quarta-feira, março 01, 2006

Beautiful day

Meus joelhos chegaram destruídos, meu humor estava um lixo e meu estômago estava nas costas. Ainda assim valeu a pena. Ainda assim foi bom reencontrar o U2.
Novamente foi em solo 'sagrado',mas desta vez eu abusei do contato. Praticamente me deitei no gramado e sonhei com outros shows, estes muito mais esportivos e tricolores.

A coisa toda funcionou tão bem que nem parecia que o 'lazarento' do Accioly ainda estava envolvido na organização.
Do esquema de compra de ingressos para o segundo dia, até a estrutura montada para deixar o povo se preocupando apenas com o show, tudo foi de primeira, impecável mesmo.
De ruim, só o ânimo do público com o bom show do Franz Ferdinand.
Os escoceses se esforçaram muito e eu até pulei em várias músicas, mas o que mais se ouvia ao final de cada música eram convites para que eles terminassem logo e saissem.
A noite era da Irlanda, não da Escócia.

E apesar do carisma milimetricamente coreografado do Sr. Hewson, o U2 voltou ao Brasil e novamente arrebentou.
Todo mundo cantou quase tudo. Até as mais novas deixaram o povo animado.

Eu estava praticamente no Paraíso: minha mineira estava lá, meus amigos-irmãos estavam lá e até a querida Mi de Blumenau estava lá. Só faltava a minha irmã-cineasta. Mas esperar que ela saisse da Hot Area e da frente do palco para se juntar a mim no meio do campo era amor demais. Ninguém seria louco a esse ponto e ela sempre se mostrou bem sã.
Mesmo assim, tudo foi perfeito e eu cantei como nunca.

De vez em quando tinha que suspender a minha mineira por sobre o mar de cabeças para que ela colocasse os olhos na banda, mas nem isso me desanimou.
Só parei de pular quando meus meniscos começaram a fazer mais barulho do que a guitarra do Edge. Aí sim era hora de parar e ir embora.
Mas quando eu estava fazendo isso, veio o segundo bis e com ele "All I want is you".
Desejei que o Presidente estivesse ali com a gente para relembrar uma certa noite em Campos onde a gente achava que nunca havia sido tão felizes, mas ele já estava longe, assustado com o crowd e havia perdido o momento.

Talvez ele tenha sido mais sábio, já que quase morremos amassados na saída, mas nem isso fez o evento não valer a pena.
Saí feliz como em poucas ocasiões na minha vida. O casório é hors-concours, claro. Melhor que isso, só se a banda fosse inglesa, viesse de uma certa cidade chamada Manchester e o vocalista atendesse não por um apelido, mas pelo seu sobrenome.
Aí sim seria perfeito, mas como muita gente costuma dizer, a perfeição não existe e o tempo não volta jamais.

Sendo assim, me contento com a felicidade do segundo encontro com o U2 e com mais um momento dividido com a minha mineira.
Foi só mais um da longa série que ainda vamos ter pela frente.
É só esperar.

sábado, fevereiro 18, 2006

Tio, again!

Minha querida Letícia vai ganhar um irmão.
A rebeldia da minha irmã mais velha atacou novamente e foi feita nova encomenda. Novamente independente.
Não tenho como julgar atos, mas imagino consequências. A Lelê teve a sorte de contar com dois pais e duas mães postiços, além da mãe biológica. O mesmo não vai acontecer com o futuro Pezo, mas de alguma forma isso terá que ser contornado.

Sinto um misto de alegria, apreensão e pena. Tudo isso tem suas razões óbvias, mas também está ligado ao fato de que não verei o novo sobrinho nascer e sabe lá quando poderei conhecê-lo.
Meus velhos estão mais ou menos na mesma, excluindo o estado catatônico do meu pai após receber a notícia. Acho que está grisalho demais para esse tipo de emoção.
Daria tudo para saber o que se passa na cachola dele neste momento.
Imagino que tenha muito a ver com a lance de estar longe e de não poder acolher e aconselhar. Por que esse é o papel do avô e neste momento ele é muito mais avô do que pai.

Eu queria ser um pouco mais do que tio. Queria estar lá na maternidade e poder segurar o molequinho no colo ao menos uma vez.
Queria conversar com ele em Português e receber confidências na hora de voltar para casa, como faço com a Lelê.
Queria tê-los mais perto. Queria conhecê-los mais.
Queria querer menos, esperar menos, aceitar mais.
Queria ser mais.
Queria, mas não sou e tenho que me contentar com isso.
É complicado, mas vou conseguir e minha mineira vai me ajudar.

domingo, fevereiro 12, 2006

Para onde ir?

A minha mineira está sofrendo.
Ela está sendo forçada a abandonar uma parte da vida dela, uma parte vital e que exigiu litros de suor para ser erguida. Tudo em nome do amor, ou melhor, tudo em nome do nosso amor e da vida que estamos construindo.
Mas que amor é esse que a leva às lágrimas toda vez que ela conta a decisão para alguém?
Por que tem que ser tão doído e triste decidir que seu lugar é onde seu amor está?
De onde vem essa coisa que obriga a chorar antes de crescer?

Não dá para gostar disso. Preferia que tudo fosse mais fácil e ela não precisasse sofrer tanto.
Mas quem estou querendo enganar?
É assim desde o começo. Se não tivesse sido ela, teria sido eu. Se bem que eu me desvincularia com muita mais facilidade, mas isso não vem ao caso e é algo que eu terei que pagar até o fim.
Trata-se de outro tipo de sentimento. Algo que eu não entendo, mas acabo aceitando.
Toda a nossa trajetória apontava para essa ruptura.
Melhor seria ter desistido antes? Duvido. A nossa felicidade justifica qualquer sacrifício, mas não diminui meu descontentamento.
Me sinto responsável por aquelas lágrimas. Me sinto culpado por fazê-la abrir mão de algo que sempre foi essencial na vida, algo que eu nunca compartilharei.
Não tenho a preparação necessária para sentir isso. Meus esforços em abrir a "carapaça" jamais seriam suficientes para suportar esse tipo de empatia.
O máximo que consigo fazer é enxugar as lágrimas, abraçá-la e prometer que tudo vai dar certo.

Prometo por que acredito que as coisas vão mesmo se arredondar.
Acredito que nossa atitude vai nos recompensar e vai nos fazer passar por este capricho de Shiva.
Afinal de contas, depois de destruição vem a purificação e a reconstrução, certo?
Não sei bem se confundi as divindades, mas a idéia é bem essa. As lágrimas vão secar e podem até sobrar cicatrizes, mas a gente vai se dar bem.
E isso vai acontecer, por que eu sou Shiva e Vishnu e vou garantir a reconstrução.
E ai de quem fizer a minha mineira chorar de novo!

sábado, fevereiro 04, 2006

Balanço

Já se passaram quase cinco anos desde que tropeçamos um no outro naquele site.
Não me lembro bem qual era. Minto. Claro que me lembro, mas gosto dessa atitude meio blasé com relação a coisas sabidamente significativas.

Também se passaram mais de quatro anos desde que nos vimos pela primeira vez.
Poderia ter sido antes, mas um misto de preguiça e timidez fez as coisas andarem mais devagar. Deve ter sido melhor assim, já que acho difícil que um ambiente estranho para ambos pudesse nos deixar mais à vontade do que as atrações da minha cidade. Aqui eu reinava e pude oferecer coisas estrategicamente agradáveis e românticas. A "armadilha" perfeita. Ela caiu, eu caí em seguida e o resto é história.

O passo seguinte demorou um pouco mais. Foram necessários dois anos e alguns milhares de quilômetros rodados para que adotássemos aquele símbolo e focássemos o objetivo comum. Não foi da forma tradicional, mas foi do jeito que eu quis, que eu planejei nos mínimos detalhes, que eu ensaiei em cada palavra proferida. Mesmo fora do meu ambiente, acabei tomando conta do espetáculo e "mandando ver".
É certo que o povo dela não entendeu bem a minha sutileza. Eles estavam acostumados com muito mais pompa e cerimônia, mas a coisa toda acabou funcionando e ela ficou muito feliz. Aliás, ambos ficamos.
Estabelecido o símbolo, fui "recebido na família" e felicitado pela minha decisão.
Eu era quase um "mineiro". Faltava só o pulo final.

Quase um ano e meio depois do pedido, lá estava eu saindo debaixo da barra da saia da mãe e passando a dormir pela primeira vez naquele que seria o nosso castelo.
Foi engraçado abrir mão do jantar quentinho que sempre me esperava quando eu chegava do trabalho, das roupas lavadas e passadas e do falatório dos finais de tarde.
Mesmo que fosse uma coisa há muito desejada, morar sozinho naquela situação não era algo definitivo. Dali a poucos dias a minha mineira estaria ali comigo e dividiria tudo, até a vida.

