Homem mesmo
Eu nunca tinha visto nada parecido.
O cara enfrentou centenas de pessoas de peito aberto e mandou o recado.
O fato de ser o orador oficial da turma, o presidente da comissão e de ter sido homenageado pelos próprios colegas alguns minutos antes, só aumentou o espanto de todos. Os holofotes já estavam todos nele, que brilhou e encantou.
E não teve nada a ver com os agradecimentos aos professores e todo aquele bla-bla-bla. Isso todo mundo está cansado de ver, até eu e minha mania de ser anti-social.
O que pegou foi quando ele citou três pessoas que seriam as grandes responsáveis por aquele sucesso alcançado. A menção dos pais pareceu natural, mas quando ele começou a dizer que precisava agradecer à pessoa que havia lhe ensinado a amar e com quem queria passar o resto da vida, a coisa desandou.
Parece piegas. Parece, não, é extremamente piegas, meloso e até ridículo.
Mas ali naquele momento, foi bonito, tocante e sincero.
Quando ele a chamou pelo nome, lhe deu um abraço e a beijou, entrou um cisco nos meus olhos - nos dois - e comecei a lacrimejar de uma forma incomum. Acho que o ar condicionado estava desregulado.
A minha mineira sofreu do mesmo mal e logo teve que tomar providências para não borrar a maquiagem.
Enquanto durou o abraço, eu tomei o cuidado de olhar para o resto da platéia e não encontrei ninguém que não estivesse olhando aquela cena e sorrindo.
Foi muito bonito, mágico até. Brega, mas mágico.
Como não sou muito afeito a demonstrações públicas de sentimentos, fiquei pensando em quantas eu deveria tomar para fazer algo parecido. E o cara fez tudo de cara limpa. Não havia nenhum aditivo, apenas o amor reforçado por uma briga a poucos dias da festa. O fato dela ter ameaçado não ir deve ter despertado isso no cara.
E ele tratou de mostrar para o que veio.
Que eles sejam felizes e que eu siga o exemplo e possa demonstrar, dentro dos meus limites, o que aquela mineira magrinha trouxe para a minha vida.
E vamos deixar de melação ou a Ginger, a Clarah e a Ailin vão acabar vomitando.
Sorry guys, it´s only love, but I like it!
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
Foi bom para mim
Finalmente fiz a Clarah Averbuck.
Depois de muito tempo insistindo, ela cedeu e eu fui com tudo.
Foi bom demais. Ambos gozaram. Mais eu do que ela, é verdade, mas isso é sexo não matemática.
Não rolou de forma romântica. Nem era possível. O que fizemos foi sexo mesmo. Sexo molhado, gemido e gritado. Nada de sussurros. Isso é coisa de namorados e não temos como ser mais o avesso disso.
Gozei, ela também. Terminamos e nunca mais nos vimos. Pelo menos não em Londres.
Rolou de novo em Porto Alegre, no Rio e aqui mesmo, na cama do meu quarto. E o povo daqui nem desconfiou.
Como a Lady Averbuck é boa de cama! A melhor, eu diria. Nunca vi ninguém com tanta vontade da coisa. E nem estávamos bêbabos ou altos. Era tesão puro mesmo.
Antes que a minha mineira tenha um treco, é bom esclarecer que foram mais ou menos estas as sensações de ler "Máquina de pinball", livro da gaúcha Clarah Averbuck. Um apanhado de aventuras sexuais e passionais de uma jovem mulher, meio perdida entre paixões e contas para pagar.
Curti muito o livro, emprestado por uma amiga da minha irmã cineasta.
Gostei tanto que já que quero fazer a Clarah de novo.
"Vida de gato" que me aguarde!

Máquina de Pinball
Para saber mais sobre a Lady Averbuck, basta clicar no link ao lado. E gozar também!
Finalmente fiz a Clarah Averbuck.
Depois de muito tempo insistindo, ela cedeu e eu fui com tudo.
Foi bom demais. Ambos gozaram. Mais eu do que ela, é verdade, mas isso é sexo não matemática.
Não rolou de forma romântica. Nem era possível. O que fizemos foi sexo mesmo. Sexo molhado, gemido e gritado. Nada de sussurros. Isso é coisa de namorados e não temos como ser mais o avesso disso.
Gozei, ela também. Terminamos e nunca mais nos vimos. Pelo menos não em Londres.
Rolou de novo em Porto Alegre, no Rio e aqui mesmo, na cama do meu quarto. E o povo daqui nem desconfiou.
Como a Lady Averbuck é boa de cama! A melhor, eu diria. Nunca vi ninguém com tanta vontade da coisa. E nem estávamos bêbabos ou altos. Era tesão puro mesmo.
Antes que a minha mineira tenha um treco, é bom esclarecer que foram mais ou menos estas as sensações de ler "Máquina de pinball", livro da gaúcha Clarah Averbuck. Um apanhado de aventuras sexuais e passionais de uma jovem mulher, meio perdida entre paixões e contas para pagar.
Curti muito o livro, emprestado por uma amiga da minha irmã cineasta.
Gostei tanto que já que quero fazer a Clarah de novo.
"Vida de gato" que me aguarde!

Máquina de Pinball

Para saber mais sobre a Lady Averbuck, basta clicar no link ao lado. E gozar também!
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
E agora?
Nunca pensei que meu Carnaval pudesse ser curtido com tantas visitas a fotógrafos, cinegrafistas, salões de festas e buffets.
Essa estória de casório me afastou das folias de Momo e da bandalheira do Axé. Se bem que eu nunca fui conhecido pela exibição do meu gingado, mas com obrigação é diferente. Tendo que cumprir horário para ver o trabalho dos caras faz a coisa apertar bastante. A cabeça fica a mil e o número de questões pipocam como nunca dentro da cachola.
Não sei se devia, mas não consigo evitar a dúvida que pinta de vez em quando.
Não que isso me desvie da decisão tomada, mas é duro ter que admitir que os amigos que passaram pela situação tinham mesmo razão: o cagaço bate forte e só vai parar depois do "sim" final!
Talvez nem assim, mas aí não tem mais jeito!
De tanto imaginar o que pode dar errado, acabei criando um antídoto vindo lá das profundezas da minha própria cabeça. Lá daquela região escura tirei a lembrança dos cinco fatores que fazem um relacionamento ideal.
Acho que escrevi sobre no meus primeiros posts, quando ainda pensava em fazer do Juntando Estórias um apanhado de conversas de bar.
Olhando pelo prisma dos cinco aspectos, a minha mineira é o que de melhor me aconteceu na vida. Ela me completa mais do que qualquer outra e me faz feliz como ninguém jamais fez.
Todos os meus projetos a incluem e não planejo mais viagens solitário.
Com tudo isso de bom, por que diabos sinto essa insegurança batendo de vez em quando.
Por que será que é tão seguro e ao mesmo tempo tão assustador pensar em dividir o resto da vida com uma pessoa?
Por que não enxergo minha vida sem ela, mas sinto tanta vontade de gritar?
Pensando bem, deve ser assim mesmo que esse tipo de coisa acontece.
Essas estórias de amor seguro, incondicional e sem brigas devem acontecer só mesmo nos contos de fadas. Mulher sem bafo e chulé, só mesmo a Cinderela e homem sem barriga e arrotos eventuais, só mesmo o James Bond.
Melhor viver uma estória real. Imperfeita, irregular e recompensadora.
E que se dane a insegurança! Que venham mais fotógrafos, banqueteiros e cerimonialistas! Por ela, qualquer sacrifício vale a pena!
Nunca pensei que meu Carnaval pudesse ser curtido com tantas visitas a fotógrafos, cinegrafistas, salões de festas e buffets.
Essa estória de casório me afastou das folias de Momo e da bandalheira do Axé. Se bem que eu nunca fui conhecido pela exibição do meu gingado, mas com obrigação é diferente. Tendo que cumprir horário para ver o trabalho dos caras faz a coisa apertar bastante. A cabeça fica a mil e o número de questões pipocam como nunca dentro da cachola.
Não sei se devia, mas não consigo evitar a dúvida que pinta de vez em quando.
Não que isso me desvie da decisão tomada, mas é duro ter que admitir que os amigos que passaram pela situação tinham mesmo razão: o cagaço bate forte e só vai parar depois do "sim" final!
Talvez nem assim, mas aí não tem mais jeito!
De tanto imaginar o que pode dar errado, acabei criando um antídoto vindo lá das profundezas da minha própria cabeça. Lá daquela região escura tirei a lembrança dos cinco fatores que fazem um relacionamento ideal.
Acho que escrevi sobre no meus primeiros posts, quando ainda pensava em fazer do Juntando Estórias um apanhado de conversas de bar.
Olhando pelo prisma dos cinco aspectos, a minha mineira é o que de melhor me aconteceu na vida. Ela me completa mais do que qualquer outra e me faz feliz como ninguém jamais fez.
Todos os meus projetos a incluem e não planejo mais viagens solitário.
Com tudo isso de bom, por que diabos sinto essa insegurança batendo de vez em quando.
Por que será que é tão seguro e ao mesmo tempo tão assustador pensar em dividir o resto da vida com uma pessoa?
Por que não enxergo minha vida sem ela, mas sinto tanta vontade de gritar?
Pensando bem, deve ser assim mesmo que esse tipo de coisa acontece.
Essas estórias de amor seguro, incondicional e sem brigas devem acontecer só mesmo nos contos de fadas. Mulher sem bafo e chulé, só mesmo a Cinderela e homem sem barriga e arrotos eventuais, só mesmo o James Bond.
Melhor viver uma estória real. Imperfeita, irregular e recompensadora.
E que se dane a insegurança! Que venham mais fotógrafos, banqueteiros e cerimonialistas! Por ela, qualquer sacrifício vale a pena!
quinta-feira, janeiro 27, 2005
Agora danou-se
Agora não tem mais jeito. Com a marcação da data, a minha entrada definitiva na vida adulta vai ter que acontecer na marra
Não sei se devia, mas bateu um certo medo de dar esse tal passo. Não sei se já estou devidamente preparado para deixar meus brinquedos. Talvez nunca esteja.
Talvez essa seja mesmo a resposta: como nunca vou me sentir preparado, a idéia é fazer a coisa quando se tem convicção de que a pessoa vale a pena e de que a vida será melhor depois. Isso nunca foi problema para mim. Desde sempre eu soube que essa mineira era ideal para mim. Afinal de contas, nunca encontrei alguém que me acompanhasse na cerveja, no futebol, no sentimento, no sexo e nas viagens. Definitivamente ela é a "número 1" no equilíbrio dos tais cinco fatores e é com ela que eu quero ficar.
Se vamos envelhecer juntos como o Adam Sandler e a Drew Barrymore em "Afinado no amor" eu não sei, mas a intenção é essa.

Afinado no amor
Tive mais uma prova de que as coisas devem mudar durante as minhas recentes férias.
