Li essa frase no fotolog de uma amiga muito querida e achei interessante comentá-la.
Acho que ela tem a ver com um certo desejo reprimido de rebeldia e liberdade que tenho aqui dentro.
Tem a ver com a vontade de fazer o que me dá vontade sem pensar nas consequências, críticas ou comentários.
Tem a ver com uma liberdade que a minha criação não permitiu e que minhas escolhas não deixaram prosperar.
E não estou reclamando da minha vida.
Apenas noto esse desejo e essa sensação de "travamento" no meu trajeto.
Sou sincero quando digo que não me arrependo do que fiz, mas também falo a verdade quando digo que teria sido mais fácil viver sem tantas amarras.
Talvez não tivesse sido tão bom, mas certamente seria mais fácil.
Mas o que fazer?
Que o próximo da fila venha e busque essa liberdade.
E que eu consiga ajudar o herdeiro a chegar onde ele (ou ela) quiser.
Independente do destino, independente do caminho.
Valeu pela inspiração, Senhorita Staut.
sexta-feira, agosto 25, 2006
quarta-feira, agosto 23, 2006
Crescei e fugi
Quando mais o tempo passa, mais me sinto à vontade com a idéia de ser pai e paradoxalmente, mais me apavoro com isso!
Fico efetivamente aterrorizado quando penso que não mais terei o conforto de cuidar somente da minha mineira (sempre) e de mim mesmo (de vez em quando).
E não adianta os amigos me dizerem que é bom, que vale a pena e que eu vou gostar.
O medo me abandona e não vai me abandonar tão cedo.
Nem imagino quando isso possa acontecer, mas desconfio que não vou descobrir isso tão cedo.
Como a chegada de um herdeiro é uma coisa inevitável no meu relacionamento (quem mandou casar com uma mulher que nasceu para ser mãe?), tenho que começar a tratar essa paúra e dar um jeito de controlá-la.
Tenho certeza que alguém se pergunta de onde virá esse medo e não tenho nenhum problema em dizer que meu medo tem dois nomes: mudança e incompetência.
O medo da mudança sempre acompanhou a minha vida desde que eu dava cabeçadas na minha mãe e na minha avó, mas o medo da incompetência é relativamente novo e tem a idade da idéia de ser pai.
Trocando em miúdos, tenho medo de ser incompetente para criar o herdeiro e impedir que ele se transforme e um vagabundo egocêntrico ou uma descerebrada fútil.
Tenho medo de não conseguir controlar a criança e de me tornar exatamente o tipo de pai permissivo e incapaz que eu tanto critico.
Tenho medo de ter alguém dependendo inteiramente de mim para tudo.
Tenho medo da paternidade em si.
Tenho tantos exemplos e contra-exemplos do que fazer e do que não fazer que não consigo formular uma boa idéia na minha cabeça.
Não consigo me organizar e separar as atitudes em boas e más para a criação da criança. Simplesmente não consigo.
E mesmo que conseguisse, fico com a impressão de que tudo o que eu planejar e preparar será imediatamente jogado no lixo no primeiro momento em que o herdeiro chorar de fome ou na primeira vez que dizer que me ama.
Para isso não existe treino.
Ai que meda!
Fico efetivamente aterrorizado quando penso que não mais terei o conforto de cuidar somente da minha mineira (sempre) e de mim mesmo (de vez em quando).
E não adianta os amigos me dizerem que é bom, que vale a pena e que eu vou gostar.
O medo me abandona e não vai me abandonar tão cedo.
Nem imagino quando isso possa acontecer, mas desconfio que não vou descobrir isso tão cedo.
Como a chegada de um herdeiro é uma coisa inevitável no meu relacionamento (quem mandou casar com uma mulher que nasceu para ser mãe?), tenho que começar a tratar essa paúra e dar um jeito de controlá-la.
Tenho certeza que alguém se pergunta de onde virá esse medo e não tenho nenhum problema em dizer que meu medo tem dois nomes: mudança e incompetência.
O medo da mudança sempre acompanhou a minha vida desde que eu dava cabeçadas na minha mãe e na minha avó, mas o medo da incompetência é relativamente novo e tem a idade da idéia de ser pai.
Trocando em miúdos, tenho medo de ser incompetente para criar o herdeiro e impedir que ele se transforme e um vagabundo egocêntrico ou uma descerebrada fútil.
Tenho medo de não conseguir controlar a criança e de me tornar exatamente o tipo de pai permissivo e incapaz que eu tanto critico.
Tenho medo de ter alguém dependendo inteiramente de mim para tudo.
Tenho medo da paternidade em si.
Tenho tantos exemplos e contra-exemplos do que fazer e do que não fazer que não consigo formular uma boa idéia na minha cabeça.
Não consigo me organizar e separar as atitudes em boas e más para a criação da criança. Simplesmente não consigo.
E mesmo que conseguisse, fico com a impressão de que tudo o que eu planejar e preparar será imediatamente jogado no lixo no primeiro momento em que o herdeiro chorar de fome ou na primeira vez que dizer que me ama.
Para isso não existe treino.
Ai que meda!
segunda-feira, agosto 21, 2006
Pirlimpimpim
Ainda ontem eu jogava bola em um campo de terra batida ao lado da minha casa, assistia a meus amigos soltando pipas (por total falta de habilidade com linhas e papel de seda), rodava peão e ficava revoltado com o tratamento que a Maria Joaquina dava ao pobre Cirilo na novela Carrossel.
De repente, algum desavisado berrou "pirlimpimpim" e eu me vi aqui, 34 anos, casado, funcionário de uma multinacional, cheio de planos, ainda mais cheio de limitações, transformado em uma "manteiga derretida" (choro até com os depoimentos do final de "Páginas da vida") e completamente incrédulo com a transformação da tal Maria Joaquina.
A moça cresceu (muito) e seguiu aparecendo, mais ou menos como todos nós.
Complicado aceitar isso. Quer dizer, todo mundo cresce e isso não tem nada de esquisito, mas é complicado começar a pensar em tudo o que você fez e, invariavelmente, no que deixou de fazer.
Dá vontade de voltar e tentar de novo, decidir coisas diferentes e usar o conhecimento que temos hoje.
Não tem quem não afirme que teria muito mais sucesso no amor, no trabalho e mesmo na vida se pudesse viver aquilo novamente, mas com mais informação.
Feliz ou infelizmente isso não é possível e temos que lidar com nossas realidades, decisões e responsabilidades.
É assim que funciona e não há nada a fazer a não ser seguir em frente e sonhar.
Não que isso seja ruim já que sonhar (ainda) é de graça.
Foto: Terra
De repente, algum desavisado berrou "pirlimpimpim" e eu me vi aqui, 34 anos, casado, funcionário de uma multinacional, cheio de planos, ainda mais cheio de limitações, transformado em uma "manteiga derretida" (choro até com os depoimentos do final de "Páginas da vida") e completamente incrédulo com a transformação da tal Maria Joaquina.A moça cresceu (muito) e seguiu aparecendo, mais ou menos como todos nós.
Complicado aceitar isso. Quer dizer, todo mundo cresce e isso não tem nada de esquisito, mas é complicado começar a pensar em tudo o que você fez e, invariavelmente, no que deixou de fazer.
Dá vontade de voltar e tentar de novo, decidir coisas diferentes e usar o conhecimento que temos hoje.
Não tem quem não afirme que teria muito mais sucesso no amor, no trabalho e mesmo na vida se pudesse viver aquilo novamente, mas com mais informação.
Feliz ou infelizmente isso não é possível e temos que lidar com nossas realidades, decisões e responsabilidades.
É assim que funciona e não há nada a fazer a não ser seguir em frente e sonhar.
Não que isso seja ruim já que sonhar (ainda) é de graça.
Foto: Terra
sexta-feira, agosto 18, 2006
Prateleiras de metal
Desde que me mudei, minha coleção de revistas em quadrinhos virou um caos.
Anos e anos de fanatismo "literário" estão reduzidos a caixas de papelão mal acondicionadas e ao desmoronamento das prateleiras de metal de um quartinho no apê da minha mãe.
Eu já havia parado de comprar as revistas muito antes de me casar, mas isso não diminuiu o aperto que senti quando tive que deixar aquilo tudo na casa antiga.
Consegui salvar os CDs, minha outra paixão, mas isso não fez a dor diminuir.
Doeu um monte e ainda dói. Sempre é complicado entrar naquele quartinho.
E não pensem que sou um obcecado. Longe disso. Sou muito consciente da pouca importância que aquilo tudo tem para a paz mundial e para a economia global.
A quem quero enganar?
Quem quer saber de paz e economia quando tem nas mãos o "Cavaleiro das Trevas" ou "Elektra Assassina"?
O fascínio das páginas coloridas supera qualquer coisa. Talvez não supere o sexo, mas chega bem perto.
Não me interessa o Líbano, Israel ou o PCC! Me passe a edição encadernada de "Crise nas infinitas terras" e me deixe sossegado. Ainda não decorei todas as falas e tenho que fazer isso antes que a saga complete 20 anos.
Ops! Parece que surtei e peço desculpas por isso.
É que fico emocionado quando me lembro da coleção e do seu entorno sentimental.
Só quem passou por isso sabe do que estou falando.
Minha mãe já começou a mudar as caixas de revistas para um lugar não identificado e não fui me despedir. Todo mundo sabe que seria demais me pedir isso.
É melhor que elas se vão e que eu não saiba onde encontrar minhas edições originais de "Watchmen", "Ronin", "Asilo Arkham" e "A piada mortal".
É melhor que eu siga minha vida e me conforme com as limitações espaciais dela.