E finalmente Setembro chegou!
Com ele chegou o grande dia, o "enforcamento", o grande pulo no abismo.
Obviamente eu não penso nisso de forma tão trágica, mas é engraçado usar esse tipo de termo para tratar algo tão complexo quanto o casamento.
Passar a compartilhar a vida com alguém é doido e fascinante ao mesmo tempo.
Deixar de lado coisas que fizeram parte da sua vida desde sempre e adotar ações que vão te acompanhar até o fim é algo, no mínimo, assustador. Mas não havia medo nas nossas mentes naquele final de tarde de sábado. Havia, claro, a tensão pelo evento e torcida para que desse tudo certo no dia, mas se pensássemos no que rolaria à partir do domingo só conseguíamos encontrar tranquilidade.
Estávamos juntos, estamos juntos e vamos continuar juntos.
Nos casamos no mês da Primavera e isso só pode ser um sinal. Deve ter algo a ver com renascimento e renovação, afinal de contas, a Mãe Natureza não teria tido tanto trabalho para encher o mundo de flores e filhotes, né?

Só não estou muito a fim de falar dos meus futuros filhotes neste momento, mas algo me diz que isso não vai durar muito e que a natureza vai nos chamar em breve.
Enquanto isso, os dias vão correndo e novos balanços vão sendo feitos.
Mas cada coisa tem o seu momento e este é o de agradecer e continuar curtindo.
Afinal de contas, eu já sabia que casar era bom.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Programas de casal

Cerca de 15 anos depois do lendário show na Praça do Relógio da USP, lá estava eu novamente frente a frente com o Ira! e o seu rock mais paulistano do que brasileiro.
Essa minha frase teria muito mais impacto nos anos 80 do que hoje, mas quem esteve lá sabe do que estou falando.

Algumas diferenças entre os dois shows: 15 anos de rugas, calvície e cerveja; a companhia da minha mineira (no outro eu estava sozinho); o formato acústico e o som cristalino do CIE Music Hall.
Tudo era diferente e ao mesmo tempo nada havia mudado. Era o mesmo Edgar esmerilhando e o Nasi brigando com o mundo. Era o André suando em bicas e o Gaspa com a sua discrição.
Obviamente que o show de 89 não contava com aquele monte de músicos nem com a incansável percussionista Michelle Abu, mas tenho que admitir que esse tipo de frescura não pegaria bem no final dos anos 80.

Como em todo show acústico, o público fica sentado e espremido entre gordinhos, garçons e folgados em geral.
Esse talvez tenha sido o grande ponto fraco do show, mas não dá para falar mal de um grupo que só toca sucessos e que ganha de presente (e exibe com orgulho) uma bandeira do Estado de São Paulo. É nóis!

Isso aconteceu no dia 10 de dezembro e poderia ter encerrado meu ano cultural com chave de ouro se não tivesse pintado um certo espectro na nossa frente.

Eu já tinha visto o Fantasma da ópera (tente também este link) antes. Era 1994 e eu estava em Londres. O Teatro era o Her Majesty´s e o meu lugar era praticamente um poleiro onde não havia espaço para os joelhos (e olha que eu só tenho 1.70m).

Por tudo isso, a expectativa era grande e a opinião de alguns amigos jetsetters ecoava na minha cabeça. Segundo eles, a produção era legal mas não se comparava ao original. Como eles estavam falando da Broadway, eu não fazia idéia do que se tratava. Eu ainda tinha fixa na cabeça a lembrança do barquinho "navegando" pelo palco em meio a uma névoa densa e aparentemente fria.

Chegamos ao Teatro Abril com pouca antecedência. Acho que nossa folga era de, no máximo, 20 minutos, tempo suficiente para sincronizar o passo com a tia da minha mineira e localizar o nosso posto.
Ficamos no primeiro camarote do lado esquerdo do teatro, o que se revelou como uma parcial vantagem: estávamos muito mais perto do que o povo do balcão central, mas não conseguiamos ver o que se passava no lado esquerdo do fundo do palco. Mas como dizem nos botecos da vida, o que os olhos não vêem...

Além do óbvio, o que me chamou a atenção no espetáculo foi a atriz principal, um ruiva (????) magrinha e bonita chamada Sara Sarres.
Apesar de uma certa amiga ligada às artes dizer que ela faz parte do segundo elenco, fiquei tão impressionado com a voz - e por que não dizer, com a beleza - da menina, que ergui uma parede anti-críticas e passei a considerá-la a melhor parte da noite.
Depois da companhia da minha mineira, claro.

Como já era de se esperar, o ponto que mais nos agradou - e emocionou - foi o dueto durante "All I ask of you". Para a gente, aquela era a "música do noivo" e não poderia ser diferente. Fingi que não chorei e apertei a mão da mineira para que ela tivesse certeza que ambos estávamos sintonizados na música.
Ela sim, chorou e sorriu. Mistura plenamente aceitável e altamente recompensadora.
Terminamos a noite em meio a um mar de gente, carros e táxis, driblando os flanelinhas e praticamente parando a Brigadeiro até que a minha mineira e a tia dela conseguissem entrar no carro.
Foi bom, emocionante, desopilante e mais outros antes que não me ocorrem neste momento.
Não era Londres, o Her Majesty´s Theatre ou mesmo a Broadway, mas serviu ao propósito. E muito bem por sinal.
O próximo evento da série deve ser o show da banda do senhor Hewson, mas isso é uma outra e curiosíssima estória.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Chocolate ao leite

Eles não eram muito parecidos.
Se pudéssemos misturar as peles de ambos, teríamos nas mãos algo cor-de-terra, daquelas não muito escuras, próprias para o crescimento de coisas não plantadas, mas sim acidentalmente caídas no solo.
Cada um deles contribuía com um certo matiz, ora mais claro (ou amarelado), ora mais escuro (ou cor de chocolate ao leite).
Na prática, eram pontos diferentes do espectro de luz. Mas eles não estavam preocupados com nenhum tipo de Física. Naquela relação, a matéria mais importante era a Química.

Os cabelos de ambos eram escuros, quase negros, com diferentes texturas e comprimentos, é verdade. Mesmo que não fosse nada escandaloso, cada um deles afrontava os padrões estéticos à sua maneira.
Ela com um volume fora de época, algo meio Gal na época de ouro. Ele com um jeito Andy Garcia de ser, guardadas as devidas proporções, obviamente: cabelo puxado para trás e preso por toneladas de gel.

Eles eram uma dupla, não um casal.
Sendo assim, seus encontros eram semi-clandestinos e discretos. Mais para não despertar a curiosidade dos colegas de trabalho do que para enganar eventuais parceiros. Eles não tinham parceiros, a não ser um ao outro.
E era uma boa parceria: muito cinema, pouca comida, nada de bebida, muita conversa e uma cama para unir as pontas.

A parceria durou mesmo depois dele sair da empresa.
Algo melhor o aguardava em outro lugar, mas ele não quis abrir mão daquele cheiro diferente que a pele dela tinha.
A já mencionada pele de chocolate ao leite tinha um perfume diferente, algo de especiaria. Não dava para dizer se era canela, apesar de lembrar bastante o sabor quando ele estava de olhos fechados. Era diferente das coisas feitas pelo homem e isso o instigava.
A coisa que ele mais gostava de fazer quando a tinha nua, de bruços na cama, era cheirar seu corpo todo. E ela também gostava de exibir seu odor, principalmente depois do banho. Era um exercício de erotismo bem diferente da cópula e do paladar.

Mesmo com o prazer do perfume, da pele e da companhia dela, os encontros foram rareando e pararam. Ele havia conhecido outros tons e outros odores e ela desistiu de trazê-lo de volta.
Ela sentia que ele nunca havia sido seu de verdade e ele se foi. Foi para nunca mais voltar, mesmo que a vontade apertasse e o número dela ainda estivesse à disposição.
Ele sabia que não havia volta e que moça de pele de chocolate ao leite encontraria seu caminho em breve.

E assim foi.
Afinal de contas, eles nunca foram um casal.
Entre eles, era só cheiro.

domingo, janeiro 22, 2006

Formas e tamanhos
"Que atire a primeira pedra aquele que nunca transou ou ao menos beijou uma moça, digamos, gordinha, fofinha ou apenas um pouco mais carnuda do que o padrão anoréxico atual!"
Essa era a pergunta esdrúxula que pintou na mesa do Original em uma das tradicionais quintas-feiras só para meninos.
Obviamente, eu e o Paraguaio lideramos de longe a contagem de experiências menos formosas esteticamente. Somos bagaceiros assumidos e orgulhosos. No bom sentido, claro, já que temos espelho em casa e sabemos que a beleza é algo extremamente variável de mente a mente.

