Dores de amores
Mas que cazzo está acontecendo com os homens deste planeta!?!?!?!?
Ultimamente tenho tido contato com uma série interminável de tristezas sentimentais vividas por amigas queridas. Em comum apenas um comportamento meio egoísta, desinteressado até por parte dos parceiros. Será que foi decretada alguma revolução e ninguém me contou?
Se não, por que diabos aquela pessoa pequena de tamanho e enorme de coração estaria sofrendo tanto por um cara que já declarou que ela está em quarto plano na vida dele?
Será que está certo dizer a alguém que se não existir nada no trabalho, na família e nos amigos, eles até podem pensar em ser ver?
Ou será que soa gentil dizer à namorada (por que é assim que eles se declaram) que não se tem certeza se existe vontade de passar o feriado inteiro com ela?
Se eles fossem ficantes, tudo bem, mas isso não me parece coisa de quem namora.
Na minha modesta opinião, o namoro envolve muito mais do que isso, envolve comprometimento, concessão e companheirismo.
Tudo bem que o cara acabou de sair de um relacionamento doído, mas se ele não está preparado para encarar outra pessoa de forma decente, que fique em casa ou que vá trabalhar. Encher o saco de quem quer amar é que não pode!
Se a pessoa quer seguir vivendo a vida como se nada estivesse acontecendo, para que namorar? Vai ficando e vê o que dá!
Infelizmente para essa minha pequena amiga, essa fase já passou e agora só fica a dor e a decisão de lutar ou fugir.
O caso da dançarina é um pouco pior: eles foram casados durante quatro anos e de repente ela se viu com um marido infiel e que declarava que a culpa de todos os problemas do mundo era dela.
Até hoje não entendo muito bem essa estória já que a conheço muito pouco, mas sei que as responsabilidades sobre o sucesso do relacionamento nunca são de uma só pessoa. Sempre depende de ambos, do esforço e concessões de ambos.
Só não consigo imaginar que raio de megera ela pode ter sido para merecer tanta tristeza e choradeira. Daqui a pouco a moça vai secar de tantas lágrimas derramadas.
A amiga de Curitiba, a quem carinhosamente chamo de Polaquinha, é o último caso recente. Felizmente ela é a que sofre de forma menos intensa já que seus últimos relacionamentos não permitem um envolvimento mais profundo e as feridas acabam sendo menos doloridas.
Mesmo assim, acho que ela mereceria uma outra chance de ser feliz, uma nova companhia que estivesse disposta a amar e a formar um casal. Parceiros de prazer não se encaixam nesse quesito, apesar de terem a sua cota de participação na vida de qualquer pessoa solteira e saudável.
Seria muito bom para o crescimento e afirmação dela que o próximo a se aproximar do seu sorriso tivesse algo mais a oferecer do que outro sorriso. Que venha o conteúdo!
Queria poder fazer algo mais por elas, queria poder estalar os dedos e mudar a situação, queria poder torná-las felizes com os caras que amam ou que desejam.
Infelizmente a vida não é tão fácil e não posso fazer muito mais além de passar horas ao telefone e contar piadas para arrancar sorrisos infantis.
Nessas horas me sinto tão pequeno...
quinta-feira, novembro 11, 2004
sábado, outubro 30, 2004
Presente, passado e futuro
Até que para ter sido meu potencial último aniversário comemorado em Sampa, o barulho da última quinta foi bem divertido.
Por alguns instantes eu senti o tradicional medo do fracasso, mas depois que chegou o primeiro convidado tudo ficou melhor e eu pude cair na cerveja.
O curioso é que esse primeiro corajoso a chegar ao bar foi justamente um cara que conheci há muito pouco tempo, mas que fez questão de me prestigiar. Acho que alguma coisa eu ando fazendo certo quando me relaciono com as pessoas.
Correção: por alguma razão esotérico-celestial, eu não consegui me matar de beber e parei na terceira Erdinger. Foram duas loiras, uma mulata, uma coca (light lemon, meu mais recente vício) e um sanduíche no pão ciabatta. Nada mais. Nenhum outro aditivo químico, físico ou psicológico se misturou ao meu sangue naquela noite.
O boteco se revelou bastante agradável e mesmo com uma certa falta de espaço, as pessoas se acomodaram bastante bem e niguém teve muitas razões para reclamar.
É claro que surgiram contratempos (cervejas chocas, garçons demasiadamente blasé, convidados impacientes), mas tudo acabou muito bem.
Como era de se esperar, se formaram grupos de acordo com a origem das pessoas.
A faculdade estava lá representando o passado. Quase todo o círculo interno estava lá, com direito a esposas e filhas encomendadas. Tudo muito carinhoso e cúmplice.
Eles pareciam tão felizes quanto eu.
No presente estava a Diretoria e o pessoal da "firma".
Todos muito bem animados e colocando o papo em dia, afinal de contas, um dos Diretores (o de Relações Públicas) estava de volta de uma demorada lua-de-mel no Velho Continente. Havia muita coisa para contar e depois tenho que me atualizar.
Nos dois grupos foram sentidas ausências importantes: não havia Presidente, não havia Primeira Dama e não havia o Professor. Senti falta deles mas entendo que não foi por falta de vontade e carinho que eles não estavam lá. Quem sabe da próxima?
O futuro se mostrou apenas na voz. A minha mineira me ligou várias vezes e em todas mostrou aquilo que me motiva a deixar as coisas que eu amo e buscar uma vida nova.
Me senti muito próximo dela, quase como se ela estivesse ao alcance de um beijo.
Na verdade ela estava, mas acho que me fiz entender.
Senti muita falta também dos meus companheiros de sangue, dos velhos e da minha irmã cineasta. Também entendo os motivos de cada um, mas isso não diminui a falta que eles me fizeram e nem a que farão no futuro.
A ausência do pessoal da FCAV já era esperada. Mesmo depois de dois anos juntos, a gente nunca conseguiu uma intimidade que justificasse a participação nesses eventos.
Mesmo assim, teria sido legal vê-los por lá.
Resumindo um pouco a bagunça, entre ausências sentidas e conversas animadas, acho que foi uma boa comemoração. Se foi a última na minha cidade, serviu bem ao propósito. Fiquei feliz e fiz minha gente feliz. O resto não importa.
Até que para ter sido meu potencial último aniversário comemorado em Sampa, o barulho da última quinta foi bem divertido.
Por alguns instantes eu senti o tradicional medo do fracasso, mas depois que chegou o primeiro convidado tudo ficou melhor e eu pude cair na cerveja.
O curioso é que esse primeiro corajoso a chegar ao bar foi justamente um cara que conheci há muito pouco tempo, mas que fez questão de me prestigiar. Acho que alguma coisa eu ando fazendo certo quando me relaciono com as pessoas.
Correção: por alguma razão esotérico-celestial, eu não consegui me matar de beber e parei na terceira Erdinger. Foram duas loiras, uma mulata, uma coca (light lemon, meu mais recente vício) e um sanduíche no pão ciabatta. Nada mais. Nenhum outro aditivo químico, físico ou psicológico se misturou ao meu sangue naquela noite.
O boteco se revelou bastante agradável e mesmo com uma certa falta de espaço, as pessoas se acomodaram bastante bem e niguém teve muitas razões para reclamar.
É claro que surgiram contratempos (cervejas chocas, garçons demasiadamente blasé, convidados impacientes), mas tudo acabou muito bem.
Como era de se esperar, se formaram grupos de acordo com a origem das pessoas.
A faculdade estava lá representando o passado. Quase todo o círculo interno estava lá, com direito a esposas e filhas encomendadas. Tudo muito carinhoso e cúmplice.
Eles pareciam tão felizes quanto eu.
No presente estava a Diretoria e o pessoal da "firma".
Todos muito bem animados e colocando o papo em dia, afinal de contas, um dos Diretores (o de Relações Públicas) estava de volta de uma demorada lua-de-mel no Velho Continente. Havia muita coisa para contar e depois tenho que me atualizar.
Nos dois grupos foram sentidas ausências importantes: não havia Presidente, não havia Primeira Dama e não havia o Professor. Senti falta deles mas entendo que não foi por falta de vontade e carinho que eles não estavam lá. Quem sabe da próxima?
O futuro se mostrou apenas na voz. A minha mineira me ligou várias vezes e em todas mostrou aquilo que me motiva a deixar as coisas que eu amo e buscar uma vida nova.
Me senti muito próximo dela, quase como se ela estivesse ao alcance de um beijo.
Na verdade ela estava, mas acho que me fiz entender.
Senti muita falta também dos meus companheiros de sangue, dos velhos e da minha irmã cineasta. Também entendo os motivos de cada um, mas isso não diminui a falta que eles me fizeram e nem a que farão no futuro.
A ausência do pessoal da FCAV já era esperada. Mesmo depois de dois anos juntos, a gente nunca conseguiu uma intimidade que justificasse a participação nesses eventos.
Mesmo assim, teria sido legal vê-los por lá.
Resumindo um pouco a bagunça, entre ausências sentidas e conversas animadas, acho que foi uma boa comemoração. Se foi a última na minha cidade, serviu bem ao propósito. Fiquei feliz e fiz minha gente feliz. O resto não importa.
quinta-feira, outubro 28, 2004
Perdendo o medo
Hoje comemoro meu 33º aniversário.
Cheguei à idade de Cristo e perdi o medo de comemorar.
Sempre tive receio de fazer festas de aniversário com medo de que as pessoas não fossem, que sobrasse comida ou que eu me visse sozinho no meio de gente desconhecida. Era como um sonho ruim pós-feijoada noturna.
Não tenho mais esse medo. Se a festinha de hoje fracassar, dane-se. Pior para quem não for dividir uma Erdinger comigo.

A deliciosa Erdinger
Na minha juventude as comemorações de aniversário tinham sempre um ar chileno.
Boa parte da colônia baixava em casa para comer cholgas, pebre, pan amassado e churrasco. Invariavelmente meu velho passava da conta e dava vexame.
Era mais ou menos a mesma coisa ano após ano.
Isso durou até que os vexames começaram a ficar maiores do que a alegria.
Aí eu parei e larguei as comemorações. Nunca mais fiz uma festa em casa.

Empanadas chilenas
Demorei para voltar a comemorar e quando o fiz, sempre sofria com aquele sentimento de abandono, uma mini-depressão que vinha da insegurança de não ser importante o suficiente para os meus amigos. Na maioria das vezes isso era infundado, uma besteira, mas eu continuava alimentando o medo de fracassar.
Talvez isso tenha algo a ver com minha auto-exigência. Sempre fiz questão de prestigiar qualquer evento dos meus amigos e talvez eu quisesse receber o mesmo em troca. Talvez eu precisasse de aprovação, tal qual o resto do mundo.
Talvez eu não fosse tão auto-suficiente quando queria parecer.
Não sei bem como eu consegui vencer isso e convocar uma tropa de assalto para beber e festar comigo. Não vai ser exatamente uma festa e sei que muita gente não vai pelas mais diversas razões, mas eu vou estar lá dando a cara para bater.
Sei que o Presidente, a minha mineira e os meus pais não vão estar lá, mas quem for vai me fazer muito feliz.
Quem estiver lá será por si só uma razão para matar esse meu medo besta.
Cada coração naquele boteco vai significar uma força a mais no meu peito.
E é disso que é feita a vida: de momentos, de amigos e de batidas fortes no peito.
E que desça mais uma Erdinger!
Hoje comemoro meu 33º aniversário.
Cheguei à idade de Cristo e perdi o medo de comemorar.
Sempre tive receio de fazer festas de aniversário com medo de que as pessoas não fossem, que sobrasse comida ou que eu me visse sozinho no meio de gente desconhecida. Era como um sonho ruim pós-feijoada noturna.
Não tenho mais esse medo. Se a festinha de hoje fracassar, dane-se. Pior para quem não for dividir uma Erdinger comigo.

A deliciosa Erdinger
Na minha juventude as comemorações de aniversário tinham sempre um ar chileno.
Boa parte da colônia baixava em casa para comer cholgas, pebre, pan amassado e churrasco. Invariavelmente meu velho passava da conta e dava vexame.
Era mais ou menos a mesma coisa ano após ano.
Isso durou até que os vexames começaram a ficar maiores do que a alegria.
Aí eu parei e larguei as comemorações. Nunca mais fiz uma festa em casa.

