O tempo realmente passou para todos os membros e agregados da Diretoria.
Ainda ontem estávamos, eu e o Presidente, debatendo sobre as vantagens e desvantagens de termos envelhecido e feito nossas escolhas.
Nos lembramos com muita saudade dos nossos tempos de Floripa, das mulheres maravilhosas que cruzaram nosso caminho, dos hectolitros que fizemos desaparecer dentro dos nossos corpos, das viagens divertidíssimas e dos não menos divertidos micos pelos quais passamos durante o processo.
Notamos também que esses momentos de nostalgia são cada vez mais numerosos à medida em que nos tornamos cada vez mais obsoletos na balada.
Mas como nem tudo é decadência e preguiça, registramos também as vantagens e delícias de dividir o teto com pessoas especiais e escolhidas a dedo.
Partimos do acordar de manhã com uma espreguiçada propositadamente espaçosa e fomos até a invasão de boxe durante aquele banho demorado, que obviamente faz com o que o banho fique ainda mais demorado.
Não deixamos de falar sobre o desejo de um final de semana livre por ano, claro, mas em geral só destilamos as qualidades e maravilhas da vida a dois.
Infelizmente o Paraguaio não estava lá, mas acho que o representamos bem na brincadeira de imaginação que fizemos.
Mas como nem tudo é perfeito nem na mais sincera das amizades, acabamos não falando sobre as razões que levaram o Presidente a adiar a oficialização da união.
Deve ter algo a ver com conforto, excesso de trabalho e falta de energia para encarar os desafios e encheções típicos dessa fase da vida.
Como ele não tocou no assunto, eu também não quis cutucar a ferida e seguimos secando os chopes e rindo das coisas do passado.
O mais engraçado de todo este papo é que tenho uma boa idéia de qual seria a nossa resposta se alguém nos propusesse abandonar a vida conjugal e voltar à balada desenfreada.
Posso apostar que ambos agradeceriam a oportunidade e escolheriam manter o passado no passado e focar as energias em fazer do futuro uma época boa de se viver.
Vivo reclamando que não fiz o que poderia quando tive a oportunidade, mas acho que a vida é assim por alguma razão e não é certo tentar enganá-la. O que passou passou e quem ficou é por que merece.
E tem mais: sinto sono demais depois das 22:00hs para querer voltar à vida de boates, motéis e camisinhas.
Valha-me Deus!
sexta-feira, julho 14, 2006
sexta-feira, julho 07, 2006
Pequenos exemplos
Acabei de completar o álbum de figurinhas da Copa!Nada mais apropriado para estes tempos de patriotismo de chuteiras, não é mesmo?
O chato é que no processo de garimpar aqueles tesouros auto-colantes, acabei descobrindo também alguns traços de personalidade que eu preferia não ter encarado no relacionamento com algumas pessoas aqui no trabalho.
Não gostei por que me conheço e sei que vou retaliar a avareza e ambição que encontrei.
Por mais besta que seja a situação, concluí que é exatamente aí que a gente descobre a verdadeira personalidade de algumas pessoas. Temos que sair do ambiente de afetação e fingimento do trabalho para ver as coisas com mais clareza.
O exemplo mais clássico foi o capitalista que achava certo ganhar dinheiro com a vontade dos colegas de completar o álbum e que achava que as figurinhas dele eram difíceis e que as dos outros não, portanto era justificado uma troca "três por uma".
Com minha habitual indiferença proposital, respondi que com ele eu não trocaria nada e virei as costas.
Não demorou uma semana para que ele me procurasse e propusesse a tradicional troca "uma por uma". Nessa eu ganhei.
Outras pessoas, desacostumadas com gestos gratuitos de generosidade, se espantavam quando descobriam que eu não queria dinheiro pelas figurinhas que eu conseguia para elas.Eu precisaria ter a minha Canon em mãos para registrar as caras de surpresa quando eu dizia que queria apenas envelopes fechados de figurinhas para poder continuar ajudando as pessoas que ainda não haviam completado o álbum.
Me surpreendo por que essa minha atitude não deveria ter nada de mais. Isso deveria ser o padrão neste nosso mundo doido, mas infelizmente eu sei que não é assim que as coisas funcionam.
Pelo menos eu acredito que estou fazendo a minha parte nesta corrente do bem.
Não é como no filme, mas serve.
No final das contas, o resultado, ao menos para mim, é positivo: completei o álbum e melhorei a amizade com algumas pessoas que antes eu mal conhecia.
Não preciso de muito mais para me considerar feliz.
sexta-feira, junho 30, 2006
Terapia
Não me lembro bem quando começou, mas sempre que eu me sentia angustiado ou deprimido, a música me recebia de braços abertos e me acolhia com seu jeito terno de quem nunca tem problemas e sempre está feliz.
Se ela fosse um ser vivo, talvez não tivesse mesmo, mas não tenho essa sorte e sempre tenho que processar e segurar as barras que pintam na minha vida e na vida das pessoas que amo.
E quando a coisa extrapola meus limites, eu tenho a música.
Ontem foi um dia desses e quem substituiu Mozza no papel de aplacador de angústias foram os sulinos do Acústico MTV Bandas Gaúchas.
Era um DVD comprado há meses e que pedia emocionadamente para ser tocado.
Aproveitei o bode e mandei ver.
E foi bom para mim, foi muito bom para mim.
Esqueci um pouco os motivos da tristeza e sonhei um pouco.
Não quis colocar o ex-líder dos Smiths em Manchester por temer as lágrimas.
Já aconteceu de eu começar a me lembrar do passado e de ficar com mais saudade do que deveria.
E nada pior do que agir como um museu e achar que o passado é que era bom e que do futuro só se podem esperar tristezas.
Hoje já estou melhor e depois de uma conversa com meu chefe, senti um pouco mais de esperança na melhoria de um dos aspectos desta minha vida repleta de comédias.
O outro também está a caminho e depende de uma série de acertos com a minha mineira.
Mas as coisas vão melhorar e a música sempre estará lá para garantir isso.
Por que se não melhorarem, haja choradeira e DVDs dos Smiths!
Se ela fosse um ser vivo, talvez não tivesse mesmo, mas não tenho essa sorte e sempre tenho que processar e segurar as barras que pintam na minha vida e na vida das pessoas que amo.
E quando a coisa extrapola meus limites, eu tenho a música.
Ontem foi um dia desses e quem substituiu Mozza no papel de aplacador de angústias foram os sulinos do Acústico MTV Bandas Gaúchas.Era um DVD comprado há meses e que pedia emocionadamente para ser tocado.
Aproveitei o bode e mandei ver.
E foi bom para mim, foi muito bom para mim.
Esqueci um pouco os motivos da tristeza e sonhei um pouco.
Não quis colocar o ex-líder dos Smiths em Manchester por temer as lágrimas.Já aconteceu de eu começar a me lembrar do passado e de ficar com mais saudade do que deveria.
E nada pior do que agir como um museu e achar que o passado é que era bom e que do futuro só se podem esperar tristezas.
Hoje já estou melhor e depois de uma conversa com meu chefe, senti um pouco mais de esperança na melhoria de um dos aspectos desta minha vida repleta de comédias.
O outro também está a caminho e depende de uma série de acertos com a minha mineira.
Mas as coisas vão melhorar e a música sempre estará lá para garantir isso.
Por que se não melhorarem, haja choradeira e DVDs dos Smiths!
sexta-feira, junho 23, 2006
Datas
Este meu casamento é uma coisa realmente engraçada.
Minto. Na verdade o namoro já era engraçado e o casamento acabou alterando um pouquinho a rotina.
Que outra palavra além de engraçado pode descrever um relacionamento onde o homem se preocupa muito mais com datas comemorativas do que a mulher.
E não estou me referindo ao aniversário de um ano, dois meses, cinco dias e vinte e cinco minutos do primeiro beijo. Falo de aniversários de namoro e do dia em que a gente se conheceu.
Pode até parecer inacreditável, mas enquanto a gente não morava juntos, era muito mais fácil que eu solta-se um "parabéns" no meio do telefonema do que o contrário.
Naturalmente, ela devolvia um outro "parabéns", mas não era raro ela deixar escapar um "ah, é!" antes de sincronizar o calendário.
Não que isso seja uma falta grave, mas certamente é algo curioso no ambiente machista em que vivemos aqui nos trópicos.
Chega a ser ridículo o tradicionalismo que divide as tarefas entre o masculino e o feminino. Isso me parece tão antigo que não me privo de gargalhar quando alguém solta uma dessas na minha frente.
Na minha vida de casado e mesmo na de solteiro, esse tipo de divisão não tem lugar.
Acredito muito mais em iniciativa e capacidade do que em obrigatoriedade.
Mas voltando à memória para datas, depois de algum tempo a minha mineira passou a se antecipar e a lembrar das comemorações. A coisa ficou tão competitiva que eu fui forçado a apelar para uma cola: gravei as principais datas em uma medalhinha que não tiro nem para ensaiar a encomenda do herdeiro.
Nesta medalha estão gravadas a data de início do namoro, a data do noivado e a data do enforcamento final, costumeiramente conhecido como casamento.
Assim não corro risco de perder informações extremamente úteis para a minha integridade física.
Mas o fato de termos diferentes tempos para lembrar das celebrações, não há como negar que ambos gostamos muito de festejar e de lembrar dos primeiros tempos do nosso contato e dos rodeios para o primeiro beijo.
Mal dá para acreditar que a gente tenha feito tanto charme antes de se entregar.
Hoje a gente parece um só de tanto que seguimos no mesmo caminho. Apesar do aprendizado diário e do esforço constante, nos damos muito bem e não temos nenhuma dificuldade em determinar onde comemoraremos tudo o que conseguimos, de um aumento de salário a mais uma vitória do Tricolor.
E mais do que gostar de celebrar, ambos desenvolvemos um gosto especial por preparar surpresas e criar produções para surpreender o outro.
Tradicionalmente, eu acabo criando um número maior de situações, surpresas e produções, mas a minha mineira também é bastante feliz quando resolve agir na surdina e me deixar de boca aberta com ações mais do que surpreendentes.
A próxima surpresa está sendo armada para a semana que vem.
Mesmo sendo na segunda-feira, o Dia dos Namorados vai render uma troca de presentes secretos e um vinhozinho em casa, para embalar a confraternização íntima da sequência.
É bastante provável que o tradicional jantar aconteça no sábado, apesar do meu temor de que enfrentemos um crowd dos piores. Imagino que o mundo inteiro vá ter a mesma idéia, mas não vejo outra alternativa.
Pior seria sair na segunda ou mesmo na terça, depois do jogo do Brasil.
A única certeza que tenho é que desta vez não haverá esquecimentos e nem super-produções. Vão rolar algumas surpresas, claro, mas nada fora do comum.
O importante é a dedicação sincera e a vontade de fazer o outro feliz.
E para isso, não preciso de medalhinha para me lembrar.
Basta olhar para dentro e deixar a coisa acontecer.
Minto. Na verdade o namoro já era engraçado e o casamento acabou alterando um pouquinho a rotina.
Que outra palavra além de engraçado pode descrever um relacionamento onde o homem se preocupa muito mais com datas comemorativas do que a mulher.
E não estou me referindo ao aniversário de um ano, dois meses, cinco dias e vinte e cinco minutos do primeiro beijo. Falo de aniversários de namoro e do dia em que a gente se conheceu.
Pode até parecer inacreditável, mas enquanto a gente não morava juntos, era muito mais fácil que eu solta-se um "parabéns" no meio do telefonema do que o contrário.
Naturalmente, ela devolvia um outro "parabéns", mas não era raro ela deixar escapar um "ah, é!" antes de sincronizar o calendário.
Não que isso seja uma falta grave, mas certamente é algo curioso no ambiente machista em que vivemos aqui nos trópicos.
Chega a ser ridículo o tradicionalismo que divide as tarefas entre o masculino e o feminino. Isso me parece tão antigo que não me privo de gargalhar quando alguém solta uma dessas na minha frente.
Na minha vida de casado e mesmo na de solteiro, esse tipo de divisão não tem lugar.
Acredito muito mais em iniciativa e capacidade do que em obrigatoriedade.
Mas voltando à memória para datas, depois de algum tempo a minha mineira passou a se antecipar e a lembrar das comemorações. A coisa ficou tão competitiva que eu fui forçado a apelar para uma cola: gravei as principais datas em uma medalhinha que não tiro nem para ensaiar a encomenda do herdeiro.
Nesta medalha estão gravadas a data de início do namoro, a data do noivado e a data do enforcamento final, costumeiramente conhecido como casamento.
Assim não corro risco de perder informações extremamente úteis para a minha integridade física.
Mas o fato de termos diferentes tempos para lembrar das celebrações, não há como negar que ambos gostamos muito de festejar e de lembrar dos primeiros tempos do nosso contato e dos rodeios para o primeiro beijo.
Mal dá para acreditar que a gente tenha feito tanto charme antes de se entregar.
Hoje a gente parece um só de tanto que seguimos no mesmo caminho. Apesar do aprendizado diário e do esforço constante, nos damos muito bem e não temos nenhuma dificuldade em determinar onde comemoraremos tudo o que conseguimos, de um aumento de salário a mais uma vitória do Tricolor.
E mais do que gostar de celebrar, ambos desenvolvemos um gosto especial por preparar surpresas e criar produções para surpreender o outro.
Tradicionalmente, eu acabo criando um número maior de situações, surpresas e produções, mas a minha mineira também é bastante feliz quando resolve agir na surdina e me deixar de boca aberta com ações mais do que surpreendentes.
A próxima surpresa está sendo armada para a semana que vem.
Mesmo sendo na segunda-feira, o Dia dos Namorados vai render uma troca de presentes secretos e um vinhozinho em casa, para embalar a confraternização íntima da sequência.
É bastante provável que o tradicional jantar aconteça no sábado, apesar do meu temor de que enfrentemos um crowd dos piores. Imagino que o mundo inteiro vá ter a mesma idéia, mas não vejo outra alternativa.
Pior seria sair na segunda ou mesmo na terça, depois do jogo do Brasil.
A única certeza que tenho é que desta vez não haverá esquecimentos e nem super-produções. Vão rolar algumas surpresas, claro, mas nada fora do comum.
O importante é a dedicação sincera e a vontade de fazer o outro feliz.
E para isso, não preciso de medalhinha para me lembrar.
Basta olhar para dentro e deixar a coisa acontecer.
segunda-feira, junho 12, 2006
Bem vindo, babe
Um viva para o Brunão, que chegou a este mundo em grande estilo como só o tio dele havia feito antes: na madrugada de sábado para domingo e com 2,8kg de puro sex appeal.
Ele chegou pequenino, cansadinho e cabeludinho, igualzinho à mãe dele, mas como a genética não pode ser vencida, daqui a pouco ele começa a fazer o sucesso devido na ala feminina.
Afinal de contas, alguém da família precisa fazer algo bom no meio da mulherada.
A minha Lelê ganha um irmão para cuidar e eu ganho outra razão para visitar o Chile.
Se não bastassem a minha avó, a própria Lelê e o país em si, agora tenho um sobrinho com meu sobrenome.
E daqui a pouco vem mais um membro do outro lado da família.
O Johnny chega em algumas semanas e a minha mineira não vai caber em tanta felicidade.
À partir daí, mais feliz só quando ela mesma abraçar o herdeiro, mas isso é assunto para alguns anos no futuro.
Ele chegou pequenino, cansadinho e cabeludinho, igualzinho à mãe dele, mas como a genética não pode ser vencida, daqui a pouco ele começa a fazer o sucesso devido na ala feminina.
Afinal de contas, alguém da família precisa fazer algo bom no meio da mulherada.
A minha Lelê ganha um irmão para cuidar e eu ganho outra razão para visitar o Chile.
Se não bastassem a minha avó, a própria Lelê e o país em si, agora tenho um sobrinho com meu sobrenome.
E daqui a pouco vem mais um membro do outro lado da família.
O Johnny chega em algumas semanas e a minha mineira não vai caber em tanta felicidade.
À partir daí, mais feliz só quando ela mesma abraçar o herdeiro, mas isso é assunto para alguns anos no futuro.
sexta-feira, junho 02, 2006
Nascido para a coisa
Eu não gosto de crianças!
Digo isso de boca cheia por que não suporto a gritaria, a bagunça e a sujeira associadas a um moleque mal educado, mimado e egocêntrico, que foi habituado a ter tudo o que quer e a medir o valor das pessoas pela quantidade de bolinhas que o tênis de cada um possui.
Me sinto mal ao ver uma menina de dois anos se vestindo como a Madonna na fase vagabond chic e usando as mesmas gírias da novela das oito.
Tenho pitis quando um ranhento vem me pedir uma coisa e ao ouvir minha negativa, corre para pedir para o pai ou para outra pessoa.
Em um resumo mais do que executivo, não gosto de crianças!
Mas o grande problema e a grande sina da minha vida é que elas gostam de mim, aliás, gostam muito de mim.
Talvez por conta da minha cara de mau e do meu zelo patológico por limites.
Talvez pela minha aparente falta de preocupação quando eles rolam no chão enquanto choram por algo que eu não concordei em ceder.
Ou talvez ainda pelo fato de eu não falar "mamanhês" e usar palavras que eu usaria no trabalho ou na mesa de bar.
Por mais que eu deteste admitir, os pequenos gostam de mim, ao menos aqueles que ainda não são casos perdidos.
Isso me leva a pensar no que muitos dos meus amigos dizem sobre mim quando tocam no assunto paternidade. Segundo eles, eu tenho cara de pai e meu destino está traçado.
Invariavelmente eu rio e mando todos para aqueles lugares de onde não se volta mais, mas a gozação continua e pior, as razões para as brincadeiras se perpetuam.
Ou será que dá para entender um cara que diz não gostar de crianças e fica horas deitado no chão ao lado de um bebê de um ano, só trocando olhares e batendo uma garrafa vazia da Coca Cola no chão?
Pensando friamente, ainda discuto essa máxima de que tenho cara de criador de ranhentos, mas é impossível encontrar qualquer argumento que enfraqueça a idéia de que a minha mineira nasceu para ser mãe.
Ela diz que esse é um sonho dela desde sempre e só eu sei a quantidade de sonhos eternos que essa minha esposa tem. Aos poucos eles foram se realizando e algo me diz que esse não será exceção.
Por via das dúvidas, já comprei mais um livro do Parsons e vou me preparando de uma forma bem inglesa e intelectual para não ter mais noites inteiras de sono pelo menos até os 18 anos de idade do herdeiro.
Tenho que treinar para o caso de mudar de idéia e resolver focar na preservação do nome da família do meu pai.
Espero que esse negócio de ser pai não seja muito diferente do que eles fazem lá nas Ilhas.
Ai Jesus!
Digo isso de boca cheia por que não suporto a gritaria, a bagunça e a sujeira associadas a um moleque mal educado, mimado e egocêntrico, que foi habituado a ter tudo o que quer e a medir o valor das pessoas pela quantidade de bolinhas que o tênis de cada um possui.
Me sinto mal ao ver uma menina de dois anos se vestindo como a Madonna na fase vagabond chic e usando as mesmas gírias da novela das oito.
Tenho pitis quando um ranhento vem me pedir uma coisa e ao ouvir minha negativa, corre para pedir para o pai ou para outra pessoa.
Em um resumo mais do que executivo, não gosto de crianças!
Mas o grande problema e a grande sina da minha vida é que elas gostam de mim, aliás, gostam muito de mim.
Talvez por conta da minha cara de mau e do meu zelo patológico por limites.
Talvez pela minha aparente falta de preocupação quando eles rolam no chão enquanto choram por algo que eu não concordei em ceder.
Ou talvez ainda pelo fato de eu não falar "mamanhês" e usar palavras que eu usaria no trabalho ou na mesa de bar.
Por mais que eu deteste admitir, os pequenos gostam de mim, ao menos aqueles que ainda não são casos perdidos.
Isso me leva a pensar no que muitos dos meus amigos dizem sobre mim quando tocam no assunto paternidade. Segundo eles, eu tenho cara de pai e meu destino está traçado.
Invariavelmente eu rio e mando todos para aqueles lugares de onde não se volta mais, mas a gozação continua e pior, as razões para as brincadeiras se perpetuam.
Ou será que dá para entender um cara que diz não gostar de crianças e fica horas deitado no chão ao lado de um bebê de um ano, só trocando olhares e batendo uma garrafa vazia da Coca Cola no chão?
Pensando friamente, ainda discuto essa máxima de que tenho cara de criador de ranhentos, mas é impossível encontrar qualquer argumento que enfraqueça a idéia de que a minha mineira nasceu para ser mãe.
Ela diz que esse é um sonho dela desde sempre e só eu sei a quantidade de sonhos eternos que essa minha esposa tem. Aos poucos eles foram se realizando e algo me diz que esse não será exceção.