Já o Presidente seguiu mais uma linha Rodrigo Santoro de ser: dificilmente ele fica com mulheres feias. Ao menos não que ele se lembre, o que não significa muita coisa se levarmos em consideração a quantidade de álcool que esse rapaz já colocou para dentro do organismo.
Mesmo ele tem algo que contar.

Infelizmente o mesmo não pode ser dito do X. Ele não aparenta ter muita coisa o que dizer nesse tipo de assunto. Ou não tem ou não quer divulgar.
Em uma roda de amigos onde o assunto é mulher, isso dá mais ou menos na mesma.
Na verdade, me parece que o X não tem muito o que dizer nem se pensarmos só em mulheres bonitas. Algo trava o HD e ele não participa com a gente.
Ele apenas ri e diz que nosso setpoint é muito baixo.
Isso é algo que não daria para negar nem see quiséssemos, mas será que não é melhor bagacear de vez em quando do que transar consigo mesmo em quase todas as ocasiões?

Felizmente eu não sou ninguém para condená-lo. Apenas me preocupo com ele e tento colocá-lo em situações de risco de vez em quando.
Normalmente não acontece nada, mas a esperança é última que morre, principalmente neste mundo onde as mulheres cada vez mais gostam de tomar a iniciativa.
Sei que essa postura vem-ni-mim não costuma dar muito certo, mas talvez valha a pena arriscar.
Como eu não gosto muito de esperar as coisas cairem do céu, prefiro experimentar antes de dizer que não gosto. Foi assim que tropecei na minha mineira lá nas distâncias do Triângulo e foi assim que banquei o lance e virei um homem casado.
Mas cada um tem que escrever a sua história e cada um é responsável pelos capítulos que ela tiver.
No meu caso, o livro é basicamente uma comédia de erros, mas posso garantir que valeu a pena viver cada mico registrado nele.
Do contrário, que tipo de estórias eu vou conseguir contar para os meus netos?

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Aos herdeiros

Parece que eles combinaram.
Tenho a nítida impressão que muitos dos meus amigos se reuniram em algum tipo de sociedade secreta e decidiram que o mundo estava meio sem graça e que era necessário repovoá-lo e colori-lo.
Só isso explica a chegada da Julia "Punk Rock" e as encomendas feitas pelo meu Galahad, pelo Mestre das Mulheres, pelo grande amigo do Sul que tem nome de ator e pela mais velha das minhas cunhadas mineiras.
2006 terá uma avalanche de "sobrinhos" e eu aqui acabando de entrar na vida de gente grande.
Confesso que dá para ter medo, dá para ter muito medo do que vem por aí.

Obviamente isso fez com que o assunto fizesse parte de um monte de conversas com a minha mineira. Mesmo durante o sexo ela acaba dizendo algo relativo a parar de fazer só por prazer.
Acho que sou voto vencido na lendária tentativa de trocar um casal de filhos por um Labrador e um Golden Retriever. Não vai colar.
A minha mineira já declarou em alto e bom som que quer ficar gorda e barriguda e que ser mãe é mais um dos seus sonhos desde sempre.
Como entrei nessa para fazê-la feliz (e não exatamente para cuidar da minha própria felicidade), acho que não vai ter negociação nem compensação. Terei mesmo que perder noites de sono, dias de descanso e tranquilidade econômica.
O mais curioso disso tudo é que quem já passou pelo martírio diz que vale cada segundo mal dormido.
Será?

segunda-feira, janeiro 09, 2006

2006

Julia

Este ano começou tão bem para mim que resolvi criar um símbolo para os 12 meses que estão por vir.
Achei que seria legal escolher uma imagem da pequena Julia "Punk Rock" Nasi para embalar as noitadas, jantares, risadas, amores e momentos felizes que certamente estão no nosso caminho e no caminho dos nossos.
Sem apelar para as facilidades da fé, este ano vai der "duca"!
E vai ser por que eu quero que seja e por que vou fazer acontecer. Nada vai me parar. Nada vai me atrapalhar.
Neste ano, tudo vai dar ainda mais certo
É so esperar e ver.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Esquisito

Eu nunca tinha visto coisa igual.
Uma a uma ou em casais, as pessoas iam se levantando e saindo da sala de cinema com um ar de revolta que eu só acharia pertinente em uma exibição de “O império dos sentidos” em pleno Vaticano. E o filme não havia começado a mais do que cinco minutos!
Infelizmente eu não conseguia ouvir as conversas, mas posso apostar um braço que mais de um casal dormiu brigado pela escolha daquele filme.

O bom disso tudo é que eu fiquei até o final e acabei até gostando de “A noiva cadáver”.
Obviamente que não foi o melhor filme da minha vida, mas acho que entendi bem o que o Tim Burton quis passar e curti boa parte daquela coisa medonha e engraçadamente aterrorizante.
Ou alguém conhece outro termo mais adequado para uma noiva que tem um senhor quadril e uma perna com ossos à mostra?

Algumas lições que ganhei com a minha persistência:
- o Johnny Depp é o cara mais amado pelos diretores esquisitões, principalmente o Tim Burton;
- animações em stop motion não são para crianças ou pessoas que escolhem seus filmes na hora de comprar os ingressos;
- até mesmo adolescentes indóceis podem se comportar em sociedade enquanto fingem que entendem um filme esquisitão;
- pipocas com manteiga mancham bermudas de sarja.
Esse último aprendizado está meio deslocado dos demais, mas como surgiu na mesma ocasião, achei que não havia mal em relacioná-lo.

Acho que próximo filme esquisito a enfrentar será o “Crônicas de Nárnia”.
Isso se a minha irmã cineasta não me convencer a ir com ela a alguma mostra de cinema cingalês ou coisa que o valha.
De qualquer maneira, não sair da sala nos cinco primeiros minutos continuará sendo uma questão de honra.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Isto não é um fotolog...

...mas não dá para resistir à tentação de seguir comemorando o tri mundial!



Até o prefeito palmeirense se rendeu!



O Tricolor é o mais querido e o dono do mundo!



E se bobear, no ano que vem estamos aí de novo para brigar pelo Tetra!

segunda-feira, dezembro 19, 2005

No topo do mundo

Agora não dá mais para se considerar "o único campeão mundial da Fifa".
Agora já dá para dizer que nenhum outro clube brasileiro ganhou tanto.
Agora já dá para dominar o mundo.
E que o próximo europeu que cruzar o caminho do tricolor pense um pouco melhor antes de considerar "imbatível".

São Paulo tricampeão mundial interclubes!
E tenho dito!

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Acerto de contas

Eu gosto do Cameron Crowe e não abro. E isso não tem muito a ver com o passado dele na Rolling Stone e na vida do Led Zeppelin. Gosto do cara por que ele conta estórias que consigo entender. Ele conta estórias de caras miseravelmente comuns, assim como eu.
Não gosto da Rolling Stone pela falta de fotos e acho que o Led já fez a sua parte, por isso me resta lembrar de “Singles”, “Quase famosos” e da Nancy Wilson, a esposa do cara, guitarrista da minha bem amada banda Heart”.

Minha última aquisição na coleção Crowe foi “Tudo acontece em Elisabethtown”.
Um cara comum, uma menina incomum e um problema afetivo.
Poderia ser a minha vida, mas não era e fico aliviado com isso. Não estou preparado para ser um “blockbuster”. Ainda não dá para abrir minha vida desse jeito.
O cara tem saudade do que não viveu com o pai e se lamenta por não ter mais chances de tirar o atraso. A partida do velho matou uma parte do futuro, mas acabou abrindo outra porta, que ele reluta em entrar, até que....
Não sou (tão) safado a ponto de contar o filme inteiro aqui, mas digo que para mim valeu a pena ver aquilo tudo e sentir um pouco mais de certeza que estou no caminho certo.

O cara comum do filme é o Legolas, ops, o Orlando Bloom e só isso bastaria para que os críticos caíssem de pau questionando a validade da estória.
Como é que um cara como o Orlando Bloom pode ser comum?
Mas tirando esse detalhe impertinente, até que a estória cola. Ou não cola, mas quem se importa?
Eu não, já que não vou ao cinema para ver a realidade. Prefiro me divertir, ou quem sabe sonhar.

Nesse filme fiquei com a parte da diversão, mas me identifiquei e saí mais feliz.
A música ajudou, a minha mineira ajudou e a Kirsten Dunst e seus dentes tortos também ajudaram.
E a vida segue seu curso, miseravelmente comum como tem que ser. Ao menos a minha é assim e não adianta a Miss K me chamar de complexo.
Sou comum e pronto!