Mas ai de quem destruir essas revistas antes de eu conseguir um espaço para elas na casa que ainda vou comprar.
Nem Galactus salvará essa pessoa da minha ira!
Anos e anos de fanatismo "literário" estão reduzidos a caixas de papelão mal acondicionadas e ao desmoronamento das prateleiras de metal de um quartinho no apê da minha mãe.
Eu já havia parado de comprar as revistas muito antes de me casar, mas isso não diminuiu o aperto que senti quando tive que deixar aquilo tudo na casa antiga.
Consegui salvar os CDs, minha outra paixão, mas isso não fez a dor diminuir.
Doeu um monte e ainda dói. Sempre é complicado entrar naquele quartinho.
E não pensem que sou um obcecado. Longe disso. Sou muito consciente da pouca importância que aquilo tudo tem para a paz mundial e para a economia global.A quem quero enganar?
Quem quer saber de paz e economia quando tem nas mãos o "Cavaleiro das Trevas" ou "Elektra Assassina"?
O fascínio das páginas coloridas supera qualquer coisa. Talvez não supere o sexo, mas chega bem perto.
Não me interessa o Líbano, Israel ou o PCC! Me passe a edição encadernada de "Crise nas infinitas terras" e me deixe sossegado. Ainda não decorei todas as falas e tenho que fazer isso antes que a saga complete 20 anos.
Ops! Parece que surtei e peço desculpas por isso.
É que fico emocionado quando me lembro da coleção e do seu entorno sentimental.
Só quem passou por isso sabe do que estou falando.
Minha mãe já começou a mudar as caixas de revistas para um lugar não identificado e não fui me despedir. Todo mundo sabe que seria demais me pedir isso.
É melhor que elas se vão e que eu não saiba onde encontrar minhas edições originais de "Watchmen", "Ronin", "Asilo Arkham" e "A piada mortal".
É melhor que eu siga minha vida e me conforme com as limitações espaciais dela.

Mas ai de quem destruir essas revistas antes de eu conseguir um espaço para elas na casa que ainda vou comprar.
Nem Galactus salvará essa pessoa da minha ira!
quarta-feira, agosto 16, 2006
Ditaduras
Fomos ver Zuzu Angel.
Minha mineira gostou do filme mais do que eu, é verdade, mas não saí do cinema contrariado ou decepcionado.
Ao invés disso saí pensativo, com uma coisa martelando na minha cabeça.
Sempre ouvi dizer que a ditadura aqui no Brasil foi muito mais branda do que a que aconteceu no Chile e na Argentina. Diziam que o que houve aqui foi brincadeira de criança perto das barbaridades do Estádio Nacional de Santiago e dos homens que derrubaram Allende.
Não me lembro se foi meu velho pai que me passou essa idéia, mas depois que saí do cinema fiquei me perguntando de que forma algo pode ser pior do que aquilo.

O companheiro Allende eternizado
Usando um pouco da minha tradicional racionalidade e considerando que parte daquilo é ficção, ainda assim é complicado visualizar como a ditadura chilena pode ter sido pior.
Se foi, não quero nem imaginar o que aconteceu com meus compatriotas.
Não quero ter pesadelos com a constatação de que meus companheiros de carbono podem ser ainda mais cruéis e sanguinários.
Isso me lembra da animosidade que tenho para com os militares.
Eu sempre os chamo de milicos e, mesmo caindo na pouco inteligente vala da generalização, não me relaciono com nenhum deles. Quer dizer, tento fazer isso, mas nem sempre é possível.
Pensando por outro lado, acho que seria infindável uma discussão sobre a culpa que os militares não-oficiais teriam nas ditaduras.
Até que ponto eles só fizeram aquelas barbaridades para cumprir ordens?
Não havia nenhum componente de vingança em nenhum deles?
Existiria medo de preservar a própria vida e a da família?
Seria o medo e não a obediência e a crueldade a grande força motriz de torturadores e assassinos?
Difícil acreditar nessa versão, mas não pretendo seguir nessa discussão.
Prefiro voltar à sensação incômoda de que podem existir coisas piores do que as vistas no filme.
E ainda mais incômodo é pensar que pouca gente neste país se lembra ou se interessa pelo que houve.
Como esperar consciência política em um país onde muitos estudantes protestam sem saber a razão e se juntam a manifestações apenas para ficar com outros estudantes?
Bom, melhor seguir fazendo a minha parte e não tentar salvar o mundo.
Me confesso incompetente para isso, mas não desisto. Um dia a coisa funciona.
Minha mineira gostou do filme mais do que eu, é verdade, mas não saí do cinema contrariado ou decepcionado.
Ao invés disso saí pensativo, com uma coisa martelando na minha cabeça.
Sempre ouvi dizer que a ditadura aqui no Brasil foi muito mais branda do que a que aconteceu no Chile e na Argentina. Diziam que o que houve aqui foi brincadeira de criança perto das barbaridades do Estádio Nacional de Santiago e dos homens que derrubaram Allende.
Não me lembro se foi meu velho pai que me passou essa idéia, mas depois que saí do cinema fiquei me perguntando de que forma algo pode ser pior do que aquilo.