Por via das dúvidas, já comprei mais um livro do Parsons e vou me preparando de uma forma bem inglesa e intelectual para não ter mais noites inteiras de sono pelo menos até os 18 anos de idade do herdeiro.Tenho que treinar para o caso de mudar de idéia e resolver focar na preservação do nome da família do meu pai.
Espero que esse negócio de ser pai não seja muito diferente do que eles fazem lá nas Ilhas.
Ai Jesus!
domingo, maio 21, 2006
Aprendizado
Eu ainda estava no meio do meu Tony Parsons quando um colega de trabalho chegou meio de sopetão me trazendo um exemplar de O Monge e o Executivo.Eu já havia escutado muita coisa sobre o livro e até já o havia pedido emprestado para o Professor, mas nunca havia conseguido tê-lo em minhas mãos para ver o que o tal James Hunter tinha a dizer.
Não me lembro se fui eu ou ele quem citou o livro pela primeira vez, mas sei que eu estava ligando meu computador em uma sexta-feira fria e preguiçosa quando ele chegou, me entregou o livro e me perguntou se eu conseguiria lê-lo no final de semana.
Fiquei sem jeito de dizer que estava lendo outra coisa e que certamente não conseguiria me dedicar ao Monge na próxima semana, mas o cara foi tão generoso e sorridente que acabei aceitando o livro e pedindo um perdão silencioso ao Parsons.
Li o livro, pensei um pouco e concluí que o marketing é mesmo uma coisa abençoada. Somente isso explica o fato de um livro escrito sem nenhum brilho e que recicla um monte de coisas ditas muito tempo antes por outras pessoas, acaba sendo adotado como bíblia comportamental por um monte de gente.
Provavelmente isso já rendeu até teses e cases em pós-graduações e cursos de extensão.
Não me considero uma sumidade em termos de cultura ou ciência, mas já li coisa muito melhor e nem pagar eu paguei.
Isso me fez lembrar da experiência morna que tive com o Zig Ziglar e do certo arrependimento que sinto ao ter indiretamente sugerido que a minha mineira comprasse um livro dele. Mas isso já passou e não há muito o que fazer.
Só espero que ela aproveite alguma coisa da leitura.
Uma das poucas coisas que achei originais no livro diz respeito ao reconhecimento público e à repreensão privada. Experimentei a primeira parte disso há poucas semanas quando fui homenageado pela Diretoria da empresa por conta dos meus esforços em um projeto micado desde o berço.
Bem ou mal, eu consegui levantar um pouco o "abacaxi" e hoje conseguimos manter o nariz fora d´água, apesar dos pesares.
É difícil dizer o que senti quando meu nome foi mencionado e o chefe do meu chefe me chamou lá na frente.
Sempre gostei de me imaginar em situações heróicas, tipo salvamento da mocinha, mas fiquei visivelmente desconcertado na hora de emitir um simples agradecimento.
Me lembrei do chinesinho na frente do tanque na Praça da Paz Celestial, do povo batendo panelas em Buenos Aires e dos "parentes" tomando jatos d´água nas costas durante as confusões em Santiago.
Apesar da pieguice da cena, me senti meio herói, mesmo que se tratasse apenas de uma homenagem simbólica, sem maiores efeitos para a minha conta bancária e o meu cargo.
Isso me faz pensar em um determinado colega que já taxei de mau caráter pelo péssimo costume de ser o último a pagar a conta do almoço, só para aproveitar os centavos remanescentes de troco dos outros colegas.
Esse mesmo cara acha correto sonegar imposto de renda e recorrer de uma multa que ele mereceu levar, mas não é bem disso que eu quero falar.
Eu o considero um ladrão em espírito e isso só aumentou quando eu mencionei o prêmio e ele me perguntou quanto eu havia ganho nisso.
Não consigo me lembrar da reação dele, mas certamente os pensamentos devem ter passado por algo parecido com "prefiro a minha parte em dinheiro" ou coisa que o valha.
Obviamente não quero ser ingênuo a ponto de dizer que só trabalho pelo prazer.
Isso seria ótimo, mas só se encaixa na trajetória profissional da minha mineira e de outras pessoas que amam o que fazem.
Como eu apenas gosto, admito sem vergonha que trabalho também pelo dinheiro e que esse tipo de elogio e premiação atende apenas uma parte das minhas necessidades.
É preciso mais e é isso que eu vou ter.
O que me leva de volta ao Monge e às citações de Maslow e sua pirâmide de necessidades.Neste momento, minhas necessidades são de paz de espírito e de um regime.
Não preciso mais do que isso para viver bem e fazer a minha mineira feliz de novo.
Acho que estou meio em falta com ela nesse aspecto e tenho que abrir o olho.
Talvez uma das boas formas de fazer isso seja encarando mais um "guia" comportamental / financeiro.
Vamos ver o que o Senhor Cerbasi tem a me dizer e vamos ver o que disso eu posso passar para a minha mineira.
sábado, maio 13, 2006
Objetivos
Antes de me tornar um homem sério, leia-se, me casar, meus planos de futuro se resumiam a economizar para comprar ou trocar de carro e ter dinheiro suficiente para tomar chope com os amigos duas vezes por semana e visitar Floripa duas a três vezes por ano, de preferência não no Reveillon.
Eram planos simples para uma vida simples e eu não sentia necessidade de complicá-los em nenhum aspecto.
Aquilo era toda a minha vida e eu estava feliz.
Não dá para dizer se foi o casamento em si ou o fato de ter uma pessoa realmente dependendo do meu suporte, mas depois que começamos a correr atrás das coisas do casório, minhas perspectivas de vida passaram a ser muitos mais longas e elaboradas.
É certo que a impossibilidade de visitar Floripa ajudou muito, mas também preciso dar o braço a torcer e admitir que meus próprios interesses mudaram sensivelmente.
Eu já não queria mais depender apenas de mim para elaborar e concluir meus planos. A idéia agora era fazer tudo em conjunto e aproveitar o benefício a dois também.
Nessa linha de planejamento coletivo, traçamos alguns objetivos que batizamos de plano trianual. O nome original era plano trienal, mas acabamos descobrindo que isso remetia a algo que acontecia a cada três anos e não era esse o caso.
Cada uma das nossas metas deveria ser cumprida após um aniversário de casamento.
No primeiro ano, deviamos trocar o carro, no segundo, passar 30 dias na Europa e no terceiro, comprar um apartamento maior para preparar a chegada do Labrador.
Infelizmente as coisas não são como a gente espera que sejam, mesmo que a gente se esfore muito, e nosso primeiro objetivo já teve que ser mudado logo depois de ser estabelecido.
É certo que a gente foi otimista demais e não definiu nada que fôssemos conseguir sem nenhum esforço, mas a coisa não precisava se bagunçar tão cedo assim.
Agora estamos começando a falar dos próximos objetivos e parece que vamos mudar tudo novamente. É possível que pulemos direto para a terceira meta já que a minha mineira não pára de falar em reprodução, mamadeiras e afins.
Fico até assustado com tamanho entusiasmo, mas confio que ela não coloque o carro na frente dos bois e nos arrume um problema onde só deveria rolar alegria.
Cada coisa terá seu tempo, inclusive nossa comemoração sobre as conquistas.
Basta ter paciência e matar a vontade mimando os sobrinhos.
E basta também não achar que uma demora ou um fracasso são finais de linha.
Sempre dá para tentar de novo, buscar outra alternativa ou mudar o objetivo. Nada é tão definitivo assim. E nós vamos viver isso juntos.
Eram planos simples para uma vida simples e eu não sentia necessidade de complicá-los em nenhum aspecto.
Aquilo era toda a minha vida e eu estava feliz.
Não dá para dizer se foi o casamento em si ou o fato de ter uma pessoa realmente dependendo do meu suporte, mas depois que começamos a correr atrás das coisas do casório, minhas perspectivas de vida passaram a ser muitos mais longas e elaboradas.
É certo que a impossibilidade de visitar Floripa ajudou muito, mas também preciso dar o braço a torcer e admitir que meus próprios interesses mudaram sensivelmente.
Eu já não queria mais depender apenas de mim para elaborar e concluir meus planos. A idéia agora era fazer tudo em conjunto e aproveitar o benefício a dois também.
Nessa linha de planejamento coletivo, traçamos alguns objetivos que batizamos de plano trianual. O nome original era plano trienal, mas acabamos descobrindo que isso remetia a algo que acontecia a cada três anos e não era esse o caso.
Cada uma das nossas metas deveria ser cumprida após um aniversário de casamento.
No primeiro ano, deviamos trocar o carro, no segundo, passar 30 dias na Europa e no terceiro, comprar um apartamento maior para preparar a chegada do Labrador.
Infelizmente as coisas não são como a gente espera que sejam, mesmo que a gente se esfore muito, e nosso primeiro objetivo já teve que ser mudado logo depois de ser estabelecido.
É certo que a gente foi otimista demais e não definiu nada que fôssemos conseguir sem nenhum esforço, mas a coisa não precisava se bagunçar tão cedo assim.
Agora estamos começando a falar dos próximos objetivos e parece que vamos mudar tudo novamente. É possível que pulemos direto para a terceira meta já que a minha mineira não pára de falar em reprodução, mamadeiras e afins.
Fico até assustado com tamanho entusiasmo, mas confio que ela não coloque o carro na frente dos bois e nos arrume um problema onde só deveria rolar alegria.
Cada coisa terá seu tempo, inclusive nossa comemoração sobre as conquistas.
Basta ter paciência e matar a vontade mimando os sobrinhos.
E basta também não achar que uma demora ou um fracasso são finais de linha.
Sempre dá para tentar de novo, buscar outra alternativa ou mudar o objetivo. Nada é tão definitivo assim. E nós vamos viver isso juntos.
domingo, maio 07, 2006
30 anos depois
Me lembro de sair correndo no aeroporto, cheio de bagagens penduradas no corpo e descabelado como sempre. Meu pai estava lá do outro lado do corredor, as paredes pareciam todas brancas e as pessoas haviam desaparecido. Eu corria para abraçá-lo já que não o via há alguns meses. Era meu pai que estava lá, o velho, o grande homem, e eu lá, pequeno e cabeçudo, estava enfrentando tudo para chegar perto dele.
Ele chegou a se abaixar e abrir os braços para me receber, mas alguma coisa deu errada e eu tive que voltar. Minha mãe estava me chamando e um homem de terno escuro estava bem atrás de mim.
Demorei um tempo para entender que a gente, eu, minha mãe e minha irmã pequena, precisávamos conversar com outros homens de terno escuro antes de nos encontrarmos com meu pai. Cheguei a pensar que eles eram amigos dele, mas a falta de sorrisos me fez mudar de idéia: meu pai vivia sorrindo e não podia ser companheiro daqueles homens de terno.
E eu nunca o havia visto de roupa escura em todos os meus cinco anos de vida!
Meio decepcionado com o mundo, eu parei e voltei para junto da minha mãe.
Ela estava toda atrapalhada com a minha irmã no colo e alguns papéis coloridos acabavam caindo no chão. Cheguei a pensar que ela estava trocando algumas figurinhas com o homem na casinha de vidro, mas perdi um pouco o entusiasmo quando me vi em um daqueles papéis coloridos. Eu estava com a roupa de missa que coloquei para tirar retratos e finalmente entendia a razão de toda aquela produção. Até de cabelo penteado eu estava!
Passou um bom tempo até que os homens nos deixassem passar e ir até onde meu pai e o amigo dele estavam. Eu não conhecia o outro homem, mas como ele não estava de terno e tinha um belo bigode, não tive dúvidas sobre a possibilidade de confiar nele.
Finalmente eu podia correr, bater as sacolas do lado e quase tropeçar para conseguir abraçar meu pai. Ele abriu o sorriso costumeiro e me levantou no ar, quase derrubando meus papéis coloridos e minhas sacolas.
A barba dele me espetou, mas eu achei o máximo. Era exatamente daquele jeito que eu me lembrava dele e era assim que eu o encontrava de novo.
Abracei o amigo dele também, enquanto minha mãe chegava e meu pai a beijava. Minha irmã também recebeu um beijo carinhoso na testa e eles começaram a colocar a conversa em dia.
Falaram de parentes, de comida, de televisão e até de trabalho. As coisas não andavam muito boas lá do outro lado do avião, mas eles não pareciam preocupados com nada. Estávamos novamente juntos e nada podia dar errado.
Meu pai tinha um bigodão e isso o aproximava muito da minha visão de um super-herói, de um cara muito poderoso. Era uma versão moderna do Sansão.
Minha surpresa continuou quando saímos do aeroporto do carro e pensei mais de uma vez no que mais aquele amigo rico do meu pai poderia ter em casa, já que ele tinha um carro tão grande o bonito.
Ter esquecido de verificar aquilo não era tão surpreendente já que a chegada à casa do amigo do meu pai me fez lembrar a minha última festa de aniversário: todo mundo estava batendo palmas e sorrindom, igualzinho aos meus tios quando vinham me abraçar e me entregar presentes.
Eu ganhei muitos abraços, mas acabei me cansando de esperar pelo presentes e fui logo procurar o braço do meu pai e a mão da minha mãe. Apesar de amigos do meu pai, aquelas pessoas eram estranhas e demorei para me acostumar a elas.
Passamos a noite naquela casa de esquina e poucos dias depois fomos para uma casa muito parecida, ali do lado, onde começamos a arrumar nossas coisas e onde muitas aventuras me esperavam.
Demorei para descobrir que os meninos daquela rua não falavam nem se vestiam do mesmo jeito que eu, mas isso é outra história.
Uma forma simples de comemorar os 30 anos de Brasil da minha família.
Olhando o meu lugar hoje, só posso agradecer àqueles homens de terno escuro, que me deixaram abraçar meu pai e viver naquela pequena rua de paralelepípedos.
Meu agradecimento tem nome, mas por aqui, prefiro chamá-la de minha mineira.
Que venham outros 30 anos, Patropi! E que venham outras correrias em aeroportos.
Ele chegou a se abaixar e abrir os braços para me receber, mas alguma coisa deu errada e eu tive que voltar. Minha mãe estava me chamando e um homem de terno escuro estava bem atrás de mim.
Demorei um tempo para entender que a gente, eu, minha mãe e minha irmã pequena, precisávamos conversar com outros homens de terno escuro antes de nos encontrarmos com meu pai. Cheguei a pensar que eles eram amigos dele, mas a falta de sorrisos me fez mudar de idéia: meu pai vivia sorrindo e não podia ser companheiro daqueles homens de terno.
E eu nunca o havia visto de roupa escura em todos os meus cinco anos de vida!
Meio decepcionado com o mundo, eu parei e voltei para junto da minha mãe.
Ela estava toda atrapalhada com a minha irmã no colo e alguns papéis coloridos acabavam caindo no chão. Cheguei a pensar que ela estava trocando algumas figurinhas com o homem na casinha de vidro, mas perdi um pouco o entusiasmo quando me vi em um daqueles papéis coloridos. Eu estava com a roupa de missa que coloquei para tirar retratos e finalmente entendia a razão de toda aquela produção. Até de cabelo penteado eu estava!
Passou um bom tempo até que os homens nos deixassem passar e ir até onde meu pai e o amigo dele estavam. Eu não conhecia o outro homem, mas como ele não estava de terno e tinha um belo bigode, não tive dúvidas sobre a possibilidade de confiar nele.
Finalmente eu podia correr, bater as sacolas do lado e quase tropeçar para conseguir abraçar meu pai. Ele abriu o sorriso costumeiro e me levantou no ar, quase derrubando meus papéis coloridos e minhas sacolas.
A barba dele me espetou, mas eu achei o máximo. Era exatamente daquele jeito que eu me lembrava dele e era assim que eu o encontrava de novo.
Abracei o amigo dele também, enquanto minha mãe chegava e meu pai a beijava. Minha irmã também recebeu um beijo carinhoso na testa e eles começaram a colocar a conversa em dia.
Falaram de parentes, de comida, de televisão e até de trabalho. As coisas não andavam muito boas lá do outro lado do avião, mas eles não pareciam preocupados com nada. Estávamos novamente juntos e nada podia dar errado.
Meu pai tinha um bigodão e isso o aproximava muito da minha visão de um super-herói, de um cara muito poderoso. Era uma versão moderna do Sansão.
Minha surpresa continuou quando saímos do aeroporto do carro e pensei mais de uma vez no que mais aquele amigo rico do meu pai poderia ter em casa, já que ele tinha um carro tão grande o bonito.
Ter esquecido de verificar aquilo não era tão surpreendente já que a chegada à casa do amigo do meu pai me fez lembrar a minha última festa de aniversário: todo mundo estava batendo palmas e sorrindom, igualzinho aos meus tios quando vinham me abraçar e me entregar presentes.
Eu ganhei muitos abraços, mas acabei me cansando de esperar pelo presentes e fui logo procurar o braço do meu pai e a mão da minha mãe. Apesar de amigos do meu pai, aquelas pessoas eram estranhas e demorei para me acostumar a elas.
Passamos a noite naquela casa de esquina e poucos dias depois fomos para uma casa muito parecida, ali do lado, onde começamos a arrumar nossas coisas e onde muitas aventuras me esperavam.
Demorei para descobrir que os meninos daquela rua não falavam nem se vestiam do mesmo jeito que eu, mas isso é outra história.
Uma forma simples de comemorar os 30 anos de Brasil da minha família.
Olhando o meu lugar hoje, só posso agradecer àqueles homens de terno escuro, que me deixaram abraçar meu pai e viver naquela pequena rua de paralelepípedos.
Meu agradecimento tem nome, mas por aqui, prefiro chamá-la de minha mineira.
Que venham outros 30 anos, Patropi! E que venham outras correrias em aeroportos.
quinta-feira, abril 27, 2006
Inglês
Estou terminando de ler um Tony Parsons.
Fiquei curioso em saber por que o Takeda gosta tanto do cara e comprei o livro com um cupom de presente que estava esquecido lá em casa. Tinha na cabeça a idéia de que escritores legais devem gostar de outros escritores legais e lá fui eu mergulhar no mundo absurdamente britânico do tal Parsons.
Apesar de gostar do texto dele, fiquei meio receoso por se tratar de um apanhado de artigos e não de um livro com um fio condutor, com uma estória.
O Parsons era jornalista nos tempos do punk e testemunhou um monte de coisas que alguns amigos meus dariam os testículos para compartilhar. O concerto dos Pistols no Jubileu da Rainha, o começo de carreira do Clash e mais algumas coisas que devem mesmo fazer o Takeda ter orgasmos múltiplos. Vejo muito de Parsons na forma como o Japa escreve, mas não ouso falar em cópia. Inspiração seria uma palavra mais apropriada.
Mas essa proximidade de estilos só pode ser verificada na parte musical do livro.
Quando se começa a falar de costumes, viagens e impressões sobre a sociedade, as outras culturas e a vida, os textos vão para direções completamente diferentes.
Parsons é inglês até o osso e faz questão de exercer essa prerrogativa com toda a acidez, auto-ironia e cinismo possíveis. Ele não se livra da pecha de imperialista, apesar de respeitar muito as pessoas e as culturas que descreve.
Apesar de se adaptar a todas as situações, ele segue sendo inglês e nunca conseguirá ser algo diferente.
O Takeda pode ser um nikkei, nascido no Rio Grande do Sul e residente na Argentina, mas ainda é brasileiro e ainda vive um mundo latino e escreve como um latino influenciado por montanhas de produtos culturais anglo-saxões. Ele é gaúcho e por isso mesmo é um tipo particular de latino, mas ainda assim ele pertence ao nosso mundo de futebol, samba, Carnaval e passividade.
Eles não têm como ver as coisas da mesma forma e acho isso muito bom.
Assim dá para comprar livros que falem sobre o mesmo tema, mas que passem mensagens bem diferentes, cada uma com um ponto de vista na velha e desgastada relação de colonização.
Parsons e Takeda são legais, mas é bom o japa se afastar um pouco da influência do inglês ou os amigos vão começar a achar esquisito a troca do chimarrão pelo earl grey no café da tarde.
Pensando bem, ele não corre esse risco, o que vai deixar a minha irmã cineasta ainda mais feliz.
Fiquei curioso em saber por que o Takeda gosta tanto do cara e comprei o livro com um cupom de presente que estava esquecido lá em casa. Tinha na cabeça a idéia de que escritores legais devem gostar de outros escritores legais e lá fui eu mergulhar no mundo absurdamente britânico do tal Parsons.
Apesar de gostar do texto dele, fiquei meio receoso por se tratar de um apanhado de artigos e não de um livro com um fio condutor, com uma estória.O Parsons era jornalista nos tempos do punk e testemunhou um monte de coisas que alguns amigos meus dariam os testículos para compartilhar. O concerto dos Pistols no Jubileu da Rainha, o começo de carreira do Clash e mais algumas coisas que devem mesmo fazer o Takeda ter orgasmos múltiplos. Vejo muito de Parsons na forma como o Japa escreve, mas não ouso falar em cópia. Inspiração seria uma palavra mais apropriada.