Jamais fiz uma viagem com o meu velho, mas ainda há tempo. Espero que haja mesmo, mas por via das dúvidas, vou providenciar algo temporário até que possa levá-lo até a Cidade Luz. Esse sempre foi o sonho de consumo dele, desde a bagunça de 1968 e as primaveras no Leste e vou ficar muito feliz se conseguir dar esse presente ao Velho Pezo.
Talvez ele gostasse mais de conseguir voltar para a terra natal, mas aí a coisa fica maior do que eu.
Melhor pensar só em Paris mesmo e continuar focando nos números.
E que Ele diga quando é a data do embarque.

domingo, novembro 20, 2005

Por la unidad?

Até nisso os brasileiros acabam não sendo latinos.
Enquanto meu povo lamenta mais um fracasso e os quase vizinhos uruguaios perdem nos pênaltis para a Austrália, o País do Futebol se dá ao luxo de jogar com preguiça e meter 8 a 0 em um time de amadores.
Não me admira que (nós) os brazucas adorem(os) falar de música latina e só pensar nos “hispanohablantes”.
Para que se misturar com perdedores?

sábado, novembro 12, 2005

Nós, os loosers

Estou terminando de ler um livro do Jabor.
Nunca tinha me interessado em ler coisas dele por achá-lo ranzinza demais, mas como foi um presente de aniversário do Gerson e da Sô e me sinto sensivelmente próximo e meio responsável por esse casal, achei que valia a pena dar um chance ao cara.
Continuo achando que o cara é ranzinza demais, mas descobri um lado looser que me deixou agradavelmente identificado. E os momentos loosers da infância dele no Rio são bastante numerosos no tal "Amor é prosa, sexo é poesia".

Assim com ele, eu também vivi dezenas de amores imaginários e paixões platônicas.
Eu frequentemente me "apaixonava" pela menina mais popular da sala de aula ou ficava babando pela vizinha que me dava carona para a escola.
Invariavelmente a situação acabava em nada e eu seguia meu caminho de colecionador de fracassos.

Acho que o Jabor entende muito bem o que é começar bem mais tarde do que os amigos e sempre ser taxado como lento e até "caso perdido". Esse era ele e esse era eu.
Uso o verbo no passado por que agora eu estou um pouco diferente.
Não digo isso só pelo fato de estar casado com uma bela mulher, mais bela aliás do que a quase totalidade das minhas "companheiras" anteriores. Reforço o passado por que me lembro da minha irregular vida de conquistador que sempre alternou momento da mais deslavada putaria com meses e meses de secura, timidez e solidão.
Usando a linguagem mais popular que me permito colocar aqui, eu não pegava nem resfriado.

Mas tudo muda.
Até minha intolerância pelo Jabor mudou. Hoje até posso dizer que gosto do jeito rebuscado que ele tem.
Mas continuo achando que ele é bem chato quando quer mudar o mundo e criticar a tudo e todos.
Não digo que ele não tenha razão em tentar e espernear, mas como leitor, tenho o direito de dizer que tem outras pessoas fazendo isso melhor e que desejo sinceramente que ele só deixe seu lado looser escrever daqui para a frente.
Tem muito mais a ver comigo.

terça-feira, outubro 25, 2005

Álbuns

Dia desses eu estava revendo meus antigos álbuns de fotografias.
Deve ter algo a ver com a mudança de vida e com o novo capítulo que estou experimentando.
Nas fotos eu vi a vida de gente que não sei mais onde está, mas que me deixou fazer parte da sua vida durante algum tempo e com mais ou menos profundidade.
Fazer parte da vida de alguém significa bem mais do que ser apenas amigo. Significa algo esdrúxulo como ser representado por aquela ruga no canto do olho ou o cabelo branco na têmpora. É algo que fica, apesar das tinturas e cremes milagrosos da Avon.

Minha vida em fotos passou meio em branco até 87, quando comecei o colegial.
Quase não tenho imagens daquela época e a maioria é de eventos familiares. Acho que é assim mesmo que tem que ser. Afinal de contas, fazer parte da vida da família é algo quase que obrigatório, apesar da encheção que rola em 100% delas.

O Orkut também tem ajudado a aumentar essa sensação com a aproximação de gente que conheci antes de entender o que era a fotografia. O povo da Escola Paulista é o melhor exemplo disso. Talvez até isso renda um encontro para o ano que vem, mas vamos deixar as coisas acontecerem devagar.

Nos álbuns eu vi a vida de gente que se afastou há tempos e que deixou pouca coisa além da imagem e de alguma (muita?) lembrança infantilmente gostosa.
Lembrei do povo do PV, do Sul, do Albino, do Italiano e do Eurocentre.
Lembrei também do povo do Mack e da Diretoria, mas esses ainda trocam participações nas vidas comigo e por isso não foram arquivados como lembranças. Esses são realidade.

E por fala em realidade, chego finalmente ao álbum que estou construindo com a minha mineira. Já são dezenas de fotos desde que tropeçamos um no outro. Devemos chegar perto das centenas e não parece que estamos cansados delas.
Nosso álbum diz que fazemos parte da vida um do outro e que ainda há espaço para muito filme e muita memória de máquina digital.
Fico pensando em como será nosso álbum daqui há alguns anos.
Será a pequena Julia, sobrinha do Presidente, vai estar em muitas fotos?
Será que a minha amada Letícia vai dar as caras?
Será que nós vamos dar a nossa contribuição com algum Labrador ou Golden Retrivier?
Não dá para saber. Apenas dá para querer e fazer acontecer. Conforme a vontade D´Ele, claro, mas a nossa parte a gente faz.

E que os ventos do futuro tragam para perto mais vidas das quais fiz parte nos meus álbuns.
Quero que elas me contem para onde as vidas deles andaram e o que ficou do álbum que compartilhamos.
Tenho certeza de que vai ser divertido.
Como era antes

Demorou, mas eu voltei.
Quase dois meses depois de viver o primeiro dia do resto da minha vida (salve John Hughes!) e mais de um mês depois de escrever meu último post, voltei a relatar algumas impressões que ficam das coisas que acontecem na minha vida.

Deveria ter me esforçado mais para compartilhar os primeiros movimentos da vida a dois com meus amigos-leitores, mas não rolou. Como disse o Professor, eu mal tive tempo para "dar uma de Rei" quanto mais para manter meus blogs atualizados.

Estou voltando aos poucos e não dá para prometer que a frequência vai voltar ao que era antes.
Acho que nada vai ser como era antes, mas vamos ver que dá.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Mistura sentimental

Não senti quase nada do que me disseram que sentiria.
Não vi um corredor infinito, não olhava para as pessoas e via através delas, não tremi como adolescente quando o padre me fez a grande pergunta.
Me casei e passei por tudo como um lorde. Um lorde chorão, diga-se de passagem.

Não sei bem o que desencadeou tudo. Não sei se foi o almoço que foi até as cinco da tarde (o casório foi as seis), o fato de ter visto Fama pouco antes da cerimônia ou a emoção de me casar com a mulher da minha vida propriamente dita.
Provavelmente foi uma mistura de tudo isso. O fato é que comecei a chorar ainda no hotel quando meu grande Galahad foi me ajudar a dar o nó da gravata e só parei quando fiquei liberado de tirar tantas fotos.
Para se ter uma idéia de quão importante isso é, eu me gabo de dar o nó de uma gravata sem olhar e sem tê-la no pescoço. Ainda bem que os amigos estavam mais em cima dos cascos do que eu.

Antes que me condenem, acho necessário registrar que o almoço não durou demais à toa.
Eu estava ao lado do meu velho, de dois tios queridos do Chile e de dois dos irmãos que eu não tive. Todos felizes, todos comemorando e quase todos passados na bebida.
Poderia ter acontecido um desastre, mas Ele não quis e não deixou. Ele sabia que era tudo por uma boa causa e que aquele era um momento único.
Afinal de contas, minha Lelê estava lá, meus tios estavam lá, minha família estava lá e meus amigos e irmãos também.
Todos estavam lá por nós. Todos queriam nos ver felizes. Todos esperavam nos ver satisfeitos. Todos se espantaram com o tamanho da nossa felicidade.

E foi mais ou menos assim que deixei de ser solteiro.
Agora tenho que reorganizar minha vida para dividir quase tudo com a minha mineira.
Digo quase tudo por que ambos fazemos questão de constuir a vida a dois sem perder a individualidade.
Vai dar tudo certo por que é isso que queremos.