O companheiro Allende eternizado
Usando um pouco da minha tradicional racionalidade e considerando que parte daquilo é ficção, ainda assim é complicado visualizar como a ditadura chilena pode ter sido pior.
Se foi, não quero nem imaginar o que aconteceu com meus compatriotas.
Não quero ter pesadelos com a constatação de que meus companheiros de carbono podem ser ainda mais cruéis e sanguinários.
Isso me lembra da animosidade que tenho para com os militares.
Eu sempre os chamo de milicos e, mesmo caindo na pouco inteligente vala da generalização, não me relaciono com nenhum deles. Quer dizer, tento fazer isso, mas nem sempre é possível.
Pensando por outro lado, acho que seria infindável uma discussão sobre a culpa que os militares não-oficiais teriam nas ditaduras.
Até que ponto eles só fizeram aquelas barbaridades para cumprir ordens?
Não havia nenhum componente de vingança em nenhum deles?
Existiria medo de preservar a própria vida e a da família?
Seria o medo e não a obediência e a crueldade a grande força motriz de torturadores e assassinos?
Difícil acreditar nessa versão, mas não pretendo seguir nessa discussão.
Prefiro voltar à sensação incômoda de que podem existir coisas piores do que as vistas no filme.
E ainda mais incômodo é pensar que pouca gente neste país se lembra ou se interessa pelo que houve.
Como esperar consciência política em um país onde muitos estudantes protestam sem saber a razão e se juntam a manifestações apenas para ficar com outros estudantes?
Bom, melhor seguir fazendo a minha parte e não tentar salvar o mundo.
Me confesso incompetente para isso, mas não desisto. Um dia a coisa funciona.
segunda-feira, agosto 14, 2006
Persistência
Em Janeiro de 2004 eu visitei a minha avó achando que seria a última vez.
Eu ainda estava solteiro e enchi a paciência dela para que desse um jeito de contornar os problemas respiratórios - ela tem calcificação nos pulmões, ou algo parecido - e pegasse um avião para assistir ao enforcamento, mas ela preferiu me abraçar em pensamento e rezar pela minha felicidade. Ela estava lá e meu Tata também. Todos eles estavam lá e viram a bagunça toda do dia mais feliz da minha vida.
Agora já é 2006 e minha velhinha, ou melhor, a velhinha da minha velhinha, continua por aqui controlando tudo e fazendo a alegria dos netos.
Vou visitá-la novamente e morro de saudades do seu colo.
Vou matar saudade do tempo em que morei com ela, aprendi a não comer gordura de bife, me viciei em pastel de choclo com açúcar e tomate e que acompanhei meu Tata no caminho para o descanso.
É bom saber que meus temores eram exagerados e que ela ainda tem muito amor para dar.
Só vou ter problemas com a concorrência dos primos menores que convivem muito mais com ela, mas acho que consigo dar um jeito de puxá-la para um canto e tê-la só para mim uma vez mais.
Ela é a única abue que me resta e tenho que caprichar no dengo.
Mas o capricho não é mais pelo temor e sim pelo amor.
Independente de tudo, ela estará lá onde sempre esteve e isso nunca vai mudar.
Eu ainda estava solteiro e enchi a paciência dela para que desse um jeito de contornar os problemas respiratórios - ela tem calcificação nos pulmões, ou algo parecido - e pegasse um avião para assistir ao enforcamento, mas ela preferiu me abraçar em pensamento e rezar pela minha felicidade. Ela estava lá e meu Tata também. Todos eles estavam lá e viram a bagunça toda do dia mais feliz da minha vida.
Agora já é 2006 e minha velhinha, ou melhor, a velhinha da minha velhinha, continua por aqui controlando tudo e fazendo a alegria dos netos.
Vou visitá-la novamente e morro de saudades do seu colo.
Vou matar saudade do tempo em que morei com ela, aprendi a não comer gordura de bife, me viciei em pastel de choclo com açúcar e tomate e que acompanhei meu Tata no caminho para o descanso.
É bom saber que meus temores eram exagerados e que ela ainda tem muito amor para dar.
Só vou ter problemas com a concorrência dos primos menores que convivem muito mais com ela, mas acho que consigo dar um jeito de puxá-la para um canto e tê-la só para mim uma vez mais.
Ela é a única abue que me resta e tenho que caprichar no dengo.
Mas o capricho não é mais pelo temor e sim pelo amor.
Independente de tudo, ela estará lá onde sempre esteve e isso nunca vai mudar.
sexta-feira, agosto 11, 2006
Preparo
A temporada que a minha cunhada e a prole passaram em casa me obrigou a pensar sobre a existência de alguns pré-requisitos para um casal se assumir oficialmente.
Assisti a tantas discussões infantis entre ela e o marido, que fiquei desejando que houvesse uma cartilha que obrigasse as pessoas a amadurecer antes de partir para uma vida a dois.
Segundo essa cartilha imaginária, a pessoa deveria obrigatoriamente passar por determinadas experiências e demonstrar a sua aptidão para seguir ao nível seguinte.
A impressão que ficou é que eles são um casal de crianças que mora junto, brinca de casinha, cria outras duas crianças e que certamente seria reprovado nos exames que eu imaginei.
Ou isso ou eu estou colocando fé demais na maturidade das pessoas em geral.
Digo isso por que os problemas que eu tenho em casa são muito diferentes.
Sei que sou birrento e intempestivo, mas nunca deixei de me render a bons argumentos e a decisões que fossem benéficas para ambos.
Talvez eu mesmo tivesse dificuldades em ser aprovado pela minha cartilha, mas certamente o resultado seria um monte de casais muito mais preparados e um bando de crianças (no aspecto cronológico, que fique claro) muito mais equilibradas.
Estou sonhando alto demais?
Assisti a tantas discussões infantis entre ela e o marido, que fiquei desejando que houvesse uma cartilha que obrigasse as pessoas a amadurecer antes de partir para uma vida a dois.
Segundo essa cartilha imaginária, a pessoa deveria obrigatoriamente passar por determinadas experiências e demonstrar a sua aptidão para seguir ao nível seguinte.
A impressão que ficou é que eles são um casal de crianças que mora junto, brinca de casinha, cria outras duas crianças e que certamente seria reprovado nos exames que eu imaginei.
Ou isso ou eu estou colocando fé demais na maturidade das pessoas em geral.
Digo isso por que os problemas que eu tenho em casa são muito diferentes.
Sei que sou birrento e intempestivo, mas nunca deixei de me render a bons argumentos e a decisões que fossem benéficas para ambos.
Talvez eu mesmo tivesse dificuldades em ser aprovado pela minha cartilha, mas certamente o resultado seria um monte de casais muito mais preparados e um bando de crianças (no aspecto cronológico, que fique claro) muito mais equilibradas.
Estou sonhando alto demais?
quarta-feira, agosto 09, 2006
GLS
É realmente curioso, mas já faz algum tempo que não me sinto ofendido ao ser chamado de viado, bicha ou qualquer outra palavra que denote um comportamento homo da minha parte.
Faz algum tempo que entendo isso mais como um fato do que como um insulto, ainda mais sendo sãopaulino e tendo que aturar as brincadeiras dos rivais.
E não precisei sair do armário para conseguir isso. Apenas deixei de me preocupar com esse tipo de coisa e de acreditar que gostar de pessoas do próprio sexo é errado ou anti-natural.
Para dizer a verdade, o que me parece anti-natural é a frieza para matar pessoas (vide os casos Richtofen e Liana & Felipe) ou a falta de vergonha na cara de quem não dá a mínima para quem precisa de médicos e ambulâncias.
Nessa linha, deveria ser muito mais ofensivo chamar alguém de deputado do que de sapatão ou boiola.

Sou feliz com meus hábitos sexuais e com meu interesse apenas por mulheres, mas na infância, ser associado a qualquer coisa "não macha" era a pior das ofensas.
Alguns meninos chegavam em casa chorando e despertavam a ira irracional dos pais contra o mundo inteiro se algum amigo os tivesse chamado da mariquinhas ou coisa que o valha.
Era o fim do mundo para esta nossa cultura machista/latina/ibérica.
O mesmo vale para aquelas que eram chamadas de sapatas, brutas ou machonas.
Nada bom para a cabecinha delas.
Chegava a ser deprimente a reação dos pais quando se fazia alguma brincadeira questionando a sexualidade do filho: a descoberta de uma linha homo ou bi geraria expulsões, perda de direito a heranças e/ou internações psiquiátricas.
Como se isso eliminasse os laços de sangue e o amor nutrido pelo filho até então.
Realmente deprimente.
Mas como nem tudo são flores, paralelamente a esse meu desprendimento, ganhei uma preocupação potencial: como explicar para o eventual herdeiro meus conceitos de respeito à diversidade se nos ambientes de sociedade (escola, parques, festas) o homossexual continuará sendo tratado como marginal?
Fico pensando se vale a pena gerar esse tipo de confusão em uma cabeça infantil.
Questiono se não é melhor esquecer meu idealismo e proteger a criança através da ignorância.
Devo mesmo fingir que odeio bichas e que ele (ou ela) vai para o pelourinho se chegar perto de alguém do mesmo sexo?
Complicado demais para descobrir sozinho. Ao menos neste momento.
Melhor continuar vendo a novela das oito e torcendo pelo beijo gay do Edson Celulari.
Quero ver a galera do preconceito se indignando em nome da Ana Paula Arosio.
Faz algum tempo que entendo isso mais como um fato do que como um insulto, ainda mais sendo sãopaulino e tendo que aturar as brincadeiras dos rivais.
E não precisei sair do armário para conseguir isso. Apenas deixei de me preocupar com esse tipo de coisa e de acreditar que gostar de pessoas do próprio sexo é errado ou anti-natural.
Para dizer a verdade, o que me parece anti-natural é a frieza para matar pessoas (vide os casos Richtofen e Liana & Felipe) ou a falta de vergonha na cara de quem não dá a mínima para quem precisa de médicos e ambulâncias.
Nessa linha, deveria ser muito mais ofensivo chamar alguém de deputado do que de sapatão ou boiola.

