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terça-feira, outubro 14, 2008

Raiva

Passei o dia inteiro hoje com raiva da minha mãe. Nunca considerei que viveria algo parecido, mas o sentimento viveu em mim desde que acordei até agora.
É raiva misturada com frustração. Evito pensar em ódio. Nada bom pode acontecer quando se começa a odiar a própria mãe. Principalmente para alguém que sempre evitou odiar qualquer coisa.

Também acho que nada de bom pode sair de uma situação onde se tem raiva da mãe. Nada. Por isso acho que a coisa ainda vai piorar antes de começar a melhorar.

Que bosta!

quinta-feira, julho 17, 2008

Por que não escrevo mais?

Não escrevo mais por que fui atropelado. Foi um impacto lazarento de grande e não teve nada de rápido, como costumam descrever nos filmes. Se passaram "horas" entre o momento que eu vi que seria atingido e a pancada em si. Eu sabia que doeria, mas não fiz nada além de esperar a dor.

E a dor não me decepcionou. Veio acompanhada. Trouxe a desorientação, o desespero e a depressão.

Eu sabia que precisava de energia e vontade para levantar e sair andando, mas escolhi manter a dor e deixar o tempo passar. Tudo era mais tranquilo na dor. Até que não era tão ruim ser atropelado.

Quem me atropelou fugiu. Não parou. Nem pensou em prestar socorro. Até riu depois de me derrubar. Riu, acelerou e foi embora. Deixou o trouxa ali no chão. E o trouxa era fraco e impotente. Foi uma boa escolha de vítima.

A vida escolheu muito bem no dia em que me atropelou. Ela estava especialmente cruel e tinha muito o que fazer para me notar ali deitado.
Mudança de castelo, reformas, busca desesperada por um herdeiro, viagens para encontrar a família, estresse no trabalho, planos para as férias...eram coisas demais para perder tempo comigo.

E nessa eu dancei, me distraí e fui atropelado.

É por isso que eu não escrevo mais.

quinta-feira, abril 24, 2008

Viver é complicado demais

Mais uma vez alguém lá em cima puxa uma cordinha e o pai de alguém próximo vai passear em ares celestiais.
Não queria que fosse assim, mas a volta ao blog é para falar de morte e de dor.
E se a dor não é propriamente minha, não faz tanta diferença já que o Presidente é quase como se fosse do meu sangue.

O pai do Presidente partiu de uma hora para outra, em meio a um banho e depois de uma corrida. Tudo muito rotineiro, menos a parte do enfarte. Isso não é nada banal e deixou um buraco enorme na vida da família.
É o que acontece quando o macho-alfa vai embora sem avisar.

Tudo mudou na vida do Presidente. Na dele, na da companheira e, por que não dizer, na nossa. Tudo ficou mais cinza.
A cor deve voltar aos poucos, mas a dor vai demorar para ir embora.
Talvez não vá nunca, mas isso é algo que não vale a pena nem citar.
A vida já é complexa demais sem que a gente coloque estes componentes pessimistas nela.

Meus sentimentos, Presidente. Que a vida te devolva parte do que perdeu. E que você volte a ser parte do que era.
A gente vai te esperar o tempo que for necessário.