quarta-feira, agosto 02, 2006

"Quanto mais você tenta me apagar, mais eu apareço"

Nunca fui muito com a cara desse Thom Yorke, mesmo que a crítica e os descolados de plantão adorassem o dono daquela cara meio torta e daquela sobrancelha paralisada.
Até tenho alguns CDs do Radiohead, mas nunca morri de paixões por eles.
Entretanto, gostei muito desse verso da música "The eraser" do primeiro álbum solo dele. Achei que ele captou bem esse sentimento esquisito que tenho em mim agora.
Tudo bem que o contexto dele devia ser de amor e relacionamento, mas acabei entendendo tudo como a dificuldade de limpar aquilo que não deveria estar lá, que não me ajuda em nada a seguir em frente como preciso.
Talvez seja melhor definir essa coisa como "ranço emocional".

Pensei em chamá-lo de "sentimental", mas desisti.
A minha parada não é com sentimentos. Estou satisfeito nesse aspecto.
O buraco é muito mais embaixo. É uma coisa de equilíbrio mesmo.

E a leitura do "Febre de Bola" de Nick Hornby não está ajudando muito.
Diferente do que eu tinha visto antes, o inglês usa o livro como jeito engraçado de contar a pobreza de espírito de um obcecado por futebol.
Fiquei até com medo da minha apreciação pelo esporte bretão.
Seria eu um ser deprimente e digno de pena como aquele descrito no desfile de lamentações do livro?
Cheguei à conclusão que não.
E não foi só por que o Hornby usou o amor como redenção para a sua estória.
Também caí na real que tem milhares de outras coisas que são tão ou mais importantes nesta minha existência em carbono e bandalheira.
Para mim também aconteceu de ter um relacionamento substituindo outros interesses, mesmo que esses interesses fossem em outros relacionamentos.
Decidi que tenho esperança.

Nem vou mencionar o bode que está me causando a "mudança" da minha coleção de revistas em quadrinhos para um local não identificado para que minha mãe possa acomodar as coisas do escritório do meu pai.
Essa minha obsessão é assunto para outro post.

Ainda bem que existe o amor e que mesmo um obcecado como o Hornby encontrou nele uma forma de aliviar os medos e viver de uma forma diferente.
Tudo bem que foi um alívio temporário, mas ainda assim vale o registro.

E acho que está na hora de largar esta auto-comiseração.
Não sei de onde vou tirar energias já que o contexto segue o mesmo, mas tenho que dar um jeito nisso. Nem eu me aguento.
Vou terminar este livro e abraçar a Jenna.
Tenho certeza que a minha mineira vai entender que não se trata de adultério, mas apenas de uma revitalização de energias, um escapismo inofensivo.
Acho que ela sabe que será bom para ambos.



Só faltou dizer que a temporada de casa cheia está terminando.
Os sobrinhos estão voltando para casa e os pais vão ficar um pouco mais separados até que as transferências de cidade sejam concluídas.
A julgar pelas brigas na sala da minha casa, é melhor assim.

segunda-feira, julho 31, 2006

Novidades

Novo template, novas idéias, nova motivação, nova vida.

Ao menos é isso que espero.

Esfacelando

Não sei se é a idade, a falta de tempo, os sobrinhos, o stress do trabalho, as companheiras ou mesmo a falta de vontade, mas é fato consumado a desintegração da Diretoria.
O nosso grupo de amigos, antigamente tão unido a ponto da causar ciúme nas namoradas, agora mal consegue se juntar para a pizza de domingo e vive com pressa para ir logo para casa por que o dia seguinte promete mais um lote de pepinos, abacaxis e abobrinhas no trabalho.
É pena, por que eu ainda adoro esse caras.

Ainda me lembro bem dos perrengues por que alguns deles passaram e da saída que acabamos encontrando juntos.
Não gosto disso, mas não sei bem o que fazer para evitar.
A seguir assim, daqui a pouco vamos nos ver menos do que se morássemos em cidades diferentes.

Deve ser assim mesmo que se amadurece: deixando para trás as coisas da infância e adolescência e passando a se preocupar com coisas sérias.
Sinceramente, eu preferia o esquema de antes.

sexta-feira, julho 28, 2006

Superman

Minha irmã cineasta tinha razão: o novo Superman é o máximo.
Curti o filme todo, principalmente pelo fato da estória continuar de onde a série anterior parou.
Quer dizer, não é exatamente uma continuação, mas os personagens aparecem como já tendo vivido tudo o que foi mostrado nos quatro filmes anteriores, inclusive a transa do Super com a Lois na Fortaleza da Solidão.
Só faltou o Batman, mas aí é querer demais.

Maravilha igual a essa só na filmagem do Cavaleiro das Trevas.
Aí sim o escoteiro vai ver o que é bom para a tosse.
Desde que o diretor seja o Bryan Singer, claro.

Como sonhar ainda é bom e barato, eis a minha escalação dos atores para o Cavaleiro:
- Batman: Bruce Willis;
- Superman: o próprio Brandon Routh, já que Super não envelheceu;
- Coringa: Jack Nicholson ressuscitado;
- Mulher-gato: Susan Sarandon;
- Arqueiro Verde: Sean Connery;
- Robin: Keira Knightley;
- Alfred: o onipresente Ian MacKellen;
- o líder Mutante: The Rock;
- o Comissário Gordon: Liam Neeson.