Empanadas chilenas
Demorei para voltar a comemorar e quando o fiz, sempre sofria com aquele sentimento de abandono, uma mini-depressão que vinha da insegurança de não ser importante o suficiente para os meus amigos. Na maioria das vezes isso era infundado, uma besteira, mas eu continuava alimentando o medo de fracassar.
Talvez isso tenha algo a ver com minha auto-exigência. Sempre fiz questão de prestigiar qualquer evento dos meus amigos e talvez eu quisesse receber o mesmo em troca. Talvez eu precisasse de aprovação, tal qual o resto do mundo.
Talvez eu não fosse tão auto-suficiente quando queria parecer.
Não sei bem como eu consegui vencer isso e convocar uma tropa de assalto para beber e festar comigo. Não vai ser exatamente uma festa e sei que muita gente não vai pelas mais diversas razões, mas eu vou estar lá dando a cara para bater.
Sei que o Presidente, a minha mineira e os meus pais não vão estar lá, mas quem for vai me fazer muito feliz.
Quem estiver lá será por si só uma razão para matar esse meu medo besta.
Cada coração naquele boteco vai significar uma força a mais no meu peito.
E é disso que é feita a vida: de momentos, de amigos e de batidas fortes no peito.
E que desça mais uma Erdinger!
domingo, outubro 17, 2004
Fim de caso
Uma vez me peguei em uma livraria procurando o livro "Fim de caso" de Graham Greene.
Tinha ouvido falar bem do escritor enquanto estava perdido em Londres e achei que poderia ser legal conhecer esse livro.
Graham Greene
O grande problema foi a minha falta de tato ao escolher a oportunidade para procurar o tal livro: eu estava recém começando meu namoro com a Rê e isso não caiu muito bem para ela. Segundo um raciocínio que só fui entender depois, eu deveria procurar qualquer coisa que tratasse de relacionamentos começando não do fim deles.
No final das contas e do relacionamento, não li o livro nem vi o filme e não pude entender a visão do escritor sobre o final de estórias que normalmente começam com juras de eternidade, concessão e sacrifício em nome do outro.
Fim de caso
Não sei se gosto de chamar meus namoros de casos. Isso me remete a coisas passageiras e sem importância e nenhum deles foi assim.
Posso não ter me apaixonado loucamente por todas as minhas namoradas, mas certamente eu não passei a chamá-las assim pensando em ter outra companhia na semana seguinte.
Se não era para sempre, pelo menos eu acreditava que duraria e que eu seria feliz no processo.
Até que na maioria deles isso aconteceu de verdade. Por mais reticente que eu tenha sido em alguns, acho que dei sorte e namorei meninas que tinham algo a acrescentar à minha vida naquele momento. Umas mais outras menos, é certo, mas todas acabaram sendo legais de alguma maneira.
Já devo ter falado sobre isso em algum momento da vida deste blog, mas acho legal voltar ao tema e comparar o que já aconteceu com aquilo que estou vivendo neste momento.
O primeiro fim foi "cantado": a gente estava amadurecendo, eu havia acabado de voltar de um processo de abertura de horizontes, ela queria manter o status quo e eu já não achava que o sacrifício valia a pena.
Já não era mais legal me submeter aos desmandos do pai e ao ciúme "sargento" dela.
Simplesmente desisti do relacionamento sem declarar abertamente.
Como era de se esperar, ela declarou e a gente foi ver o que mais havia na vida.
O segundo foi surpreendente de duas maneiras: a primeira é que eu sofri mais do que esperava e muito mais do que eu admitia publicamente.
A segunda é que ela decidiu tudo sozinha, sem ao menos curtir uma crise ou uma discussão. Não teve nem graça.
Aquela mineira não me deixou fazer parte da vida dela e eu achava que por isso estava imune a lágrimas e baixo astral. Não estava e todos os meus perceberam isso.
Do jeito que veio, ela se foi: no controle de tudo.
Não sei se posso considerar a terceira nesta mesma categoria. Foi tudo tçao fugaz que alguns nem diriam que foi um namoro.
De qualquer maneira, como eu a considerei minha namorada, acho que devo considerar também o rompimento.
Terminamos por telefone sob a alegação de que a família se opunha e que ela não queria comprar a briga.
Mais uma vez havia uma família colocando pedras no meu caminho e mais uma vez em perdia na comparação.
Com a seguinte, a já mencionada Rê, eu estava bem mais seguro sobre os rumos do relacionamento. Nem assim eu consegui controlar a coisa quando começamos a nos afastar. Foi quase que natural e mais ou menos uma inversão do que rolou com a mineira: eu não sabia o que fazer com ela e não estava disposto a ser a solução para a neuras que ela tinha.
Não a deixai entrar na minha vida e até fiquei aliviado quando ela saiu.
O quinto rompimento....esse eu não quero viver.
Não tenho nada a dizer sobre ele e não quero pensar em como eu ficaria se ele acontecesse.
Neste caso, não reconheço a existência do fim. Só quero começar de novo, continua e insistentemente. Quero renovar nosso lance até que não consigamos nos reconhecer no espelho. Aqui sim quero que reine Vinícius. Este que quero que seja eterno.
Este vai ser eterno e definitivo!
Que seja eterno enquanto dure...
Uma vez me peguei em uma livraria procurando o livro "Fim de caso" de Graham Greene.
Tinha ouvido falar bem do escritor enquanto estava perdido em Londres e achei que poderia ser legal conhecer esse livro.
Graham Greene
O grande problema foi a minha falta de tato ao escolher a oportunidade para procurar o tal livro: eu estava recém começando meu namoro com a Rê e isso não caiu muito bem para ela. Segundo um raciocínio que só fui entender depois, eu deveria procurar qualquer coisa que tratasse de relacionamentos começando não do fim deles.
No final das contas e do relacionamento, não li o livro nem vi o filme e não pude entender a visão do escritor sobre o final de estórias que normalmente começam com juras de eternidade, concessão e sacrifício em nome do outro.
Fim de caso
Não sei se gosto de chamar meus namoros de casos. Isso me remete a coisas passageiras e sem importância e nenhum deles foi assim.
Posso não ter me apaixonado loucamente por todas as minhas namoradas, mas certamente eu não passei a chamá-las assim pensando em ter outra companhia na semana seguinte.
Se não era para sempre, pelo menos eu acreditava que duraria e que eu seria feliz no processo.
Até que na maioria deles isso aconteceu de verdade. Por mais reticente que eu tenha sido em alguns, acho que dei sorte e namorei meninas que tinham algo a acrescentar à minha vida naquele momento. Umas mais outras menos, é certo, mas todas acabaram sendo legais de alguma maneira.
Já devo ter falado sobre isso em algum momento da vida deste blog, mas acho legal voltar ao tema e comparar o que já aconteceu com aquilo que estou vivendo neste momento.
O primeiro fim foi "cantado": a gente estava amadurecendo, eu havia acabado de voltar de um processo de abertura de horizontes, ela queria manter o status quo e eu já não achava que o sacrifício valia a pena.
Já não era mais legal me submeter aos desmandos do pai e ao ciúme "sargento" dela.
Simplesmente desisti do relacionamento sem declarar abertamente.
Como era de se esperar, ela declarou e a gente foi ver o que mais havia na vida.
O segundo foi surpreendente de duas maneiras: a primeira é que eu sofri mais do que esperava e muito mais do que eu admitia publicamente.
A segunda é que ela decidiu tudo sozinha, sem ao menos curtir uma crise ou uma discussão. Não teve nem graça.
Aquela mineira não me deixou fazer parte da vida dela e eu achava que por isso estava imune a lágrimas e baixo astral. Não estava e todos os meus perceberam isso.
Do jeito que veio, ela se foi: no controle de tudo.
Não sei se posso considerar a terceira nesta mesma categoria. Foi tudo tçao fugaz que alguns nem diriam que foi um namoro.
De qualquer maneira, como eu a considerei minha namorada, acho que devo considerar também o rompimento.
Terminamos por telefone sob a alegação de que a família se opunha e que ela não queria comprar a briga.
Mais uma vez havia uma família colocando pedras no meu caminho e mais uma vez em perdia na comparação.
Com a seguinte, a já mencionada Rê, eu estava bem mais seguro sobre os rumos do relacionamento. Nem assim eu consegui controlar a coisa quando começamos a nos afastar. Foi quase que natural e mais ou menos uma inversão do que rolou com a mineira: eu não sabia o que fazer com ela e não estava disposto a ser a solução para a neuras que ela tinha.
Não a deixai entrar na minha vida e até fiquei aliviado quando ela saiu.
O quinto rompimento....esse eu não quero viver.
Não tenho nada a dizer sobre ele e não quero pensar em como eu ficaria se ele acontecesse.
Neste caso, não reconheço a existência do fim. Só quero começar de novo, continua e insistentemente. Quero renovar nosso lance até que não consigamos nos reconhecer no espelho. Aqui sim quero que reine Vinícius. Este que quero que seja eterno.
Este vai ser eterno e definitivo!
Que seja eterno enquanto dure...
sexta-feira, outubro 08, 2004
Vai ser assim
Nesta última semana eu me peguei imaginando detalhes da decoração de uma casa que ainda não tenho.
Por mais vantajoso que seja morar com os pais e gozar dos confortos e mimos que isso acarreta, estou sentindo uma necessidade crescente de um canto onde largar as meias sujas sem que algum dia alguém passe recolhendo e reclamando.
Fiquei com ainda mais vontade de ter a minha estante de livros, meu armário de CDs, meus cabides de roupas e minhas contas de condomínio. ´
Parece loucura, mas quero amadurecer de vez.
No meu último devaneio havia uma estante fechada por todos os lados mas aberta na frente. Não havia vidro nem portas, apenas espaços quadrados amplos e fundos. Eram como espaços de grandes gavetas. Só os espaços. Eram cerca de nove, dispostos três a três. Era tudo muito parecido com o que vimos no Dedo de Moça de Itacaré.
O modelo
Cheguei a ver os mimos de viagem que eu e a minha mineira planejamos colecionar.
Já temos as primeiras peças, mas ainda não temos os tais "espaços de gavetas"
Os pôsteres de cinema e de música estavam grudados na parede da sala de TV. Não havia nenhum quadro. Os atores e músicos eram o próprio papel de parede. O nariz do Keanu Reeves acabou constituindo um ótimo lugar para uma das tomadas do computador e os pêlos do Chewbacca acabaram tornando o ambiente bem mais caloroso.
É certo que ver um filme olhando para tudo aquilo deixaria qualquer um com dor de cabeça, mas não é nada que uma inversão estratégica de posição não resolvesse.
180 graus depois estaria tudo perfeito.
O quarto era minimalista: a cama, um criado e o despertador. Nada de montes de armários nem de enfeites nem de penduricalhos. Só paredes limpas e cheiros agradáveis.
Na minha imaginação havia uma cama japonesa, daquelas bem baixinhas que mais pareciam colchonetes, mas a minha mineira já matou a idéia no ninho e terei que me acostumar com a impessoal e universal cama box, bem ao estilo americanóide.
O Oliver e o meu saudoso amigo Joubert eram a inspiração para a cozinha: havia um monte de peças penduradas e muitos condimentos eram retirados de uma fileira de vasinhos que eu cultivava com carinho, somente na hora de usar .
Jamie Oliver no seu Fifteen
Se eu quisesse uma pizza marguerita era só dar alguns passos, localizar o vaso do manjericão e tosar um par de ramos.
Para escorrer o macarrão bastava retirar a peça do ganchinho e eliminar o excesso de água. Ah, o pegador para a massa sairia de outro ganchinho e a concha para o molho de um terceiro. Tudo muito a mão, tudo muito aparente. Nada de ordem exagerada, nada de limpeza sem vida.
Acho que essa era a principal característica da minha casa de sonhos: nada era arrumado demais, nem certinho demais, nem quadrado demais.
Nada era demais. Só o meu prazer em chegar e estar naquele meu cantinho, naquele meu esconderijo.
No meu reino, o importante era se sentir bem e não exatamente parecer bem.
Nesta última semana eu me peguei imaginando detalhes da decoração de uma casa que ainda não tenho.
Por mais vantajoso que seja morar com os pais e gozar dos confortos e mimos que isso acarreta, estou sentindo uma necessidade crescente de um canto onde largar as meias sujas sem que algum dia alguém passe recolhendo e reclamando.
Fiquei com ainda mais vontade de ter a minha estante de livros, meu armário de CDs, meus cabides de roupas e minhas contas de condomínio. ´
Parece loucura, mas quero amadurecer de vez.
No meu último devaneio havia uma estante fechada por todos os lados mas aberta na frente. Não havia vidro nem portas, apenas espaços quadrados amplos e fundos. Eram como espaços de grandes gavetas. Só os espaços. Eram cerca de nove, dispostos três a três. Era tudo muito parecido com o que vimos no Dedo de Moça de Itacaré.
O modelo
Cheguei a ver os mimos de viagem que eu e a minha mineira planejamos colecionar.
Já temos as primeiras peças, mas ainda não temos os tais "espaços de gavetas"
Os pôsteres de cinema e de música estavam grudados na parede da sala de TV. Não havia nenhum quadro. Os atores e músicos eram o próprio papel de parede. O nariz do Keanu Reeves acabou constituindo um ótimo lugar para uma das tomadas do computador e os pêlos do Chewbacca acabaram tornando o ambiente bem mais caloroso.
É certo que ver um filme olhando para tudo aquilo deixaria qualquer um com dor de cabeça, mas não é nada que uma inversão estratégica de posição não resolvesse.
180 graus depois estaria tudo perfeito.
O quarto era minimalista: a cama, um criado e o despertador. Nada de montes de armários nem de enfeites nem de penduricalhos. Só paredes limpas e cheiros agradáveis.
Na minha imaginação havia uma cama japonesa, daquelas bem baixinhas que mais pareciam colchonetes, mas a minha mineira já matou a idéia no ninho e terei que me acostumar com a impessoal e universal cama box, bem ao estilo americanóide.
O Oliver e o meu saudoso amigo Joubert eram a inspiração para a cozinha: havia um monte de peças penduradas e muitos condimentos eram retirados de uma fileira de vasinhos que eu cultivava com carinho, somente na hora de usar .
Jamie Oliver no seu Fifteen
Se eu quisesse uma pizza marguerita era só dar alguns passos, localizar o vaso do manjericão e tosar um par de ramos.
Para escorrer o macarrão bastava retirar a peça do ganchinho e eliminar o excesso de água. Ah, o pegador para a massa sairia de outro ganchinho e a concha para o molho de um terceiro. Tudo muito a mão, tudo muito aparente. Nada de ordem exagerada, nada de limpeza sem vida.
Acho que essa era a principal característica da minha casa de sonhos: nada era arrumado demais, nem certinho demais, nem quadrado demais.
Nada era demais. Só o meu prazer em chegar e estar naquele meu cantinho, naquele meu esconderijo.
No meu reino, o importante era se sentir bem e não exatamente parecer bem.
terça-feira, setembro 28, 2004
Mimos
Neste ano acabaram acontecendo duas coisas que me deram acesso a algo que eu deveria ter visto há muito tempo.
Primeiro eu consegui parar um pouco na frente da TV e vi a programação da Sportv. Até aí nada de extraordinário já que ver televisão é um hábito que nem todo mundo aprecia e que muitos renegam fanaticamente.
O grande diferencial foi o tipo de cobertura que a mesma Sportv resolveu dar para as Paraolimpíadas de Atenas. Para quem não sabe, de uns tempos pra cá, os Jogos Olímpicos tradicionais vêm sendo acompanhados por jogos Paraolímpicos, onde acabamos vendo gente com ainda mais determinação e vontade de vencer do que os atletas tradicionais.
Li em algum lugar que bem sempre as Paraolimpíadas foram realizadas no mesmo lugar dos jogos tradicionais, mas acho que fica muito mais legal assim já que a atenção do mundo fica focada no mesmo lugar por um pouco mais de tempo.
Outra coisa que eu não sabia é que existem categorias dependendo do grau de deficiência da pessoa. Isso faz muito sentido já que não parece muito justo colocar uma pessoa que não tem braços nem pernas para competir com alguém que "só" não coordena bem o movimento do braço esquerdo.
É justamente aí que acabei ficando ainda mais impressionado: ver um chinês sem braços ganhar a prova dos 200m medley na natação foi demais!
Apesar dele estar competindo com pessoas com um grau de deficiência semelhante, dava para sentir que a vontade de viver e de vencer do chinesinho era muito maior do que eu algum dia sonhei. Além de me emocionar com aquela força de vontade, acabei começando a reconhecer os meus mimos. Mais tarde isso ficaria bem mais explícito.
Outro evento ligado a essa auto-análise aconteceu com o Professor: ele teve seu carro roubado e acabou tendo que fazer o "reconhecimendo do corpo" em uma delegacia do Jardim Ângela. Pelo que ele me disse, toda a fama de feiúra e barra pesada que o lugar sempre teve é mais do que justificada. Apesar de estar cercado de policiais bem armados e preparados para ataques, ele se sentiu extremamente inseguro e vulnerável.
Mas foi outro tipo de sentimento que me chamou a atenção. O que quero contar aqui é a criação do conceito de mimo: depois de voltar para casa, o Professor olhou para seus problemas e começou a se sentir envergonhado de reclamar tanto da vida.
Enquanto ele tinha que lidar com o corte da grama da casa de Mauá, com a preguiça do caseiro ou com os problemas do trabalho, as famílias da favela não sabiam se seus filhos voltariam inteiros da escola ou da compra de um pão na padaria.
Para eles, a vida era muito mais básica: era sobreviver ou não.
Antes que surja algum tipo de pensamento da escola MST, não tenho a intenção de julgar ninguém e nem acredito que a culpa pela miséria de uma família da favela possa ser atribuída a outra do Tucuruvi. Não desejo me considerar culpado por ter tido oportunidades que outros não tiveram. Não desejo e não farei isso.
Prefiro me conscientizar daquilo que o Professor chamou de mimos, por que é isso que tenho que enfrentar como problema: nada mais do que mimos.
Problema é que aquele tipo de família tem. Problema é o que um cara sem braços tem para realizar atividades banais como escovar os dentes. Problema é encarar a alegria de viver que muitas dessas pessoas demonstram. Problema é parar de olhar para o umbigo, agradecer pelo que temos e tentar viver cada vez melhor com nossas limitações. Problema é assumir os mimos e tentar ser um pouco mais feliz.
Neste ano acabaram acontecendo duas coisas que me deram acesso a algo que eu deveria ter visto há muito tempo.
Primeiro eu consegui parar um pouco na frente da TV e vi a programação da Sportv. Até aí nada de extraordinário já que ver televisão é um hábito que nem todo mundo aprecia e que muitos renegam fanaticamente.
O grande diferencial foi o tipo de cobertura que a mesma Sportv resolveu dar para as Paraolimpíadas de Atenas. Para quem não sabe, de uns tempos pra cá, os Jogos Olímpicos tradicionais vêm sendo acompanhados por jogos Paraolímpicos, onde acabamos vendo gente com ainda mais determinação e vontade de vencer do que os atletas tradicionais.
Li em algum lugar que bem sempre as Paraolimpíadas foram realizadas no mesmo lugar dos jogos tradicionais, mas acho que fica muito mais legal assim já que a atenção do mundo fica focada no mesmo lugar por um pouco mais de tempo.
Outra coisa que eu não sabia é que existem categorias dependendo do grau de deficiência da pessoa. Isso faz muito sentido já que não parece muito justo colocar uma pessoa que não tem braços nem pernas para competir com alguém que "só" não coordena bem o movimento do braço esquerdo.
É justamente aí que acabei ficando ainda mais impressionado: ver um chinês sem braços ganhar a prova dos 200m medley na natação foi demais!
Apesar dele estar competindo com pessoas com um grau de deficiência semelhante, dava para sentir que a vontade de viver e de vencer do chinesinho era muito maior do que eu algum dia sonhei. Além de me emocionar com aquela força de vontade, acabei começando a reconhecer os meus mimos. Mais tarde isso ficaria bem mais explícito.
Outro evento ligado a essa auto-análise aconteceu com o Professor: ele teve seu carro roubado e acabou tendo que fazer o "reconhecimendo do corpo" em uma delegacia do Jardim Ângela. Pelo que ele me disse, toda a fama de feiúra e barra pesada que o lugar sempre teve é mais do que justificada. Apesar de estar cercado de policiais bem armados e preparados para ataques, ele se sentiu extremamente inseguro e vulnerável.
Mas foi outro tipo de sentimento que me chamou a atenção. O que quero contar aqui é a criação do conceito de mimo: depois de voltar para casa, o Professor olhou para seus problemas e começou a se sentir envergonhado de reclamar tanto da vida.
Enquanto ele tinha que lidar com o corte da grama da casa de Mauá, com a preguiça do caseiro ou com os problemas do trabalho, as famílias da favela não sabiam se seus filhos voltariam inteiros da escola ou da compra de um pão na padaria.
Para eles, a vida era muito mais básica: era sobreviver ou não.
Antes que surja algum tipo de pensamento da escola MST, não tenho a intenção de julgar ninguém e nem acredito que a culpa pela miséria de uma família da favela possa ser atribuída a outra do Tucuruvi. Não desejo me considerar culpado por ter tido oportunidades que outros não tiveram. Não desejo e não farei isso.
Prefiro me conscientizar daquilo que o Professor chamou de mimos, por que é isso que tenho que enfrentar como problema: nada mais do que mimos.
Problema é que aquele tipo de família tem. Problema é o que um cara sem braços tem para realizar atividades banais como escovar os dentes. Problema é encarar a alegria de viver que muitas dessas pessoas demonstram. Problema é parar de olhar para o umbigo, agradecer pelo que temos e tentar viver cada vez melhor com nossas limitações. Problema é assumir os mimos e tentar ser um pouco mais feliz.
quarta-feira, setembro 15, 2004
Proximidade
Desta vez passou bem perto!
O tal do casamento pegou um cara que já fez parte do meu círculo interno de amigos mais íntimos. Não quero perder tempo narrando o que o levou a perder o posto de amigo de fé. Prefiro falar da experiência mais próxima que tive com o casamento.
É engraçado e até curioso que eu tenha sentido essa proximidade, mesmo que a minha amizade com ele já não seja essas coisas.
Acho que a sensação tem a ver com a idéia que alimentei durante anos. Sabe a idéia de amizade eterna e de invulnerabilidade? Pois é, era isso que eu pensava dos caras que aprendi a chamar de Diretoria.
Hoje em dia já não dirigimos nada. Só com o Presidente eu consigo manter a postura de irmão. Com os demais fica a amizade forte (ou quase isso).
Esse meu amigo não se casou na igreja. Critérios religiosos e culturais o fizeram optar por uma cerimônia-com-festa-sem-sacerdote. Um lance assim meio Huck e Angélica, sabe?
Não que eu ache que a igreja tem que fazer parte do pacote, mas é que estava acostumado a olhar altares e vitrais enquanto o padre entediava os convidados.
Nesta cerimônia rolou apenas a entrada da noiva (de branco) acompanhada do pai, o corredor de convidados e algum tipo de benção proferida por um amigo da família.
Ah, tivemos também a presença ilustre do juiz de paz para cuidar do aspecto legal da coisa.
Tudo muito simples, tudo muito sóbrio, tudo muito legal, a não ser a sensação de que eles poderiam ter chegado lá de forma muito mais fácil e carinhosa.
Digo isso com propriedade pois fui um dos infelizes que apreciou da camarote boa parte dos desrespeitos que rolaram de lado a lado nestes anos todos. Parece incrível que pessoas que se hostilizaram tanto tenham chegado ao altar.
Mas eles chegaram e eu não sinto a mínima vontade de relembrar os detalhes ruins.
