Inesperado
Acabei de deixar de ser pai.
Passei a noite em claro depois de receber a notícia de que a visita da minha mineira estava algumas semanas atrasada e fiquei morrendo de medo do resultado do exame que saiu agora há pouco.
Não dormi e coloquei o resultado na mão de Deus. Fosse qual fosse o resultado, decidi tratá-lo só depois da confirmação.
Não que adiantasse fazer algo diferente, mas é que precisei organizar as idéias para segurar a barra dela. O diabo é que não havia ninguém disponível para segurar a minha barra.
No caminho para o trabalho imaginei milhares de cenários da família aumentada.
Imaginei noites sem sono, olheiras abissais, escolha de padrinhos, aulas de natação e coisas afins.
Imaginei a minha mineira barriguda, com o air bag ainda maior e com desejos de comer mamão com feijão às 3 da manhã.
De tanto imaginar esqueci de verificar o resultado do exame.
A notícia no negativo veio para deixar as coisas claras e para adiar os exercícios de imaginação.
Agora teremos tempo para fazer as coisas no tempo certo e sem pressa. Não vamos precisar eliminar o computador e a cômoda de CDs para acomodar o berço e as fraldas.
Tudo voltou aos eixos e ela pode parar de chorar e de temer a reação dos pais.
Mas se tudo voltou a ser como era antes, por que fiquei com uma certa sensação de decepção na cabeça?
Será que a minha vontade de ter um labrador ao invés de um filho faz parte da minha fachada de mau?
Está aí uma coisa para se pensar. Mas só daqui a alguns anos.
Graças a Deus.
quinta-feira, julho 14, 2005
segunda-feira, julho 11, 2005
Ainda mais coisas
Faltou falar do final de temporada do CSI escrito e dirigido pelo Tarantino!
Apesar de engenhoso e chocante, sempre achei que o seriado era meio devagar ao mostrar os peritos como deuses intocáveis e praticamente infalíveis. Era legal mas deixa uma sensação de "é só isso?" típica de beijos de baile de Carnaval e transas de uma só noite.

Os CSI

O doidão
Colocar o Grissom e a turma toda na mão do nerd mor quase causou a ruína do seriado, não no sentido de falta de qualidade (muito pelo contrário), mas sim pela falta de personagens vivos.
Por pouco o Nick não vai para o saco e o Grissom também.
Mas no final, depois de muito sangue, coisas escabrosas e tensão, o Grissom tirou um camelo da cartola e todo mundo ficou feliz. Quer dizer, o Nick ficou meio abobado, mas isso passa até a próxima temporada.
E finalmente comecei a ler o tal "Código Da Vinci".
A badalação em volta do livro já me deixava meio desconfiado, mas como foi um presente do meu velho, resolvi dar uma chance ao gênero.

O dito cujo
Por enquanto está sendo uma árdua tarefa enfrentar os clichês e driblar as frases já usadas antes. O tema até que é interessante, mas eu me acostumei tanto com as escritas pop do Takeda, da Clarah e do Hornby, que é difícil engolir certas formas de escrever. Mas em nome do agrado ao meu pai, vou chegar ao fim da tortura, mesmo que demore e doa.
E deixa eu terminar o post logo por que tenho algumas coisas para fazer antes que o "Life as we know it" comece.
Faltou falar do final de temporada do CSI escrito e dirigido pelo Tarantino!
Apesar de engenhoso e chocante, sempre achei que o seriado era meio devagar ao mostrar os peritos como deuses intocáveis e praticamente infalíveis. Era legal mas deixa uma sensação de "é só isso?" típica de beijos de baile de Carnaval e transas de uma só noite.

Os CSI


O doidão

Colocar o Grissom e a turma toda na mão do nerd mor quase causou a ruína do seriado, não no sentido de falta de qualidade (muito pelo contrário), mas sim pela falta de personagens vivos.
Por pouco o Nick não vai para o saco e o Grissom também.
Mas no final, depois de muito sangue, coisas escabrosas e tensão, o Grissom tirou um camelo da cartola e todo mundo ficou feliz. Quer dizer, o Nick ficou meio abobado, mas isso passa até a próxima temporada.
E finalmente comecei a ler o tal "Código Da Vinci".
A badalação em volta do livro já me deixava meio desconfiado, mas como foi um presente do meu velho, resolvi dar uma chance ao gênero.

O dito cujo

Por enquanto está sendo uma árdua tarefa enfrentar os clichês e driblar as frases já usadas antes. O tema até que é interessante, mas eu me acostumei tanto com as escritas pop do Takeda, da Clarah e do Hornby, que é difícil engolir certas formas de escrever. Mas em nome do agrado ao meu pai, vou chegar ao fim da tortura, mesmo que demore e doa.
E deixa eu terminar o post logo por que tenho algumas coisas para fazer antes que o "Life as we know it" comece.
terça-feira, julho 05, 2005
O que mais existe
Acho que chegou a hora de dar um tempo nas coisas do casório e de falar um pouco mais sobre o que tem rolado nesta minha vida (de vez em quando besta).
Não que eu não sinta vontade de descrever até as minúcias do processo de mudança de posição do varal suspenso, mas é que as coisas podem acabar meio sem sentido para quem não as está vivendo. É uma pequena mas necessária concessão, por isso vamos aos fatos.
Seguindo as recomendações da Ginger, comecei a assistir ao seriado "Life as we know it" na Sony.
A estória parece mais uma versão de Barrados no Baile, só que desta vez rola muito mais sexo e revolução. Mas as músicas....
A Ginger tinha razão: parece uma reunião de classe do alternativo americano (seria mundial??). Para o meu gosto, uma delícia.
E ainda tem aquela professora que encanou com o Ben!! Como diria um certo apresentador narigudo: loucura, loucura, loucura!!

Marguerite Moreau, a professora
Em outra área da cultura, esgotei a bibliografia da Clarah Averbuck.
Li o "Vida de gato" e "Das coisas esquecidas atrás da estante" enquanto mofava na sala de espera de Congonhas e sou obrigado a confessar uma coisa: gostei mais do primeiro.
Espero que a Clarah tenha algum intervalo na sua atual carreira musical para publicar um bom livro novo. Parece que ele já está terminado e só falta arrumar uma editora. "Haja o que hajar" vou aguardar, comprar e devorar, afinal de contas, a Clarah é sempre uma delícia, mesmo que me pareça pessimista demais de vez em quando.

O segundo

Jazzie e os Vendidos: Clarah e sua música

O terceiro e mais recente
Uma outra coisa que merece registro é o tratamento VIP que eu e meus amigos voltamos a ter no Tranvia.
É certo que conhecemos o dono, que ele costumava jogar na piscina um dos meus amigos quando ele era criança, que sempre deixamos contas astromômicas no lugar e coisa e tal, mas não precisava ter nos presenteado com uma garrafa inteira de grappa mel!
A coitadinha da garrafa quase não sobreviveu ao almoço e nós também fomos na onda.
Não é a toa que o sábado quase terminou no hospital por conta de um acidente intestinal.
Bom, como achei que este intervalo ficou meio sem graça e desinteressante, no próximo post volto a falar de alguma coisa do casório ou do apê.
Soory folks!
Acho que chegou a hora de dar um tempo nas coisas do casório e de falar um pouco mais sobre o que tem rolado nesta minha vida (de vez em quando besta).
Não que eu não sinta vontade de descrever até as minúcias do processo de mudança de posição do varal suspenso, mas é que as coisas podem acabar meio sem sentido para quem não as está vivendo. É uma pequena mas necessária concessão, por isso vamos aos fatos.
Seguindo as recomendações da Ginger, comecei a assistir ao seriado "Life as we know it" na Sony.
A estória parece mais uma versão de Barrados no Baile, só que desta vez rola muito mais sexo e revolução. Mas as músicas....
A Ginger tinha razão: parece uma reunião de classe do alternativo americano (seria mundial??). Para o meu gosto, uma delícia.
E ainda tem aquela professora que encanou com o Ben!! Como diria um certo apresentador narigudo: loucura, loucura, loucura!!

Marguerite Moreau, a professora

Em outra área da cultura, esgotei a bibliografia da Clarah Averbuck.
Li o "Vida de gato" e "Das coisas esquecidas atrás da estante" enquanto mofava na sala de espera de Congonhas e sou obrigado a confessar uma coisa: gostei mais do primeiro.
Espero que a Clarah tenha algum intervalo na sua atual carreira musical para publicar um bom livro novo. Parece que ele já está terminado e só falta arrumar uma editora. "Haja o que hajar" vou aguardar, comprar e devorar, afinal de contas, a Clarah é sempre uma delícia, mesmo que me pareça pessimista demais de vez em quando.

O segundo


Jazzie e os Vendidos: Clarah e sua música


O terceiro e mais recente

Uma outra coisa que merece registro é o tratamento VIP que eu e meus amigos voltamos a ter no Tranvia.
É certo que conhecemos o dono, que ele costumava jogar na piscina um dos meus amigos quando ele era criança, que sempre deixamos contas astromômicas no lugar e coisa e tal, mas não precisava ter nos presenteado com uma garrafa inteira de grappa mel!
A coitadinha da garrafa quase não sobreviveu ao almoço e nós também fomos na onda.
Não é a toa que o sábado quase terminou no hospital por conta de um acidente intestinal.
Bom, como achei que este intervalo ficou meio sem graça e desinteressante, no próximo post volto a falar de alguma coisa do casório ou do apê.
Soory folks!
terça-feira, junho 28, 2005
Tudo pronto
Me disseram que não daria para começar com a casa toda montada.
Tentaram me convencer de que todo mundo agia assim e que era besteira remar contra a maré.
Foram muito eficientes ao apresentar a idéia de que viver no cheque especial era normal e que não adiantava se estressar por conta disso.
Falaram um monte de coisas, mas se esqueceram de incluir a minha mineira na lavagem cerebral.
Como ela não sabia que não era possível, foi lá e fez. E muito bem feito por sinal.
Isso significa que vamos nos mudar com a casa toda montada e mobiliada e com os bolsos praticamente vazios. Sem grana mas sem dívidas e é isso que a gente queria.
Vamos voltar de viagem para organizar as coisas da casa e não para correr atrás delas.
Se não der vontade de fazer nada, vamos nos sentar no sofá e ver um DVD. O melhor disso é que teremos um sofá. E um DVD.
Teremos uma casa como manda o figurino e eu poderei conservar meus rins e meus outros órgãos para outra ocasião em que tenhamos que levantar uma grana.
Cada vez temos mais certeza de que vamos começar com o pé direito.
Até alguns centímetros quadrados para decoração nós teremos!
Como diria o SS: isto é incrível, principalmente se pensarmos que alguns meses atrás não sabíamos nem por onde começar a procurar.
Não sabíamos nem brincar de casinha, quanto mais organizar as coisas que uma casa decente tem que ter.
O máximo de organização doméstica que eu conhecia era arrumar a mesa para o almoço de domingo.
Estamos indo bem e temos a impressão de que vai ficar melhor ainda.
Só espero que não sigamos as tradições familiares de ambos e acabemos sucumbindo às lembrancinhas das viagens. Por que de tranqueira naquele apêzinho, já basta eu.
Me disseram que não daria para começar com a casa toda montada.
Tentaram me convencer de que todo mundo agia assim e que era besteira remar contra a maré.
Foram muito eficientes ao apresentar a idéia de que viver no cheque especial era normal e que não adiantava se estressar por conta disso.
Falaram um monte de coisas, mas se esqueceram de incluir a minha mineira na lavagem cerebral.
Como ela não sabia que não era possível, foi lá e fez. E muito bem feito por sinal.
Isso significa que vamos nos mudar com a casa toda montada e mobiliada e com os bolsos praticamente vazios. Sem grana mas sem dívidas e é isso que a gente queria.
Vamos voltar de viagem para organizar as coisas da casa e não para correr atrás delas.
Se não der vontade de fazer nada, vamos nos sentar no sofá e ver um DVD. O melhor disso é que teremos um sofá. E um DVD.
Teremos uma casa como manda o figurino e eu poderei conservar meus rins e meus outros órgãos para outra ocasião em que tenhamos que levantar uma grana.
Cada vez temos mais certeza de que vamos começar com o pé direito.
Até alguns centímetros quadrados para decoração nós teremos!
Como diria o SS: isto é incrível, principalmente se pensarmos que alguns meses atrás não sabíamos nem por onde começar a procurar.
Não sabíamos nem brincar de casinha, quanto mais organizar as coisas que uma casa decente tem que ter.
O máximo de organização doméstica que eu conhecia era arrumar a mesa para o almoço de domingo.
Estamos indo bem e temos a impressão de que vai ficar melhor ainda.
Só espero que não sigamos as tradições familiares de ambos e acabemos sucumbindo às lembrancinhas das viagens. Por que de tranqueira naquele apêzinho, já basta eu.
segunda-feira, junho 20, 2005
Contando nos dedos
Faltam cerca de 75 dias para o grande dia.
Dois meses e meio para revolucionar minha vida e virar de cabeça para baixo tudo aquilo que eu vi, fiz e conheci.
Provavelmente o tempo de gestação de sagüi equatorial até que eu vire um novo e feliz encoleirado.
Ou será que não?
Não gosto dessa visão restritiva, revolucionária e Shivatorial das coisas.
O neologismo aqui significaria a destruição e reconstrução da realidade por parte de Shiva, o deus purificador dos hindus.