Mas essa proximidade de estilos só pode ser verificada na parte musical do livro.
Quando se começa a falar de costumes, viagens e impressões sobre a sociedade, as outras culturas e a vida, os textos vão para direções completamente diferentes.
Parsons é inglês até o osso e faz questão de exercer essa prerrogativa com toda a acidez, auto-ironia e cinismo possíveis. Ele não se livra da pecha de imperialista, apesar de respeitar muito as pessoas e as culturas que descreve.
Apesar de se adaptar a todas as situações, ele segue sendo inglês e nunca conseguirá ser algo diferente.
O Takeda pode ser um nikkei, nascido no Rio Grande do Sul e residente na Argentina, mas ainda é brasileiro e ainda vive um mundo latino e escreve como um latino influenciado por montanhas de produtos culturais anglo-saxões. Ele é gaúcho e por isso mesmo é um tipo particular de latino, mas ainda assim ele pertence ao nosso mundo de futebol, samba, Carnaval e passividade.
Eles não têm como ver as coisas da mesma forma e acho isso muito bom.
Assim dá para comprar livros que falem sobre o mesmo tema, mas que passem mensagens bem diferentes, cada uma com um ponto de vista na velha e desgastada relação de colonização.
Parsons e Takeda são legais, mas é bom o japa se afastar um pouco da influência do inglês ou os amigos vão começar a achar esquisito a troca do chimarrão pelo earl grey no café da tarde.
Pensando bem, ele não corre esse risco, o que vai deixar a minha irmã cineasta ainda mais feliz.
domingo, abril 23, 2006
Mudar é preciso
Estamos passando por mais uma reestruturação lá na "firma".
É a terceira em seis meses e não deve ser a última.
Desta vez a coisa foi um pouco mais drástica e me separei definitivamente das pessoas com quem trabalhei nos últimos cinco anos e pouco. Não trabalhei todo esse tempo com todos, mas essa é a idade da convivência com o mais velho da turma. Que aliás já tinha nos abandonado no ano passado, mas isso não vem ao caso.
Fui um dos únicos da turma original que passou a fazer uma coisa diferente.
Quase todos os outros voltaram a integrar um grupo único e retomaram uma situação que vivíamos antes das mexidas, há mais ou menos 18 meses atrás. Não sei bem se é um retrocesso, mas a idéia chega bem perto disso.
Mais uma vez, a tal mudança não nos permitiu opinar ou escolher.
Fomos separados, rotulados e destinados sem poder de voto ou veto. Mais ou menos como acontece em todas as empresas do mundo.
O lado bom disso tudo é que recebi a mensagem de que eu não fui com o resto por decisão do meu chefe. Parece que ele tem outros planos para mim e isso pode ser muito bom. Claro que existe o potencial de desastre que acompanha toda mudança, mas já que estou no inferno, darei meu tradicional beijo na boca do capeta e verei que bicho dá.
Isso me faz pensar da necessidade de mudança que o mundo corporativo tem e que afeta também outros segmentos desta bagunça que chamamos de sociedade.
Por que será que sempre temos que mudar?
Será que não existe uma situação em que as escolhas são certas e o resultado é tão bom que não se precise mexer em nada?
Aparentemente não. Parece que o que muda não são as coisas, mas sim as pessoas e são essas pessoas que acabam necessitando de mudanças nas coisas. É meio confuso, mas acaba fazendo algum sentido.
De uma forma meio darwiniana, vejo que as pessoas evoluem em termos de necessidades e demandam suportes para chegar até os novos níveis de satisfação. Isso vale para uma empresa, para uma procissão e até para cachorro quente da porta do estádio: por mais satisfeitos que estejamos com algo, sempre surje a necessidade de melhorar e daí vem a famigerada mudança.
Isto não tem a mínima pretensão de ser uma tese sociológica, mas talvez tenha um bom fundo de verdade: mudamos as coisas por que mudam as pessoas.
Só queria saber quem foi o espanhol miserável que inventou a idéia de reestruturas uma área com intervalos médios de dois meses. Desse jeito não dá nem para se acostumar com os chefes, com os clientes e principalmente com os restaurantes de entorno onde se trabalha.
E depois os chefes reclamam da nossa motivação.
Pode isso?
É a terceira em seis meses e não deve ser a última.
Desta vez a coisa foi um pouco mais drástica e me separei definitivamente das pessoas com quem trabalhei nos últimos cinco anos e pouco. Não trabalhei todo esse tempo com todos, mas essa é a idade da convivência com o mais velho da turma. Que aliás já tinha nos abandonado no ano passado, mas isso não vem ao caso.
Fui um dos únicos da turma original que passou a fazer uma coisa diferente.
Quase todos os outros voltaram a integrar um grupo único e retomaram uma situação que vivíamos antes das mexidas, há mais ou menos 18 meses atrás. Não sei bem se é um retrocesso, mas a idéia chega bem perto disso.
Mais uma vez, a tal mudança não nos permitiu opinar ou escolher.
Fomos separados, rotulados e destinados sem poder de voto ou veto. Mais ou menos como acontece em todas as empresas do mundo.
O lado bom disso tudo é que recebi a mensagem de que eu não fui com o resto por decisão do meu chefe. Parece que ele tem outros planos para mim e isso pode ser muito bom. Claro que existe o potencial de desastre que acompanha toda mudança, mas já que estou no inferno, darei meu tradicional beijo na boca do capeta e verei que bicho dá.
Isso me faz pensar da necessidade de mudança que o mundo corporativo tem e que afeta também outros segmentos desta bagunça que chamamos de sociedade.
Por que será que sempre temos que mudar?
Será que não existe uma situação em que as escolhas são certas e o resultado é tão bom que não se precise mexer em nada?
Aparentemente não. Parece que o que muda não são as coisas, mas sim as pessoas e são essas pessoas que acabam necessitando de mudanças nas coisas. É meio confuso, mas acaba fazendo algum sentido.
De uma forma meio darwiniana, vejo que as pessoas evoluem em termos de necessidades e demandam suportes para chegar até os novos níveis de satisfação. Isso vale para uma empresa, para uma procissão e até para cachorro quente da porta do estádio: por mais satisfeitos que estejamos com algo, sempre surje a necessidade de melhorar e daí vem a famigerada mudança.
Isto não tem a mínima pretensão de ser uma tese sociológica, mas talvez tenha um bom fundo de verdade: mudamos as coisas por que mudam as pessoas.
Só queria saber quem foi o espanhol miserável que inventou a idéia de reestruturas uma área com intervalos médios de dois meses. Desse jeito não dá nem para se acostumar com os chefes, com os clientes e principalmente com os restaurantes de entorno onde se trabalha.
E depois os chefes reclamam da nossa motivação.
Pode isso?
quinta-feira, abril 13, 2006
Graus de prejuízo
Por que errar é ruim, ter que pagar pelo erro é um pouco pior, pagar por algo que não se fez é pior ainda, mas ter que reconquistar algo consolidado e que se perdeu em um instante é um tipo de dor que ninguém deveria sentir.
Eu errei, perdi a confiança de alguém que me é muito importante e agora estou em meio ao processo de reconstrução.
Talvez as coisas não voltem jamais a ser como antes, mas isso é algo que eu terei que aceitar.
Não tenho outra alternativa a não ser começar tudo de novo, retornar quatro anos no passado e construir novamente o meu castelo.
Sei que terei a companhia de Pessoa e que a coisa tende a ser mais rápida do que da primeira vez, mas não consigo me livrar da sensação de que não precisava ser assim.
Mas como só aprende quem erra...
Alguém aí me passe a próxima pedra, por favor.
Eu errei, perdi a confiança de alguém que me é muito importante e agora estou em meio ao processo de reconstrução.
Talvez as coisas não voltem jamais a ser como antes, mas isso é algo que eu terei que aceitar.
Não tenho outra alternativa a não ser começar tudo de novo, retornar quatro anos no passado e construir novamente o meu castelo.
Sei que terei a companhia de Pessoa e que a coisa tende a ser mais rápida do que da primeira vez, mas não consigo me livrar da sensação de que não precisava ser assim.
Mas como só aprende quem erra...
Alguém aí me passe a próxima pedra, por favor.
quarta-feira, abril 05, 2006
Preguiça
Se eu fosse umas das vítimas do filme Seven, o assassino certamente ficaria com dúvidas sobre a justificativa para me apagar. Gula, ira ou inveja. Apesar das opções não serem tantas, ele teria que decidir no palitinho o recado que deixaria para o Brad e para o Morgan.
De qualquer maneira, se ele não escolhesse a preguiça, temo dizer que ele teria cometido um erro mais clássico do que o 007 sob a mira de um revólver na abertura de todos os filmes da série.
Isso mesmo. Preguiça é o meu maior pecado.
Tenho preguiça de acordar, preguiça de dormir e, principalmente, preguiça de trabalhar.
Minha mineira ficaria ainda mais tranquila se soubesse que não olho com interesse para outra mulher, entre outras coisas, simplesmente por preguiça de imaginar as desculpas que eu teria que inventar e o trabalho que a pulada de cerca iria me dar.
Mesmo quando estou sozinho em casa e tenho a noite inteira para curtir a balada, chego, tomo banho e logo me bate aquela preguiça de sair. Resultado: fico em casa mesmo e a vontade, seja ela qual for, passa rapidinho, logo depois do segundo naco de Gouda.
Gostaria de não ser assim.
Seria legal ter energia de sobra para trabalhar o dia inteiro e ainda curtir a noite como se fazia quando eu não tinha idade para dirigir ou competência para transar.
Fico imaginando o que será que existe no café daqueles tiozinhos que enchem a cabeleira de gel, colocam uma camisa para fora da calça e vão até o Jóquei para morder uma daquelas meninas de programa à caça de um presente de Natal antecipado.
Me encho de preguiça só de imaginar a cena. E quando isso acontece, a vontade de fazer alguma coisa passa logo. É só sentar no sofá e esperar.
Não falha nunca.
Se eu fosse umas das vítimas do filme Seven, o assassino certamente ficaria com dúvidas sobre a justificativa para me apagar. Gula, ira ou inveja. Apesar das opções não serem tantas, ele teria que decidir no palitinho o recado que deixaria para o Brad e para o Morgan.
De qualquer maneira, se ele não escolhesse a preguiça, temo dizer que ele teria cometido um erro mais clássico do que o 007 sob a mira de um revólver na abertura de todos os filmes da série.
Isso mesmo. Preguiça é o meu maior pecado.
Tenho preguiça de acordar, preguiça de dormir e, principalmente, preguiça de trabalhar.
Minha mineira ficaria ainda mais tranquila se soubesse que não olho com interesse para outra mulher, entre outras coisas, simplesmente por preguiça de imaginar as desculpas que eu teria que inventar e o trabalho que a pulada de cerca iria me dar.
Mesmo quando estou sozinho em casa e tenho a noite inteira para curtir a balada, chego, tomo banho e logo me bate aquela preguiça de sair. Resultado: fico em casa mesmo e a vontade, seja ela qual for, passa rapidinho, logo depois do segundo naco de Gouda.
Gostaria de não ser assim.
Seria legal ter energia de sobra para trabalhar o dia inteiro e ainda curtir a noite como se fazia quando eu não tinha idade para dirigir ou competência para transar.
Fico imaginando o que será que existe no café daqueles tiozinhos que enchem a cabeleira de gel, colocam uma camisa para fora da calça e vão até o Jóquei para morder uma daquelas meninas de programa à caça de um presente de Natal antecipado.
Me encho de preguiça só de imaginar a cena. E quando isso acontece, a vontade de fazer alguma coisa passa logo. É só sentar no sofá e esperar.
Não falha nunca.
quarta-feira, março 29, 2006
A minha é melhor do que a sua
O relacionamento com a minha mineira já me permitiu um contato maior com estruturas familiares muito mais próximas do que a minha e com todas as idiossincrasias e contradições relacionadas a isso.
Um dos exemplos mais recentes e mais complicados de engolir ocorreu no Natal passado e graças a Deus me envolveu somente como ouvinte.
Era uma conversa sobre onde passar o Natal e a tia da minha mineira fazia questão de que os filhos de uma amiga não saíssem de casa na noite da véspera. Essa posição se baseava na crença de que Natal se passa com a família
Até aí tudo bem, se não fosse o fato do filho mais velho ter uma namorada que provavelmente também tinha família. Segundo o raciocínio da tia, a família que importava era só a da amiga e a menina tinha a obrigação de deixar a dela de lado e passar o Natal junto do namorado.
Achei o fim do mundo aquela visão míope, mas não pude considerá-la incoerente vindo dela. Eu já tinha testemunhado outros exemplos onde o dela sempre era melhor que o do resto do mundo.
Parece meio infantil, mas acho que é tudo muito racional e consolidado.
Ao menos do ponto de vista dela, as diferenças existem e o dela é sempre melhor.
Isso vale para o carro, para o apartamento, para os amigos, para a educação e principalmente para os hábitos. O dela é sempre é "de nível" e a família dela é sempre melhor.
Até para se livrar de roupas velhas o complexo não é deixado de lado. Ao invés de dizer que vai doar roupas ou vai passá-las para a frente, ela adora dizer que vai dá-la aos "outros". Eu sempre me pergunto se esses outros são tão inferiores que não merecem ser nomeados ou se eles não passam de fantasmas que ela e a família têm a bondade de aturar para passar por generosos e preocupados.
Deve ter algo a ver com o conceito cristão de generosidade e purgação dos pecados, eu imagino.
Felizmente, não preciso nem olhar para outras famílias para ver exemplos desse comportamento meio metido a besta e com complexo de superioridade.
Meu próprio sangue está buscando sei lá que motivos para afastar o parceiro da vida do novo sobrinho que está por vir. Ela tem uma infinidade de motivos para isso, mas acho que nada justifica impedir um pai de assumir e ter contato com o filho.
Pode ser um julgamento prematuro, mas prefiro repudiar a idéia desde já e fazer o possível para que isso não se concretize.
Pior do que um ex-parceiro que não se quer mais é um filho sem pais para receber amor.
Um último exemplo desse jeito besta de viver envolveu o Presidente e a atual Primeira Dama. Por conta de um problema de saúde potencialmente sério, meu grande amigo recebeu a pena da tal tia que o chamou de azarado por ter escolhido, dentre tantas moças disponíveis, justamente uma doente.
Quem ela pensa que é? Doente é ela! E doente da cabeça! Muito doente, aliás!
Que a minha mineira me dê licença, mas se ter família próxima significa aturar isso, prefiro o meu estilo de respeitosa distância e abraços frios.
E que ela não venha me encher o saco!
O relacionamento com a minha mineira já me permitiu um contato maior com estruturas familiares muito mais próximas do que a minha e com todas as idiossincrasias e contradições relacionadas a isso.
Um dos exemplos mais recentes e mais complicados de engolir ocorreu no Natal passado e graças a Deus me envolveu somente como ouvinte.
Era uma conversa sobre onde passar o Natal e a tia da minha mineira fazia questão de que os filhos de uma amiga não saíssem de casa na noite da véspera. Essa posição se baseava na crença de que Natal se passa com a família
Até aí tudo bem, se não fosse o fato do filho mais velho ter uma namorada que provavelmente também tinha família. Segundo o raciocínio da tia, a família que importava era só a da amiga e a menina tinha a obrigação de deixar a dela de lado e passar o Natal junto do namorado.
Achei o fim do mundo aquela visão míope, mas não pude considerá-la incoerente vindo dela. Eu já tinha testemunhado outros exemplos onde o dela sempre era melhor que o do resto do mundo.
Parece meio infantil, mas acho que é tudo muito racional e consolidado.
Ao menos do ponto de vista dela, as diferenças existem e o dela é sempre melhor.
Isso vale para o carro, para o apartamento, para os amigos, para a educação e principalmente para os hábitos. O dela é sempre é "de nível" e a família dela é sempre melhor.
Até para se livrar de roupas velhas o complexo não é deixado de lado. Ao invés de dizer que vai doar roupas ou vai passá-las para a frente, ela adora dizer que vai dá-la aos "outros". Eu sempre me pergunto se esses outros são tão inferiores que não merecem ser nomeados ou se eles não passam de fantasmas que ela e a família têm a bondade de aturar para passar por generosos e preocupados.
Deve ter algo a ver com o conceito cristão de generosidade e purgação dos pecados, eu imagino.
Felizmente, não preciso nem olhar para outras famílias para ver exemplos desse comportamento meio metido a besta e com complexo de superioridade.
Meu próprio sangue está buscando sei lá que motivos para afastar o parceiro da vida do novo sobrinho que está por vir. Ela tem uma infinidade de motivos para isso, mas acho que nada justifica impedir um pai de assumir e ter contato com o filho.
Pode ser um julgamento prematuro, mas prefiro repudiar a idéia desde já e fazer o possível para que isso não se concretize.
Pior do que um ex-parceiro que não se quer mais é um filho sem pais para receber amor.
Um último exemplo desse jeito besta de viver envolveu o Presidente e a atual Primeira Dama. Por conta de um problema de saúde potencialmente sério, meu grande amigo recebeu a pena da tal tia que o chamou de azarado por ter escolhido, dentre tantas moças disponíveis, justamente uma doente.
Quem ela pensa que é? Doente é ela! E doente da cabeça! Muito doente, aliás!
Que a minha mineira me dê licença, mas se ter família próxima significa aturar isso, prefiro o meu estilo de respeitosa distância e abraços frios.
E que ela não venha me encher o saco!
segunda-feira, março 20, 2006
Por que cazzo...
Tem horas em que fica complicado segurar todas as pontas soltas da vida.
Dá vontade de dar um bicudo em tudo e sair correndo pelado por aí, como diria o Presidente nos bons tempos de Diretoria.
Infelizmente os tempos pós-adolescentes onde esse escape era permitido passaram há tempos.
Hoje, a minha vida não é única que depende das minhas decisões e/ou do controle da minha raiva. Pelo menos em parte, a minha mineira também paga pelos meus tormentos e pela ausência de foco que se instala de vez em quando.
Essa perda momentânea de foco me acompanha há milênios.
Desde os tempos da Galactica e do Starbuck, para ser mais preciso. Bastava os Cilônios matarem alguém conhecido que eu já ficava deprimido.
Felizmente esse tempo infantil já passou e eu não sou mais tão vulnerável.
Para me deixar para baixo é preciso muito mais. Um bolso vazio ou a falta de perspectivas no trabalho, por exemplo.
Mas isso logo passa. Basta eu não olhar para os meus colegas de trabalho e para a minha conta bancária e pronto, lá estou eu animadinho de novo. Fácil assim.
Sei que é tudo uma questão de ponto de vista ou de momento de vida, mas de vez em quando enche o saco ver que tudo é tão sem graça.
Não que não seja, mas não preciso sentir vontade de largar tudo, certo?
É óbvio que esse bode está ligado à uma certa urgência que sempre tive. Uma urgência de viver e de experimentar. Costumo ter muitos problemas para driblar a minha vontade de fazer tudo ao mesmo tempo. De vez em quando penso que meus movimentos não me levam a lugar nenhum e acabo nem percebendo onde fui parar.
Novamente é óbvio que eu me movi e às vezes eu demoro muito para reagir e me adaptar.
Ao invés de sair "pedalando", fico questionando por que as coisas aconteceram daquele jeito e perco ainda mais tempo.
Coisa de doido mesmo.
Mas isso passa. Nem que eu tenha que fazer análise, isso passa.
Ou passa ou eu largo tudo de vez. Mas aí a minha mineira terá direito a veto.
Só espero que a paciência dela também não tire férias quando eu mais precisar.
Tem horas em que fica complicado segurar todas as pontas soltas da vida.
Dá vontade de dar um bicudo em tudo e sair correndo pelado por aí, como diria o Presidente nos bons tempos de Diretoria.
Infelizmente os tempos pós-adolescentes onde esse escape era permitido passaram há tempos.
Hoje, a minha vida não é única que depende das minhas decisões e/ou do controle da minha raiva. Pelo menos em parte, a minha mineira também paga pelos meus tormentos e pela ausência de foco que se instala de vez em quando.
Essa perda momentânea de foco me acompanha há milênios.
Desde os tempos da Galactica e do Starbuck, para ser mais preciso. Bastava os Cilônios matarem alguém conhecido que eu já ficava deprimido.
Felizmente esse tempo infantil já passou e eu não sou mais tão vulnerável.
Para me deixar para baixo é preciso muito mais. Um bolso vazio ou a falta de perspectivas no trabalho, por exemplo.
Mas isso logo passa. Basta eu não olhar para os meus colegas de trabalho e para a minha conta bancária e pronto, lá estou eu animadinho de novo. Fácil assim.
Sei que é tudo uma questão de ponto de vista ou de momento de vida, mas de vez em quando enche o saco ver que tudo é tão sem graça.
