
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