Outras pessoas quase que igualmente próximas, fizeram comentários durante o casamento, mas eu não. Preferi enterrar o passado e fazer como o amante não correspondido do filme "Simplemente amor": disse "enough" para tudo aquilo.
Para mim, aquele dia encerrava um grande ciclo de equívocos e simbolizava a esperança de vida melhor para ambos.
Aliás, de vida melhor para todos nós, que não mais testemunharemos os barracos que eles adoravam proporcionar.
Que assim seja e que os problemas fiquem bem mortos!
Desta vez passou bem perto!
O tal do casamento pegou um cara que já fez parte do meu círculo interno de amigos mais íntimos. Não quero perder tempo narrando o que o levou a perder o posto de amigo de fé. Prefiro falar da experiência mais próxima que tive com o casamento.
É engraçado e até curioso que eu tenha sentido essa proximidade, mesmo que a minha amizade com ele já não seja essas coisas.
Acho que a sensação tem a ver com a idéia que alimentei durante anos. Sabe a idéia de amizade eterna e de invulnerabilidade? Pois é, era isso que eu pensava dos caras que aprendi a chamar de Diretoria.
Hoje em dia já não dirigimos nada. Só com o Presidente eu consigo manter a postura de irmão. Com os demais fica a amizade forte (ou quase isso).
Esse meu amigo não se casou na igreja. Critérios religiosos e culturais o fizeram optar por uma cerimônia-com-festa-sem-sacerdote. Um lance assim meio Huck e Angélica, sabe?
Não que eu ache que a igreja tem que fazer parte do pacote, mas é que estava acostumado a olhar altares e vitrais enquanto o padre entediava os convidados.
Nesta cerimônia rolou apenas a entrada da noiva (de branco) acompanhada do pai, o corredor de convidados e algum tipo de benção proferida por um amigo da família.
Ah, tivemos também a presença ilustre do juiz de paz para cuidar do aspecto legal da coisa.
Tudo muito simples, tudo muito sóbrio, tudo muito legal, a não ser a sensação de que eles poderiam ter chegado lá de forma muito mais fácil e carinhosa.
Digo isso com propriedade pois fui um dos infelizes que apreciou da camarote boa parte dos desrespeitos que rolaram de lado a lado nestes anos todos. Parece incrível que pessoas que se hostilizaram tanto tenham chegado ao altar.
Mas eles chegaram e eu não sinto a mínima vontade de relembrar os detalhes ruins.
Outras pessoas quase que igualmente próximas, fizeram comentários durante o casamento, mas eu não. Preferi enterrar o passado e fazer como o amante não correspondido do filme "Simplemente amor": disse "enough" para tudo aquilo.
Para mim, aquele dia encerrava um grande ciclo de equívocos e simbolizava a esperança de vida melhor para ambos.
Aliás, de vida melhor para todos nós, que não mais testemunharemos os barracos que eles adoravam proporcionar.
Que assim seja e que os problemas fiquem bem mortos!
quinta-feira, setembro 09, 2004
Pausa
Acabei de voltar de férias.
Passei 18 dias longe de casa, do trabalho, do meu mundo e do blog. Não me arrependo nem um pouco do desleixo e ócio que me dominou nas últimas semanas. Eu precisava dar uma parada.
Definitivamente, tirar férias é algo quase tão bom quanto sexo e comida mineira. Ainda mais quando se consegue fazer isso com quem se gosta, conhecer o que se quer e não ter que prestar contas a ninguém. Santa independência!
Bom, como fiquei algum tempo sem escrever no blog, a idéia era contar aos poucos as coisas que rolaram nesses últimos dias. Era, por que decidi contar essas outras estórias de um jeito diferente do que estou acostumado.
Decidi criar um novo blog somente para as minhas viagens e colocar o máximo de detalhes que eu conseguir, de forma a manter vivas as lembranças na minha mente e, eventualmente, ajudar algum amigo necessitado de informações e dicas práticas.
Para quem quiser conferir o que rolou, o Seguindo Gulliver está à disposição.
Acabei de voltar de férias.
Passei 18 dias longe de casa, do trabalho, do meu mundo e do blog. Não me arrependo nem um pouco do desleixo e ócio que me dominou nas últimas semanas. Eu precisava dar uma parada.
Definitivamente, tirar férias é algo quase tão bom quanto sexo e comida mineira. Ainda mais quando se consegue fazer isso com quem se gosta, conhecer o que se quer e não ter que prestar contas a ninguém. Santa independência!
Bom, como fiquei algum tempo sem escrever no blog, a idéia era contar aos poucos as coisas que rolaram nesses últimos dias. Era, por que decidi contar essas outras estórias de um jeito diferente do que estou acostumado.
Decidi criar um novo blog somente para as minhas viagens e colocar o máximo de detalhes que eu conseguir, de forma a manter vivas as lembranças na minha mente e, eventualmente, ajudar algum amigo necessitado de informações e dicas práticas.
Para quem quiser conferir o que rolou, o Seguindo Gulliver está à disposição.
sexta-feira, agosto 20, 2004
Intervalo
Mais uma vez vou conseguir me livrar do pelourinho do trabalho e sair zanzando pelas estradas no país.
Ainda não tenho "bala" para dar a volta ao mundo - ainda - e também não dá para passar uma semana torrando no verão europeu.
Como também não tenho como fazer a Trilha Inca e conhecer Macchu Picchu antes que afunde, tenho que me contentar com o tradicional passeio de carro.
Se bem que desta vez será "o" passeio: serão aproximadamente 5500km rumo norte, destino final Lençóis na Chapada Diamantina. Até chegar lá passarei por diversos lugares legais e trarei mais um caminhão de estórias para contar.
Na volta conto algumas delas.
Até mais ver!
Mais uma vez vou conseguir me livrar do pelourinho do trabalho e sair zanzando pelas estradas no país.
Ainda não tenho "bala" para dar a volta ao mundo - ainda - e também não dá para passar uma semana torrando no verão europeu.
Como também não tenho como fazer a Trilha Inca e conhecer Macchu Picchu antes que afunde, tenho que me contentar com o tradicional passeio de carro.
Se bem que desta vez será "o" passeio: serão aproximadamente 5500km rumo norte, destino final Lençóis na Chapada Diamantina. Até chegar lá passarei por diversos lugares legais e trarei mais um caminhão de estórias para contar.
Na volta conto algumas delas.
Até mais ver!
terça-feira, agosto 17, 2004
Vai entender
Alguém aí conhece uma pessoa que tenha vivido mais de 20 anos com o primeiro homem que conheceu na vida (no sentido bíblico, tá?), tenha se separado dele ao descobrir uma das inúmeras infidelidades cometidas ao longo dos anos, não tenha tido coragem de ir para a cama com nenhum dos inúmeros pretendentes que apareceram e tenha voltado a namorar o "marido" depois de alguns meses?
Pois é, eu conheço e não me conformo até agora.
É certo que eu tenho um conhecimento muito raso de tudo que ela viveu, mas essa idéia de recebê-lo novamente na cama, mas não na vida, me soa como retrocesso, como involução.
Explicando um pouco melhor: antes da separação, em uma época onde ela ainda fingia felicidade, ocorreram algumas tentativas de pagar a infidelidade na mesma moeda.
Ele tentou e tentou mas nunca conseguiu ir além de beijos clandestinos em ruas pouco movimentadas. Nenhum homem jamais conseguiu convencê-la a jogar tudo para o alto e aproveitar o momento. Por mais seduzida e envolvida que estivesse, ela sempre abortava as missões e voltava para casa com a cabeça cheia de culpa.
Isso durou até que ela pôs um ponto final no casamento.
À partir daí ela podia cair na bandalheira e experimentar novos relacionamentos e prazeres. Foi exatamente isso que ela fez, mas não da maneira tradicional.
Praticamente todas as suas experimentações se deram através da net: sexo virtual frequente através do Messenger, enormes contas de telefone por causa das transas com caras de outro estado, e-mails impublicáveis e torpedos de baixo calão. Tudo muito safado, tudo muito sujo, tudo muito seguro.
O "problema" estava exatamente aí: ao fazer questão de manter todos os prazeres no mundo virtual, ela se protegia de novas decepções e de novos sabores.
Afinal de contas, é muito mais fácil interromper uma troca de e-mails do que um casamento. No virtual não existe a vida comum, os filhos, a casa construída com esforço de ambos, enfim, não há laços fortes. É só ligar computador, gemer, gozar, desligar e dormir intocada.
Apesar de acreditar na validade da experiência não-física, entendo que não se deva fugir do mundo através dessas ferramentas. Não é por que se sofreu uma vez que toda e qualquer pessoa que chegar perto da gente vai trazer o mesmo tipo de resultado.
Nesse caso, fugir da briga me parece muito pior do que aceitar o fracasso, sacudir a poeira, lamber as feridas e partir para outra.
Faz muito tempo que não sei dela, mas é possível que neste exato momento ela esteja saindo de algum motel da cidade depois de mais uma tórrida transa com o ex-marido.
Tudo muito na surdina, claro.
Já pensou se as filhas descobrem que eles "voltaram"??
E é provável também que, ao chegar em casa, ela ligue o computador e volte para seus "amantes". Afinal de contas, ela é uma mulher livre e tem que variar, não é?
Me lembro perfeitamente dela dizendo que se soubesse o benefício que a separação traria, ela teria partido para isso há muito mais tempo.
Vai entender.
Alguém aí conhece uma pessoa que tenha vivido mais de 20 anos com o primeiro homem que conheceu na vida (no sentido bíblico, tá?), tenha se separado dele ao descobrir uma das inúmeras infidelidades cometidas ao longo dos anos, não tenha tido coragem de ir para a cama com nenhum dos inúmeros pretendentes que apareceram e tenha voltado a namorar o "marido" depois de alguns meses?
Pois é, eu conheço e não me conformo até agora.
É certo que eu tenho um conhecimento muito raso de tudo que ela viveu, mas essa idéia de recebê-lo novamente na cama, mas não na vida, me soa como retrocesso, como involução.
Explicando um pouco melhor: antes da separação, em uma época onde ela ainda fingia felicidade, ocorreram algumas tentativas de pagar a infidelidade na mesma moeda.
Ele tentou e tentou mas nunca conseguiu ir além de beijos clandestinos em ruas pouco movimentadas. Nenhum homem jamais conseguiu convencê-la a jogar tudo para o alto e aproveitar o momento. Por mais seduzida e envolvida que estivesse, ela sempre abortava as missões e voltava para casa com a cabeça cheia de culpa.
Isso durou até que ela pôs um ponto final no casamento.
À partir daí ela podia cair na bandalheira e experimentar novos relacionamentos e prazeres. Foi exatamente isso que ela fez, mas não da maneira tradicional.
Praticamente todas as suas experimentações se deram através da net: sexo virtual frequente através do Messenger, enormes contas de telefone por causa das transas com caras de outro estado, e-mails impublicáveis e torpedos de baixo calão. Tudo muito safado, tudo muito sujo, tudo muito seguro.
O "problema" estava exatamente aí: ao fazer questão de manter todos os prazeres no mundo virtual, ela se protegia de novas decepções e de novos sabores.
Afinal de contas, é muito mais fácil interromper uma troca de e-mails do que um casamento. No virtual não existe a vida comum, os filhos, a casa construída com esforço de ambos, enfim, não há laços fortes. É só ligar computador, gemer, gozar, desligar e dormir intocada.
Apesar de acreditar na validade da experiência não-física, entendo que não se deva fugir do mundo através dessas ferramentas. Não é por que se sofreu uma vez que toda e qualquer pessoa que chegar perto da gente vai trazer o mesmo tipo de resultado.
Nesse caso, fugir da briga me parece muito pior do que aceitar o fracasso, sacudir a poeira, lamber as feridas e partir para outra.
Faz muito tempo que não sei dela, mas é possível que neste exato momento ela esteja saindo de algum motel da cidade depois de mais uma tórrida transa com o ex-marido.
Tudo muito na surdina, claro.
Já pensou se as filhas descobrem que eles "voltaram"??
E é provável também que, ao chegar em casa, ela ligue o computador e volte para seus "amantes". Afinal de contas, ela é uma mulher livre e tem que variar, não é?
Me lembro perfeitamente dela dizendo que se soubesse o benefício que a separação traria, ela teria partido para isso há muito mais tempo.
Vai entender.
quarta-feira, agosto 11, 2004
O que vale mais?
Não sei se todo mundo se sente meio acuado às vezes no trabalho.
É mais ou menos como uma sensação de "o que que eu estou fazendo aqui?" que aparece bem na hora em que caminhamos para a bebedouro e falamos uma besteira qualquer para a secretária.
É exatamente nesse momento crucial e vital da vida profissional (que só perde para a hora do almoço) que a gente consegue parar e se desligar um pouco do stress, do e-mail e do telefone. É aí que vc consegue pensar com mais liberdade. É aí que a coisa fica ainda mais preta.
Acho que foi em um desses momentos que eu comentei com o Professor a respeito de uma oportunidade tentadora oferecida por um amigo. Antes que surjam comentários indecentes, a tentação não envolvia sexo, amor ou drogas, mas sim dinheiro e trabalho.
Esse meu amigo está vivendo uma carreira meteórica em uma empresa européia e acaba privilegiando os companheiros na hora de formar novas equipes e de distribuir a riqueza do mundo.
Foi exatamente nesse espírito que conversamos sobre a chance de me juntar a ele no estilo "Dallas" de viver. Conversamos bastante e combinamos de acertar algumas coisas para que eu pudesse me preparar melhor para o processo seletivo. Foi muito bom tê-lo me ajudando e dando dicas sobre as eventuais entrevistas com os encarregados, principalmente com o "quase Lúcifer" chefe espanhol dele.
Acho que esse é mais um motivo para avisá-lo logo que não vou mais tentar o emprego.
Se não fosse isso, o fato dele ser um dos meus grandes amigos da faculdade me obrigaria à retratação.
O tal emprego significa dobrar meus ganhos anuais, viajar um monte, ter um monte de regalias e passar a lua-de-mel em Paris, mas mesmo assim estou deixando para outra.
Pode parecer falta de juízo, mas a decisão foi muito fácil de tomar: eu simplesmente perguntei e ela disse "não". Isso para mim basta.
Analisando a decisão de forma matemática, de nada adianta ter grana para comprar um monte de coisas e para passar semanas na Europa se não vou ter a minha mineira do meu lado. Infelizmente, o mundo não está tão moderno como para que se possa ir ao Wal Mart e comprar uma mulher para amar. Não há Amazon no mundo que me entregue o que tenho hoje. Não há E-bay onde eu possa arrematar uma mulher que valha a pena.
É exatamente por ela valer a pena que estou me retirando da disputa.
Corro o risco de virar piada para os meus amigos, mas enfrentar isso também faz parte da decisão. É como o Professor me disse: é tudo uma questão de prioridade.
E nesse quesito, nada é mais prioritário do que a minha mineira.
Bem, talvez um terceiro título mundial para o Tricolor possa chegar perto, mas nunca se igualar a ela.
É como disse o filho do cearense: é a vida, é mineira e é bonita.
Não sei se todo mundo se sente meio acuado às vezes no trabalho.
É mais ou menos como uma sensação de "o que que eu estou fazendo aqui?" que aparece bem na hora em que caminhamos para a bebedouro e falamos uma besteira qualquer para a secretária.
É exatamente nesse momento crucial e vital da vida profissional (que só perde para a hora do almoço) que a gente consegue parar e se desligar um pouco do stress, do e-mail e do telefone. É aí que vc consegue pensar com mais liberdade. É aí que a coisa fica ainda mais preta.
Acho que foi em um desses momentos que eu comentei com o Professor a respeito de uma oportunidade tentadora oferecida por um amigo. Antes que surjam comentários indecentes, a tentação não envolvia sexo, amor ou drogas, mas sim dinheiro e trabalho.
Esse meu amigo está vivendo uma carreira meteórica em uma empresa européia e acaba privilegiando os companheiros na hora de formar novas equipes e de distribuir a riqueza do mundo.
Foi exatamente nesse espírito que conversamos sobre a chance de me juntar a ele no estilo "Dallas" de viver. Conversamos bastante e combinamos de acertar algumas coisas para que eu pudesse me preparar melhor para o processo seletivo. Foi muito bom tê-lo me ajudando e dando dicas sobre as eventuais entrevistas com os encarregados, principalmente com o "quase Lúcifer" chefe espanhol dele.
Acho que esse é mais um motivo para avisá-lo logo que não vou mais tentar o emprego.
Se não fosse isso, o fato dele ser um dos meus grandes amigos da faculdade me obrigaria à retratação.
O tal emprego significa dobrar meus ganhos anuais, viajar um monte, ter um monte de regalias e passar a lua-de-mel em Paris, mas mesmo assim estou deixando para outra.
Pode parecer falta de juízo, mas a decisão foi muito fácil de tomar: eu simplesmente perguntei e ela disse "não". Isso para mim basta.
Analisando a decisão de forma matemática, de nada adianta ter grana para comprar um monte de coisas e para passar semanas na Europa se não vou ter a minha mineira do meu lado. Infelizmente, o mundo não está tão moderno como para que se possa ir ao Wal Mart e comprar uma mulher para amar. Não há Amazon no mundo que me entregue o que tenho hoje. Não há E-bay onde eu possa arrematar uma mulher que valha a pena.
É exatamente por ela valer a pena que estou me retirando da disputa.
Corro o risco de virar piada para os meus amigos, mas enfrentar isso também faz parte da decisão. É como o Professor me disse: é tudo uma questão de prioridade.
E nesse quesito, nada é mais prioritário do que a minha mineira.
Bem, talvez um terceiro título mundial para o Tricolor possa chegar perto, mas nunca se igualar a ela.
É como disse o filho do cearense: é a vida, é mineira e é bonita.
terça-feira, agosto 03, 2004
Por que gosto de comédias românticas
Dia desses eu assisti novamente ao filme "Simplemente amor".
Acabei usando o fato da minha mineira não ter visto o filme para massagear um pouco mais meus sentimentos românticos.
O engraçado é que ela achou curioso um cara como eu gostar tanto desse tipo de filme. Acho que coisas como "Matrix" e "Guerras nas estrelas" combinam mais com a minha "fama de mau".
Mal sabem eles que isso não passa de fama.
Apesar de me colocar em uma posição vulnerável a críticas por parte dos "estudiosos" e "acadêmicos", o que gosto mesmo no cinema é ver coisas agradáveis, moças bonitas, cenas românticas e finais felizes. Não gosto de pensar demais e de sair do cinema com cara de conteúdo. Acho que cinema não é para isso. Um livro talvez tenha que causar esse tipo de efeito, ou um programa de TV ou um artigo de jornal. Não um filme. Não algo que tem como função primordial o entretenimento.
Gosto de pensar, de debater e de discutir, mas não gosto de ver filmes que me obriguem a fazer isso. Prefiro sair do cinema com o olhar meio mareado e com a alma renovada de esperança em algo melhor.
Gosto de pensar que o amor que o Hugh Grant viveu em "Quatro casamentos e um funeral" é real, palpável e testemunhável.
Gosto de me sentir gaguejando como o John Cusack em diversos filmes quando tenta conversar com a mulher dos seus sonhos.
Gosto de parecer patético como o Jason Lee e seus eternos papéis de nerd adolescente.
Gosto da Winona Ryder, da Julia Roberts e da Kate Beckinsale.
Quando era mais novo, assistir aos primeiros filmes da Brat Pack foi catártico.
Os amores mal sucedidos e as brigas eternas me pareciam um sonho de consumo. Eu precisava arrumar alguém para amar e dividir aquilo comigo. Não precisava ser a Molly Ringwald ou a Ally Sheedy. Uma moça real e simples serviria.
Infelizmente só pude ter a minha versão do "Primeiro ano do resto de nossas vidas" alguns anos depois. Tive que "ralar" muito para viver minha parcela de paixões e decepções.
Não sei se a minha mineira percebeu, mas algumas lágrimas acabaram escapando dos meus olhos durante a cena dos cartazes. Era a segunda vez que eu via o filme mas não pude deixar de me imaginar fazendo aquilo por algum amor. Poucas vezes via algo tão simples significar tanta coisa, principalmente o "enough" que o cara soltou depois de ter escancarado o coração.
Outro dia esse meu gosto peculiar acabou servindo de combustível para as brincadeiras da amiga de uma amiga.
Tenho que admitir que é meio brega esse tipo de gosto, mas não é algo que eu possa mudar. Na verdade, é algo que eu não quero mudar.
Gosto de comédias românticas e pronto!!!
E Deus abençoe John Hughes!!!
Dia desses eu assisti novamente ao filme "Simplemente amor".
Acabei usando o fato da minha mineira não ter visto o filme para massagear um pouco mais meus sentimentos românticos.
O engraçado é que ela achou curioso um cara como eu gostar tanto desse tipo de filme. Acho que coisas como "Matrix" e "Guerras nas estrelas" combinam mais com a minha "fama de mau".
Mal sabem eles que isso não passa de fama.
Apesar de me colocar em uma posição vulnerável a críticas por parte dos "estudiosos" e "acadêmicos", o que gosto mesmo no cinema é ver coisas agradáveis, moças bonitas, cenas românticas e finais felizes. Não gosto de pensar demais e de sair do cinema com cara de conteúdo. Acho que cinema não é para isso. Um livro talvez tenha que causar esse tipo de efeito, ou um programa de TV ou um artigo de jornal. Não um filme. Não algo que tem como função primordial o entretenimento.
Gosto de pensar, de debater e de discutir, mas não gosto de ver filmes que me obriguem a fazer isso. Prefiro sair do cinema com o olhar meio mareado e com a alma renovada de esperança em algo melhor.
Gosto de pensar que o amor que o Hugh Grant viveu em "Quatro casamentos e um funeral" é real, palpável e testemunhável.
Gosto de me sentir gaguejando como o John Cusack em diversos filmes quando tenta conversar com a mulher dos seus sonhos.
Gosto de parecer patético como o Jason Lee e seus eternos papéis de nerd adolescente.
Gosto da Winona Ryder, da Julia Roberts e da Kate Beckinsale.
Quando era mais novo, assistir aos primeiros filmes da Brat Pack foi catártico.
Os amores mal sucedidos e as brigas eternas me pareciam um sonho de consumo. Eu precisava arrumar alguém para amar e dividir aquilo comigo. Não precisava ser a Molly Ringwald ou a Ally Sheedy. Uma moça real e simples serviria.
Infelizmente só pude ter a minha versão do "Primeiro ano do resto de nossas vidas" alguns anos depois. Tive que "ralar" muito para viver minha parcela de paixões e decepções.
Não sei se a minha mineira percebeu, mas algumas lágrimas acabaram escapando dos meus olhos durante a cena dos cartazes. Era a segunda vez que eu via o filme mas não pude deixar de me imaginar fazendo aquilo por algum amor. Poucas vezes via algo tão simples significar tanta coisa, principalmente o "enough" que o cara soltou depois de ter escancarado o coração.
Outro dia esse meu gosto peculiar acabou servindo de combustível para as brincadeiras da amiga de uma amiga.
Tenho que admitir que é meio brega esse tipo de gosto, mas não é algo que eu possa mudar. Na verdade, é algo que eu não quero mudar.
Gosto de comédias românticas e pronto!!!
E Deus abençoe John Hughes!!!
domingo, agosto 01, 2004
Da França
Recentemente um amigo querido voltou depois de dois anos e pouco de um exílio mais ou menos auto-imposto em uma cidadezinha do sul da França.
Ele esteve em Epinal a mando da empresa e não conseguiu voltar até que a mesma empresa desse o sinal verde e arrumasse um lugarzinho para ele.
Foi meio tragi-cômico ver a situação esquisita causada pela empresa: ele não pediu para ir, teve que largar um monte de coisas por aqui (MBA e apartamento em construção, entre outras coisas) e quando quis voltar, a empresa disse que não havia vagas. Seria desesperador se não fosse revoltante.
Com tudo isso, ele ficou mais tempo do que era previsto, comeu mais queijos, bebeu mais vinhos e teve menos mulheres.

