segunda-feira, abril 11, 2005

Ozzy e Ronaldo

Parecia coisa encomendada.
Nem bem o avô da minha mineira descansou, lá tinha que vir o meu velho nos assustar com suas aventuras notúrnicas.
Na volta de uma viagem a Minas descobri que ele estava internado e com a cabeça rachada quase que ao meio.

Fiquei baratinado. Justo meu pai? O que deveria ser feito? Como lidar com ele?
Felizmente não precisei me estressar muito para responder nenhuma pergunta. Bastou deixar o processo fluir e aproveitar o perdão ligado ao meu recente batismo e pronto.

Ele voltou para casa poucos dias depois, mas a situação não ficou muito boa.
Sei lá por que, ele se mexia como no seriado The Osbournes: sonolento, claudicante e fraco. Era a fragilidade em pessoa, mas todos achavam que a coisa estava normal.
Até o dia em que ele não se levantava mais da cama. Aí minha mãe resolveu se mexer e levá-lo de volta ao hospital.
Eu estava meio longe e não pude ajudar, mas felizmente a coisa toda funcionou.
No hospital descobriram uma grande reversão no quadro e uma piora significativa nas funções motoras. Ele não precisou de drogas para ficar abobado, bastava viver com os efeitos do acidente.

Um furo na cabeça depois - alguns costumam chamar isso de cirurgia - e ele era outro homem. Com cara de Ronaldinho, com um parágrafo inteiro na cabeça mas lúcido e vivo.
Parece que ele não se lembra de nada que ocorreu do dia do acidente até a cirurgia.
Pessoalmente, acho que é melhor assim. Melhor que só a gente se lembre do perrengue e que isso valha como aviso.: para morrer basta cair de cabeça no chão.

E nada mais de Ozzy!

terça-feira, abril 05, 2005

Nem tudo é 100%

Acho que comecei a entender o que significa o matrimônio.
Me parece mais claro agora que nem tudo é paixão, rosas e carinho.
Está mais claro que também as tais "saúde e pobreza" tradicionalmente mencionadas pelo padre nos casamentos e que fazem a união realmente valer a pena.
Sim, por que viver na riqueza e no bem bom é fácil. Complicado é passar perrengue e segurar a barra de uma doença.

A recente cirurgia da minha mineira é uma prova cabal disso.
Nosso encontro quinzenal ficou resumido a reuniões com fornecedores do casório, conversas histéricas sobre a morte do avô e momentos de extrema preguiça no quarto e na sala de TV. Nada de sexo, de beijos ou de qualquer coisa tradicionalmente agradável.
Me senti casado e me lembrei do que o Zeca e o Professor disseram sobre obrigações inadiáveis como fazer café às cinco e meia da manhã e decidir sobre a educação dos filhos.
Mais interessante do que me sentir casado, foi não achar que a coisa estava ruim.
Pelo contrário. Me pareceu que tudo estava normal e que aquilo era algo a ser vivido.
Como se fosse uma ida ao cinema, sabe?
Era apenas mais uma parte do viver em companhia.

Acho que estou começando a me acostumar com a idéia de me casar e mudar de vida.

segunda-feira, março 28, 2005

Trocando de felicidade

Dizem que os escritores e os artistas em geral produzem melhor quando estão tristes.
Isso deve significar que existe uma relação muito estreita entre a infelicidade e a expressão do talento.
Como não sou nem escritor nem artista, não espero que este meu momento borocoxô renda alguma coisa de qualidade, mas como o blog é meu, não estou nem aí.

Na sexta à noite eu passei por uma situação engraçada e me peguei rindo das minhas próprias características.
No avião, na poltrona ao lado, uma menina lia "O sucesso é ser feliz" do Roberto Shinya-qualquer-coisa, um livro que me parece fazer parte da cartilha do jovem profissional ávido por desenvolver logo a sua carreira e, obviamente, por ganhar muito dinheiro no processo.


O Sucesso Posted by Hello

Enquanto isso eu ria a cada página que vivia - por que era algo um pouco além de uma leitura - de "O clube dos corações solitários" do André Takeda.
Ela lendo dicas de como fazer sucesso e eu lembrando dos relacionamentos que tive que poderiam perfeitamente estar naquele livro.


O Clube Posted by Hello

Eu até que tentei focar minhas leituras em coisas que me acrescentassem algo além de felicidade e momentos agradáveis, mas acabei cansando e deixando um pouco de lado as coisas de Maslow, Ziglar e Goleman.
Cansei de ler por obrigação e voltei para o prazer.

Talvez isso tenha a ver com a situação da minha carreira hoje. Talvez não, certamente uma coisa está ligada à outra. Hoje não tenho dúvidas de que o grande responsável por ganhar o menor salário entre meus colegas de faculdade sou eu mesmo.
Não adianta jogar a culpa em outra pessoa. As coisas aconteceram por que eu tomei as decisões que quis e não aquelas que poderiam ser mais certas.
Talvez hoje eu pudesse ser um executivo estressado, gordo e bem remunerado ao invés de um analista igualmente estressado, gordo e razoavelmente remunerado.
Mas talvez eu estivesse menos feliz por ter deixado de lado o que me dava prazer.
Talvez a minha coleção de CDs e revistas pudesse permitir a compra de um apartamento ou de um carro melhor, mas eu não teria sentido a satisfação do momento da compra e o sonho da leitura ou audição.
Foi uma coisa por outra. Se foi o sucesso pela felicidade eu não sei, mas que foi legal viver aqueles momentos, ah foi.

Ainda que não me arrependa de tudo o que comprei na minha vida, acho que não vou conseguir viver na adolescência para sempre. Ainda que o Takeda diga que a adolescência é para sempre, eu vou ter que crescer um dia e deixar de lado o que era importante para mim. Não que eu vá abandonar tudo de uma vez, mas um pouquinho eu vou ter que fazer. Só um pouquinho menos de CDs, revistas e lembranças.
Principalmente agora que minha vida vai mudar radicalmente, talvez seja a hora de chacoalhar tudo e só segurar o que vale mesmo a pena. Vou ter que abrir mão de algumas coisas para abrir espaço para outras, novas, mais adultas e igualmente boas.