Apesar de adorar a estrada como poucos, frequentemente senti que algo faltava. Eu olhava para o lado e via o banco vazio. Não é preciso ser gênio para ver que era ela que faltava. Mesmo que normalmente ela esteja ali dormindo, saber que ela está ali faz toda a diferença. Mesmo que o banco fique todo cheio de fiapos de algodão da meia, é mais legal quando ela está lá. Mesmo que o pedágio fique todo por minha conta, vale a pena.
Apesar da ausência, acabei curtindo muito as férias, revendo grandes amigos e respirando ares diferentes. Tanto que voltei relaxado como nunca. Dificilmente eu volto à empresa sem saber quais serão os pepinos, como aconteceu desta vez. Eu simplesmente cheguei sentei e só então me voltei para o trabalho. Acho que foi por isso que a coisa rendeu.
Não sei bem o que esperar da vida depois que rolar a mudança radical.
O único que vivo neste momento é o stress dos preparativos. Vai ter coisa assim lá em Udi. Algumas delas me parecem desnecessárias, mas como a idéia é fazer direito da primeira vez, acabo deixando rolar.
Vamos ver se contamos com a Comissão Técnica do Céu e com o carinho dos amigos para energizar o evento. Nunca tive dúvidas disso, assim como nunca duvidei que a minha vida mudaria no momento em que a beijei pela primeira vez.
Acho que foi naquela ocasião que disse pela primeira vez a frase que me acompanha até hoje: agora danou-se.
Agora não tem mais jeito. Com a marcação da data, a minha entrada definitiva na vida adulta vai ter que acontecer na marra
Não sei se devia, mas bateu um certo medo de dar esse tal passo. Não sei se já estou devidamente preparado para deixar meus brinquedos. Talvez nunca esteja.
Talvez essa seja mesmo a resposta: como nunca vou me sentir preparado, a idéia é fazer a coisa quando se tem convicção de que a pessoa vale a pena e de que a vida será melhor depois. Isso nunca foi problema para mim. Desde sempre eu soube que essa mineira era ideal para mim. Afinal de contas, nunca encontrei alguém que me acompanhasse na cerveja, no futebol, no sentimento, no sexo e nas viagens. Definitivamente ela é a "número 1" no equilíbrio dos tais cinco fatores e é com ela que eu quero ficar.
Se vamos envelhecer juntos como o Adam Sandler e a Drew Barrymore em "Afinado no amor" eu não sei, mas a intenção é essa.

Afinado no amor
Tive mais uma prova de que as coisas devem mudar durante as minhas recentes férias.
Apesar de adorar a estrada como poucos, frequentemente senti que algo faltava. Eu olhava para o lado e via o banco vazio. Não é preciso ser gênio para ver que era ela que faltava. Mesmo que normalmente ela esteja ali dormindo, saber que ela está ali faz toda a diferença. Mesmo que o banco fique todo cheio de fiapos de algodão da meia, é mais legal quando ela está lá. Mesmo que o pedágio fique todo por minha conta, vale a pena.
Apesar da ausência, acabei curtindo muito as férias, revendo grandes amigos e respirando ares diferentes. Tanto que voltei relaxado como nunca. Dificilmente eu volto à empresa sem saber quais serão os pepinos, como aconteceu desta vez. Eu simplesmente cheguei sentei e só então me voltei para o trabalho. Acho que foi por isso que a coisa rendeu.
Não sei bem o que esperar da vida depois que rolar a mudança radical.
O único que vivo neste momento é o stress dos preparativos. Vai ter coisa assim lá em Udi. Algumas delas me parecem desnecessárias, mas como a idéia é fazer direito da primeira vez, acabo deixando rolar.
Vamos ver se contamos com a Comissão Técnica do Céu e com o carinho dos amigos para energizar o evento. Nunca tive dúvidas disso, assim como nunca duvidei que a minha vida mudaria no momento em que a beijei pela primeira vez.
Acho que foi naquela ocasião que disse pela primeira vez a frase que me acompanha até hoje: agora danou-se.
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Férias again
Chegou a hora de sair de cena novamente e descansar a carcaça judiada pelos abusos do Reveillon.
No próximo sábado saio de Sampa e vou rumo ao interior do meu amado estado de Minas Gerais. Vou atrás de história, comida e sossego. Quero me preocupar apenas com o cardápio do almoço, com o número de fotos tiradas e com a quantidade de igrejas que vou conseguir visitar até ter um piti.
Na volta, tudo será registrado no Seguindo Gulliver, a minha comédia de erros particular.
Hasta luego, amigos.
Chegou a hora de sair de cena novamente e descansar a carcaça judiada pelos abusos do Reveillon.
No próximo sábado saio de Sampa e vou rumo ao interior do meu amado estado de Minas Gerais. Vou atrás de história, comida e sossego. Quero me preocupar apenas com o cardápio do almoço, com o número de fotos tiradas e com a quantidade de igrejas que vou conseguir visitar até ter um piti.
Na volta, tudo será registrado no Seguindo Gulliver, a minha comédia de erros particular.
Hasta luego, amigos.
segunda-feira, janeiro 03, 2005
Era melhor antes
O ano novo mal começou e já estou aqui reclamando de alguma coisa.
Pensando bem, não é um reclamação. Não adianta mesmo reclamar. É mais uma constatação: depois de passar o Reveillon com meus mais queridos amigos e suas respectivas, caí na real e vi que antes era mais legal.
Falo isso com conhecimento de causa, afinal de contas, mais de uma vez ouvi de amigos que eu fico muito mais legal quando estou sozinho.
Isso deve ter a ver com ciúme, com posse e com coisas do gênero.
Deve ser complicado ver alguém que chegou depois tomar conta do pedaço e se tornar o principal foco da atenção do amigo.
É preciso muita força para não sair minando a recém chegada e associá-la às pragas do Egito ou ao time do Corinthians. Pensando bem, peço desculpas às pragas.
O caso deste Reveillon foi basicamente com o Diretor Financeiro.
A sua escolhida possui personalidade forte demais para este hemisfério e infelizmente não há nada a fazer. Se ele a escolheu, azar dele, mas é azar nosso ter que aturar nariz empinado e discurso empostado de quem errou na profissão e parece achar que a culpa é dos outros. Tudo bem que não é sempre assim, mas ver as lágrimas que a tal moça causou na minha mineira me deixou bem puto da cara.
Foi complicado não mandá-la procurar minas terrestres na Tailândia pós-tsunami.
Mas tudo tem remédio. O desta situação podem ser as minhas férias e a consequente saída de circulação por alguns dias. Até a volta a coisa deve ter acalmado e eu não devo mais ligar para as críticas blasé aos programas de auditório vindas de uma pessoa que corre para não perder nenhum segundo da novela das oito.
Que era melhor antes, não há dúvida, mas não me resta outra coisa a fazer a não ser segurar meu instinto assassino e torcer para que eles sejam felizes.
E torcer também para que os meus amigos voltem a me achar divertido quando eu estiver acompanhado. Não há outro remédio para eles.
O ano novo mal começou e já estou aqui reclamando de alguma coisa.
Pensando bem, não é um reclamação. Não adianta mesmo reclamar. É mais uma constatação: depois de passar o Reveillon com meus mais queridos amigos e suas respectivas, caí na real e vi que antes era mais legal.
Falo isso com conhecimento de causa, afinal de contas, mais de uma vez ouvi de amigos que eu fico muito mais legal quando estou sozinho.
Isso deve ter a ver com ciúme, com posse e com coisas do gênero.
Deve ser complicado ver alguém que chegou depois tomar conta do pedaço e se tornar o principal foco da atenção do amigo.
É preciso muita força para não sair minando a recém chegada e associá-la às pragas do Egito ou ao time do Corinthians. Pensando bem, peço desculpas às pragas.
O caso deste Reveillon foi basicamente com o Diretor Financeiro.
A sua escolhida possui personalidade forte demais para este hemisfério e infelizmente não há nada a fazer. Se ele a escolheu, azar dele, mas é azar nosso ter que aturar nariz empinado e discurso empostado de quem errou na profissão e parece achar que a culpa é dos outros. Tudo bem que não é sempre assim, mas ver as lágrimas que a tal moça causou na minha mineira me deixou bem puto da cara.
Foi complicado não mandá-la procurar minas terrestres na Tailândia pós-tsunami.
Mas tudo tem remédio. O desta situação podem ser as minhas férias e a consequente saída de circulação por alguns dias. Até a volta a coisa deve ter acalmado e eu não devo mais ligar para as críticas blasé aos programas de auditório vindas de uma pessoa que corre para não perder nenhum segundo da novela das oito.
Que era melhor antes, não há dúvida, mas não me resta outra coisa a fazer a não ser segurar meu instinto assassino e torcer para que eles sejam felizes.
E torcer também para que os meus amigos voltem a me achar divertido quando eu estiver acompanhado. Não há outro remédio para eles.
terça-feira, dezembro 21, 2004
Ficando adultos
Dois dos meus mais queridos amigos vão começar 2005 com uma enorme novidade nas suas vidas e nas suas rotinas: ambos vão dividir o teto (e o resto) com as namoradas.
É a confirmação do passar do tempo, do amadurecimento e da mudança das prioridades.
Ainda ontem encontrei com um deles. Aliás, com dois, já que também estava com outro grande amigo que tomou a dianteira e se casou há poucos meses.
Parece que foi ontem que nos encontramos durante a Copa da França, montamos a Diretoria e saímos colecionando bocas e experiências.
Passamos por muita coisa desde então.
Foram algumas namoradas, diversas idas a Floripa, alguns Reveillons memoráveis, mais porres do que eu posso contar, fantasias realizadas, noites mal dormidas e muita, mas muita gente legal que se agregou ao nosso grupo.
Algumas dessas pessoas constituíram grandes amores, outras grandes decepções e outras ainda estão na nossa vida de um jeito ou de outro.
De uma forma geral, deixamos uma boa impressão ao longo do tempo, apesar de eu ter consciência de a unanimidade neste caso é impossível. Sempre vai existir alguém magoado e se sentindo injustiçado.
Infelizmente assim é a vida e nós também podemos nos colocar nessa posição. Afinal de contas, amar é um risco que temos que correr.
A decisão desses meus dois grande amigos me marca de forma definitiva.
Justamente eu que dava a impressão de que seria o primeiro a juntar as escovas de dentes, acabei "sendo ultrapassado" e correndo o risco de ser o último a crescer.
Se não fosse meu amigo francês...
Fico feliz ao sentir que todos eles estão muito conscientes do que estão fazendo.
Existe amor, existe desejo e existe saudade.
Isso em lembra de algo marcante dito pelo Presidente há alguns anos: se ele sente saudade da menina é por que ela vale a pena.
Se é assim que eles se sentem, que a felicidade os acompanhe nessa nova vida.
Que o teto dividido permita apenas a entrada de coisas positivas, alegres e enriquecedoras.
Que Deus faça as escolhas certas para eles e que isso seja motivo de uma felicidade ainda maior.
Que venham os herdeiros e meus sobrinhos.
Pensando bem, já sinto saudades, mesmo antes de saber se meu destino será me afastar deles e deixar de vê-los com frequência.
Vai ser bom para todos nós, mas não dá para não sentir nostalgia da nossa história.