É exatamente esse ponto que quero explorar neste momento: ele nunca foi dos mais atirados em termos de paquera e das poucas namoradas que sei que ele teve, pouquíssimas devem ter sido conquistadas devido a alguma abordagem verborrágica ou simpatia extrema. Tenho a impressão que ele é uma versão extrema de mim, que não agrado a ninguém logo de cara e preciso de tempo e papo para me mostrar interessante.
Partindo do princípio que ele precisa de uma certa "ajudinha" da menina, acabamos ficando em um beco sem saída em um país como o nosso, onde muita gente acha que só o homem pode demonstrar interesse pela mulher, nunca o contrário.
Ainda bem que existem mulheres com a última namorada oficial que ele teve.
Ela foi meio que "encomendada" por um casal de amigo e veio do Rio com a firme intenção de laçá-lo mesmo que fosse necessário o uso da força.
Como ela era muito bonita e interessante, acho que não foi difícil convencê-lo a se entregar.
O problema parte exatamente daí: depois dela, ficou difícil conjugar tantos pontos favoráveis e seus contatos com mulheres acabaram ficando para lá de bissextos.
Não vem ao caso a frequência de transas da vida dele. O que nos interessa no momento é a companhia e o sentimento.
Trocando em miúdos: a turma inteira está mobilizada para arrumar uma namorada para ele!!
Alguns de nós se esforçam mais do que outros, mas acho que todos gostariam de vê-lo feliz com alguém novamente. Não que ele não seja feliz agora. Acho até que ele está bem assim, mas não há ninguém que consiga sustentar por muito tempo que uma vida com alguém que se ama não seja melhor do que ir a bares com amigos e ficar em casa vendo os jogos do Brasileiro pela TV.
Algumas candidatas já surgiram mas até agora nada.
Acho que vou ter que colocar o meu dedo nessa mistura para que o caldo entorne um pouco mais. Vou ter que assumir o meu ancestral papel de cupido (além do de psicólogo) para colocar as coisas no lugar e não deixar ninguém da turma sem companhia.
Talvez possa surgir algo dos contatos da minha mineira no Planalto Central, mas eu aposto minhas fichas em algo mais para o Sul, aberta preferência do nosso amigo "europeu".
Espero que o que estejamos fazendo seja certo e dê resultado e espero também que ele nos ajude e tome ao menos um mínimo de atitudes, Na verdade, ele não precisa fazer muita coisa. Ser um pouco mais simpático e animado seria o suficiente.
Será que pedir muito??
Sei que sim, mas não custa nada sonhar, né?
Recentemente um amigo querido voltou depois de dois anos e pouco de um exílio mais ou menos auto-imposto em uma cidadezinha do sul da França.
Ele esteve em Epinal a mando da empresa e não conseguiu voltar até que a mesma empresa desse o sinal verde e arrumasse um lugarzinho para ele.
Foi meio tragi-cômico ver a situação esquisita causada pela empresa: ele não pediu para ir, teve que largar um monte de coisas por aqui (MBA e apartamento em construção, entre outras coisas) e quando quis voltar, a empresa disse que não havia vagas. Seria desesperador se não fosse revoltante.
Com tudo isso, ele ficou mais tempo do que era previsto, comeu mais queijos, bebeu mais vinhos e teve menos mulheres.