Shiva, o destruidor
Pensando bem, não creio em nada tão definitivo.
Vai ser duro, eu sei, mas não vai ser a morte conviver 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, sabe Deus quantos anos, tudo com uma mesma pessoa.
Tenho certeza que teremos nossos arranca-rabos, nossas tensões, nossas brigas homéricas, mas tudo deve ter um caráter de compartilhamento, de parceria.
Não vai dar mais para dizer que vai para casa e deixar o outro plantado no bar ou na fila do cinema.
Se bem que nossa realidade de 600km de problemas nunca nos permitiu esse tipo de explosão, mas acho que deu para entender o sentido da frase.
A paciência terá que ser maior, a compreensão terá que existir, a concessão vai ter que dar as caras. Tudo em nome de um treco que estamos a fim de construir.
Não seremos mais dois namorados. À partir do começo de Setembro seremos um casal e teremos que encarar isso como se deve.
Ou então nem começamos. Se não vamos brincar direito, melhor nem começar.
Mas acho que estamos indo no caminho certo.
Gosto de contar nosso relacionamento em quilômetros, não em dias. Por que se balizarmos da forma tradicional, chegaremos à conclusão que não nos conhecemos e que é loucura casar.
Ao invés disso digo que já rodamos muitos milhares de quilômetros juntos e que isso não dá nem para a saída.
Ainda temos muito o que rodar e vamos fazer isso juntos.
E que venham Shiva, Kali, Ganesh e Vishnu. A gente mata no peito (nisso ela tem nítida vantagem sobre mim) e manda a bola para o mato.
Por casório é mais importante do que campeonato.

Vishnu, o mais fodão

Kali, fazendo o seu melhor

Ganesh, o mais popular
Faltam cerca de 75 dias para o grande dia.
Dois meses e meio para revolucionar minha vida e virar de cabeça para baixo tudo aquilo que eu vi, fiz e conheci.
Provavelmente o tempo de gestação de sagüi equatorial até que eu vire um novo e feliz encoleirado.
Ou será que não?
Não gosto dessa visão restritiva, revolucionária e Shivatorial das coisas.
O neologismo aqui significaria a destruição e reconstrução da realidade por parte de Shiva, o deus purificador dos hindus.

Shiva, o destruidor

Pensando bem, não creio em nada tão definitivo.
Vai ser duro, eu sei, mas não vai ser a morte conviver 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, sabe Deus quantos anos, tudo com uma mesma pessoa.
Tenho certeza que teremos nossos arranca-rabos, nossas tensões, nossas brigas homéricas, mas tudo deve ter um caráter de compartilhamento, de parceria.
Não vai dar mais para dizer que vai para casa e deixar o outro plantado no bar ou na fila do cinema.
Se bem que nossa realidade de 600km de problemas nunca nos permitiu esse tipo de explosão, mas acho que deu para entender o sentido da frase.
A paciência terá que ser maior, a compreensão terá que existir, a concessão vai ter que dar as caras. Tudo em nome de um treco que estamos a fim de construir.
Não seremos mais dois namorados. À partir do começo de Setembro seremos um casal e teremos que encarar isso como se deve.
Ou então nem começamos. Se não vamos brincar direito, melhor nem começar.
Mas acho que estamos indo no caminho certo.
Gosto de contar nosso relacionamento em quilômetros, não em dias. Por que se balizarmos da forma tradicional, chegaremos à conclusão que não nos conhecemos e que é loucura casar.
Ao invés disso digo que já rodamos muitos milhares de quilômetros juntos e que isso não dá nem para a saída.
Ainda temos muito o que rodar e vamos fazer isso juntos.
E que venham Shiva, Kali, Ganesh e Vishnu. A gente mata no peito (nisso ela tem nítida vantagem sobre mim) e manda a bola para o mato.
Por casório é mais importante do que campeonato.

Vishnu, o mais fodão


Kali, fazendo o seu melhor


Ganesh, o mais popular
sábado, junho 11, 2005
Début
Em alguns rituais humanos, a primeira vez tem um significado todo especial, uma magia que não se repete depois, uma expectativa que não encontra similar.
Foi assim na experiência do beijo, na descoberta do sexo e na primeira vez que quase me matei em uma batida de carro.
Foi assim também na primeira vez que fiz amor com a minha mineira dentro da nossa casa. Mesmo que ainda seja só o piso e as paredes, aquela será a nossa casa e hoje foi a nossa primeira vez.
Mesmo que eu não prime por uma imaginação privilegiada, até que a produção que fiz surtiu o efeito desejado. E como ela está a 600km de conseguir acompanhar minhas maquinações para datas especiais, ficou mais tranquilo preparar tudo com calma.
Aproveitei que hoje era véspera do Dia dos Namorados e que completávamos 3 anos e cinco meses juntos para fazer uma pequena supresa: correndo o risco de ser atropelado pela lista de presentes, comprei uma TV e um DVD para a nossa casa.
Comprei também um celular para que a gente possa conversar evitando o miserento do interurbano.
Antes de montar os apetrechos, levei minha mãe até lá e demos um tapa na sujeira mais pesada da sala e do banheiro. A cozinha ficou para uma próxima.
Depois ajeitei a TV, o DVD e o celular de um jeito que ela precisasse estar dentro da sala para ver toda a montagem. Levei também um colchão, duas garrafas de vinho (tinto) e duas taças. Os apetrechos para banho e higiene pessoal ficaram no outro quarto só para complementar os acertos.
A idéia era que ela visse o apê pronto (pós-pintura e colocação do piso) pela primeira vez e já encontrasse os presentes de namorado.
Depois de uma manhã cheia de compromissos pré-casório, fomos até o apê com o pretexto de visitá-lo. Até então ela apenas desconfiava do que eu havia preparado.
O resultado não poderia ter sido melhor. Aliás, poderia ter melhorado sim, se não estivéssemos novamente pressionados pelo tempo.
Mas como isso é inevitável a esta altura do campeonato, curtimos um monte e o sorriso não deixou o rosto da minha mineira até o momento em que a deixei na casa da tia.
Tudo funcionou bem, como espero que nossa vida seja.
A produção, apesar de simples, deu resultado. Ela gostou, eu gostei, fizemos amor e planos. E amor e planos é o que mais precisamos neste momento.
Por que do resto a gente corre atrás.
Em alguns rituais humanos, a primeira vez tem um significado todo especial, uma magia que não se repete depois, uma expectativa que não encontra similar.
Foi assim na experiência do beijo, na descoberta do sexo e na primeira vez que quase me matei em uma batida de carro.
Foi assim também na primeira vez que fiz amor com a minha mineira dentro da nossa casa. Mesmo que ainda seja só o piso e as paredes, aquela será a nossa casa e hoje foi a nossa primeira vez.
Mesmo que eu não prime por uma imaginação privilegiada, até que a produção que fiz surtiu o efeito desejado. E como ela está a 600km de conseguir acompanhar minhas maquinações para datas especiais, ficou mais tranquilo preparar tudo com calma.
Aproveitei que hoje era véspera do Dia dos Namorados e que completávamos 3 anos e cinco meses juntos para fazer uma pequena supresa: correndo o risco de ser atropelado pela lista de presentes, comprei uma TV e um DVD para a nossa casa.
Comprei também um celular para que a gente possa conversar evitando o miserento do interurbano.
Antes de montar os apetrechos, levei minha mãe até lá e demos um tapa na sujeira mais pesada da sala e do banheiro. A cozinha ficou para uma próxima.
Depois ajeitei a TV, o DVD e o celular de um jeito que ela precisasse estar dentro da sala para ver toda a montagem. Levei também um colchão, duas garrafas de vinho (tinto) e duas taças. Os apetrechos para banho e higiene pessoal ficaram no outro quarto só para complementar os acertos.
A idéia era que ela visse o apê pronto (pós-pintura e colocação do piso) pela primeira vez e já encontrasse os presentes de namorado.
Depois de uma manhã cheia de compromissos pré-casório, fomos até o apê com o pretexto de visitá-lo. Até então ela apenas desconfiava do que eu havia preparado.
O resultado não poderia ter sido melhor. Aliás, poderia ter melhorado sim, se não estivéssemos novamente pressionados pelo tempo.
Mas como isso é inevitável a esta altura do campeonato, curtimos um monte e o sorriso não deixou o rosto da minha mineira até o momento em que a deixei na casa da tia.
Tudo funcionou bem, como espero que nossa vida seja.
A produção, apesar de simples, deu resultado. Ela gostou, eu gostei, fizemos amor e planos. E amor e planos é o que mais precisamos neste momento.
Por que do resto a gente corre atrás.
sábado, junho 04, 2005
A geladeira
Sempre quis começar uma estória da maneira clássica, portanto lá vai...
Era uma vez uma geladeira.
Uma geladeira classuda, de estirpe e de boa formação.
E era uma vez um apartamento. Pequeno, proletário, mas valente.
Sem muita contribuição do acaso, um dia as vidas deles se cruzaram e o resultado quase acabou em tragédia: ela era grande demais e achava que ele não daria conta.
Tiros foram disparados, dentes foram cuspidos e noites de amor foram prejudicadas pelo simples fato dela ter chegado primeiro e do melindre que causaria a sua troca por duas de 220 (litros).
Felizmente, quando já não havia esperança, surgiu a salvadora da pátria, a fada-madrinha, a mais sábia de todas, a infalível trena e sua intervenção mágica que provou que eles eram compatíveis.
E tudo acabou bem. Com a geladeira, com o apartamento e com os pobres futuros moradores que quase se pegaram de tapa, em nome do amor por cada um dos seus protegidos.
E foram felizes para sempre.
Esta foi a forma que encontrei de atender ao pedido da Sylvia e falar um pouco da minha futura cozinha.
Espero que agora você fique mais feliz ao ler os posts, Sylvia.
Sempre quis começar uma estória da maneira clássica, portanto lá vai...
Era uma vez uma geladeira.
Uma geladeira classuda, de estirpe e de boa formação.
E era uma vez um apartamento. Pequeno, proletário, mas valente.
Sem muita contribuição do acaso, um dia as vidas deles se cruzaram e o resultado quase acabou em tragédia: ela era grande demais e achava que ele não daria conta.
Tiros foram disparados, dentes foram cuspidos e noites de amor foram prejudicadas pelo simples fato dela ter chegado primeiro e do melindre que causaria a sua troca por duas de 220 (litros).
Felizmente, quando já não havia esperança, surgiu a salvadora da pátria, a fada-madrinha, a mais sábia de todas, a infalível trena e sua intervenção mágica que provou que eles eram compatíveis.
E tudo acabou bem. Com a geladeira, com o apartamento e com os pobres futuros moradores que quase se pegaram de tapa, em nome do amor por cada um dos seus protegidos.
E foram felizes para sempre.
Esta foi a forma que encontrei de atender ao pedido da Sylvia e falar um pouco da minha futura cozinha.
Espero que agora você fique mais feliz ao ler os posts, Sylvia.
segunda-feira, maio 30, 2005
Corações grandes
Era uma casa comum na Vila Maria, lá nos confins da ZN.
É fácil falar em distâncias agora que moro perto de tudo, mas na época da faculdade, aquela casa era o destino de quase todos nós. Apenas algumas ovelhas desgarradas não gostavam de ficar por lá, mas isso tem a ver com gostos e personalidades e não vem ao caso neste momento.
A casa do pequeno Zé era nossa base, nosso ponto de lançamento, nossa origem.
E tinha mesmo que ser assim. Afinal de contas, dezenas de pessoas gravitavam em torno daquela travessa da Guilherme Cotching.
Analisando as coisas com calma, acho que foi o mais próximo que cheguei de ter uma família numerosa.
E que família era aquela!
Além dos quatro ou cinco futuros engenheiros, a casa do pequeno Zé contava com uma infinidade de irmãos, parentes e agregados, bem ao estilo fértil da terra de origem de alguns deles. Afinal de contas, na Bahia ter família pequena não tem graça.
Nossos encontros eram típicos de moleques de classe média que chegavam lá de ônibus e que almoçavam esfihas enquanto tentavam estudar para as intermináveis provas.
A menção à tentativa é obrigatória já que alguns de nós adoravam abandonar a mesa de estudos e brigar contra o Koppa no bendito Super Mario Bros 4. Nunca consegui ir muito longe naquele jogo e acho que foi por isso que consegui passar pela Engenharia sem nenhuma DP.

