segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Motivos

Mesmo correndo o risco de ser apedrejado sempre que entro nesse assunto, gosto de dizer que se é para transar com alguém fora do casamento, que seja da forma mais barata possível, ou seja, que seja com uma prostituta.

Explicando um pouco melhor, não defendo a infidelidade, a traição ou qualquer outro nome que se queira dar para uma relação extra-conjugal, envolvendo ou não o sexo.
Se eu não acreditasse que esse negócio de casamento é para ser feito uma vez só, talvez até tivesse uma opinião diferente, mas feliz ou infelizmente é assim que eu penso e não dá para acreditar em nada que se afaste muto dessa linha.
Sendo assim, reforço que não acredito que uma infidelidade seja moral ou socialmente acietável.

Dito isso, volto ao que queria comentar, ou seja, volto a falar sobre quando o sexo com uma profissional é a melhor alternativa.
Da mesma forma que declarei naquela certa tarde na mesa do Original, transar com uma prostituta envolve uma série de riscos sanitários e sociais, mas te dispensa de outros riscos, a meu ver muito mais complicados, já que envolvem sentimentos e família.

Então vejamos: ao pagar, você não compra só sexo, mas compra também o sossego de não ter que ligar no dia seguinte, de não ter que dar presentes caros e nem ter que se lembrar de datas comemorativas. Você paga, transa e pronto. Que venha o próximo cliente, para ela, e que venha a velha rotina de volta, para você.
Além disso, com uma profissional, você minimiza sensivelmente o risco de se apaixonar, coisa que, convenhamos, seria a pior coisa que poderia acontecer quando se é casado.

Então, já que a infidelidade é inevitável, melhor relaxar, pagar e gozar, mas gozar bastante que é para valer a pena.
Mas que fique bem claro que eu acredito que quando houver dúvida, melhor não fazer e pagar as velhas e mais caras contas que se ganha quando se diz o fatídico "sim" lá em cima no altar.
Em poucas palavras: na dúvida, não faça!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

35 anos para ser feliz

Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos.
Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo?
Não sei. Mas gostei do resultado.

A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem:
"Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.

Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.

Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem:
depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste.
Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.

Depois que cumprimos as missões impostas no berço - ter uma profissão, casar e procriar - passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Urgência

Descobri nestes últimos dias uma das causas para a confusão que aparece de vez em quando aqui nesta cabeça grande não muito cheia de coisas boas: me falta urgência.
Isso mesmo, me falta urgência, desejo, objetivos idealizados. Me falta sonhar.

Acho que é esse mesmo o caminho.
Diferente da Minha Mineira, eu nunca sonhei com a aprovação no vestibular, com a minha formatura, com o casamento "de véu e grinalda", com a paternidade, com nada.
Basicamente, minha vida sempre foi uma sequência de coisas que simplesmente aconteciam, sem muita preparação, sem muito sonho.
E o que dizer da minha reação depois de conseguir coisas "não sonhadas": costumo dar um sorriso tímido, levantar os ombros e fazer cara de "o que é que está pegando?".
Não saio pulando, comemorando, perdendo as estribeiras.
Eu agradeço educadamente e saio de fininho ainda mais educadamente.

Para não dizer que sou um boneco de cera sem sentimentos, me lembro de dois momentos em que liberei a alegria e "não estava nem aí com a hora do Brasil".
A primeira foi quando comprei meu primeiro carro e ganhei a "liberdade" de convidar as mulheres para sair sem depender de ônibus e encontros em shoppings. Isso foi o máximo, fiquei muito feliz, obviamente que tudo do meu jeito.
A outra foi o segundo show do U2, no início do ano passado. Minha Mineira disse que nunca havia me visto tão empolgado e era verdade.
Talvez esses sejam os dois únicos casos que eu quis muito alguma coisa e cheguei e sonhar com consegui-la
No mais, nada de sonhos, só acontecimentos. Nem a primeira vez teve sonhos. Era mais uma coisa de pressão e de se livrar do incômodo da virgindade. Não havia empolgação ou idealização.

E na atual conjuntura das minhas já 35 primaveras, não sei se existe algo a fazer com relação à essa urgência.
Não vejo forma nem necessidade disso.
Melhor seguir vivendo esta minha vida de expectativas mornas e, graças a Deus, realizações felizes.
O complicado vai ser ter certeza de que é assim mesmo que deve ser.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Mais uma cliente

Recentemente ganhei mais uma cliente na minha clínica informal de psicologia amadora.
Uma colega de trabalho que tinha fama de brava e implacável acabou se revelando uma moça carente, frágil e insegura ao extremo, terreno ideal para a entrada em cena do Dr. E e sua análise surpreendentemente rasteira e efetiva dos problemas da humanidade.