Se um dia alguém resolver filmar mesmo a obra-prima de Miller, provavelmente não será com nenhum desses atores, mas isso só vai confirmar esta idealização como minha e de mais ninguém.

segunda-feira, julho 17, 2006

Coisas a se fazer antes dos 35

Estou mesmo em uma fase complicada da minha vida.
Não é preciso que aconteça nada de especial para que eu comece a refletir sobre minhas decisões e a pensar no que poderia ser diferente.
Infelizmente não consigo focar esses pensamentos apenas no futuro e acabo pensando naquilo que eu teria feito diferente no meu passado.
A retomada desta vez foi motivada pelo filme “Antes do amanhecer” que vi com a minha mineira neste final de semana. A idéia de uma viagem sem compromisso, destino ou propósito me fez pensar nas minhas experiências e me levou a mais um momento “Alta fidelidade”.
O resultado disto foi uma lista das coisas que teriam que ser feitas na vida de um homem antes que ele chegue aos 35. Obviamente, esta lista diz muito sobre mim mesmo, mas talvez alguém possa se espelhar nela e fazer as suas próprias reflexões.
Aí vai ela:

- eu deveria ter ido ao primeiro Rock in Rio: eu tinha 13 anos e meus pais não me deixavam ir ao Shopping à noite, quanto mais viajar para um lugar onde cada um poderia ter o tipo de diversão que quisesse e na quantidade que desejasse; eu certamente não tinha maturidade para tanto, mas teria sido o máximo ver o Queen, o Whitesnake e o meste Ozzy naquele palco;
- eu deveria ter beijado a Francesca: mesmo que ambos tivéssemos namorados em nossas terras, a gente deveria ter se envolvido em Londres e se curtido naquelas duas semanas que faltavam para o fim do curso no Eurocentre; teria sido o máximo me fingir de Jesse e têla como minha Céline; poderia ter mudado a minha vida; na verdade, mudou;
- eu deveria ter ficado mais na Europa: a companhia do Presidente tornou a viagem de mochileiro uma coisa muito direcionada e eu deveria ter jogado tudo para o alto e vivido melhor a oportunidade; eu teria limpado banheiros e servido mesas, mas teria vivido um mundo diferente e não apenas conhecido monumentos; maldito orgulho de engenheiro;
- eu já deveria ter tido um filho: é cada vez mais complicado lidar com a idéia de ter um herdeiro e a nova temporada dos sobrinhos em casa não ajuda em nada; desta vez é um pouco diferente e estou pensando na minha suposta incompetência para educar adequadamente uma criança; sempre critiquei alguns pais pela falta de disciplina com os filhos, mas hoje penso que não é nada fácil fazer com que uma criatura pensante não se desvie do caminho que você acredita ser o melhor para ela; desta vez, não penso na falta de sono que um filho vai trazer, mas sim no medo do fracasso;
- eu deveria ter ido até a Argentina para ver os Smiths: tudo bem que eu nem cheguei a saber que eles tocariam lá e que a logística seria ainda mais difícil do que a do Rock in Rio, mas isso não elimina o fato de ter perdido uma oportunidade única de ver a minha banda predileta em ação;
- eu deveria ter saído de casa antes de casar: ter morado sozinho teria me ensinado algumas coisas que seriam muito úteis na vida a dois; isso sem contar a alta rotatividade que eu poderia ter experimentado com meu próprio “abatedouro”;
- eu deveria ter aproveitado melhor meu estudo de inglês logo que voltei da Europa: eu teria me dado muito melhor na carreira e teria economizado uma boa grana em estágios da Cultura;
- eu deveria ter me comportado melhor nos meus empregos iniciais: tudo bem que tudo para mim aconteceu tardiamente, mas ter sido imaturo ao extremo nos primeiros 7 anos da minha carreira não me ajudou em nada; meus companheiros de curso que o digam, já que praticamente todos ocupam cargos executivos e ganham muito mais do que eu;
- eu deveria ter ousado mais com mulheres: mais um ponto onde a minha imaturidade foi a atriz principal; perdi tantas oportunidades com meninas que me abordaram que só consigo me sentir ridículo e esquisito; e não teria sido só sexo; certamente eu teria vivido grande amores, se não tivesse ignorado a natureza e deixado de lado a idéia que aquela mulher estava mesmo interessada em mim, e;
- eu deveria ter beijado a Cibele: teria sido o primeiro beijo no meu primeiro baile, provavelmente com aquela que seria o meu primeiro amor não imaginário; teria sido inocente e lindo.

Olhando para esta lista fico pensando que não tenho muito do que reclamar desta minha existência.
A coisa toda ficou com um quê de “Epitáfio”, de arrependimento pelo que não fiz, mas estou longe de querer entregar os pontos. Sou teimoso demais para optar pela saída “fácil”.
Prefiro seguir esmurrando a faca até a coisa toda ficar do jeito que eu quero, principalmente com a parte do sangue.
Tanto melhor se for assim.

Estou meio down, é verdade, mas isso vai ter que passar.
Tenho que me lembrar de uma lista ainda maior que contém as coisas que eu fiz nestas 34 primaveras.
Tenho a obrigação de fazer isso e agradecer a quem me ajudou e dividiu alguns desses momentos comigo.
Vai ser complicado lidar com isso hoje, mas amanhã é outro dia e quem sabe eu consigo.
Quem sabe?

sexta-feira, julho 14, 2006

Obsoletos

O tempo realmente passou para todos os membros e agregados da Diretoria.
Ainda ontem estávamos, eu e o Presidente, debatendo sobre as vantagens e desvantagens de termos envelhecido e feito nossas escolhas.
Nos lembramos com muita saudade dos nossos tempos de Floripa, das mulheres maravilhosas que cruzaram nosso caminho, dos hectolitros que fizemos desaparecer dentro dos nossos corpos, das viagens divertidíssimas e dos não menos divertidos micos pelos quais passamos durante o processo.
Notamos também que esses momentos de nostalgia são cada vez mais numerosos à medida em que nos tornamos cada vez mais obsoletos na balada.

Mas como nem tudo é decadência e preguiça, registramos também as vantagens e delícias de dividir o teto com pessoas especiais e escolhidas a dedo.
Partimos do acordar de manhã com uma espreguiçada propositadamente espaçosa e fomos até a invasão de boxe durante aquele banho demorado, que obviamente faz com o que o banho fique ainda mais demorado.
Não deixamos de falar sobre o desejo de um final de semana livre por ano, claro, mas em geral só destilamos as qualidades e maravilhas da vida a dois.
Infelizmente o Paraguaio não estava lá, mas acho que o representamos bem na brincadeira de imaginação que fizemos.