E sobre a lua de mel, eu falo lá no Seguindo Gulliver.
É bom estar de volta!

sexta-feira, setembro 02, 2005

Novo começo

Este é meu último post solteiro.
Daqui a poucas horas serei um (quase) respeitável homem (bem) casado e minha vida vai mudar. Se tudo seguir a minha expectativa (e meu esforço), vai mudar para melhor, cada vez melhor a cada dia.
A vida com a minha mineira vai trazer muitas das coisas que busquei durante todas as minhas mais de 33 primaveras.
Vai ser uma descoberta diária, mas me sinto muito confortável com tudo.
Por mais que digam que o casamento só serve para resolver os problemas que não se tinha quando se era solteiro, vou encarar.
Corrigindo! Vou encarar e me dar bem!
Por que é assim que ambos queremos que seja.

Por conta do casório, vou interromper os posts por um período.
Na verdade, só vou voltar a escrever depois de voltar da lua de mel em terras argentinas e de instalar meu micro novo, na casa nova, da vida nova.
Na volta, conto as aventuras no Seguindo Gulliver e na sequência retomo as tagalerices deste blog.
Até o outro lado!

sábado, agosto 27, 2005

Começou

Estou vivendo meu segundo final de semana fora da casa dos meus pais.
Foram 33 anos e pouco sem sair de baixa da proteção deles e apenas 10 dias me virando mais ou menos sozinho.
O mais ou menos se deve a algumas visitas estratégicas para pegar algumas coisas que ficaram para trás e para filar alguma bóia.
Além disso, tive que recorrer ao abrigo deles quando esqueci minha chave em Uberlândia e não tinha como entrar em casa. Coisas de quem não está acostumado a ser adulto.

Mas a experiência de morar sozinho vai durar pouco.
Daqui há alguns dias a minha mineira vai assumir o seu devido lugar no castelo e tudo vai entrar nos eixos. Vai ficar mais complicado comer às custas dos pais, mas tudo bem. A gente ser vira em casa mesmo.
Já abasteci um pouco a geladeira e daqui a pouco vou repor algumas coisinhas que já acabaram.
As duas latas de cerveja que comprei ainda estão intocadas, fruto do absurdo conflito de agendas que meus amigos me brindaram. Mas ainda resta esperança.
Apesar de faltar muito pouco tempo para o casório, parece que na próxima terça vai rolar mesmo a tal despedida de solteiro. Pelo menos foi isso que me garantiram hoje.
O Presidente até comprou um mega-whisky especialmente para o evento. Tudo em minha homenagem. Vou ter que recebê-los à altura, varrer a casa e comprar alguns quitutes para comer. Uns dois quilos de salame devem resolver a parada.

Agora estou novamente na casa dos velhos para mexer um pouco no micro.
A casa nova ainda não está conectada, mas isso dura pouco. Vamos ver se resolvo isso logo na segunda.
Gostaria de contar mais coisas sobre a vida nova, mas tenho que voltar para casa para guardar algumas coisas da mudança que ainda estão encaixotadas.
Se eu soubesse que ser dono do nariz era tão trabalhoso, tinha ecomizado mais e contratado um personal mover: aí era só pagar e chegar quando tudo estivesse mudado e arrumado.
Boa idéia para um negócio futuro!

sexta-feira, agosto 19, 2005

Me chamam de Hitch

Funciona mais ou menos assim: eu pergunto como a pessoa está e não deixo passar nada que não aponte para um "sim" conclusivo e crível. Se sentir um fio de dúvida ou de tristeza, já vou logo perguntando o que acontece e o que posso fazer para ajudar.
Na grande maioria dos casos, trata-se de um problema do coração e, como a relação de confiança já existe, acabo explorando bastante o problema e fazendo a minha parte para ajudar a pessoa a identificar a melhor solução.
É mais ou menos como o trabalho do Hitch, só que sem o glamour novaiorquino, o charme do Will Smith e aquele apartamento "sonho de consumo".
É tudo em escala menor, mais intimista e menos comercial. Mas que funciona, funciona.


O conselheiro yankee Posted by Picasa

Minha "cliente" atual é a Dri, uma ex-estudante de moda que pegou suas trouxinhas e voltou para a casa dos pais lá no Planalto Central.
Ela anda as voltas com um namoro que nasceu morno e que vai esfriando ainda mais a cada dia que passa. Não bastasse essa coisa gélida, ainda surgiu um outro rapaz que não fez nada físico, mas abalou as estruturas dessa minha pobre amiga.
Normalmente eu tenderia a partir para a defesa do relacionamento e para ajudá-la a descobrir motivos para seguir com o namorado, mas neste caso achei melhor focar naquilo que pode fazê-la mais feliz, mesmo que fosse moralmente menos aceitável.
Pois é, estou mesmo incentivando o chifre, mas de uma forma bem menos sexual do que possa parecer: quero que ela descubra as razões que a fazem estar com o namorado e por que esse outro rapaz a abalou tanto sem nem mesmo ter lhe dado um beijo.
Deve ter sido forte e não acho que ela deva ignorar o que houve.
Afinal de contas o que importa é ser feliz e esse namoro atual definitivamente não a completa.

Quando paro para pensar que os papéis poderiam estar invertidos, me sinto meio mal por incentivar algo que não seja a fidelidade, a concessão e o entendimento, mas acredito que no caminho atual ela vai esbarrar no erro inútil.
Errar e aprender ajuda a pessoa a crescer, mas neste caso acho que ela precisa ter mais informações sobre as opções que existem.
Adoraria dizer que ela deve mesmo insistir no namoro atual para encontrar alguma forma de ser feliz, mas não é o que vejo, não é no que acredito, ao menos para ela.
Eu acho que ela está acomodada e pedindo por ajuda.
Não sou nenhum cavaleiro andante, mas vou ajudá-la.
Tenho que ajudá-la a entender o que é bom e o que é ruim no relacionamento atual e ajudá-la também a entender por que ela deveria descobrir o que há dou outro lado.
Não se trata de sair por sair, mas sim de pesar os prós e contras de ambas as saídas.

Se eu for tão bem sucedido quanto o Will Smith, minha maior recompensa será a felicidade dela.
Se não, ao menos eu tentei e fica tudo bem do mesmo jeito.
É o tipo de jogo que eu mais gosto: onde todo mundo ganha.

sábado, agosto 13, 2005

Homem não chora

Não sei bem o que acontece.
É assim desde o primeiro programa: basta a Angelita aparecer para cantar no Fama que eu já fico com os olhos cheios de água e o bico começa a tremer.
E aí é um tal de esconder o rosto, pensar no trabalho (ou em qualquer outra broxante o bastante) e fingir que não é comigo.

Parando para pensar nas razões desse derretimento, não consigo chegar a conclusão alguma. Pensei que pudesse ter algum tipo de solidariedade com o grande Erich e suas estórias de Piracicaba (a Angelita é de lá), mas achei gay demais e abortei a idéia.
Depois fiquei com a impressão que tivesse algo a ver com a forma doce como ela canta. Novamente achei melhor não evoluir muito a idéia sob risco de arrumar confusão com a minha mineira e seu jeito cool de sentir ciúme.
Acabei desistindo de arrumar razões e resolvi assumir que sou um pseudo-bronco que adora segurar as emoções, mas que está enfrentando cada mais dificuldades para fazer isso.
Deve ser a proximidade do casório.
Algo me diz que vou chorar como criança e que vou gerar infinitas interpretações por parte dos convidados. De felicidade pela nova vida até tristeza pelas coisas que vão ficar só na memória, todo mundo vai tentar adivinhar e até acho que muitos vão acertar.
Mas só eu e ela vamos saber.

E vou voltar ao site da Globo para votar e tentar manter a minha geradora de lágrimas ao menos mais uma semana no programa.

domingo, agosto 07, 2005

Quase lá

O castelo está quase pronto.
Entre pó, stress, arranhões e bicos, os muros já estão de pé, o fosso já está cheio de jacarés e agora só falta a mudança do Rei e da Rainha.
O reino está em festa e os súditos participam da boda como se fosse a de seus filhos.
Todos estão felizes, mesmo que a Rainha ainda esteja longe, reinando lá no Cerrado.
Tudo está preparado e todo mundo cumpre seu papel a contento.
Do marceneiro ao carteiro, do entregador de pizza ao povo das Casas Bahia, todo mundo faz sua parte para que a inauguração do castelo aconteça no melhor estilo romântico e medieval.