Não que não seja, mas não preciso sentir vontade de largar tudo, certo?
É óbvio que esse bode está ligado à uma certa urgência que sempre tive. Uma urgência de viver e de experimentar. Costumo ter muitos problemas para driblar a minha vontade de fazer tudo ao mesmo tempo. De vez em quando penso que meus movimentos não me levam a lugar nenhum e acabo nem percebendo onde fui parar.
Novamente é óbvio que eu me movi e às vezes eu demoro muito para reagir e me adaptar.
Ao invés de sair "pedalando", fico questionando por que as coisas aconteceram daquele jeito e perco ainda mais tempo.
Coisa de doido mesmo.
Mas isso passa. Nem que eu tenha que fazer análise, isso passa.
Ou passa ou eu largo tudo de vez. Mas aí a minha mineira terá direito a veto.
Só espero que a paciência dela também não tire férias quando eu mais precisar.
terça-feira, março 07, 2006
É hexa!
Hoje é dia 9 de Julho de 2006 e o Brasil é hexacampeão mundial!
Jamais, desde que passei a entender o objetivo de se matar para fazer aquela bolinha chegar até aquela redinha, eu poderia ter imaginado algo tão grandioso, feliz e gostoso como o que aconteceu hoje!
Ganhamos da Argentina! Isso mesmo! Derrotamos sem a menor dúvida àquele que é o nosso 'nemesis', ao grande adversário, ao 'outro lado'!
Ganhamos na bola e na torcida. O mar de 'amarelinhas' cantou feliz durante os dois tempos e nem o golaço do 'Quasímodo' fez diminuir a confiança do povo que vai festar até a semana que vem.
Ganhamos da Argentina e ponto final! O resto a gente decide na segunda, depois de curar a ressaca!
Mas nem tudo foi tão feliz assim.
Começamos meio 'bambos' contra a Croácia. Um a um, fora o show. Deles!
Mas não foi de todo ruim, já que os croatas se encheram de auto-confiança e acabaram empatando com os japoneses. O Brasil, com um golzinho solitário, despachou os "Socceroos" e ficou mais tranquilo.
Restou o Zico e os japas. Quase uma filial do Brasil. Mas não houve dó. 2 a 0 e a segunda fase garantida.
Os croatas ganharam a sua última partida da primeira fase e também passaram.
Segunda fase, mesma sede (Dortmund), mesma torcida e, claro, mesmo sofrimento.
A tradição do time que cresce dentro da competição não abandonou a Seleção e lá fomos nós, pobres amantes do esporte bretão, eliminar o que restava de nossas unhas e descontar todas as frustrações nos hectolitros de cerveja gelada preparados dias antes pelo anfitrião da vez.
Com o coração na mão começamos a enfrentar a República Checa e com ele na boca vimos o Nedved levar meio time e encher o gol do Marcão.
Era a primeira vez na Copa que saíamos perdendo, mas o Parreira não mexeu um músculo. Ao invés disso ele olhou para o Ronaldo e "disse": sua vez, meu querido!
Parecia um replay do jogo contra a Inglaterra na Copa passada: show dos Ronaldos e petardo do Imperador Adriano: Brasil 3 a 1 e Frankfurt como nova sede.
A mudança fez bem à Seleção. A torcida teve mais opções de lazer, a comida era melhor, a imprensa ficou mais amigável e o Kaká acordou. Na verdade, só precisávamos desta última mudança para despachar a "Fúria", mas o resto deixou a coisa ainda mais legal.
Os espanhóis até que tentaram escapar da sua sina de perdedores, mas o Príncipe não deixou. Dois gols, vários dribles, algumas corridas matadoras e o povo do Raúl teve que abaixar a cabeça e esperar pelo próximo Mundial. No final, dois a zero e o provável fim de uma geração de grandes jogadores espanhóis.
Ruim para o futebol mundial, nem tanto para o futebol brasileiro.
E a vida segue com a semi-final na Bavária.
Munique estava como sempre: cheia de música, cerveja, alemãs gordas e brazucas chapados. Essa última não é exatamente uma característica típica da cidade, mas a torcida se sentiu tão em casa, que ninguém estranhou quando eles começaram a abrir as "quentinhas" nas praças da cidade.
Pela segunda vez seguida, a bola da vez era a Inglaterra, mas desta vez não tínhamos o Lúcio para reforçar o time adversário.
Pensando melhor, talvez fosse mais fácil se ele estivesse. O primeiro tempo acabou sem gols e a torcida ficou apreensiva com algumas bolas que o Beckham acertou: duas traves, uma de cada lado e nenhuma chance para o Marcão. Se fosse no gol, um abraço.
Mas Deus é mesmo brasileiro e estava torcendo como nunca naquele dia.
O "quadrado mágico" voltou a funcionar e o Imperador quase furou a rede com uma patada de esquerda. A torcida conseguiu respirar aliviada e o Beckham novamente caiu no chão chorando. É provável que ele estivesse fazendo promessas para nunca mais ter o Brasil pela frente, mas nenhum jornalista quis colocar o seu na reta e publicar essa notícia.
No fim do dia 5 de Julho só faltava um jogo para o Hexa, apenas 90 minutos para liberar o grito do povão. Não haveria Lula, mensalão, PT ou Garotinho que tirassem o humor dos 170 milhões de técnicos de futebol que (de vez em quando) têm orgulho de serem brasileiros. Nada mais entorpecedor do que uma vitória no futebol. É a demonstração clássica do "ópio do povo", mas acho que todo mundo precisa de uma fuga de vez em quando. No dia seguinte os problemas ainda estarão lá e a necessidade de vencê-los também, por isso deve valer a pena esquecer da vida um pouquinho, vestir a surrada camisa amarela comprada no camelô e mostrar as restaurações e os espaços vagos na boca ao gritar cada gol da Seleção.
E foi exatamente o que aconteceu!
Nem todo mundo conseguiu comemorar o final do jogo. Alguns cardíacos ficaram pelo caminho, mas quem sobreviveu, celebrou. Nem Tevez, nem Messi, nem Crespo. Eles bem que tentaram, cada um com um gol, mas Deus estava do nosso lado e aquele chute do Roberto Carlos fez uma curva mais acentuada do que de costume e entrou lá onde nem a coruja chega. O "Pato" Abbondanzieri até que tentou, mas nem se ele tivesse mais dois ajudantes ali aquela bola deixaria de entrar.
Teve gente que jurou de pés juntos que uma mão meio éterea apareceu do nada e desviou a bola. Acho que isso fica na fé de cada um. Prefiro ficar com a minha e me ater ao fato de que ela entrou. Ela entrou e matou o time deles. Foi pior do que na Copa América, por que não havia pênaltis depois do gol. Era o fim do sonho do Tri e o início da festa do Hexa.
Depois dessa, tenho cada vez mais certeza de que Ele sabe o que faz e que a Comissão Técnica do Céu estava de plantão. Quem sabe até eles pagaram ingresso!
Para não seguir com as blasfêmias, resta dizer que o mundo ficou melhor depois de ganhar da Argentina. Tenho que rever meus objetivos de vida e é possível que tudo fique um pouco mais sem graça depois que eu me cansar de comemorar e de tirar um sarro deles.
Poucas coisas podem ser melhores do que isso.
Quem sabe só se ganhássemos deles de novo na próxima Copa!!
Será?
Sonhar não custa nada, torcida brasileira!
Hoje é dia 9 de Julho de 2006 e o Brasil é hexacampeão mundial!
Jamais, desde que passei a entender o objetivo de se matar para fazer aquela bolinha chegar até aquela redinha, eu poderia ter imaginado algo tão grandioso, feliz e gostoso como o que aconteceu hoje!
Ganhamos da Argentina! Isso mesmo! Derrotamos sem a menor dúvida àquele que é o nosso 'nemesis', ao grande adversário, ao 'outro lado'!
Ganhamos na bola e na torcida. O mar de 'amarelinhas' cantou feliz durante os dois tempos e nem o golaço do 'Quasímodo' fez diminuir a confiança do povo que vai festar até a semana que vem.
Ganhamos da Argentina e ponto final! O resto a gente decide na segunda, depois de curar a ressaca!
Mas nem tudo foi tão feliz assim.
Começamos meio 'bambos' contra a Croácia. Um a um, fora o show. Deles!
Mas não foi de todo ruim, já que os croatas se encheram de auto-confiança e acabaram empatando com os japoneses. O Brasil, com um golzinho solitário, despachou os "Socceroos" e ficou mais tranquilo.
Restou o Zico e os japas. Quase uma filial do Brasil. Mas não houve dó. 2 a 0 e a segunda fase garantida.
Os croatas ganharam a sua última partida da primeira fase e também passaram.
Segunda fase, mesma sede (Dortmund), mesma torcida e, claro, mesmo sofrimento.
A tradição do time que cresce dentro da competição não abandonou a Seleção e lá fomos nós, pobres amantes do esporte bretão, eliminar o que restava de nossas unhas e descontar todas as frustrações nos hectolitros de cerveja gelada preparados dias antes pelo anfitrião da vez.
Com o coração na mão começamos a enfrentar a República Checa e com ele na boca vimos o Nedved levar meio time e encher o gol do Marcão.
Era a primeira vez na Copa que saíamos perdendo, mas o Parreira não mexeu um músculo. Ao invés disso ele olhou para o Ronaldo e "disse": sua vez, meu querido!
Parecia um replay do jogo contra a Inglaterra na Copa passada: show dos Ronaldos e petardo do Imperador Adriano: Brasil 3 a 1 e Frankfurt como nova sede.
A mudança fez bem à Seleção. A torcida teve mais opções de lazer, a comida era melhor, a imprensa ficou mais amigável e o Kaká acordou. Na verdade, só precisávamos desta última mudança para despachar a "Fúria", mas o resto deixou a coisa ainda mais legal.
Os espanhóis até que tentaram escapar da sua sina de perdedores, mas o Príncipe não deixou. Dois gols, vários dribles, algumas corridas matadoras e o povo do Raúl teve que abaixar a cabeça e esperar pelo próximo Mundial. No final, dois a zero e o provável fim de uma geração de grandes jogadores espanhóis.
Ruim para o futebol mundial, nem tanto para o futebol brasileiro.
E a vida segue com a semi-final na Bavária.
Munique estava como sempre: cheia de música, cerveja, alemãs gordas e brazucas chapados. Essa última não é exatamente uma característica típica da cidade, mas a torcida se sentiu tão em casa, que ninguém estranhou quando eles começaram a abrir as "quentinhas" nas praças da cidade.
Pela segunda vez seguida, a bola da vez era a Inglaterra, mas desta vez não tínhamos o Lúcio para reforçar o time adversário.
Pensando melhor, talvez fosse mais fácil se ele estivesse. O primeiro tempo acabou sem gols e a torcida ficou apreensiva com algumas bolas que o Beckham acertou: duas traves, uma de cada lado e nenhuma chance para o Marcão. Se fosse no gol, um abraço.
Mas Deus é mesmo brasileiro e estava torcendo como nunca naquele dia.
O "quadrado mágico" voltou a funcionar e o Imperador quase furou a rede com uma patada de esquerda. A torcida conseguiu respirar aliviada e o Beckham novamente caiu no chão chorando. É provável que ele estivesse fazendo promessas para nunca mais ter o Brasil pela frente, mas nenhum jornalista quis colocar o seu na reta e publicar essa notícia.
No fim do dia 5 de Julho só faltava um jogo para o Hexa, apenas 90 minutos para liberar o grito do povão. Não haveria Lula, mensalão, PT ou Garotinho que tirassem o humor dos 170 milhões de técnicos de futebol que (de vez em quando) têm orgulho de serem brasileiros. Nada mais entorpecedor do que uma vitória no futebol. É a demonstração clássica do "ópio do povo", mas acho que todo mundo precisa de uma fuga de vez em quando. No dia seguinte os problemas ainda estarão lá e a necessidade de vencê-los também, por isso deve valer a pena esquecer da vida um pouquinho, vestir a surrada camisa amarela comprada no camelô e mostrar as restaurações e os espaços vagos na boca ao gritar cada gol da Seleção.
E foi exatamente o que aconteceu!
Nem todo mundo conseguiu comemorar o final do jogo. Alguns cardíacos ficaram pelo caminho, mas quem sobreviveu, celebrou. Nem Tevez, nem Messi, nem Crespo. Eles bem que tentaram, cada um com um gol, mas Deus estava do nosso lado e aquele chute do Roberto Carlos fez uma curva mais acentuada do que de costume e entrou lá onde nem a coruja chega. O "Pato" Abbondanzieri até que tentou, mas nem se ele tivesse mais dois ajudantes ali aquela bola deixaria de entrar.
Teve gente que jurou de pés juntos que uma mão meio éterea apareceu do nada e desviou a bola. Acho que isso fica na fé de cada um. Prefiro ficar com a minha e me ater ao fato de que ela entrou. Ela entrou e matou o time deles. Foi pior do que na Copa América, por que não havia pênaltis depois do gol. Era o fim do sonho do Tri e o início da festa do Hexa.
Depois dessa, tenho cada vez mais certeza de que Ele sabe o que faz e que a Comissão Técnica do Céu estava de plantão. Quem sabe até eles pagaram ingresso!
Para não seguir com as blasfêmias, resta dizer que o mundo ficou melhor depois de ganhar da Argentina. Tenho que rever meus objetivos de vida e é possível que tudo fique um pouco mais sem graça depois que eu me cansar de comemorar e de tirar um sarro deles.
Poucas coisas podem ser melhores do que isso.
Quem sabe só se ganhássemos deles de novo na próxima Copa!!
Será?
Sonhar não custa nada, torcida brasileira!
quarta-feira, março 01, 2006
Beautiful day
Meus joelhos chegaram destruídos, meu humor estava um lixo e meu estômago estava nas costas. Ainda assim valeu a pena. Ainda assim foi bom reencontrar o U2.
Novamente foi em solo 'sagrado',mas desta vez eu abusei do contato. Praticamente me deitei no gramado e sonhei com outros shows, estes muito mais esportivos e tricolores.
A coisa toda funcionou tão bem que nem parecia que o 'lazarento' do Accioly ainda estava envolvido na organização.
Do esquema de compra de ingressos para o segundo dia, até a estrutura montada para deixar o povo se preocupando apenas com o show, tudo foi de primeira, impecável mesmo.
De ruim, só o ânimo do público com o bom show do Franz Ferdinand.
Os escoceses se esforçaram muito e eu até pulei em várias músicas, mas o que mais se ouvia ao final de cada música eram convites para que eles terminassem logo e saissem.
A noite era da Irlanda, não da Escócia.
E apesar do carisma milimetricamente coreografado do Sr. Hewson, o U2 voltou ao Brasil e novamente arrebentou.
Todo mundo cantou quase tudo. Até as mais novas deixaram o povo animado.
Eu estava praticamente no Paraíso: minha mineira estava lá, meus amigos-irmãos estavam lá e até a querida Mi de Blumenau estava lá. Só faltava a minha irmã-cineasta. Mas esperar que ela saisse da Hot Area e da frente do palco para se juntar a mim no meio do campo era amor demais. Ninguém seria louco a esse ponto e ela sempre se mostrou bem sã.
Mesmo assim, tudo foi perfeito e eu cantei como nunca.
De vez em quando tinha que suspender a minha mineira por sobre o mar de cabeças para que ela colocasse os olhos na banda, mas nem isso me desanimou.
Só parei de pular quando meus meniscos começaram a fazer mais barulho do que a guitarra do Edge. Aí sim era hora de parar e ir embora.
Mas quando eu estava fazendo isso, veio o segundo bis e com ele "All I want is you".
Desejei que o Presidente estivesse ali com a gente para relembrar uma certa noite em Campos onde a gente achava que nunca havia sido tão felizes, mas ele já estava longe, assustado com o crowd e havia perdido o momento.
Talvez ele tenha sido mais sábio, já que quase morremos amassados na saída, mas nem isso fez o evento não valer a pena.
Saí feliz como em poucas ocasiões na minha vida. O casório é hors-concours, claro. Melhor que isso, só se a banda fosse inglesa, viesse de uma certa cidade chamada Manchester e o vocalista atendesse não por um apelido, mas pelo seu sobrenome.
Aí sim seria perfeito, mas como muita gente costuma dizer, a perfeição não existe e o tempo não volta jamais.
Sendo assim, me contento com a felicidade do segundo encontro com o U2 e com mais um momento dividido com a minha mineira.
Foi só mais um da longa série que ainda vamos ter pela frente.
É só esperar.
Meus joelhos chegaram destruídos, meu humor estava um lixo e meu estômago estava nas costas. Ainda assim valeu a pena. Ainda assim foi bom reencontrar o U2.Novamente foi em solo 'sagrado',mas desta vez eu abusei do contato. Praticamente me deitei no gramado e sonhei com outros shows, estes muito mais esportivos e tricolores.
A coisa toda funcionou tão bem que nem parecia que o 'lazarento' do Accioly ainda estava envolvido na organização.Do esquema de compra de ingressos para o segundo dia, até a estrutura montada para deixar o povo se preocupando apenas com o show, tudo foi de primeira, impecável mesmo.
De ruim, só o ânimo do público com o bom show do Franz Ferdinand.
Os escoceses se esforçaram muito e eu até pulei em várias músicas, mas o que mais se ouvia ao final de cada música eram convites para que eles terminassem logo e saissem.
A noite era da Irlanda, não da Escócia.
E apesar do carisma milimetricamente coreografado do Sr. Hewson, o U2 voltou ao Brasil e novamente arrebentou.
Todo mundo cantou quase tudo. Até as mais novas deixaram o povo animado.
Eu estava praticamente no Paraíso: minha mineira estava lá, meus amigos-irmãos estavam lá e até a querida Mi de Blumenau estava lá. Só faltava a minha irmã-cineasta. Mas esperar que ela saisse da Hot Area e da frente do palco para se juntar a mim no meio do campo era amor demais. Ninguém seria louco a esse ponto e ela sempre se mostrou bem sã.
Mesmo assim, tudo foi perfeito e eu cantei como nunca.
De vez em quando tinha que suspender a minha mineira por sobre o mar de cabeças para que ela colocasse os olhos na banda, mas nem isso me desanimou.
Só parei de pular quando meus meniscos começaram a fazer mais barulho do que a guitarra do Edge. Aí sim era hora de parar e ir embora.
Mas quando eu estava fazendo isso, veio o segundo bis e com ele "All I want is you".
Desejei que o Presidente estivesse ali com a gente para relembrar uma certa noite em Campos onde a gente achava que nunca havia sido tão felizes, mas ele já estava longe, assustado com o crowd e havia perdido o momento.
Talvez ele tenha sido mais sábio, já que quase morremos amassados na saída, mas nem isso fez o evento não valer a pena.
Saí feliz como em poucas ocasiões na minha vida. O casório é hors-concours, claro. Melhor que isso, só se a banda fosse inglesa, viesse de uma certa cidade chamada Manchester e o vocalista atendesse não por um apelido, mas pelo seu sobrenome.
Aí sim seria perfeito, mas como muita gente costuma dizer, a perfeição não existe e o tempo não volta jamais.
Sendo assim, me contento com a felicidade do segundo encontro com o U2 e com mais um momento dividido com a minha mineira.
Foi só mais um da longa série que ainda vamos ter pela frente.
É só esperar.
sábado, fevereiro 18, 2006
Tio, again!
Minha querida Letícia vai ganhar um irmão.
A rebeldia da minha irmã mais velha atacou novamente e foi feita nova encomenda. Novamente independente.
Não tenho como julgar atos, mas imagino consequências. A Lelê teve a sorte de contar com dois pais e duas mães postiços, além da mãe biológica. O mesmo não vai acontecer com o futuro Pezo, mas de alguma forma isso terá que ser contornado.
Sinto um misto de alegria, apreensão e pena. Tudo isso tem suas razões óbvias, mas também está ligado ao fato de que não verei o novo sobrinho nascer e sabe lá quando poderei conhecê-lo.
Meus velhos estão mais ou menos na mesma, excluindo o estado catatônico do meu pai após receber a notícia. Acho que está grisalho demais para esse tipo de emoção.
Daria tudo para saber o que se passa na cachola dele neste momento.
Imagino que tenha muito a ver com a lance de estar longe e de não poder acolher e aconselhar. Por que esse é o papel do avô e neste momento ele é muito mais avô do que pai.
Eu queria ser um pouco mais do que tio. Queria estar lá na maternidade e poder segurar o molequinho no colo ao menos uma vez.
Queria conversar com ele em Português e receber confidências na hora de voltar para casa, como faço com a Lelê.
Queria tê-los mais perto. Queria conhecê-los mais.
Queria querer menos, esperar menos, aceitar mais.
Queria ser mais.
Queria, mas não sou e tenho que me contentar com isso.