Acrescentando um pouco à máxima do Presidente, só amizades verdadeiras geram saudade.
Um brinde à Diretoria!
Que 2005 seja o ano em que nós finalmente crescemos!
Dois dos meus mais queridos amigos vão começar 2005 com uma enorme novidade nas suas vidas e nas suas rotinas: ambos vão dividir o teto (e o resto) com as namoradas.
É a confirmação do passar do tempo, do amadurecimento e da mudança das prioridades.
Ainda ontem encontrei com um deles. Aliás, com dois, já que também estava com outro grande amigo que tomou a dianteira e se casou há poucos meses.
Parece que foi ontem que nos encontramos durante a Copa da França, montamos a Diretoria e saímos colecionando bocas e experiências.
Passamos por muita coisa desde então.
Foram algumas namoradas, diversas idas a Floripa, alguns Reveillons memoráveis, mais porres do que eu posso contar, fantasias realizadas, noites mal dormidas e muita, mas muita gente legal que se agregou ao nosso grupo.
Algumas dessas pessoas constituíram grandes amores, outras grandes decepções e outras ainda estão na nossa vida de um jeito ou de outro.
De uma forma geral, deixamos uma boa impressão ao longo do tempo, apesar de eu ter consciência de a unanimidade neste caso é impossível. Sempre vai existir alguém magoado e se sentindo injustiçado.
Infelizmente assim é a vida e nós também podemos nos colocar nessa posição. Afinal de contas, amar é um risco que temos que correr.
A decisão desses meus dois grande amigos me marca de forma definitiva.
Justamente eu que dava a impressão de que seria o primeiro a juntar as escovas de dentes, acabei "sendo ultrapassado" e correndo o risco de ser o último a crescer.
Se não fosse meu amigo francês...
Fico feliz ao sentir que todos eles estão muito conscientes do que estão fazendo.
Existe amor, existe desejo e existe saudade.
Isso em lembra de algo marcante dito pelo Presidente há alguns anos: se ele sente saudade da menina é por que ela vale a pena.
Se é assim que eles se sentem, que a felicidade os acompanhe nessa nova vida.
Que o teto dividido permita apenas a entrada de coisas positivas, alegres e enriquecedoras.
Que Deus faça as escolhas certas para eles e que isso seja motivo de uma felicidade ainda maior.
Que venham os herdeiros e meus sobrinhos.
Pensando bem, já sinto saudades, mesmo antes de saber se meu destino será me afastar deles e deixar de vê-los com frequência.
Vai ser bom para todos nós, mas não dá para não sentir nostalgia da nossa história.
Acrescentando um pouco à máxima do Presidente, só amizades verdadeiras geram saudade.
Um brinde à Diretoria!
Que 2005 seja o ano em que nós finalmente crescemos!
sexta-feira, dezembro 17, 2004
Retribuição
O Professor precisa de ajuda.
O cara que sempre me ajudou a reforçar esperanças e simplificar atitudes está vivendo uma indefinição com relação ao futuro e não esconde o sofrimento que isso causa.
Tem a ver com futuro, com família, com amor e com trabalho.
Mais ou menos como a minha situação atual. E como a de milhares de pessoas mundo afora.
A grande diferença é que neste caso talvez eu possa fazer alguma coisa.
Seguindo a nossa tradição de suporte e motivação, tentei fazê-lo entender que as coisas não estavam tão ruins e que o tombo levado na primeira iniciativa não era sinal de que tudo estava perdido.
Até entendo que ele não tenha se animado tanto. Acho que eu agiria da mesma forma. Mas como acho que ele também faria a mesma coisa, segui martelando a esperança no resultado positivo no final.
Não sei se ele comprou a minha idéia, mas a cara melhorou e (espero) o ânimo também.
É uma curiosa coincidência que ambos tenhamos objetivos de mudanças radicais no estilo de vida e que os resultados não estejam aparecendo como desejado.
Não adiantou muito planejar todos os passos que daríamos. A realidade não se importou muito com isso e nossa energia acabou sendo minada.
Mas assim como tenho certeza que nenhum de nós vai desistir, sei que vamos continuar sendo uma fonte inesgotável de incentivo e fortificação.
Mais ou menos como o que o Presidente fez hoje ao admitir que gostaria muito que eu seguisse sendo o seu fiel companheiro nas aventuras paulistas, mas que aceita sem problemas se Deus decidir que o resto da minha vida deve ser passado no cerrado mineiro.
Acho que é para isso que servem os amigos-irmãos.
Tenho sorte de ter um bom número deles.
O legal é que eles até imaginam o papel que terão no momento em que eu passar a jogar no time dos casados.
O Professor precisa de ajuda.
O cara que sempre me ajudou a reforçar esperanças e simplificar atitudes está vivendo uma indefinição com relação ao futuro e não esconde o sofrimento que isso causa.
Tem a ver com futuro, com família, com amor e com trabalho.
Mais ou menos como a minha situação atual. E como a de milhares de pessoas mundo afora.
A grande diferença é que neste caso talvez eu possa fazer alguma coisa.
Seguindo a nossa tradição de suporte e motivação, tentei fazê-lo entender que as coisas não estavam tão ruins e que o tombo levado na primeira iniciativa não era sinal de que tudo estava perdido.
Até entendo que ele não tenha se animado tanto. Acho que eu agiria da mesma forma. Mas como acho que ele também faria a mesma coisa, segui martelando a esperança no resultado positivo no final.
Não sei se ele comprou a minha idéia, mas a cara melhorou e (espero) o ânimo também.
É uma curiosa coincidência que ambos tenhamos objetivos de mudanças radicais no estilo de vida e que os resultados não estejam aparecendo como desejado.
Não adiantou muito planejar todos os passos que daríamos. A realidade não se importou muito com isso e nossa energia acabou sendo minada.
Mas assim como tenho certeza que nenhum de nós vai desistir, sei que vamos continuar sendo uma fonte inesgotável de incentivo e fortificação.
Mais ou menos como o que o Presidente fez hoje ao admitir que gostaria muito que eu seguisse sendo o seu fiel companheiro nas aventuras paulistas, mas que aceita sem problemas se Deus decidir que o resto da minha vida deve ser passado no cerrado mineiro.
Acho que é para isso que servem os amigos-irmãos.
Tenho sorte de ter um bom número deles.
O legal é que eles até imaginam o papel que terão no momento em que eu passar a jogar no time dos casados.
sábado, dezembro 11, 2004
Doador universal
Para interromper um pouco a sequência de assuntos sérios, queria tratar de um conceito divertido que vi recentemente enquanto assistia ao filme "Sexo, amor e traição".
Apesar de ser uma comédia rasa e despretensiosa, o filme acabou me divertindo e me fazendo rir abertamente em várias ocasiões. Isso sem falar que o filme é estrelado pela Malu Mader, o que por si só já o credencia como um dos clássicos da cinematografia mundial.
O filme
Aliás, coube à própria Malu a incumbência de ensinar a todos o que seria um doador universal em termos sexuais. Segundo a mulher-vinho de sobrancelhas grossas e sotaque nojentamente delicioso, o tal doador universal seria um cara que se comporta com as mulheres da mesma forma que o sangue O positivo o faz com relação aos demais tipos: manda bem com todas.
Apesar de parecer um tanto quanto irreal, acho que até dá para acreditar em pessoas (homens e mulheres) que não necessitem de paixão, envolvimento ou romance para fazer do sexo uma experiência maravilhosa para todos os parceiros. É quase como usar uma fórmula infalível em um assunto onde todos sabemos não existir fórmula alguma.
A musa
As palavras da personagem da Malu tinham endereço certo: o personagem do Fábio Assunção, um cara sem vínculos e guiado por uma racionalidade só visível quando não se veste nada. Em bom português, o tal personagem pensava com a cabeça de baixo e não sentia muita culpa enquanta transava com as mulheres dos amigos.
O plural aqui é proposital pois mais de uma mulher casada se rendeu aos seus encantos sexuais e saiu falando maravilhas da sua performance.
Tentei puxar da memória alguma coisa parecida no meu histórico de vida e só consegui algum traço de similaridade quando abri um pouco o leque e incluí os beijos.
Apesar de não causar tanto frissom quanto o lendário beijo do Léo Jaime, o meu já rendeu elogios de diferentes tipos de moças, da descasada à semi-virgem.
Acho que devo me sentir feliz por ter algo que pode ser considerado como universal para o universo feminino. Apesar de não ser o tal doador universal, acho que consegui deixar uma boa impressão e algumas bolas dentro ao longo da vida.
Sorte da minha mineira!
Para interromper um pouco a sequência de assuntos sérios, queria tratar de um conceito divertido que vi recentemente enquanto assistia ao filme "Sexo, amor e traição".
Apesar de ser uma comédia rasa e despretensiosa, o filme acabou me divertindo e me fazendo rir abertamente em várias ocasiões. Isso sem falar que o filme é estrelado pela Malu Mader, o que por si só já o credencia como um dos clássicos da cinematografia mundial.
O filme
Aliás, coube à própria Malu a incumbência de ensinar a todos o que seria um doador universal em termos sexuais. Segundo a mulher-vinho de sobrancelhas grossas e sotaque nojentamente delicioso, o tal doador universal seria um cara que se comporta com as mulheres da mesma forma que o sangue O positivo o faz com relação aos demais tipos: manda bem com todas.
Apesar de parecer um tanto quanto irreal, acho que até dá para acreditar em pessoas (homens e mulheres) que não necessitem de paixão, envolvimento ou romance para fazer do sexo uma experiência maravilhosa para todos os parceiros. É quase como usar uma fórmula infalível em um assunto onde todos sabemos não existir fórmula alguma.
A musa
As palavras da personagem da Malu tinham endereço certo: o personagem do Fábio Assunção, um cara sem vínculos e guiado por uma racionalidade só visível quando não se veste nada. Em bom português, o tal personagem pensava com a cabeça de baixo e não sentia muita culpa enquanta transava com as mulheres dos amigos.
O plural aqui é proposital pois mais de uma mulher casada se rendeu aos seus encantos sexuais e saiu falando maravilhas da sua performance.
Tentei puxar da memória alguma coisa parecida no meu histórico de vida e só consegui algum traço de similaridade quando abri um pouco o leque e incluí os beijos.
Apesar de não causar tanto frissom quanto o lendário beijo do Léo Jaime, o meu já rendeu elogios de diferentes tipos de moças, da descasada à semi-virgem.
Acho que devo me sentir feliz por ter algo que pode ser considerado como universal para o universo feminino. Apesar de não ser o tal doador universal, acho que consegui deixar uma boa impressão e algumas bolas dentro ao longo da vida.
Sorte da minha mineira!
quarta-feira, dezembro 01, 2004
Para a frente e para trás
Há algumas semanas atrás o Projeto Uberlândia deu os primeiros sinais efetivos de vida: fui chamado para uma entrevista em uma grande empresa da cidade.
Na verdade, eu fui chamado para conversar com a empresa que faz a seleção e a contratação de pessoas para essa grande empresa, mas para mim dava tudo na mesma. O fato é que eu tinha uma entrevista agendada.