Por que ser adolescente é uma delícia, mas dá muito trabalho.
Cedo ou tarde temos que virar gente grande e guardar o resto só na memória.
Mas os CDs sempre vão estar lá para quando a saudade bater.
E é assim que a gente vai vivendo.

quarta-feira, março 23, 2005

Pais

O avô da minha mineira se foi. Finalmente ele descansou e deixou para trás toda a loucura e desespero deste mundo incoerente.
A esta altura ele deve estar valseando com a esposa que o esperou bons 15 anos.
A espera deve ter valido a pena e a música deve demorar para parar.

Meu pai também quase se juntou aos antepassados.
Um acidente pouco explicado o mantém internado há quase uma semana. Um baque para quem chegou de viagem e não sabia de nada.
Hoje fui visitá-lo. Venci milhares de barreiras internas e fui até lá.
Cheguei, cumprimentei a minha mãe e o peguei no meio do corredor dizendo que não era preciso vir e coisa e tal.
Não era preciso mas eu fui. Fui e não dei nenhuma bronca.
Foi difícil mas eu consegui.
Apenas perguntei como ele estava e contei algumas novidades do batismo e do casório.
Pouco antes disso ele começou a falar e se emocionou. Talvez fosse de pena, de vergonha ou sei lá o que. O fato é que os olhos dele ficaram mareados.
Os meus foram no embalo, mas eu não disse nada. Como é de praxe, aliás.
Também de forma tradicional, minha mãe ficou ali no meio, só assistindo.
Foi complicado pensar em perdê-lo. Talvez por isso eu tenha ido vê-lo durante o expediente. Não era preciso para ele, mas era muito preciso para mim.

Termino aqui me despedindo do seu Caleb e rezando pelo meu velho.
Que ele volte logo e que a gente consiga falar. Pelo menos um de nós tem que conseguir.

terça-feira, março 15, 2005

Insensível?

O avô da minha mineira está indo embora.
Depois de 90 e tantos anos de trabalho, torcida pelo São Paulo e dança, o velho Caleb está ajeitando as coisas para assumir seu lugar no céu.
Tem sido delicado lidar com ela neste período. De vez em quando dá vontade de mandar tudo à m..., mas aí eu imagino o que deve significar isso e assento o meu fogo.
Digo que imagino por que não tenho nenhum registro de morte nas minhas memórias recentes. Nada que me dê a menor pista do que uma pessoa pode sentir nessa hora. Nem um rascunho de emoção ligada à perda. Nada.

Obviamente isso não quer dizer que nunca ninguém morreu na minha família.
A própria morte do meu avô materno - el tata - aconteceu pouco tempo antes da migração para o Brasil. Ainda me lembro dele na cama brigando comigo. Estranhamente, não me lembro dele em pé.
Pensando bem, talvez não seja tão estranho já que eu tinha só cinco anos e a única coisa desenvolvida no meu corpo era a cabeça. O tamanho, não a inteligência, diga-se de passagem.

Meu tata morreu e eu parti. Uma coisa não deve ter disparado a outra mas foi assim que aconteceu. E aconteceu sem me deixar marcas. Eu só queria saber de rever meu pai e de dar vexame na imigração de Viracopos. Só fui me lembrar de preguntar do tata depois de alguns meses. Mas nem assim eu entendi o que era a morte. Não consegui entender o que causava tanto choro. Não fazia sentido.

Acho que senti alguma coisa quando a avó da Sandra foi embora.
Eu não gostava de visitá-la enquanto ainda estava viva, mas tive que segurar a onda quando ela morreu. Não voltei para casa, consolei a San, dormi fora de casa, carreguei coroa de flores, praticamente ajudei a enterrar o caixão, mas continuei sem sentir nada. As lágrimas não me tocavam. E eu me sentia mal por isso.

A morte de dois companheiros de vôlei também passou batido. Ambos se foram antes dos 18. Ambos tiveram acidentes. Em ambas situações eu mal me lembro deles.

Será que tem alguma coisa de errado comigo ou será que não nasci para lamentar mortes?
Será que nem quando minha mineira, meus velhos, minhas irmãs ou a Letis se for eu vou sofrer?
Quer dizer, nem sei se eu vou estar por aqui quando isso acontecer, mas vocês entenderam a idéia.

Não sei o que pensar. Só quero que quando Hela resolver visitar um dos meus, aqueles que sobrarem venham para o meu lado exatamente como fizemos quando o pai do Rogê perdeu a briga para o câncer. Estávamos todos lá, dando força e chorando a perda. Menos eu, claro, pelo menos no quesito lágrimas, mas isso era esperar demais, né?

domingo, março 13, 2005

Para onde ir?

No ano em que completo cinco anos na mesma empresa - recorde absoluto para um cara que achava um crime ficar mais do que três - me deparo com algumas realidades esquisitas e até bizarras.
Isso tem a ver com o tipo de obrigações que somos obrigados a pagar por querer viver em sociedade. Sim, por que sempre existe escolha. Sempre existe a possibilidade de largar a escolha quadrada de faculdade/trabalho/economias/aposentadoria e partir para algo mais espiritualmente prazeroso. Mas esse não é o assunto da hora.
A idéia aqui é falar do preço a pagar por um emprego das 9 às 6.

Já falei aqui sobre a minha dificuldade patológica de amadurecer e sobre o preço que tive que pagar por isso. É exatamente por isso que entendo bem o que aconteceu com o cara que carinhosamente apelidei de Reco Reco.
Depois falo sobre a relação dele com os curiosos Bolão e Azeitona, o trio que nos trouxe uma série de dores de cabeça.
Pois bem, o Reco Reco foi demitido nesta semana. Demitido e escorraçado, diga-se de passagem, já que na empresa você não pode nem esvaziar as gavetas depois do bilhete azul.