É complicado, mas vou conseguir e minha mineira vai me ajudar.
Minha querida Letícia vai ganhar um irmão.
A rebeldia da minha irmã mais velha atacou novamente e foi feita nova encomenda. Novamente independente.
Não tenho como julgar atos, mas imagino consequências. A Lelê teve a sorte de contar com dois pais e duas mães postiços, além da mãe biológica. O mesmo não vai acontecer com o futuro Pezo, mas de alguma forma isso terá que ser contornado.
Sinto um misto de alegria, apreensão e pena. Tudo isso tem suas razões óbvias, mas também está ligado ao fato de que não verei o novo sobrinho nascer e sabe lá quando poderei conhecê-lo.
Meus velhos estão mais ou menos na mesma, excluindo o estado catatônico do meu pai após receber a notícia. Acho que está grisalho demais para esse tipo de emoção.
Daria tudo para saber o que se passa na cachola dele neste momento.
Imagino que tenha muito a ver com a lance de estar longe e de não poder acolher e aconselhar. Por que esse é o papel do avô e neste momento ele é muito mais avô do que pai.
Eu queria ser um pouco mais do que tio. Queria estar lá na maternidade e poder segurar o molequinho no colo ao menos uma vez.
Queria conversar com ele em Português e receber confidências na hora de voltar para casa, como faço com a Lelê.
Queria tê-los mais perto. Queria conhecê-los mais.
Queria querer menos, esperar menos, aceitar mais.
Queria ser mais.
Queria, mas não sou e tenho que me contentar com isso.
É complicado, mas vou conseguir e minha mineira vai me ajudar.
domingo, fevereiro 12, 2006
Para onde ir?
A minha mineira está sofrendo.
Ela está sendo forçada a abandonar uma parte da vida dela, uma parte vital e que exigiu litros de suor para ser erguida. Tudo em nome do amor, ou melhor, tudo em nome do nosso amor e da vida que estamos construindo.
Mas que amor é esse que a leva às lágrimas toda vez que ela conta a decisão para alguém?
Por que tem que ser tão doído e triste decidir que seu lugar é onde seu amor está?
De onde vem essa coisa que obriga a chorar antes de crescer?
Não dá para gostar disso. Preferia que tudo fosse mais fácil e ela não precisasse sofrer tanto.
Mas quem estou querendo enganar?
É assim desde o começo. Se não tivesse sido ela, teria sido eu. Se bem que eu me desvincularia com muita mais facilidade, mas isso não vem ao caso e é algo que eu terei que pagar até o fim.
Trata-se de outro tipo de sentimento. Algo que eu não entendo, mas acabo aceitando.
Toda a nossa trajetória apontava para essa ruptura.
Melhor seria ter desistido antes? Duvido. A nossa felicidade justifica qualquer sacrifício, mas não diminui meu descontentamento.
Me sinto responsável por aquelas lágrimas. Me sinto culpado por fazê-la abrir mão de algo que sempre foi essencial na vida, algo que eu nunca compartilharei.
Não tenho a preparação necessária para sentir isso. Meus esforços em abrir a "carapaça" jamais seriam suficientes para suportar esse tipo de empatia.
O máximo que consigo fazer é enxugar as lágrimas, abraçá-la e prometer que tudo vai dar certo.
Prometo por que acredito que as coisas vão mesmo se arredondar.
Acredito que nossa atitude vai nos recompensar e vai nos fazer passar por este capricho de Shiva.
Afinal de contas, depois de destruição vem a purificação e a reconstrução, certo?
Não sei bem se confundi as divindades, mas a idéia é bem essa. As lágrimas vão secar e podem até sobrar cicatrizes, mas a gente vai se dar bem.
E isso vai acontecer, por que eu sou Shiva e Vishnu e vou garantir a reconstrução.
E ai de quem fizer a minha mineira chorar de novo!
A minha mineira está sofrendo.
Ela está sendo forçada a abandonar uma parte da vida dela, uma parte vital e que exigiu litros de suor para ser erguida. Tudo em nome do amor, ou melhor, tudo em nome do nosso amor e da vida que estamos construindo.
Mas que amor é esse que a leva às lágrimas toda vez que ela conta a decisão para alguém?
Por que tem que ser tão doído e triste decidir que seu lugar é onde seu amor está?
De onde vem essa coisa que obriga a chorar antes de crescer?
Não dá para gostar disso. Preferia que tudo fosse mais fácil e ela não precisasse sofrer tanto.
Mas quem estou querendo enganar?
É assim desde o começo. Se não tivesse sido ela, teria sido eu. Se bem que eu me desvincularia com muita mais facilidade, mas isso não vem ao caso e é algo que eu terei que pagar até o fim.
Trata-se de outro tipo de sentimento. Algo que eu não entendo, mas acabo aceitando.
Toda a nossa trajetória apontava para essa ruptura.
Melhor seria ter desistido antes? Duvido. A nossa felicidade justifica qualquer sacrifício, mas não diminui meu descontentamento.
Me sinto responsável por aquelas lágrimas. Me sinto culpado por fazê-la abrir mão de algo que sempre foi essencial na vida, algo que eu nunca compartilharei.
Não tenho a preparação necessária para sentir isso. Meus esforços em abrir a "carapaça" jamais seriam suficientes para suportar esse tipo de empatia.
O máximo que consigo fazer é enxugar as lágrimas, abraçá-la e prometer que tudo vai dar certo.
Prometo por que acredito que as coisas vão mesmo se arredondar.
Acredito que nossa atitude vai nos recompensar e vai nos fazer passar por este capricho de Shiva.
Afinal de contas, depois de destruição vem a purificação e a reconstrução, certo?
Não sei bem se confundi as divindades, mas a idéia é bem essa. As lágrimas vão secar e podem até sobrar cicatrizes, mas a gente vai se dar bem.
E isso vai acontecer, por que eu sou Shiva e Vishnu e vou garantir a reconstrução.
E ai de quem fizer a minha mineira chorar de novo!
sábado, fevereiro 04, 2006
Balanço
Já se passaram quase cinco anos desde que tropeçamos um no outro naquele site.
Não me lembro bem qual era. Minto. Claro que me lembro, mas gosto dessa atitude meio blasé com relação a coisas sabidamente significativas.
Também se passaram mais de quatro anos desde que nos vimos pela primeira vez.
Poderia ter sido antes, mas um misto de preguiça e timidez fez as coisas andarem mais devagar. Deve ter sido melhor assim, já que acho difícil que um ambiente estranho para ambos pudesse nos deixar mais à vontade do que as atrações da minha cidade. Aqui eu reinava e pude oferecer coisas estrategicamente agradáveis e românticas. A "armadilha" perfeita. Ela caiu, eu caí em seguida e o resto é história.
O passo seguinte demorou um pouco mais. Foram necessários dois anos e alguns milhares de quilômetros rodados para que adotássemos aquele símbolo e focássemos o objetivo comum. Não foi da forma tradicional, mas foi do jeito que eu quis, que eu planejei nos mínimos detalhes, que eu ensaiei em cada palavra proferida. Mesmo fora do meu ambiente, acabei tomando conta do espetáculo e "mandando ver".
É certo que o povo dela não entendeu bem a minha sutileza. Eles estavam acostumados com muito mais pompa e cerimônia, mas a coisa toda acabou funcionando e ela ficou muito feliz. Aliás, ambos ficamos.
Estabelecido o símbolo, fui "recebido na família" e felicitado pela minha decisão.
Eu era quase um "mineiro". Faltava só o pulo final.
Quase um ano e meio depois do pedido, lá estava eu saindo debaixo da barra da saia da mãe e passando a dormir pela primeira vez naquele que seria o nosso castelo.
Foi engraçado abrir mão do jantar quentinho que sempre me esperava quando eu chegava do trabalho, das roupas lavadas e passadas e do falatório dos finais de tarde.
Mesmo que fosse uma coisa há muito desejada, morar sozinho naquela situação não era algo definitivo. Dali a poucos dias a minha mineira estaria ali comigo e dividiria tudo, até a vida.
E finalmente Setembro chegou!
Com ele chegou o grande dia, o "enforcamento", o grande pulo no abismo.
Obviamente eu não penso nisso de forma tão trágica, mas é engraçado usar esse tipo de termo para tratar algo tão complexo quanto o casamento.
Passar a compartilhar a vida com alguém é doido e fascinante ao mesmo tempo.
Deixar de lado coisas que fizeram parte da sua vida desde sempre e adotar ações que vão te acompanhar até o fim é algo, no mínimo, assustador. Mas não havia medo nas nossas mentes naquele final de tarde de sábado. Havia, claro, a tensão pelo evento e torcida para que desse tudo certo no dia, mas se pensássemos no que rolaria à partir do domingo só conseguíamos encontrar tranquilidade.
Estávamos juntos, estamos juntos e vamos continuar juntos.
Nos casamos no mês da Primavera e isso só pode ser um sinal. Deve ter algo a ver com renascimento e renovação, afinal de contas, a Mãe Natureza não teria tido tanto trabalho para encher o mundo de flores e filhotes, né?
Só não estou muito a fim de falar dos meus futuros filhotes neste momento, mas algo me diz que isso não vai durar muito e que a natureza vai nos chamar em breve.
Enquanto isso, os dias vão correndo e novos balanços vão sendo feitos.
Mas cada coisa tem o seu momento e este é o de agradecer e continuar curtindo.
Afinal de contas, eu já sabia que casar era bom.
Já se passaram quase cinco anos desde que tropeçamos um no outro naquele site.
Não me lembro bem qual era. Minto. Claro que me lembro, mas gosto dessa atitude meio blasé com relação a coisas sabidamente significativas.
Também se passaram mais de quatro anos desde que nos vimos pela primeira vez.
Poderia ter sido antes, mas um misto de preguiça e timidez fez as coisas andarem mais devagar. Deve ter sido melhor assim, já que acho difícil que um ambiente estranho para ambos pudesse nos deixar mais à vontade do que as atrações da minha cidade. Aqui eu reinava e pude oferecer coisas estrategicamente agradáveis e românticas. A "armadilha" perfeita. Ela caiu, eu caí em seguida e o resto é história.
O passo seguinte demorou um pouco mais. Foram necessários dois anos e alguns milhares de quilômetros rodados para que adotássemos aquele símbolo e focássemos o objetivo comum. Não foi da forma tradicional, mas foi do jeito que eu quis, que eu planejei nos mínimos detalhes, que eu ensaiei em cada palavra proferida. Mesmo fora do meu ambiente, acabei tomando conta do espetáculo e "mandando ver".
É certo que o povo dela não entendeu bem a minha sutileza. Eles estavam acostumados com muito mais pompa e cerimônia, mas a coisa toda acabou funcionando e ela ficou muito feliz. Aliás, ambos ficamos.
Estabelecido o símbolo, fui "recebido na família" e felicitado pela minha decisão.
Eu era quase um "mineiro". Faltava só o pulo final.
Quase um ano e meio depois do pedido, lá estava eu saindo debaixo da barra da saia da mãe e passando a dormir pela primeira vez naquele que seria o nosso castelo.
Foi engraçado abrir mão do jantar quentinho que sempre me esperava quando eu chegava do trabalho, das roupas lavadas e passadas e do falatório dos finais de tarde.
Mesmo que fosse uma coisa há muito desejada, morar sozinho naquela situação não era algo definitivo. Dali a poucos dias a minha mineira estaria ali comigo e dividiria tudo, até a vida.
E finalmente Setembro chegou!
Com ele chegou o grande dia, o "enforcamento", o grande pulo no abismo.
Obviamente eu não penso nisso de forma tão trágica, mas é engraçado usar esse tipo de termo para tratar algo tão complexo quanto o casamento.
Passar a compartilhar a vida com alguém é doido e fascinante ao mesmo tempo.
Deixar de lado coisas que fizeram parte da sua vida desde sempre e adotar ações que vão te acompanhar até o fim é algo, no mínimo, assustador. Mas não havia medo nas nossas mentes naquele final de tarde de sábado. Havia, claro, a tensão pelo evento e torcida para que desse tudo certo no dia, mas se pensássemos no que rolaria à partir do domingo só conseguíamos encontrar tranquilidade.
Estávamos juntos, estamos juntos e vamos continuar juntos.
Nos casamos no mês da Primavera e isso só pode ser um sinal. Deve ter algo a ver com renascimento e renovação, afinal de contas, a Mãe Natureza não teria tido tanto trabalho para encher o mundo de flores e filhotes, né?
Só não estou muito a fim de falar dos meus futuros filhotes neste momento, mas algo me diz que isso não vai durar muito e que a natureza vai nos chamar em breve.
Enquanto isso, os dias vão correndo e novos balanços vão sendo feitos.
Mas cada coisa tem o seu momento e este é o de agradecer e continuar curtindo.
Afinal de contas, eu já sabia que casar era bom.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Programas de casal
Cerca de 15 anos depois do lendário show na Praça do Relógio da USP, lá estava eu novamente frente a frente com o Ira! e o seu rock mais paulistano do que brasileiro.
Essa minha frase teria muito mais impacto nos anos 80 do que hoje, mas quem esteve lá sabe do que estou falando.
Algumas diferenças entre os dois shows: 15 anos de rugas, calvície e cerveja; a companhia da minha mineira (no outro eu estava sozinho); o formato acústico e o som cristalino do CIE Music Hall.
Tudo era diferente e ao mesmo tempo nada havia mudado. Era o mesmo Edgar esmerilhando e o Nasi brigando com o mundo. Era o André suando em bicas e o Gaspa com a sua discrição.
Obviamente que o show de 89 não contava com aquele monte de músicos nem com a incansável percussionista Michelle Abu, mas tenho que admitir que esse tipo de frescura não pegaria bem no final dos anos 80.
Como em todo show acústico, o público fica sentado e espremido entre gordinhos, garçons e folgados em geral.
Esse talvez tenha sido o grande ponto fraco do show, mas não dá para falar mal de um grupo que só toca sucessos e que ganha de presente (e exibe com orgulho) uma bandeira do Estado de São Paulo. É nóis!
Isso aconteceu no dia 10 de dezembro e poderia ter encerrado meu ano cultural com chave de ouro se não tivesse pintado um certo espectro na nossa frente.
Eu já tinha visto o Fantasma da ópera (tente também este link) antes. Era 1994 e eu estava em Londres. O Teatro era o Her Majesty´s e o meu lugar era praticamente um poleiro onde não havia espaço para os joelhos (e olha que eu só tenho 1.70m).
Por tudo isso, a expectativa era grande e a opinião de alguns amigos jetsetters ecoava na minha cabeça. Segundo eles, a produção era legal mas não se comparava ao original. Como eles estavam falando da Broadway, eu não fazia idéia do que se tratava. Eu ainda tinha fixa na cabeça a lembrança do barquinho "navegando" pelo palco em meio a uma névoa densa e aparentemente fria.
Chegamos ao Teatro Abril com pouca antecedência. Acho que nossa folga era de, no máximo, 20 minutos, tempo suficiente para sincronizar o passo com a tia da minha mineira e localizar o nosso posto.
Ficamos no primeiro camarote do lado esquerdo do teatro, o que se revelou como uma parcial vantagem: estávamos muito mais perto do que o povo do balcão central, mas não conseguiamos ver o que se passava no lado esquerdo do fundo do palco. Mas como dizem nos botecos da vida, o que os olhos não vêem...
Além do óbvio, o que me chamou a atenção no espetáculo foi a atriz principal, um ruiva (????) magrinha e bonita chamada Sara Sarres.
Apesar de uma certa amiga ligada às artes dizer que ela faz parte do segundo elenco, fiquei tão impressionado com a voz - e por que não dizer, com a beleza - da menina, que ergui uma parede anti-críticas e passei a considerá-la a melhor parte da noite.
Depois da companhia da minha mineira, claro.
Como já era de se esperar, o ponto que mais nos agradou - e emocionou - foi o dueto durante "All I ask of you". Para a gente, aquela era a "música do noivo" e não poderia ser diferente. Fingi que não chorei e apertei a mão da mineira para que ela tivesse certeza que ambos estávamos sintonizados na música.
Ela sim, chorou e sorriu. Mistura plenamente aceitável e altamente recompensadora.
Terminamos a noite em meio a um mar de gente, carros e táxis, driblando os flanelinhas e praticamente parando a Brigadeiro até que a minha mineira e a tia dela conseguissem entrar no carro.
Foi bom, emocionante, desopilante e mais outros antes que não me ocorrem neste momento.
Não era Londres, o Her Majesty´s Theatre ou mesmo a Broadway, mas serviu ao propósito. E muito bem por sinal.
O próximo evento da série deve ser o show da banda do senhor Hewson, mas isso é uma outra e curiosíssima estória.
Cerca de 15 anos depois do lendário show na Praça do Relógio da USP, lá estava eu novamente frente a frente com o Ira! e o seu rock mais paulistano do que brasileiro.
Essa minha frase teria muito mais impacto nos anos 80 do que hoje, mas quem esteve lá sabe do que estou falando.
Algumas diferenças entre os dois shows: 15 anos de rugas, calvície e cerveja; a companhia da minha mineira (no outro eu estava sozinho); o formato acústico e o som cristalino do CIE Music Hall.Tudo era diferente e ao mesmo tempo nada havia mudado. Era o mesmo Edgar esmerilhando e o Nasi brigando com o mundo. Era o André suando em bicas e o Gaspa com a sua discrição.
Obviamente que o show de 89 não contava com aquele monte de músicos nem com a incansável percussionista Michelle Abu, mas tenho que admitir que esse tipo de frescura não pegaria bem no final dos anos 80.
Como em todo show acústico, o público fica sentado e espremido entre gordinhos, garçons e folgados em geral.Esse talvez tenha sido o grande ponto fraco do show, mas não dá para falar mal de um grupo que só toca sucessos e que ganha de presente (e exibe com orgulho) uma bandeira do Estado de São Paulo. É nóis!
Isso aconteceu no dia 10 de dezembro e poderia ter encerrado meu ano cultural com chave de ouro se não tivesse pintado um certo espectro na nossa frente.
Eu já tinha visto o Fantasma da ópera (tente também este link) antes. Era 1994 e eu estava em Londres. O Teatro era o Her Majesty´s e o meu lugar era praticamente um poleiro onde não havia espaço para os joelhos (e olha que eu só tenho 1.70m).
Por tudo isso, a expectativa era grande e a opinião de alguns amigos jetsetters ecoava na minha cabeça. Segundo eles, a produção era legal mas não se comparava ao original. Como eles estavam falando da Broadway, eu não fazia idéia do que se tratava. Eu ainda tinha fixa na cabeça a lembrança do barquinho "navegando" pelo palco em meio a uma névoa densa e aparentemente fria.Chegamos ao Teatro Abril com pouca antecedência. Acho que nossa folga era de, no máximo, 20 minutos, tempo suficiente para sincronizar o passo com a tia da minha mineira e localizar o nosso posto.
Ficamos no primeiro camarote do lado esquerdo do teatro, o que se revelou como uma parcial vantagem: estávamos muito mais perto do que o povo do balcão central, mas não conseguiamos ver o que se passava no lado esquerdo do fundo do palco. Mas como dizem nos botecos da vida, o que os olhos não vêem...
Além do óbvio, o que me chamou a atenção no espetáculo foi a atriz principal, um ruiva (????) magrinha e bonita chamada Sara Sarres.Apesar de uma certa amiga ligada às artes dizer que ela faz parte do segundo elenco, fiquei tão impressionado com a voz - e por que não dizer, com a beleza - da menina, que ergui uma parede anti-críticas e passei a considerá-la a melhor parte da noite.
Depois da companhia da minha mineira, claro.
Como já era de se esperar, o ponto que mais nos agradou - e emocionou - foi o dueto durante "All I ask of you". Para a gente, aquela era a "música do noivo" e não poderia ser diferente. Fingi que não chorei e apertei a mão da mineira para que ela tivesse certeza que ambos estávamos sintonizados na música.
Ela sim, chorou e sorriu. Mistura plenamente aceitável e altamente recompensadora.
Terminamos a noite em meio a um mar de gente, carros e táxis, driblando os flanelinhas e praticamente parando a Brigadeiro até que a minha mineira e a tia dela conseguissem entrar no carro.Foi bom, emocionante, desopilante e mais outros antes que não me ocorrem neste momento.
Não era Londres, o Her Majesty´s Theatre ou mesmo a Broadway, mas serviu ao propósito. E muito bem por sinal.
O próximo evento da série deve ser o show da banda do senhor Hewson, mas isso é uma outra e curiosíssima estória.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Chocolate ao leite
Eles não eram muito parecidos.
Se pudéssemos misturar as peles de ambos, teríamos nas mãos algo cor-de-terra, daquelas não muito escuras, próprias para o crescimento de coisas não plantadas, mas sim acidentalmente caídas no solo.