E parece que todas as "baboseiras" que eu disse sobre viver bem sozinha, deixar de ter o relacionamento como fim e passar a tê-lo como meio, se mostrar feliz e se permitir tropeçar na felicidade acabaram dando um resultado mais rápido do que qualquer um de nós esperava: ela conheceu outro colega de trabalho, coincidentemente um quase vizinho de mesa, e se encantou por ele.
Isso era tudo o que eu precisava para reforçar as mensagens passadas anteriormente.
E como ela acreditou em mim, aceitou a sua não-culpa e resolveu "se jogar", estou na expectativa do que pode sair dessa história.

Como deixei bem claro para ela, o que espero é que ela curta esse encantamento, se divirta, conheça o cara legal que esse meu colega é e deixe para fazer planos quando for mesmo necessário. Nada de querer conhecer os pais dele logo depois do primeiro beijo ou começar a comprar o enxoval do bebê depois da primeira transa.
Tudo a seu tempo. Primeiro a curtição, depois os planos. Se o que tiver que ser significar namoro, bem. Se significar amizade, bem também.
O importante é que o encantamento surgiu e que ela curtiu a sensação.
O resto é com Ele.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

A primeira vez

O entorno era simples demais, espartano até: um colchão, uma TV, um DVD player, uma coletânea de clipes do Culture Club, um show da Joss Stone, uma garrafa de tinto chileno e duas taças emprestadas pela minha mãe.
A nossa primeira noite no apartamento foi isso e mais um monte de fantasias e sonhos.
Só não foi mais completa por que tínhamos hora para voltar e sono para compensar.
Mas valeu muito a pena. Aliás, ainda hoje vale.

Tudo isso foi há mais de um ano atrás, quase dois na verdade, mas parece que foi ontem.
É bom pensar que está valendo a pena.
Nada mais parece ser tão difícil e complicado.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Satisfação garantida

Tenho um amigo, infelizmente não muito próximo fisicamente, que é o símbolo da perseverança e da vontade de vencer.
Ele sempre foi muito tranquilo diante das limitações e nunca demonstrou descontrole mesmo que a coisa estivesse condenada e a entrega fosse a melhor coisa a se fazer.
E não dá para dizer que ele deve sua força à família. Infelizmente, o povo dele vive em uma esfera muito mais limitada e o máximo que consegue fazer por ele é lembrá-lo da distância que ele percorreu e da dificuldade que precisou superar para conseguir aprender alguma coisa e "sair da caixa".
Um irmão que vive de micro-golpes, um pai dedicado ao século retrasado e uma mãe educada para não se manifestar não constituiam exatamente um ambiente propício à mudança, mas ninguém se lembrou de contar isso a ele e a coisa deu no que deu.

Esse meu amigo colheu maçãs na Itália, foi garçom na Inglaterra, viajou por boa parte da Europa, aprendeu mais duas línguas, voltou para o Brasil, arrumou o emprego dos sonhos antes de entrar na faculdade e finalmente conseguiu se formar e realizar um sonho pessoal, talvez o único.
Tudo isso em um fôlego só, praticamente sem parar para respirar.

Obviamente que sempre existiram problemas e crises, como o desemprego, por exemplo, mas nunca o vi desanimado ou entregue. Sempre percebi que o sucesso era algo fixo na cabeça dele e nada o faria desistir, nem mesmo a realidade.
Por sorte ele não precisou desse "empurrão" e as coisas se acertaram como deveriam: ele se acertou com aquela que sempre foi a mulher da sua vida, encomendou e recebeu uma linha mesticinha, entrou e saiu da vida de empresário e finalmente se acertou em um emprego de sonhos, pelo menos dos sonhos dele.
Tudo isso para coroar o sempre presente conflito entre a tranquilidade externa e a inquietude externa. Sim, por que ninguém que seja inquieto consegue ir em tantas direções e ainda chegar a algum lugar.
Seria incoerência pura.

Estive presente em diversos momentos felizes da vida desse cara e me considero um privilegiado por poder estar por perto para felicitá-lo e me inspirar na sua vontade de vencer.
Que Deus o proteja agora e sempre!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Trabalho

Se eu soubesse que casar dava tanto trabalho, talvez tivesse adiado um pouco mais esta decisão, que tende a ser definitiva e imutável.
Quer dizer, que dava trabalho eu sabia. Muitos amigos casados já haviam me dito que a coisa às vezes se complicava a ponto da vontade de voltar para a casa dos pais chegar a níveis quase incontroláveis. Mas esses mesmos amigos sustentavam que em outros momentos tudo valia a pena e qualquer sacrifício ou concessão era pequeno diante da felicidade de amar e ser amado.
O senso de justiça me impede de omitir que muitos dos meus amigos mais próximos desaconselharam totalmente o casamento. Para eles, "morar junto" já era o suficiente.
Esses mesmos amigos correm o risco de ficar nessa para sempre, o que certamente não era possível no meu caso.