Isso foi motivo de comemoração para a minha mineira e acho que ganhei algumas boas noites de carinho como prêmio pelo meu aparente sucesso.
Como eu já me julgava preparado para encarar as diferenças de mercado de trabalho entre Uberlândia e São Paulo, achei que seria uma simples questão de verificar minha adequação à vaga, discutir benefícios e assinar o contrato. Eu já esperava um salário menor e uma estrutura menos "generosa" do que a atual.
Pois é. Eu esperava mas não estava preparado para o que encontrei.
Antes de detalhar o que rolou, acho que vale a pena descrever a conversa que tive depois com o Professor.
Eu estava angustiado com as condições de trabalho e levei isso para nossas conversas de escovação de dentes. Eu nem estava pensando se a empresa tomaria a decisão de me contratar e já estava lamentando as minhas perdas com a mudança.
Para minha total surpresa, o Professo foi extremamente simples no comentário. Ele me perguntou o que era mais importante naquele ponto da minha vida, a carreira ou a minha mineira. Respondi o óbvio - a minha mineira - e caí na real sobre o que realmente estava envolvido naquela questão.
Percebi que alguns amigos meus jamais fariam aquele tipo de concessão, mas eu não era esses meus amigos.
Notei que toda a minha vida foi levada tendo como prioridade algo mais íntimo e recompensador do que o trabalho.
Aceitei que o dinheiro sempre havia sido um mal necessário na minha vida e que ter um pouco menos dele na mão todos os meses não seria o final do mundo.
Além de me aliviar o peso dos ombros, o Professor ainda me saiu com mais uma: eu não era obrigado a permanecer naquele emprego para sempre, mas o importante era colocar um pé em Uberlândia e conseguir o objetivo de estar mais perto da minha mineira.
Era brilhante de tão simples. E eu, com todo o meu conhecimento enciclopédico e analítico, jamais havia percebido isso.
A fórmula era simples: dar um passo atrás na carreira significaria dois passos a frente naquilo que realmente era importante para mim. E posteriormente a carreira poderia voltar a avançar e a acompanhar os outros aspectos da vida.
Pensando bem, acho que nem vou comentar os detalhes da proposta que recebi.
Isso fica meio sem peso depois de tudo que contei, ainda mais por que a empresa não me chamou por achar que eu não me encaixava no perfil.
Pelo menos agora eu acho que estou um pouco mais preparado para dar o tal passo atrás e não sofrer tanto com o processo. Vai ser duro ter muito menos din din no bolso para gastar, mas vai valer a pena.
Só fica uma pergunta que ainda não consegui responder: será que eu sacrificaria tanto a minha carreira a ponto de ir para Uberlândia sem emprego?
Quem sabe a resposta venha nos próximo capítulos?
Há algumas semanas atrás o Projeto Uberlândia deu os primeiros sinais efetivos de vida: fui chamado para uma entrevista em uma grande empresa da cidade.
Na verdade, eu fui chamado para conversar com a empresa que faz a seleção e a contratação de pessoas para essa grande empresa, mas para mim dava tudo na mesma. O fato é que eu tinha uma entrevista agendada.
Isso foi motivo de comemoração para a minha mineira e acho que ganhei algumas boas noites de carinho como prêmio pelo meu aparente sucesso.
Como eu já me julgava preparado para encarar as diferenças de mercado de trabalho entre Uberlândia e São Paulo, achei que seria uma simples questão de verificar minha adequação à vaga, discutir benefícios e assinar o contrato. Eu já esperava um salário menor e uma estrutura menos "generosa" do que a atual.
Pois é. Eu esperava mas não estava preparado para o que encontrei.
Antes de detalhar o que rolou, acho que vale a pena descrever a conversa que tive depois com o Professor.
Eu estava angustiado com as condições de trabalho e levei isso para nossas conversas de escovação de dentes. Eu nem estava pensando se a empresa tomaria a decisão de me contratar e já estava lamentando as minhas perdas com a mudança.
Para minha total surpresa, o Professo foi extremamente simples no comentário. Ele me perguntou o que era mais importante naquele ponto da minha vida, a carreira ou a minha mineira. Respondi o óbvio - a minha mineira - e caí na real sobre o que realmente estava envolvido naquela questão.
Percebi que alguns amigos meus jamais fariam aquele tipo de concessão, mas eu não era esses meus amigos.
Notei que toda a minha vida foi levada tendo como prioridade algo mais íntimo e recompensador do que o trabalho.
Aceitei que o dinheiro sempre havia sido um mal necessário na minha vida e que ter um pouco menos dele na mão todos os meses não seria o final do mundo.
Além de me aliviar o peso dos ombros, o Professor ainda me saiu com mais uma: eu não era obrigado a permanecer naquele emprego para sempre, mas o importante era colocar um pé em Uberlândia e conseguir o objetivo de estar mais perto da minha mineira.
Era brilhante de tão simples. E eu, com todo o meu conhecimento enciclopédico e analítico, jamais havia percebido isso.
A fórmula era simples: dar um passo atrás na carreira significaria dois passos a frente naquilo que realmente era importante para mim. E posteriormente a carreira poderia voltar a avançar e a acompanhar os outros aspectos da vida.
Pensando bem, acho que nem vou comentar os detalhes da proposta que recebi.
Isso fica meio sem peso depois de tudo que contei, ainda mais por que a empresa não me chamou por achar que eu não me encaixava no perfil.
Pelo menos agora eu acho que estou um pouco mais preparado para dar o tal passo atrás e não sofrer tanto com o processo. Vai ser duro ter muito menos din din no bolso para gastar, mas vai valer a pena.
Só fica uma pergunta que ainda não consegui responder: será que eu sacrificaria tanto a minha carreira a ponto de ir para Uberlândia sem emprego?
Quem sabe a resposta venha nos próximo capítulos?
domingo, novembro 21, 2004
Catarse
O Professor me disse recentemente que eu estou em catarse.
Antes que eu pudesse retribuir a ofensa, ele me explicou o significado do termo e acho que concordei com ele. Segundo essa explicação, a tal catarse seria um período meio estático, parado, sem opções, que precede uma grande decisão ou mudança na vida da pessoa.
Se esse é o significado, acho que se encaixa perfeitamente no que estou vivendo agora.
A indefinição do meu destino pessoal e profissional me deixa meio paralisado, meio baratinado.
Não saber se vou, se fico ou se isso vai prejudicar a relação com a minha mineira não me agrada nada. Temos tido discussões mais frequentes e eu tenho ficado sensivelmente mais incomodado.
Não sei se tudo se deve à indefinição, mas tenho certeza que essa danada atrapalha bastante.
Outra coisa que o Professor mencionou foram as emoções descontroladas.
Sempre fui explosivo por natureza, mas com a idade acabei conseguindo segurar esse monstro interior e ser uma pessoa um pouco mais agradável.
Infelizmente para a minha mineira, esse monstrinho tem mostrado a cara diversas vezes e ela tem sido a vítima mais frequente.
Sei que a situação não depende só de mim, mas entendo que a minha parte da brincadeira é continuar a buscar meu lugar ao sol e não matar ninguém no processo.
Tenho que ser algo que nunca consegui ser: paciente.
Tenho que buscar meu objetivo, mas aceitar o que Ele decidir para mim.
Tenho que cuidar bem da minha mineira para não me arrepender depois.
Tenho que tomar vergonha na cara e crescer.
Pensando bem em tudo isso, é fácil.
Difícil é arrumar outra pessoa que me complemente tanto quanto a minha mineira.
Cada vez mais percebo que meu pezinho doente encontrou o chinelinho velho que precisava. Sorte do pezinho.
Como não me resta outra alternativa, que venha essa tal catarse.
Vou aplicar algumas coisinhas que aprendi com um amigo professor de jiu jitsu.
O Professor me disse recentemente que eu estou em catarse.
Antes que eu pudesse retribuir a ofensa, ele me explicou o significado do termo e acho que concordei com ele. Segundo essa explicação, a tal catarse seria um período meio estático, parado, sem opções, que precede uma grande decisão ou mudança na vida da pessoa.
Se esse é o significado, acho que se encaixa perfeitamente no que estou vivendo agora.
A indefinição do meu destino pessoal e profissional me deixa meio paralisado, meio baratinado.
Não saber se vou, se fico ou se isso vai prejudicar a relação com a minha mineira não me agrada nada. Temos tido discussões mais frequentes e eu tenho ficado sensivelmente mais incomodado.
Não sei se tudo se deve à indefinição, mas tenho certeza que essa danada atrapalha bastante.
Outra coisa que o Professor mencionou foram as emoções descontroladas.
Sempre fui explosivo por natureza, mas com a idade acabei conseguindo segurar esse monstro interior e ser uma pessoa um pouco mais agradável.
Infelizmente para a minha mineira, esse monstrinho tem mostrado a cara diversas vezes e ela tem sido a vítima mais frequente.
Sei que a situação não depende só de mim, mas entendo que a minha parte da brincadeira é continuar a buscar meu lugar ao sol e não matar ninguém no processo.
Tenho que ser algo que nunca consegui ser: paciente.
Tenho que buscar meu objetivo, mas aceitar o que Ele decidir para mim.
Tenho que cuidar bem da minha mineira para não me arrepender depois.
Tenho que tomar vergonha na cara e crescer.
Pensando bem em tudo isso, é fácil.
Difícil é arrumar outra pessoa que me complemente tanto quanto a minha mineira.
Cada vez mais percebo que meu pezinho doente encontrou o chinelinho velho que precisava. Sorte do pezinho.
Como não me resta outra alternativa, que venha essa tal catarse.
Vou aplicar algumas coisinhas que aprendi com um amigo professor de jiu jitsu.
quinta-feira, novembro 11, 2004
Dores de amores
Mas que cazzo está acontecendo com os homens deste planeta!?!?!?!?
Ultimamente tenho tido contato com uma série interminável de tristezas sentimentais vividas por amigas queridas. Em comum apenas um comportamento meio egoísta, desinteressado até por parte dos parceiros. Será que foi decretada alguma revolução e ninguém me contou?
Se não, por que diabos aquela pessoa pequena de tamanho e enorme de coração estaria sofrendo tanto por um cara que já declarou que ela está em quarto plano na vida dele?
Será que está certo dizer a alguém que se não existir nada no trabalho, na família e nos amigos, eles até podem pensar em ser ver?
Ou será que soa gentil dizer à namorada (por que é assim que eles se declaram) que não se tem certeza se existe vontade de passar o feriado inteiro com ela?
Se eles fossem ficantes, tudo bem, mas isso não me parece coisa de quem namora.
Na minha modesta opinião, o namoro envolve muito mais do que isso, envolve comprometimento, concessão e companheirismo.
Tudo bem que o cara acabou de sair de um relacionamento doído, mas se ele não está preparado para encarar outra pessoa de forma decente, que fique em casa ou que vá trabalhar. Encher o saco de quem quer amar é que não pode!
Se a pessoa quer seguir vivendo a vida como se nada estivesse acontecendo, para que namorar? Vai ficando e vê o que dá!