Cada um deles contribuía com um certo matiz, ora mais claro (ou amarelado), ora mais escuro (ou cor de chocolate ao leite).
Na prática, eram pontos diferentes do espectro de luz. Mas eles não estavam preocupados com nenhum tipo de Física. Naquela relação, a matéria mais importante era a Química.
Os cabelos de ambos eram escuros, quase negros, com diferentes texturas e comprimentos, é verdade. Mesmo que não fosse nada escandaloso, cada um deles afrontava os padrões estéticos à sua maneira.
Ela com um volume fora de época, algo meio Gal na época de ouro. Ele com um jeito Andy Garcia de ser, guardadas as devidas proporções, obviamente: cabelo puxado para trás e preso por toneladas de gel.
Eles eram uma dupla, não um casal.
Sendo assim, seus encontros eram semi-clandestinos e discretos. Mais para não despertar a curiosidade dos colegas de trabalho do que para enganar eventuais parceiros. Eles não tinham parceiros, a não ser um ao outro.
E era uma boa parceria: muito cinema, pouca comida, nada de bebida, muita conversa e uma cama para unir as pontas.
A parceria durou mesmo depois dele sair da empresa.
Algo melhor o aguardava em outro lugar, mas ele não quis abrir mão daquele cheiro diferente que a pele dela tinha.
A já mencionada pele de chocolate ao leite tinha um perfume diferente, algo de especiaria. Não dava para dizer se era canela, apesar de lembrar bastante o sabor quando ele estava de olhos fechados. Era diferente das coisas feitas pelo homem e isso o instigava.
A coisa que ele mais gostava de fazer quando a tinha nua, de bruços na cama, era cheirar seu corpo todo. E ela também gostava de exibir seu odor, principalmente depois do banho. Era um exercício de erotismo bem diferente da cópula e do paladar.
Mesmo com o prazer do perfume, da pele e da companhia dela, os encontros foram rareando e pararam. Ele havia conhecido outros tons e outros odores e ela desistiu de trazê-lo de volta.
Ela sentia que ele nunca havia sido seu de verdade e ele se foi. Foi para nunca mais voltar, mesmo que a vontade apertasse e o número dela ainda estivesse à disposição.
Ele sabia que não havia volta e que moça de pele de chocolate ao leite encontraria seu caminho em breve.
E assim foi.
Afinal de contas, eles nunca foram um casal.
Entre eles, era só cheiro.
Eles não eram muito parecidos.
Se pudéssemos misturar as peles de ambos, teríamos nas mãos algo cor-de-terra, daquelas não muito escuras, próprias para o crescimento de coisas não plantadas, mas sim acidentalmente caídas no solo.
Cada um deles contribuía com um certo matiz, ora mais claro (ou amarelado), ora mais escuro (ou cor de chocolate ao leite).
Na prática, eram pontos diferentes do espectro de luz. Mas eles não estavam preocupados com nenhum tipo de Física. Naquela relação, a matéria mais importante era a Química.
Os cabelos de ambos eram escuros, quase negros, com diferentes texturas e comprimentos, é verdade. Mesmo que não fosse nada escandaloso, cada um deles afrontava os padrões estéticos à sua maneira.
Ela com um volume fora de época, algo meio Gal na época de ouro. Ele com um jeito Andy Garcia de ser, guardadas as devidas proporções, obviamente: cabelo puxado para trás e preso por toneladas de gel.
Eles eram uma dupla, não um casal.
Sendo assim, seus encontros eram semi-clandestinos e discretos. Mais para não despertar a curiosidade dos colegas de trabalho do que para enganar eventuais parceiros. Eles não tinham parceiros, a não ser um ao outro.
E era uma boa parceria: muito cinema, pouca comida, nada de bebida, muita conversa e uma cama para unir as pontas.
A parceria durou mesmo depois dele sair da empresa.
Algo melhor o aguardava em outro lugar, mas ele não quis abrir mão daquele cheiro diferente que a pele dela tinha.
A já mencionada pele de chocolate ao leite tinha um perfume diferente, algo de especiaria. Não dava para dizer se era canela, apesar de lembrar bastante o sabor quando ele estava de olhos fechados. Era diferente das coisas feitas pelo homem e isso o instigava.
A coisa que ele mais gostava de fazer quando a tinha nua, de bruços na cama, era cheirar seu corpo todo. E ela também gostava de exibir seu odor, principalmente depois do banho. Era um exercício de erotismo bem diferente da cópula e do paladar.
Mesmo com o prazer do perfume, da pele e da companhia dela, os encontros foram rareando e pararam. Ele havia conhecido outros tons e outros odores e ela desistiu de trazê-lo de volta.
Ela sentia que ele nunca havia sido seu de verdade e ele se foi. Foi para nunca mais voltar, mesmo que a vontade apertasse e o número dela ainda estivesse à disposição.
Ele sabia que não havia volta e que moça de pele de chocolate ao leite encontraria seu caminho em breve.
E assim foi.
Afinal de contas, eles nunca foram um casal.
Entre eles, era só cheiro.
domingo, janeiro 22, 2006
Formas e tamanhos
"Que atire a primeira pedra aquele que nunca transou ou ao menos beijou uma moça, digamos, gordinha, fofinha ou apenas um pouco mais carnuda do que o padrão anoréxico atual!"
Essa era a pergunta esdrúxula que pintou na mesa do Original em uma das tradicionais quintas-feiras só para meninos.
Obviamente, eu e o Paraguaio lideramos de longe a contagem de experiências menos formosas esteticamente. Somos bagaceiros assumidos e orgulhosos. No bom sentido, claro, já que temos espelho em casa e sabemos que a beleza é algo extremamente variável de mente a mente.
Já o Presidente seguiu mais uma linha Rodrigo Santoro de ser: dificilmente ele fica com mulheres feias. Ao menos não que ele se lembre, o que não significa muita coisa se levarmos em consideração a quantidade de álcool que esse rapaz já colocou para dentro do organismo.
Mesmo ele tem algo que contar.
Infelizmente o mesmo não pode ser dito do X. Ele não aparenta ter muita coisa o que dizer nesse tipo de assunto. Ou não tem ou não quer divulgar.
Em uma roda de amigos onde o assunto é mulher, isso dá mais ou menos na mesma.
Na verdade, me parece que o X não tem muito o que dizer nem se pensarmos só em mulheres bonitas. Algo trava o HD e ele não participa com a gente.
Ele apenas ri e diz que nosso setpoint é muito baixo.
Isso é algo que não daria para negar nem see quiséssemos, mas será que não é melhor bagacear de vez em quando do que transar consigo mesmo em quase todas as ocasiões?
Felizmente eu não sou ninguém para condená-lo. Apenas me preocupo com ele e tento colocá-lo em situações de risco de vez em quando.
Normalmente não acontece nada, mas a esperança é última que morre, principalmente neste mundo onde as mulheres cada vez mais gostam de tomar a iniciativa.
Sei que essa postura vem-ni-mim não costuma dar muito certo, mas talvez valha a pena arriscar.
Como eu não gosto muito de esperar as coisas cairem do céu, prefiro experimentar antes de dizer que não gosto. Foi assim que tropecei na minha mineira lá nas distâncias do Triângulo e foi assim que banquei o lance e virei um homem casado.
Mas cada um tem que escrever a sua história e cada um é responsável pelos capítulos que ela tiver.
No meu caso, o livro é basicamente uma comédia de erros, mas posso garantir que valeu a pena viver cada mico registrado nele.
Do contrário, que tipo de estórias eu vou conseguir contar para os meus netos?
"Que atire a primeira pedra aquele que nunca transou ou ao menos beijou uma moça, digamos, gordinha, fofinha ou apenas um pouco mais carnuda do que o padrão anoréxico atual!"
Essa era a pergunta esdrúxula que pintou na mesa do Original em uma das tradicionais quintas-feiras só para meninos.
Obviamente, eu e o Paraguaio lideramos de longe a contagem de experiências menos formosas esteticamente. Somos bagaceiros assumidos e orgulhosos. No bom sentido, claro, já que temos espelho em casa e sabemos que a beleza é algo extremamente variável de mente a mente.
Já o Presidente seguiu mais uma linha Rodrigo Santoro de ser: dificilmente ele fica com mulheres feias. Ao menos não que ele se lembre, o que não significa muita coisa se levarmos em consideração a quantidade de álcool que esse rapaz já colocou para dentro do organismo.
Mesmo ele tem algo que contar.
Infelizmente o mesmo não pode ser dito do X. Ele não aparenta ter muita coisa o que dizer nesse tipo de assunto. Ou não tem ou não quer divulgar.
Em uma roda de amigos onde o assunto é mulher, isso dá mais ou menos na mesma.
Na verdade, me parece que o X não tem muito o que dizer nem se pensarmos só em mulheres bonitas. Algo trava o HD e ele não participa com a gente.
Ele apenas ri e diz que nosso setpoint é muito baixo.
Isso é algo que não daria para negar nem see quiséssemos, mas será que não é melhor bagacear de vez em quando do que transar consigo mesmo em quase todas as ocasiões?
Felizmente eu não sou ninguém para condená-lo. Apenas me preocupo com ele e tento colocá-lo em situações de risco de vez em quando.
Normalmente não acontece nada, mas a esperança é última que morre, principalmente neste mundo onde as mulheres cada vez mais gostam de tomar a iniciativa.
Sei que essa postura vem-ni-mim não costuma dar muito certo, mas talvez valha a pena arriscar.
Como eu não gosto muito de esperar as coisas cairem do céu, prefiro experimentar antes de dizer que não gosto. Foi assim que tropecei na minha mineira lá nas distâncias do Triângulo e foi assim que banquei o lance e virei um homem casado.
Mas cada um tem que escrever a sua história e cada um é responsável pelos capítulos que ela tiver.
No meu caso, o livro é basicamente uma comédia de erros, mas posso garantir que valeu a pena viver cada mico registrado nele.
Do contrário, que tipo de estórias eu vou conseguir contar para os meus netos?
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Aos herdeiros
Parece que eles combinaram.
Tenho a nítida impressão que muitos dos meus amigos se reuniram em algum tipo de sociedade secreta e decidiram que o mundo estava meio sem graça e que era necessário repovoá-lo e colori-lo.
Só isso explica a chegada da Julia "Punk Rock" e as encomendas feitas pelo meu Galahad, pelo Mestre das Mulheres, pelo grande amigo do Sul que tem nome de ator e pela mais velha das minhas cunhadas mineiras.
2006 terá uma avalanche de "sobrinhos" e eu aqui acabando de entrar na vida de gente grande.
Confesso que dá para ter medo, dá para ter muito medo do que vem por aí.
Obviamente isso fez com que o assunto fizesse parte de um monte de conversas com a minha mineira. Mesmo durante o sexo ela acaba dizendo algo relativo a parar de fazer só por prazer.
Acho que sou voto vencido na lendária tentativa de trocar um casal de filhos por um Labrador e um Golden Retriever. Não vai colar.
A minha mineira já declarou em alto e bom som que quer ficar gorda e barriguda e que ser mãe é mais um dos seus sonhos desde sempre.
Como entrei nessa para fazê-la feliz (e não exatamente para cuidar da minha própria felicidade), acho que não vai ter negociação nem compensação. Terei mesmo que perder noites de sono, dias de descanso e tranquilidade econômica.
O mais curioso disso tudo é que quem já passou pelo martírio diz que vale cada segundo mal dormido.
Será?
Parece que eles combinaram.
Tenho a nítida impressão que muitos dos meus amigos se reuniram em algum tipo de sociedade secreta e decidiram que o mundo estava meio sem graça e que era necessário repovoá-lo e colori-lo.
Só isso explica a chegada da Julia "Punk Rock" e as encomendas feitas pelo meu Galahad, pelo Mestre das Mulheres, pelo grande amigo do Sul que tem nome de ator e pela mais velha das minhas cunhadas mineiras.
2006 terá uma avalanche de "sobrinhos" e eu aqui acabando de entrar na vida de gente grande.
Confesso que dá para ter medo, dá para ter muito medo do que vem por aí.
Obviamente isso fez com que o assunto fizesse parte de um monte de conversas com a minha mineira. Mesmo durante o sexo ela acaba dizendo algo relativo a parar de fazer só por prazer.
Acho que sou voto vencido na lendária tentativa de trocar um casal de filhos por um Labrador e um Golden Retriever. Não vai colar.
A minha mineira já declarou em alto e bom som que quer ficar gorda e barriguda e que ser mãe é mais um dos seus sonhos desde sempre.
Como entrei nessa para fazê-la feliz (e não exatamente para cuidar da minha própria felicidade), acho que não vai ter negociação nem compensação. Terei mesmo que perder noites de sono, dias de descanso e tranquilidade econômica.
O mais curioso disso tudo é que quem já passou pelo martírio diz que vale cada segundo mal dormido.
Será?
segunda-feira, janeiro 09, 2006
2006

Este ano começou tão bem para mim que resolvi criar um símbolo para os 12 meses que estão por vir.
Achei que seria legal escolher uma imagem da pequena Julia "Punk Rock" Nasi para embalar as noitadas, jantares, risadas, amores e momentos felizes que certamente estão no nosso caminho e no caminho dos nossos.
Sem apelar para as facilidades da fé, este ano vai der "duca"!
E vai ser por que eu quero que seja e por que vou fazer acontecer. Nada vai me parar. Nada vai me atrapalhar.
Neste ano, tudo vai dar ainda mais certo
É so esperar e ver.

Este ano começou tão bem para mim que resolvi criar um símbolo para os 12 meses que estão por vir.
Achei que seria legal escolher uma imagem da pequena Julia "Punk Rock" Nasi para embalar as noitadas, jantares, risadas, amores e momentos felizes que certamente estão no nosso caminho e no caminho dos nossos.
Sem apelar para as facilidades da fé, este ano vai der "duca"!
E vai ser por que eu quero que seja e por que vou fazer acontecer. Nada vai me parar. Nada vai me atrapalhar.
Neste ano, tudo vai dar ainda mais certo
É so esperar e ver.
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Esquisito
Eu nunca tinha visto coisa igual.
Uma a uma ou em casais, as pessoas iam se levantando e saindo da sala de cinema com um ar de revolta que eu só acharia pertinente em uma exibição de “O império dos sentidos” em pleno Vaticano. E o filme não havia começado a mais do que cinco minutos!
Infelizmente eu não conseguia ouvir as conversas, mas posso apostar um braço que mais de um casal dormiu brigado pela escolha daquele filme.
O bom disso tudo é que eu fiquei até o final e acabei até gostando de “A noiva cadáver”.
Obviamente que não foi o melhor filme da minha vida, mas acho que entendi bem o que o Tim Burton quis passar e curti boa parte daquela coisa medonha e engraçadamente aterrorizante.
Ou alguém conhece outro termo mais adequado para uma noiva que tem um senhor quadril e uma perna com ossos à mostra?
Algumas lições que ganhei com a minha persistência:
- o Johnny Depp é o cara mais amado pelos diretores esquisitões, principalmente o Tim Burton;
- animações em stop motion não são para crianças ou pessoas que escolhem seus filmes na hora de comprar os ingressos;
- até mesmo adolescentes indóceis podem se comportar em sociedade enquanto fingem que entendem um filme esquisitão;
- pipocas com manteiga mancham bermudas de sarja.
Esse último aprendizado está meio deslocado dos demais, mas como surgiu na mesma ocasião, achei que não havia mal em relacioná-lo.
Acho que próximo filme esquisito a enfrentar será o “Crônicas de Nárnia”.
Isso se a minha irmã cineasta não me convencer a ir com ela a alguma mostra de cinema cingalês ou coisa que o valha.
De qualquer maneira, não sair da sala nos cinco primeiros minutos continuará sendo uma questão de honra.
Eu nunca tinha visto coisa igual.
Uma a uma ou em casais, as pessoas iam se levantando e saindo da sala de cinema com um ar de revolta que eu só acharia pertinente em uma exibição de “O império dos sentidos” em pleno Vaticano. E o filme não havia começado a mais do que cinco minutos!
Infelizmente eu não conseguia ouvir as conversas, mas posso apostar um braço que mais de um casal dormiu brigado pela escolha daquele filme.
O bom disso tudo é que eu fiquei até o final e acabei até gostando de “A noiva cadáver”.Obviamente que não foi o melhor filme da minha vida, mas acho que entendi bem o que o Tim Burton quis passar e curti boa parte daquela coisa medonha e engraçadamente aterrorizante.
Ou alguém conhece outro termo mais adequado para uma noiva que tem um senhor quadril e uma perna com ossos à mostra?
Algumas lições que ganhei com a minha persistência:
- o Johnny Depp é o cara mais amado pelos diretores esquisitões, principalmente o Tim Burton;
- animações em stop motion não são para crianças ou pessoas que escolhem seus filmes na hora de comprar os ingressos;
- até mesmo adolescentes indóceis podem se comportar em sociedade enquanto fingem que entendem um filme esquisitão;
- pipocas com manteiga mancham bermudas de sarja.
Esse último aprendizado está meio deslocado dos demais, mas como surgiu na mesma ocasião, achei que não havia mal em relacioná-lo.
Acho que próximo filme esquisito a enfrentar será o “Crônicas de Nárnia”.
Isso se a minha irmã cineasta não me convencer a ir com ela a alguma mostra de cinema cingalês ou coisa que o valha.
De qualquer maneira, não sair da sala nos cinco primeiros minutos continuará sendo uma questão de honra.
terça-feira, dezembro 20, 2005
segunda-feira, dezembro 19, 2005
No topo do mundo
Agora não dá mais para se considerar "o único campeão mundial da Fifa".
Agora já dá para dizer que nenhum outro clube brasileiro ganhou tanto.
Agora já dá para dominar o mundo.
E que o próximo europeu que cruzar o caminho do tricolor pense um pouco melhor antes de considerar "imbatível".
São Paulo tricampeão mundial interclubes!
E tenho dito!
Agora não dá mais para se considerar "o único campeão mundial da Fifa".
Agora já dá para dizer que nenhum outro clube brasileiro ganhou tanto.
Agora já dá para dominar o mundo.
E que o próximo europeu que cruzar o caminho do tricolor pense um pouco melhor antes de considerar "imbatível".
São Paulo tricampeão mundial interclubes!
E tenho dito!
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Acerto de contas
Eu gosto do Cameron Crowe e não abro. E isso não tem muito a ver com o passado dele na Rolling Stone e na vida do Led Zeppelin. Gosto do cara por que ele conta estórias que consigo entender. Ele conta estórias de caras miseravelmente comuns, assim como eu.
Não gosto da Rolling Stone pela falta de fotos e acho que o Led já fez a sua parte, por isso me resta lembrar de “Singles”, “Quase famosos” e da Nancy Wilson, a esposa do cara, guitarrista da minha bem amada banda Heart”.
Minha última aquisição na coleção Crowe foi “Tudo acontece em Elisabethtown”.
Um cara comum, uma menina incomum e um problema afetivo.
Poderia ser a minha vida, mas não era e fico aliviado com isso. Não estou preparado para ser um “blockbuster”. Ainda não dá para abrir minha vida desse jeito.
O cara tem saudade do que não viveu com o pai e se lamenta por não ter mais chances de tirar o atraso. A partida do velho matou uma parte do futuro, mas acabou abrindo outra porta, que ele reluta em entrar, até que....
Não sou (tão) safado a ponto de contar o filme inteiro aqui, mas digo que para mim valeu a pena ver aquilo tudo e sentir um pouco mais de certeza que estou no caminho certo.
O cara comum do filme é o Legolas, ops, o Orlando Bloom e só isso bastaria para que os críticos caíssem de pau questionando a validade da estória.
Como é que um cara como o Orlando Bloom pode ser comum?
Mas tirando esse detalhe impertinente, até que a estória cola. Ou não cola, mas quem se importa?
Eu não, já que não vou ao cinema para ver a realidade. Prefiro me divertir, ou quem sabe sonhar.
Nesse filme fiquei com a parte da diversão, mas me identifiquei e saí mais feliz.
A música ajudou, a minha mineira ajudou e a Kirsten Dunst e seus dentes tortos também ajudaram.
E a vida segue seu curso, miseravelmente comum como tem que ser. Ao menos a minha é assim e não adianta a Miss K me chamar de complexo.
Sou comum e pronto!
Jamais fiz uma viagem com o meu velho, mas ainda há tempo. Espero que haja mesmo, mas por via das dúvidas, vou providenciar algo temporário até que possa levá-lo até a Cidade Luz. Esse sempre foi o sonho de consumo dele, desde a bagunça de 1968 e as primaveras no Leste e vou ficar muito feliz se conseguir dar esse presente ao Velho Pezo.
Talvez ele gostasse mais de conseguir voltar para a terra natal, mas aí a coisa fica maior do que eu.
Melhor pensar só em Paris mesmo e continuar focando nos números.
E que Ele diga quando é a data do embarque.