Mas como nem tudo é perfeito nem na mais sincera das amizades, acabamos não falando sobre as razões que levaram o Presidente a adiar a oficialização da união.
Deve ter algo a ver com conforto, excesso de trabalho e falta de energia para encarar os desafios e encheções típicos dessa fase da vida.
Como ele não tocou no assunto, eu também não quis cutucar a ferida e seguimos secando os chopes e rindo das coisas do passado.

O mais engraçado de todo este papo é que tenho uma boa idéia de qual seria a nossa resposta se alguém nos propusesse abandonar a vida conjugal e voltar à balada desenfreada.
Posso apostar que ambos agradeceriam a oportunidade e escolheriam manter o passado no passado e focar as energias em fazer do futuro uma época boa de se viver.
Vivo reclamando que não fiz o que poderia quando tive a oportunidade, mas acho que a vida é assim por alguma razão e não é certo tentar enganá-la. O que passou passou e quem ficou é por que merece.
E tem mais: sinto sono demais depois das 22:00hs para querer voltar à vida de boates, motéis e camisinhas.
Valha-me Deus!

sexta-feira, julho 07, 2006

Pequenos exemplos

Acabei de completar o álbum de figurinhas da Copa!
Nada mais apropriado para estes tempos de patriotismo de chuteiras, não é mesmo?
O chato é que no processo de garimpar aqueles tesouros auto-colantes, acabei descobrindo também alguns traços de personalidade que eu preferia não ter encarado no relacionamento com algumas pessoas aqui no trabalho.
Não gostei por que me conheço e sei que vou retaliar a avareza e ambição que encontrei.
Por mais besta que seja a situação, concluí que é exatamente aí que a gente descobre a verdadeira personalidade de algumas pessoas. Temos que sair do ambiente de afetação e fingimento do trabalho para ver as coisas com mais clareza.

O exemplo mais clássico foi o capitalista que achava certo ganhar dinheiro com a vontade dos colegas de completar o álbum e que achava que as figurinhas dele eram difíceis e que as dos outros não, portanto era justificado uma troca "três por uma".
Com minha habitual indiferença proposital, respondi que com ele eu não trocaria nada e virei as costas.
Não demorou uma semana para que ele me procurasse e propusesse a tradicional troca "uma por uma". Nessa eu ganhei.

Outras pessoas, desacostumadas com gestos gratuitos de generosidade, se espantavam quando descobriam que eu não queria dinheiro pelas figurinhas que eu conseguia para elas.
Eu precisaria ter a minha Canon em mãos para registrar as caras de surpresa quando eu dizia que queria apenas envelopes fechados de figurinhas para poder continuar ajudando as pessoas que ainda não haviam completado o álbum.
Me surpreendo por que essa minha atitude não deveria ter nada de mais. Isso deveria ser o padrão neste nosso mundo doido, mas infelizmente eu sei que não é assim que as coisas funcionam.
Pelo menos eu acredito que estou fazendo a minha parte nesta corrente do bem.
Não é como no filme, mas serve.

No final das contas, o resultado, ao menos para mim, é positivo: completei o álbum e melhorei a amizade com algumas pessoas que antes eu mal conhecia.
Não preciso de muito mais para me considerar feliz.

sexta-feira, junho 30, 2006

Terapia

Não me lembro bem quando começou, mas sempre que eu me sentia angustiado ou deprimido, a música me recebia de braços abertos e me acolhia com seu jeito terno de quem nunca tem problemas e sempre está feliz.
Se ela fosse um ser vivo, talvez não tivesse mesmo, mas não tenho essa sorte e sempre tenho que processar e segurar as barras que pintam na minha vida e na vida das pessoas que amo.
E quando a coisa extrapola meus limites, eu tenho a música.

Ontem foi um dia desses e quem substituiu Mozza no papel de aplacador de angústias foram os sulinos do Acústico MTV Bandas Gaúchas.
Era um DVD comprado há meses e que pedia emocionadamente para ser tocado.
Aproveitei o bode e mandei ver.
E foi bom para mim, foi muito bom para mim.
Esqueci um pouco os motivos da tristeza e sonhei um pouco.

Não quis colocar o ex-líder dos Smiths em Manchester por temer as lágrimas.
Já aconteceu de eu começar a me lembrar do passado e de ficar com mais saudade do que deveria.
E nada pior do que agir como um museu e achar que o passado é que era bom e que do futuro só se podem esperar tristezas.

Hoje já estou melhor e depois de uma conversa com meu chefe, senti um pouco mais de esperança na melhoria de um dos aspectos desta minha vida repleta de comédias.
O outro também está a caminho e depende de uma série de acertos com a minha mineira.
Mas as coisas vão melhorar e a música sempre estará lá para garantir isso.

Por que se não melhorarem, haja choradeira e DVDs dos Smiths!

sexta-feira, junho 23, 2006

Datas

Este meu casamento é uma coisa realmente engraçada.
Minto. Na verdade o namoro já era engraçado e o casamento acabou alterando um pouquinho a rotina.
Que outra palavra além de engraçado pode descrever um relacionamento onde o homem se preocupa muito mais com datas comemorativas do que a mulher.
E não estou me referindo ao aniversário de um ano, dois meses, cinco dias e vinte e cinco minutos do primeiro beijo. Falo de aniversários de namoro e do dia em que a gente se conheceu.
Pode até parecer inacreditável, mas enquanto a gente não morava juntos, era muito mais fácil que eu solta-se um "parabéns" no meio do telefonema do que o contrário.
Naturalmente, ela devolvia um outro "parabéns", mas não era raro ela deixar escapar um "ah, é!" antes de sincronizar o calendário.

Não que isso seja uma falta grave, mas certamente é algo curioso no ambiente machista em que vivemos aqui nos trópicos.
Chega a ser ridículo o tradicionalismo que divide as tarefas entre o masculino e o feminino. Isso me parece tão antigo que não me privo de gargalhar quando alguém solta uma dessas na minha frente.
Na minha vida de casado e mesmo na de solteiro, esse tipo de divisão não tem lugar.
Acredito muito mais em iniciativa e capacidade do que em obrigatoriedade.