Infelizmente para essa minha pequena amiga, essa fase já passou e agora só fica a dor e a decisão de lutar ou fugir.
O caso da dançarina é um pouco pior: eles foram casados durante quatro anos e de repente ela se viu com um marido infiel e que declarava que a culpa de todos os problemas do mundo era dela.
Até hoje não entendo muito bem essa estória já que a conheço muito pouco, mas sei que as responsabilidades sobre o sucesso do relacionamento nunca são de uma só pessoa. Sempre depende de ambos, do esforço e concessões de ambos.
Só não consigo imaginar que raio de megera ela pode ter sido para merecer tanta tristeza e choradeira. Daqui a pouco a moça vai secar de tantas lágrimas derramadas.
A amiga de Curitiba, a quem carinhosamente chamo de Polaquinha, é o último caso recente. Felizmente ela é a que sofre de forma menos intensa já que seus últimos relacionamentos não permitem um envolvimento mais profundo e as feridas acabam sendo menos doloridas.
Mesmo assim, acho que ela mereceria uma outra chance de ser feliz, uma nova companhia que estivesse disposta a amar e a formar um casal. Parceiros de prazer não se encaixam nesse quesito, apesar de terem a sua cota de participação na vida de qualquer pessoa solteira e saudável.
Seria muito bom para o crescimento e afirmação dela que o próximo a se aproximar do seu sorriso tivesse algo mais a oferecer do que outro sorriso. Que venha o conteúdo!
Queria poder fazer algo mais por elas, queria poder estalar os dedos e mudar a situação, queria poder torná-las felizes com os caras que amam ou que desejam.
Infelizmente a vida não é tão fácil e não posso fazer muito mais além de passar horas ao telefone e contar piadas para arrancar sorrisos infantis.
Nessas horas me sinto tão pequeno...
Mas que cazzo está acontecendo com os homens deste planeta!?!?!?!?
Ultimamente tenho tido contato com uma série interminável de tristezas sentimentais vividas por amigas queridas. Em comum apenas um comportamento meio egoísta, desinteressado até por parte dos parceiros. Será que foi decretada alguma revolução e ninguém me contou?
Se não, por que diabos aquela pessoa pequena de tamanho e enorme de coração estaria sofrendo tanto por um cara que já declarou que ela está em quarto plano na vida dele?
Será que está certo dizer a alguém que se não existir nada no trabalho, na família e nos amigos, eles até podem pensar em ser ver?
Ou será que soa gentil dizer à namorada (por que é assim que eles se declaram) que não se tem certeza se existe vontade de passar o feriado inteiro com ela?
Se eles fossem ficantes, tudo bem, mas isso não me parece coisa de quem namora.
Na minha modesta opinião, o namoro envolve muito mais do que isso, envolve comprometimento, concessão e companheirismo.
Tudo bem que o cara acabou de sair de um relacionamento doído, mas se ele não está preparado para encarar outra pessoa de forma decente, que fique em casa ou que vá trabalhar. Encher o saco de quem quer amar é que não pode!
Se a pessoa quer seguir vivendo a vida como se nada estivesse acontecendo, para que namorar? Vai ficando e vê o que dá!
Infelizmente para essa minha pequena amiga, essa fase já passou e agora só fica a dor e a decisão de lutar ou fugir.
O caso da dançarina é um pouco pior: eles foram casados durante quatro anos e de repente ela se viu com um marido infiel e que declarava que a culpa de todos os problemas do mundo era dela.
Até hoje não entendo muito bem essa estória já que a conheço muito pouco, mas sei que as responsabilidades sobre o sucesso do relacionamento nunca são de uma só pessoa. Sempre depende de ambos, do esforço e concessões de ambos.
Só não consigo imaginar que raio de megera ela pode ter sido para merecer tanta tristeza e choradeira. Daqui a pouco a moça vai secar de tantas lágrimas derramadas.
A amiga de Curitiba, a quem carinhosamente chamo de Polaquinha, é o último caso recente. Felizmente ela é a que sofre de forma menos intensa já que seus últimos relacionamentos não permitem um envolvimento mais profundo e as feridas acabam sendo menos doloridas.
Mesmo assim, acho que ela mereceria uma outra chance de ser feliz, uma nova companhia que estivesse disposta a amar e a formar um casal. Parceiros de prazer não se encaixam nesse quesito, apesar de terem a sua cota de participação na vida de qualquer pessoa solteira e saudável.
Seria muito bom para o crescimento e afirmação dela que o próximo a se aproximar do seu sorriso tivesse algo mais a oferecer do que outro sorriso. Que venha o conteúdo!
Queria poder fazer algo mais por elas, queria poder estalar os dedos e mudar a situação, queria poder torná-las felizes com os caras que amam ou que desejam.
Infelizmente a vida não é tão fácil e não posso fazer muito mais além de passar horas ao telefone e contar piadas para arrancar sorrisos infantis.
Nessas horas me sinto tão pequeno...
sábado, outubro 30, 2004
Presente, passado e futuro
Até que para ter sido meu potencial último aniversário comemorado em Sampa, o barulho da última quinta foi bem divertido.
Por alguns instantes eu senti o tradicional medo do fracasso, mas depois que chegou o primeiro convidado tudo ficou melhor e eu pude cair na cerveja.
O curioso é que esse primeiro corajoso a chegar ao bar foi justamente um cara que conheci há muito pouco tempo, mas que fez questão de me prestigiar. Acho que alguma coisa eu ando fazendo certo quando me relaciono com as pessoas.
Correção: por alguma razão esotérico-celestial, eu não consegui me matar de beber e parei na terceira Erdinger. Foram duas loiras, uma mulata, uma coca (light lemon, meu mais recente vício) e um sanduíche no pão ciabatta. Nada mais. Nenhum outro aditivo químico, físico ou psicológico se misturou ao meu sangue naquela noite.
O boteco se revelou bastante agradável e mesmo com uma certa falta de espaço, as pessoas se acomodaram bastante bem e niguém teve muitas razões para reclamar.
É claro que surgiram contratempos (cervejas chocas, garçons demasiadamente blasé, convidados impacientes), mas tudo acabou muito bem.
Como era de se esperar, se formaram grupos de acordo com a origem das pessoas.
A faculdade estava lá representando o passado. Quase todo o círculo interno estava lá, com direito a esposas e filhas encomendadas. Tudo muito carinhoso e cúmplice.
Eles pareciam tão felizes quanto eu.
No presente estava a Diretoria e o pessoal da "firma".
Todos muito bem animados e colocando o papo em dia, afinal de contas, um dos Diretores (o de Relações Públicas) estava de volta de uma demorada lua-de-mel no Velho Continente. Havia muita coisa para contar e depois tenho que me atualizar.
Nos dois grupos foram sentidas ausências importantes: não havia Presidente, não havia Primeira Dama e não havia o Professor. Senti falta deles mas entendo que não foi por falta de vontade e carinho que eles não estavam lá. Quem sabe da próxima?
O futuro se mostrou apenas na voz. A minha mineira me ligou várias vezes e em todas mostrou aquilo que me motiva a deixar as coisas que eu amo e buscar uma vida nova.
Me senti muito próximo dela, quase como se ela estivesse ao alcance de um beijo.
Na verdade ela estava, mas acho que me fiz entender.
Senti muita falta também dos meus companheiros de sangue, dos velhos e da minha irmã cineasta. Também entendo os motivos de cada um, mas isso não diminui a falta que eles me fizeram e nem a que farão no futuro.
A ausência do pessoal da FCAV já era esperada. Mesmo depois de dois anos juntos, a gente nunca conseguiu uma intimidade que justificasse a participação nesses eventos.
Mesmo assim, teria sido legal vê-los por lá.
Resumindo um pouco a bagunça, entre ausências sentidas e conversas animadas, acho que foi uma boa comemoração. Se foi a última na minha cidade, serviu bem ao propósito. Fiquei feliz e fiz minha gente feliz. O resto não importa.
Até que para ter sido meu potencial último aniversário comemorado em Sampa, o barulho da última quinta foi bem divertido.
Por alguns instantes eu senti o tradicional medo do fracasso, mas depois que chegou o primeiro convidado tudo ficou melhor e eu pude cair na cerveja.
O curioso é que esse primeiro corajoso a chegar ao bar foi justamente um cara que conheci há muito pouco tempo, mas que fez questão de me prestigiar. Acho que alguma coisa eu ando fazendo certo quando me relaciono com as pessoas.
Correção: por alguma razão esotérico-celestial, eu não consegui me matar de beber e parei na terceira Erdinger. Foram duas loiras, uma mulata, uma coca (light lemon, meu mais recente vício) e um sanduíche no pão ciabatta. Nada mais. Nenhum outro aditivo químico, físico ou psicológico se misturou ao meu sangue naquela noite.
O boteco se revelou bastante agradável e mesmo com uma certa falta de espaço, as pessoas se acomodaram bastante bem e niguém teve muitas razões para reclamar.
É claro que surgiram contratempos (cervejas chocas, garçons demasiadamente blasé, convidados impacientes), mas tudo acabou muito bem.
Como era de se esperar, se formaram grupos de acordo com a origem das pessoas.
A faculdade estava lá representando o passado. Quase todo o círculo interno estava lá, com direito a esposas e filhas encomendadas. Tudo muito carinhoso e cúmplice.
Eles pareciam tão felizes quanto eu.
No presente estava a Diretoria e o pessoal da "firma".
Todos muito bem animados e colocando o papo em dia, afinal de contas, um dos Diretores (o de Relações Públicas) estava de volta de uma demorada lua-de-mel no Velho Continente. Havia muita coisa para contar e depois tenho que me atualizar.
Nos dois grupos foram sentidas ausências importantes: não havia Presidente, não havia Primeira Dama e não havia o Professor. Senti falta deles mas entendo que não foi por falta de vontade e carinho que eles não estavam lá. Quem sabe da próxima?
O futuro se mostrou apenas na voz. A minha mineira me ligou várias vezes e em todas mostrou aquilo que me motiva a deixar as coisas que eu amo e buscar uma vida nova.
Me senti muito próximo dela, quase como se ela estivesse ao alcance de um beijo.
Na verdade ela estava, mas acho que me fiz entender.
Senti muita falta também dos meus companheiros de sangue, dos velhos e da minha irmã cineasta. Também entendo os motivos de cada um, mas isso não diminui a falta que eles me fizeram e nem a que farão no futuro.
A ausência do pessoal da FCAV já era esperada. Mesmo depois de dois anos juntos, a gente nunca conseguiu uma intimidade que justificasse a participação nesses eventos.
Mesmo assim, teria sido legal vê-los por lá.
Resumindo um pouco a bagunça, entre ausências sentidas e conversas animadas, acho que foi uma boa comemoração. Se foi a última na minha cidade, serviu bem ao propósito. Fiquei feliz e fiz minha gente feliz. O resto não importa.
quinta-feira, outubro 28, 2004
Perdendo o medo
Hoje comemoro meu 33º aniversário.
Cheguei à idade de Cristo e perdi o medo de comemorar.