Sou feliz com meus hábitos sexuais e com meu interesse apenas por mulheres, mas na infância, ser associado a qualquer coisa "não macha" era a pior das ofensas.
Alguns meninos chegavam em casa chorando e despertavam a ira irracional dos pais contra o mundo inteiro se algum amigo os tivesse chamado da mariquinhas ou coisa que o valha.
Era o fim do mundo para esta nossa cultura machista/latina/ibérica.
O mesmo vale para aquelas que eram chamadas de sapatas, brutas ou machonas.
Nada bom para a cabecinha delas.
Chegava a ser deprimente a reação dos pais quando se fazia alguma brincadeira questionando a sexualidade do filho: a descoberta de uma linha homo ou bi geraria expulsões, perda de direito a heranças e/ou internações psiquiátricas.
Como se isso eliminasse os laços de sangue e o amor nutrido pelo filho até então.
Realmente deprimente.
Mas como nem tudo são flores, paralelamente a esse meu desprendimento, ganhei uma preocupação potencial: como explicar para o eventual herdeiro meus conceitos de respeito à diversidade se nos ambientes de sociedade (escola, parques, festas) o homossexual continuará sendo tratado como marginal?
Fico pensando se vale a pena gerar esse tipo de confusão em uma cabeça infantil.
Questiono se não é melhor esquecer meu idealismo e proteger a criança através da ignorância.
Devo mesmo fingir que odeio bichas e que ele (ou ela) vai para o pelourinho se chegar perto de alguém do mesmo sexo?
Complicado demais para descobrir sozinho. Ao menos neste momento.
Melhor continuar vendo a novela das oito e torcendo pelo beijo gay do Edson Celulari.
Quero ver a galera do preconceito se indignando em nome da Ana Paula Arosio.
segunda-feira, agosto 07, 2006
Tesão cinéfilo
O grande problema foi ter começado com New Wave Hookers.
Se eu tivesse continuado com meu hábito de me esconder para ver as pornochanchadas da Sala Especial da Record, nada disso teria acontecido.

O responsável pelo vício
Mas aquela família japonesa era despreocupada demais para impedir que o filho caçula convidasse os amigos para ver alguns filmes alugados pelos mais velhos.
E como esse filme era justamente o primeiro capítulo da "saga" dos Irmãos Dark, acabei me apaixonando pela Traci Lords e, consequentemente, me viciando em pornôs.

Traci Lords
Mas como resistir àquela coisinha carnuda e agitada, fantasiada de diabinha e seduzindo um anjo?
Era esperar demais de um moleque que ainda não havia descoberto as mulheres.
Pelo menos não as de verdade.

Jenna Jameson
À partir daí, continuei visitando as locadoras com certa frequência e contando com a cumplicidade dos proprietários para saciar minhas curiosidades pós-infância.
Eu ainda era menor de idade e tanto as Playboys quanto os VHS "de putaria" deveriam ser proibidos. Mas isso não impedia a diversão e eu agradecia.

Jeanna Fine
Minhas preferidas eram, além da Traci, a Jeanna Fine, a Vanessa Chase, a Jenna Jameson, a já falecida Anna Malle e as "irmãs" Ginger e Amber Lynn (eu não curtia muito a Porsche) e a temporona Krysti Lynn. Esta última veio bem depois, mais ou menos na época em que descobri o Stagliano, que a tornou musa de seus filmes da série Buttman.
Aliás, foi o Stagliano o responsável por mais uma revolução no meu desespero masturbatório: os dois filmes da série Face Dance.
Não vou ofender o leitor descrevendo o que eu sentia vontade de fazer toda vez que via o Rocco se virar para atender a toda aquela clientela, mas acho que um fato interessante a registrar é a compra das duas fitas junto ao dono da locadora.
Ele sorriu de orelha a orelha quando fiz a proposta e eu fiz a mesma coisa quando cheguei em casa. Maravilha.

Ginger e Amber Lynn
E por falar em Rocco, não tenho temor algum em dizer que esse italiano me impressiona desde a primeira vez. E não estou falando da anatomia, que obviamente é uma das suas principais características.
O que me impressiona é a selvageria com que ele trata as parceiras.
Diferente do Max Hardcore que jamais conseguiu me convencer que sentia tesão com aquelas barbaridades que fazia, o Rocco sempre foi convincente quando entrava em ação: ele gostaria de judiar as mulheres, mas também mostrava que elas deveriam se divertir igualmente. Cabra bão!
O fato da minha mineira também gostar da coisa e admirar a performance do rapaz só aumenta a minha diversão.

Rocco Siffredi
Mais recentemente tive contato com outro filme da grife Buttman, os Fashionistas, mas mesmo com a presença intimidadora da Belladonna e seus dentes estilo Ronalducho, não chega a ameaçar a posição dos meus preferidos, notadamente, quase todos produzidos na década de 80.

Belladonna
Tudo isto fez surgir uma vontade de falar sobre os filmes que tenho em casa.
Quem sabe não está nascendo um novo blog?
Se eu tivesse continuado com meu hábito de me esconder para ver as pornochanchadas da Sala Especial da Record, nada disso teria acontecido.

O responsável pelo vício
Mas aquela família japonesa era despreocupada demais para impedir que o filho caçula convidasse os amigos para ver alguns filmes alugados pelos mais velhos.
E como esse filme era justamente o primeiro capítulo da "saga" dos Irmãos Dark, acabei me apaixonando pela Traci Lords e, consequentemente, me viciando em pornôs.

Traci Lords
Mas como resistir àquela coisinha carnuda e agitada, fantasiada de diabinha e seduzindo um anjo?
Era esperar demais de um moleque que ainda não havia descoberto as mulheres.
Pelo menos não as de verdade.

Jenna Jameson
À partir daí, continuei visitando as locadoras com certa frequência e contando com a cumplicidade dos proprietários para saciar minhas curiosidades pós-infância.
Eu ainda era menor de idade e tanto as Playboys quanto os VHS "de putaria" deveriam ser proibidos. Mas isso não impedia a diversão e eu agradecia.

Jeanna Fine
Minhas preferidas eram, além da Traci, a Jeanna Fine, a Vanessa Chase, a Jenna Jameson, a já falecida Anna Malle e as "irmãs" Ginger e Amber Lynn (eu não curtia muito a Porsche) e a temporona Krysti Lynn. Esta última veio bem depois, mais ou menos na época em que descobri o Stagliano, que a tornou musa de seus filmes da série Buttman.
Aliás, foi o Stagliano o responsável por mais uma revolução no meu desespero masturbatório: os dois filmes da série Face Dance.
Não vou ofender o leitor descrevendo o que eu sentia vontade de fazer toda vez que via o Rocco se virar para atender a toda aquela clientela, mas acho que um fato interessante a registrar é a compra das duas fitas junto ao dono da locadora.
Ele sorriu de orelha a orelha quando fiz a proposta e eu fiz a mesma coisa quando cheguei em casa. Maravilha.

Ginger e Amber Lynn
E por falar em Rocco, não tenho temor algum em dizer que esse italiano me impressiona desde a primeira vez. E não estou falando da anatomia, que obviamente é uma das suas principais características.
O que me impressiona é a selvageria com que ele trata as parceiras.
Diferente do Max Hardcore que jamais conseguiu me convencer que sentia tesão com aquelas barbaridades que fazia, o Rocco sempre foi convincente quando entrava em ação: ele gostaria de judiar as mulheres, mas também mostrava que elas deveriam se divertir igualmente. Cabra bão!
O fato da minha mineira também gostar da coisa e admirar a performance do rapaz só aumenta a minha diversão.

Rocco Siffredi
Mais recentemente tive contato com outro filme da grife Buttman, os Fashionistas, mas mesmo com a presença intimidadora da Belladonna e seus dentes estilo Ronalducho, não chega a ameaçar a posição dos meus preferidos, notadamente, quase todos produzidos na década de 80.

Belladonna
Tudo isto fez surgir uma vontade de falar sobre os filmes que tenho em casa.
Quem sabe não está nascendo um novo blog?
sexta-feira, agosto 04, 2006
Filmes em quadrinhos
Para mudar total e definitivamente de clima e voltar a falar de paixões.

E o Homem de ferro vem aí!
Ao menos é o que disse o Terra recentemente.
E ele vem para brigar com Mandarim, com o Homem de Titânio e com o Homem-aranha, cujo terceiro filme deve estrear também em 2008, com direito a Venom e tudo mais.


Só estranhei o fato do Tom Cruise ter sido citado para o papel.
Vai saber!
E o Batman também deve aparecer em 2008.
Seria a sequência de Batman Begins, com o Christian Bale como o morcego e o Heath Ledger como o Coringa.
Gostei!
A notícia ruim é que a pouca receptividade (entenda-se lucro) do Superman Returns pode impedir a sequência planejada pelo Bryan Singer.
Pelo que entendi, o diretor queria fazer um filme com a participação da Liga da Justiça, o que me animou bastante.
Tomara que a maré vire.
Agora só falta alguém divulgar o lançamento do quarto filme dos mutantes.
Ou será que a fragilidade do terceiro filme conseguiu eliminar a curiosidade do público em assistir a uma aventual aparição dos sentinelas, ao Magneto recuperando os poderes, à "cura" perdendo o efeito, à introdução dos problemas raciais em Genosha e ao mutante misterioso revivendo?
Por falar nesse último mutante, acho que vou ter que abrir mão da minha postura idealista e recorrer ao camelô da esquina para rever o terceiro filme e tentar entender o que a Moira e o Professor falaram sobre esse mutante.
Não me lembro bem dele nas revistas e fiquei curioso.
Será que se trata do alterador de realidade Proteus?
Aguardem mais notícias.