Mas voltando à memória para datas, depois de algum tempo a minha mineira passou a se antecipar e a lembrar das comemorações. A coisa ficou tão competitiva que eu fui forçado a apelar para uma cola: gravei as principais datas em uma medalhinha que não tiro nem para ensaiar a encomenda do herdeiro.
Nesta medalha estão gravadas a data de início do namoro, a data do noivado e a data do enforcamento final, costumeiramente conhecido como casamento.
Assim não corro risco de perder informações extremamente úteis para a minha integridade física.

Mas o fato de termos diferentes tempos para lembrar das celebrações, não há como negar que ambos gostamos muito de festejar e de lembrar dos primeiros tempos do nosso contato e dos rodeios para o primeiro beijo.
Mal dá para acreditar que a gente tenha feito tanto charme antes de se entregar.
Hoje a gente parece um só de tanto que seguimos no mesmo caminho. Apesar do aprendizado diário e do esforço constante, nos damos muito bem e não temos nenhuma dificuldade em determinar onde comemoraremos tudo o que conseguimos, de um aumento de salário a mais uma vitória do Tricolor.

E mais do que gostar de celebrar, ambos desenvolvemos um gosto especial por preparar surpresas e criar produções para surpreender o outro.
Tradicionalmente, eu acabo criando um número maior de situações, surpresas e produções, mas a minha mineira também é bastante feliz quando resolve agir na surdina e me deixar de boca aberta com ações mais do que surpreendentes.
A próxima surpresa está sendo armada para a semana que vem.
Mesmo sendo na segunda-feira, o Dia dos Namorados vai render uma troca de presentes secretos e um vinhozinho em casa, para embalar a confraternização íntima da sequência.
É bastante provável que o tradicional jantar aconteça no sábado, apesar do meu temor de que enfrentemos um crowd dos piores. Imagino que o mundo inteiro vá ter a mesma idéia, mas não vejo outra alternativa.
Pior seria sair na segunda ou mesmo na terça, depois do jogo do Brasil.

A única certeza que tenho é que desta vez não haverá esquecimentos e nem super-produções. Vão rolar algumas surpresas, claro, mas nada fora do comum.
O importante é a dedicação sincera e a vontade de fazer o outro feliz.
E para isso, não preciso de medalhinha para me lembrar.
Basta olhar para dentro e deixar a coisa acontecer.

segunda-feira, junho 12, 2006

Bem vindo, babe

Um viva para o Brunão, que chegou a este mundo em grande estilo como só o tio dele havia feito antes: na madrugada de sábado para domingo e com 2,8kg de puro sex appeal.
Ele chegou pequenino, cansadinho e cabeludinho, igualzinho à mãe dele, mas como a genética não pode ser vencida, daqui a pouco ele começa a fazer o sucesso devido na ala feminina.
Afinal de contas, alguém da família precisa fazer algo bom no meio da mulherada.

A minha Lelê ganha um irmão para cuidar e eu ganho outra razão para visitar o Chile.
Se não bastassem a minha avó, a própria Lelê e o país em si, agora tenho um sobrinho com meu sobrenome.

E daqui a pouco vem mais um membro do outro lado da família.
O Johnny chega em algumas semanas e a minha mineira não vai caber em tanta felicidade.
À partir daí, mais feliz só quando ela mesma abraçar o herdeiro, mas isso é assunto para alguns anos no futuro.

sexta-feira, junho 02, 2006

Nascido para a coisa

Eu não gosto de crianças!
Digo isso de boca cheia por que não suporto a gritaria, a bagunça e a sujeira associadas a um moleque mal educado, mimado e egocêntrico, que foi habituado a ter tudo o que quer e a medir o valor das pessoas pela quantidade de bolinhas que o tênis de cada um possui.
Me sinto mal ao ver uma menina de dois anos se vestindo como a Madonna na fase vagabond chic e usando as mesmas gírias da novela das oito.
Tenho pitis quando um ranhento vem me pedir uma coisa e ao ouvir minha negativa, corre para pedir para o pai ou para outra pessoa.
Em um resumo mais do que executivo, não gosto de crianças!

Mas o grande problema e a grande sina da minha vida é que elas gostam de mim, aliás, gostam muito de mim.
Talvez por conta da minha cara de mau e do meu zelo patológico por limites.
Talvez pela minha aparente falta de preocupação quando eles rolam no chão enquanto choram por algo que eu não concordei em ceder.
Ou talvez ainda pelo fato de eu não falar "mamanhês" e usar palavras que eu usaria no trabalho ou na mesa de bar.
Por mais que eu deteste admitir, os pequenos gostam de mim, ao menos aqueles que ainda não são casos perdidos.

Isso me leva a pensar no que muitos dos meus amigos dizem sobre mim quando tocam no assunto paternidade. Segundo eles, eu tenho cara de pai e meu destino está traçado.
Invariavelmente eu rio e mando todos para aqueles lugares de onde não se volta mais, mas a gozação continua e pior, as razões para as brincadeiras se perpetuam.
Ou será que dá para entender um cara que diz não gostar de crianças e fica horas deitado no chão ao lado de um bebê de um ano, só trocando olhares e batendo uma garrafa vazia da Coca Cola no chão?

Pensando friamente, ainda discuto essa máxima de que tenho cara de criador de ranhentos, mas é impossível encontrar qualquer argumento que enfraqueça a idéia de que a minha mineira nasceu para ser mãe.
Ela diz que esse é um sonho dela desde sempre e só eu sei a quantidade de sonhos eternos que essa minha esposa tem. Aos poucos eles foram se realizando e algo me diz que esse não será exceção.