É exatamente esse ponto que quero explorar neste momento: ele nunca foi dos mais atirados em termos de paquera e das poucas namoradas que sei que ele teve, pouquíssimas devem ter sido conquistadas devido a alguma abordagem verborrágica ou simpatia extrema. Tenho a impressão que ele é uma versão extrema de mim, que não agrado a ninguém logo de cara e preciso de tempo e papo para me mostrar interessante.
Partindo do princípio que ele precisa de uma certa "ajudinha" da menina, acabamos ficando em um beco sem saída em um país como o nosso, onde muita gente acha que só o homem pode demonstrar interesse pela mulher, nunca o contrário.
Ainda bem que existem mulheres com a última namorada oficial que ele teve.
Ela foi meio que "encomendada" por um casal de amigo e veio do Rio com a firme intenção de laçá-lo mesmo que fosse necessário o uso da força.
Como ela era muito bonita e interessante, acho que não foi difícil convencê-lo a se entregar.
O problema parte exatamente daí: depois dela, ficou difícil conjugar tantos pontos favoráveis e seus contatos com mulheres acabaram ficando para lá de bissextos.
Não vem ao caso a frequência de transas da vida dele. O que nos interessa no momento é a companhia e o sentimento.
Trocando em miúdos: a turma inteira está mobilizada para arrumar uma namorada para ele!!
Alguns de nós se esforçam mais do que outros, mas acho que todos gostariam de vê-lo feliz com alguém novamente. Não que ele não seja feliz agora. Acho até que ele está bem assim, mas não há ninguém que consiga sustentar por muito tempo que uma vida com alguém que se ama não seja melhor do que ir a bares com amigos e ficar em casa vendo os jogos do Brasileiro pela TV.
Algumas candidatas já surgiram mas até agora nada.
Acho que vou ter que colocar o meu dedo nessa mistura para que o caldo entorne um pouco mais. Vou ter que assumir o meu ancestral papel de cupido (além do de psicólogo) para colocar as coisas no lugar e não deixar ninguém da turma sem companhia.
Talvez possa surgir algo dos contatos da minha mineira no Planalto Central, mas eu aposto minhas fichas em algo mais para o Sul, aberta preferência do nosso amigo "europeu".
Espero que o que estejamos fazendo seja certo e dê resultado e espero também que ele nos ajude e tome ao menos um mínimo de atitudes, Na verdade, ele não precisa fazer muita coisa. Ser um pouco mais simpático e animado seria o suficiente.
Será que pedir muito??
Sei que sim, mas não custa nada sonhar, né?
quarta-feira, junho 30, 2004
Para que escrever?
A coisa começou como brincadeira. Mais ou menos como uma forma de agradar a Zita que achava que eu teria algo a dizer.
Ao menos para ela eu sempre dizia algo que prestava.
Já mencionei isso logo quando comecei o blog, mas sempre vale a pena lembrar dos amigos sumidos. Espero que ela esteja legal.
Passei um bom tempo escrevendo como louco. Era uma avalanche de "coisas para dizer" e uma necessidade de estar sempre registrando pensamentos que cheguei a achar que tinha algum talento. Até recebi elogios pelo jeito "leve" de contar meus causos, mas comecei a me cansar do compromisso. É mais ou menos como tudo na minha vida: quando passa a loucura inicial, eu deixo de lado e "boa sorte".
Parte da energia "criativa" se deveu ao hábito pessoal de sempre imaginar coisas para dizer aos amigos. Um conselho, uma piada, um elogio, tudo era ligado aos amigos e às pessoas queridas.
Eu costumava estar no banho ou na aula de natação quando pintava alguma idéia e eu começava a construir as frases na cabeça. O rendimento na aula ia para o vinagre, mas o texto saía. Nem sempre o resultado era dos melhores, mas o que valia era o registro.
Hoje em dia estou um pouco cansado e sem energia para manter o "filhote" vivo.
É engraçado como a postagem foi evoluindo ao longo do tempo: de vários post diários passei a cinco semanais, a três e hoje, no máximo, publico um texto por semana. Talvez me faltem amigos (já que sempre adorei escrever sobre eles), talvez eu tenha percebido que não sou mesmo feito para a coisa ou talvez seja apenas falta de tempo.
O fato é que eu gostaria de fazer algo legal, algo que gerasse sorrisos e alegria em quem lê e não sei se estou conseguindo isso.
Talvez eu precise dar um tempo e acumular mais estórias antes de querer registrá-las.
Talvez eu precise fazer logo aquela viagem de volta ao mundo para ter material para mais uns 2500 posts.
Talvez eu precise me casar e mudar daqui de vez.
Talvez eu precise de dengo...
A coisa começou como brincadeira. Mais ou menos como uma forma de agradar a Zita que achava que eu teria algo a dizer.
Ao menos para ela eu sempre dizia algo que prestava.
Já mencionei isso logo quando comecei o blog, mas sempre vale a pena lembrar dos amigos sumidos. Espero que ela esteja legal.
Passei um bom tempo escrevendo como louco. Era uma avalanche de "coisas para dizer" e uma necessidade de estar sempre registrando pensamentos que cheguei a achar que tinha algum talento. Até recebi elogios pelo jeito "leve" de contar meus causos, mas comecei a me cansar do compromisso. É mais ou menos como tudo na minha vida: quando passa a loucura inicial, eu deixo de lado e "boa sorte".
Parte da energia "criativa" se deveu ao hábito pessoal de sempre imaginar coisas para dizer aos amigos. Um conselho, uma piada, um elogio, tudo era ligado aos amigos e às pessoas queridas.
Eu costumava estar no banho ou na aula de natação quando pintava alguma idéia e eu começava a construir as frases na cabeça. O rendimento na aula ia para o vinagre, mas o texto saía. Nem sempre o resultado era dos melhores, mas o que valia era o registro.
Hoje em dia estou um pouco cansado e sem energia para manter o "filhote" vivo.
É engraçado como a postagem foi evoluindo ao longo do tempo: de vários post diários passei a cinco semanais, a três e hoje, no máximo, publico um texto por semana. Talvez me faltem amigos (já que sempre adorei escrever sobre eles), talvez eu tenha percebido que não sou mesmo feito para a coisa ou talvez seja apenas falta de tempo.
O fato é que eu gostaria de fazer algo legal, algo que gerasse sorrisos e alegria em quem lê e não sei se estou conseguindo isso.
Talvez eu precise dar um tempo e acumular mais estórias antes de querer registrá-las.
Talvez eu precise fazer logo aquela viagem de volta ao mundo para ter material para mais uns 2500 posts.
Talvez eu precise me casar e mudar daqui de vez.
Talvez eu precise de dengo...
quinta-feira, junho 17, 2004
Transplante
Sempre pensei que o namoro e o casamento seriam coisas fáceis de conseguir. Era até ingênuo achar que eu me casaria aos 28, que teria um casal de filhos e a esposa ficaria bonita para sempre.
Nada mais adolescente e católico do que esse modelo familiar quadrado e perfeitinho.
Pensei desse jeito até bem pouco tempo atrás. Até encontrar alguém que realmente me deu vontade de casar.
Nem preciso dizer que essa pessoa chegou sem se importar muito com o que eu havia planejado antes e me pegou com 32 sem desculpas para manter a pós-adolescência.
Não que isso realmente importasse depois que a encontrei, mas por que cargas d´água ela tinha que morar tão longe. Será que era pedir muito encontrar a tal "mulher para casar" aqui em Sampa ou, no máximo, em Mogi??
Para ser bem sincero, ela também não curtiu muito a idéia de namoro à distância, mas o velho charme andino venceu as barreiras e ela não teve escolha a não ser se render e gozar.
Foi aí que eu comecei a frequentar o Triângulo Mineiro, a virar "sócio" do Cinemais do Center Shopping, a entender o significado de Expozebu e a idolatrar um certo Tutu de feijão com receita de família.
Mal sabia eu que o próximo verbo da lista poderia ser "morar".