A tal demissão veio por motivos aparentemente muito parecidos com os que me fizeram sair de uma empresa alemã onde era instrutor e adorava enganar os alunos: ele abusou de recursos da empresa e não teve maturidade para parar de fazer isso depois de ser avisado pelo Azeitona, seu novo chefe.
É interessante pensar que alguns desses abusos são praticamente parte da empresa. Todo mundo faz, todo mundo sabe e todo mundo continua vivendo.

Teria sido assim com ele se não houvesse uma certa arrogância (devidamente alertada por mim, mas tardiamente modificada), uma imaturidade gritante e uma inquietude irritante. Ele era bom, mas aquele jeito indolente incomodava demais e ofuscava os resultados. Resultado final: rua com uma filha pequena e uma esposa estudante.
Problemas à vista, mas com sorte isso dura pouco e ele se ajeita. Torço por isso.

Depois da notícia, fiquei pensando nos meus próprios pecados e no preço que nunca me foi cobrado por eles. Tenho sorte de ter escorregado poucas vezes e de não ter sido pego em nenhuma. Tenho sorte de ter parado. Tenho sorte de ter finalmente conseguido amadurecer um pouco.
Sei que não tenho coragem de buscar saídas radicais e de largar meu emprego para ser pescador em Floripa ou criados de ostras em Bombinhas. Não nasci para ter essa coragem. Ao invés disso, tenho que entende que o grande culpado da minha situação atual sou eu mesmo.
Tudo bem. Meu chefe tem algo a ver com isso, mas ele só faz aquilo que eu permito. Se eu forçar a barra e exigir minha parte do ouro (assim como fez o Professor) vou conseguir. Meu chefe não tem como me parar.
Quer dizer, tem, mas aí ele perde mais do que. Ou será que não?

Apesar de não ser afeito a soluções radicais, estou trabalhando nos bastidores para inventar algo diferente sem mudar muito de vida.
Se meu projeto der certo, não vou precisar mais me estressar com reuniões improdutivas e gente que não colabora com as soluções.
Mas tudo isso é uma perspectiva de médio prazo. Primeiro tenho que manter no emprego, trazer a minha mineira para esta selva, tirar férias e ver o que acontece na volta.
Depois vejo para onde chuto as pedras do caminho.

sexta-feira, março 04, 2005

Insatisfação patológica

Era impressionante como ele nunca ficava satisfeito com nada.
Não havia a menor possibilidade dele se sentir completo seus relacionamentos, seus amigos, sua barriga, sua conta. Nada. Simplesmente ele perdia momentos bons para ficar olhando para a grama do outro lado.

No trabalho essa insatisfação era mais leve. Demorava um tempo até que ele se enchesse o saco de tanta obrigações e apertasse o botão do ...oda-se.
Quando isso acontecia, até o faxineiro percebia as asneiras que ele fazia. Coisas como ver filmes pornôs em salas de treinamento, fazer corrida de obstáculos em corredores com câmeras, comer lanches destinados a clientes e coisas do gênero.
Ele parecia uma criança de tão irresponsável. Na verdade ele sempre foi definitivamente imaturo. Não havia discernimento para nada e demorava séculos até que ele percebesse o buraco onde havia se enfiado.
Por vezes essa percepção se manifestava na forma de uma demissão. Ou de broncas repetidamente suaves e ineficazes.
Foi assim que ele jogou fora praticamente três anos da carreira e em dois empregos diferentes. A única justificativa aparente era a busca de algo melhor, mas isso perdia totalmente o significado quando se comprovava que nada havia sido feito para crescer onde se estava. Ele apenas passava o tempo e vivia. Ah, e reclamava também.
A comédia de erros só parou quando um amigo falou a sua língua e bêbado disse que ele estava se desperdiçando. A chamada de um igual bateu forte e ele acordou para a vida.
Pelo menos a profissão havia entrado nos eixos.

A sua relação com o álcool foi igualmente escrota. De completo abstêmio para um mergulhador de poças de banheiro de boate foram necessárias apenas algumas semanas.
Novamente ele desligou o cérebro e abriu a boca. Novamente ele errou a mão. Novamente ele pagou o preço: duas batidas sérias, uma lesão grave e muita sorte por ainda caminhar neste mundo.
Tudo isso por que ele achava que era legal fazer parte do grupo dos que bebem. Tudo por que era chato fazer parte do grupo dos nerds, que ele começou a largar na escola. Tudo por que era vergonhoso ser praticamente virgem ainda fazendo faculdade.
Tudo por que ele não sabia nem queria pedir ajuda.

Por último, o mais complicado: as mulheres.
De completo nerd a viciado em sexo casual, ele correu milhares de riscos que fariam o pessoal do Gapa surtar bonito.
Na sua época de caça, ele abusava da hipocrisia de não se considerar colecionador. Era ridículo vê-lo administrar quatro mulheres ao mesmo tempo. Nem todas o amavam, mas algumas terminaram bastante judiadas e isso não ajudou nada os que vieram depois.
Apesar de ser verdadeiramente nocivo, ele não se considerava em canalha. Era apenas a loucura por experiências e a vontade de números. A intensidade era secundária, a satisfação era esquecida, a continuidade era desconsiderada. O que importava era a coleção.
E ele conseguiu se encher de troféus. A sua lista era digna de um atleta, até que apareceu alguém que bancou aquela atitude e se dispôs a amá-lo.
Não se sabe bem por que, mas ele se permitiu viver aquilo e abdicar do vício. As crises de abstinência foram assustadoras e quase sempre acabavam em fumaça, whisky e perfume barato. A proporção variava com a companhia, mas sempre havia a tríade.