Por via das dúvidas, já comprei mais um livro do Parsons e vou me preparando de uma forma bem inglesa e intelectual para não ter mais noites inteiras de sono pelo menos até os 18 anos de idade do herdeiro.
Tenho que treinar para o caso de mudar de idéia e resolver focar na preservação do nome da família do meu pai.
Espero que esse negócio de ser pai não seja muito diferente do que eles fazem lá nas Ilhas.
Ai Jesus!

domingo, maio 21, 2006

Aprendizado

Eu ainda estava no meio do meu Tony Parsons quando um colega de trabalho chegou meio de sopetão me trazendo um exemplar de O Monge e o Executivo.
Eu já havia escutado muita coisa sobre o livro e até já o havia pedido emprestado para o Professor, mas nunca havia conseguido tê-lo em minhas mãos para ver o que o tal James Hunter tinha a dizer.
Não me lembro se fui eu ou ele quem citou o livro pela primeira vez, mas sei que eu estava ligando meu computador em uma sexta-feira fria e preguiçosa quando ele chegou, me entregou o livro e me perguntou se eu conseguiria lê-lo no final de semana.
Fiquei sem jeito de dizer que estava lendo outra coisa e que certamente não conseguiria me dedicar ao Monge na próxima semana, mas o cara foi tão generoso e sorridente que acabei aceitando o livro e pedindo um perdão silencioso ao Parsons.

Li o livro, pensei um pouco e concluí que o marketing é mesmo uma coisa abençoada. Somente isso explica o fato de um livro escrito sem nenhum brilho e que recicla um monte de coisas ditas muito tempo antes por outras pessoas, acaba sendo adotado como bíblia comportamental por um monte de gente.
Provavelmente isso já rendeu até teses e cases em pós-graduações e cursos de extensão.
Não me considero uma sumidade em termos de cultura ou ciência, mas já li coisa muito melhor e nem pagar eu paguei.

Isso me fez lembrar da experiência morna que tive com o Zig Ziglar e do certo arrependimento que sinto ao ter indiretamente sugerido que a minha mineira comprasse um livro dele. Mas isso já passou e não há muito o que fazer.
Só espero que ela aproveite alguma coisa da leitura.

Uma das poucas coisas que achei originais no livro diz respeito ao reconhecimento público e à repreensão privada. Experimentei a primeira parte disso há poucas semanas quando fui homenageado pela Diretoria da empresa por conta dos meus esforços em um projeto micado desde o berço.
Bem ou mal, eu consegui levantar um pouco o "abacaxi" e hoje conseguimos manter o nariz fora d´água, apesar dos pesares.

É difícil dizer o que senti quando meu nome foi mencionado e o chefe do meu chefe me chamou lá na frente.
Sempre gostei de me imaginar em situações heróicas, tipo salvamento da mocinha, mas fiquei visivelmente desconcertado na hora de emitir um simples agradecimento.
Me lembrei do chinesinho na frente do tanque na Praça da Paz Celestial, do povo batendo panelas em Buenos Aires e dos "parentes" tomando jatos d´água nas costas durante as confusões em Santiago.
Apesar da pieguice da cena, me senti meio herói, mesmo que se tratasse apenas de uma homenagem simbólica, sem maiores efeitos para a minha conta bancária e o meu cargo.

Isso me faz pensar em um determinado colega que já taxei de mau caráter pelo péssimo costume de ser o último a pagar a conta do almoço, só para aproveitar os centavos remanescentes de troco dos outros colegas.
Esse mesmo cara acha correto sonegar imposto de renda e recorrer de uma multa que ele mereceu levar, mas não é bem disso que eu quero falar.
Eu o considero um ladrão em espírito e isso só aumentou quando eu mencionei o prêmio e ele me perguntou quanto eu havia ganho nisso.
Não consigo me lembrar da reação dele, mas certamente os pensamentos devem ter passado por algo parecido com "prefiro a minha parte em dinheiro" ou coisa que o valha.

Obviamente não quero ser ingênuo a ponto de dizer que só trabalho pelo prazer.
Isso seria ótimo, mas só se encaixa na trajetória profissional da minha mineira e de outras pessoas que amam o que fazem.
Como eu apenas gosto, admito sem vergonha que trabalho também pelo dinheiro e que esse tipo de elogio e premiação atende apenas uma parte das minhas necessidades.
É preciso mais e é isso que eu vou ter.

O que me leva de volta ao Monge e às citações de Maslow e sua pirâmide de necessidades.
Neste momento, minhas necessidades são de paz de espírito e de um regime.
Não preciso mais do que isso para viver bem e fazer a minha mineira feliz de novo.
Acho que estou meio em falta com ela nesse aspecto e tenho que abrir o olho.
Talvez uma das boas formas de fazer isso seja encarando mais um "guia" comportamental / financeiro.
Vamos ver o que o Senhor Cerbasi tem a me dizer e vamos ver o que disso eu posso passar para a minha mineira.

sábado, maio 13, 2006

Objetivos

Antes de me tornar um homem sério, leia-se, me casar, meus planos de futuro se resumiam a economizar para comprar ou trocar de carro e ter dinheiro suficiente para tomar chope com os amigos duas vezes por semana e visitar Floripa duas a três vezes por ano, de preferência não no Reveillon.
Eram planos simples para uma vida simples e eu não sentia necessidade de complicá-los em nenhum aspecto.
Aquilo era toda a minha vida e eu estava feliz.

Não dá para dizer se foi o casamento em si ou o fato de ter uma pessoa realmente dependendo do meu suporte, mas depois que começamos a correr atrás das coisas do casório, minhas perspectivas de vida passaram a ser muitos mais longas e elaboradas.
É certo que a impossibilidade de visitar Floripa ajudou muito, mas também preciso dar o braço a torcer e admitir que meus próprios interesses mudaram sensivelmente.
Eu já não queria mais depender apenas de mim para elaborar e concluir meus planos. A idéia agora era fazer tudo em conjunto e aproveitar o benefício a dois também.
Nessa linha de planejamento coletivo, traçamos alguns objetivos que batizamos de plano trianual. O nome original era plano trienal, mas acabamos descobrindo que isso remetia a algo que acontecia a cada três anos e não era esse o caso.

Cada uma das nossas metas deveria ser cumprida após um aniversário de casamento.
No primeiro ano, deviamos trocar o carro, no segundo, passar 30 dias na Europa e no terceiro, comprar um apartamento maior para preparar a chegada do Labrador.
Infelizmente as coisas não são como a gente espera que sejam, mesmo que a gente se esfore muito, e nosso primeiro objetivo já teve que ser mudado logo depois de ser estabelecido.
É certo que a gente foi otimista demais e não definiu nada que fôssemos conseguir sem nenhum esforço, mas a coisa não precisava se bagunçar tão cedo assim.