Super Mario Bros. 4
Na verdade, até os jogadores contumazes sobreviveram ao curso, não sem cicatrizes, é verdade, mas o importante foi terminar e se livrar daquilo.
Mas o ponto aqui não é falar dos desesperos, das colas, das esfihas e das intermináveis risadas que inevitavelmente surgiam em meio ao stress.
Quero falar do pequeno Zé e do seu grande coração.
Quero falar do pequeno Zé que serviu de cupido para o meu primeiro grande amor.
Que serviu de irmão quando a barra estava pesada.
Que serviu de professor quando não havia mais para onde ir.
Que errou quase tanto quanto eu em relacionamentos, até encontrar a porta certa e entrar com convicção.
Que assombrava a todos com os vôos na quadra de vôlei.
Que não me socou quando o chamei de Incrível Hulk no primeiro dia que o vi de lentes de contato verdes.
Que não anotava uma linha sequer durante as aulas, mas conseguia nos explicar detalhes da matéria que nem sabíamos que existiam.
Que nos emprestou a casa e os recursos para o medíocre TCC que deveria ter nos reprovado, mas milagrosamente não o fez.
Que sempre gostou de famílias grandes e vai ter que me inspirar na minha nova vida.
Esse é o pequeno Zé. Esse é o nosso Zé. Esse vai ser sempre o grande Zé.
Espero que suas intermináveis viagens te levem para o caminho da felicidade, já que não há como dizer que você merece menos do que isso.
E se houver algum tropeço, basta assoviar e todos nós estaremos lá para te ajudar a levantar. É o mínimo que podemos fazer para agradecer.
Era uma casa comum na Vila Maria, lá nos confins da ZN.
É fácil falar em distâncias agora que moro perto de tudo, mas na época da faculdade, aquela casa era o destino de quase todos nós. Apenas algumas ovelhas desgarradas não gostavam de ficar por lá, mas isso tem a ver com gostos e personalidades e não vem ao caso neste momento.
A casa do pequeno Zé era nossa base, nosso ponto de lançamento, nossa origem.
E tinha mesmo que ser assim. Afinal de contas, dezenas de pessoas gravitavam em torno daquela travessa da Guilherme Cotching.
Analisando as coisas com calma, acho que foi o mais próximo que cheguei de ter uma família numerosa.
E que família era aquela!
Além dos quatro ou cinco futuros engenheiros, a casa do pequeno Zé contava com uma infinidade de irmãos, parentes e agregados, bem ao estilo fértil da terra de origem de alguns deles. Afinal de contas, na Bahia ter família pequena não tem graça.
Nossos encontros eram típicos de moleques de classe média que chegavam lá de ônibus e que almoçavam esfihas enquanto tentavam estudar para as intermináveis provas.
A menção à tentativa é obrigatória já que alguns de nós adoravam abandonar a mesa de estudos e brigar contra o Koppa no bendito Super Mario Bros 4. Nunca consegui ir muito longe naquele jogo e acho que foi por isso que consegui passar pela Engenharia sem nenhuma DP.