Por mais que eu curta Sampa e suas maluquices, nunca fui avesso à idéia de me mudar para outra cidade em busca de felicidade e sossego. Mesmo assim nunca havia pensado em me mudar por amor e jamais me havia passado pela cabeça me afastar ainda mais do mar.
O sonho da mudança sempre me levava para o Atlântico e para o Sul. Floripa, Joinville, Blumenau...não importava tanto o nome, mas tinha que ser em Santa Catarina. Mas como a gente só pensa que tem controle sobre a vida que leva, a minha bússula acabou apontando para o Cerrado.
Mas até que isso não é tão complicado assim.
UDI (apelido carinhoso de Uberlândia) é uma boa cidade para criar os filhos que não tenho e para não ver as peças de teatro que perco toda semana aqui em Sampa. Também dá para comer em um japonês "marromeno" e escutar música sertaneja na Transamérica.
Tenho que ser sincero ao dizer que me mudar para UDI não é o que sonhei para a minha vida, mas sou ainda mais sincero ao confessar que para ficar com ela, vale a pena.
Vale a pena não poder mais descer a Consolação a pé, respirando a fumaça dos ônibus e desviando dos mendigos que dormem em frente ao cemitério.
Vale a pena não ficar entupido na São Gabriel tentando ir para o Originla.
Vale a pena deixar de correr o risco de ter o celular roubado na Praça da República.
Vale a pena casar com a minha mineira.

Sempre pensei que o namoro e o casamento seriam coisas fáceis de conseguir. Era até ingênuo achar que eu me casaria aos 28, que teria um casal de filhos e a esposa ficaria bonita para sempre.
Nada mais adolescente e católico do que esse modelo familiar quadrado e perfeitinho.
Pensei desse jeito até bem pouco tempo atrás. Até encontrar alguém que realmente me deu vontade de casar.
Nem preciso dizer que essa pessoa chegou sem se importar muito com o que eu havia planejado antes e me pegou com 32 sem desculpas para manter a pós-adolescência.
Não que isso realmente importasse depois que a encontrei, mas por que cargas d´água ela tinha que morar tão longe. Será que era pedir muito encontrar a tal "mulher para casar" aqui em Sampa ou, no máximo, em Mogi??
Para ser bem sincero, ela também não curtiu muito a idéia de namoro à distância, mas o velho charme andino venceu as barreiras e ela não teve escolha a não ser se render e gozar.
Foi aí que eu comecei a frequentar o Triângulo Mineiro, a virar "sócio" do Cinemais do Center Shopping, a entender o significado de Expozebu e a idolatrar um certo Tutu de feijão com receita de família.
Mal sabia eu que o próximo verbo da lista poderia ser "morar".

Por mais que eu curta Sampa e suas maluquices, nunca fui avesso à idéia de me mudar para outra cidade em busca de felicidade e sossego. Mesmo assim nunca havia pensado em me mudar por amor e jamais me havia passado pela cabeça me afastar ainda mais do mar.
O sonho da mudança sempre me levava para o Atlântico e para o Sul. Floripa, Joinville, Blumenau...não importava tanto o nome, mas tinha que ser em Santa Catarina. Mas como a gente só pensa que tem controle sobre a vida que leva, a minha bússula acabou apontando para o Cerrado.
Mas até que isso não é tão complicado assim.
UDI (apelido carinhoso de Uberlândia) é uma boa cidade para criar os filhos que não tenho e para não ver as peças de teatro que perco toda semana aqui em Sampa. Também dá para comer em um japonês "marromeno" e escutar música sertaneja na Transamérica.
Tenho que ser sincero ao dizer que me mudar para UDI não é o que sonhei para a minha vida, mas sou ainda mais sincero ao confessar que para ficar com ela, vale a pena.
Vale a pena não poder mais descer a Consolação a pé, respirando a fumaça dos ônibus e desviando dos mendigos que dormem em frente ao cemitério.
Vale a pena não ficar entupido na São Gabriel tentando ir para o Originla.
Vale a pena deixar de correr o risco de ter o celular roubado na Praça da República.
Vale a pena casar com a minha mineira.

sexta-feira, junho 11, 2004
Para o dia dos namorados
Este post vai fugir um pouco da regra auto-imposta de escritos semanais. Acontece que estou com um pouco mais de tempo e queria deixar algumas sugestões para o dia dos namorados que está aí.
Na verdade, trata-se mais de uma lista de comédias românticas leves do que um "top ten" com relação à qualidade ou aos talentos dramáticos dos atores.
É claro que tem algumas preferências pessoais, mas não teria graça se elas não existissem.
A idéia aqui é romance e como tal, quanto mais açúcar, melhor.
Divirtam-se.
1 - Quatro casamentos e um funeral (Four weddings and a funeral), 1994, de Mike Newell;

Cena preferida: quando o Charles (Hugh Grant) gagueja e se declara para a Carrie (Andie Macdowell).
2 - Escrito nas estrelas (Serendipity), 2001, de Peter Chelsom, site;

Cena preferida: o momento em que o Jonathan (John Cusack) encontra o dolar com o telefone da Sara (Kate Beckinsale).
3 - Como se fosse a primeira vez (50 first dates), 2004, de Peter Segal, site;

Cena preferida: o filme que o Henry (Adam Sandler) faz para a Lucy (Drew Barrymore).
4 - Simplesmente amor (Love actually), 2003, de Richard Curtis, site;

Cena preferida: a declaração de amor do Mark (Andrew Lincoln) para a Juliet (Keira Knightley), esposa do seu melhor amigo, toda escrita em cartazes.
5 - Um lugar chamado Notting Hill (Notting Hill), 1999, de Roger Michell, site;

Cena preferida: a entrevista/declaração de amor do William (Hugh Grant) para a Anna (Julia Roberts).
6 - Uma linda mulher (Pretty woman), 1990, de Garry Marshall;

Cena preferida: a Vivian (Julia Roberts) cantando "Kiss" do Prince dentro da banheira de espuma.
7 - Afinado no amor (The wedding singer), 1998, de Frank Coraci;

Cena preferida: o Rob (Adam Sandler) cantando uma canção de amor para a Julia (Drew Barrymore) em pleno vôo.
8 - 10 coisas que odeio em você (10 things I hate about you), 1999, de Gil Junger, site;

Cena preferida: a declaração de amor em forma de lista da Katharina (Julia Stiles) para o Patrick (Heath Ledger).
9 - Tenha fé (Keeping the faith), 2000, de Edward Norton, site;

Cena preferida: o momento em que o Brian (Edward Norton) e o Jacob (Ben Stiller) vão encontrar a Anna (Jenna Elfman) no aeroporto.
10 - A dama e o vagabundo (Lady and tire tramp), 1955, de Hamilton Luske, Clyde Geronimi e Wilfred Jackson;

Cena preferida: o beijo sem querer na hora de dividir um espaguete.
Este post vai fugir um pouco da regra auto-imposta de escritos semanais. Acontece que estou com um pouco mais de tempo e queria deixar algumas sugestões para o dia dos namorados que está aí.
Na verdade, trata-se mais de uma lista de comédias românticas leves do que um "top ten" com relação à qualidade ou aos talentos dramáticos dos atores.
É claro que tem algumas preferências pessoais, mas não teria graça se elas não existissem.
A idéia aqui é romance e como tal, quanto mais açúcar, melhor.
Divirtam-se.
1 - Quatro casamentos e um funeral (Four weddings and a funeral), 1994, de Mike Newell;