Minha própria experiência mostrou que ambas opiniões estavam certas. A seu modo.
Casar "enche mesmo o saco", mas é bom demais quando tudo funciona e o excesso de cobranças e compromissos não domina a realidade.
Sim, por que ninguém merece sete dias por semana de cobranças, pagamento de contas e mau humor do parceiro.
Na verdade, nem é preciso que tudo funcione para que a vida a dois funcione. Basta que (no meu caso) a esposa esteja pronta para ouvir como foi meu dia e que me conte em detalhes como foi o seu para que o estresse diário (que nestes tempos anda saindo pelas tampas) diminua um pouco e a gente possa fazer da novela das oito um momento de cumplicidade e relaxamento a dois.

Eu e a minha mineira estamos completando cinco anos de relacionamento.
Foram pouco mais de três de namoro, um e pouco de noivado e quase um e meio de divisão do mesmo teto.
Neste período passamos por todas as experiências relatadas pelos amigos, até mesmo a briga na hora de dormir e a decisão de cada um virar para o seu lado e deixar apenas as bundas se encarando e se desafiando.

Por incrível que pareça, mesmo com pouco mais de um ano de experiência, já estou fazendo escola. Não perco nenhuma oportunidade de conversar com os amigos e colegas que estão a caminho do altar e de explicar em detalhes o que eles devem encontrar depois que disserem o "sim" e passarem a dividir banheiros, contas e gavetas de armário.
Obviamente que mesmo com caminhões de informação, eles terão que aprender suas próprias lições. O que tenho para passar para eles é apenas a minha vida e isso não precisa significar nada para alguém que teve formações, experiências e até vidas inteiras diferentes da minha.
Mas mesmo assim eu acredito que estou colaborando para o sucesso daquela união.
Sim, por que se tem uma coisa em que eu acredito é que casar vale a pena e que trabalhar dia a dia pelo sucesso da empreitada é algo que devemos fazer sem hesitação.

Uma coisa que faço questão de fazer é matar a idéia de que só com amor tudo se resolve. Infelizmente para os mais românticos, até agora tudo que tenho vivido mostra que isso só funciona nos livros e nos filmes. Aliás, nem nos filmes isso tem funcionado mais.
Por mais cínico que pareça, o amor é apenas a base do relacionamento, mas são a concessão, a compreensão, os projetos de vida, as afinidades, as rotinas complementares e até a raiva que mantém o casal unido.
É nisso que acredito, é isso que pratico (com razoável sucesso) e é isso que passo para quem acho que posso ajudar.
Não tive essa informação quando me casei e sinto que ela teria sido bem útil, mas não posso reclamar das decisões que tomei e da trajetória que tive.
Fiz como aquela universidade paulista e aprendi na prática.
E foi bom, está sendo bom e será ainda melhor.

Mas não tente me convencer de que ser pai é legal.
Ainda não consigo engolir essa idéia e me acostumar com mais uma mudança de vida.
Ainda!

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Transferência de responsabilidades

Não costumo postar textos que não são meus, mas achei que este era bastante apropriado e resolvi quebrar mais uma das minhas regras pessoais.