Super Mario Bros. 4

Na verdade, até os jogadores contumazes sobreviveram ao curso, não sem cicatrizes, é verdade, mas o importante foi terminar e se livrar daquilo.
Mas o ponto aqui não é falar dos desesperos, das colas, das esfihas e das intermináveis risadas que inevitavelmente surgiam em meio ao stress.
Quero falar do pequeno Zé e do seu grande coração.
Quero falar do pequeno Zé que serviu de cupido para o meu primeiro grande amor.
Que serviu de irmão quando a barra estava pesada.
Que serviu de professor quando não havia mais para onde ir.
Que errou quase tanto quanto eu em relacionamentos, até encontrar a porta certa e entrar com convicção.
Que assombrava a todos com os vôos na quadra de vôlei.
Que não me socou quando o chamei de Incrível Hulk no primeiro dia que o vi de lentes de contato verdes.
Que não anotava uma linha sequer durante as aulas, mas conseguia nos explicar detalhes da matéria que nem sabíamos que existiam.
Que nos emprestou a casa e os recursos para o medíocre TCC que deveria ter nos reprovado, mas milagrosamente não o fez.
Que sempre gostou de famílias grandes e vai ter que me inspirar na minha nova vida.
Esse é o pequeno Zé. Esse é o nosso Zé. Esse vai ser sempre o grande Zé.
Espero que suas intermináveis viagens te levem para o caminho da felicidade, já que não há como dizer que você merece menos do que isso.
E se houver algum tropeço, basta assoviar e todos nós estaremos lá para te ajudar a levantar. É o mínimo que podemos fazer para agradecer.
segunda-feira, maio 23, 2005
Fluxo de caixa
Nova fase da vida de adulto!
Agora que tenho as chaves do castelo, passo a precisar adaptá-lo aos meus desejos e deixá-lo com a minha cara. Ou melhor, com a cara da minha mineira, já que quem manda é ela e quem paga sou eu. Uma verdadeira samambaia proletária, usando os termos que aprendi recentemente para definir a participação decorativa do noivo.
Posso entrar livremente no apê há umas 48 horas e tenho exercido meu direito plenamente.
Já levei o pintor e o "cara dos pisos" para saber o tamanho da facada que vou levar. Já levei uma escada que fez o meu "DIStruído" parecer um carro de bombeiros.
Já gastei os olhos da cara com tintas, torneiras e chuveiro, coisas que o antigo proprietário faz questão de levar com ele. Não sei se eu teria esse apego às coisas, mas ele está no seu direito. Que leve!
Se ele pudesse levar a cortina da sala, eu agradeceria.
Aos poucos o castelo vai ficando habitável.
Daqui a pouco chega o colchão, o armário e a cama. Depois temos que correr atrás das coisas da sala e finalmente aproveitar a casinha nova.
Sim, por que aquele lugar só vai se transformar em lar quando Setembro chegar.
Aí seremos só nós três: eu, a minha mineira e o castelo.
Pensando bem: salve-se quem puder!
Nova fase da vida de adulto!
Agora que tenho as chaves do castelo, passo a precisar adaptá-lo aos meus desejos e deixá-lo com a minha cara. Ou melhor, com a cara da minha mineira, já que quem manda é ela e quem paga sou eu. Uma verdadeira samambaia proletária, usando os termos que aprendi recentemente para definir a participação decorativa do noivo.
Posso entrar livremente no apê há umas 48 horas e tenho exercido meu direito plenamente.
Já levei o pintor e o "cara dos pisos" para saber o tamanho da facada que vou levar. Já levei uma escada que fez o meu "DIStruído" parecer um carro de bombeiros.
Já gastei os olhos da cara com tintas, torneiras e chuveiro, coisas que o antigo proprietário faz questão de levar com ele. Não sei se eu teria esse apego às coisas, mas ele está no seu direito. Que leve!
Se ele pudesse levar a cortina da sala, eu agradeceria.
Aos poucos o castelo vai ficando habitável.
Daqui a pouco chega o colchão, o armário e a cama. Depois temos que correr atrás das coisas da sala e finalmente aproveitar a casinha nova.
Sim, por que aquele lugar só vai se transformar em lar quando Setembro chegar.
Aí seremos só nós três: eu, a minha mineira e o castelo.
Pensando bem: salve-se quem puder!
terça-feira, maio 17, 2005
Famílias?!?! Bah!!!
Sempre tive uma teoria acerca de famílias e a balbúrdia que rola quando ela se encontra. É claro que essa teoria está baseada inteiramente no fato das comemorações marcantes na minha casa contarem com, no máximo, cinco pessoas e meia, mas isso não vem (muito) ao caso.
O fato é que sempre fiquei meio incomodado com a gritaria e com a interferência associada à presença constante da família.
Infelizmente para os meus costumes, o relacionamento com a minha mineira é realmente o pesadelo dos sociopatas: família grande, unida e barulhenta!
Sempre acabo com dor de cabeça quando passo o Natal com eles e apesar do esforço supremo para controlar meus instintos, não consigo evitar a vontade de arrancar as unhas de uns dois ou três com um alicate de ponta.
Recentemente rolou um incidente que jogou por terra todo o esforço de meditação que andei fazendo para me acostumar com a presença da família. Bastou um quase-parente me atravessar a frente para que tudo fosse para o ralo.
Mas o que eu poderia esperar de um (con)cunhado.
Nunca foi tão verdadeira a sabedoria popular que diz que se fosse bom não começaria com "cu".
E olha que ele ainda nem fez nada de tão ruim.
Na verdade foi o contrário. Foi o que ele não fez e ameaçou fazer que entornou o caldo
Mas ainda há esperança. Infelizmente não participarei do próximo movimento, mas estou fazendo um trabalho intenso para treinar a minha mineira e passar ao menos um pouco da minha experiência em lidar com conflitos: basta pisar na cabeça e está tudo pronto.
Na real, espero que ela não me dê ouvidos e que resolva tudo com diálogo.
Afinal de contas, uma festa de casamento passa logo, mas uma família fica.
Feliz ou infelizmente, família a gente não escolhe, lamenta!
E tudo por que ele quer definir o horário de término da festa!
Ah, se eu pego o miserento!
Sempre tive uma teoria acerca de famílias e a balbúrdia que rola quando ela se encontra. É claro que essa teoria está baseada inteiramente no fato das comemorações marcantes na minha casa contarem com, no máximo, cinco pessoas e meia, mas isso não vem (muito) ao caso.
O fato é que sempre fiquei meio incomodado com a gritaria e com a interferência associada à presença constante da família.
Infelizmente para os meus costumes, o relacionamento com a minha mineira é realmente o pesadelo dos sociopatas: família grande, unida e barulhenta!
Sempre acabo com dor de cabeça quando passo o Natal com eles e apesar do esforço supremo para controlar meus instintos, não consigo evitar a vontade de arrancar as unhas de uns dois ou três com um alicate de ponta.
Recentemente rolou um incidente que jogou por terra todo o esforço de meditação que andei fazendo para me acostumar com a presença da família. Bastou um quase-parente me atravessar a frente para que tudo fosse para o ralo.
Mas o que eu poderia esperar de um (con)cunhado.
Nunca foi tão verdadeira a sabedoria popular que diz que se fosse bom não começaria com "cu".
E olha que ele ainda nem fez nada de tão ruim.
Na verdade foi o contrário. Foi o que ele não fez e ameaçou fazer que entornou o caldo
Mas ainda há esperança. Infelizmente não participarei do próximo movimento, mas estou fazendo um trabalho intenso para treinar a minha mineira e passar ao menos um pouco da minha experiência em lidar com conflitos: basta pisar na cabeça e está tudo pronto.
Na real, espero que ela não me dê ouvidos e que resolva tudo com diálogo.
Afinal de contas, uma festa de casamento passa logo, mas uma família fica.
Feliz ou infelizmente, família a gente não escolhe, lamenta!
E tudo por que ele quer definir o horário de término da festa!
Ah, se eu pego o miserento!
sexta-feira, maio 06, 2005
Construindo
Minha primeira experiência com reformas de casas aconteceu logo depois da minha mãe comprar o apê onde moramos hoje.
Não participei diretamente das escolhas ou pesquisas, mas pude sujar os pés no pó pré-pintura e entupir os brônquios com o cheiro do cascolac recém passado.
Minha velha deve ter batido tanta perna para achar as melhores ofertas de materiais para a reforma, que só isso já deve ter garantido uma forma digna de um maratonista amador.
Digo isso por que agora que chegou a minha vez de comprar um apê, não cabe mais a ela a responsabilidade de tornar o lugar habitável. Na verdade, é um pouco mais do que isso. A idéia é fazer daquele apartamento um lar.
Putz, parecee que foi ontem que a minha única preocupação em casa era deixar o futebol a tempo de tomar uma ducha e esperar o rango sair. Era simples demais ser dependente e não opinar.
Agora que estou virando gente grande, não dá mais para fugir da raia.
Ainda bem que a minha suprema nerdice me ajudou e eu acabei comprando um lugar que dispensa grandes mudanças. Eu e a minha mineira só temos que acertas umas coisinhas e já começar a montar aquela que será a nossa casa.
Na verdade, assim como acontece com as decisões da cerimônia, também no apê as escolhas ficam mais por conta dela. Basicamente as escolhas, diga-se de passagem, já que a ralação pela busca de fornecedores ficou toda na minha mão.
Não tinha como ser diferente já que ela está a mais km de distância do que seria recomendável para agendar uma reunião ou uma troca de informações.
Por conta de tudo isso, comecei a entender a diferença entre carpete de madeira e piso laminado, entre compensado e aglomerado e entre grifes e trabalhos quase artesanais.
Tenho conversado com tantos marceneiros, que daqui a pouco vou eu mesmo comprar umas tábuas e sair montando as gavetas e prateleiras que a minha mineira quer.
Até ajuda profissional nós recebemos já que a minha cunhada andou fazendo alguns desenhos para guiar nossas escolhas. Alguns desses desenhos são fisicamente impossíveis de realizar, mas o que vale a intenção.
Na balada atual, não termino a semana que vem sem os nomes definitivos dos fornecedores e tenho boas chances de ver Agosto chegar já com o apê prontinho da silva.
Vai ser legal e assustador ao mesmo tempo, mas cara feia para mim sempre foi sinal de fome.
Venha!!!!!
Minha primeira experiência com reformas de casas aconteceu logo depois da minha mãe comprar o apê onde moramos hoje.
Não participei diretamente das escolhas ou pesquisas, mas pude sujar os pés no pó pré-pintura e entupir os brônquios com o cheiro do cascolac recém passado.
Minha velha deve ter batido tanta perna para achar as melhores ofertas de materiais para a reforma, que só isso já deve ter garantido uma forma digna de um maratonista amador.
Digo isso por que agora que chegou a minha vez de comprar um apê, não cabe mais a ela a responsabilidade de tornar o lugar habitável. Na verdade, é um pouco mais do que isso. A idéia é fazer daquele apartamento um lar.
Putz, parecee que foi ontem que a minha única preocupação em casa era deixar o futebol a tempo de tomar uma ducha e esperar o rango sair. Era simples demais ser dependente e não opinar.
Agora que estou virando gente grande, não dá mais para fugir da raia.
Ainda bem que a minha suprema nerdice me ajudou e eu acabei comprando um lugar que dispensa grandes mudanças. Eu e a minha mineira só temos que acertas umas coisinhas e já começar a montar aquela que será a nossa casa.
Na verdade, assim como acontece com as decisões da cerimônia, também no apê as escolhas ficam mais por conta dela. Basicamente as escolhas, diga-se de passagem, já que a ralação pela busca de fornecedores ficou toda na minha mão.
Não tinha como ser diferente já que ela está a mais km de distância do que seria recomendável para agendar uma reunião ou uma troca de informações.
Por conta de tudo isso, comecei a entender a diferença entre carpete de madeira e piso laminado, entre compensado e aglomerado e entre grifes e trabalhos quase artesanais.
Tenho conversado com tantos marceneiros, que daqui a pouco vou eu mesmo comprar umas tábuas e sair montando as gavetas e prateleiras que a minha mineira quer.
Até ajuda profissional nós recebemos já que a minha cunhada andou fazendo alguns desenhos para guiar nossas escolhas. Alguns desses desenhos são fisicamente impossíveis de realizar, mas o que vale a intenção.
Na balada atual, não termino a semana que vem sem os nomes definitivos dos fornecedores e tenho boas chances de ver Agosto chegar já com o apê prontinho da silva.
Vai ser legal e assustador ao mesmo tempo, mas cara feia para mim sempre foi sinal de fome.
Venha!!!!!
domingo, maio 01, 2005
Realidade
Nunca acreditei que estórias de amor como a do filme "Antes do amanhecer" fossem de verdade.
A minha racionalidade sempre me fez pensar que não seria possível que duas pessoas se encontrassem por acaso em algum lugar longe de casa, se apaixonassem e se deixassem partir sem ao menos um forma de contato ou acesso.
Isso sempre foi surreal para mim até que a Nêga me contou a sua estória.

Antes do amanhecer
Antes de partir para os fatos, vale falar um pouco sobre a contadora de estórias.
Nêga é o termo carinhoso que ela usa com uma amiga e que tomo emprestado agora para falar dessa moça linda de morrer, loira, pele muito clara, olhos verde-acinzentados e uma alegria contagiante em quase todos os momentos do dia. Não sei como ela é ao acordar, por isso me contento com os fatos que conheço.
Pois bem. Essa bela moça decidiu um dia se aventurar do outro lado do mundo e viver um tempo na Austrália. Além da cara e da coragem, ela levou alguns trocados e um companheiro de cama: um amigo fiel, companheiro e gay até os ossos. Nada mais seguro para uma moça em uma terra estranha.
Depois de algum tempo na terra dos cangurus, ela resolveu tirar uns meses de férias e conhecer a Índia. Ainda hoje não entendo esse sistema laboral australiano que permite que a pessoa passeie mais do que trabalhe, mas deixa pra lá.
Foi exatamente nessa viagem que ela viveu algo parecido com o que o Ethan Hawke e a Julie Delpy passaram em Viena.
Apesar da diferença de paisagens, a motivação era basicamente a mesma.
Como não me lembro direito dos nomes dos locais onde se passou a estória, peço licença para inventar um pouco e manter o foco nos fatos, não na minha forma de escrever.
A coisa toda começou em um ônibus de turismo escalado para um passeio logo no início de uma quente manhã indiana.
Como era de se esperar, o tipo físico dela chamava muito a atenção dos locais e era muito difícil se livrar do assédio de vendedores e guias.
Para ter um pouco de paz, ela entrou no ônibus e buscou refúgio ao lado de um mal humorado loiro cabeludo que mal disse oi durante o passeio.
No final do dia o tal cabeludo resolveu se redimir e pediu desculpas pelo bode matinal. Conversa engatada, ela descobriu que ele era dinamarquês e que estava, assim como ela, viajando por todo o país.
Como ela estava de viagem marcada para outro canto naquela mesma noite, a estória teria tudo para ter terminado aí mesmo, mas o destino resolveu mexer os pauzinhos e bagunçar a coisa novamente.
O improvável reencontro aconteceu no Taj Mahal.
Ela chegou cedo, pagou entrada e visitou todos os monumentos antes da chegada do povo que não tem grana para pagar ou não tem vontade de acordar cedo.
Já saindo do palácio, passando pelo meio da multidão, ela reconheceu a cabeleira loira e falou com ele. Era o mesmo dinamarquês, mas o humor estava sensivelmente diferente. Mais uma vez ela estava de partida naquela noite, por isso ela decidiu visitar novamente o palácio e continuar na companhia dele.
Certamente já rolava algo diferente, mas ainda não havia iniciativas de nenhum dos lados.

O Taj
No final do dia eles resolveram fazer a parte que lhes cabia e marcaram um encontro em Varanasi.
Como ela chegaria antes, a idéia era se hospedar e encontrá-lo em um lugar determinado.
Para dar um pouco mais de molho à estória, ele não apareceu. Não se dando por satisfeita, a Nêga descobriu o local onde se hospedavam os turistas e saiu perguntando se o cabeludo estava em um deles.
Depois de muito bater perna, ela descobriu o hotel e foi procurá-lo mas spo encontrou um quarto vazio. Nesse momento ela se lembrou do combinado e voltou ao local marcado para o encontro.
Gostaria de ter estado lá para ver o tamanho do sorriso que ela deve ter aberto ao ver o cabeludo lá parado esperando.
Esclarecida a situação, eles visitaram a cidade, se divertiram um monte e viveram uma micro-estória de amor nas terras de Gandhi.
Foi algo inesperado, surpreendente, mas muito legal para ambos. Por menos romântico que fosse assistir ao banhos populares no Ganges, eles se curtiram mais do que se poderia imaginar.
Tão legal que nas despedida rolaram promessas de lado a lado e, óbvio, trocas de e-mail e telefones. Por que de boba essa Nêga não tem nem a cara.