Hoje em dia ele segue em recuperação, mas todo cuidado é pouco.
Sua insatisfação faz parte tão integrante da sua alma que é preciso muito cuidado com as sabotagens. Ele sempre foi louco por isso e definitivamente não é hora para voltar à infância. Ele precisou crescer e luta para manter o prêmio. Um prêmio que veio do acaso e que não quer deixá-lo. Nem ele quer isso.
Na verdade, ele quer o de sempre, ser feliz, mas talvez só agora ele tenha alguma idéia de como fazer isso. Só agora ele está deixando de olhar para o umbigo.
Parece que ele está virando mocinho e já já pode se casar.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Homem mesmo

Eu nunca tinha visto nada parecido.
O cara enfrentou centenas de pessoas de peito aberto e mandou o recado.
O fato de ser o orador oficial da turma, o presidente da comissão e de ter sido homenageado pelos próprios colegas alguns minutos antes, só aumentou o espanto de todos. Os holofotes já estavam todos nele, que brilhou e encantou.
E não teve nada a ver com os agradecimentos aos professores e todo aquele bla-bla-bla. Isso todo mundo está cansado de ver, até eu e minha mania de ser anti-social.
O que pegou foi quando ele citou três pessoas que seriam as grandes responsáveis por aquele sucesso alcançado. A menção dos pais pareceu natural, mas quando ele começou a dizer que precisava agradecer à pessoa que havia lhe ensinado a amar e com quem queria passar o resto da vida, a coisa desandou.
Parece piegas. Parece, não, é extremamente piegas, meloso e até ridículo.
Mas ali naquele momento, foi bonito, tocante e sincero.
Quando ele a chamou pelo nome, lhe deu um abraço e a beijou, entrou um cisco nos meus olhos - nos dois - e comecei a lacrimejar de uma forma incomum. Acho que o ar condicionado estava desregulado.
A minha mineira sofreu do mesmo mal e logo teve que tomar providências para não borrar a maquiagem.
Enquanto durou o abraço, eu tomei o cuidado de olhar para o resto da platéia e não encontrei ninguém que não estivesse olhando aquela cena e sorrindo.
Foi muito bonito, mágico até. Brega, mas mágico.

Como não sou muito afeito a demonstrações públicas de sentimentos, fiquei pensando em quantas eu deveria tomar para fazer algo parecido. E o cara fez tudo de cara limpa. Não havia nenhum aditivo, apenas o amor reforçado por uma briga a poucos dias da festa. O fato dela ter ameaçado não ir deve ter despertado isso no cara.
E ele tratou de mostrar para o que veio.

Que eles sejam felizes e que eu siga o exemplo e possa demonstrar, dentro dos meus limites, o que aquela mineira magrinha trouxe para a minha vida.

E vamos deixar de melação ou a Ginger, a Clarah e a Ailin vão acabar vomitando.
Sorry guys, it´s only love, but I like it!

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Foi bom para mim

Finalmente fiz a Clarah Averbuck.
Depois de muito tempo insistindo, ela cedeu e eu fui com tudo.
Foi bom demais. Ambos gozaram. Mais eu do que ela, é verdade, mas isso é sexo não matemática.
Não rolou de forma romântica. Nem era possível. O que fizemos foi sexo mesmo. Sexo molhado, gemido e gritado. Nada de sussurros. Isso é coisa de namorados e não temos como ser mais o avesso disso.
Gozei, ela também. Terminamos e nunca mais nos vimos. Pelo menos não em Londres.
Rolou de novo em Porto Alegre, no Rio e aqui mesmo, na cama do meu quarto. E o povo daqui nem desconfiou.
Como a Lady Averbuck é boa de cama! A melhor, eu diria. Nunca vi ninguém com tanta vontade da coisa. E nem estávamos bêbabos ou altos. Era tesão puro mesmo.

Antes que a minha mineira tenha um treco, é bom esclarecer que foram mais ou menos estas as sensações de ler "Máquina de pinball", livro da gaúcha Clarah Averbuck. Um apanhado de aventuras sexuais e passionais de uma jovem mulher, meio perdida entre paixões e contas para pagar.
Curti muito o livro, emprestado por uma amiga da minha irmã cineasta.
Gostei tanto que já que quero fazer a Clarah de novo.
"Vida de gato" que me aguarde!


Máquina de Pinball Posted by Hello

Para saber mais sobre a Lady Averbuck, basta clicar no link ao lado. E gozar também!

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

E agora?

Nunca pensei que meu Carnaval pudesse ser curtido com tantas visitas a fotógrafos, cinegrafistas, salões de festas e buffets.
Essa estória de casório me afastou das folias de Momo e da bandalheira do Axé. Se bem que eu nunca fui conhecido pela exibição do meu gingado, mas com obrigação é diferente. Tendo que cumprir horário para ver o trabalho dos caras faz a coisa apertar bastante. A cabeça fica a mil e o número de questões pipocam como nunca dentro da cachola.
Não sei se devia, mas não consigo evitar a dúvida que pinta de vez em quando.
Não que isso me desvie da decisão tomada, mas é duro ter que admitir que os amigos que passaram pela situação tinham mesmo razão: o cagaço bate forte e só vai parar depois do "sim" final!
Talvez nem assim, mas aí não tem mais jeito!

De tanto imaginar o que pode dar errado, acabei criando um antídoto vindo lá das profundezas da minha própria cabeça. Lá daquela região escura tirei a lembrança dos cinco fatores que fazem um relacionamento ideal.
Acho que escrevi sobre no meus primeiros posts, quando ainda pensava em fazer do Juntando Estórias um apanhado de conversas de bar.
Olhando pelo prisma dos cinco aspectos, a minha mineira é o que de melhor me aconteceu na vida. Ela me completa mais do que qualquer outra e me faz feliz como ninguém jamais fez.
Todos os meus projetos a incluem e não planejo mais viagens solitário.
Com tudo isso de bom, por que diabos sinto essa insegurança batendo de vez em quando.
Por que será que é tão seguro e ao mesmo tempo tão assustador pensar em dividir o resto da vida com uma pessoa?
Por que não enxergo minha vida sem ela, mas sinto tanta vontade de gritar?