"Um artigo publicado no jornal nos chamou a atenção, pelo tema enfocado. Tratava das desculpas que sempre damos para justificar a nossa infelicidade.
O articulista dizia que um amigo seu, depois de mais de uma década de casamento infeliz, separou-se e, após temporária euforia , caiu em profunda tristeza.
Curioso, perguntou-lhe: "qual a razão para tanto sofrimento?".
E seu amigo respondeu: "aquela maldita está me fazendo uma grande falta, pois agora já não tenho a quem culpar pela minha infelicidade".
O curioso é que muitas vezes nós também agimos de maneira semelhante, pois sempre estamos à procura de alguém a quem responsabilizar pela nossa infelicidade.
E isso é resultado do atavismo que trazemos embutido na nossa forma de pensar e agir.
Quando somos jovens ouvimos nossos pais e amigos dizerem que um dia encontraremos alguém que nos faça feliz.
Então acreditamos que esse alguém tem a missão de nos trazer a felicidade. E passamos a aguardar que chegue logo para fazer o milagre.
Mas, antes disso, quando ainda somos criança, nossos pais acham sempre algo ou alguém a quem culpar pelo nosso sofrimento.
Se nos descuidamos e tropeçamos numa pedra, a culpa foi da pedra, que não saiu da nossa frente.
Se brigamos com o amiguinho , foi ele que nos provocou. Se tiramos nota baixa na escola, a culpa é do professor que não soube nos ensinar.
E é assim que vamos terceirizando nossos problemas e nossa felicidade. E, por conseguinte, as responsabilidades e as soluções.
Se sinto ciúmes, é porque a pessoa com quem me relaciono não permite que eu dirija a sua vida. Embora devesse admitir que é porque não sinto confiança em mim.
Se a inveja me consome, a culpa é de quem se sobressai, de quem estuda mais do que eu, de quem avança e não me dá satisfação dos seus atos.
Se alguém do meu relacionamento tem mais amizades e recebe mais afeto do que eu , fico inventando fofocas para destruir as relações, em vez de conquistar, com sinceridade e dedicação, o afeto que desejo.
Se uma amiga, ou amigo, faz regime e emagrece, e eu não consigo, fico infeliz por isso.
Se tenho problemas de saúde e não melhoro, a culpa é do médico, afinal eu o pago para me curar e ele não cumpre o seu dever..., ainda que eu não siga as suas orientações.
Se não consigo um bom emprego é porque ninguém me valoriza, e às vezes esqueço de que há muito tempo não invisto na melhoria de minha qualidade profissional.
Pensando assim, nós nos colocamos na posição de vítimas, julgando que só não somos felizes por causa dos outros. Afinal, ninguém sabe nos fazer feliz...
Importante pensar com maturidade a esse respeito, pois somente admitindo que somos senhores da nossa vida e do nosso destino, deixaremos de encontrar desculpas, e faremos a nossa parte.
Se seus relacionamentos estão enfermos, analise o que você tem oferecido aos outros. De que maneira os tem tratado. Que atenção tem lhes dado.
Considere sempre que você pode ser o problema. Analise-se. Observe-se. Ouça a sua voz quando fala com os outros.
Sinta o teor de suas palavras. Preste atenção quando fala de alguém ausente.
Depois dessas observações, pergunte-se, sinceramente, se você tem problemas ou se é o próprio problema.
Não tenha medo da resposta, afinal você não deseja ser feliz?
Então não há outro jeito, a não ser enfrentar a realidade...
A felicidade é construção diária e depende do que consideramos o que seja ser feliz.
Se admitimos que a felicidade é uma forma de viver, basta aprender a arte de bem-viver.
E bem viver é buscar a solução dos problemas, sem terceirização...
É assumir a responsabilidade pelos próprios atos.
É admitir que a única pessoa capaz de lhe fazer feliz, está bem perto...
Para vê-la é só chegar em frente ao espelho, e dizer: "muito prazer pessoa capaz de me fazer feliz!"
Pense nisso, e vá em busca de sua real felicidade, sem ilusões e sem medo"

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Eterno

Tem um verso de "All I want is you" do U2 que simbolizou um epísódio muito feliz da minha vida e que diz mais ou menos o seguinte: todas as promessas que eu faço, do berço ao túmulo, quando tudo o que eu quero é você.
Isso sempre me fez crer na eternidade do amor, naquele tipo de eternidade cantada por Vinícius, naquela que é eterna somente enquanto dura.
Esse é o meu tipo de verdade. Vinícius é o meu tipo de poeta: beberrão e apaixonado.

Não tenho talento para a poesia, mas entendo perfeitamente o que esse carioca e careca quis dizer. Entendo bem a urgência que ele tinha de amar. É a mesma urgência que eu tenho. Mais urgência de amar do que de ser amado, é verdade, mas ainda assim um tipo de desejo que me fez caminhar em direção àquele altar e dizer "sim" com convicção.
Naquele momento, assim como hoje, eu acredito que o amor e o compromisso são eternos, mesmo que um dia alguém me convença do contrário.

Entrei nessa para a posteridade e não admito falhas no processo. Sou perfeccionista e exigente demais comigo mesmo para pensar em partir para outra se não funcionar.
Até entendo que esse seja um dos caminhos possíveis diante de um beco sem saída, mas certamente não era nisso que eu estava pensando quando abracei meus pais, meus amigos e até gente que eu não conhecia, chorando como criança e agradecendo a benção que eles nos davam naquele dia.
Entrei nessa para ganhar! E vou ganhar "haja o que hajar".

E que Deus me dê paciência e serenidade!

Dito isso, a letra que me inspirou:

All I want is you

You say you want
Diamonds on a ring of gold
You say you want
Your story to remain untold

But all the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you

You say youll give me
A highway with no one on it
Treasure just to look upon it
All the riches in the night

You say youll give me
Eyes in a moon of blindness
A river in a time of dryness
A harbour in the tempest
But all the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you

You say you want
Your love to work out right
To last with me through the night

You say you want
Diamonds on a ring of gold
Your story to remain untold
Your love not to grow cold

All the promises we break
From the cradle to the grave
When all I want is you

You...all I want is...
You...all I want is...
You...all I want is...
You...

segunda-feira, janeiro 22, 2007

O sofá

Tradicionalmente, depois das inevitáveis brigas de casal, o sofá acaba sendo o principal refúgio para os cônjuges que querem demonstrar a sua insatisfação ou para quem quer apenas incomodar o parceiro ao não se juntar a ele na cama.
Parece que deitar-se no incômodo móvel demonstra rebeldia e falta de respeito, tudo aquilo que se pretende quando se briga com o parceiro, mesmo que seja pelos mais banais motivos.