Banhos no Ganges
Infelizmente havia uma nova bagunçada de vidas prevista naquela estória de amor.
Havia um outro amor que havia sido deixado em stand by e que tinha data certa para voltar. Havia um passado impedindo a entrada do futuro. Havia o Japão no caminho da Dinamarca.
E foi esse legado que impediu um novo capítulo neste conto de amor. O cabeludo não pôde ir atrás da Nêga na Austrália, eles não se reencontraram e não rolou a parte "Antes do pôr do sol" deste episódio.
Digo isso por que vi esse filme no último feriado e satisfiz a curiosidade sobre o que rolaria se o casal se reencontrasse.
Infelizmente isso não aconteceu com a Nêga e o seu cabeludo, mas acho que valeu a pena ter ao menos tentado.
Hoje ela pode contar essa estória com um sorriso nos lábios e certamente com muito carinho pelo cara era intratável ao acordar mas que a encheu de felicidade durante alguns dias no calor da Índia.
E é isso que faz esta vida valer a pena.

Antes do pôr do sol
Nunca acreditei que estórias de amor como a do filme "Antes do amanhecer" fossem de verdade.
A minha racionalidade sempre me fez pensar que não seria possível que duas pessoas se encontrassem por acaso em algum lugar longe de casa, se apaixonassem e se deixassem partir sem ao menos um forma de contato ou acesso.
Isso sempre foi surreal para mim até que a Nêga me contou a sua estória.

Antes do amanhecer

Antes de partir para os fatos, vale falar um pouco sobre a contadora de estórias.
Nêga é o termo carinhoso que ela usa com uma amiga e que tomo emprestado agora para falar dessa moça linda de morrer, loira, pele muito clara, olhos verde-acinzentados e uma alegria contagiante em quase todos os momentos do dia. Não sei como ela é ao acordar, por isso me contento com os fatos que conheço.
Pois bem. Essa bela moça decidiu um dia se aventurar do outro lado do mundo e viver um tempo na Austrália. Além da cara e da coragem, ela levou alguns trocados e um companheiro de cama: um amigo fiel, companheiro e gay até os ossos. Nada mais seguro para uma moça em uma terra estranha.
Depois de algum tempo na terra dos cangurus, ela resolveu tirar uns meses de férias e conhecer a Índia. Ainda hoje não entendo esse sistema laboral australiano que permite que a pessoa passeie mais do que trabalhe, mas deixa pra lá.
Foi exatamente nessa viagem que ela viveu algo parecido com o que o Ethan Hawke e a Julie Delpy passaram em Viena.
Apesar da diferença de paisagens, a motivação era basicamente a mesma.
Como não me lembro direito dos nomes dos locais onde se passou a estória, peço licença para inventar um pouco e manter o foco nos fatos, não na minha forma de escrever.
A coisa toda começou em um ônibus de turismo escalado para um passeio logo no início de uma quente manhã indiana.
Como era de se esperar, o tipo físico dela chamava muito a atenção dos locais e era muito difícil se livrar do assédio de vendedores e guias.
Para ter um pouco de paz, ela entrou no ônibus e buscou refúgio ao lado de um mal humorado loiro cabeludo que mal disse oi durante o passeio.
No final do dia o tal cabeludo resolveu se redimir e pediu desculpas pelo bode matinal. Conversa engatada, ela descobriu que ele era dinamarquês e que estava, assim como ela, viajando por todo o país.
Como ela estava de viagem marcada para outro canto naquela mesma noite, a estória teria tudo para ter terminado aí mesmo, mas o destino resolveu mexer os pauzinhos e bagunçar a coisa novamente.
O improvável reencontro aconteceu no Taj Mahal.
Ela chegou cedo, pagou entrada e visitou todos os monumentos antes da chegada do povo que não tem grana para pagar ou não tem vontade de acordar cedo.
Já saindo do palácio, passando pelo meio da multidão, ela reconheceu a cabeleira loira e falou com ele. Era o mesmo dinamarquês, mas o humor estava sensivelmente diferente. Mais uma vez ela estava de partida naquela noite, por isso ela decidiu visitar novamente o palácio e continuar na companhia dele.
Certamente já rolava algo diferente, mas ainda não havia iniciativas de nenhum dos lados.

O Taj

No final do dia eles resolveram fazer a parte que lhes cabia e marcaram um encontro em Varanasi.
Como ela chegaria antes, a idéia era se hospedar e encontrá-lo em um lugar determinado.
Para dar um pouco mais de molho à estória, ele não apareceu. Não se dando por satisfeita, a Nêga descobriu o local onde se hospedavam os turistas e saiu perguntando se o cabeludo estava em um deles.
Depois de muito bater perna, ela descobriu o hotel e foi procurá-lo mas spo encontrou um quarto vazio. Nesse momento ela se lembrou do combinado e voltou ao local marcado para o encontro.
Gostaria de ter estado lá para ver o tamanho do sorriso que ela deve ter aberto ao ver o cabeludo lá parado esperando.
Esclarecida a situação, eles visitaram a cidade, se divertiram um monte e viveram uma micro-estória de amor nas terras de Gandhi.
Foi algo inesperado, surpreendente, mas muito legal para ambos. Por menos romântico que fosse assistir ao banhos populares no Ganges, eles se curtiram mais do que se poderia imaginar.
Tão legal que nas despedida rolaram promessas de lado a lado e, óbvio, trocas de e-mail e telefones. Por que de boba essa Nêga não tem nem a cara.

Banhos no Ganges

Infelizmente havia uma nova bagunçada de vidas prevista naquela estória de amor.
Havia um outro amor que havia sido deixado em stand by e que tinha data certa para voltar. Havia um passado impedindo a entrada do futuro. Havia o Japão no caminho da Dinamarca.
E foi esse legado que impediu um novo capítulo neste conto de amor. O cabeludo não pôde ir atrás da Nêga na Austrália, eles não se reencontraram e não rolou a parte "Antes do pôr do sol" deste episódio.
Digo isso por que vi esse filme no último feriado e satisfiz a curiosidade sobre o que rolaria se o casal se reencontrasse.
Infelizmente isso não aconteceu com a Nêga e o seu cabeludo, mas acho que valeu a pena ter ao menos tentado.
Hoje ela pode contar essa estória com um sorriso nos lábios e certamente com muito carinho pelo cara era intratável ao acordar mas que a encheu de felicidade durante alguns dias no calor da Índia.
E é isso que faz esta vida valer a pena.