Eu gosto do Cameron Crowe e não abro. E isso não tem muito a ver com o passado dele na Rolling Stone e na vida do Led Zeppelin. Gosto do cara por que ele conta estórias que consigo entender. Ele conta estórias de caras miseravelmente comuns, assim como eu.
Não gosto da Rolling Stone pela falta de fotos e acho que o Led já fez a sua parte, por isso me resta lembrar de “Singles”, “Quase famosos” e da Nancy Wilson, a esposa do cara, guitarrista da minha bem amada banda Heart”.
Minha última aquisição na coleção Crowe foi “Tudo acontece em Elisabethtown”.Um cara comum, uma menina incomum e um problema afetivo.
Poderia ser a minha vida, mas não era e fico aliviado com isso. Não estou preparado para ser um “blockbuster”. Ainda não dá para abrir minha vida desse jeito.
O cara tem saudade do que não viveu com o pai e se lamenta por não ter mais chances de tirar o atraso. A partida do velho matou uma parte do futuro, mas acabou abrindo outra porta, que ele reluta em entrar, até que....
Não sou (tão) safado a ponto de contar o filme inteiro aqui, mas digo que para mim valeu a pena ver aquilo tudo e sentir um pouco mais de certeza que estou no caminho certo.
O cara comum do filme é o Legolas, ops, o Orlando Bloom e só isso bastaria para que os críticos caíssem de pau questionando a validade da estória.Como é que um cara como o Orlando Bloom pode ser comum?
Mas tirando esse detalhe impertinente, até que a estória cola. Ou não cola, mas quem se importa?
Eu não, já que não vou ao cinema para ver a realidade. Prefiro me divertir, ou quem sabe sonhar.
Nesse filme fiquei com a parte da diversão, mas me identifiquei e saí mais feliz.A música ajudou, a minha mineira ajudou e a Kirsten Dunst e seus dentes tortos também ajudaram.
E a vida segue seu curso, miseravelmente comum como tem que ser. Ao menos a minha é assim e não adianta a Miss K me chamar de complexo.
Sou comum e pronto!
Jamais fiz uma viagem com o meu velho, mas ainda há tempo. Espero que haja mesmo, mas por via das dúvidas, vou providenciar algo temporário até que possa levá-lo até a Cidade Luz. Esse sempre foi o sonho de consumo dele, desde a bagunça de 1968 e as primaveras no Leste e vou ficar muito feliz se conseguir dar esse presente ao Velho Pezo.
Talvez ele gostasse mais de conseguir voltar para a terra natal, mas aí a coisa fica maior do que eu.
Melhor pensar só em Paris mesmo e continuar focando nos números.
E que Ele diga quando é a data do embarque.
domingo, novembro 20, 2005
Por la unidad?
Até nisso os brasileiros acabam não sendo latinos.
Enquanto meu povo lamenta mais um fracasso e os quase vizinhos uruguaios perdem nos pênaltis para a Austrália, o País do Futebol se dá ao luxo de jogar com preguiça e meter 8 a 0 em um time de amadores.
Não me admira que (nós) os brazucas adorem(os) falar de música latina e só pensar nos “hispanohablantes”.
Para que se misturar com perdedores?
Até nisso os brasileiros acabam não sendo latinos.
Enquanto meu povo lamenta mais um fracasso e os quase vizinhos uruguaios perdem nos pênaltis para a Austrália, o País do Futebol se dá ao luxo de jogar com preguiça e meter 8 a 0 em um time de amadores.
Não me admira que (nós) os brazucas adorem(os) falar de música latina e só pensar nos “hispanohablantes”.
Para que se misturar com perdedores?
sábado, novembro 12, 2005
Nós, os loosers
Estou terminando de ler um livro do Jabor.
Nunca tinha me interessado em ler coisas dele por achá-lo ranzinza demais, mas como foi um presente de aniversário do Gerson e da Sô e me sinto sensivelmente próximo e meio responsável por esse casal, achei que valia a pena dar um chance ao cara.
Continuo achando que o cara é ranzinza demais, mas descobri um lado looser que me deixou agradavelmente identificado. E os momentos loosers da infância dele no Rio são bastante numerosos no tal "Amor é prosa, sexo é poesia".

Assim com ele, eu também vivi dezenas de amores imaginários e paixões platônicas.
Eu frequentemente me "apaixonava" pela menina mais popular da sala de aula ou ficava babando pela vizinha que me dava carona para a escola.
Invariavelmente a situação acabava em nada e eu seguia meu caminho de colecionador de fracassos.
Acho que o Jabor entende muito bem o que é começar bem mais tarde do que os amigos e sempre ser taxado como lento e até "caso perdido". Esse era ele e esse era eu.
Uso o verbo no passado por que agora eu estou um pouco diferente.
Não digo isso só pelo fato de estar casado com uma bela mulher, mais bela aliás do que a quase totalidade das minhas "companheiras" anteriores. Reforço o passado por que me lembro da minha irregular vida de conquistador que sempre alternou momento da mais deslavada putaria com meses e meses de secura, timidez e solidão.
Usando a linguagem mais popular que me permito colocar aqui, eu não pegava nem resfriado.
Mas tudo muda.
Até minha intolerância pelo Jabor mudou. Hoje até posso dizer que gosto do jeito rebuscado que ele tem.
Mas continuo achando que ele é bem chato quando quer mudar o mundo e criticar a tudo e todos.
Não digo que ele não tenha razão em tentar e espernear, mas como leitor, tenho o direito de dizer que tem outras pessoas fazendo isso melhor e que desejo sinceramente que ele só deixe seu lado looser escrever daqui para a frente.
Tem muito mais a ver comigo.
Estou terminando de ler um livro do Jabor.
Nunca tinha me interessado em ler coisas dele por achá-lo ranzinza demais, mas como foi um presente de aniversário do Gerson e da Sô e me sinto sensivelmente próximo e meio responsável por esse casal, achei que valia a pena dar um chance ao cara.
Continuo achando que o cara é ranzinza demais, mas descobri um lado looser que me deixou agradavelmente identificado. E os momentos loosers da infância dele no Rio são bastante numerosos no tal "Amor é prosa, sexo é poesia".

Assim com ele, eu também vivi dezenas de amores imaginários e paixões platônicas.
Eu frequentemente me "apaixonava" pela menina mais popular da sala de aula ou ficava babando pela vizinha que me dava carona para a escola.
Invariavelmente a situação acabava em nada e eu seguia meu caminho de colecionador de fracassos.
Acho que o Jabor entende muito bem o que é começar bem mais tarde do que os amigos e sempre ser taxado como lento e até "caso perdido". Esse era ele e esse era eu.
Uso o verbo no passado por que agora eu estou um pouco diferente.
Não digo isso só pelo fato de estar casado com uma bela mulher, mais bela aliás do que a quase totalidade das minhas "companheiras" anteriores. Reforço o passado por que me lembro da minha irregular vida de conquistador que sempre alternou momento da mais deslavada putaria com meses e meses de secura, timidez e solidão.
Usando a linguagem mais popular que me permito colocar aqui, eu não pegava nem resfriado.
Mas tudo muda.
Até minha intolerância pelo Jabor mudou. Hoje até posso dizer que gosto do jeito rebuscado que ele tem.
Mas continuo achando que ele é bem chato quando quer mudar o mundo e criticar a tudo e todos.
Não digo que ele não tenha razão em tentar e espernear, mas como leitor, tenho o direito de dizer que tem outras pessoas fazendo isso melhor e que desejo sinceramente que ele só deixe seu lado looser escrever daqui para a frente.
Tem muito mais a ver comigo.
terça-feira, outubro 25, 2005
Álbuns
Dia desses eu estava revendo meus antigos álbuns de fotografias.
Deve ter algo a ver com a mudança de vida e com o novo capítulo que estou experimentando.
Nas fotos eu vi a vida de gente que não sei mais onde está, mas que me deixou fazer parte da sua vida durante algum tempo e com mais ou menos profundidade.
Fazer parte da vida de alguém significa bem mais do que ser apenas amigo. Significa algo esdrúxulo como ser representado por aquela ruga no canto do olho ou o cabelo branco na têmpora. É algo que fica, apesar das tinturas e cremes milagrosos da Avon.
Minha vida em fotos passou meio em branco até 87, quando comecei o colegial.
Quase não tenho imagens daquela época e a maioria é de eventos familiares. Acho que é assim mesmo que tem que ser. Afinal de contas, fazer parte da vida da família é algo quase que obrigatório, apesar da encheção que rola em 100% delas.
O Orkut também tem ajudado a aumentar essa sensação com a aproximação de gente que conheci antes de entender o que era a fotografia. O povo da Escola Paulista é o melhor exemplo disso. Talvez até isso renda um encontro para o ano que vem, mas vamos deixar as coisas acontecerem devagar.
Nos álbuns eu vi a vida de gente que se afastou há tempos e que deixou pouca coisa além da imagem e de alguma (muita?) lembrança infantilmente gostosa.
Lembrei do povo do PV, do Sul, do Albino, do Italiano e do Eurocentre.
Lembrei também do povo do Mack e da Diretoria, mas esses ainda trocam participações nas vidas comigo e por isso não foram arquivados como lembranças. Esses são realidade.
E por fala em realidade, chego finalmente ao álbum que estou construindo com a minha mineira. Já são dezenas de fotos desde que tropeçamos um no outro. Devemos chegar perto das centenas e não parece que estamos cansados delas.
Nosso álbum diz que fazemos parte da vida um do outro e que ainda há espaço para muito filme e muita memória de máquina digital.
Fico pensando em como será nosso álbum daqui há alguns anos.
Será a pequena Julia, sobrinha do Presidente, vai estar em muitas fotos?
Será que a minha amada Letícia vai dar as caras?
Será que nós vamos dar a nossa contribuição com algum Labrador ou Golden Retrivier?
Não dá para saber. Apenas dá para querer e fazer acontecer. Conforme a vontade D´Ele, claro, mas a nossa parte a gente faz.
E que os ventos do futuro tragam para perto mais vidas das quais fiz parte nos meus álbuns.
Quero que elas me contem para onde as vidas deles andaram e o que ficou do álbum que compartilhamos.
Tenho certeza de que vai ser divertido.
Dia desses eu estava revendo meus antigos álbuns de fotografias.
Deve ter algo a ver com a mudança de vida e com o novo capítulo que estou experimentando.
Nas fotos eu vi a vida de gente que não sei mais onde está, mas que me deixou fazer parte da sua vida durante algum tempo e com mais ou menos profundidade.
Fazer parte da vida de alguém significa bem mais do que ser apenas amigo. Significa algo esdrúxulo como ser representado por aquela ruga no canto do olho ou o cabelo branco na têmpora. É algo que fica, apesar das tinturas e cremes milagrosos da Avon.
Minha vida em fotos passou meio em branco até 87, quando comecei o colegial.
Quase não tenho imagens daquela época e a maioria é de eventos familiares. Acho que é assim mesmo que tem que ser. Afinal de contas, fazer parte da vida da família é algo quase que obrigatório, apesar da encheção que rola em 100% delas.
O Orkut também tem ajudado a aumentar essa sensação com a aproximação de gente que conheci antes de entender o que era a fotografia. O povo da Escola Paulista é o melhor exemplo disso. Talvez até isso renda um encontro para o ano que vem, mas vamos deixar as coisas acontecerem devagar.
Nos álbuns eu vi a vida de gente que se afastou há tempos e que deixou pouca coisa além da imagem e de alguma (muita?) lembrança infantilmente gostosa.
Lembrei do povo do PV, do Sul, do Albino, do Italiano e do Eurocentre.
Lembrei também do povo do Mack e da Diretoria, mas esses ainda trocam participações nas vidas comigo e por isso não foram arquivados como lembranças. Esses são realidade.
E por fala em realidade, chego finalmente ao álbum que estou construindo com a minha mineira. Já são dezenas de fotos desde que tropeçamos um no outro. Devemos chegar perto das centenas e não parece que estamos cansados delas.
Nosso álbum diz que fazemos parte da vida um do outro e que ainda há espaço para muito filme e muita memória de máquina digital.
Fico pensando em como será nosso álbum daqui há alguns anos.
Será a pequena Julia, sobrinha do Presidente, vai estar em muitas fotos?
Será que a minha amada Letícia vai dar as caras?
Será que nós vamos dar a nossa contribuição com algum Labrador ou Golden Retrivier?
Não dá para saber. Apenas dá para querer e fazer acontecer. Conforme a vontade D´Ele, claro, mas a nossa parte a gente faz.
E que os ventos do futuro tragam para perto mais vidas das quais fiz parte nos meus álbuns.
Quero que elas me contem para onde as vidas deles andaram e o que ficou do álbum que compartilhamos.
Tenho certeza de que vai ser divertido.
Como era antes
Demorou, mas eu voltei.
Quase dois meses depois de viver o primeiro dia do resto da minha vida (salve John Hughes!) e mais de um mês depois de escrever meu último post, voltei a relatar algumas impressões que ficam das coisas que acontecem na minha vida.
Deveria ter me esforçado mais para compartilhar os primeiros movimentos da vida a dois com meus amigos-leitores, mas não rolou. Como disse o Professor, eu mal tive tempo para "dar uma de Rei" quanto mais para manter meus blogs atualizados.
Estou voltando aos poucos e não dá para prometer que a frequência vai voltar ao que era antes.
Acho que nada vai ser como era antes, mas vamos ver que dá.
Demorou, mas eu voltei.
Quase dois meses depois de viver o primeiro dia do resto da minha vida (salve John Hughes!) e mais de um mês depois de escrever meu último post, voltei a relatar algumas impressões que ficam das coisas que acontecem na minha vida.
Deveria ter me esforçado mais para compartilhar os primeiros movimentos da vida a dois com meus amigos-leitores, mas não rolou. Como disse o Professor, eu mal tive tempo para "dar uma de Rei" quanto mais para manter meus blogs atualizados.
Estou voltando aos poucos e não dá para prometer que a frequência vai voltar ao que era antes.
Acho que nada vai ser como era antes, mas vamos ver que dá.
quinta-feira, setembro 15, 2005
Mistura sentimental
Não senti quase nada do que me disseram que sentiria.
Não vi um corredor infinito, não olhava para as pessoas e via através delas, não tremi como adolescente quando o padre me fez a grande pergunta.
Me casei e passei por tudo como um lorde. Um lorde chorão, diga-se de passagem.
Não sei bem o que desencadeou tudo. Não sei se foi o almoço que foi até as cinco da tarde (o casório foi as seis), o fato de ter visto Fama pouco antes da cerimônia ou a emoção de me casar com a mulher da minha vida propriamente dita.
Provavelmente foi uma mistura de tudo isso. O fato é que comecei a chorar ainda no hotel quando meu grande Galahad foi me ajudar a dar o nó da gravata e só parei quando fiquei liberado de tirar tantas fotos.
Para se ter uma idéia de quão importante isso é, eu me gabo de dar o nó de uma gravata sem olhar e sem tê-la no pescoço. Ainda bem que os amigos estavam mais em cima dos cascos do que eu.
Antes que me condenem, acho necessário registrar que o almoço não durou demais à toa.
Eu estava ao lado do meu velho, de dois tios queridos do Chile e de dois dos irmãos que eu não tive. Todos felizes, todos comemorando e quase todos passados na bebida.
Poderia ter acontecido um desastre, mas Ele não quis e não deixou. Ele sabia que era tudo por uma boa causa e que aquele era um momento único.
Afinal de contas, minha Lelê estava lá, meus tios estavam lá, minha família estava lá e meus amigos e irmãos também.
Todos estavam lá por nós. Todos queriam nos ver felizes. Todos esperavam nos ver satisfeitos. Todos se espantaram com o tamanho da nossa felicidade.
E foi mais ou menos assim que deixei de ser solteiro.
Agora tenho que reorganizar minha vida para dividir quase tudo com a minha mineira.
Digo quase tudo por que ambos fazemos questão de constuir a vida a dois sem perder a individualidade.
Vai dar tudo certo por que é isso que queremos.
E sobre a lua de mel, eu falo lá no Seguindo Gulliver.
É bom estar de volta!
Não senti quase nada do que me disseram que sentiria.
Não vi um corredor infinito, não olhava para as pessoas e via através delas, não tremi como adolescente quando o padre me fez a grande pergunta.
Me casei e passei por tudo como um lorde. Um lorde chorão, diga-se de passagem.
Não sei bem o que desencadeou tudo. Não sei se foi o almoço que foi até as cinco da tarde (o casório foi as seis), o fato de ter visto Fama pouco antes da cerimônia ou a emoção de me casar com a mulher da minha vida propriamente dita.
Provavelmente foi uma mistura de tudo isso. O fato é que comecei a chorar ainda no hotel quando meu grande Galahad foi me ajudar a dar o nó da gravata e só parei quando fiquei liberado de tirar tantas fotos.
Para se ter uma idéia de quão importante isso é, eu me gabo de dar o nó de uma gravata sem olhar e sem tê-la no pescoço. Ainda bem que os amigos estavam mais em cima dos cascos do que eu.
Antes que me condenem, acho necessário registrar que o almoço não durou demais à toa.
Eu estava ao lado do meu velho, de dois tios queridos do Chile e de dois dos irmãos que eu não tive. Todos felizes, todos comemorando e quase todos passados na bebida.
Poderia ter acontecido um desastre, mas Ele não quis e não deixou. Ele sabia que era tudo por uma boa causa e que aquele era um momento único.
Afinal de contas, minha Lelê estava lá, meus tios estavam lá, minha família estava lá e meus amigos e irmãos também.
Todos estavam lá por nós. Todos queriam nos ver felizes. Todos esperavam nos ver satisfeitos. Todos se espantaram com o tamanho da nossa felicidade.
E foi mais ou menos assim que deixei de ser solteiro.
Agora tenho que reorganizar minha vida para dividir quase tudo com a minha mineira.
Digo quase tudo por que ambos fazemos questão de constuir a vida a dois sem perder a individualidade.
Vai dar tudo certo por que é isso que queremos.
E sobre a lua de mel, eu falo lá no Seguindo Gulliver.
É bom estar de volta!
sexta-feira, setembro 02, 2005
Novo começo
Este é meu último post solteiro.
Daqui a poucas horas serei um (quase) respeitável homem (bem) casado e minha vida vai mudar. Se tudo seguir a minha expectativa (e meu esforço), vai mudar para melhor, cada vez melhor a cada dia.
A vida com a minha mineira vai trazer muitas das coisas que busquei durante todas as minhas mais de 33 primaveras.
Vai ser uma descoberta diária, mas me sinto muito confortável com tudo.
Por mais que digam que o casamento só serve para resolver os problemas que não se tinha quando se era solteiro, vou encarar.
Corrigindo! Vou encarar e me dar bem!
Por que é assim que ambos queremos que seja.
Por conta do casório, vou interromper os posts por um período.
Na verdade, só vou voltar a escrever depois de voltar da lua de mel em terras argentinas e de instalar meu micro novo, na casa nova, da vida nova.
Na volta, conto as aventuras no Seguindo Gulliver e na sequência retomo as tagalerices deste blog.
Até o outro lado!
Este é meu último post solteiro.
Daqui a poucas horas serei um (quase) respeitável homem (bem) casado e minha vida vai mudar. Se tudo seguir a minha expectativa (e meu esforço), vai mudar para melhor, cada vez melhor a cada dia.
A vida com a minha mineira vai trazer muitas das coisas que busquei durante todas as minhas mais de 33 primaveras.
Vai ser uma descoberta diária, mas me sinto muito confortável com tudo.
Por mais que digam que o casamento só serve para resolver os problemas que não se tinha quando se era solteiro, vou encarar.
Corrigindo! Vou encarar e me dar bem!
Por que é assim que ambos queremos que seja.
Por conta do casório, vou interromper os posts por um período.
Na verdade, só vou voltar a escrever depois de voltar da lua de mel em terras argentinas e de instalar meu micro novo, na casa nova, da vida nova.
Na volta, conto as aventuras no Seguindo Gulliver e na sequência retomo as tagalerices deste blog.
Até o outro lado!
sábado, agosto 27, 2005
Começou
Estou vivendo meu segundo final de semana fora da casa dos meus pais.
Foram 33 anos e pouco sem sair de baixa da proteção deles e apenas 10 dias me virando mais ou menos sozinho.
O mais ou menos se deve a algumas visitas estratégicas para pegar algumas coisas que ficaram para trás e para filar alguma bóia.
Além disso, tive que recorrer ao abrigo deles quando esqueci minha chave em Uberlândia e não tinha como entrar em casa. Coisas de quem não está acostumado a ser adulto.
Mas a experiência de morar sozinho vai durar pouco.
Daqui há alguns dias a minha mineira vai assumir o seu devido lugar no castelo e tudo vai entrar nos eixos. Vai ficar mais complicado comer às custas dos pais, mas tudo bem. A gente ser vira em casa mesmo.