Curiosamente, não é bem assim que funciona o meu casamento.
Não costumamos ter brigas muito grandes, mas mesmo naquela que pode ser considerada nossa maior crise, a minha mineira não permitiu que eu pegasse meu travesseiro e fosse me contorcer no nosso sofá terracota.
Segundo ela, deixar de dormir juntos é o começo do fim e isso não é aceitável.
Com o rabinho entre as pernas (eu era o culpado naquela ocasião), me encolhi no meu lado da cama e fiquei tentando pegar no sono.
Obviamente, não consegui, mas ainda assim fiquei.

Mais uma coisa curiosa na relação entre o sofá e as brigas do casal: nesta semana a gente teve uma comemoração e uma discussão, tudo mais ou menos no mesmo horário.
Apesar de não ter sido nada grave a ponto de se considerar o sofá como alternativa ou refúgio e de termos ido deitar mais ou menos na mesma hora, no dia seguinte a minha mineira me contou que passou boa parte da noite no sofá e que só voltou para a cama por volta das quatro da manhã.
Como ela não se lembra como ou porquê foi parar lá, começo a pensar que nosso sofá cansou de ser apenas um expectador e resolveu assumir seu verdadeiro papel de acolhedor dos desagrigados e desencamados.
Será?

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Os rituais e a falta deles

Todo mundo estava chupando sementes de romã, dando quinze pulinhos com cada perna, vestindo cueca vermelha e fazendo pedidos para Deus Jorge Benjor.
Todo mundo menos eu.
Por alguma estranha razão, neste Réveillon eu não quis comer sete uvas e guardar as sementes na carteira, correndo o risco de ganhar uma colônia de fungos ao invés de algum prêmio da loteria.
Não senti vontade de pedir nada nem de fazer promessas que sei que não vou cumprir.
Apenas deixei as coisas acontecerem e o ano chegarsem muito alarde.
Pensei: que aconteça o que tiver que sere que Deus me ajude no processo.

Não preciso de muito mais do que isso para ser feliz, não mesmo.
Apesar de desta vez não ter sido tão divertido quanto das demais, eu estava na companhia das pessoas mais queridas (talvez só com duas ou três ausências), comendo e bebendo tudo o que eu sentia vontade e acahdno que as preocupações do trabalho e da rotina estavam bem mais longe do que os 530 quilômetros que havíamos percorrido até a fazenda.
Não havia razão nenhuma para eu abandonar os rituais, mas eu os abandonei mesmo assim.
Como não tinha ondinhas para pular, resolvi abrir mão de tudo em um misto de falta de vontade ou de esperança.
Não tenho como dizer qual deles predominou e não sei até que ponto vale a pena pensar nisso.
O ritual não foi feito e isso não pode ser mudado.
O ano começou, está aí para ser vivido e isso sim me interessa.
E que o resto sejam superstições.

Pé de pato, mangalô, três vezes. Valei-me meu São Judas!

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Natal

Este foi um Natal atípico.
Ao contrário do que acontece todos os anos, desta vez não me enfurnei em shoppings e percorri aqueles corredores até encontrar "aquele" presente, aquela coisa que tivesse "a cara" de cada um dos meus entes queridos.
Isso sempre foi uma tradição que acabava carregando bastante o meu cartão de crédito, mas que me dava um grande prazer, tanto ao comprar quanto ao entregar o presente.

Desta vez isso não aconteceu. Em um misto de desânimo e passividade com a movimentação da minha mineira, acabei deixando tudo passar e quando acordei era dia 24 e todos estavam trocando presentes na casa da minha cunhada.
Todos menos eu. Eu não tinha nada para dar. Nem a minha mineira, a esposa querida, tinha algum presente para receber.
Esse desleixo me deixou em uma posição muito desconfortável, apesar de ninguém ter feito nenhum comentário.
Nem a minha mineira, talvez a única pessoa para quem eu devesse um presente.
Mas ela não precisou dizer nada para eu acordar e entender o impacto daquele gesto.
Ou melhor, o impacto de não ter feito gesto nenhum.
Apesar de ter me juntado ao espírito religioso que dominou aquele Natal, eu matei o simbolismo que sempre me acompanhou em todas as celebrações anteriores.
Fui descuidado e não gostei disso.

E não adiantou muito ter comprado um belo presente há alguns dias.
O presente era o menos importante. Mais do que tudo, era preciso demonstrar a preocupação. Se eu tivesse comprado uma bijouteria de camelô já estaria de bom tamanho.
Pelo menos para a minha mineira, o importante seria o gesto e a lembrança.
Mas não fiz isso e me arrependo.
Não sei bem a razão, mas achei que as idas dela ao Brás e à 25 de Março eram suficientes.
Não eram. Me enganei redondamente.
Me enganei e agora tenho que me mexer por que será necessário um bom conjunto de coisas boas para recuperar o clima dos Natais anteriores.
Ou não. Tudo depende de mim e da minha mineira.
Ou melhor, de mim, por que a parte dela é certa.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Saudade



O narigudinho foi embora e com ele foi também um pouco da idéia de estrutura familiar que eu quero para mim.
E isso não é nada de muito elaborado.
Apenas um pouco de carne e sangue que eu ame e pronto.