Antes do pôr do sol
terça-feira, abril 19, 2005
Providências
Devido aos últimos acontecimentos, já tenho condições de reconhecer um papel importado e de dizer a quantidade de cola quente que aquele tipo de lacre vai precisar para a fixação no envelope.
De tanto pesquisar e analisar convites, posso dizer sem medo que virei um convitólogo amador.
Foi mais por necessidade do que por gosto, mas foi.
Tem sido assim com uma série de assuntos, de decoração de salão a músicas de igreja, de lembrancinhas a cardápios, tudo aquilo que envolve o evento de um matrimônio passou a fazer parte da minha rotina de vida. Mesmo que à revelia.
Até de geladeiras Bosch eu entendo agora!
Tive que virar um profundo conhecedor de medidas e capacidades para poder descobrir se a bendita geladeira (que já ganhamos e que já está em Udi) cabe no espaço reservado no apartamento que queríamos comprar.
Após um final de semana de stress, descobrimos que ela cabe e eliminamos o problema.
Ainda restam outras dúvidas para fechar a compra, mas isso é assunto para outro post.
Nunca pensei que desse tanto trabalho dizer sim na frente de um monte de gente e ficar oficialmente autorizado a dormir e a viajar com a minha mineira sem ter que inventar estórias.
Podia ser mais fácil.
Pensando bem, partindo do princípio que estou lidando com uma família tradicional mineira, não tinha como ser fácil.
Tinha que ser assim mesmo: bem tradicional, cheio de opiniões e com uma série de dolorosas adaptações e concessões.
É mais um processo de mudança interior do que exterior. Tenho que aprender a viver com isso já que depois do casório eu vou passar a ter duas famílias e duas fontes de opiniões e palpites.
Vai ser duro mas eu vou matar esse leão.
Afinal de contas, o mais difícil que era casar já está quase pronto. O resto é detalhe.
Como hoje é terça, tenho que me preparar para as reuniões com a cerimonialista, com a instrumentista e com a decoradora.
Afinal de contas, marido também serve para isso.
Devido aos últimos acontecimentos, já tenho condições de reconhecer um papel importado e de dizer a quantidade de cola quente que aquele tipo de lacre vai precisar para a fixação no envelope.
De tanto pesquisar e analisar convites, posso dizer sem medo que virei um convitólogo amador.
Foi mais por necessidade do que por gosto, mas foi.
Tem sido assim com uma série de assuntos, de decoração de salão a músicas de igreja, de lembrancinhas a cardápios, tudo aquilo que envolve o evento de um matrimônio passou a fazer parte da minha rotina de vida. Mesmo que à revelia.
Até de geladeiras Bosch eu entendo agora!
Tive que virar um profundo conhecedor de medidas e capacidades para poder descobrir se a bendita geladeira (que já ganhamos e que já está em Udi) cabe no espaço reservado no apartamento que queríamos comprar.
Após um final de semana de stress, descobrimos que ela cabe e eliminamos o problema.
Ainda restam outras dúvidas para fechar a compra, mas isso é assunto para outro post.
Nunca pensei que desse tanto trabalho dizer sim na frente de um monte de gente e ficar oficialmente autorizado a dormir e a viajar com a minha mineira sem ter que inventar estórias.
Podia ser mais fácil.
Pensando bem, partindo do princípio que estou lidando com uma família tradicional mineira, não tinha como ser fácil.
Tinha que ser assim mesmo: bem tradicional, cheio de opiniões e com uma série de dolorosas adaptações e concessões.
É mais um processo de mudança interior do que exterior. Tenho que aprender a viver com isso já que depois do casório eu vou passar a ter duas famílias e duas fontes de opiniões e palpites.
Vai ser duro mas eu vou matar esse leão.
Afinal de contas, o mais difícil que era casar já está quase pronto. O resto é detalhe.
Como hoje é terça, tenho que me preparar para as reuniões com a cerimonialista, com a instrumentista e com a decoradora.
Afinal de contas, marido também serve para isso.
segunda-feira, abril 11, 2005
Ozzy e Ronaldo
Parecia coisa encomendada.
Nem bem o avô da minha mineira descansou, lá tinha que vir o meu velho nos assustar com suas aventuras notúrnicas.
Na volta de uma viagem a Minas descobri que ele estava internado e com a cabeça rachada quase que ao meio.
Fiquei baratinado. Justo meu pai? O que deveria ser feito? Como lidar com ele?
Felizmente não precisei me estressar muito para responder nenhuma pergunta. Bastou deixar o processo fluir e aproveitar o perdão ligado ao meu recente batismo e pronto.
Ele voltou para casa poucos dias depois, mas a situação não ficou muito boa.
Sei lá por que, ele se mexia como no seriado The Osbournes: sonolento, claudicante e fraco. Era a fragilidade em pessoa, mas todos achavam que a coisa estava normal.
Até o dia em que ele não se levantava mais da cama. Aí minha mãe resolveu se mexer e levá-lo de volta ao hospital.
Eu estava meio longe e não pude ajudar, mas felizmente a coisa toda funcionou.
No hospital descobriram uma grande reversão no quadro e uma piora significativa nas funções motoras. Ele não precisou de drogas para ficar abobado, bastava viver com os efeitos do acidente.
Um furo na cabeça depois - alguns costumam chamar isso de cirurgia - e ele era outro homem. Com cara de Ronaldinho, com um parágrafo inteiro na cabeça mas lúcido e vivo.
Parece que ele não se lembra de nada que ocorreu do dia do acidente até a cirurgia.
Pessoalmente, acho que é melhor assim. Melhor que só a gente se lembre do perrengue e que isso valha como aviso.: para morrer basta cair de cabeça no chão.
E nada mais de Ozzy!
Parecia coisa encomendada.
Nem bem o avô da minha mineira descansou, lá tinha que vir o meu velho nos assustar com suas aventuras notúrnicas.
Na volta de uma viagem a Minas descobri que ele estava internado e com a cabeça rachada quase que ao meio.
Fiquei baratinado. Justo meu pai? O que deveria ser feito? Como lidar com ele?
Felizmente não precisei me estressar muito para responder nenhuma pergunta. Bastou deixar o processo fluir e aproveitar o perdão ligado ao meu recente batismo e pronto.
Ele voltou para casa poucos dias depois, mas a situação não ficou muito boa.
Sei lá por que, ele se mexia como no seriado The Osbournes: sonolento, claudicante e fraco. Era a fragilidade em pessoa, mas todos achavam que a coisa estava normal.
Até o dia em que ele não se levantava mais da cama. Aí minha mãe resolveu se mexer e levá-lo de volta ao hospital.
Eu estava meio longe e não pude ajudar, mas felizmente a coisa toda funcionou.
No hospital descobriram uma grande reversão no quadro e uma piora significativa nas funções motoras. Ele não precisou de drogas para ficar abobado, bastava viver com os efeitos do acidente.
Um furo na cabeça depois - alguns costumam chamar isso de cirurgia - e ele era outro homem. Com cara de Ronaldinho, com um parágrafo inteiro na cabeça mas lúcido e vivo.
Parece que ele não se lembra de nada que ocorreu do dia do acidente até a cirurgia.
Pessoalmente, acho que é melhor assim. Melhor que só a gente se lembre do perrengue e que isso valha como aviso.: para morrer basta cair de cabeça no chão.
E nada mais de Ozzy!
terça-feira, abril 05, 2005
Nem tudo é 100%
Acho que comecei a entender o que significa o matrimônio.
Me parece mais claro agora que nem tudo é paixão, rosas e carinho.
Está mais claro que também as tais "saúde e pobreza" tradicionalmente mencionadas pelo padre nos casamentos e que fazem a união realmente valer a pena.
Sim, por que viver na riqueza e no bem bom é fácil. Complicado é passar perrengue e segurar a barra de uma doença.
A recente cirurgia da minha mineira é uma prova cabal disso.
Nosso encontro quinzenal ficou resumido a reuniões com fornecedores do casório, conversas histéricas sobre a morte do avô e momentos de extrema preguiça no quarto e na sala de TV. Nada de sexo, de beijos ou de qualquer coisa tradicionalmente agradável.
Me senti casado e me lembrei do que o Zeca e o Professor disseram sobre obrigações inadiáveis como fazer café às cinco e meia da manhã e decidir sobre a educação dos filhos.
Mais interessante do que me sentir casado, foi não achar que a coisa estava ruim.
Pelo contrário. Me pareceu que tudo estava normal e que aquilo era algo a ser vivido.
Como se fosse uma ida ao cinema, sabe?
Era apenas mais uma parte do viver em companhia.
Acho que estou começando a me acostumar com a idéia de me casar e mudar de vida.
Acho que comecei a entender o que significa o matrimônio.
Me parece mais claro agora que nem tudo é paixão, rosas e carinho.
Está mais claro que também as tais "saúde e pobreza" tradicionalmente mencionadas pelo padre nos casamentos e que fazem a união realmente valer a pena.
Sim, por que viver na riqueza e no bem bom é fácil. Complicado é passar perrengue e segurar a barra de uma doença.
A recente cirurgia da minha mineira é uma prova cabal disso.
Nosso encontro quinzenal ficou resumido a reuniões com fornecedores do casório, conversas histéricas sobre a morte do avô e momentos de extrema preguiça no quarto e na sala de TV. Nada de sexo, de beijos ou de qualquer coisa tradicionalmente agradável.
Me senti casado e me lembrei do que o Zeca e o Professor disseram sobre obrigações inadiáveis como fazer café às cinco e meia da manhã e decidir sobre a educação dos filhos.
Mais interessante do que me sentir casado, foi não achar que a coisa estava ruim.
Pelo contrário. Me pareceu que tudo estava normal e que aquilo era algo a ser vivido.
Como se fosse uma ida ao cinema, sabe?
Era apenas mais uma parte do viver em companhia.
Acho que estou começando a me acostumar com a idéia de me casar e mudar de vida.
segunda-feira, março 28, 2005
Trocando de felicidade
Dizem que os escritores e os artistas em geral produzem melhor quando estão tristes.
Isso deve significar que existe uma relação muito estreita entre a infelicidade e a expressão do talento.
Como não sou nem escritor nem artista, não espero que este meu momento borocoxô renda alguma coisa de qualidade, mas como o blog é meu, não estou nem aí.
Na sexta à noite eu passei por uma situação engraçada e me peguei rindo das minhas próprias características.
No avião, na poltrona ao lado, uma menina lia "O sucesso é ser feliz" do Roberto Shinya-qualquer-coisa, um livro que me parece fazer parte da cartilha do jovem profissional ávido por desenvolver logo a sua carreira e, obviamente, por ganhar muito dinheiro no processo.

O Sucesso
Enquanto isso eu ria a cada página que vivia - por que era algo um pouco além de uma leitura - de "O clube dos corações solitários" do André Takeda.
Ela lendo dicas de como fazer sucesso e eu lembrando dos relacionamentos que tive que poderiam perfeitamente estar naquele livro.

O Clube
Eu até que tentei focar minhas leituras em coisas que me acrescentassem algo além de felicidade e momentos agradáveis, mas acabei cansando e deixando um pouco de lado as coisas de Maslow, Ziglar e Goleman.
Cansei de ler por obrigação e voltei para o prazer.
Talvez isso tenha a ver com a situação da minha carreira hoje. Talvez não, certamente uma coisa está ligada à outra. Hoje não tenho dúvidas de que o grande responsável por ganhar o menor salário entre meus colegas de faculdade sou eu mesmo.
Não adianta jogar a culpa em outra pessoa. As coisas aconteceram por que eu tomei as decisões que quis e não aquelas que poderiam ser mais certas.
Talvez hoje eu pudesse ser um executivo estressado, gordo e bem remunerado ao invés de um analista igualmente estressado, gordo e razoavelmente remunerado.
Mas talvez eu estivesse menos feliz por ter deixado de lado o que me dava prazer.
Talvez a minha coleção de CDs e revistas pudesse permitir a compra de um apartamento ou de um carro melhor, mas eu não teria sentido a satisfação do momento da compra e o sonho da leitura ou audição.
Foi uma coisa por outra. Se foi o sucesso pela felicidade eu não sei, mas que foi legal viver aqueles momentos, ah foi.
Ainda que não me arrependa de tudo o que comprei na minha vida, acho que não vou conseguir viver na adolescência para sempre. Ainda que o Takeda diga que a adolescência é para sempre, eu vou ter que crescer um dia e deixar de lado o que era importante para mim. Não que eu vá abandonar tudo de uma vez, mas um pouquinho eu vou ter que fazer. Só um pouquinho menos de CDs, revistas e lembranças.
Principalmente agora que minha vida vai mudar radicalmente, talvez seja a hora de chacoalhar tudo e só segurar o que vale mesmo a pena. Vou ter que abrir mão de algumas coisas para abrir espaço para outras, novas, mais adultas e igualmente boas.
Por que ser adolescente é uma delícia, mas dá muito trabalho.
Cedo ou tarde temos que virar gente grande e guardar o resto só na memória.
Mas os CDs sempre vão estar lá para quando a saudade bater.
E é assim que a gente vai vivendo.
Dizem que os escritores e os artistas em geral produzem melhor quando estão tristes.
Isso deve significar que existe uma relação muito estreita entre a infelicidade e a expressão do talento.
Como não sou nem escritor nem artista, não espero que este meu momento borocoxô renda alguma coisa de qualidade, mas como o blog é meu, não estou nem aí.
Na sexta à noite eu passei por uma situação engraçada e me peguei rindo das minhas próprias características.
No avião, na poltrona ao lado, uma menina lia "O sucesso é ser feliz" do Roberto Shinya-qualquer-coisa, um livro que me parece fazer parte da cartilha do jovem profissional ávido por desenvolver logo a sua carreira e, obviamente, por ganhar muito dinheiro no processo.

O Sucesso

Enquanto isso eu ria a cada página que vivia - por que era algo um pouco além de uma leitura - de "O clube dos corações solitários" do André Takeda.
Ela lendo dicas de como fazer sucesso e eu lembrando dos relacionamentos que tive que poderiam perfeitamente estar naquele livro.