Sempre tive receio de fazer festas de aniversário com medo de que as pessoas não fossem, que sobrasse comida ou que eu me visse sozinho no meio de gente desconhecida. Era como um sonho ruim pós-feijoada noturna.
Não tenho mais esse medo. Se a festinha de hoje fracassar, dane-se. Pior para quem não for dividir uma Erdinger comigo.

A deliciosa Erdinger
Na minha juventude as comemorações de aniversário tinham sempre um ar chileno.
Boa parte da colônia baixava em casa para comer cholgas, pebre, pan amassado e churrasco. Invariavelmente meu velho passava da conta e dava vexame.
Era mais ou menos a mesma coisa ano após ano.
Isso durou até que os vexames começaram a ficar maiores do que a alegria.
Aí eu parei e larguei as comemorações. Nunca mais fiz uma festa em casa.

Empanadas chilenas
Demorei para voltar a comemorar e quando o fiz, sempre sofria com aquele sentimento de abandono, uma mini-depressão que vinha da insegurança de não ser importante o suficiente para os meus amigos. Na maioria das vezes isso era infundado, uma besteira, mas eu continuava alimentando o medo de fracassar.
Talvez isso tenha algo a ver com minha auto-exigência. Sempre fiz questão de prestigiar qualquer evento dos meus amigos e talvez eu quisesse receber o mesmo em troca. Talvez eu precisasse de aprovação, tal qual o resto do mundo.
Talvez eu não fosse tão auto-suficiente quando queria parecer.
Não sei bem como eu consegui vencer isso e convocar uma tropa de assalto para beber e festar comigo. Não vai ser exatamente uma festa e sei que muita gente não vai pelas mais diversas razões, mas eu vou estar lá dando a cara para bater.
Sei que o Presidente, a minha mineira e os meus pais não vão estar lá, mas quem for vai me fazer muito feliz.
Quem estiver lá será por si só uma razão para matar esse meu medo besta.
Cada coração naquele boteco vai significar uma força a mais no meu peito.
E é disso que é feita a vida: de momentos, de amigos e de batidas fortes no peito.
E que desça mais uma Erdinger!
Hoje comemoro meu 33º aniversário.
Cheguei à idade de Cristo e perdi o medo de comemorar.
Sempre tive receio de fazer festas de aniversário com medo de que as pessoas não fossem, que sobrasse comida ou que eu me visse sozinho no meio de gente desconhecida. Era como um sonho ruim pós-feijoada noturna.
Não tenho mais esse medo. Se a festinha de hoje fracassar, dane-se. Pior para quem não for dividir uma Erdinger comigo.

A deliciosa Erdinger
Na minha juventude as comemorações de aniversário tinham sempre um ar chileno.
Boa parte da colônia baixava em casa para comer cholgas, pebre, pan amassado e churrasco. Invariavelmente meu velho passava da conta e dava vexame.
Era mais ou menos a mesma coisa ano após ano.
Isso durou até que os vexames começaram a ficar maiores do que a alegria.
Aí eu parei e larguei as comemorações. Nunca mais fiz uma festa em casa.

Empanadas chilenas
Demorei para voltar a comemorar e quando o fiz, sempre sofria com aquele sentimento de abandono, uma mini-depressão que vinha da insegurança de não ser importante o suficiente para os meus amigos. Na maioria das vezes isso era infundado, uma besteira, mas eu continuava alimentando o medo de fracassar.
Talvez isso tenha algo a ver com minha auto-exigência. Sempre fiz questão de prestigiar qualquer evento dos meus amigos e talvez eu quisesse receber o mesmo em troca. Talvez eu precisasse de aprovação, tal qual o resto do mundo.
Talvez eu não fosse tão auto-suficiente quando queria parecer.
Não sei bem como eu consegui vencer isso e convocar uma tropa de assalto para beber e festar comigo. Não vai ser exatamente uma festa e sei que muita gente não vai pelas mais diversas razões, mas eu vou estar lá dando a cara para bater.
Sei que o Presidente, a minha mineira e os meus pais não vão estar lá, mas quem for vai me fazer muito feliz.
Quem estiver lá será por si só uma razão para matar esse meu medo besta.
Cada coração naquele boteco vai significar uma força a mais no meu peito.
E é disso que é feita a vida: de momentos, de amigos e de batidas fortes no peito.
E que desça mais uma Erdinger!
domingo, outubro 17, 2004
Fim de caso
Uma vez me peguei em uma livraria procurando o livro "Fim de caso" de Graham Greene.
Tinha ouvido falar bem do escritor enquanto estava perdido em Londres e achei que poderia ser legal conhecer esse livro.
Graham Greene
O grande problema foi a minha falta de tato ao escolher a oportunidade para procurar o tal livro: eu estava recém começando meu namoro com a Rê e isso não caiu muito bem para ela. Segundo um raciocínio que só fui entender depois, eu deveria procurar qualquer coisa que tratasse de relacionamentos começando não do fim deles.
No final das contas e do relacionamento, não li o livro nem vi o filme e não pude entender a visão do escritor sobre o final de estórias que normalmente começam com juras de eternidade, concessão e sacrifício em nome do outro.
Fim de caso
Não sei se gosto de chamar meus namoros de casos. Isso me remete a coisas passageiras e sem importância e nenhum deles foi assim.
Posso não ter me apaixonado loucamente por todas as minhas namoradas, mas certamente eu não passei a chamá-las assim pensando em ter outra companhia na semana seguinte.
Se não era para sempre, pelo menos eu acreditava que duraria e que eu seria feliz no processo.
Até que na maioria deles isso aconteceu de verdade. Por mais reticente que eu tenha sido em alguns, acho que dei sorte e namorei meninas que tinham algo a acrescentar à minha vida naquele momento. Umas mais outras menos, é certo, mas todas acabaram sendo legais de alguma maneira.
Já devo ter falado sobre isso em algum momento da vida deste blog, mas acho legal voltar ao tema e comparar o que já aconteceu com aquilo que estou vivendo neste momento.
O primeiro fim foi "cantado": a gente estava amadurecendo, eu havia acabado de voltar de um processo de abertura de horizontes, ela queria manter o status quo e eu já não achava que o sacrifício valia a pena.
Já não era mais legal me submeter aos desmandos do pai e ao ciúme "sargento" dela.
Simplesmente desisti do relacionamento sem declarar abertamente.
Como era de se esperar, ela declarou e a gente foi ver o que mais havia na vida.
O segundo foi surpreendente de duas maneiras: a primeira é que eu sofri mais do que esperava e muito mais do que eu admitia publicamente.
A segunda é que ela decidiu tudo sozinha, sem ao menos curtir uma crise ou uma discussão. Não teve nem graça.
Aquela mineira não me deixou fazer parte da vida dela e eu achava que por isso estava imune a lágrimas e baixo astral. Não estava e todos os meus perceberam isso.
Do jeito que veio, ela se foi: no controle de tudo.
Não sei se posso considerar a terceira nesta mesma categoria. Foi tudo tçao fugaz que alguns nem diriam que foi um namoro.
De qualquer maneira, como eu a considerei minha namorada, acho que devo considerar também o rompimento.
Terminamos por telefone sob a alegação de que a família se opunha e que ela não queria comprar a briga.
Mais uma vez havia uma família colocando pedras no meu caminho e mais uma vez em perdia na comparação.
Com a seguinte, a já mencionada Rê, eu estava bem mais seguro sobre os rumos do relacionamento. Nem assim eu consegui controlar a coisa quando começamos a nos afastar. Foi quase que natural e mais ou menos uma inversão do que rolou com a mineira: eu não sabia o que fazer com ela e não estava disposto a ser a solução para a neuras que ela tinha.
Não a deixai entrar na minha vida e até fiquei aliviado quando ela saiu.
O quinto rompimento....esse eu não quero viver.
Não tenho nada a dizer sobre ele e não quero pensar em como eu ficaria se ele acontecesse.
Neste caso, não reconheço a existência do fim. Só quero começar de novo, continua e insistentemente. Quero renovar nosso lance até que não consigamos nos reconhecer no espelho. Aqui sim quero que reine Vinícius. Este que quero que seja eterno.
Este vai ser eterno e definitivo!
Que seja eterno enquanto dure...
Uma vez me peguei em uma livraria procurando o livro "Fim de caso" de Graham Greene.
Tinha ouvido falar bem do escritor enquanto estava perdido em Londres e achei que poderia ser legal conhecer esse livro.
Graham Greene
O grande problema foi a minha falta de tato ao escolher a oportunidade para procurar o tal livro: eu estava recém começando meu namoro com a Rê e isso não caiu muito bem para ela. Segundo um raciocínio que só fui entender depois, eu deveria procurar qualquer coisa que tratasse de relacionamentos começando não do fim deles.
No final das contas e do relacionamento, não li o livro nem vi o filme e não pude entender a visão do escritor sobre o final de estórias que normalmente começam com juras de eternidade, concessão e sacrifício em nome do outro.
Fim de caso
Não sei se gosto de chamar meus namoros de casos. Isso me remete a coisas passageiras e sem importância e nenhum deles foi assim.
Posso não ter me apaixonado loucamente por todas as minhas namoradas, mas certamente eu não passei a chamá-las assim pensando em ter outra companhia na semana seguinte.
Se não era para sempre, pelo menos eu acreditava que duraria e que eu seria feliz no processo.
Até que na maioria deles isso aconteceu de verdade. Por mais reticente que eu tenha sido em alguns, acho que dei sorte e namorei meninas que tinham algo a acrescentar à minha vida naquele momento. Umas mais outras menos, é certo, mas todas acabaram sendo legais de alguma maneira.
Já devo ter falado sobre isso em algum momento da vida deste blog, mas acho legal voltar ao tema e comparar o que já aconteceu com aquilo que estou vivendo neste momento.
O primeiro fim foi "cantado": a gente estava amadurecendo, eu havia acabado de voltar de um processo de abertura de horizontes, ela queria manter o status quo e eu já não achava que o sacrifício valia a pena.
Já não era mais legal me submeter aos desmandos do pai e ao ciúme "sargento" dela.
Simplesmente desisti do relacionamento sem declarar abertamente.
Como era de se esperar, ela declarou e a gente foi ver o que mais havia na vida.
O segundo foi surpreendente de duas maneiras: a primeira é que eu sofri mais do que esperava e muito mais do que eu admitia publicamente.
A segunda é que ela decidiu tudo sozinha, sem ao menos curtir uma crise ou uma discussão. Não teve nem graça.
Aquela mineira não me deixou fazer parte da vida dela e eu achava que por isso estava imune a lágrimas e baixo astral. Não estava e todos os meus perceberam isso.
Do jeito que veio, ela se foi: no controle de tudo.
Não sei se posso considerar a terceira nesta mesma categoria. Foi tudo tçao fugaz que alguns nem diriam que foi um namoro.
De qualquer maneira, como eu a considerei minha namorada, acho que devo considerar também o rompimento.
Terminamos por telefone sob a alegação de que a família se opunha e que ela não queria comprar a briga.
Mais uma vez havia uma família colocando pedras no meu caminho e mais uma vez em perdia na comparação.