E o Homem de ferro vem aí!
Ao menos é o que disse o Terra recentemente.
E ele vem para brigar com Mandarim, com o Homem de Titânio e com o Homem-aranha, cujo terceiro filme deve estrear também em 2008, com direito a Venom e tudo mais.


Só estranhei o fato do Tom Cruise ter sido citado para o papel.
Vai saber!
E o Batman também deve aparecer em 2008.
Seria a sequência de Batman Begins, com o Christian Bale como o morcego e o Heath Ledger como o Coringa.
Gostei!
A notícia ruim é que a pouca receptividade (entenda-se lucro) do Superman Returns pode impedir a sequência planejada pelo Bryan Singer.
Pelo que entendi, o diretor queria fazer um filme com a participação da Liga da Justiça, o que me animou bastante.
Tomara que a maré vire.
Agora só falta alguém divulgar o lançamento do quarto filme dos mutantes.
Ou será que a fragilidade do terceiro filme conseguiu eliminar a curiosidade do público em assistir a uma aventual aparição dos sentinelas, ao Magneto recuperando os poderes, à "cura" perdendo o efeito, à introdução dos problemas raciais em Genosha e ao mutante misterioso revivendo?
Por falar nesse último mutante, acho que vou ter que abrir mão da minha postura idealista e recorrer ao camelô da esquina para rever o terceiro filme e tentar entender o que a Moira e o Professor falaram sobre esse mutante.
Não me lembro bem dele nas revistas e fiquei curioso.
Será que se trata do alterador de realidade Proteus?
Aguardem mais notícias.
quarta-feira, agosto 02, 2006
"Quanto mais você tenta me apagar, mais eu apareço"
Nunca fui muito com a cara desse Thom Yorke, mesmo que a crítica e os descolados de plantão adorassem o dono daquela cara meio torta e daquela sobrancelha paralisada.
Até tenho alguns CDs do Radiohead, mas nunca morri de paixões por eles.
Entretanto, gostei muito desse verso da música "The eraser" do primeiro álbum solo dele. Achei que ele captou bem esse sentimento esquisito que tenho em mim agora.
Tudo bem que o contexto dele devia ser de amor e relacionamento, mas acabei entendendo tudo como a dificuldade de limpar aquilo que não deveria estar lá, que não me ajuda em nada a seguir em frente como preciso.
Talvez seja melhor definir essa coisa como "ranço emocional".
Pensei em chamá-lo de "sentimental", mas desisti.
A minha parada não é com sentimentos. Estou satisfeito nesse aspecto.
O buraco é muito mais embaixo. É uma coisa de equilíbrio mesmo.
E a leitura do "Febre de Bola" de Nick Hornby não está ajudando muito.
Diferente do que eu tinha visto antes, o inglês usa o livro como jeito engraçado de contar a pobreza de espírito de um obcecado por futebol.
Fiquei até com medo da minha apreciação pelo esporte bretão.
Seria eu um ser deprimente e digno de pena como aquele descrito no desfile de lamentações do livro?
Cheguei à conclusão que não.
E não foi só por que o Hornby usou o amor como redenção para a sua estória.
Também caí na real que tem milhares de outras coisas que são tão ou mais importantes nesta minha existência em carbono e bandalheira.
Para mim também aconteceu de ter um relacionamento substituindo outros interesses, mesmo que esses interesses fossem em outros relacionamentos.
Decidi que tenho esperança.
Nem vou mencionar o bode que está me causando a "mudança" da minha coleção de revistas em quadrinhos para um local não identificado para que minha mãe possa acomodar as coisas do escritório do meu pai.
Essa minha obsessão é assunto para outro post.
Ainda bem que existe o amor e que mesmo um obcecado como o Hornby encontrou nele uma forma de aliviar os medos e viver de uma forma diferente.
Tudo bem que foi um alívio temporário, mas ainda assim vale o registro.
E acho que está na hora de largar esta auto-comiseração.
Não sei de onde vou tirar energias já que o contexto segue o mesmo, mas tenho que dar um jeito nisso. Nem eu me aguento.
Vou terminar este livro e abraçar a Jenna.
Tenho certeza que a minha mineira vai entender que não se trata de adultério, mas apenas de uma revitalização de energias, um escapismo inofensivo.
Acho que ela sabe que será bom para ambos.

Só faltou dizer que a temporada de casa cheia está terminando.
Os sobrinhos estão voltando para casa e os pais vão ficar um pouco mais separados até que as transferências de cidade sejam concluídas.
A julgar pelas brigas na sala da minha casa, é melhor assim.
Até tenho alguns CDs do Radiohead, mas nunca morri de paixões por eles.
Entretanto, gostei muito desse verso da música "The eraser" do primeiro álbum solo dele. Achei que ele captou bem esse sentimento esquisito que tenho em mim agora.
Tudo bem que o contexto dele devia ser de amor e relacionamento, mas acabei entendendo tudo como a dificuldade de limpar aquilo que não deveria estar lá, que não me ajuda em nada a seguir em frente como preciso.
Talvez seja melhor definir essa coisa como "ranço emocional".
Pensei em chamá-lo de "sentimental", mas desisti.
A minha parada não é com sentimentos. Estou satisfeito nesse aspecto.
O buraco é muito mais embaixo. É uma coisa de equilíbrio mesmo.
E a leitura do "Febre de Bola" de Nick Hornby não está ajudando muito.Diferente do que eu tinha visto antes, o inglês usa o livro como jeito engraçado de contar a pobreza de espírito de um obcecado por futebol.
Fiquei até com medo da minha apreciação pelo esporte bretão.
Seria eu um ser deprimente e digno de pena como aquele descrito no desfile de lamentações do livro?
Cheguei à conclusão que não.
E não foi só por que o Hornby usou o amor como redenção para a sua estória.
Também caí na real que tem milhares de outras coisas que são tão ou mais importantes nesta minha existência em carbono e bandalheira.
Para mim também aconteceu de ter um relacionamento substituindo outros interesses, mesmo que esses interesses fossem em outros relacionamentos.
Decidi que tenho esperança.
Nem vou mencionar o bode que está me causando a "mudança" da minha coleção de revistas em quadrinhos para um local não identificado para que minha mãe possa acomodar as coisas do escritório do meu pai.
Essa minha obsessão é assunto para outro post.
Ainda bem que existe o amor e que mesmo um obcecado como o Hornby encontrou nele uma forma de aliviar os medos e viver de uma forma diferente.
Tudo bem que foi um alívio temporário, mas ainda assim vale o registro.
E acho que está na hora de largar esta auto-comiseração.
Não sei de onde vou tirar energias já que o contexto segue o mesmo, mas tenho que dar um jeito nisso. Nem eu me aguento.
Vou terminar este livro e abraçar a Jenna.
Tenho certeza que a minha mineira vai entender que não se trata de adultério, mas apenas de uma revitalização de energias, um escapismo inofensivo.
Acho que ela sabe que será bom para ambos.