Já abasteci um pouco a geladeira e daqui a pouco vou repor algumas coisinhas que já acabaram.
As duas latas de cerveja que comprei ainda estão intocadas, fruto do absurdo conflito de agendas que meus amigos me brindaram. Mas ainda resta esperança.
Apesar de faltar muito pouco tempo para o casório, parece que na próxima terça vai rolar mesmo a tal despedida de solteiro. Pelo menos foi isso que me garantiram hoje.
O Presidente até comprou um mega-whisky especialmente para o evento. Tudo em minha homenagem. Vou ter que recebê-los à altura, varrer a casa e comprar alguns quitutes para comer. Uns dois quilos de salame devem resolver a parada.
Agora estou novamente na casa dos velhos para mexer um pouco no micro.
A casa nova ainda não está conectada, mas isso dura pouco. Vamos ver se resolvo isso logo na segunda.
Gostaria de contar mais coisas sobre a vida nova, mas tenho que voltar para casa para guardar algumas coisas da mudança que ainda estão encaixotadas.
Se eu soubesse que ser dono do nariz era tão trabalhoso, tinha ecomizado mais e contratado um personal mover: aí era só pagar e chegar quando tudo estivesse mudado e arrumado.
Boa idéia para um negócio futuro!
Estou vivendo meu segundo final de semana fora da casa dos meus pais.
Foram 33 anos e pouco sem sair de baixa da proteção deles e apenas 10 dias me virando mais ou menos sozinho.
O mais ou menos se deve a algumas visitas estratégicas para pegar algumas coisas que ficaram para trás e para filar alguma bóia.
Além disso, tive que recorrer ao abrigo deles quando esqueci minha chave em Uberlândia e não tinha como entrar em casa. Coisas de quem não está acostumado a ser adulto.
Mas a experiência de morar sozinho vai durar pouco.
Daqui há alguns dias a minha mineira vai assumir o seu devido lugar no castelo e tudo vai entrar nos eixos. Vai ficar mais complicado comer às custas dos pais, mas tudo bem. A gente ser vira em casa mesmo.
Já abasteci um pouco a geladeira e daqui a pouco vou repor algumas coisinhas que já acabaram.
As duas latas de cerveja que comprei ainda estão intocadas, fruto do absurdo conflito de agendas que meus amigos me brindaram. Mas ainda resta esperança.
Apesar de faltar muito pouco tempo para o casório, parece que na próxima terça vai rolar mesmo a tal despedida de solteiro. Pelo menos foi isso que me garantiram hoje.
O Presidente até comprou um mega-whisky especialmente para o evento. Tudo em minha homenagem. Vou ter que recebê-los à altura, varrer a casa e comprar alguns quitutes para comer. Uns dois quilos de salame devem resolver a parada.
Agora estou novamente na casa dos velhos para mexer um pouco no micro.
A casa nova ainda não está conectada, mas isso dura pouco. Vamos ver se resolvo isso logo na segunda.
Gostaria de contar mais coisas sobre a vida nova, mas tenho que voltar para casa para guardar algumas coisas da mudança que ainda estão encaixotadas.
Se eu soubesse que ser dono do nariz era tão trabalhoso, tinha ecomizado mais e contratado um personal mover: aí era só pagar e chegar quando tudo estivesse mudado e arrumado.
Boa idéia para um negócio futuro!
sexta-feira, agosto 19, 2005
Me chamam de Hitch
Funciona mais ou menos assim: eu pergunto como a pessoa está e não deixo passar nada que não aponte para um "sim" conclusivo e crível. Se sentir um fio de dúvida ou de tristeza, já vou logo perguntando o que acontece e o que posso fazer para ajudar.
Na grande maioria dos casos, trata-se de um problema do coração e, como a relação de confiança já existe, acabo explorando bastante o problema e fazendo a minha parte para ajudar a pessoa a identificar a melhor solução.
É mais ou menos como o trabalho do Hitch, só que sem o glamour novaiorquino, o charme do Will Smith e aquele apartamento "sonho de consumo".
É tudo em escala menor, mais intimista e menos comercial. Mas que funciona, funciona.

O conselheiro yankee
Minha "cliente" atual é a Dri, uma ex-estudante de moda que pegou suas trouxinhas e voltou para a casa dos pais lá no Planalto Central.
Ela anda as voltas com um namoro que nasceu morno e que vai esfriando ainda mais a cada dia que passa. Não bastasse essa coisa gélida, ainda surgiu um outro rapaz que não fez nada físico, mas abalou as estruturas dessa minha pobre amiga.
Normalmente eu tenderia a partir para a defesa do relacionamento e para ajudá-la a descobrir motivos para seguir com o namorado, mas neste caso achei melhor focar naquilo que pode fazê-la mais feliz, mesmo que fosse moralmente menos aceitável.
Pois é, estou mesmo incentivando o chifre, mas de uma forma bem menos sexual do que possa parecer: quero que ela descubra as razões que a fazem estar com o namorado e por que esse outro rapaz a abalou tanto sem nem mesmo ter lhe dado um beijo.
Deve ter sido forte e não acho que ela deva ignorar o que houve.
Afinal de contas o que importa é ser feliz e esse namoro atual definitivamente não a completa.
Quando paro para pensar que os papéis poderiam estar invertidos, me sinto meio mal por incentivar algo que não seja a fidelidade, a concessão e o entendimento, mas acredito que no caminho atual ela vai esbarrar no erro inútil.
Errar e aprender ajuda a pessoa a crescer, mas neste caso acho que ela precisa ter mais informações sobre as opções que existem.
Adoraria dizer que ela deve mesmo insistir no namoro atual para encontrar alguma forma de ser feliz, mas não é o que vejo, não é no que acredito, ao menos para ela.
Eu acho que ela está acomodada e pedindo por ajuda.
Não sou nenhum cavaleiro andante, mas vou ajudá-la.
Tenho que ajudá-la a entender o que é bom e o que é ruim no relacionamento atual e ajudá-la também a entender por que ela deveria descobrir o que há dou outro lado.
Não se trata de sair por sair, mas sim de pesar os prós e contras de ambas as saídas.
Se eu for tão bem sucedido quanto o Will Smith, minha maior recompensa será a felicidade dela.
Se não, ao menos eu tentei e fica tudo bem do mesmo jeito.
É o tipo de jogo que eu mais gosto: onde todo mundo ganha.
Funciona mais ou menos assim: eu pergunto como a pessoa está e não deixo passar nada que não aponte para um "sim" conclusivo e crível. Se sentir um fio de dúvida ou de tristeza, já vou logo perguntando o que acontece e o que posso fazer para ajudar.
Na grande maioria dos casos, trata-se de um problema do coração e, como a relação de confiança já existe, acabo explorando bastante o problema e fazendo a minha parte para ajudar a pessoa a identificar a melhor solução.
É mais ou menos como o trabalho do Hitch, só que sem o glamour novaiorquino, o charme do Will Smith e aquele apartamento "sonho de consumo".
É tudo em escala menor, mais intimista e menos comercial. Mas que funciona, funciona.

O conselheiro yankee

Minha "cliente" atual é a Dri, uma ex-estudante de moda que pegou suas trouxinhas e voltou para a casa dos pais lá no Planalto Central.
Ela anda as voltas com um namoro que nasceu morno e que vai esfriando ainda mais a cada dia que passa. Não bastasse essa coisa gélida, ainda surgiu um outro rapaz que não fez nada físico, mas abalou as estruturas dessa minha pobre amiga.
Normalmente eu tenderia a partir para a defesa do relacionamento e para ajudá-la a descobrir motivos para seguir com o namorado, mas neste caso achei melhor focar naquilo que pode fazê-la mais feliz, mesmo que fosse moralmente menos aceitável.
Pois é, estou mesmo incentivando o chifre, mas de uma forma bem menos sexual do que possa parecer: quero que ela descubra as razões que a fazem estar com o namorado e por que esse outro rapaz a abalou tanto sem nem mesmo ter lhe dado um beijo.
Deve ter sido forte e não acho que ela deva ignorar o que houve.
Afinal de contas o que importa é ser feliz e esse namoro atual definitivamente não a completa.
Quando paro para pensar que os papéis poderiam estar invertidos, me sinto meio mal por incentivar algo que não seja a fidelidade, a concessão e o entendimento, mas acredito que no caminho atual ela vai esbarrar no erro inútil.
Errar e aprender ajuda a pessoa a crescer, mas neste caso acho que ela precisa ter mais informações sobre as opções que existem.
Adoraria dizer que ela deve mesmo insistir no namoro atual para encontrar alguma forma de ser feliz, mas não é o que vejo, não é no que acredito, ao menos para ela.
Eu acho que ela está acomodada e pedindo por ajuda.
Não sou nenhum cavaleiro andante, mas vou ajudá-la.
Tenho que ajudá-la a entender o que é bom e o que é ruim no relacionamento atual e ajudá-la também a entender por que ela deveria descobrir o que há dou outro lado.
Não se trata de sair por sair, mas sim de pesar os prós e contras de ambas as saídas.
Se eu for tão bem sucedido quanto o Will Smith, minha maior recompensa será a felicidade dela.
Se não, ao menos eu tentei e fica tudo bem do mesmo jeito.
É o tipo de jogo que eu mais gosto: onde todo mundo ganha.
sábado, agosto 13, 2005
Homem não chora
Não sei bem o que acontece.
É assim desde o primeiro programa: basta a Angelita aparecer para cantar no Fama que eu já fico com os olhos cheios de água e o bico começa a tremer.
E aí é um tal de esconder o rosto, pensar no trabalho (ou em qualquer outra broxante o bastante) e fingir que não é comigo.
Parando para pensar nas razões desse derretimento, não consigo chegar a conclusão alguma. Pensei que pudesse ter algum tipo de solidariedade com o grande Erich e suas estórias de Piracicaba (a Angelita é de lá), mas achei gay demais e abortei a idéia.
Depois fiquei com a impressão que tivesse algo a ver com a forma doce como ela canta. Novamente achei melhor não evoluir muito a idéia sob risco de arrumar confusão com a minha mineira e seu jeito cool de sentir ciúme.
Acabei desistindo de arrumar razões e resolvi assumir que sou um pseudo-bronco que adora segurar as emoções, mas que está enfrentando cada mais dificuldades para fazer isso.
Deve ser a proximidade do casório.
Algo me diz que vou chorar como criança e que vou gerar infinitas interpretações por parte dos convidados. De felicidade pela nova vida até tristeza pelas coisas que vão ficar só na memória, todo mundo vai tentar adivinhar e até acho que muitos vão acertar.
Mas só eu e ela vamos saber.
E vou voltar ao site da Globo para votar e tentar manter a minha geradora de lágrimas ao menos mais uma semana no programa.
Não sei bem o que acontece.
É assim desde o primeiro programa: basta a Angelita aparecer para cantar no Fama que eu já fico com os olhos cheios de água e o bico começa a tremer.
E aí é um tal de esconder o rosto, pensar no trabalho (ou em qualquer outra broxante o bastante) e fingir que não é comigo.
Parando para pensar nas razões desse derretimento, não consigo chegar a conclusão alguma. Pensei que pudesse ter algum tipo de solidariedade com o grande Erich e suas estórias de Piracicaba (a Angelita é de lá), mas achei gay demais e abortei a idéia.
Depois fiquei com a impressão que tivesse algo a ver com a forma doce como ela canta. Novamente achei melhor não evoluir muito a idéia sob risco de arrumar confusão com a minha mineira e seu jeito cool de sentir ciúme.
Acabei desistindo de arrumar razões e resolvi assumir que sou um pseudo-bronco que adora segurar as emoções, mas que está enfrentando cada mais dificuldades para fazer isso.
Deve ser a proximidade do casório.
Algo me diz que vou chorar como criança e que vou gerar infinitas interpretações por parte dos convidados. De felicidade pela nova vida até tristeza pelas coisas que vão ficar só na memória, todo mundo vai tentar adivinhar e até acho que muitos vão acertar.
Mas só eu e ela vamos saber.
E vou voltar ao site da Globo para votar e tentar manter a minha geradora de lágrimas ao menos mais uma semana no programa.
domingo, agosto 07, 2005
Quase lá
O castelo está quase pronto.
Entre pó, stress, arranhões e bicos, os muros já estão de pé, o fosso já está cheio de jacarés e agora só falta a mudança do Rei e da Rainha.
O reino está em festa e os súditos participam da boda como se fosse a de seus filhos.
Todos estão felizes, mesmo que a Rainha ainda esteja longe, reinando lá no Cerrado.
Tudo está preparado e todo mundo cumpre seu papel a contento.
Do marceneiro ao carteiro, do entregador de pizza ao povo das Casas Bahia, todo mundo faz sua parte para que a inauguração do castelo aconteça no melhor estilo romântico e medieval.
Depois da inauguração, não será mais necessário inventar viagens a Campinas ou coisa que o valha para ficar o dia inteiro na cama, fazendo amor e planos, como nos convêm.
Não vamos mais ter que pegar o carro para deixar alguém em casa por que já está tarde.
Acabou-se a necessidade de maquiar a verdade para não complicar algo tão bom quanto a vontade de estar junto.
O castelo vai significar a liberdade e o início.
O castelo vai abrigar um lar e falta pouco para isso.
O castelo será a casca da nossa felicidade, mas não vai nos limitar. Pelo contrário, ele vai ficar tão aconchegante e caloroso, que nossas viagens vão ser tão gostosas no antes e durante quanto no depois.
Vamos ficar indecisos se queremos ficar tanto tempo longe de casa e isso é o segredo do reino.
Que assim seja e que não seja necessária magia para encantar o nosso lar.

O nosso é quase tão lindo quanto este
O castelo está quase pronto.
Entre pó, stress, arranhões e bicos, os muros já estão de pé, o fosso já está cheio de jacarés e agora só falta a mudança do Rei e da Rainha.
O reino está em festa e os súditos participam da boda como se fosse a de seus filhos.
Todos estão felizes, mesmo que a Rainha ainda esteja longe, reinando lá no Cerrado.
Tudo está preparado e todo mundo cumpre seu papel a contento.
Do marceneiro ao carteiro, do entregador de pizza ao povo das Casas Bahia, todo mundo faz sua parte para que a inauguração do castelo aconteça no melhor estilo romântico e medieval.
Depois da inauguração, não será mais necessário inventar viagens a Campinas ou coisa que o valha para ficar o dia inteiro na cama, fazendo amor e planos, como nos convêm.
Não vamos mais ter que pegar o carro para deixar alguém em casa por que já está tarde.
Acabou-se a necessidade de maquiar a verdade para não complicar algo tão bom quanto a vontade de estar junto.
O castelo vai significar a liberdade e o início.
O castelo vai abrigar um lar e falta pouco para isso.
O castelo será a casca da nossa felicidade, mas não vai nos limitar. Pelo contrário, ele vai ficar tão aconchegante e caloroso, que nossas viagens vão ser tão gostosas no antes e durante quanto no depois.
Vamos ficar indecisos se queremos ficar tanto tempo longe de casa e isso é o segredo do reino.
Que assim seja e que não seja necessária magia para encantar o nosso lar.

O nosso é quase tão lindo quanto este
quarta-feira, agosto 03, 2005
O tempo certo
Sempre achei que publicar o convite de casamento no quadro de avisos da empresa fosse uma prática comum e nunca pensei nas consequências que isso poderia trazer.
Só recentemente, quando coloquei no papel todos os dinheiros que estavam envolvidos na festa, na cerimônia e tudo mais é que entendi o receio dos noivos em ter a celebração prejudicada pelo excesso de pessoas.
Além de caro, isso significa mau atendimento e reclamações certas.
Como a brincadeira vai acontecer toda à segura distância de 600km daqui, achei que não havia problemas e publiquei mesmo o convite.
Agora ele está lá, lindão e aberto para quem quiser ver.
O engraçado foi lidar com a diversidade de reações que o tal convite causou.
O que mais ouvi dos homens foram comentários referentes à minha sanidade mental e das mulheres à proximidade de me tornar um homem sério.
Felizmente também pintaram desejos sinceros de felicidade e algumas lições.
Uma delas partiu da secretária da área, que me contou toda a estória do casamento anterior do seu atual marido.
Segundo ele, o sujeito namorava com uma moça bastante desequilibrada que chegou inclusive a tentar o suicídio quando eles terminaram pela primeira vez.
Por pressão das famílias ele voltou atrás e acabou sendo enrolado por uma gravidez pouco honesta: mesmo garantindo que a deixaria se ela engravidasse, a moça insisti, não se preveniu e a encomenda foi feita.
Esse foi um exemplo perfeito de razões para não casar já que o rapaz assumiu o filho, fez seu papel afetivo como se deve, mas não ficou com a menina.
Na minha opinião, bem feito para ela.
Outra experiência válida foi a de uma colega que se casou depois dos 30 e não se arrepende.
Segundo ela, havia a possibilidade de se casar com vinte e poucos, mas eles preferiram seguir vivendo e tomar a decisão como adultos.
Parece que foi a melhor coisa que poderia acontecer já que ambos já estavam em um momento da vida onde o casamento era a coisa mais desejada e a paz a dois, um prêmio bastante visado.
Dos dois relatos eu posso tirar algumas coisas boas da minha situação:
1 - Me caso com a minha mineira pelas razões certas e com um diálogo muito honesto e aberto. Isso deve garantir uma vida boa para ambos e um volume de realizações, conquistas e felicidade bastante grande.
2 - Ambos já vivemos muitas coisas e experimentamos diversos sabores, o que nos dá muita certeza de que é isso mesmo que queremos fazer. Não há dúvidas ou inseguranças. Vai dar certo por que faremos dar certo.
Resta agora um mê exato para o grande dia.
Tudo está certo e ajeitado. Até o castelo já pode nos receber de braços abertos.
Só temos uma tarefa agora: ser extremamente felizes e viver ainda mais a vida!
Para nós, isso é fichinha, afinal de contas, escolhemos o casamento e não fomos escolhidos por ele.
E isso faz toda a diferença!
Sempre achei que publicar o convite de casamento no quadro de avisos da empresa fosse uma prática comum e nunca pensei nas consequências que isso poderia trazer.
Só recentemente, quando coloquei no papel todos os dinheiros que estavam envolvidos na festa, na cerimônia e tudo mais é que entendi o receio dos noivos em ter a celebração prejudicada pelo excesso de pessoas.
Além de caro, isso significa mau atendimento e reclamações certas.
Como a brincadeira vai acontecer toda à segura distância de 600km daqui, achei que não havia problemas e publiquei mesmo o convite.
Agora ele está lá, lindão e aberto para quem quiser ver.
O engraçado foi lidar com a diversidade de reações que o tal convite causou.
O que mais ouvi dos homens foram comentários referentes à minha sanidade mental e das mulheres à proximidade de me tornar um homem sério.
Felizmente também pintaram desejos sinceros de felicidade e algumas lições.
Uma delas partiu da secretária da área, que me contou toda a estória do casamento anterior do seu atual marido.
Segundo ele, o sujeito namorava com uma moça bastante desequilibrada que chegou inclusive a tentar o suicídio quando eles terminaram pela primeira vez.
Por pressão das famílias ele voltou atrás e acabou sendo enrolado por uma gravidez pouco honesta: mesmo garantindo que a deixaria se ela engravidasse, a moça insisti, não se preveniu e a encomenda foi feita.
Esse foi um exemplo perfeito de razões para não casar já que o rapaz assumiu o filho, fez seu papel afetivo como se deve, mas não ficou com a menina.
Na minha opinião, bem feito para ela.
Outra experiência válida foi a de uma colega que se casou depois dos 30 e não se arrepende.
Segundo ela, havia a possibilidade de se casar com vinte e poucos, mas eles preferiram seguir vivendo e tomar a decisão como adultos.
Parece que foi a melhor coisa que poderia acontecer já que ambos já estavam em um momento da vida onde o casamento era a coisa mais desejada e a paz a dois, um prêmio bastante visado.
Dos dois relatos eu posso tirar algumas coisas boas da minha situação:
1 - Me caso com a minha mineira pelas razões certas e com um diálogo muito honesto e aberto. Isso deve garantir uma vida boa para ambos e um volume de realizações, conquistas e felicidade bastante grande.
2 - Ambos já vivemos muitas coisas e experimentamos diversos sabores, o que nos dá muita certeza de que é isso mesmo que queremos fazer. Não há dúvidas ou inseguranças. Vai dar certo por que faremos dar certo.
Resta agora um mê exato para o grande dia.
Tudo está certo e ajeitado. Até o castelo já pode nos receber de braços abertos.
Só temos uma tarefa agora: ser extremamente felizes e viver ainda mais a vida!
Para nós, isso é fichinha, afinal de contas, escolhemos o casamento e não fomos escolhidos por ele.
E isso faz toda a diferença!
Subscrever:
Mensagens (Atom)