Pensando bem, deve ser assim mesmo que esse tipo de coisa acontece.
Essas estórias de amor seguro, incondicional e sem brigas devem acontecer só mesmo nos contos de fadas. Mulher sem bafo e chulé, só mesmo a Cinderela e homem sem barriga e arrotos eventuais, só mesmo o James Bond.
Melhor viver uma estória real. Imperfeita, irregular e recompensadora.
E que se dane a insegurança! Que venham mais fotógrafos, banqueteiros e cerimonialistas! Por ela, qualquer sacrifício vale a pena!

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Agora danou-se

Agora não tem mais jeito. Com a marcação da data, a minha entrada definitiva na vida adulta vai ter que acontecer na marra
Não sei se devia, mas bateu um certo medo de dar esse tal passo. Não sei se já estou devidamente preparado para deixar meus brinquedos. Talvez nunca esteja.
Talvez essa seja mesmo a resposta: como nunca vou me sentir preparado, a idéia é fazer a coisa quando se tem convicção de que a pessoa vale a pena e de que a vida será melhor depois. Isso nunca foi problema para mim. Desde sempre eu soube que essa mineira era ideal para mim. Afinal de contas, nunca encontrei alguém que me acompanhasse na cerveja, no futebol, no sentimento, no sexo e nas viagens. Definitivamente ela é a "número 1" no equilíbrio dos tais cinco fatores e é com ela que eu quero ficar.
Se vamos envelhecer juntos como o Adam Sandler e a Drew Barrymore em "Afinado no amor" eu não sei, mas a intenção é essa.


Afinado no amor Posted by Hello

Tive mais uma prova de que as coisas devem mudar durante as minhas recentes férias.
Apesar de adorar a estrada como poucos, frequentemente senti que algo faltava. Eu olhava para o lado e via o banco vazio. Não é preciso ser gênio para ver que era ela que faltava. Mesmo que normalmente ela esteja ali dormindo, saber que ela está ali faz toda a diferença. Mesmo que o banco fique todo cheio de fiapos de algodão da meia, é mais legal quando ela está lá. Mesmo que o pedágio fique todo por minha conta, vale a pena.
Apesar da ausência, acabei curtindo muito as férias, revendo grandes amigos e respirando ares diferentes. Tanto que voltei relaxado como nunca. Dificilmente eu volto à empresa sem saber quais serão os pepinos, como aconteceu desta vez. Eu simplesmente cheguei sentei e só então me voltei para o trabalho. Acho que foi por isso que a coisa rendeu.

Não sei bem o que esperar da vida depois que rolar a mudança radical.
O único que vivo neste momento é o stress dos preparativos. Vai ter coisa assim lá em Udi. Algumas delas me parecem desnecessárias, mas como a idéia é fazer direito da primeira vez, acabo deixando rolar.
Vamos ver se contamos com a Comissão Técnica do Céu e com o carinho dos amigos para energizar o evento. Nunca tive dúvidas disso, assim como nunca duvidei que a minha vida mudaria no momento em que a beijei pela primeira vez.
Acho que foi naquela ocasião que disse pela primeira vez a frase que me acompanha até hoje: agora danou-se.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Férias again

Chegou a hora de sair de cena novamente e descansar a carcaça judiada pelos abusos do Reveillon.
No próximo sábado saio de Sampa e vou rumo ao interior do meu amado estado de Minas Gerais. Vou atrás de história, comida e sossego. Quero me preocupar apenas com o cardápio do almoço, com o número de fotos tiradas e com a quantidade de igrejas que vou conseguir visitar até ter um piti.

Na volta, tudo será registrado no Seguindo Gulliver, a minha comédia de erros particular.

Hasta luego, amigos.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Era melhor antes

O ano novo mal começou e já estou aqui reclamando de alguma coisa.
Pensando bem, não é um reclamação. Não adianta mesmo reclamar. É mais uma constatação: depois de passar o Reveillon com meus mais queridos amigos e suas respectivas, caí na real e vi que antes era mais legal.
Falo isso com conhecimento de causa, afinal de contas, mais de uma vez ouvi de amigos que eu fico muito mais legal quando estou sozinho.

Isso deve ter a ver com ciúme, com posse e com coisas do gênero.
Deve ser complicado ver alguém que chegou depois tomar conta do pedaço e se tornar o principal foco da atenção do amigo.
É preciso muita força para não sair minando a recém chegada e associá-la às pragas do Egito ou ao time do Corinthians. Pensando bem, peço desculpas às pragas.

O caso deste Reveillon foi basicamente com o Diretor Financeiro.
A sua escolhida possui personalidade forte demais para este hemisfério e infelizmente não há nada a fazer. Se ele a escolheu, azar dele, mas é azar nosso ter que aturar nariz empinado e discurso empostado de quem errou na profissão e parece achar que a culpa é dos outros. Tudo bem que não é sempre assim, mas ver as lágrimas que a tal moça causou na minha mineira me deixou bem puto da cara.
Foi complicado não mandá-la procurar minas terrestres na Tailândia pós-tsunami.

Mas tudo tem remédio. O desta situação podem ser as minhas férias e a consequente saída de circulação por alguns dias. Até a volta a coisa deve ter acalmado e eu não devo mais ligar para as críticas blasé aos programas de auditório vindas de uma pessoa que corre para não perder nenhum segundo da novela das oito.

Que era melhor antes, não há dúvida, mas não me resta outra coisa a fazer a não ser segurar meu instinto assassino e torcer para que eles sejam felizes.
E torcer também para que os meus amigos voltem a me achar divertido quando eu estiver acompanhado. Não há outro remédio para eles.

terça-feira, dezembro 21, 2004

Ficando adultos

Dois dos meus mais queridos amigos vão começar 2005 com uma enorme novidade nas suas vidas e nas suas rotinas: ambos vão dividir o teto (e o resto) com as namoradas.
É a confirmação do passar do tempo, do amadurecimento e da mudança das prioridades.
Ainda ontem encontrei com um deles. Aliás, com dois, já que também estava com outro grande amigo que tomou a dianteira e se casou há poucos meses.
Parece que foi ontem que nos encontramos durante a Copa da França, montamos a Diretoria e saímos colecionando bocas e experiências.