Com a seguinte, a já mencionada Rê, eu estava bem mais seguro sobre os rumos do relacionamento. Nem assim eu consegui controlar a coisa quando começamos a nos afastar. Foi quase que natural e mais ou menos uma inversão do que rolou com a mineira: eu não sabia o que fazer com ela e não estava disposto a ser a solução para a neuras que ela tinha.
Não a deixai entrar na minha vida e até fiquei aliviado quando ela saiu.
O quinto rompimento....esse eu não quero viver.
Não tenho nada a dizer sobre ele e não quero pensar em como eu ficaria se ele acontecesse.
Neste caso, não reconheço a existência do fim. Só quero começar de novo, continua e insistentemente. Quero renovar nosso lance até que não consigamos nos reconhecer no espelho. Aqui sim quero que reine Vinícius. Este que quero que seja eterno.
Este vai ser eterno e definitivo!
Que seja eterno enquanto dure...
sexta-feira, outubro 08, 2004
Vai ser assim
Nesta última semana eu me peguei imaginando detalhes da decoração de uma casa que ainda não tenho.
Por mais vantajoso que seja morar com os pais e gozar dos confortos e mimos que isso acarreta, estou sentindo uma necessidade crescente de um canto onde largar as meias sujas sem que algum dia alguém passe recolhendo e reclamando.
Fiquei com ainda mais vontade de ter a minha estante de livros, meu armário de CDs, meus cabides de roupas e minhas contas de condomínio. ´
Parece loucura, mas quero amadurecer de vez.
No meu último devaneio havia uma estante fechada por todos os lados mas aberta na frente. Não havia vidro nem portas, apenas espaços quadrados amplos e fundos. Eram como espaços de grandes gavetas. Só os espaços. Eram cerca de nove, dispostos três a três. Era tudo muito parecido com o que vimos no Dedo de Moça de Itacaré.
O modelo
Cheguei a ver os mimos de viagem que eu e a minha mineira planejamos colecionar.
Já temos as primeiras peças, mas ainda não temos os tais "espaços de gavetas"
Os pôsteres de cinema e de música estavam grudados na parede da sala de TV. Não havia nenhum quadro. Os atores e músicos eram o próprio papel de parede. O nariz do Keanu Reeves acabou constituindo um ótimo lugar para uma das tomadas do computador e os pêlos do Chewbacca acabaram tornando o ambiente bem mais caloroso.
É certo que ver um filme olhando para tudo aquilo deixaria qualquer um com dor de cabeça, mas não é nada que uma inversão estratégica de posição não resolvesse.
180 graus depois estaria tudo perfeito.
O quarto era minimalista: a cama, um criado e o despertador. Nada de montes de armários nem de enfeites nem de penduricalhos. Só paredes limpas e cheiros agradáveis.
Na minha imaginação havia uma cama japonesa, daquelas bem baixinhas que mais pareciam colchonetes, mas a minha mineira já matou a idéia no ninho e terei que me acostumar com a impessoal e universal cama box, bem ao estilo americanóide.
O Oliver e o meu saudoso amigo Joubert eram a inspiração para a cozinha: havia um monte de peças penduradas e muitos condimentos eram retirados de uma fileira de vasinhos que eu cultivava com carinho, somente na hora de usar .
Jamie Oliver no seu Fifteen
Se eu quisesse uma pizza marguerita era só dar alguns passos, localizar o vaso do manjericão e tosar um par de ramos.
Para escorrer o macarrão bastava retirar a peça do ganchinho e eliminar o excesso de água. Ah, o pegador para a massa sairia de outro ganchinho e a concha para o molho de um terceiro. Tudo muito a mão, tudo muito aparente. Nada de ordem exagerada, nada de limpeza sem vida.
Acho que essa era a principal característica da minha casa de sonhos: nada era arrumado demais, nem certinho demais, nem quadrado demais.
Nada era demais. Só o meu prazer em chegar e estar naquele meu cantinho, naquele meu esconderijo.
No meu reino, o importante era se sentir bem e não exatamente parecer bem.
Nesta última semana eu me peguei imaginando detalhes da decoração de uma casa que ainda não tenho.
Por mais vantajoso que seja morar com os pais e gozar dos confortos e mimos que isso acarreta, estou sentindo uma necessidade crescente de um canto onde largar as meias sujas sem que algum dia alguém passe recolhendo e reclamando.
Fiquei com ainda mais vontade de ter a minha estante de livros, meu armário de CDs, meus cabides de roupas e minhas contas de condomínio. ´
Parece loucura, mas quero amadurecer de vez.
No meu último devaneio havia uma estante fechada por todos os lados mas aberta na frente. Não havia vidro nem portas, apenas espaços quadrados amplos e fundos. Eram como espaços de grandes gavetas. Só os espaços. Eram cerca de nove, dispostos três a três. Era tudo muito parecido com o que vimos no Dedo de Moça de Itacaré.
O modelo
Cheguei a ver os mimos de viagem que eu e a minha mineira planejamos colecionar.
Já temos as primeiras peças, mas ainda não temos os tais "espaços de gavetas"
Os pôsteres de cinema e de música estavam grudados na parede da sala de TV. Não havia nenhum quadro. Os atores e músicos eram o próprio papel de parede. O nariz do Keanu Reeves acabou constituindo um ótimo lugar para uma das tomadas do computador e os pêlos do Chewbacca acabaram tornando o ambiente bem mais caloroso.
É certo que ver um filme olhando para tudo aquilo deixaria qualquer um com dor de cabeça, mas não é nada que uma inversão estratégica de posição não resolvesse.
180 graus depois estaria tudo perfeito.
O quarto era minimalista: a cama, um criado e o despertador. Nada de montes de armários nem de enfeites nem de penduricalhos. Só paredes limpas e cheiros agradáveis.
Na minha imaginação havia uma cama japonesa, daquelas bem baixinhas que mais pareciam colchonetes, mas a minha mineira já matou a idéia no ninho e terei que me acostumar com a impessoal e universal cama box, bem ao estilo americanóide.
O Oliver e o meu saudoso amigo Joubert eram a inspiração para a cozinha: havia um monte de peças penduradas e muitos condimentos eram retirados de uma fileira de vasinhos que eu cultivava com carinho, somente na hora de usar .
Jamie Oliver no seu Fifteen
Se eu quisesse uma pizza marguerita era só dar alguns passos, localizar o vaso do manjericão e tosar um par de ramos.
Para escorrer o macarrão bastava retirar a peça do ganchinho e eliminar o excesso de água. Ah, o pegador para a massa sairia de outro ganchinho e a concha para o molho de um terceiro. Tudo muito a mão, tudo muito aparente. Nada de ordem exagerada, nada de limpeza sem vida.
Acho que essa era a principal característica da minha casa de sonhos: nada era arrumado demais, nem certinho demais, nem quadrado demais.
Nada era demais. Só o meu prazer em chegar e estar naquele meu cantinho, naquele meu esconderijo.
No meu reino, o importante era se sentir bem e não exatamente parecer bem.
terça-feira, setembro 28, 2004
Mimos
Neste ano acabaram acontecendo duas coisas que me deram acesso a algo que eu deveria ter visto há muito tempo.
Primeiro eu consegui parar um pouco na frente da TV e vi a programação da Sportv. Até aí nada de extraordinário já que ver televisão é um hábito que nem todo mundo aprecia e que muitos renegam fanaticamente.
O grande diferencial foi o tipo de cobertura que a mesma Sportv resolveu dar para as Paraolimpíadas de Atenas. Para quem não sabe, de uns tempos pra cá, os Jogos Olímpicos tradicionais vêm sendo acompanhados por jogos Paraolímpicos, onde acabamos vendo gente com ainda mais determinação e vontade de vencer do que os atletas tradicionais.
Li em algum lugar que bem sempre as Paraolimpíadas foram realizadas no mesmo lugar dos jogos tradicionais, mas acho que fica muito mais legal assim já que a atenção do mundo fica focada no mesmo lugar por um pouco mais de tempo.
Outra coisa que eu não sabia é que existem categorias dependendo do grau de deficiência da pessoa. Isso faz muito sentido já que não parece muito justo colocar uma pessoa que não tem braços nem pernas para competir com alguém que "só" não coordena bem o movimento do braço esquerdo.
É justamente aí que acabei ficando ainda mais impressionado: ver um chinês sem braços ganhar a prova dos 200m medley na natação foi demais!
Apesar dele estar competindo com pessoas com um grau de deficiência semelhante, dava para sentir que a vontade de viver e de vencer do chinesinho era muito maior do que eu algum dia sonhei. Além de me emocionar com aquela força de vontade, acabei começando a reconhecer os meus mimos. Mais tarde isso ficaria bem mais explícito.
Outro evento ligado a essa auto-análise aconteceu com o Professor: ele teve seu carro roubado e acabou tendo que fazer o "reconhecimendo do corpo" em uma delegacia do Jardim Ângela. Pelo que ele me disse, toda a fama de feiúra e barra pesada que o lugar sempre teve é mais do que justificada. Apesar de estar cercado de policiais bem armados e preparados para ataques, ele se sentiu extremamente inseguro e vulnerável.
Mas foi outro tipo de sentimento que me chamou a atenção. O que quero contar aqui é a criação do conceito de mimo: depois de voltar para casa, o Professor olhou para seus problemas e começou a se sentir envergonhado de reclamar tanto da vida.
Enquanto ele tinha que lidar com o corte da grama da casa de Mauá, com a preguiça do caseiro ou com os problemas do trabalho, as famílias da favela não sabiam se seus filhos voltariam inteiros da escola ou da compra de um pão na padaria.
Para eles, a vida era muito mais básica: era sobreviver ou não.
Antes que surja algum tipo de pensamento da escola MST, não tenho a intenção de julgar ninguém e nem acredito que a culpa pela miséria de uma família da favela possa ser atribuída a outra do Tucuruvi. Não desejo me considerar culpado por ter tido oportunidades que outros não tiveram. Não desejo e não farei isso.
Prefiro me conscientizar daquilo que o Professor chamou de mimos, por que é isso que tenho que enfrentar como problema: nada mais do que mimos.
Problema é que aquele tipo de família tem. Problema é o que um cara sem braços tem para realizar atividades banais como escovar os dentes. Problema é encarar a alegria de viver que muitas dessas pessoas demonstram. Problema é parar de olhar para o umbigo, agradecer pelo que temos e tentar viver cada vez melhor com nossas limitações. Problema é assumir os mimos e tentar ser um pouco mais feliz.
Neste ano acabaram acontecendo duas coisas que me deram acesso a algo que eu deveria ter visto há muito tempo.
Primeiro eu consegui parar um pouco na frente da TV e vi a programação da Sportv. Até aí nada de extraordinário já que ver televisão é um hábito que nem todo mundo aprecia e que muitos renegam fanaticamente.
O grande diferencial foi o tipo de cobertura que a mesma Sportv resolveu dar para as Paraolimpíadas de Atenas. Para quem não sabe, de uns tempos pra cá, os Jogos Olímpicos tradicionais vêm sendo acompanhados por jogos Paraolímpicos, onde acabamos vendo gente com ainda mais determinação e vontade de vencer do que os atletas tradicionais.