Agora estamos começando a falar dos próximos objetivos e parece que vamos mudar tudo novamente. É possível que pulemos direto para a terceira meta já que a minha mineira não pára de falar em reprodução, mamadeiras e afins.
Fico até assustado com tamanho entusiasmo, mas confio que ela não coloque o carro na frente dos bois e nos arrume um problema onde só deveria rolar alegria.

Cada coisa terá seu tempo, inclusive nossa comemoração sobre as conquistas.
Basta ter paciência e matar a vontade mimando os sobrinhos.
E basta também não achar que uma demora ou um fracasso são finais de linha.
Sempre dá para tentar de novo, buscar outra alternativa ou mudar o objetivo. Nada é tão definitivo assim. E nós vamos viver isso juntos.

domingo, maio 07, 2006

30 anos depois

Me lembro de sair correndo no aeroporto, cheio de bagagens penduradas no corpo e descabelado como sempre. Meu pai estava lá do outro lado do corredor, as paredes pareciam todas brancas e as pessoas haviam desaparecido. Eu corria para abraçá-lo já que não o via há alguns meses. Era meu pai que estava lá, o velho, o grande homem, e eu lá, pequeno e cabeçudo, estava enfrentando tudo para chegar perto dele.
Ele chegou a se abaixar e abrir os braços para me receber, mas alguma coisa deu errada e eu tive que voltar. Minha mãe estava me chamando e um homem de terno escuro estava bem atrás de mim.

Demorei um tempo para entender que a gente, eu, minha mãe e minha irmã pequena, precisávamos conversar com outros homens de terno escuro antes de nos encontrarmos com meu pai. Cheguei a pensar que eles eram amigos dele, mas a falta de sorrisos me fez mudar de idéia: meu pai vivia sorrindo e não podia ser companheiro daqueles homens de terno.
E eu nunca o havia visto de roupa escura em todos os meus cinco anos de vida!

Meio decepcionado com o mundo, eu parei e voltei para junto da minha mãe.
Ela estava toda atrapalhada com a minha irmã no colo e alguns papéis coloridos acabavam caindo no chão. Cheguei a pensar que ela estava trocando algumas figurinhas com o homem na casinha de vidro, mas perdi um pouco o entusiasmo quando me vi em um daqueles papéis coloridos. Eu estava com a roupa de missa que coloquei para tirar retratos e finalmente entendia a razão de toda aquela produção. Até de cabelo penteado eu estava!

Passou um bom tempo até que os homens nos deixassem passar e ir até onde meu pai e o amigo dele estavam. Eu não conhecia o outro homem, mas como ele não estava de terno e tinha um belo bigode, não tive dúvidas sobre a possibilidade de confiar nele.
Finalmente eu podia correr, bater as sacolas do lado e quase tropeçar para conseguir abraçar meu pai. Ele abriu o sorriso costumeiro e me levantou no ar, quase derrubando meus papéis coloridos e minhas sacolas.
A barba dele me espetou, mas eu achei o máximo. Era exatamente daquele jeito que eu me lembrava dele e era assim que eu o encontrava de novo.
Abracei o amigo dele também, enquanto minha mãe chegava e meu pai a beijava. Minha irmã também recebeu um beijo carinhoso na testa e eles começaram a colocar a conversa em dia.
Falaram de parentes, de comida, de televisão e até de trabalho. As coisas não andavam muito boas lá do outro lado do avião, mas eles não pareciam preocupados com nada. Estávamos novamente juntos e nada podia dar errado.
Meu pai tinha um bigodão e isso o aproximava muito da minha visão de um super-herói, de um cara muito poderoso. Era uma versão moderna do Sansão.

Minha surpresa continuou quando saímos do aeroporto do carro e pensei mais de uma vez no que mais aquele amigo rico do meu pai poderia ter em casa, já que ele tinha um carro tão grande o bonito.
Ter esquecido de verificar aquilo não era tão surpreendente já que a chegada à casa do amigo do meu pai me fez lembrar a minha última festa de aniversário: todo mundo estava batendo palmas e sorrindom, igualzinho aos meus tios quando vinham me abraçar e me entregar presentes.
Eu ganhei muitos abraços, mas acabei me cansando de esperar pelo presentes e fui logo procurar o braço do meu pai e a mão da minha mãe. Apesar de amigos do meu pai, aquelas pessoas eram estranhas e demorei para me acostumar a elas.

Passamos a noite naquela casa de esquina e poucos dias depois fomos para uma casa muito parecida, ali do lado, onde começamos a arrumar nossas coisas e onde muitas aventuras me esperavam.
Demorei para descobrir que os meninos daquela rua não falavam nem se vestiam do mesmo jeito que eu, mas isso é outra história.

Uma forma simples de comemorar os 30 anos de Brasil da minha família.
Olhando o meu lugar hoje, só posso agradecer àqueles homens de terno escuro, que me deixaram abraçar meu pai e viver naquela pequena rua de paralelepípedos.
Meu agradecimento tem nome, mas por aqui, prefiro chamá-la de minha mineira.
Que venham outros 30 anos, Patropi! E que venham outras correrias em aeroportos.

quinta-feira, abril 27, 2006

Inglês

Estou terminando de ler um Tony Parsons.
Fiquei curioso em saber por que o Takeda gosta tanto do cara e comprei o livro com um cupom de presente que estava esquecido lá em casa. Tinha na cabeça a idéia de que escritores legais devem gostar de outros escritores legais e lá fui eu mergulhar no mundo absurdamente britânico do tal Parsons.

Apesar de gostar do texto dele, fiquei meio receoso por se tratar de um apanhado de artigos e não de um livro com um fio condutor, com uma estória.
O Parsons era jornalista nos tempos do punk e testemunhou um monte de coisas que alguns amigos meus dariam os testículos para compartilhar. O concerto dos Pistols no Jubileu da Rainha, o começo de carreira do Clash e mais algumas coisas que devem mesmo fazer o Takeda ter orgasmos múltiplos. Vejo muito de Parsons na forma como o Japa escreve, mas não ouso falar em cópia. Inspiração seria uma palavra mais apropriada.