Volta logo, viu!

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Pinocho



Ele morreu, mas não consigo dizer que já foi tarde.
Uma das principais razões para a saída dos meus pais (e minha, óbvio) do Chile, morreu rico e sem responder criminalmente por nenhuma das dores que causou ao povo.
Aos defensores, a justificativa de um país estável, com crescimento constante e cada vez mais oportunidades, apesar das limitações geográficas e humanas.
Aos oposicionistas, um gosto amargo de fracasso na tentativa de fazê-lo pagar.

Não deu, mas vamos em frente.
Quem sabe a história ainda não acaba sendo justa e o legado dele acaba pagando o pato.

Xô, Pinocho!
Agora você é problema do Coisa Ruim!

segunda-feira, dezembro 04, 2006

10 coisas que não ajudam a manter a paz no casamento

1 - Reclame sempre da família dela, principalmente da tia chata que ela também não atura mais.
2 - Perca a paciência com facilidade e emburre logo depois, mesmo sem razão aparente ou razoável.
3 - Nunca a acompanhe ao supermercado.
4 - Reclame que ela está trabalhando muito, mesmo que você também esteja.
5 - Não seja muito sutil para questionar a inteligência dela. Melhor ainda se for em público.
6 - Chegue tarde (e bêbado) justo no dia em que ela preparou um jantar surpresa.
7 - Perca o interesse pela montagem da árvore de Natal que ela comprou depois de bater muita perna na 25 de Março.
8 - Repare nas gorduras dela e reclame da ausência de exercício, mesmo que saiba que ela se esforça e faz o que pode.
9 - Ligue o computador assim que chegar em casa e só saia da frente dele na hora de ir dormir.
10 - Faça cara de "vamos embora logo!" sempre que for visitar os pais dela que moram no interior.

Apesar do cunho humorístico desta lista, alguns itens acabam me dando um trabalho real e deixam o "radar" constantemente ligado nesta coisa trabalhosa chamada casamento.
Mas com sorte eu consigo evitar essas e outras armadilhas da vida a dois.

Por que como diz um sábio amigo meu, se fosse fácil não teria graça.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Sonho

Nosso sonho tem cerca de 100 metros quadrados.
E tem sacada para as plantas, quarto para o herdeiro, duas vagas na garagem e lugar para as minhas revistas.
Não posso me esquecer do maleiro para as bolsas, dos dois banheiros e da cozinha ampla, com janelas e separada da sala e da lavanderia.
Nosso sonho é assim, nem mais nem menos.

E além de sonho, ele é data, já que sabemos quando vai acontecer: setembro do ano que vem, salvo mudanças significativas na conjunção das galáxias.

Mas como é que um sonho pode ter tantas especificações?
Não costumamos descrever sonhos como cenas meio nubladas, mudas e, normalmente, pouco ou nada relacionadas à nossa realidade?
Pode ser, mas como o sonho nosso, temos total liberdade de levá-lo para onde nos der na telha.
Por isso, nosso sonho é nosso novo castelo, onde não teremos fosso, torres ou arqueiros nas muralhas, mas que ainda assim nos oferecerá segurança, calor e felicidade.



Não que o castelo atual não nos ofereça isso, mas é que precisamos de um pouco mais de espaço para quando o Labrador chegar.
E depois que ele chegar, nosso sonho mudará de tamanho, forma e lugar, talvez indo um pouco mais para o Sul e chegando mais perto mar, mas continuará sendo o nosso sonho, meu, da minha mineira, do Labrador e do Golden.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Inferno astral é o cazzo

Estou a duas semanas de completar 35 anos e admito que não estou muito feliz.
Não que eu esteja preocupado com o passar dos anos ou com o acúmulo de tecido adiposo em determinadas regiões do meu corpo, mas é que desde que voltamos da viagem de férias, as coisas têm andado meio fora do prumo.
Ok, admito que a gordura me incomoda e que fico envergonhado de andar por aí sem camisa, mas certamente esse é o menor dos meus atuais problemas.

Não bastasse o apoio que tenho que dar à minha mineira por conta da insegurança que pintou sobre as decisões que tomamos na sua vida profissional, ainda tenho que lidar com minha própria desmotivação no trabalho (mais detalhes lá na Firma), com o eterno desequilíbrio nas nossas finanças e com a constante mudança nos planos que fizemos logo depois que nos casamos.
Muito pouca coisa está no lugar e temos que dar um jeito nisso logo.

Se eu fosse um pouco mais supersticioso, diria que estou no meu inferno astral e que tudo vai começar a se arranjar logo depois que Novembro chegar.
Como nasci, cresci e engordei sendo impaciente, não vou ficar esperando esse raio de inferno astral passar e vou dar um jeito na vida.
Tenho que voltar a dar as ordens no "boteco" e não deixar o mar me levar para onde ele quiser.
Obviamente que isso não é nada fácil, mas se eu não tiver nem a idéia de começar, nada vai evoluir, certo?