Passamos por muita coisa desde então.
Foram algumas namoradas, diversas idas a Floripa, alguns Reveillons memoráveis, mais porres do que eu posso contar, fantasias realizadas, noites mal dormidas e muita, mas muita gente legal que se agregou ao nosso grupo.
Algumas dessas pessoas constituíram grandes amores, outras grandes decepções e outras ainda estão na nossa vida de um jeito ou de outro.
De uma forma geral, deixamos uma boa impressão ao longo do tempo, apesar de eu ter consciência de a unanimidade neste caso é impossível. Sempre vai existir alguém magoado e se sentindo injustiçado.
Infelizmente assim é a vida e nós também podemos nos colocar nessa posição. Afinal de contas, amar é um risco que temos que correr.

A decisão desses meus dois grande amigos me marca de forma definitiva.
Justamente eu que dava a impressão de que seria o primeiro a juntar as escovas de dentes, acabei "sendo ultrapassado" e correndo o risco de ser o último a crescer.
Se não fosse meu amigo francês...

Fico feliz ao sentir que todos eles estão muito conscientes do que estão fazendo.
Existe amor, existe desejo e existe saudade.
Isso em lembra de algo marcante dito pelo Presidente há alguns anos: se ele sente saudade da menina é por que ela vale a pena.
Se é assim que eles se sentem, que a felicidade os acompanhe nessa nova vida.
Que o teto dividido permita apenas a entrada de coisas positivas, alegres e enriquecedoras.
Que Deus faça as escolhas certas para eles e que isso seja motivo de uma felicidade ainda maior.
Que venham os herdeiros e meus sobrinhos.

Pensando bem, já sinto saudades, mesmo antes de saber se meu destino será me afastar deles e deixar de vê-los com frequência.
Vai ser bom para todos nós, mas não dá para não sentir nostalgia da nossa história.
Acrescentando um pouco à máxima do Presidente, só amizades verdadeiras geram saudade.

Um brinde à Diretoria!
Que 2005 seja o ano em que nós finalmente crescemos!

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Retribuição

O Professor precisa de ajuda.
O cara que sempre me ajudou a reforçar esperanças e simplificar atitudes está vivendo uma indefinição com relação ao futuro e não esconde o sofrimento que isso causa.
Tem a ver com futuro, com família, com amor e com trabalho.
Mais ou menos como a minha situação atual. E como a de milhares de pessoas mundo afora.
A grande diferença é que neste caso talvez eu possa fazer alguma coisa.

Seguindo a nossa tradição de suporte e motivação, tentei fazê-lo entender que as coisas não estavam tão ruins e que o tombo levado na primeira iniciativa não era sinal de que tudo estava perdido.
Até entendo que ele não tenha se animado tanto. Acho que eu agiria da mesma forma. Mas como acho que ele também faria a mesma coisa, segui martelando a esperança no resultado positivo no final.
Não sei se ele comprou a minha idéia, mas a cara melhorou e (espero) o ânimo também.

É uma curiosa coincidência que ambos tenhamos objetivos de mudanças radicais no estilo de vida e que os resultados não estejam aparecendo como desejado.
Não adiantou muito planejar todos os passos que daríamos. A realidade não se importou muito com isso e nossa energia acabou sendo minada.
Mas assim como tenho certeza que nenhum de nós vai desistir, sei que vamos continuar sendo uma fonte inesgotável de incentivo e fortificação.
Mais ou menos como o que o Presidente fez hoje ao admitir que gostaria muito que eu seguisse sendo o seu fiel companheiro nas aventuras paulistas, mas que aceita sem problemas se Deus decidir que o resto da minha vida deve ser passado no cerrado mineiro.
Acho que é para isso que servem os amigos-irmãos.
Tenho sorte de ter um bom número deles.

O legal é que eles até imaginam o papel que terão no momento em que eu passar a jogar no time dos casados.

sábado, dezembro 11, 2004

Doador universal

Para interromper um pouco a sequência de assuntos sérios, queria tratar de um conceito divertido que vi recentemente enquanto assistia ao filme "Sexo, amor e traição".
Apesar de ser uma comédia rasa e despretensiosa, o filme acabou me divertindo e me fazendo rir abertamente em várias ocasiões. Isso sem falar que o filme é estrelado pela Malu Mader, o que por si só já o credencia como um dos clássicos da cinematografia mundial.


O filmePosted by Hello

Aliás, coube à própria Malu a incumbência de ensinar a todos o que seria um doador universal em termos sexuais. Segundo a mulher-vinho de sobrancelhas grossas e sotaque nojentamente delicioso, o tal doador universal seria um cara que se comporta com as mulheres da mesma forma que o sangue O positivo o faz com relação aos demais tipos: manda bem com todas.
Apesar de parecer um tanto quanto irreal, acho que até dá para acreditar em pessoas (homens e mulheres) que não necessitem de paixão, envolvimento ou romance para fazer do sexo uma experiência maravilhosa para todos os parceiros. É quase como usar uma fórmula infalível em um assunto onde todos sabemos não existir fórmula alguma.


A musaPosted by Hello

As palavras da personagem da Malu tinham endereço certo: o personagem do Fábio Assunção, um cara sem vínculos e guiado por uma racionalidade só visível quando não se veste nada. Em bom português, o tal personagem pensava com a cabeça de baixo e não sentia muita culpa enquanta transava com as mulheres dos amigos.
O plural aqui é proposital pois mais de uma mulher casada se rendeu aos seus encantos sexuais e saiu falando maravilhas da sua performance.