Mas essa proximidade de estilos só pode ser verificada na parte musical do livro.
Quando se começa a falar de costumes, viagens e impressões sobre a sociedade, as outras culturas e a vida, os textos vão para direções completamente diferentes.
Parsons é inglês até o osso e faz questão de exercer essa prerrogativa com toda a acidez, auto-ironia e cinismo possíveis. Ele não se livra da pecha de imperialista, apesar de respeitar muito as pessoas e as culturas que descreve.
Apesar de se adaptar a todas as situações, ele segue sendo inglês e nunca conseguirá ser algo diferente.
O Takeda pode ser um nikkei, nascido no Rio Grande do Sul e residente na Argentina, mas ainda é brasileiro e ainda vive um mundo latino e escreve como um latino influenciado por montanhas de produtos culturais anglo-saxões. Ele é gaúcho e por isso mesmo é um tipo particular de latino, mas ainda assim ele pertence ao nosso mundo de futebol, samba, Carnaval e passividade.
Eles não têm como ver as coisas da mesma forma e acho isso muito bom.
Assim dá para comprar livros que falem sobre o mesmo tema, mas que passem mensagens bem diferentes, cada uma com um ponto de vista na velha e desgastada relação de colonização.

Parsons e Takeda são legais, mas é bom o japa se afastar um pouco da influência do inglês ou os amigos vão começar a achar esquisito a troca do chimarrão pelo earl grey no café da tarde.
Pensando bem, ele não corre esse risco, o que vai deixar a minha irmã cineasta ainda mais feliz.

domingo, abril 23, 2006

Mudar é preciso

Estamos passando por mais uma reestruturação lá na "firma".
É a terceira em seis meses e não deve ser a última.
Desta vez a coisa foi um pouco mais drástica e me separei definitivamente das pessoas com quem trabalhei nos últimos cinco anos e pouco. Não trabalhei todo esse tempo com todos, mas essa é a idade da convivência com o mais velho da turma. Que aliás já tinha nos abandonado no ano passado, mas isso não vem ao caso.

Fui um dos únicos da turma original que passou a fazer uma coisa diferente.
Quase todos os outros voltaram a integrar um grupo único e retomaram uma situação que vivíamos antes das mexidas, há mais ou menos 18 meses atrás. Não sei bem se é um retrocesso, mas a idéia chega bem perto disso.

Mais uma vez, a tal mudança não nos permitiu opinar ou escolher.
Fomos separados, rotulados e destinados sem poder de voto ou veto. Mais ou menos como acontece em todas as empresas do mundo.
O lado bom disso tudo é que recebi a mensagem de que eu não fui com o resto por decisão do meu chefe. Parece que ele tem outros planos para mim e isso pode ser muito bom. Claro que existe o potencial de desastre que acompanha toda mudança, mas já que estou no inferno, darei meu tradicional beijo na boca do capeta e verei que bicho dá.

Isso me faz pensar da necessidade de mudança que o mundo corporativo tem e que afeta também outros segmentos desta bagunça que chamamos de sociedade.
Por que será que sempre temos que mudar?
Será que não existe uma situação em que as escolhas são certas e o resultado é tão bom que não se precise mexer em nada?
Aparentemente não. Parece que o que muda não são as coisas, mas sim as pessoas e são essas pessoas que acabam necessitando de mudanças nas coisas. É meio confuso, mas acaba fazendo algum sentido.

De uma forma meio darwiniana, vejo que as pessoas evoluem em termos de necessidades e demandam suportes para chegar até os novos níveis de satisfação. Isso vale para uma empresa, para uma procissão e até para cachorro quente da porta do estádio: por mais satisfeitos que estejamos com algo, sempre surje a necessidade de melhorar e daí vem a famigerada mudança.

Isto não tem a mínima pretensão de ser uma tese sociológica, mas talvez tenha um bom fundo de verdade: mudamos as coisas por que mudam as pessoas.
Só queria saber quem foi o espanhol miserável que inventou a idéia de reestruturas uma área com intervalos médios de dois meses. Desse jeito não dá nem para se acostumar com os chefes, com os clientes e principalmente com os restaurantes de entorno onde se trabalha.
E depois os chefes reclamam da nossa motivação.
Pode isso?

quinta-feira, abril 13, 2006

Graus de prejuízo

Por que errar é ruim, ter que pagar pelo erro é um pouco pior, pagar por algo que não se fez é pior ainda, mas ter que reconquistar algo consolidado e que se perdeu em um instante é um tipo de dor que ninguém deveria sentir.

Eu errei, perdi a confiança de alguém que me é muito importante e agora estou em meio ao processo de reconstrução.
Talvez as coisas não voltem jamais a ser como antes, mas isso é algo que eu terei que aceitar.
Não tenho outra alternativa a não ser começar tudo de novo, retornar quatro anos no passado e construir novamente o meu castelo.
Sei que terei a companhia de Pessoa e que a coisa tende a ser mais rápida do que da primeira vez, mas não consigo me livrar da sensação de que não precisava ser assim.

Mas como só aprende quem erra...
Alguém aí me passe a próxima pedra, por favor.

quarta-feira, abril 05, 2006

Preguiça

Se eu fosse umas das vítimas do filme Seven, o assassino certamente ficaria com dúvidas sobre a justificativa para me apagar. Gula, ira ou inveja. Apesar das opções não serem tantas, ele teria que decidir no palitinho o recado que deixaria para o Brad e para o Morgan.
De qualquer maneira, se ele não escolhesse a preguiça, temo dizer que ele teria cometido um erro mais clássico do que o 007 sob a mira de um revólver na abertura de todos os filmes da série.

Isso mesmo. Preguiça é o meu maior pecado.
Tenho preguiça de acordar, preguiça de dormir e, principalmente, preguiça de trabalhar.
Minha mineira ficaria ainda mais tranquila se soubesse que não olho com interesse para outra mulher, entre outras coisas, simplesmente por preguiça de imaginar as desculpas que eu teria que inventar e o trabalho que a pulada de cerca iria me dar.
Mesmo quando estou sozinho em casa e tenho a noite inteira para curtir a balada, chego, tomo banho e logo me bate aquela preguiça de sair. Resultado: fico em casa mesmo e a vontade, seja ela qual for, passa rapidinho, logo depois do segundo naco de Gouda.