O Clube

Eu até que tentei focar minhas leituras em coisas que me acrescentassem algo além de felicidade e momentos agradáveis, mas acabei cansando e deixando um pouco de lado as coisas de Maslow, Ziglar e Goleman.
Cansei de ler por obrigação e voltei para o prazer.
Talvez isso tenha a ver com a situação da minha carreira hoje. Talvez não, certamente uma coisa está ligada à outra. Hoje não tenho dúvidas de que o grande responsável por ganhar o menor salário entre meus colegas de faculdade sou eu mesmo.
Não adianta jogar a culpa em outra pessoa. As coisas aconteceram por que eu tomei as decisões que quis e não aquelas que poderiam ser mais certas.
Talvez hoje eu pudesse ser um executivo estressado, gordo e bem remunerado ao invés de um analista igualmente estressado, gordo e razoavelmente remunerado.
Mas talvez eu estivesse menos feliz por ter deixado de lado o que me dava prazer.
Talvez a minha coleção de CDs e revistas pudesse permitir a compra de um apartamento ou de um carro melhor, mas eu não teria sentido a satisfação do momento da compra e o sonho da leitura ou audição.
Foi uma coisa por outra. Se foi o sucesso pela felicidade eu não sei, mas que foi legal viver aqueles momentos, ah foi.
Ainda que não me arrependa de tudo o que comprei na minha vida, acho que não vou conseguir viver na adolescência para sempre. Ainda que o Takeda diga que a adolescência é para sempre, eu vou ter que crescer um dia e deixar de lado o que era importante para mim. Não que eu vá abandonar tudo de uma vez, mas um pouquinho eu vou ter que fazer. Só um pouquinho menos de CDs, revistas e lembranças.
Principalmente agora que minha vida vai mudar radicalmente, talvez seja a hora de chacoalhar tudo e só segurar o que vale mesmo a pena. Vou ter que abrir mão de algumas coisas para abrir espaço para outras, novas, mais adultas e igualmente boas.
Por que ser adolescente é uma delícia, mas dá muito trabalho.
Cedo ou tarde temos que virar gente grande e guardar o resto só na memória.
Mas os CDs sempre vão estar lá para quando a saudade bater.
E é assim que a gente vai vivendo.
quarta-feira, março 23, 2005
Pais
O avô da minha mineira se foi. Finalmente ele descansou e deixou para trás toda a loucura e desespero deste mundo incoerente.
A esta altura ele deve estar valseando com a esposa que o esperou bons 15 anos.
A espera deve ter valido a pena e a música deve demorar para parar.
Meu pai também quase se juntou aos antepassados.
Um acidente pouco explicado o mantém internado há quase uma semana. Um baque para quem chegou de viagem e não sabia de nada.
Hoje fui visitá-lo. Venci milhares de barreiras internas e fui até lá.
Cheguei, cumprimentei a minha mãe e o peguei no meio do corredor dizendo que não era preciso vir e coisa e tal.
Não era preciso mas eu fui. Fui e não dei nenhuma bronca.
Foi difícil mas eu consegui.
Apenas perguntei como ele estava e contei algumas novidades do batismo e do casório.
Pouco antes disso ele começou a falar e se emocionou. Talvez fosse de pena, de vergonha ou sei lá o que. O fato é que os olhos dele ficaram mareados.
Os meus foram no embalo, mas eu não disse nada. Como é de praxe, aliás.
Também de forma tradicional, minha mãe ficou ali no meio, só assistindo.
Foi complicado pensar em perdê-lo. Talvez por isso eu tenha ido vê-lo durante o expediente. Não era preciso para ele, mas era muito preciso para mim.
Termino aqui me despedindo do seu Caleb e rezando pelo meu velho.
Que ele volte logo e que a gente consiga falar. Pelo menos um de nós tem que conseguir.
O avô da minha mineira se foi. Finalmente ele descansou e deixou para trás toda a loucura e desespero deste mundo incoerente.
A esta altura ele deve estar valseando com a esposa que o esperou bons 15 anos.
A espera deve ter valido a pena e a música deve demorar para parar.
Meu pai também quase se juntou aos antepassados.
Um acidente pouco explicado o mantém internado há quase uma semana. Um baque para quem chegou de viagem e não sabia de nada.
Hoje fui visitá-lo. Venci milhares de barreiras internas e fui até lá.
Cheguei, cumprimentei a minha mãe e o peguei no meio do corredor dizendo que não era preciso vir e coisa e tal.
Não era preciso mas eu fui. Fui e não dei nenhuma bronca.
Foi difícil mas eu consegui.
Apenas perguntei como ele estava e contei algumas novidades do batismo e do casório.
Pouco antes disso ele começou a falar e se emocionou. Talvez fosse de pena, de vergonha ou sei lá o que. O fato é que os olhos dele ficaram mareados.
Os meus foram no embalo, mas eu não disse nada. Como é de praxe, aliás.
Também de forma tradicional, minha mãe ficou ali no meio, só assistindo.
Foi complicado pensar em perdê-lo. Talvez por isso eu tenha ido vê-lo durante o expediente. Não era preciso para ele, mas era muito preciso para mim.
Termino aqui me despedindo do seu Caleb e rezando pelo meu velho.
Que ele volte logo e que a gente consiga falar. Pelo menos um de nós tem que conseguir.
terça-feira, março 15, 2005
Insensível?
O avô da minha mineira está indo embora.
Depois de 90 e tantos anos de trabalho, torcida pelo São Paulo e dança, o velho Caleb está ajeitando as coisas para assumir seu lugar no céu.
Tem sido delicado lidar com ela neste período. De vez em quando dá vontade de mandar tudo à m..., mas aí eu imagino o que deve significar isso e assento o meu fogo.
Digo que imagino por que não tenho nenhum registro de morte nas minhas memórias recentes. Nada que me dê a menor pista do que uma pessoa pode sentir nessa hora. Nem um rascunho de emoção ligada à perda. Nada.
Obviamente isso não quer dizer que nunca ninguém morreu na minha família.
A própria morte do meu avô materno - el tata - aconteceu pouco tempo antes da migração para o Brasil. Ainda me lembro dele na cama brigando comigo. Estranhamente, não me lembro dele em pé.
Pensando bem, talvez não seja tão estranho já que eu tinha só cinco anos e a única coisa desenvolvida no meu corpo era a cabeça. O tamanho, não a inteligência, diga-se de passagem.
Meu tata morreu e eu parti. Uma coisa não deve ter disparado a outra mas foi assim que aconteceu. E aconteceu sem me deixar marcas. Eu só queria saber de rever meu pai e de dar vexame na imigração de Viracopos. Só fui me lembrar de preguntar do tata depois de alguns meses. Mas nem assim eu entendi o que era a morte. Não consegui entender o que causava tanto choro. Não fazia sentido.
Acho que senti alguma coisa quando a avó da Sandra foi embora.
Eu não gostava de visitá-la enquanto ainda estava viva, mas tive que segurar a onda quando ela morreu. Não voltei para casa, consolei a San, dormi fora de casa, carreguei coroa de flores, praticamente ajudei a enterrar o caixão, mas continuei sem sentir nada. As lágrimas não me tocavam. E eu me sentia mal por isso.
A morte de dois companheiros de vôlei também passou batido. Ambos se foram antes dos 18. Ambos tiveram acidentes. Em ambas situações eu mal me lembro deles.
Será que tem alguma coisa de errado comigo ou será que não nasci para lamentar mortes?
Será que nem quando minha mineira, meus velhos, minhas irmãs ou a Letis se for eu vou sofrer?
Quer dizer, nem sei se eu vou estar por aqui quando isso acontecer, mas vocês entenderam a idéia.
Não sei o que pensar. Só quero que quando Hela resolver visitar um dos meus, aqueles que sobrarem venham para o meu lado exatamente como fizemos quando o pai do Rogê perdeu a briga para o câncer. Estávamos todos lá, dando força e chorando a perda. Menos eu, claro, pelo menos no quesito lágrimas, mas isso era esperar demais, né?
O avô da minha mineira está indo embora.
Depois de 90 e tantos anos de trabalho, torcida pelo São Paulo e dança, o velho Caleb está ajeitando as coisas para assumir seu lugar no céu.
Tem sido delicado lidar com ela neste período. De vez em quando dá vontade de mandar tudo à m..., mas aí eu imagino o que deve significar isso e assento o meu fogo.
Digo que imagino por que não tenho nenhum registro de morte nas minhas memórias recentes. Nada que me dê a menor pista do que uma pessoa pode sentir nessa hora. Nem um rascunho de emoção ligada à perda. Nada.
Obviamente isso não quer dizer que nunca ninguém morreu na minha família.
A própria morte do meu avô materno - el tata - aconteceu pouco tempo antes da migração para o Brasil. Ainda me lembro dele na cama brigando comigo. Estranhamente, não me lembro dele em pé.
Pensando bem, talvez não seja tão estranho já que eu tinha só cinco anos e a única coisa desenvolvida no meu corpo era a cabeça. O tamanho, não a inteligência, diga-se de passagem.
Meu tata morreu e eu parti. Uma coisa não deve ter disparado a outra mas foi assim que aconteceu. E aconteceu sem me deixar marcas. Eu só queria saber de rever meu pai e de dar vexame na imigração de Viracopos. Só fui me lembrar de preguntar do tata depois de alguns meses. Mas nem assim eu entendi o que era a morte. Não consegui entender o que causava tanto choro. Não fazia sentido.
Acho que senti alguma coisa quando a avó da Sandra foi embora.
Eu não gostava de visitá-la enquanto ainda estava viva, mas tive que segurar a onda quando ela morreu. Não voltei para casa, consolei a San, dormi fora de casa, carreguei coroa de flores, praticamente ajudei a enterrar o caixão, mas continuei sem sentir nada. As lágrimas não me tocavam. E eu me sentia mal por isso.
A morte de dois companheiros de vôlei também passou batido. Ambos se foram antes dos 18. Ambos tiveram acidentes. Em ambas situações eu mal me lembro deles.
Será que tem alguma coisa de errado comigo ou será que não nasci para lamentar mortes?
Será que nem quando minha mineira, meus velhos, minhas irmãs ou a Letis se for eu vou sofrer?
Quer dizer, nem sei se eu vou estar por aqui quando isso acontecer, mas vocês entenderam a idéia.
Não sei o que pensar. Só quero que quando Hela resolver visitar um dos meus, aqueles que sobrarem venham para o meu lado exatamente como fizemos quando o pai do Rogê perdeu a briga para o câncer. Estávamos todos lá, dando força e chorando a perda. Menos eu, claro, pelo menos no quesito lágrimas, mas isso era esperar demais, né?
domingo, março 13, 2005
Para onde ir?
No ano em que completo cinco anos na mesma empresa - recorde absoluto para um cara que achava um crime ficar mais do que três - me deparo com algumas realidades esquisitas e até bizarras.
Isso tem a ver com o tipo de obrigações que somos obrigados a pagar por querer viver em sociedade. Sim, por que sempre existe escolha. Sempre existe a possibilidade de largar a escolha quadrada de faculdade/trabalho/economias/aposentadoria e partir para algo mais espiritualmente prazeroso. Mas esse não é o assunto da hora.
A idéia aqui é falar do preço a pagar por um emprego das 9 às 6.
Já falei aqui sobre a minha dificuldade patológica de amadurecer e sobre o preço que tive que pagar por isso. É exatamente por isso que entendo bem o que aconteceu com o cara que carinhosamente apelidei de Reco Reco.
Depois falo sobre a relação dele com os curiosos Bolão e Azeitona, o trio que nos trouxe uma série de dores de cabeça.
Pois bem, o Reco Reco foi demitido nesta semana. Demitido e escorraçado, diga-se de passagem, já que na empresa você não pode nem esvaziar as gavetas depois do bilhete azul.
A tal demissão veio por motivos aparentemente muito parecidos com os que me fizeram sair de uma empresa alemã onde era instrutor e adorava enganar os alunos: ele abusou de recursos da empresa e não teve maturidade para parar de fazer isso depois de ser avisado pelo Azeitona, seu novo chefe.
É interessante pensar que alguns desses abusos são praticamente parte da empresa. Todo mundo faz, todo mundo sabe e todo mundo continua vivendo.
Teria sido assim com ele se não houvesse uma certa arrogância (devidamente alertada por mim, mas tardiamente modificada), uma imaturidade gritante e uma inquietude irritante. Ele era bom, mas aquele jeito indolente incomodava demais e ofuscava os resultados. Resultado final: rua com uma filha pequena e uma esposa estudante.
Problemas à vista, mas com sorte isso dura pouco e ele se ajeita. Torço por isso.
Depois da notícia, fiquei pensando nos meus próprios pecados e no preço que nunca me foi cobrado por eles. Tenho sorte de ter escorregado poucas vezes e de não ter sido pego em nenhuma. Tenho sorte de ter parado. Tenho sorte de ter finalmente conseguido amadurecer um pouco.