Cena preferida: quando o Charles (Hugh Grant) gagueja e se declara para a Carrie (Andie Macdowell).
2 - Escrito nas estrelas (Serendipity), 2001, de Peter Chelsom, site;

Cena preferida: o momento em que o Jonathan (John Cusack) encontra o dolar com o telefone da Sara (Kate Beckinsale).
3 - Como se fosse a primeira vez (50 first dates), 2004, de Peter Segal, site;

Cena preferida: o filme que o Henry (Adam Sandler) faz para a Lucy (Drew Barrymore).
4 - Simplesmente amor (Love actually), 2003, de Richard Curtis, site;

Cena preferida: a declaração de amor do Mark (Andrew Lincoln) para a Juliet (Keira Knightley), esposa do seu melhor amigo, toda escrita em cartazes.
5 - Um lugar chamado Notting Hill (Notting Hill), 1999, de Roger Michell, site;

Cena preferida: a entrevista/declaração de amor do William (Hugh Grant) para a Anna (Julia Roberts).
6 - Uma linda mulher (Pretty woman), 1990, de Garry Marshall;

Cena preferida: a Vivian (Julia Roberts) cantando "Kiss" do Prince dentro da banheira de espuma.
7 - Afinado no amor (The wedding singer), 1998, de Frank Coraci;

Cena preferida: o Rob (Adam Sandler) cantando uma canção de amor para a Julia (Drew Barrymore) em pleno vôo.
8 - 10 coisas que odeio em você (10 things I hate about you), 1999, de Gil Junger, site;

Cena preferida: a declaração de amor em forma de lista da Katharina (Julia Stiles) para o Patrick (Heath Ledger).
9 - Tenha fé (Keeping the faith), 2000, de Edward Norton, site;

Cena preferida: o momento em que o Brian (Edward Norton) e o Jacob (Ben Stiller) vão encontrar a Anna (Jenna Elfman) no aeroporto.
10 - A dama e o vagabundo (Lady and tire tramp), 1955, de Hamilton Luske, Clyde Geronimi e Wilfred Jackson;

Cena preferida: o beijo sem querer na hora de dividir um espaguete.
terça-feira, junho 08, 2004
O primeiro
A primeira vez foi bem fácil. Não havia muita tensão nem preocupação de nenhum dos lados.
Eu simplesmente me despedi (ou fingi fazer isso) com um beijo no rosto e um abraço leve, coloquei minha mão na nuca dela e quando me afastava, me aproximei novamente e a beijei na boca.
Ela já esperava por aquilo e correspondeu abertamente.
Não sei desde quando eu estaria "autorizado" àquela liberdade, mas o que se seguiu foi muito tranquilo e gostoso.
Estávamos dentro do carro e a noite de Sampa não nos ameaçava em nada. Era até meio irresponsável estar ali, àquela hora, na rua, mas pra gente pouca coisa importava além do gosto da boca um do outro.
Ambos já tínhamos boas estórias de beijos. Ela mais do que eu, é verdade, mas o número acabava ficando irrelevante àquela altura.
Ambos já havíamos passado pela "brincadeira" do primeiro beijo, da primeira experiência, do primeiro amor.
Muita coisa já não era mais novidade, mas ainda assim o nosso primeiro demorou um pouco. Não, demorou não, criou expectativa.
Dois dias antes do primeiro, ainda na mesma semana, rolou um ensaio, uma prévia do tipo de vida que estava sendo preparada para a gente.
Era nosso primeiro jantar, um evento exploratório mais do que nada. Conversamos por horas, sempre tentando parecer interessantes um para o outro. Só depois de algum tempo é que fui perceber que já éramos interessantes para o outro, mas foi bom começar devagar.
No final da noite fui levá-la em casa como manda o figurino. No primeiro ato, um beijo no rosto e um "até amanhã" esperançoso.
Acabei saindo do carro e fui acompanhá-la até o portão. Fui recompensado com outro demorado beijo no rosto e um abraço gostoso. Um segundo ato perfeito.
Como a comissão técnica do céu estava do nosso lado, o portão estava fechado e tínhamos que ir até o lateral. De mãos dadas, descemos a rua sorrindo, trocamos outro beijo no rosto, ainda mais demorado do que o anterior e finalmente nos desgrudamos.
O terceiro ato para nos matar de vontade de um novo jantar.
Toda essa felicidade com beijos no rosto e repetidas despedidas explica um pouco o que sentimos no primeiro beijo.
Não dava vontade de se desgrudar, de se despedir. No que nos dizia respeito, o mundo poderia acabar em barranco. Já estávamos encostados. E melhor, estávamos encostados um no outro.
Não precisei inventar "mileuma" como o Adam Sandler em "Como se fosse a primeira vez". Para minha sorte, só precisei de uma tentativa.
Para a nossa sorte, ela se lembrava de mim no dia seguinte.

A primeira vez foi bem fácil. Não havia muita tensão nem preocupação de nenhum dos lados.
Eu simplesmente me despedi (ou fingi fazer isso) com um beijo no rosto e um abraço leve, coloquei minha mão na nuca dela e quando me afastava, me aproximei novamente e a beijei na boca.
Ela já esperava por aquilo e correspondeu abertamente.
Não sei desde quando eu estaria "autorizado" àquela liberdade, mas o que se seguiu foi muito tranquilo e gostoso.
Estávamos dentro do carro e a noite de Sampa não nos ameaçava em nada. Era até meio irresponsável estar ali, àquela hora, na rua, mas pra gente pouca coisa importava além do gosto da boca um do outro.
Ambos já tínhamos boas estórias de beijos. Ela mais do que eu, é verdade, mas o número acabava ficando irrelevante àquela altura.
Ambos já havíamos passado pela "brincadeira" do primeiro beijo, da primeira experiência, do primeiro amor.
Muita coisa já não era mais novidade, mas ainda assim o nosso primeiro demorou um pouco. Não, demorou não, criou expectativa.
Dois dias antes do primeiro, ainda na mesma semana, rolou um ensaio, uma prévia do tipo de vida que estava sendo preparada para a gente.
Era nosso primeiro jantar, um evento exploratório mais do que nada. Conversamos por horas, sempre tentando parecer interessantes um para o outro. Só depois de algum tempo é que fui perceber que já éramos interessantes para o outro, mas foi bom começar devagar.
No final da noite fui levá-la em casa como manda o figurino. No primeiro ato, um beijo no rosto e um "até amanhã" esperançoso.
Acabei saindo do carro e fui acompanhá-la até o portão. Fui recompensado com outro demorado beijo no rosto e um abraço gostoso. Um segundo ato perfeito.
Como a comissão técnica do céu estava do nosso lado, o portão estava fechado e tínhamos que ir até o lateral. De mãos dadas, descemos a rua sorrindo, trocamos outro beijo no rosto, ainda mais demorado do que o anterior e finalmente nos desgrudamos.
O terceiro ato para nos matar de vontade de um novo jantar.
Toda essa felicidade com beijos no rosto e repetidas despedidas explica um pouco o que sentimos no primeiro beijo.
Não dava vontade de se desgrudar, de se despedir. No que nos dizia respeito, o mundo poderia acabar em barranco. Já estávamos encostados. E melhor, estávamos encostados um no outro.
Não precisei inventar "mileuma" como o Adam Sandler em "Como se fosse a primeira vez". Para minha sorte, só precisei de uma tentativa.
Para a nossa sorte, ela se lembrava de mim no dia seguinte.