Gostaria de não ser assim.
Seria legal ter energia de sobra para trabalhar o dia inteiro e ainda curtir a noite como se fazia quando eu não tinha idade para dirigir ou competência para transar.
Fico imaginando o que será que existe no café daqueles tiozinhos que enchem a cabeleira de gel, colocam uma camisa para fora da calça e vão até o Jóquei para morder uma daquelas meninas de programa à caça de um presente de Natal antecipado.
Me encho de preguiça só de imaginar a cena. E quando isso acontece, a vontade de fazer alguma coisa passa logo. É só sentar no sofá e esperar.
Não falha nunca.

quarta-feira, março 29, 2006

A minha é melhor do que a sua

O relacionamento com a minha mineira já me permitiu um contato maior com estruturas familiares muito mais próximas do que a minha e com todas as idiossincrasias e contradições relacionadas a isso.
Um dos exemplos mais recentes e mais complicados de engolir ocorreu no Natal passado e graças a Deus me envolveu somente como ouvinte.

Era uma conversa sobre onde passar o Natal e a tia da minha mineira fazia questão de que os filhos de uma amiga não saíssem de casa na noite da véspera. Essa posição se baseava na crença de que Natal se passa com a família
Até aí tudo bem, se não fosse o fato do filho mais velho ter uma namorada que provavelmente também tinha família. Segundo o raciocínio da tia, a família que importava era só a da amiga e a menina tinha a obrigação de deixar a dela de lado e passar o Natal junto do namorado.
Achei o fim do mundo aquela visão míope, mas não pude considerá-la incoerente vindo dela. Eu já tinha testemunhado outros exemplos onde o dela sempre era melhor que o do resto do mundo.

Parece meio infantil, mas acho que é tudo muito racional e consolidado.
Ao menos do ponto de vista dela, as diferenças existem e o dela é sempre melhor.
Isso vale para o carro, para o apartamento, para os amigos, para a educação e principalmente para os hábitos. O dela é sempre é "de nível" e a família dela é sempre melhor.

Até para se livrar de roupas velhas o complexo não é deixado de lado. Ao invés de dizer que vai doar roupas ou vai passá-las para a frente, ela adora dizer que vai dá-la aos "outros". Eu sempre me pergunto se esses outros são tão inferiores que não merecem ser nomeados ou se eles não passam de fantasmas que ela e a família têm a bondade de aturar para passar por generosos e preocupados.
Deve ter algo a ver com o conceito cristão de generosidade e purgação dos pecados, eu imagino.

Felizmente, não preciso nem olhar para outras famílias para ver exemplos desse comportamento meio metido a besta e com complexo de superioridade.
Meu próprio sangue está buscando sei lá que motivos para afastar o parceiro da vida do novo sobrinho que está por vir. Ela tem uma infinidade de motivos para isso, mas acho que nada justifica impedir um pai de assumir e ter contato com o filho.
Pode ser um julgamento prematuro, mas prefiro repudiar a idéia desde já e fazer o possível para que isso não se concretize.
Pior do que um ex-parceiro que não se quer mais é um filho sem pais para receber amor.

Um último exemplo desse jeito besta de viver envolveu o Presidente e a atual Primeira Dama. Por conta de um problema de saúde potencialmente sério, meu grande amigo recebeu a pena da tal tia que o chamou de azarado por ter escolhido, dentre tantas moças disponíveis, justamente uma doente.
Quem ela pensa que é? Doente é ela! E doente da cabeça! Muito doente, aliás!
Que a minha mineira me dê licença, mas se ter família próxima significa aturar isso, prefiro o meu estilo de respeitosa distância e abraços frios.
E que ela não venha me encher o saco!

segunda-feira, março 20, 2006

Por que cazzo...

Tem horas em que fica complicado segurar todas as pontas soltas da vida.
Dá vontade de dar um bicudo em tudo e sair correndo pelado por aí, como diria o Presidente nos bons tempos de Diretoria.
Infelizmente os tempos pós-adolescentes onde esse escape era permitido passaram há tempos.
Hoje, a minha vida não é única que depende das minhas decisões e/ou do controle da minha raiva. Pelo menos em parte, a minha mineira também paga pelos meus tormentos e pela ausência de foco que se instala de vez em quando.

Essa perda momentânea de foco me acompanha há milênios.
Desde os tempos da Galactica e do Starbuck, para ser mais preciso. Bastava os Cilônios matarem alguém conhecido que eu já ficava deprimido.
Felizmente esse tempo infantil já passou e eu não sou mais tão vulnerável.
Para me deixar para baixo é preciso muito mais. Um bolso vazio ou a falta de perspectivas no trabalho, por exemplo.
Mas isso logo passa. Basta eu não olhar para os meus colegas de trabalho e para a minha conta bancária e pronto, lá estou eu animadinho de novo. Fácil assim.

Sei que é tudo uma questão de ponto de vista ou de momento de vida, mas de vez em quando enche o saco ver que tudo é tão sem graça.
Não que não seja, mas não preciso sentir vontade de largar tudo, certo?
É óbvio que esse bode está ligado à uma certa urgência que sempre tive. Uma urgência de viver e de experimentar. Costumo ter muitos problemas para driblar a minha vontade de fazer tudo ao mesmo tempo. De vez em quando penso que meus movimentos não me levam a lugar nenhum e acabo nem percebendo onde fui parar.
Novamente é óbvio que eu me movi e às vezes eu demoro muito para reagir e me adaptar.
Ao invés de sair "pedalando", fico questionando por que as coisas aconteceram daquele jeito e perco ainda mais tempo.
Coisa de doido mesmo.

Mas isso passa. Nem que eu tenha que fazer análise, isso passa.
Ou passa ou eu largo tudo de vez. Mas aí a minha mineira terá direito a veto.
Só espero que a paciência dela também não tire férias quando eu mais precisar.