Sei que não tenho coragem de buscar saídas radicais e de largar meu emprego para ser pescador em Floripa ou criados de ostras em Bombinhas. Não nasci para ter essa coragem. Ao invés disso, tenho que entende que o grande culpado da minha situação atual sou eu mesmo.
Tudo bem. Meu chefe tem algo a ver com isso, mas ele só faz aquilo que eu permito. Se eu forçar a barra e exigir minha parte do ouro (assim como fez o Professor) vou conseguir. Meu chefe não tem como me parar.
Quer dizer, tem, mas aí ele perde mais do que. Ou será que não?
Apesar de não ser afeito a soluções radicais, estou trabalhando nos bastidores para inventar algo diferente sem mudar muito de vida.
Se meu projeto der certo, não vou precisar mais me estressar com reuniões improdutivas e gente que não colabora com as soluções.
Mas tudo isso é uma perspectiva de médio prazo. Primeiro tenho que manter no emprego, trazer a minha mineira para esta selva, tirar férias e ver o que acontece na volta.
Depois vejo para onde chuto as pedras do caminho.
No ano em que completo cinco anos na mesma empresa - recorde absoluto para um cara que achava um crime ficar mais do que três - me deparo com algumas realidades esquisitas e até bizarras.
Isso tem a ver com o tipo de obrigações que somos obrigados a pagar por querer viver em sociedade. Sim, por que sempre existe escolha. Sempre existe a possibilidade de largar a escolha quadrada de faculdade/trabalho/economias/aposentadoria e partir para algo mais espiritualmente prazeroso. Mas esse não é o assunto da hora.
A idéia aqui é falar do preço a pagar por um emprego das 9 às 6.
Já falei aqui sobre a minha dificuldade patológica de amadurecer e sobre o preço que tive que pagar por isso. É exatamente por isso que entendo bem o que aconteceu com o cara que carinhosamente apelidei de Reco Reco.
Depois falo sobre a relação dele com os curiosos Bolão e Azeitona, o trio que nos trouxe uma série de dores de cabeça.
Pois bem, o Reco Reco foi demitido nesta semana. Demitido e escorraçado, diga-se de passagem, já que na empresa você não pode nem esvaziar as gavetas depois do bilhete azul.
A tal demissão veio por motivos aparentemente muito parecidos com os que me fizeram sair de uma empresa alemã onde era instrutor e adorava enganar os alunos: ele abusou de recursos da empresa e não teve maturidade para parar de fazer isso depois de ser avisado pelo Azeitona, seu novo chefe.
É interessante pensar que alguns desses abusos são praticamente parte da empresa. Todo mundo faz, todo mundo sabe e todo mundo continua vivendo.
Teria sido assim com ele se não houvesse uma certa arrogância (devidamente alertada por mim, mas tardiamente modificada), uma imaturidade gritante e uma inquietude irritante. Ele era bom, mas aquele jeito indolente incomodava demais e ofuscava os resultados. Resultado final: rua com uma filha pequena e uma esposa estudante.
Problemas à vista, mas com sorte isso dura pouco e ele se ajeita. Torço por isso.
Depois da notícia, fiquei pensando nos meus próprios pecados e no preço que nunca me foi cobrado por eles. Tenho sorte de ter escorregado poucas vezes e de não ter sido pego em nenhuma. Tenho sorte de ter parado. Tenho sorte de ter finalmente conseguido amadurecer um pouco.
Sei que não tenho coragem de buscar saídas radicais e de largar meu emprego para ser pescador em Floripa ou criados de ostras em Bombinhas. Não nasci para ter essa coragem. Ao invés disso, tenho que entende que o grande culpado da minha situação atual sou eu mesmo.
Tudo bem. Meu chefe tem algo a ver com isso, mas ele só faz aquilo que eu permito. Se eu forçar a barra e exigir minha parte do ouro (assim como fez o Professor) vou conseguir. Meu chefe não tem como me parar.
Quer dizer, tem, mas aí ele perde mais do que. Ou será que não?
Apesar de não ser afeito a soluções radicais, estou trabalhando nos bastidores para inventar algo diferente sem mudar muito de vida.
Se meu projeto der certo, não vou precisar mais me estressar com reuniões improdutivas e gente que não colabora com as soluções.
Mas tudo isso é uma perspectiva de médio prazo. Primeiro tenho que manter no emprego, trazer a minha mineira para esta selva, tirar férias e ver o que acontece na volta.
Depois vejo para onde chuto as pedras do caminho.
sexta-feira, março 04, 2005
Insatisfação patológica
Era impressionante como ele nunca ficava satisfeito com nada.
Não havia a menor possibilidade dele se sentir completo seus relacionamentos, seus amigos, sua barriga, sua conta. Nada. Simplesmente ele perdia momentos bons para ficar olhando para a grama do outro lado.
No trabalho essa insatisfação era mais leve. Demorava um tempo até que ele se enchesse o saco de tanta obrigações e apertasse o botão do ...oda-se.
Quando isso acontecia, até o faxineiro percebia as asneiras que ele fazia. Coisas como ver filmes pornôs em salas de treinamento, fazer corrida de obstáculos em corredores com câmeras, comer lanches destinados a clientes e coisas do gênero.
Ele parecia uma criança de tão irresponsável. Na verdade ele sempre foi definitivamente imaturo. Não havia discernimento para nada e demorava séculos até que ele percebesse o buraco onde havia se enfiado.
Por vezes essa percepção se manifestava na forma de uma demissão. Ou de broncas repetidamente suaves e ineficazes.
Foi assim que ele jogou fora praticamente três anos da carreira e em dois empregos diferentes. A única justificativa aparente era a busca de algo melhor, mas isso perdia totalmente o significado quando se comprovava que nada havia sido feito para crescer onde se estava. Ele apenas passava o tempo e vivia. Ah, e reclamava também.
A comédia de erros só parou quando um amigo falou a sua língua e bêbado disse que ele estava se desperdiçando. A chamada de um igual bateu forte e ele acordou para a vida.
Pelo menos a profissão havia entrado nos eixos.
A sua relação com o álcool foi igualmente escrota. De completo abstêmio para um mergulhador de poças de banheiro de boate foram necessárias apenas algumas semanas.
Novamente ele desligou o cérebro e abriu a boca. Novamente ele errou a mão. Novamente ele pagou o preço: duas batidas sérias, uma lesão grave e muita sorte por ainda caminhar neste mundo.
Tudo isso por que ele achava que era legal fazer parte do grupo dos que bebem. Tudo por que era chato fazer parte do grupo dos nerds, que ele começou a largar na escola. Tudo por que era vergonhoso ser praticamente virgem ainda fazendo faculdade.
Tudo por que ele não sabia nem queria pedir ajuda.
Por último, o mais complicado: as mulheres.
De completo nerd a viciado em sexo casual, ele correu milhares de riscos que fariam o pessoal do Gapa surtar bonito.
Na sua época de caça, ele abusava da hipocrisia de não se considerar colecionador. Era ridículo vê-lo administrar quatro mulheres ao mesmo tempo. Nem todas o amavam, mas algumas terminaram bastante judiadas e isso não ajudou nada os que vieram depois.
Apesar de ser verdadeiramente nocivo, ele não se considerava em canalha. Era apenas a loucura por experiências e a vontade de números. A intensidade era secundária, a satisfação era esquecida, a continuidade era desconsiderada. O que importava era a coleção.
E ele conseguiu se encher de troféus. A sua lista era digna de um atleta, até que apareceu alguém que bancou aquela atitude e se dispôs a amá-lo.
Não se sabe bem por que, mas ele se permitiu viver aquilo e abdicar do vício. As crises de abstinência foram assustadoras e quase sempre acabavam em fumaça, whisky e perfume barato. A proporção variava com a companhia, mas sempre havia a tríade.
Hoje em dia ele segue em recuperação, mas todo cuidado é pouco.
Sua insatisfação faz parte tão integrante da sua alma que é preciso muito cuidado com as sabotagens. Ele sempre foi louco por isso e definitivamente não é hora para voltar à infância. Ele precisou crescer e luta para manter o prêmio. Um prêmio que veio do acaso e que não quer deixá-lo. Nem ele quer isso.
Na verdade, ele quer o de sempre, ser feliz, mas talvez só agora ele tenha alguma idéia de como fazer isso. Só agora ele está deixando de olhar para o umbigo.
Parece que ele está virando mocinho e já já pode se casar.
Era impressionante como ele nunca ficava satisfeito com nada.
Não havia a menor possibilidade dele se sentir completo seus relacionamentos, seus amigos, sua barriga, sua conta. Nada. Simplesmente ele perdia momentos bons para ficar olhando para a grama do outro lado.
No trabalho essa insatisfação era mais leve. Demorava um tempo até que ele se enchesse o saco de tanta obrigações e apertasse o botão do ...oda-se.
Quando isso acontecia, até o faxineiro percebia as asneiras que ele fazia. Coisas como ver filmes pornôs em salas de treinamento, fazer corrida de obstáculos em corredores com câmeras, comer lanches destinados a clientes e coisas do gênero.
Ele parecia uma criança de tão irresponsável. Na verdade ele sempre foi definitivamente imaturo. Não havia discernimento para nada e demorava séculos até que ele percebesse o buraco onde havia se enfiado.
Por vezes essa percepção se manifestava na forma de uma demissão. Ou de broncas repetidamente suaves e ineficazes.
Foi assim que ele jogou fora praticamente três anos da carreira e em dois empregos diferentes. A única justificativa aparente era a busca de algo melhor, mas isso perdia totalmente o significado quando se comprovava que nada havia sido feito para crescer onde se estava. Ele apenas passava o tempo e vivia. Ah, e reclamava também.
A comédia de erros só parou quando um amigo falou a sua língua e bêbado disse que ele estava se desperdiçando. A chamada de um igual bateu forte e ele acordou para a vida.
Pelo menos a profissão havia entrado nos eixos.
A sua relação com o álcool foi igualmente escrota. De completo abstêmio para um mergulhador de poças de banheiro de boate foram necessárias apenas algumas semanas.
Novamente ele desligou o cérebro e abriu a boca. Novamente ele errou a mão. Novamente ele pagou o preço: duas batidas sérias, uma lesão grave e muita sorte por ainda caminhar neste mundo.
Tudo isso por que ele achava que era legal fazer parte do grupo dos que bebem. Tudo por que era chato fazer parte do grupo dos nerds, que ele começou a largar na escola. Tudo por que era vergonhoso ser praticamente virgem ainda fazendo faculdade.
Tudo por que ele não sabia nem queria pedir ajuda.
Por último, o mais complicado: as mulheres.
De completo nerd a viciado em sexo casual, ele correu milhares de riscos que fariam o pessoal do Gapa surtar bonito.
Na sua época de caça, ele abusava da hipocrisia de não se considerar colecionador. Era ridículo vê-lo administrar quatro mulheres ao mesmo tempo. Nem todas o amavam, mas algumas terminaram bastante judiadas e isso não ajudou nada os que vieram depois.
Apesar de ser verdadeiramente nocivo, ele não se considerava em canalha. Era apenas a loucura por experiências e a vontade de números. A intensidade era secundária, a satisfação era esquecida, a continuidade era desconsiderada. O que importava era a coleção.
E ele conseguiu se encher de troféus. A sua lista era digna de um atleta, até que apareceu alguém que bancou aquela atitude e se dispôs a amá-lo.
Não se sabe bem por que, mas ele se permitiu viver aquilo e abdicar do vício. As crises de abstinência foram assustadoras e quase sempre acabavam em fumaça, whisky e perfume barato. A proporção variava com a companhia, mas sempre havia a tríade.
Hoje em dia ele segue em recuperação, mas todo cuidado é pouco.
Sua insatisfação faz parte tão integrante da sua alma que é preciso muito cuidado com as sabotagens. Ele sempre foi louco por isso e definitivamente não é hora para voltar à infância. Ele precisou crescer e luta para manter o prêmio. Um prêmio que veio do acaso e que não quer deixá-lo. Nem ele quer isso.
Na verdade, ele quer o de sempre, ser feliz, mas talvez só agora ele tenha alguma idéia de como fazer isso. Só agora ele está deixando de olhar para o umbigo.
Parece que ele está virando mocinho e já já pode se casar.
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