Só faltou dizer que a temporada de casa cheia está terminando.
Os sobrinhos estão voltando para casa e os pais vão ficar um pouco mais separados até que as transferências de cidade sejam concluídas.
A julgar pelas brigas na sala da minha casa, é melhor assim.
segunda-feira, julho 31, 2006
Esfacelando
Não sei se é a idade, a falta de tempo, os sobrinhos, o stress do trabalho, as companheiras ou mesmo a falta de vontade, mas é fato consumado a desintegração da Diretoria.
O nosso grupo de amigos, antigamente tão unido a ponto da causar ciúme nas namoradas, agora mal consegue se juntar para a pizza de domingo e vive com pressa para ir logo para casa por que o dia seguinte promete mais um lote de pepinos, abacaxis e abobrinhas no trabalho.
É pena, por que eu ainda adoro esse caras.
Ainda me lembro bem dos perrengues por que alguns deles passaram e da saída que acabamos encontrando juntos.
Não gosto disso, mas não sei bem o que fazer para evitar.
A seguir assim, daqui a pouco vamos nos ver menos do que se morássemos em cidades diferentes.
Deve ser assim mesmo que se amadurece: deixando para trás as coisas da infância e adolescência e passando a se preocupar com coisas sérias.
Sinceramente, eu preferia o esquema de antes.
O nosso grupo de amigos, antigamente tão unido a ponto da causar ciúme nas namoradas, agora mal consegue se juntar para a pizza de domingo e vive com pressa para ir logo para casa por que o dia seguinte promete mais um lote de pepinos, abacaxis e abobrinhas no trabalho.
É pena, por que eu ainda adoro esse caras.
Ainda me lembro bem dos perrengues por que alguns deles passaram e da saída que acabamos encontrando juntos.
Não gosto disso, mas não sei bem o que fazer para evitar.
A seguir assim, daqui a pouco vamos nos ver menos do que se morássemos em cidades diferentes.
Deve ser assim mesmo que se amadurece: deixando para trás as coisas da infância e adolescência e passando a se preocupar com coisas sérias.
Sinceramente, eu preferia o esquema de antes.
sexta-feira, julho 28, 2006
Superman
Minha irmã cineasta tinha razão: o novo Superman é o máximo.Curti o filme todo, principalmente pelo fato da estória continuar de onde a série anterior parou.
Quer dizer, não é exatamente uma continuação, mas os personagens aparecem como já tendo vivido tudo o que foi mostrado nos quatro filmes anteriores, inclusive a transa do Super com a Lois na Fortaleza da Solidão.
Só faltou o Batman, mas aí é querer demais.
Maravilha igual a essa só na filmagem do Cavaleiro das Trevas.
Aí sim o escoteiro vai ver o que é bom para a tosse.
Desde que o diretor seja o Bryan Singer, claro.
Como sonhar ainda é bom e barato, eis a minha escalação dos atores para o Cavaleiro:
- Batman: Bruce Willis;
- Superman: o próprio Brandon Routh, já que Super não envelheceu;
- Coringa: Jack Nicholson ressuscitado;
- Mulher-gato: Susan Sarandon;
- Arqueiro Verde: Sean Connery;
- Robin: Keira Knightley;
- Alfred: o onipresente Ian MacKellen;
- o líder Mutante: The Rock;
- o Comissário Gordon: Liam Neeson.