Depois da inauguração, não será mais necessário inventar viagens a Campinas ou coisa que o valha para ficar o dia inteiro na cama, fazendo amor e planos, como nos convêm.
Não vamos mais ter que pegar o carro para deixar alguém em casa por que já está tarde.
Acabou-se a necessidade de maquiar a verdade para não complicar algo tão bom quanto a vontade de estar junto.
O castelo vai significar a liberdade e o início.
O castelo vai abrigar um lar e falta pouco para isso.
O castelo será a casca da nossa felicidade, mas não vai nos limitar. Pelo contrário, ele vai ficar tão aconchegante e caloroso, que nossas viagens vão ser tão gostosas no antes e durante quanto no depois.
Vamos ficar indecisos se queremos ficar tanto tempo longe de casa e isso é o segredo do reino.
Que assim seja e que não seja necessária magia para encantar o nosso lar.


O nosso é quase tão lindo quanto este Posted by Picasa

quarta-feira, agosto 03, 2005

O tempo certo

Sempre achei que publicar o convite de casamento no quadro de avisos da empresa fosse uma prática comum e nunca pensei nas consequências que isso poderia trazer.
Só recentemente, quando coloquei no papel todos os dinheiros que estavam envolvidos na festa, na cerimônia e tudo mais é que entendi o receio dos noivos em ter a celebração prejudicada pelo excesso de pessoas.
Além de caro, isso significa mau atendimento e reclamações certas.

Como a brincadeira vai acontecer toda à segura distância de 600km daqui, achei que não havia problemas e publiquei mesmo o convite.
Agora ele está lá, lindão e aberto para quem quiser ver.
O engraçado foi lidar com a diversidade de reações que o tal convite causou.
O que mais ouvi dos homens foram comentários referentes à minha sanidade mental e das mulheres à proximidade de me tornar um homem sério.
Felizmente também pintaram desejos sinceros de felicidade e algumas lições.

Uma delas partiu da secretária da área, que me contou toda a estória do casamento anterior do seu atual marido.
Segundo ele, o sujeito namorava com uma moça bastante desequilibrada que chegou inclusive a tentar o suicídio quando eles terminaram pela primeira vez.
Por pressão das famílias ele voltou atrás e acabou sendo enrolado por uma gravidez pouco honesta: mesmo garantindo que a deixaria se ela engravidasse, a moça insisti, não se preveniu e a encomenda foi feita.
Esse foi um exemplo perfeito de razões para não casar já que o rapaz assumiu o filho, fez seu papel afetivo como se deve, mas não ficou com a menina.
Na minha opinião, bem feito para ela.

Outra experiência válida foi a de uma colega que se casou depois dos 30 e não se arrepende.
Segundo ela, havia a possibilidade de se casar com vinte e poucos, mas eles preferiram seguir vivendo e tomar a decisão como adultos.
Parece que foi a melhor coisa que poderia acontecer já que ambos já estavam em um momento da vida onde o casamento era a coisa mais desejada e a paz a dois, um prêmio bastante visado.

Dos dois relatos eu posso tirar algumas coisas boas da minha situação:
1 - Me caso com a minha mineira pelas razões certas e com um diálogo muito honesto e aberto. Isso deve garantir uma vida boa para ambos e um volume de realizações, conquistas e felicidade bastante grande.
2 - Ambos já vivemos muitas coisas e experimentamos diversos sabores, o que nos dá muita certeza de que é isso mesmo que queremos fazer. Não há dúvidas ou inseguranças. Vai dar certo por que faremos dar certo.

Resta agora um mê exato para o grande dia.
Tudo está certo e ajeitado. Até o castelo já pode nos receber de braços abertos.
Só temos uma tarefa agora: ser extremamente felizes e viver ainda mais a vida!
Para nós, isso é fichinha, afinal de contas, escolhemos o casamento e não fomos escolhidos por ele.
E isso faz toda a diferença!

quarta-feira, julho 27, 2005

Compartilhar é bom

O Dia D está chegando e as coisas vão andando como devem.
Diferente do que eu havia pensado, a tradicional entrega de convites não está sendo uma simples convocação das pessoas queridas para dividir os momentos de felicidade.
Nada mais longe disso. Estamos lidando com uma verdadeira operação de guerra, com táticas, estratégias e contagem de baixas.
Então vejamos: que tipo de atividade mediria tanto as consequências quanto o pensamento de convidar um parente e ter que enviar três ou quatro convites adicionais para que alguns agregados não fiquem melindrados e saiam falando mal da família e dos noivos?
Quer dizer, falar mal muitos vão, mas pelo menos queremos adiar isso até o dia da festa. Ou os dias posteriores onde o assunto da vez será o porre do noivo, a falta de educação do povo de São Paulo ou a audácia do DJ que fazia propostas indecorosas a todas as mulheres que se atreviam a pedir alguma música.

Mas como eu não sofro muito desse mal de agregados, todas as entregas de convites estão sendo acompanhadas de muito carinho e insistência para que o povo encare a estrada e se embrenhe no Triângulo.
Mesmo que a maioria das entregas esteja a cargo dos Correios (e do dinheiro do Marcos Valério), acho que o sentimento está chegando ao destinatário e as pessoas estão se sentindo valorizadas e incluídas.
Esse era o objetivo e fico feliz pelo nosso sucesso.

Falta pouco mais de um mês para segurar a tensão, ajeitar toda a nossa nova vida e ver no que vai dar essa coisa de dividir teto, vida, escovas de dente e felicidades.
Na volta de Buenos Aires eu conto o que aconteceu, tá?

sexta-feira, julho 15, 2005

MorumTRI

Pausa para um pouco de auto-elogio: o Tricolor é campeão da Libertadores!
Campeão, não. Tricampeão, o que não é para qualquer um!
Em uma prévia do que vai ser a Copa da Alemanha, nos reunimos na casa do Presidente e bebemoramos cada gol do São Paulo.
Foi uma festa entre amigos e tudo correu como se esperava.
Pena que os vagabundos aproveitaram para bagunçar as coisas na Paulista, mas isso acontece nas melhores torcidas.
Apesar do tom fascista, acredito que só a farta distribuição de borrachadas pelo Choque pode resolver esse tipo de situação.

Mas voltando à festa!
Foi lindo ver 70 mil gargantas gritando juntas e ovacionando Rogério Ceni, Luizão, Cicinho e companhia.
Valeu a tensão e a ressaca de hoje: é Campeão!

E agora, o Brasileiro!


Tricolor tricampeão Posted by Picasa

quinta-feira, julho 14, 2005

Inesperado

Acabei de deixar de ser pai.
Passei a noite em claro depois de receber a notícia de que a visita da minha mineira estava algumas semanas atrasada e fiquei morrendo de medo do resultado do exame que saiu agora há pouco.
Não dormi e coloquei o resultado na mão de Deus. Fosse qual fosse o resultado, decidi tratá-lo só depois da confirmação.
Não que adiantasse fazer algo diferente, mas é que precisei organizar as idéias para segurar a barra dela. O diabo é que não havia ninguém disponível para segurar a minha barra.

No caminho para o trabalho imaginei milhares de cenários da família aumentada.
Imaginei noites sem sono, olheiras abissais, escolha de padrinhos, aulas de natação e coisas afins.
Imaginei a minha mineira barriguda, com o air bag ainda maior e com desejos de comer mamão com feijão às 3 da manhã.
De tanto imaginar esqueci de verificar o resultado do exame.
A notícia no negativo veio para deixar as coisas claras e para adiar os exercícios de imaginação.
Agora teremos tempo para fazer as coisas no tempo certo e sem pressa. Não vamos precisar eliminar o computador e a cômoda de CDs para acomodar o berço e as fraldas.
Tudo voltou aos eixos e ela pode parar de chorar e de temer a reação dos pais.

Mas se tudo voltou a ser como era antes, por que fiquei com uma certa sensação de decepção na cabeça?
Será que a minha vontade de ter um labrador ao invés de um filho faz parte da minha fachada de mau?
Está aí uma coisa para se pensar. Mas só daqui a alguns anos.
Graças a Deus.

segunda-feira, julho 11, 2005

Ainda mais coisas

Faltou falar do final de temporada do CSI escrito e dirigido pelo Tarantino!
Apesar de engenhoso e chocante, sempre achei que o seriado era meio devagar ao mostrar os peritos como deuses intocáveis e praticamente infalíveis. Era legal mas deixa uma sensação de "é só isso?" típica de beijos de baile de Carnaval e transas de uma só noite.


Os CSI Posted by Picasa


O doidão Posted by Picasa

Colocar o Grissom e a turma toda na mão do nerd mor quase causou a ruína do seriado, não no sentido de falta de qualidade (muito pelo contrário), mas sim pela falta de personagens vivos.
Por pouco o Nick não vai para o saco e o Grissom também.
Mas no final, depois de muito sangue, coisas escabrosas e tensão, o Grissom tirou um camelo da cartola e todo mundo ficou feliz. Quer dizer, o Nick ficou meio abobado, mas isso passa até a próxima temporada.