Portanto, vou dar uma de Constantine, chamar o Lu para conversar e dar uma bela patada naquele traseiro vermelho e incandescente.
Que ele arrume outro lugar para enfiar esse tal de inferno astral.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Playbas

Na época da faculdade, a turma estava dividida entre três grupos mais ou menos coesos: os playboys, os de classe média e os judeus.
Pensando na minha origem proletária e nas opções disponíveis, não havia como não fazer parte do segundo grupo.
Considerando o isolamento natural do segundo grupo (ainda mais lembrando que a escola ficava praticamente no coração de Higienópolis) e as desventuras de classe média que vivo contando por aqui, achei que teria mais graça falar dos projetos de playboy que eu tinha como colegas e como eles evoluíram para os socialites, jogadores de pólo, pegadores de modelos e apresentadores de TV de hoje em dia.

Algo que era impensável para nós, moradores da Zona Norte, era quase que obrigatório para eles: o carro próprio.
Muitos ainda não tinham idade, mas já exibiam alguns Kadett GS, Gol GTI, Escort XR-3 e Saveiro equipadas. Ainda não existia a onda dos carros "tunados", mas eles caprichavam nos adesivos de surfe, nas rodas de liga leve e nos bancos Recaro.

Como eu não fazia parte da turma, foi curioso que um típico representante da classe dos playbas se tornasse meu melhor amigo.
Se dependesse de mim, acho que não teria rolado. Sou meio sectário com esse tipo de coisa e sou difícil de me misturar. Mas como nos encontramos por acasos profissionais, acabamos nos aceitando mutuamente e construindo uma relação de irmãos até hoje.
Foi essa relação que me apresentou ao mundo do Shopping Iguatemi, da Limelight, do antigo Cabral (aquele que ficava em uma travessa da Cidade Jardim) e das noitadas experimentando toda sorte de destilados disponíveis na casa.
Ah, foi com a companhia dos anteriormente odiados playboys que descobri o sexo pago, mas isso é uma estória completamente diferente.

O que ficou disso tudo é que a maioria desses bem nascidos acabam se comportando de forma bastante coesa e até previsível, mas alguns deles ainda assim acabam fazendo algo "que preste" e que faça a diferença.
Um exemplo e um contra-exemplo disso são dois nomes que sempre estão nas bocas dos "formadores de opinião" e nas páginas das mais variadas complicações.
Enquanto um apresenta um programa de televisão pouco criativo, mas bem divertido, é casado e aparenta ser um pai amoroso, outro se limita a dois esportes básicos típicos da classe: jogar pólo e pegar mulher.

Huck e Mansur são dois extremos da turma dos endinheirados e por isso não consigo admirá-los ao mesmo tempo e pelas mesmas razões.
Gosto sinceramente do primeiro e tenho inveja do segundo.
Nada mais que isso. Simples inveja pelas Bundchens, Piovanis e demais objetos do desejo que frequentemente passam pela cama dele.
Mas é só isso. Inveja pura.
Em se tratando de sentimentos, é melhor admirar o Huck, o Joaquim e a menina da pinta, uma típica família endinheirada, jovem e bonita.

Um dia a gente chega lá, não é mesmo, minha mineira?

sexta-feira, outubro 13, 2006

Distância

Era uma conversa natural para eles. Amigos costumam ter esse tipo de conversa, costumam ser um pouco mais do que colegas, mesmo que o fator integrador seja o ambiente de trabalho.
Não costumava entender esse tipo de relacionamento e antipaticamente, acabava me isolando e deixando todos eles lá dentro do escritório quando ia para casa.
Mas um dia resolvi mudar e não me arrependi.
Eles me receberam de braços abertos e falaram das suas intimidades.
É como eu já disse: era normal para eles.

O assunto do almoço eram os relacionamentos à distância. A organizadora da conversa era uma menina que mantinha um relacionamento bissexto com um rapaz que morava no paradisíaco sul da Bahia, na não menos paradisíaca Cumuruxatiba.
Tudo havia começado ali mesmo, na beira da praia como mais um dos milhares de amores de verão que acontecem todos os anos, mas algo aconteceu e o amor subiu a serra, entrou no avião e continuou mesmo na doideira de São Paulo.
E eles continuam se amando até hoje, mesmo com encontros a cada dois meses ou em feriados prolongados.
Fica até chique ela dizer que passou a Semana da Pátria no sul da Bahia enquanto os pobres mortais não vão além do Guarujá. É chique e romântico.
Assim como eu, ela apostou no relacionamento e deixou de lado a dificuldade e a distância.