Se um dia alguém resolver filmar mesmo a obra-prima de Miller, provavelmente não será com nenhum desses atores, mas isso só vai confirmar esta idealização como minha e de mais ninguém.
segunda-feira, julho 17, 2006
Coisas a se fazer antes dos 35
Estou mesmo em uma fase complicada da minha vida.Não é preciso que aconteça nada de especial para que eu comece a refletir sobre minhas decisões e a pensar no que poderia ser diferente.
Infelizmente não consigo focar esses pensamentos apenas no futuro e acabo pensando naquilo que eu teria feito diferente no meu passado.
A retomada desta vez foi motivada pelo filme “Antes do amanhecer” que vi com a minha mineira neste final de semana. A idéia de uma viagem sem compromisso, destino ou propósito me fez pensar nas minhas experiências e me levou a mais um momento “Alta fidelidade”.
O resultado disto foi uma lista das coisas que teriam que ser feitas na vida de um homem antes que ele chegue aos 35. Obviamente, esta lista diz muito sobre mim mesmo, mas talvez alguém possa se espelhar nela e fazer as suas próprias reflexões.
Aí vai ela:
- eu deveria ter ido ao primeiro Rock in Rio: eu tinha 13 anos e meus pais não me deixavam ir ao Shopping à noite, quanto mais viajar para um lugar onde cada um poderia ter o tipo de diversão que quisesse e na quantidade que desejasse; eu certamente não tinha maturidade para tanto, mas teria sido o máximo ver o Queen, o Whitesnake e o meste Ozzy naquele palco;- eu deveria ter beijado a Francesca: mesmo que ambos tivéssemos namorados em nossas terras, a gente deveria ter se envolvido em Londres e se curtido naquelas duas semanas que faltavam para o fim do curso no Eurocentre; teria sido o máximo me fingir de Jesse e têla como minha Céline; poderia ter mudado a minha vida; na verdade, mudou;
- eu deveria ter ficado mais na Europa: a companhia do Presidente tornou a viagem de mochileiro uma coisa muito direcionada e eu deveria ter jogado tudo para o alto e vivido melhor a oportunidade; eu teria limpado banheiros e servido mesas, mas teria vivido um mundo diferente e não apenas conhecido monumentos; maldito orgulho de engenheiro;
- eu já deveria ter tido um filho: é cada vez mais complicado lidar com a idéia de ter um herdeiro e a nova temporada dos sobrinhos em casa não ajuda em nada; desta vez é um pouco diferente e estou pensando na minha suposta incompetência para educar adequadamente uma criança; sempre critiquei alguns pais pela falta de disciplina com os filhos, mas hoje penso que não é nada fácil fazer com que uma criatura pensante não se desvie do caminho que você acredita ser o melhor para ela; desta vez, não penso na falta de sono que um filho vai trazer, mas sim no medo do fracasso;
- eu deveria ter ido até a Argentina para ver os Smiths: tudo bem que eu nem cheguei a saber que eles tocariam lá e que a logística seria ainda mais difícil do que a do Rock in Rio, mas isso não elimina o fato de ter perdido uma oportunidade única de ver a minha banda predileta em ação;
- eu deveria ter saído de casa antes de casar: ter morado sozinho teria me ensinado algumas coisas que seriam muito úteis na vida a dois; isso sem contar a alta rotatividade que eu poderia ter experimentado com meu próprio “abatedouro”;
- eu deveria ter aproveitado melhor meu estudo de inglês logo que voltei da Europa: eu teria me dado muito melhor na carreira e teria economizado uma boa grana em estágios da Cultura;
- eu deveria ter me comportado melhor nos meus empregos iniciais: tudo bem que tudo para mim aconteceu tardiamente, mas ter sido imaturo ao extremo nos primeiros 7 anos da minha carreira não me ajudou em nada; meus companheiros de curso que o digam, já que praticamente todos ocupam cargos executivos e ganham muito mais do que eu;
- eu deveria ter ousado mais com mulheres: mais um ponto onde a minha imaturidade foi a atriz principal; perdi tantas oportunidades com meninas que me abordaram que só consigo me sentir ridículo e esquisito; e não teria sido só sexo; certamente eu teria vivido grande amores, se não tivesse ignorado a natureza e deixado de lado a idéia que aquela mulher estava mesmo interessada em mim, e;
- eu deveria ter beijado a Cibele: teria sido o primeiro beijo no meu primeiro baile, provavelmente com aquela que seria o meu primeiro amor não imaginário; teria sido inocente e lindo.
Olhando para esta lista fico pensando que não tenho muito do que reclamar desta minha existência.
A coisa toda ficou com um quê de “Epitáfio”, de arrependimento pelo que não fiz, mas estou longe de querer entregar os pontos. Sou teimoso demais para optar pela saída “fácil”.
Prefiro seguir esmurrando a faca até a coisa toda ficar do jeito que eu quero, principalmente com a parte do sangue.
Tanto melhor se for assim.
Estou meio down, é verdade, mas isso vai ter que passar.
Tenho que me lembrar de uma lista ainda maior que contém as coisas que eu fiz nestas 34 primaveras.
Tenho a obrigação de fazer isso e agradecer a quem me ajudou e dividiu alguns desses momentos comigo.
Vai ser complicado lidar com isso hoje, mas amanhã é outro dia e quem sabe eu consigo.
Quem sabe?
sexta-feira, julho 14, 2006
Obsoletos
O tempo realmente passou para todos os membros e agregados da Diretoria.
Ainda ontem estávamos, eu e o Presidente, debatendo sobre as vantagens e desvantagens de termos envelhecido e feito nossas escolhas.
Nos lembramos com muita saudade dos nossos tempos de Floripa, das mulheres maravilhosas que cruzaram nosso caminho, dos hectolitros que fizemos desaparecer dentro dos nossos corpos, das viagens divertidíssimas e dos não menos divertidos micos pelos quais passamos durante o processo.
Notamos também que esses momentos de nostalgia são cada vez mais numerosos à medida em que nos tornamos cada vez mais obsoletos na balada.
Mas como nem tudo é decadência e preguiça, registramos também as vantagens e delícias de dividir o teto com pessoas especiais e escolhidas a dedo.
Partimos do acordar de manhã com uma espreguiçada propositadamente espaçosa e fomos até a invasão de boxe durante aquele banho demorado, que obviamente faz com o que o banho fique ainda mais demorado.
Não deixamos de falar sobre o desejo de um final de semana livre por ano, claro, mas em geral só destilamos as qualidades e maravilhas da vida a dois.
Infelizmente o Paraguaio não estava lá, mas acho que o representamos bem na brincadeira de imaginação que fizemos.
Mas como nem tudo é perfeito nem na mais sincera das amizades, acabamos não falando sobre as razões que levaram o Presidente a adiar a oficialização da união.
Deve ter algo a ver com conforto, excesso de trabalho e falta de energia para encarar os desafios e encheções típicos dessa fase da vida.
Como ele não tocou no assunto, eu também não quis cutucar a ferida e seguimos secando os chopes e rindo das coisas do passado.
O mais engraçado de todo este papo é que tenho uma boa idéia de qual seria a nossa resposta se alguém nos propusesse abandonar a vida conjugal e voltar à balada desenfreada.
Posso apostar que ambos agradeceriam a oportunidade e escolheriam manter o passado no passado e focar as energias em fazer do futuro uma época boa de se viver.
Vivo reclamando que não fiz o que poderia quando tive a oportunidade, mas acho que a vida é assim por alguma razão e não é certo tentar enganá-la. O que passou passou e quem ficou é por que merece.
E tem mais: sinto sono demais depois das 22:00hs para querer voltar à vida de boates, motéis e camisinhas.
Valha-me Deus!
Ainda ontem estávamos, eu e o Presidente, debatendo sobre as vantagens e desvantagens de termos envelhecido e feito nossas escolhas.
Nos lembramos com muita saudade dos nossos tempos de Floripa, das mulheres maravilhosas que cruzaram nosso caminho, dos hectolitros que fizemos desaparecer dentro dos nossos corpos, das viagens divertidíssimas e dos não menos divertidos micos pelos quais passamos durante o processo.
Notamos também que esses momentos de nostalgia são cada vez mais numerosos à medida em que nos tornamos cada vez mais obsoletos na balada.
Mas como nem tudo é decadência e preguiça, registramos também as vantagens e delícias de dividir o teto com pessoas especiais e escolhidas a dedo.
Partimos do acordar de manhã com uma espreguiçada propositadamente espaçosa e fomos até a invasão de boxe durante aquele banho demorado, que obviamente faz com o que o banho fique ainda mais demorado.
Não deixamos de falar sobre o desejo de um final de semana livre por ano, claro, mas em geral só destilamos as qualidades e maravilhas da vida a dois.
Infelizmente o Paraguaio não estava lá, mas acho que o representamos bem na brincadeira de imaginação que fizemos.
Mas como nem tudo é perfeito nem na mais sincera das amizades, acabamos não falando sobre as razões que levaram o Presidente a adiar a oficialização da união.
Deve ter algo a ver com conforto, excesso de trabalho e falta de energia para encarar os desafios e encheções típicos dessa fase da vida.
Como ele não tocou no assunto, eu também não quis cutucar a ferida e seguimos secando os chopes e rindo das coisas do passado.
O mais engraçado de todo este papo é que tenho uma boa idéia de qual seria a nossa resposta se alguém nos propusesse abandonar a vida conjugal e voltar à balada desenfreada.
Posso apostar que ambos agradeceriam a oportunidade e escolheriam manter o passado no passado e focar as energias em fazer do futuro uma época boa de se viver.
Vivo reclamando que não fiz o que poderia quando tive a oportunidade, mas acho que a vida é assim por alguma razão e não é certo tentar enganá-la. O que passou passou e quem ficou é por que merece.
E tem mais: sinto sono demais depois das 22:00hs para querer voltar à vida de boates, motéis e camisinhas.
Valha-me Deus!
sexta-feira, julho 07, 2006
Pequenos exemplos
Acabei de completar o álbum de figurinhas da Copa!Nada mais apropriado para estes tempos de patriotismo de chuteiras, não é mesmo?
O chato é que no processo de garimpar aqueles tesouros auto-colantes, acabei descobrindo também alguns traços de personalidade que eu preferia não ter encarado no relacionamento com algumas pessoas aqui no trabalho.
Não gostei por que me conheço e sei que vou retaliar a avareza e ambição que encontrei.
Por mais besta que seja a situação, concluí que é exatamente aí que a gente descobre a verdadeira personalidade de algumas pessoas. Temos que sair do ambiente de afetação e fingimento do trabalho para ver as coisas com mais clareza.
O exemplo mais clássico foi o capitalista que achava certo ganhar dinheiro com a vontade dos colegas de completar o álbum e que achava que as figurinhas dele eram difíceis e que as dos outros não, portanto era justificado uma troca "três por uma".
Com minha habitual indiferença proposital, respondi que com ele eu não trocaria nada e virei as costas.
Não demorou uma semana para que ele me procurasse e propusesse a tradicional troca "uma por uma". Nessa eu ganhei.
Outras pessoas, desacostumadas com gestos gratuitos de generosidade, se espantavam quando descobriam que eu não queria dinheiro pelas figurinhas que eu conseguia para elas.Eu precisaria ter a minha Canon em mãos para registrar as caras de surpresa quando eu dizia que queria apenas envelopes fechados de figurinhas para poder continuar ajudando as pessoas que ainda não haviam completado o álbum.
Me surpreendo por que essa minha atitude não deveria ter nada de mais. Isso deveria ser o padrão neste nosso mundo doido, mas infelizmente eu sei que não é assim que as coisas funcionam.
Pelo menos eu acredito que estou fazendo a minha parte nesta corrente do bem.
Não é como no filme, mas serve.
No final das contas, o resultado, ao menos para mim, é positivo: completei o álbum e melhorei a amizade com algumas pessoas que antes eu mal conhecia.