Tentei puxar da memória alguma coisa parecida no meu histórico de vida e só consegui algum traço de similaridade quando abri um pouco o leque e incluí os beijos.
Apesar de não causar tanto frissom quanto o lendário beijo do Léo Jaime, o meu já rendeu elogios de diferentes tipos de moças, da descasada à semi-virgem.
Acho que devo me sentir feliz por ter algo que pode ser considerado como universal para o universo feminino. Apesar de não ser o tal doador universal, acho que consegui deixar uma boa impressão e algumas bolas dentro ao longo da vida.
Sorte da minha mineira!

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Para a frente e para trás

Há algumas semanas atrás o Projeto Uberlândia deu os primeiros sinais efetivos de vida: fui chamado para uma entrevista em uma grande empresa da cidade.
Na verdade, eu fui chamado para conversar com a empresa que faz a seleção e a contratação de pessoas para essa grande empresa, mas para mim dava tudo na mesma. O fato é que eu tinha uma entrevista agendada.
Isso foi motivo de comemoração para a minha mineira e acho que ganhei algumas boas noites de carinho como prêmio pelo meu aparente sucesso.

Como eu já me julgava preparado para encarar as diferenças de mercado de trabalho entre Uberlândia e São Paulo, achei que seria uma simples questão de verificar minha adequação à vaga, discutir benefícios e assinar o contrato. Eu já esperava um salário menor e uma estrutura menos "generosa" do que a atual.
Pois é. Eu esperava mas não estava preparado para o que encontrei.

Antes de detalhar o que rolou, acho que vale a pena descrever a conversa que tive depois com o Professor.
Eu estava angustiado com as condições de trabalho e levei isso para nossas conversas de escovação de dentes. Eu nem estava pensando se a empresa tomaria a decisão de me contratar e já estava lamentando as minhas perdas com a mudança.
Para minha total surpresa, o Professo foi extremamente simples no comentário. Ele me perguntou o que era mais importante naquele ponto da minha vida, a carreira ou a minha mineira. Respondi o óbvio - a minha mineira - e caí na real sobre o que realmente estava envolvido naquela questão.
Percebi que alguns amigos meus jamais fariam aquele tipo de concessão, mas eu não era esses meus amigos.
Notei que toda a minha vida foi levada tendo como prioridade algo mais íntimo e recompensador do que o trabalho.
Aceitei que o dinheiro sempre havia sido um mal necessário na minha vida e que ter um pouco menos dele na mão todos os meses não seria o final do mundo.

Além de me aliviar o peso dos ombros, o Professor ainda me saiu com mais uma: eu não era obrigado a permanecer naquele emprego para sempre, mas o importante era colocar um pé em Uberlândia e conseguir o objetivo de estar mais perto da minha mineira.
Era brilhante de tão simples. E eu, com todo o meu conhecimento enciclopédico e analítico, jamais havia percebido isso.
A fórmula era simples: dar um passo atrás na carreira significaria dois passos a frente naquilo que realmente era importante para mim. E posteriormente a carreira poderia voltar a avançar e a acompanhar os outros aspectos da vida.

Pensando bem, acho que nem vou comentar os detalhes da proposta que recebi.
Isso fica meio sem peso depois de tudo que contei, ainda mais por que a empresa não me chamou por achar que eu não me encaixava no perfil.
Pelo menos agora eu acho que estou um pouco mais preparado para dar o tal passo atrás e não sofrer tanto com o processo. Vai ser duro ter muito menos din din no bolso para gastar, mas vai valer a pena.

Só fica uma pergunta que ainda não consegui responder: será que eu sacrificaria tanto a minha carreira a ponto de ir para Uberlândia sem emprego?

Quem sabe a resposta venha nos próximo capítulos?

domingo, novembro 21, 2004

Catarse

O Professor me disse recentemente que eu estou em catarse.
Antes que eu pudesse retribuir a ofensa, ele me explicou o significado do termo e acho que concordei com ele. Segundo essa explicação, a tal catarse seria um período meio estático, parado, sem opções, que precede uma grande decisão ou mudança na vida da pessoa.
Se esse é o significado, acho que se encaixa perfeitamente no que estou vivendo agora.
A indefinição do meu destino pessoal e profissional me deixa meio paralisado, meio baratinado.

Não saber se vou, se fico ou se isso vai prejudicar a relação com a minha mineira não me agrada nada. Temos tido discussões mais frequentes e eu tenho ficado sensivelmente mais incomodado.
Não sei se tudo se deve à indefinição, mas tenho certeza que essa danada atrapalha bastante.

Outra coisa que o Professor mencionou foram as emoções descontroladas.
Sempre fui explosivo por natureza, mas com a idade acabei conseguindo segurar esse monstro interior e ser uma pessoa um pouco mais agradável.
Infelizmente para a minha mineira, esse monstrinho tem mostrado a cara diversas vezes e ela tem sido a vítima mais frequente.

Sei que a situação não depende só de mim, mas entendo que a minha parte da brincadeira é continuar a buscar meu lugar ao sol e não matar ninguém no processo.
Tenho que ser algo que nunca consegui ser: paciente.
Tenho que buscar meu objetivo, mas aceitar o que Ele decidir para mim.
Tenho que cuidar bem da minha mineira para não me arrepender depois.
Tenho que tomar vergonha na cara e crescer.

Pensando bem em tudo isso, é fácil.
Difícil é arrumar outra pessoa que me complemente tanto quanto a minha mineira.
Cada vez mais percebo que meu pezinho doente encontrou o chinelinho velho que precisava. Sorte do pezinho.

Como não me resta outra alternativa, que venha essa tal catarse.
Vou aplicar algumas coisinhas que aprendi com um amigo professor de jiu jitsu.



quinta-feira, novembro 11, 2004

Dores de amores

Mas que cazzo está acontecendo com os homens deste planeta!?!?!?!?
Ultimamente tenho tido contato com uma série interminável de tristezas sentimentais vividas por amigas queridas. Em comum apenas um comportamento meio egoísta, desinteressado até por parte dos parceiros. Será que foi decretada alguma revolução e ninguém me contou?