Li em algum lugar que bem sempre as Paraolimpíadas foram realizadas no mesmo lugar dos jogos tradicionais, mas acho que fica muito mais legal assim já que a atenção do mundo fica focada no mesmo lugar por um pouco mais de tempo.
Outra coisa que eu não sabia é que existem categorias dependendo do grau de deficiência da pessoa. Isso faz muito sentido já que não parece muito justo colocar uma pessoa que não tem braços nem pernas para competir com alguém que "só" não coordena bem o movimento do braço esquerdo.
É justamente aí que acabei ficando ainda mais impressionado: ver um chinês sem braços ganhar a prova dos 200m medley na natação foi demais!
Apesar dele estar competindo com pessoas com um grau de deficiência semelhante, dava para sentir que a vontade de viver e de vencer do chinesinho era muito maior do que eu algum dia sonhei. Além de me emocionar com aquela força de vontade, acabei começando a reconhecer os meus mimos. Mais tarde isso ficaria bem mais explícito.
Outro evento ligado a essa auto-análise aconteceu com o Professor: ele teve seu carro roubado e acabou tendo que fazer o "reconhecimendo do corpo" em uma delegacia do Jardim Ângela. Pelo que ele me disse, toda a fama de feiúra e barra pesada que o lugar sempre teve é mais do que justificada. Apesar de estar cercado de policiais bem armados e preparados para ataques, ele se sentiu extremamente inseguro e vulnerável.
Mas foi outro tipo de sentimento que me chamou a atenção. O que quero contar aqui é a criação do conceito de mimo: depois de voltar para casa, o Professor olhou para seus problemas e começou a se sentir envergonhado de reclamar tanto da vida.
Enquanto ele tinha que lidar com o corte da grama da casa de Mauá, com a preguiça do caseiro ou com os problemas do trabalho, as famílias da favela não sabiam se seus filhos voltariam inteiros da escola ou da compra de um pão na padaria.
Para eles, a vida era muito mais básica: era sobreviver ou não.
Antes que surja algum tipo de pensamento da escola MST, não tenho a intenção de julgar ninguém e nem acredito que a culpa pela miséria de uma família da favela possa ser atribuída a outra do Tucuruvi. Não desejo me considerar culpado por ter tido oportunidades que outros não tiveram. Não desejo e não farei isso.
Prefiro me conscientizar daquilo que o Professor chamou de mimos, por que é isso que tenho que enfrentar como problema: nada mais do que mimos.
Problema é que aquele tipo de família tem. Problema é o que um cara sem braços tem para realizar atividades banais como escovar os dentes. Problema é encarar a alegria de viver que muitas dessas pessoas demonstram. Problema é parar de olhar para o umbigo, agradecer pelo que temos e tentar viver cada vez melhor com nossas limitações. Problema é assumir os mimos e tentar ser um pouco mais feliz.
quarta-feira, setembro 15, 2004
Proximidade
Desta vez passou bem perto!
O tal do casamento pegou um cara que já fez parte do meu círculo interno de amigos mais íntimos. Não quero perder tempo narrando o que o levou a perder o posto de amigo de fé. Prefiro falar da experiência mais próxima que tive com o casamento.
É engraçado e até curioso que eu tenha sentido essa proximidade, mesmo que a minha amizade com ele já não seja essas coisas.
Acho que a sensação tem a ver com a idéia que alimentei durante anos. Sabe a idéia de amizade eterna e de invulnerabilidade? Pois é, era isso que eu pensava dos caras que aprendi a chamar de Diretoria.
Hoje em dia já não dirigimos nada. Só com o Presidente eu consigo manter a postura de irmão. Com os demais fica a amizade forte (ou quase isso).
Esse meu amigo não se casou na igreja. Critérios religiosos e culturais o fizeram optar por uma cerimônia-com-festa-sem-sacerdote. Um lance assim meio Huck e Angélica, sabe?
Não que eu ache que a igreja tem que fazer parte do pacote, mas é que estava acostumado a olhar altares e vitrais enquanto o padre entediava os convidados.
Nesta cerimônia rolou apenas a entrada da noiva (de branco) acompanhada do pai, o corredor de convidados e algum tipo de benção proferida por um amigo da família.
Ah, tivemos também a presença ilustre do juiz de paz para cuidar do aspecto legal da coisa.
Tudo muito simples, tudo muito sóbrio, tudo muito legal, a não ser a sensação de que eles poderiam ter chegado lá de forma muito mais fácil e carinhosa.
Digo isso com propriedade pois fui um dos infelizes que apreciou da camarote boa parte dos desrespeitos que rolaram de lado a lado nestes anos todos. Parece incrível que pessoas que se hostilizaram tanto tenham chegado ao altar.
Mas eles chegaram e eu não sinto a mínima vontade de relembrar os detalhes ruins.
Outras pessoas quase que igualmente próximas, fizeram comentários durante o casamento, mas eu não. Preferi enterrar o passado e fazer como o amante não correspondido do filme "Simplemente amor": disse "enough" para tudo aquilo.
Para mim, aquele dia encerrava um grande ciclo de equívocos e simbolizava a esperança de vida melhor para ambos.
Aliás, de vida melhor para todos nós, que não mais testemunharemos os barracos que eles adoravam proporcionar.
Que assim seja e que os problemas fiquem bem mortos!
Desta vez passou bem perto!
O tal do casamento pegou um cara que já fez parte do meu círculo interno de amigos mais íntimos. Não quero perder tempo narrando o que o levou a perder o posto de amigo de fé. Prefiro falar da experiência mais próxima que tive com o casamento.
É engraçado e até curioso que eu tenha sentido essa proximidade, mesmo que a minha amizade com ele já não seja essas coisas.
Acho que a sensação tem a ver com a idéia que alimentei durante anos. Sabe a idéia de amizade eterna e de invulnerabilidade? Pois é, era isso que eu pensava dos caras que aprendi a chamar de Diretoria.
Hoje em dia já não dirigimos nada. Só com o Presidente eu consigo manter a postura de irmão. Com os demais fica a amizade forte (ou quase isso).
Esse meu amigo não se casou na igreja. Critérios religiosos e culturais o fizeram optar por uma cerimônia-com-festa-sem-sacerdote. Um lance assim meio Huck e Angélica, sabe?
Não que eu ache que a igreja tem que fazer parte do pacote, mas é que estava acostumado a olhar altares e vitrais enquanto o padre entediava os convidados.
Nesta cerimônia rolou apenas a entrada da noiva (de branco) acompanhada do pai, o corredor de convidados e algum tipo de benção proferida por um amigo da família.
Ah, tivemos também a presença ilustre do juiz de paz para cuidar do aspecto legal da coisa.
Tudo muito simples, tudo muito sóbrio, tudo muito legal, a não ser a sensação de que eles poderiam ter chegado lá de forma muito mais fácil e carinhosa.
Digo isso com propriedade pois fui um dos infelizes que apreciou da camarote boa parte dos desrespeitos que rolaram de lado a lado nestes anos todos. Parece incrível que pessoas que se hostilizaram tanto tenham chegado ao altar.
Mas eles chegaram e eu não sinto a mínima vontade de relembrar os detalhes ruins.
Outras pessoas quase que igualmente próximas, fizeram comentários durante o casamento, mas eu não. Preferi enterrar o passado e fazer como o amante não correspondido do filme "Simplemente amor": disse "enough" para tudo aquilo.
Para mim, aquele dia encerrava um grande ciclo de equívocos e simbolizava a esperança de vida melhor para ambos.
Aliás, de vida melhor para todos nós, que não mais testemunharemos os barracos que eles adoravam proporcionar.
Que assim seja e que os problemas fiquem bem mortos!
quinta-feira, setembro 09, 2004
Pausa
Acabei de voltar de férias.
Passei 18 dias longe de casa, do trabalho, do meu mundo e do blog. Não me arrependo nem um pouco do desleixo e ócio que me dominou nas últimas semanas. Eu precisava dar uma parada.
Definitivamente, tirar férias é algo quase tão bom quanto sexo e comida mineira. Ainda mais quando se consegue fazer isso com quem se gosta, conhecer o que se quer e não ter que prestar contas a ninguém. Santa independência!
Bom, como fiquei algum tempo sem escrever no blog, a idéia era contar aos poucos as coisas que rolaram nesses últimos dias. Era, por que decidi contar essas outras estórias de um jeito diferente do que estou acostumado.
Decidi criar um novo blog somente para as minhas viagens e colocar o máximo de detalhes que eu conseguir, de forma a manter vivas as lembranças na minha mente e, eventualmente, ajudar algum amigo necessitado de informações e dicas práticas.
Para quem quiser conferir o que rolou, o Seguindo Gulliver está à disposição.
Acabei de voltar de férias.
Passei 18 dias longe de casa, do trabalho, do meu mundo e do blog. Não me arrependo nem um pouco do desleixo e ócio que me dominou nas últimas semanas. Eu precisava dar uma parada.
Definitivamente, tirar férias é algo quase tão bom quanto sexo e comida mineira. Ainda mais quando se consegue fazer isso com quem se gosta, conhecer o que se quer e não ter que prestar contas a ninguém. Santa independência!
Bom, como fiquei algum tempo sem escrever no blog, a idéia era contar aos poucos as coisas que rolaram nesses últimos dias. Era, por que decidi contar essas outras estórias de um jeito diferente do que estou acostumado.
Decidi criar um novo blog somente para as minhas viagens e colocar o máximo de detalhes que eu conseguir, de forma a manter vivas as lembranças na minha mente e, eventualmente, ajudar algum amigo necessitado de informações e dicas práticas.
Para quem quiser conferir o que rolou, o Seguindo Gulliver está à disposição.
sexta-feira, agosto 20, 2004
Intervalo
Mais uma vez vou conseguir me livrar do pelourinho do trabalho e sair zanzando pelas estradas no país.
Ainda não tenho "bala" para dar a volta ao mundo - ainda - e também não dá para passar uma semana torrando no verão europeu.
Como também não tenho como fazer a Trilha Inca e conhecer Macchu Picchu antes que afunde, tenho que me contentar com o tradicional passeio de carro.
Se bem que desta vez será "o" passeio: serão aproximadamente 5500km rumo norte, destino final Lençóis na Chapada Diamantina. Até chegar lá passarei por diversos lugares legais e trarei mais um caminhão de estórias para contar.
Na volta conto algumas delas.
Até mais ver!
Mais uma vez vou conseguir me livrar do pelourinho do trabalho e sair zanzando pelas estradas no país.
Ainda não tenho "bala" para dar a volta ao mundo - ainda - e também não dá para passar uma semana torrando no verão europeu.
Como também não tenho como fazer a Trilha Inca e conhecer Macchu Picchu antes que afunde, tenho que me contentar com o tradicional passeio de carro.
Se bem que desta vez será "o" passeio: serão aproximadamente 5500km rumo norte, destino final Lençóis na Chapada Diamantina. Até chegar lá passarei por diversos lugares legais e trarei mais um caminhão de estórias para contar.
Na volta conto algumas delas.
Até mais ver!
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