Não preciso de muito mais para me considerar feliz.
sexta-feira, junho 30, 2006
Terapia
Não me lembro bem quando começou, mas sempre que eu me sentia angustiado ou deprimido, a música me recebia de braços abertos e me acolhia com seu jeito terno de quem nunca tem problemas e sempre está feliz.
Se ela fosse um ser vivo, talvez não tivesse mesmo, mas não tenho essa sorte e sempre tenho que processar e segurar as barras que pintam na minha vida e na vida das pessoas que amo.
E quando a coisa extrapola meus limites, eu tenho a música.
Ontem foi um dia desses e quem substituiu Mozza no papel de aplacador de angústias foram os sulinos do Acústico MTV Bandas Gaúchas.
Era um DVD comprado há meses e que pedia emocionadamente para ser tocado.
Aproveitei o bode e mandei ver.
E foi bom para mim, foi muito bom para mim.
Esqueci um pouco os motivos da tristeza e sonhei um pouco.
Não quis colocar o ex-líder dos Smiths em Manchester por temer as lágrimas.
Já aconteceu de eu começar a me lembrar do passado e de ficar com mais saudade do que deveria.
E nada pior do que agir como um museu e achar que o passado é que era bom e que do futuro só se podem esperar tristezas.
Hoje já estou melhor e depois de uma conversa com meu chefe, senti um pouco mais de esperança na melhoria de um dos aspectos desta minha vida repleta de comédias.
O outro também está a caminho e depende de uma série de acertos com a minha mineira.
Mas as coisas vão melhorar e a música sempre estará lá para garantir isso.
Por que se não melhorarem, haja choradeira e DVDs dos Smiths!
Se ela fosse um ser vivo, talvez não tivesse mesmo, mas não tenho essa sorte e sempre tenho que processar e segurar as barras que pintam na minha vida e na vida das pessoas que amo.
E quando a coisa extrapola meus limites, eu tenho a música.
Ontem foi um dia desses e quem substituiu Mozza no papel de aplacador de angústias foram os sulinos do Acústico MTV Bandas Gaúchas.Era um DVD comprado há meses e que pedia emocionadamente para ser tocado.
Aproveitei o bode e mandei ver.
E foi bom para mim, foi muito bom para mim.
Esqueci um pouco os motivos da tristeza e sonhei um pouco.
Não quis colocar o ex-líder dos Smiths em Manchester por temer as lágrimas.Já aconteceu de eu começar a me lembrar do passado e de ficar com mais saudade do que deveria.
E nada pior do que agir como um museu e achar que o passado é que era bom e que do futuro só se podem esperar tristezas.
Hoje já estou melhor e depois de uma conversa com meu chefe, senti um pouco mais de esperança na melhoria de um dos aspectos desta minha vida repleta de comédias.
O outro também está a caminho e depende de uma série de acertos com a minha mineira.
Mas as coisas vão melhorar e a música sempre estará lá para garantir isso.
Por que se não melhorarem, haja choradeira e DVDs dos Smiths!
sexta-feira, junho 23, 2006
Datas
Este meu casamento é uma coisa realmente engraçada.
Minto. Na verdade o namoro já era engraçado e o casamento acabou alterando um pouquinho a rotina.
Que outra palavra além de engraçado pode descrever um relacionamento onde o homem se preocupa muito mais com datas comemorativas do que a mulher.
E não estou me referindo ao aniversário de um ano, dois meses, cinco dias e vinte e cinco minutos do primeiro beijo. Falo de aniversários de namoro e do dia em que a gente se conheceu.
Pode até parecer inacreditável, mas enquanto a gente não morava juntos, era muito mais fácil que eu solta-se um "parabéns" no meio do telefonema do que o contrário.
Naturalmente, ela devolvia um outro "parabéns", mas não era raro ela deixar escapar um "ah, é!" antes de sincronizar o calendário.
Não que isso seja uma falta grave, mas certamente é algo curioso no ambiente machista em que vivemos aqui nos trópicos.
Chega a ser ridículo o tradicionalismo que divide as tarefas entre o masculino e o feminino. Isso me parece tão antigo que não me privo de gargalhar quando alguém solta uma dessas na minha frente.
Na minha vida de casado e mesmo na de solteiro, esse tipo de divisão não tem lugar.
Acredito muito mais em iniciativa e capacidade do que em obrigatoriedade.
Mas voltando à memória para datas, depois de algum tempo a minha mineira passou a se antecipar e a lembrar das comemorações. A coisa ficou tão competitiva que eu fui forçado a apelar para uma cola: gravei as principais datas em uma medalhinha que não tiro nem para ensaiar a encomenda do herdeiro.
Nesta medalha estão gravadas a data de início do namoro, a data do noivado e a data do enforcamento final, costumeiramente conhecido como casamento.
Assim não corro risco de perder informações extremamente úteis para a minha integridade física.
Mas o fato de termos diferentes tempos para lembrar das celebrações, não há como negar que ambos gostamos muito de festejar e de lembrar dos primeiros tempos do nosso contato e dos rodeios para o primeiro beijo.
Mal dá para acreditar que a gente tenha feito tanto charme antes de se entregar.
Hoje a gente parece um só de tanto que seguimos no mesmo caminho. Apesar do aprendizado diário e do esforço constante, nos damos muito bem e não temos nenhuma dificuldade em determinar onde comemoraremos tudo o que conseguimos, de um aumento de salário a mais uma vitória do Tricolor.
E mais do que gostar de celebrar, ambos desenvolvemos um gosto especial por preparar surpresas e criar produções para surpreender o outro.
Tradicionalmente, eu acabo criando um número maior de situações, surpresas e produções, mas a minha mineira também é bastante feliz quando resolve agir na surdina e me deixar de boca aberta com ações mais do que surpreendentes.
A próxima surpresa está sendo armada para a semana que vem.
Mesmo sendo na segunda-feira, o Dia dos Namorados vai render uma troca de presentes secretos e um vinhozinho em casa, para embalar a confraternização íntima da sequência.
É bastante provável que o tradicional jantar aconteça no sábado, apesar do meu temor de que enfrentemos um crowd dos piores. Imagino que o mundo inteiro vá ter a mesma idéia, mas não vejo outra alternativa.
Pior seria sair na segunda ou mesmo na terça, depois do jogo do Brasil.
A única certeza que tenho é que desta vez não haverá esquecimentos e nem super-produções. Vão rolar algumas surpresas, claro, mas nada fora do comum.
O importante é a dedicação sincera e a vontade de fazer o outro feliz.
E para isso, não preciso de medalhinha para me lembrar.
Basta olhar para dentro e deixar a coisa acontecer.
Minto. Na verdade o namoro já era engraçado e o casamento acabou alterando um pouquinho a rotina.
Que outra palavra além de engraçado pode descrever um relacionamento onde o homem se preocupa muito mais com datas comemorativas do que a mulher.
E não estou me referindo ao aniversário de um ano, dois meses, cinco dias e vinte e cinco minutos do primeiro beijo. Falo de aniversários de namoro e do dia em que a gente se conheceu.
Pode até parecer inacreditável, mas enquanto a gente não morava juntos, era muito mais fácil que eu solta-se um "parabéns" no meio do telefonema do que o contrário.
Naturalmente, ela devolvia um outro "parabéns", mas não era raro ela deixar escapar um "ah, é!" antes de sincronizar o calendário.
Não que isso seja uma falta grave, mas certamente é algo curioso no ambiente machista em que vivemos aqui nos trópicos.
Chega a ser ridículo o tradicionalismo que divide as tarefas entre o masculino e o feminino. Isso me parece tão antigo que não me privo de gargalhar quando alguém solta uma dessas na minha frente.
Na minha vida de casado e mesmo na de solteiro, esse tipo de divisão não tem lugar.
Acredito muito mais em iniciativa e capacidade do que em obrigatoriedade.
Mas voltando à memória para datas, depois de algum tempo a minha mineira passou a se antecipar e a lembrar das comemorações. A coisa ficou tão competitiva que eu fui forçado a apelar para uma cola: gravei as principais datas em uma medalhinha que não tiro nem para ensaiar a encomenda do herdeiro.
Nesta medalha estão gravadas a data de início do namoro, a data do noivado e a data do enforcamento final, costumeiramente conhecido como casamento.
Assim não corro risco de perder informações extremamente úteis para a minha integridade física.
Mas o fato de termos diferentes tempos para lembrar das celebrações, não há como negar que ambos gostamos muito de festejar e de lembrar dos primeiros tempos do nosso contato e dos rodeios para o primeiro beijo.
Mal dá para acreditar que a gente tenha feito tanto charme antes de se entregar.
Hoje a gente parece um só de tanto que seguimos no mesmo caminho. Apesar do aprendizado diário e do esforço constante, nos damos muito bem e não temos nenhuma dificuldade em determinar onde comemoraremos tudo o que conseguimos, de um aumento de salário a mais uma vitória do Tricolor.
E mais do que gostar de celebrar, ambos desenvolvemos um gosto especial por preparar surpresas e criar produções para surpreender o outro.
Tradicionalmente, eu acabo criando um número maior de situações, surpresas e produções, mas a minha mineira também é bastante feliz quando resolve agir na surdina e me deixar de boca aberta com ações mais do que surpreendentes.
A próxima surpresa está sendo armada para a semana que vem.
Mesmo sendo na segunda-feira, o Dia dos Namorados vai render uma troca de presentes secretos e um vinhozinho em casa, para embalar a confraternização íntima da sequência.
É bastante provável que o tradicional jantar aconteça no sábado, apesar do meu temor de que enfrentemos um crowd dos piores. Imagino que o mundo inteiro vá ter a mesma idéia, mas não vejo outra alternativa.
Pior seria sair na segunda ou mesmo na terça, depois do jogo do Brasil.
A única certeza que tenho é que desta vez não haverá esquecimentos e nem super-produções. Vão rolar algumas surpresas, claro, mas nada fora do comum.
O importante é a dedicação sincera e a vontade de fazer o outro feliz.
E para isso, não preciso de medalhinha para me lembrar.
Basta olhar para dentro e deixar a coisa acontecer.
segunda-feira, junho 12, 2006
Bem vindo, babe
Um viva para o Brunão, que chegou a este mundo em grande estilo como só o tio dele havia feito antes: na madrugada de sábado para domingo e com 2,8kg de puro sex appeal.
Ele chegou pequenino, cansadinho e cabeludinho, igualzinho à mãe dele, mas como a genética não pode ser vencida, daqui a pouco ele começa a fazer o sucesso devido na ala feminina.
Afinal de contas, alguém da família precisa fazer algo bom no meio da mulherada.
A minha Lelê ganha um irmão para cuidar e eu ganho outra razão para visitar o Chile.
Se não bastassem a minha avó, a própria Lelê e o país em si, agora tenho um sobrinho com meu sobrenome.
E daqui a pouco vem mais um membro do outro lado da família.
O Johnny chega em algumas semanas e a minha mineira não vai caber em tanta felicidade.
À partir daí, mais feliz só quando ela mesma abraçar o herdeiro, mas isso é assunto para alguns anos no futuro.
Ele chegou pequenino, cansadinho e cabeludinho, igualzinho à mãe dele, mas como a genética não pode ser vencida, daqui a pouco ele começa a fazer o sucesso devido na ala feminina.
Afinal de contas, alguém da família precisa fazer algo bom no meio da mulherada.
A minha Lelê ganha um irmão para cuidar e eu ganho outra razão para visitar o Chile.
Se não bastassem a minha avó, a própria Lelê e o país em si, agora tenho um sobrinho com meu sobrenome.
E daqui a pouco vem mais um membro do outro lado da família.
O Johnny chega em algumas semanas e a minha mineira não vai caber em tanta felicidade.
À partir daí, mais feliz só quando ela mesma abraçar o herdeiro, mas isso é assunto para alguns anos no futuro.
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