Se não, por que diabos aquela pessoa pequena de tamanho e enorme de coração estaria sofrendo tanto por um cara que já declarou que ela está em quarto plano na vida dele?
Será que está certo dizer a alguém que se não existir nada no trabalho, na família e nos amigos, eles até podem pensar em ser ver?
Ou será que soa gentil dizer à namorada (por que é assim que eles se declaram) que não se tem certeza se existe vontade de passar o feriado inteiro com ela?
Se eles fossem ficantes, tudo bem, mas isso não me parece coisa de quem namora.
Na minha modesta opinião, o namoro envolve muito mais do que isso, envolve comprometimento, concessão e companheirismo.
Tudo bem que o cara acabou de sair de um relacionamento doído, mas se ele não está preparado para encarar outra pessoa de forma decente, que fique em casa ou que vá trabalhar. Encher o saco de quem quer amar é que não pode!
Se a pessoa quer seguir vivendo a vida como se nada estivesse acontecendo, para que namorar? Vai ficando e vê o que dá!
Infelizmente para essa minha pequena amiga, essa fase já passou e agora só fica a dor e a decisão de lutar ou fugir.

O caso da dançarina é um pouco pior: eles foram casados durante quatro anos e de repente ela se viu com um marido infiel e que declarava que a culpa de todos os problemas do mundo era dela.
Até hoje não entendo muito bem essa estória já que a conheço muito pouco, mas sei que as responsabilidades sobre o sucesso do relacionamento nunca são de uma só pessoa. Sempre depende de ambos, do esforço e concessões de ambos.
Só não consigo imaginar que raio de megera ela pode ter sido para merecer tanta tristeza e choradeira. Daqui a pouco a moça vai secar de tantas lágrimas derramadas.

A amiga de Curitiba, a quem carinhosamente chamo de Polaquinha, é o último caso recente. Felizmente ela é a que sofre de forma menos intensa já que seus últimos relacionamentos não permitem um envolvimento mais profundo e as feridas acabam sendo menos doloridas.
Mesmo assim, acho que ela mereceria uma outra chance de ser feliz, uma nova companhia que estivesse disposta a amar e a formar um casal. Parceiros de prazer não se encaixam nesse quesito, apesar de terem a sua cota de participação na vida de qualquer pessoa solteira e saudável.
Seria muito bom para o crescimento e afirmação dela que o próximo a se aproximar do seu sorriso tivesse algo mais a oferecer do que outro sorriso. Que venha o conteúdo!

Queria poder fazer algo mais por elas, queria poder estalar os dedos e mudar a situação, queria poder torná-las felizes com os caras que amam ou que desejam.
Infelizmente a vida não é tão fácil e não posso fazer muito mais além de passar horas ao telefone e contar piadas para arrancar sorrisos infantis.

Nessas horas me sinto tão pequeno...

sábado, outubro 30, 2004

Presente, passado e futuro

Até que para ter sido meu potencial último aniversário comemorado em Sampa, o barulho da última quinta foi bem divertido.
Por alguns instantes eu senti o tradicional medo do fracasso, mas depois que chegou o primeiro convidado tudo ficou melhor e eu pude cair na cerveja.
O curioso é que esse primeiro corajoso a chegar ao bar foi justamente um cara que conheci há muito pouco tempo, mas que fez questão de me prestigiar. Acho que alguma coisa eu ando fazendo certo quando me relaciono com as pessoas.

Correção: por alguma razão esotérico-celestial, eu não consegui me matar de beber e parei na terceira Erdinger. Foram duas loiras, uma mulata, uma coca (light lemon, meu mais recente vício) e um sanduíche no pão ciabatta. Nada mais. Nenhum outro aditivo químico, físico ou psicológico se misturou ao meu sangue naquela noite.

O boteco se revelou bastante agradável e mesmo com uma certa falta de espaço, as pessoas se acomodaram bastante bem e niguém teve muitas razões para reclamar.
É claro que surgiram contratempos (cervejas chocas, garçons demasiadamente blasé, convidados impacientes), mas tudo acabou muito bem.

Como era de se esperar, se formaram grupos de acordo com a origem das pessoas.
A faculdade estava lá representando o passado. Quase todo o círculo interno estava lá, com direito a esposas e filhas encomendadas. Tudo muito carinhoso e cúmplice.
Eles pareciam tão felizes quanto eu.

No presente estava a Diretoria e o pessoal da "firma".
Todos muito bem animados e colocando o papo em dia, afinal de contas, um dos Diretores (o de Relações Públicas) estava de volta de uma demorada lua-de-mel no Velho Continente. Havia muita coisa para contar e depois tenho que me atualizar.
Nos dois grupos foram sentidas ausências importantes: não havia Presidente, não havia Primeira Dama e não havia o Professor. Senti falta deles mas entendo que não foi por falta de vontade e carinho que eles não estavam lá. Quem sabe da próxima?

O futuro se mostrou apenas na voz. A minha mineira me ligou várias vezes e em todas mostrou aquilo que me motiva a deixar as coisas que eu amo e buscar uma vida nova.
Me senti muito próximo dela, quase como se ela estivesse ao alcance de um beijo.
Na verdade ela estava, mas acho que me fiz entender.

Senti muita falta também dos meus companheiros de sangue, dos velhos e da minha irmã cineasta. Também entendo os motivos de cada um, mas isso não diminui a falta que eles me fizeram e nem a que farão no futuro.

A ausência do pessoal da FCAV já era esperada. Mesmo depois de dois anos juntos, a gente nunca conseguiu uma intimidade que justificasse a participação nesses eventos.
Mesmo assim, teria sido legal vê-los por lá.

Resumindo um pouco a bagunça, entre ausências sentidas e conversas animadas, acho que foi uma boa comemoração. Se foi a última na minha cidade, serviu bem ao propósito. Fiquei feliz e fiz minha gente feliz. O resto não importa.