E finalmente comecei a ler o tal "Código Da Vinci".
A badalação em volta do livro já me deixava meio desconfiado, mas como foi um presente do meu velho, resolvi dar uma chance ao gênero.


O dito cujo Posted by Picasa

Por enquanto está sendo uma árdua tarefa enfrentar os clichês e driblar as frases já usadas antes. O tema até que é interessante, mas eu me acostumei tanto com as escritas pop do Takeda, da Clarah e do Hornby, que é difícil engolir certas formas de escrever. Mas em nome do agrado ao meu pai, vou chegar ao fim da tortura, mesmo que demore e doa.

E deixa eu terminar o post logo por que tenho algumas coisas para fazer antes que o "Life as we know it" comece.

terça-feira, julho 05, 2005

O que mais existe

Acho que chegou a hora de dar um tempo nas coisas do casório e de falar um pouco mais sobre o que tem rolado nesta minha vida (de vez em quando besta).
Não que eu não sinta vontade de descrever até as minúcias do processo de mudança de posição do varal suspenso, mas é que as coisas podem acabar meio sem sentido para quem não as está vivendo. É uma pequena mas necessária concessão, por isso vamos aos fatos.

Seguindo as recomendações da Ginger, comecei a assistir ao seriado "Life as we know it" na Sony.
A estória parece mais uma versão de Barrados no Baile, só que desta vez rola muito mais sexo e revolução. Mas as músicas....
A Ginger tinha razão: parece uma reunião de classe do alternativo americano (seria mundial??). Para o meu gosto, uma delícia.
E ainda tem aquela professora que encanou com o Ben!! Como diria um certo apresentador narigudo: loucura, loucura, loucura!!


Marguerite Moreau, a professora Posted by Picasa

Em outra área da cultura, esgotei a bibliografia da Clarah Averbuck.
Li o "Vida de gato" e "Das coisas esquecidas atrás da estante" enquanto mofava na sala de espera de Congonhas e sou obrigado a confessar uma coisa: gostei mais do primeiro.
Espero que a Clarah tenha algum intervalo na sua atual carreira musical para publicar um bom livro novo. Parece que ele já está terminado e só falta arrumar uma editora. "Haja o que hajar" vou aguardar, comprar e devorar, afinal de contas, a Clarah é sempre uma delícia, mesmo que me pareça pessimista demais de vez em quando.


O segundo Posted by Picasa


Jazzie e os Vendidos: Clarah e sua música Posted by Picasa


O terceiro e mais recente Posted by Picasa

Uma outra coisa que merece registro é o tratamento VIP que eu e meus amigos voltamos a ter no Tranvia.
É certo que conhecemos o dono, que ele costumava jogar na piscina um dos meus amigos quando ele era criança, que sempre deixamos contas astromômicas no lugar e coisa e tal, mas não precisava ter nos presenteado com uma garrafa inteira de grappa mel!
A coitadinha da garrafa quase não sobreviveu ao almoço e nós também fomos na onda.
Não é a toa que o sábado quase terminou no hospital por conta de um acidente intestinal.

Bom, como achei que este intervalo ficou meio sem graça e desinteressante, no próximo post volto a falar de alguma coisa do casório ou do apê.
Soory folks!

terça-feira, junho 28, 2005

Tudo pronto

Me disseram que não daria para começar com a casa toda montada.
Tentaram me convencer de que todo mundo agia assim e que era besteira remar contra a maré.
Foram muito eficientes ao apresentar a idéia de que viver no cheque especial era normal e que não adiantava se estressar por conta disso.
Falaram um monte de coisas, mas se esqueceram de incluir a minha mineira na lavagem cerebral.
Como ela não sabia que não era possível, foi lá e fez. E muito bem feito por sinal.

Isso significa que vamos nos mudar com a casa toda montada e mobiliada e com os bolsos praticamente vazios. Sem grana mas sem dívidas e é isso que a gente queria.
Vamos voltar de viagem para organizar as coisas da casa e não para correr atrás delas.
Se não der vontade de fazer nada, vamos nos sentar no sofá e ver um DVD. O melhor disso é que teremos um sofá. E um DVD.
Teremos uma casa como manda o figurino e eu poderei conservar meus rins e meus outros órgãos para outra ocasião em que tenhamos que levantar uma grana.

Cada vez temos mais certeza de que vamos começar com o pé direito.
Até alguns centímetros quadrados para decoração nós teremos!
Como diria o SS: isto é incrível, principalmente se pensarmos que alguns meses atrás não sabíamos nem por onde começar a procurar.
Não sabíamos nem brincar de casinha, quanto mais organizar as coisas que uma casa decente tem que ter.
O máximo de organização doméstica que eu conhecia era arrumar a mesa para o almoço de domingo.

Estamos indo bem e temos a impressão de que vai ficar melhor ainda.
Só espero que não sigamos as tradições familiares de ambos e acabemos sucumbindo às lembrancinhas das viagens. Por que de tranqueira naquele apêzinho, já basta eu.

segunda-feira, junho 20, 2005

Contando nos dedos

Faltam cerca de 75 dias para o grande dia.
Dois meses e meio para revolucionar minha vida e virar de cabeça para baixo tudo aquilo que eu vi, fiz e conheci.
Provavelmente o tempo de gestação de sagüi equatorial até que eu vire um novo e feliz encoleirado.
Ou será que não?

Não gosto dessa visão restritiva, revolucionária e Shivatorial das coisas.
O neologismo aqui significaria a destruição e reconstrução da realidade por parte de Shiva, o deus purificador dos hindus.


Shiva, o destruidor Posted by Hello

Pensando bem, não creio em nada tão definitivo.
Vai ser duro, eu sei, mas não vai ser a morte conviver 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, sabe Deus quantos anos, tudo com uma mesma pessoa.
Tenho certeza que teremos nossos arranca-rabos, nossas tensões, nossas brigas homéricas, mas tudo deve ter um caráter de compartilhamento, de parceria.
Não vai dar mais para dizer que vai para casa e deixar o outro plantado no bar ou na fila do cinema.
Se bem que nossa realidade de 600km de problemas nunca nos permitiu esse tipo de explosão, mas acho que deu para entender o sentido da frase.

A paciência terá que ser maior, a compreensão terá que existir, a concessão vai ter que dar as caras. Tudo em nome de um treco que estamos a fim de construir.
Não seremos mais dois namorados. À partir do começo de Setembro seremos um casal e teremos que encarar isso como se deve.
Ou então nem começamos. Se não vamos brincar direito, melhor nem começar.

Mas acho que estamos indo no caminho certo.
Gosto de contar nosso relacionamento em quilômetros, não em dias. Por que se balizarmos da forma tradicional, chegaremos à conclusão que não nos conhecemos e que é loucura casar.
Ao invés disso digo que já rodamos muitos milhares de quilômetros juntos e que isso não dá nem para a saída.
Ainda temos muito o que rodar e vamos fazer isso juntos.
E que venham Shiva, Kali, Ganesh e Vishnu. A gente mata no peito (nisso ela tem nítida vantagem sobre mim) e manda a bola para o mato.
Por casório é mais importante do que campeonato.


Vishnu, o mais fodão Posted by Hello


Kali, fazendo o seu melhor Posted by Hello


Ganesh, o mais popular Posted by Hello

sábado, junho 11, 2005

Début

Em alguns rituais humanos, a primeira vez tem um significado todo especial, uma magia que não se repete depois, uma expectativa que não encontra similar.
Foi assim na experiência do beijo, na descoberta do sexo e na primeira vez que quase me matei em uma batida de carro.
Foi assim também na primeira vez que fiz amor com a minha mineira dentro da nossa casa. Mesmo que ainda seja só o piso e as paredes, aquela será a nossa casa e hoje foi a nossa primeira vez.

Mesmo que eu não prime por uma imaginação privilegiada, até que a produção que fiz surtiu o efeito desejado. E como ela está a 600km de conseguir acompanhar minhas maquinações para datas especiais, ficou mais tranquilo preparar tudo com calma.
Aproveitei que hoje era véspera do Dia dos Namorados e que completávamos 3 anos e cinco meses juntos para fazer uma pequena supresa: correndo o risco de ser atropelado pela lista de presentes, comprei uma TV e um DVD para a nossa casa.
Comprei também um celular para que a gente possa conversar evitando o miserento do interurbano.