Obviamente, esse tipo de amor carece de muita confiança e compromisso e foi aí que entrou o comentário de um outro colega, que não acredita em amores entre extremos de São Paulo, quanto mais em estados ou regiões diferentes.
Para ele, o amor necessita de contato para viver e se manter e sem esse contato, tudo acaba se limitando a um sonho que morre aos poucos.
Ele não é tão radical quanto alguns amigos do coração que buscavam namoradas dentro do mesmo bairro, mas acaba seguindo mais ou menos a linha deles.

Por mais estranho que pareça para um cara que foi buscar a esposa lá nos confins do Triângulo Mineiro, eu concordo em parte com essa afirmação. Acredito que o amor não se sustente sozinho e necessite da rotina, do sexo e até das brigas para se manter vivo e prosperar.
Mas a acredito também que é possível encarar um projeto de amor à distância, desde que se tenha a perspectiva adequada de intensidade, objetivos e futuro.
Ou seja, se o amante achar que vale a pena, a distância em si não é suficiente para impedir o amor de acontecer e virar felicidade.
Foi exatamente isso que fiz ao dedicar mais de três anos da minha vida a um relacionamento baseado em 600km de estrada, encontros quinzenais e felicidade crescente. Para mim, ou melhor, para nós valeu o sacrifício.

É por isso que, mesmo acreditando que não exista distância para o amor, estou certo de que nem todo amor valha a pena. Tudo depende do grau de disposição dos amantes.
Uso aqui o termo amantes no sentido de pessoas que amam e não para me referir a pessoas que fazem o papel de terceira parte com relação a um dos membros de um casal.
Amante é quem ama e para amar é preciso disposição, vontade e, óbvio, amor.
Podem existir outros componentes mas julgo que esses sejam os essenciais, sem os quais a estória não acontece.

Para os nao dispostos, melhor amar perto de casa, do trabalho, da padaria.
O que me lembra de uma frase dita por uma pessoa que amei e que hoje mora nas minhas lembranças: os opostos se distraem, os dispostos se atraem.

Amor não é nada sem disposição.
Essa mesma disposição encurta distâncias e diminui saudades.
O resto é como arroz e purê: apenas acompanha.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Contas e mais contas

Poucos assuntos são mais apropriados para um retorno de férias do que o desequilíbrio financeiro de um jovem casal.
Por mais que ambos tentem se policiar e agir de forma austera e econômica, a vontade de comprar aquela "coisinha" que vai ficar perfeita na prateleira da sala ou o DVD daquela banda do coração que você procurava há anos é maior do que qualquer coisa e as administradoras de cartão de crédito acabam agradecendo a preferência. Sim, por que se não fossem aqueles pedacinhos de plástico, minha carteira teria que andar com o dobro do peso para acomodar os talões de cheque ou as notas de cinquenta.

Não bastasse esta vontade de agradar o outro (e a si mesmo) nos 365 dias de lua de mel que costumam acontecer com qualquer casal, eu e minha mineira tivemos que lidar com uma gostosa, mas relativamente custosa viagem à minha terra natal, com direito a alguns mimos para os amigos e, claro, um monte de mimos para a gente.
Não deu para controlar. Foi mais forte do que a gente e nem o temor pelo excesso de bagagem nos impediu de trazer 16 garrafas de vinho e uma batelada de pacotes de geléia. Tudo em nome da exclusividade do produto.

Nem é preciso dizer que esta brincadeira bagunçou ainda mais a nossa já combalida micro-economia, cada dia mais e mais micro.

Tenho que admitir que nossa vida já foi mais afetada por este assunto.
Logo depois que nos casamos, minha mineira perdia noites de sono pensando em juros, empréstimos e prestações atrasadas. Demoramos cinco meses para parar de gastar nossas economias, bem a tempo de assitir ao final delas.
Foi por pouco, mas não precisamos recorrer a financiamento externo. Pelo menos por enquanto.

Infelizmente nosso equilíbrio é apenas relativo.
Não estamos fazendo dívidas que rendam juros imorais, mas também não economizamos um centavo. Tudo que ganhamos vai para pagar as contas da casa, do carro, dos cursos e da diversão que ainda nos permitimos ter. Somos teimosos nisso e achamos que não vale a pena desistir de curtir alguns poucos e bons momentos felizes em troca da manutenção de algumas dezenas de reais. Aí também não, né?

Ainda estamos em busca da fórmula ideal, aquela que não nos obrigue a vegetar e também não faça com que a gaveta de CDs (ou a de sapatos) não tenha mais espaço para as novas aquisições.
Segundo o Professor (que viveu algo parecido enquanto a esposa trilhava o caminho acadêmico), a coisa deve se acalmar lá pelo início do ano que vem.
Isso é um alívio, mas eu e minha mineira não nos conformamos muito com a situação e queremos ver o azul nas nossas contas ainda este ano.
É exatamente aí que está o desafio.
Por que se fosse fácil, qualquer um faria.

Que venham os números, as contas e as planilhas de controle.
O que vier, a gente traça.