Antes de montar os apetrechos, levei minha mãe até lá e demos um tapa na sujeira mais pesada da sala e do banheiro. A cozinha ficou para uma próxima.
Depois ajeitei a TV, o DVD e o celular de um jeito que ela precisasse estar dentro da sala para ver toda a montagem. Levei também um colchão, duas garrafas de vinho (tinto) e duas taças. Os apetrechos para banho e higiene pessoal ficaram no outro quarto só para complementar os acertos.
A idéia era que ela visse o apê pronto (pós-pintura e colocação do piso) pela primeira vez e já encontrasse os presentes de namorado.

Depois de uma manhã cheia de compromissos pré-casório, fomos até o apê com o pretexto de visitá-lo. Até então ela apenas desconfiava do que eu havia preparado.
O resultado não poderia ter sido melhor. Aliás, poderia ter melhorado sim, se não estivéssemos novamente pressionados pelo tempo.
Mas como isso é inevitável a esta altura do campeonato, curtimos um monte e o sorriso não deixou o rosto da minha mineira até o momento em que a deixei na casa da tia.

Tudo funcionou bem, como espero que nossa vida seja.
A produção, apesar de simples, deu resultado. Ela gostou, eu gostei, fizemos amor e planos. E amor e planos é o que mais precisamos neste momento.
Por que do resto a gente corre atrás.

sábado, junho 04, 2005

A geladeira

Sempre quis começar uma estória da maneira clássica, portanto lá vai...

Era uma vez uma geladeira.
Uma geladeira classuda, de estirpe e de boa formação.
E era uma vez um apartamento. Pequeno, proletário, mas valente.

Sem muita contribuição do acaso, um dia as vidas deles se cruzaram e o resultado quase acabou em tragédia: ela era grande demais e achava que ele não daria conta.
Tiros foram disparados, dentes foram cuspidos e noites de amor foram prejudicadas pelo simples fato dela ter chegado primeiro e do melindre que causaria a sua troca por duas de 220 (litros).

Felizmente, quando já não havia esperança, surgiu a salvadora da pátria, a fada-madrinha, a mais sábia de todas, a infalível trena e sua intervenção mágica que provou que eles eram compatíveis.

E tudo acabou bem. Com a geladeira, com o apartamento e com os pobres futuros moradores que quase se pegaram de tapa, em nome do amor por cada um dos seus protegidos.
E foram felizes para sempre.

Esta foi a forma que encontrei de atender ao pedido da Sylvia e falar um pouco da minha futura cozinha.
Espero que agora você fique mais feliz ao ler os posts, Sylvia.

segunda-feira, maio 30, 2005

Corações grandes

Era uma casa comum na Vila Maria, lá nos confins da ZN.
É fácil falar em distâncias agora que moro perto de tudo, mas na época da faculdade, aquela casa era o destino de quase todos nós. Apenas algumas ovelhas desgarradas não gostavam de ficar por lá, mas isso tem a ver com gostos e personalidades e não vem ao caso neste momento.
A casa do pequeno Zé era nossa base, nosso ponto de lançamento, nossa origem.
E tinha mesmo que ser assim. Afinal de contas, dezenas de pessoas gravitavam em torno daquela travessa da Guilherme Cotching.
Analisando as coisas com calma, acho que foi o mais próximo que cheguei de ter uma família numerosa.
E que família era aquela!

Além dos quatro ou cinco futuros engenheiros, a casa do pequeno Zé contava com uma infinidade de irmãos, parentes e agregados, bem ao estilo fértil da terra de origem de alguns deles. Afinal de contas, na Bahia ter família pequena não tem graça.

Nossos encontros eram típicos de moleques de classe média que chegavam lá de ônibus e que almoçavam esfihas enquanto tentavam estudar para as intermináveis provas.
A menção à tentativa é obrigatória já que alguns de nós adoravam abandonar a mesa de estudos e brigar contra o Koppa no bendito Super Mario Bros 4. Nunca consegui ir muito longe naquele jogo e acho que foi por isso que consegui passar pela Engenharia sem nenhuma DP.


Super Mario Bros. 4 Posted by Hello

Na verdade, até os jogadores contumazes sobreviveram ao curso, não sem cicatrizes, é verdade, mas o importante foi terminar e se livrar daquilo.
Mas o ponto aqui não é falar dos desesperos, das colas, das esfihas e das intermináveis risadas que inevitavelmente surgiam em meio ao stress.
Quero falar do pequeno Zé e do seu grande coração.
Quero falar do pequeno Zé que serviu de cupido para o meu primeiro grande amor.
Que serviu de irmão quando a barra estava pesada.
Que serviu de professor quando não havia mais para onde ir.
Que errou quase tanto quanto eu em relacionamentos, até encontrar a porta certa e entrar com convicção.
Que assombrava a todos com os vôos na quadra de vôlei.
Que não me socou quando o chamei de Incrível Hulk no primeiro dia que o vi de lentes de contato verdes.
Que não anotava uma linha sequer durante as aulas, mas conseguia nos explicar detalhes da matéria que nem sabíamos que existiam.
Que nos emprestou a casa e os recursos para o medíocre TCC que deveria ter nos reprovado, mas milagrosamente não o fez.
Que sempre gostou de famílias grandes e vai ter que me inspirar na minha nova vida.

Esse é o pequeno Zé. Esse é o nosso Zé. Esse vai ser sempre o grande Zé.
Espero que suas intermináveis viagens te levem para o caminho da felicidade, já que não há como dizer que você merece menos do que isso.
E se houver algum tropeço, basta assoviar e todos nós estaremos lá para te ajudar a levantar. É o mínimo que podemos fazer para agradecer.

segunda-feira, maio 23, 2005

Fluxo de caixa

Nova fase da vida de adulto!
Agora que tenho as chaves do castelo, passo a precisar adaptá-lo aos meus desejos e deixá-lo com a minha cara. Ou melhor, com a cara da minha mineira, já que quem manda é ela e quem paga sou eu. Uma verdadeira samambaia proletária, usando os termos que aprendi recentemente para definir a participação decorativa do noivo.

Posso entrar livremente no apê há umas 48 horas e tenho exercido meu direito plenamente.
Já levei o pintor e o "cara dos pisos" para saber o tamanho da facada que vou levar. Já levei uma escada que fez o meu "DIStruído" parecer um carro de bombeiros.
Já gastei os olhos da cara com tintas, torneiras e chuveiro, coisas que o antigo proprietário faz questão de levar com ele. Não sei se eu teria esse apego às coisas, mas ele está no seu direito. Que leve!
Se ele pudesse levar a cortina da sala, eu agradeceria.

Aos poucos o castelo vai ficando habitável.
Daqui a pouco chega o colchão, o armário e a cama. Depois temos que correr atrás das coisas da sala e finalmente aproveitar a casinha nova.
Sim, por que aquele lugar só vai se transformar em lar quando Setembro chegar.
Aí seremos só nós três: eu, a minha mineira e o castelo.

Pensando bem: salve-se quem puder!

terça-feira, maio 17, 2005

Famílias?!?! Bah!!!

Sempre tive uma teoria acerca de famílias e a balbúrdia que rola quando ela se encontra. É claro que essa teoria está baseada inteiramente no fato das comemorações marcantes na minha casa contarem com, no máximo, cinco pessoas e meia, mas isso não vem (muito) ao caso.
O fato é que sempre fiquei meio incomodado com a gritaria e com a interferência associada à presença constante da família.
Infelizmente para os meus costumes, o relacionamento com a minha mineira é realmente o pesadelo dos sociopatas: família grande, unida e barulhenta!

Sempre acabo com dor de cabeça quando passo o Natal com eles e apesar do esforço supremo para controlar meus instintos, não consigo evitar a vontade de arrancar as unhas de uns dois ou três com um alicate de ponta.

Recentemente rolou um incidente que jogou por terra todo o esforço de meditação que andei fazendo para me acostumar com a presença da família. Bastou um quase-parente me atravessar a frente para que tudo fosse para o ralo.
Mas o que eu poderia esperar de um (con)cunhado.
Nunca foi tão verdadeira a sabedoria popular que diz que se fosse bom não começaria com "cu".
E olha que ele ainda nem fez nada de tão ruim.
Na verdade foi o contrário. Foi o que ele não fez e ameaçou fazer que entornou o caldo

Mas ainda há esperança. Infelizmente não participarei do próximo movimento, mas estou fazendo um trabalho intenso para treinar a minha mineira e passar ao menos um pouco da minha experiência em lidar com conflitos: basta pisar na cabeça e está tudo pronto.
Na real, espero que ela não me dê ouvidos e que resolva tudo com diálogo.
Afinal de contas, uma festa de casamento passa logo, mas uma família fica.
Feliz ou infelizmente, família a gente não escolhe, lamenta!

E tudo por que ele quer definir o horário de término da festa!
Ah, se eu pego o miserento!