terça-feira, junho 01, 2004
No que dá para ser bom
Sou bom com nomes, muito bom aliás, mas nem tão bom assim com expressão de sentimentos.
Normalmente sou o primeiro a dizer "eu te amo", mas não consigo manter uma rotina de carinhos e gestos de cuidado. Faço isso à vezes mas não faz parte de mim a repetição. Às vezes sinto que a minha mineira sente falta disso mas se acostumou a não receber de volta as centenas de beijos e abraços que me dá.
Espero que ela saiba que isso não significa que não a amo.
Pensando bem, acho melhor deixar isso bem claro antes que seja tarde.
Sou bom com coleções. Não importa do que, o que importa é ter várias e várias edições ou pares de uma mesma coisa.
Tenho centenas de selos, milhares de revistas, uma boa dezena de livros, quase mil CDs, fitas cassete a rodo e uma grande lista de corações partidos.
Acabei me especializando em magoar pessoas. Quase sempre foi sem querer. Não, na verdade sempre foi meio sem querer, por conta de algo que eu achava certo e que hoje em dia não me faz muito sentido.
Modéstia à parte, colecionei um bom número de mulheres apaixonadas que acabaram desgostosas pela minha indiferença e por um jeito esquisito de evitar compromisso.
Sou bom para dar conselhos. Sempre acabo brincando de psicólogo amador, mesmo que eu tenha 450 pés atrás com qualquer um dos psico-profissionais. O fato de ter namorado uma moça dessa "raça" não me ajuda muito a gostar mais deles.
Mas voltando ao que sou bom...para muitos dos meus amigos eu acabo sendo o "cara para levar os problemas". Não sei bem de onde veio isso mas é comum que eu consiga perceber alguma coisa que eles não viram e que às vezes acaba ajudando nos problemas mais ou menos sérios.
O diabo é que não sou dos mais hábeis para seguir meus próprios conselhos. Isso deve ser absurdamente comum, mas pra mim soa quase como sacrilégio. Brigar com alguém por causa de um comportamento besta e repetir ad infinitum o mesmo comportamento é bem típico da confusão que é a minha vida.
Sou bom com beijos, mas aí é narcisismo demais para a minha cabeça. Nem adianta tentar escrever algo sobre isso por que não vai sair nada. Fica para a próxima.
Está aí outra coisa que não faço bem: falar bem de mim mesmo.
Deixo isso para os meus.
Sou bom com nomes, muito bom aliás, mas nem tão bom assim com expressão de sentimentos.
Normalmente sou o primeiro a dizer "eu te amo", mas não consigo manter uma rotina de carinhos e gestos de cuidado. Faço isso à vezes mas não faz parte de mim a repetição. Às vezes sinto que a minha mineira sente falta disso mas se acostumou a não receber de volta as centenas de beijos e abraços que me dá.
Espero que ela saiba que isso não significa que não a amo.
Pensando bem, acho melhor deixar isso bem claro antes que seja tarde.
Sou bom com coleções. Não importa do que, o que importa é ter várias e várias edições ou pares de uma mesma coisa.
Tenho centenas de selos, milhares de revistas, uma boa dezena de livros, quase mil CDs, fitas cassete a rodo e uma grande lista de corações partidos.
Acabei me especializando em magoar pessoas. Quase sempre foi sem querer. Não, na verdade sempre foi meio sem querer, por conta de algo que eu achava certo e que hoje em dia não me faz muito sentido.
Modéstia à parte, colecionei um bom número de mulheres apaixonadas que acabaram desgostosas pela minha indiferença e por um jeito esquisito de evitar compromisso.
Sou bom para dar conselhos. Sempre acabo brincando de psicólogo amador, mesmo que eu tenha 450 pés atrás com qualquer um dos psico-profissionais. O fato de ter namorado uma moça dessa "raça" não me ajuda muito a gostar mais deles.
Mas voltando ao que sou bom...para muitos dos meus amigos eu acabo sendo o "cara para levar os problemas". Não sei bem de onde veio isso mas é comum que eu consiga perceber alguma coisa que eles não viram e que às vezes acaba ajudando nos problemas mais ou menos sérios.
O diabo é que não sou dos mais hábeis para seguir meus próprios conselhos. Isso deve ser absurdamente comum, mas pra mim soa quase como sacrilégio. Brigar com alguém por causa de um comportamento besta e repetir ad infinitum o mesmo comportamento é bem típico da confusão que é a minha vida.
Sou bom com beijos, mas aí é narcisismo demais para a minha cabeça. Nem adianta tentar escrever algo sobre isso por que não vai sair nada. Fica para a próxima.
Está aí outra coisa que não faço bem: falar bem de mim mesmo.
Deixo isso para os meus.
terça-feira, maio 25, 2004
Só pode haver...dois????
Até hoje está fresca na minha memória a frase mais repetida no filme "Highlander".
Para qualquer homem que foi adolescente no final dos anos 80, "só pode haver um" era a deixa perfeita para aprontar alguma barbaridade com o resto da turma.
A simulação das lutas dos imortais do filme era um divertimento besta, mas hilário.
Frisson igual eu só conheci com as imitações do barulho do sabre de luz do Luke Skywalker.
Muito bem. Como já não era mais aquele adolescente magro e meio lento, eu achava que a tal frase não teria muito mais sentido fora das telas. Ainda gostava de rever o filme, mas já não tinha aquela identificação com a busca do MacLeod pela imortalidade e pelo "grande prêmio".
Recentemente, após anos, rugas e quilos a mais, acabei me aproximando novamente da frase e sentindo vontade de alterá-la um pouco para adaptá-la ao que estava vivendo.
Na minha nova realidade, a frase virou "só pode haver dois: eu e o Presidente."
Não sei se a concordância está correta mas a idéia é essa mesma: no final das contas, depois que a gente exclui os ocupados, os perdidos, os encoleirados e os blasés, sempre sobramos eu e o Presidente para pensar e tentar resolver os problemas do mundo em alguma mesa de bar do lado sudoeste da cidade.
É incrível como essa rotina se repete, por mais que a gente gaste horas e horas de celular para convocar o séquito, por mais impulsos que se usem, invariavelmente a mesa acaba tendo apenas dois lugares. Ou algum múltiplo, quando temos a sorte de estarmos acompanhados das namoradas, fiéis escudeiras da nossa sina quixotesca. Não vou chamá-las de Sancho Pança ou acabo apanhando, mas é mais ou menos isso mesmo: onde estão os Quixotes, elas estão junto.
Talvez fosse melhor se fosse diferente, se fôssemos inseparáveis como os Waltons, ou se sentissemos as dores dos outros como os gêmeos, mas isso é algo que não dá para escolher.
É preciso querer e parece que só a gente quer. Ao menos na maioria das vezes, o entusiasmo do grupo, da família, se resume ao Presidente e à mim.
Como não é possível entender, direcionar e muito menos controlar as vidas dos amigos mais próximos, fica o registro de que até entre grupos de grandes amigos, alguns são mais amigos que outros e sempre vale mais a pena o coletivo do que o individual.
Que seja assim, que a gente continue junto e que sempre sobrem ao menos dois. Nós dois.
Até hoje está fresca na minha memória a frase mais repetida no filme "Highlander".
Para qualquer homem que foi adolescente no final dos anos 80, "só pode haver um" era a deixa perfeita para aprontar alguma barbaridade com o resto da turma.
A simulação das lutas dos imortais do filme era um divertimento besta, mas hilário.
Frisson igual eu só conheci com as imitações do barulho do sabre de luz do Luke Skywalker.
Muito bem. Como já não era mais aquele adolescente magro e meio lento, eu achava que a tal frase não teria muito mais sentido fora das telas. Ainda gostava de rever o filme, mas já não tinha aquela identificação com a busca do MacLeod pela imortalidade e pelo "grande prêmio".
Recentemente, após anos, rugas e quilos a mais, acabei me aproximando novamente da frase e sentindo vontade de alterá-la um pouco para adaptá-la ao que estava vivendo.
Na minha nova realidade, a frase virou "só pode haver dois: eu e o Presidente."
Não sei se a concordância está correta mas a idéia é essa mesma: no final das contas, depois que a gente exclui os ocupados, os perdidos, os encoleirados e os blasés, sempre sobramos eu e o Presidente para pensar e tentar resolver os problemas do mundo em alguma mesa de bar do lado sudoeste da cidade.
É incrível como essa rotina se repete, por mais que a gente gaste horas e horas de celular para convocar o séquito, por mais impulsos que se usem, invariavelmente a mesa acaba tendo apenas dois lugares. Ou algum múltiplo, quando temos a sorte de estarmos acompanhados das namoradas, fiéis escudeiras da nossa sina quixotesca. Não vou chamá-las de Sancho Pança ou acabo apanhando, mas é mais ou menos isso mesmo: onde estão os Quixotes, elas estão junto.
Talvez fosse melhor se fosse diferente, se fôssemos inseparáveis como os Waltons, ou se sentissemos as dores dos outros como os gêmeos, mas isso é algo que não dá para escolher.
É preciso querer e parece que só a gente quer. Ao menos na maioria das vezes, o entusiasmo do grupo, da família, se resume ao Presidente e à mim.
Como não é possível entender, direcionar e muito menos controlar as vidas dos amigos mais próximos, fica o registro de que até entre grupos de grandes amigos, alguns são mais amigos que outros e sempre vale mais a pena o coletivo do que o individual.
Que seja assim, que a gente continue junto e que sempre sobrem ao menos dois. Nós dois.
terça-feira, maio 18, 2004
Não dá para fugir
Há algumas semanas eu acabei queimando a língua por conta de algo que sempre me pareceu claro e indiscutível.
Sempre defendi a idéia de que a gente, nós bípedes descontrolados, somos mais o efeito das experiências vividas do que aquilo que nos foi passado pouco depois do nascimento.
Eu tratava com indisfarçado desprezo comentários do tipo "fui criado assim", "me ensinaram assado", "só sei desse jeito". Isso sempre me pareceu preguiçoso e acomodado.
Foi preciso uma banda escocesa para que eu fizesse um mea culpa e me desse conta de que poderia estar errado desde o começo.
Durante aquela "hora e meia" acabei percebendo que quem estava lá rindo à toa com os trejeitos dos caras e com o delírio da galera era o cara que tinha medo de dançar com as meninas nos bailes e não o bronco que assusta todos que se aproximam.
Era notório como eu estava mais feliz ali, sem escudos, do que com toda a "bagagem" que acabo exibindo todos os dias.
Não quero dizer que minha vida é um desperdício e que só foi bom naquela época. Jamais. O ponto é que eu continuo sendo daquele jeito, mesmo que eu não goste de admitir.
Continuo sendo o moleque cabeçudo que levava pão com ovo para um recreio onde todos, virtualmente "todos" compravam misto disso ou xis daquilo.
Por mais que eu pense que foi bom o tempo ter passado rápido, faz parte do pacote ser o pré-adolescente que vendia passes escolares para comprar gibis de heróis.
Hoje eu sou aquele menino acrescido de cicatrizes, lembranças e algumas "marcas de expressão". Mudei mas sou mais ou menos o mesmo.
Devo ao Teenage Fanclub a percepção de que funciono mais como soma do que como sobreposição.
Sou forçado a admitir que gosto da idéia de crescer em torno daquilo que meus pais e as primeiras experiências de vida formaram.
Espero que minha irmã cineasta, minha frequente companhia neste tipo de experiência, tenha um pouco mais de sobriedade para não cometer os mesmo erros e desprezar o que lhe foi preparado.
Pensando bem, ela é tão parecida comigo que certamente vai fazer a mesma coisa e acabar aprendendo a lição quando tiver um pouco mais de quilometragem na carcaça.
Sorte dela que eu sempre vou estar por perto.
Há algumas semanas eu acabei queimando a língua por conta de algo que sempre me pareceu claro e indiscutível.
Sempre defendi a idéia de que a gente, nós bípedes descontrolados, somos mais o efeito das experiências vividas do que aquilo que nos foi passado pouco depois do nascimento.
Eu tratava com indisfarçado desprezo comentários do tipo "fui criado assim", "me ensinaram assado", "só sei desse jeito". Isso sempre me pareceu preguiçoso e acomodado.
Foi preciso uma banda escocesa para que eu fizesse um mea culpa e me desse conta de que poderia estar errado desde o começo.
Durante aquela "hora e meia" acabei percebendo que quem estava lá rindo à toa com os trejeitos dos caras e com o delírio da galera era o cara que tinha medo de dançar com as meninas nos bailes e não o bronco que assusta todos que se aproximam.
Era notório como eu estava mais feliz ali, sem escudos, do que com toda a "bagagem" que acabo exibindo todos os dias.
Não quero dizer que minha vida é um desperdício e que só foi bom naquela época. Jamais. O ponto é que eu continuo sendo daquele jeito, mesmo que eu não goste de admitir.
Continuo sendo o moleque cabeçudo que levava pão com ovo para um recreio onde todos, virtualmente "todos" compravam misto disso ou xis daquilo.
Por mais que eu pense que foi bom o tempo ter passado rápido, faz parte do pacote ser o pré-adolescente que vendia passes escolares para comprar gibis de heróis.
Hoje eu sou aquele menino acrescido de cicatrizes, lembranças e algumas "marcas de expressão". Mudei mas sou mais ou menos o mesmo.
Devo ao Teenage Fanclub a percepção de que funciono mais como soma do que como sobreposição.
Sou forçado a admitir que gosto da idéia de crescer em torno daquilo que meus pais e as primeiras experiências de vida formaram.
Espero que minha irmã cineasta, minha frequente companhia neste tipo de experiência, tenha um pouco mais de sobriedade para não cometer os mesmo erros e desprezar o que lhe foi preparado.
Pensando bem, ela é tão parecida comigo que certamente vai fazer a mesma coisa e acabar aprendendo a lição quando tiver um pouco mais de quilometragem na carcaça.
Sorte dela que eu sempre vou estar por perto.
quinta-feira, abril 22, 2004
Viajando leve
Não me lembro bem onde li isso pela primeira vez.
Deve ter sido em Borges. O velhinho sabia das coisas quando se tratava de reavaliar na velhice os erros da mocidade. Apesar de argentino, ele era bom mesmo. Até na morte ele se superou.
Bom, mas a idéia é falar sobre o que devemos levar quando saímos de casa e nos aventuramos no mundo. Na verdade, acho que é um pouco além disso.
O "viajar leve" não se limita ao sentido prático e literal da coisa. Não é só uma questão de pegar um avião sem metade da casa nas costas ou de encher de colocar até o cortador de grama no porta-malas do carro para um passeio até Mogi.
Vou um pouco além do viajar de um lado para outro. Falo de viver.
Como não é muito complicado entender a vida como uma viagem, é provável que mais algum doido neste mundo pense como eu.
Deixar de lado o que não importa é viajar leve. O difícil é pesar e medir a importância das coisas durante o caminho.
Pra mim já foi muito importante ter e absorver coisas. Colecionar era algo que me dava prazer. De revistas a selos, vivi várias febres de ter e ter que duraram tempos variados. Até mulheres eu quis ter no acervo mas aí a coisa não deu muito certo.
Quando tive que escolher entre destruir e abandonar, preferi mudar os hábitos e fiquei com o segundo.
É basicamente ter só o necessário e "PT saudações".
Andar a pé é viajar leve. Deixar o carro em casa de vez em quando me faz muito bem.
Apesar do barulho da Consolação e dos sujeitos que cruzo estendidos no chão, olhar os telhados das casas é um bom passatempo. O problema é ter que fazer isso com agilidade para não ficar sem a carteira, sem a bolsa e sem a virtude. Mas vale a pena.
Ir a Floripa é viajar leve. A cidade dos meus sonhos tem esse poder especial de fazer eu me sentir em casa mesmo longe da Mansão. Lá não tenho que ser alguém, tenho apenas que ser. Lá todos são.
Fugir de brigas é viajar leve. É muito engraçado deixar as pessoas sem ação ao responder a provocações com um sorriso e com o barulho de passos indo em outra direção. É o máximo devolver indiferença para quem esperava uma mordida. Apesar de já ter adorado morder, hoje eu prefiro usar os dentes para comer.
Aliás, continuo afirmando que só vim para este mundo para comer e dormir. E problema de quem me acha pobre.
A única coisa de que não abro mão e que me faz discordar abertamente de Borges é o tal do guarda-chuva. Se ele acha que é besteira carregar o trambolho por aí, problema dele. Eu é que não vou deixar a minha pequena carcaça encharcada com o tempo doido de Sampa. Nisso eu estou fechado.
No resto, o negócio é viajar leve e curtir mais o caminho do que o destino.
Quando chegarmos a gente vê o que faz.
Não me lembro bem onde li isso pela primeira vez.
Deve ter sido em Borges. O velhinho sabia das coisas quando se tratava de reavaliar na velhice os erros da mocidade. Apesar de argentino, ele era bom mesmo. Até na morte ele se superou.
Bom, mas a idéia é falar sobre o que devemos levar quando saímos de casa e nos aventuramos no mundo. Na verdade, acho que é um pouco além disso.
O "viajar leve" não se limita ao sentido prático e literal da coisa. Não é só uma questão de pegar um avião sem metade da casa nas costas ou de encher de colocar até o cortador de grama no porta-malas do carro para um passeio até Mogi.
Vou um pouco além do viajar de um lado para outro. Falo de viver.
Como não é muito complicado entender a vida como uma viagem, é provável que mais algum doido neste mundo pense como eu.
Deixar de lado o que não importa é viajar leve. O difícil é pesar e medir a importância das coisas durante o caminho.
Pra mim já foi muito importante ter e absorver coisas. Colecionar era algo que me dava prazer. De revistas a selos, vivi várias febres de ter e ter que duraram tempos variados. Até mulheres eu quis ter no acervo mas aí a coisa não deu muito certo.
Quando tive que escolher entre destruir e abandonar, preferi mudar os hábitos e fiquei com o segundo.
É basicamente ter só o necessário e "PT saudações".
Andar a pé é viajar leve. Deixar o carro em casa de vez em quando me faz muito bem.
Apesar do barulho da Consolação e dos sujeitos que cruzo estendidos no chão, olhar os telhados das casas é um bom passatempo. O problema é ter que fazer isso com agilidade para não ficar sem a carteira, sem a bolsa e sem a virtude. Mas vale a pena.
Ir a Floripa é viajar leve. A cidade dos meus sonhos tem esse poder especial de fazer eu me sentir em casa mesmo longe da Mansão. Lá não tenho que ser alguém, tenho apenas que ser. Lá todos são.
Fugir de brigas é viajar leve. É muito engraçado deixar as pessoas sem ação ao responder a provocações com um sorriso e com o barulho de passos indo em outra direção. É o máximo devolver indiferença para quem esperava uma mordida. Apesar de já ter adorado morder, hoje eu prefiro usar os dentes para comer.
Aliás, continuo afirmando que só vim para este mundo para comer e dormir. E problema de quem me acha pobre.
A única coisa de que não abro mão e que me faz discordar abertamente de Borges é o tal do guarda-chuva. Se ele acha que é besteira carregar o trambolho por aí, problema dele. Eu é que não vou deixar a minha pequena carcaça encharcada com o tempo doido de Sampa. Nisso eu estou fechado.
No resto, o negócio é viajar leve e curtir mais o caminho do que o destino.
Quando chegarmos a gente vê o que faz.
quinta-feira, abril 15, 2004
Casa comigo?
Ele sempre achou que na hora seria fácil.
Como fanático por futebol que era, na sua cabeça só havia a imagem do Romário na sua tradicional posição de cone, deixando a bola bater no pé e partindo para o abraço. Só era preciso colocar o pé na posição certa e partir pro abraço. Ir para a galera naquela situação era algo mais do que obrigatório.
O cinema também era um grande suporte de coragem e inspiração.
Afinal de contas, quantas vezes ele havia visto o Richard Gere hesitar para pedir a mão de alguém em casamento?
Não era concebível que o Brad Pitt temesse a recusa de alguma pretendente, era?
E o Sean Connery então?
Mas na hora não foi tão fácil. Apesar de já prever o tipo de reação que despertaria, ele ficou bem nervoso quando começou a falar.
Era uma sexta-feira santa. O bacalhau estava na mesa perfumando a copa e todos exibiam um olhar guloso e pidão. A mãe dela havia se esmerado para que tudo estivesse correto e ele também. Um pouco antes de começar a falar, ele tocou mais uma vez a caixinha no seu bolso, respirou fundo e mandou ver.
A mesa estava quase cheia. Faltava uma irmã e a tia, mas ele não podia se dar ao luxo de adiar o evento. A caixinha estava na sua gaveta há tempos e tudo estava certo. Ele simplesmente tinha que fazer aquilo naquela hora.
As saladas já estavam servidas quando ele pediu licença para interromper o almoço. A irmã do meio, a dona da casa, sacou na hora que ele iria aprontar. O resto da família ficou com o garfo suspenso no ar, alface pingando vinagre e tudo.
Demorou um pouco para que eles entendessem o que estava acontecendo e ficou pior quando ele abriu a caixinha e soltou duas palavrinhas mágicas para a mocinha que se sentava à sua direita.
O "casa comigo?" saiu baixinho e tímido, mas foi o suficiente para que todos ouvissem. Se bem que naquela hora não havia nada na frente dele além do rosto comprido e fino da mulher por quem ele havia bancado aquela "loucura".
Na hora ele se lembrou do relacionamento que passou direto da descoberta para o amor. Não houve espaço para a paixão, assim como não havia dúvidas sobre o que ele queria.
Mesmo que a família dela tivesse estranhado a ausência da tradição e tivesse demorado para liberar os cumprimentos, o objetivo havia sido atingido com louvor: ele a amava e agora havia algo para simbolizar o sentimento. Apesar de diminuta, a pedrinha carregava tudo o que ele queria demonstrar.
Na volta pra casa, ele não estranhou a reação meio apática da família e nem a surpresa dos amigos. Tudo pra ele estava no lugar. Ela estava no lugar. A pedra estava no lugar.
Dali pra frente tudo ficou mais fácil.
Ele sempre achou que na hora seria fácil.
Como fanático por futebol que era, na sua cabeça só havia a imagem do Romário na sua tradicional posição de cone, deixando a bola bater no pé e partindo para o abraço. Só era preciso colocar o pé na posição certa e partir pro abraço. Ir para a galera naquela situação era algo mais do que obrigatório.
O cinema também era um grande suporte de coragem e inspiração.
Afinal de contas, quantas vezes ele havia visto o Richard Gere hesitar para pedir a mão de alguém em casamento?
Não era concebível que o Brad Pitt temesse a recusa de alguma pretendente, era?
E o Sean Connery então?
Mas na hora não foi tão fácil. Apesar de já prever o tipo de reação que despertaria, ele ficou bem nervoso quando começou a falar.
Era uma sexta-feira santa. O bacalhau estava na mesa perfumando a copa e todos exibiam um olhar guloso e pidão. A mãe dela havia se esmerado para que tudo estivesse correto e ele também. Um pouco antes de começar a falar, ele tocou mais uma vez a caixinha no seu bolso, respirou fundo e mandou ver.
A mesa estava quase cheia. Faltava uma irmã e a tia, mas ele não podia se dar ao luxo de adiar o evento. A caixinha estava na sua gaveta há tempos e tudo estava certo. Ele simplesmente tinha que fazer aquilo naquela hora.
As saladas já estavam servidas quando ele pediu licença para interromper o almoço. A irmã do meio, a dona da casa, sacou na hora que ele iria aprontar. O resto da família ficou com o garfo suspenso no ar, alface pingando vinagre e tudo.
Demorou um pouco para que eles entendessem o que estava acontecendo e ficou pior quando ele abriu a caixinha e soltou duas palavrinhas mágicas para a mocinha que se sentava à sua direita.
O "casa comigo?" saiu baixinho e tímido, mas foi o suficiente para que todos ouvissem. Se bem que naquela hora não havia nada na frente dele além do rosto comprido e fino da mulher por quem ele havia bancado aquela "loucura".
Na hora ele se lembrou do relacionamento que passou direto da descoberta para o amor. Não houve espaço para a paixão, assim como não havia dúvidas sobre o que ele queria.
Mesmo que a família dela tivesse estranhado a ausência da tradição e tivesse demorado para liberar os cumprimentos, o objetivo havia sido atingido com louvor: ele a amava e agora havia algo para simbolizar o sentimento. Apesar de diminuta, a pedrinha carregava tudo o que ele queria demonstrar.
Na volta pra casa, ele não estranhou a reação meio apática da família e nem a surpresa dos amigos. Tudo pra ele estava no lugar. Ela estava no lugar. A pedra estava no lugar.
Dali pra frente tudo ficou mais fácil.
domingo, abril 04, 2004
Perto e longe
A pizza de hoje à noite foi extremamente sintomática.
Ficou patente que estamos nos afastando à medida que nos aproximamos delas.
Quando digo "nós", me refiro aos grandes companheiros que tenho hoje em dia. Amigos de verdade. Quase como um Erasmo para um Roberto. Na verdade, vários Erasmos para alguns Robertos.
O "delas" obviamente se refere às respectivas companheiras, quase esposas, praticamente habitantes da mesma casa.
É cada vez mais patente que agimos diferente quando estamos com elas na turma. Não sei se é pior ou melhor, só sei que é diferente.
Eu sempre soube que as coisas mudariam quando "crescessemos".
O problema é que nunca imaginei que a operação envolvida seria a subtração. Não que eu esperasse uma multiplicação, mas talvez uma adição poderia ter vindo de forma mais tranquila.
Mas não foi assim. Com elas somos melhores mas diferentes. Tentamos ser igualmente dinâmicos e inconsequentes, mas acabamos na mesma responsabilidade e semi-preguiça de sair do conforto que conseguimos.
Acho que todos ansiamos por essa tranquilidade emocional e agora que a conseguimos ficamos com essa sensação de querer manter os amigos por perto. Ao menos é assim que eu me sinto.
Não que eles estejam longe. Nada disso. Mas é que a coisa está diferente. Nós estamos diferentes. Elas nos fazem diferentes.
Volto a dizer que acho que estamos melhores assim, mas a idéia infantil de turma eterna não deixa de martelar minha cabeçorra.
Hoje em dia não achamos mais que um final de ano em Floripa é nosso sonho de consumo. Ao invés disso pensamos em uma noite fria em Campos, com uma garrafa de Black, um prato de alho e óleo e um quarto absurdamente escuro.
Nada de sair pela madrugada atrás dos que se perderam atrás de um sorriso perfeito. Nada de cavalinhos de pau no carro do amigo que foi parar em uma casa com 15 mulheres. Nada de descobrir o outro amigo num flashback com a ex. Nada de achar que "All I want is you" vai marcar a paixão definitiva.
Nada disso. Nada de adolescência. Só vida real. Só amor consentido e correspondido.
Só sexo com amor. Só noites clandestinas em hotéis franceses. Só almoços em buffets japoneses. Só planos para Reveilon em camas de casal. Só pilhas de latas de cerveja e entradas de ano na inconsciência. Só o prazer a dois. Só tudo que eu sempre quis.
Sei que é gostoso, sei que é melhor, sei que é o que eu quero. Mas por que acho que estamos diferentes?
Acho que sinto saudade do que ainda vou ser. Estranho isso, não?
A pizza de hoje à noite foi extremamente sintomática.
Ficou patente que estamos nos afastando à medida que nos aproximamos delas.
Quando digo "nós", me refiro aos grandes companheiros que tenho hoje em dia. Amigos de verdade. Quase como um Erasmo para um Roberto. Na verdade, vários Erasmos para alguns Robertos.
O "delas" obviamente se refere às respectivas companheiras, quase esposas, praticamente habitantes da mesma casa.
É cada vez mais patente que agimos diferente quando estamos com elas na turma. Não sei se é pior ou melhor, só sei que é diferente.
Eu sempre soube que as coisas mudariam quando "crescessemos".
O problema é que nunca imaginei que a operação envolvida seria a subtração. Não que eu esperasse uma multiplicação, mas talvez uma adição poderia ter vindo de forma mais tranquila.
Mas não foi assim. Com elas somos melhores mas diferentes. Tentamos ser igualmente dinâmicos e inconsequentes, mas acabamos na mesma responsabilidade e semi-preguiça de sair do conforto que conseguimos.
Acho que todos ansiamos por essa tranquilidade emocional e agora que a conseguimos ficamos com essa sensação de querer manter os amigos por perto. Ao menos é assim que eu me sinto.
Não que eles estejam longe. Nada disso. Mas é que a coisa está diferente. Nós estamos diferentes. Elas nos fazem diferentes.
Volto a dizer que acho que estamos melhores assim, mas a idéia infantil de turma eterna não deixa de martelar minha cabeçorra.
Hoje em dia não achamos mais que um final de ano em Floripa é nosso sonho de consumo. Ao invés disso pensamos em uma noite fria em Campos, com uma garrafa de Black, um prato de alho e óleo e um quarto absurdamente escuro.
Nada de sair pela madrugada atrás dos que se perderam atrás de um sorriso perfeito. Nada de cavalinhos de pau no carro do amigo que foi parar em uma casa com 15 mulheres. Nada de descobrir o outro amigo num flashback com a ex. Nada de achar que "All I want is you" vai marcar a paixão definitiva.
Nada disso. Nada de adolescência. Só vida real. Só amor consentido e correspondido.
Só sexo com amor. Só noites clandestinas em hotéis franceses. Só almoços em buffets japoneses. Só planos para Reveilon em camas de casal. Só pilhas de latas de cerveja e entradas de ano na inconsciência. Só o prazer a dois. Só tudo que eu sempre quis.
Sei que é gostoso, sei que é melhor, sei que é o que eu quero. Mas por que acho que estamos diferentes?
Acho que sinto saudade do que ainda vou ser. Estranho isso, não?
terça-feira, março 23, 2004
O que quero ser quando crescer
Alguns dias atrás eu vivi uma sessão de psicanálise travestida de análise de desempenho.
Essa é uma daquelas normas empresariais que visam melhorar o clima e incentivar as pessoas, mas que vira e mexe acabam sendo razões para perda de motivação e ameaças de morte para os chefes/avaliadores.
Dentre o monte de abobrinhas, coisas insípidas e bons conselhos que meu chefe me deu, uma coisa me chamou a atenção e faz pensar até hoje: o exemplo a ser seguido.
Esse papo surgiu depois que eu reclamei de algumas diferenças que me pareciam injustas.
Como um mestre russo de xadrez, meu chefe me deu uma resposta impossível de ser rebatida ou contestada e tive que colocar meu rabinho entre as pernas. Ainda bem que juntamente com a “chamada” ele me incentivou a buscar um objetivo diferente daquele que eu ensaiava seguir. Segundo ele, a diferença atual “estava” mais do que “era” e que valia mais a pena pensar em me inspirar em quem ainda poderia ser.
Acabei transportando isso para a vida pessoal e vi que realmente vale mais a pena me comparar com quem ainda tem cabeçadas a dar. Apesar da diferença financeira cutucar meu bolso como bicho geográfico, talvez seja melhor pensar em quem eu posso admirar sem inveja e culpa.
Isso me levou naturalmente a pensar no Professor. Parece incrível, mas novamente vou ter que falar bem desse careca miserável.
Mesmo que ele me encha o saco a cada vez que o meu Tricolor perde ou os times dele (Corinthians e São Caetano) ganham, cada vez acho mais positivo tratá-lo como um irmão e não como um colega de trabalho.
Quem me conhece bem, sabe que para mim existe uma distância enorme entre amizade e coleguismo, principalmente no trabalho.
Apesar de participar das palhaçadas e de fazer questão de relaxar o ambiente de trabalho através das mais infantis brincadeiras que o mundo corporativo jamais viu, acho que deve ser divertido para o pessoal em volta assistir a criação de uma piada a cada bronca de chefe ou exigência esdrúxula de usuário. É só o danado desligar o telefone que a dupla de crianças invente uma piada ou cante o trecho de uma canção.
A gente realmente age mais como irmãos (ou amigos de infância) do que como colegas de trabalho. E olha que a gente quase nunca se encontra fora do trabalho!!!
Deve ser por dó das nossas respectivas companheiras. Nem elas merecem tanta asneira.
Não posso chamar de projeto de vida, mas tem algumas coisas que ele faz ou fez que me despertam a vontade de experimentar e ver no que dá. O casório é a primeira delas. Não sei se Ele vai permitir que meus planos se concretizem, mas espero poder atingir a mesma paz e felicidade que ele demonstra ao falar da “artista” com quem se casou.
Até mesmo as discussões que eles têm são motivo de admiração já que invariavelmente acabam sendo motivos para visitar um restaurante legal ou uma loja bacana.
Um passarinho verde me contou que a nossa “irmandade” não vai durar muito tempo, mas vou fazer o que puder para continuar servindo de referência para os restaurantes escolhidos para as comemorações e para receber em troca os conselhos de quem já aprendeu a entender e conviver melhor com os caprichos da alma feminina.
Espero que a recíproca seja verdadeira, Professor!
Alguns dias atrás eu vivi uma sessão de psicanálise travestida de análise de desempenho.
Essa é uma daquelas normas empresariais que visam melhorar o clima e incentivar as pessoas, mas que vira e mexe acabam sendo razões para perda de motivação e ameaças de morte para os chefes/avaliadores.
Dentre o monte de abobrinhas, coisas insípidas e bons conselhos que meu chefe me deu, uma coisa me chamou a atenção e faz pensar até hoje: o exemplo a ser seguido.
Esse papo surgiu depois que eu reclamei de algumas diferenças que me pareciam injustas.
Como um mestre russo de xadrez, meu chefe me deu uma resposta impossível de ser rebatida ou contestada e tive que colocar meu rabinho entre as pernas. Ainda bem que juntamente com a “chamada” ele me incentivou a buscar um objetivo diferente daquele que eu ensaiava seguir. Segundo ele, a diferença atual “estava” mais do que “era” e que valia mais a pena pensar em me inspirar em quem ainda poderia ser.
Acabei transportando isso para a vida pessoal e vi que realmente vale mais a pena me comparar com quem ainda tem cabeçadas a dar. Apesar da diferença financeira cutucar meu bolso como bicho geográfico, talvez seja melhor pensar em quem eu posso admirar sem inveja e culpa.
Isso me levou naturalmente a pensar no Professor. Parece incrível, mas novamente vou ter que falar bem desse careca miserável.
Mesmo que ele me encha o saco a cada vez que o meu Tricolor perde ou os times dele (Corinthians e São Caetano) ganham, cada vez acho mais positivo tratá-lo como um irmão e não como um colega de trabalho.
Quem me conhece bem, sabe que para mim existe uma distância enorme entre amizade e coleguismo, principalmente no trabalho.
Apesar de participar das palhaçadas e de fazer questão de relaxar o ambiente de trabalho através das mais infantis brincadeiras que o mundo corporativo jamais viu, acho que deve ser divertido para o pessoal em volta assistir a criação de uma piada a cada bronca de chefe ou exigência esdrúxula de usuário. É só o danado desligar o telefone que a dupla de crianças invente uma piada ou cante o trecho de uma canção.
A gente realmente age mais como irmãos (ou amigos de infância) do que como colegas de trabalho. E olha que a gente quase nunca se encontra fora do trabalho!!!
Deve ser por dó das nossas respectivas companheiras. Nem elas merecem tanta asneira.
Não posso chamar de projeto de vida, mas tem algumas coisas que ele faz ou fez que me despertam a vontade de experimentar e ver no que dá. O casório é a primeira delas. Não sei se Ele vai permitir que meus planos se concretizem, mas espero poder atingir a mesma paz e felicidade que ele demonstra ao falar da “artista” com quem se casou.
Até mesmo as discussões que eles têm são motivo de admiração já que invariavelmente acabam sendo motivos para visitar um restaurante legal ou uma loja bacana.
Um passarinho verde me contou que a nossa “irmandade” não vai durar muito tempo, mas vou fazer o que puder para continuar servindo de referência para os restaurantes escolhidos para as comemorações e para receber em troca os conselhos de quem já aprendeu a entender e conviver melhor com os caprichos da alma feminina.
Espero que a recíproca seja verdadeira, Professor!
sexta-feira, março 19, 2004
Intensidade
Aquela pinta no lado esquerdo da boca dá a ela um jeito meio Cindy Crawford de ser.
O jeito como ela arruma o cabelo longo e castanho é impossível de não ser notado.
A risada está a meio caminho entre o tímido e o escrachado, sempre com pouca preocupação com o que os outros podem pensar.
Até a mania de puxar a mini blusa, que teima em subir e mostrar a sua pele branca, a faz ficar mais charmosa.
Apesar de ter falado dela com fingida propriedade, mal conheço a moça da pinta na boca.
Na verdade, eu conheço mais a sua obra do que a autora. Não que ela seja menos interessante do que a obra, isso está anos-luz longe da verdade, mas é que ainda não tive oportunidade de saber muito mais do que todo leitor sabe.
Ela escreve e bem em um lugar muito popular. Escreve sobre relacionamentos, sentimentos e as conseqüências de ambos. Acredito que, assim como eu, ela escreva sobre o que vive ou use alguns elementos da sua vida para criar estórias sobre coisas que interessem às pessoas.
Já li coisas sobre casamento, sexo, alegrias extremas e nomes esquisitos. Houve também palavras sobre a traição e sobre o desamor.
Tudo no mesmo estilo emocional, tudo da mesma forma passional, tudo com o mesmo jeitinho fingidamente seguro.
Das poucas coisas que sei, a maioria não me foi dita pessoalmente.
Talvez não maioria do que realmente importe, mas certamente a maioria do que vou mencionar aqui.
Sei que ela foi casada com um cara com quem sonhou durante anos.
Sei que ela foi muito feliz, construiu sonhos, visitou lugares, dirigiu por países de língua estranha e aprendeu a cozinhar divinamente.
Sei que deixou de amar uma pessoa e passou a amar outra, sem muito tempo para colocar as coisas no lugar entre um relacionamento e outro.
Sei que ela não faz nada que não seja intenso, forte, quase extremo.
Sei que ela não tem vocação para ser a outra, mesmo que isso signifique abrir mão do grande amor da sua vida.
Sei que ela é de Touro, mas prefiro não descobrir muito mais coisas neste setor.
Sei que seu nome mudou de acordo com as migrações dos seus ancestrais e que hoje a confundem com uma colônia devido a um certo detalhe anatômico.
Sei que ela tem três tatuagens, três gatos e vários livros empacados na vigésima página.
Com tudo isso que sei, ainda não dá para dizer que sei algo que realmente importe.
Ainda não posso dizer que a conheço ou que sou seu amigo.
Espero ter a oportunidade de seguir aprendendo as coisas que estão por trás daquele jeito Cindy Crawford de ser.
Aquela pinta no lado esquerdo da boca dá a ela um jeito meio Cindy Crawford de ser.
O jeito como ela arruma o cabelo longo e castanho é impossível de não ser notado.
A risada está a meio caminho entre o tímido e o escrachado, sempre com pouca preocupação com o que os outros podem pensar.
Até a mania de puxar a mini blusa, que teima em subir e mostrar a sua pele branca, a faz ficar mais charmosa.
Apesar de ter falado dela com fingida propriedade, mal conheço a moça da pinta na boca.
Na verdade, eu conheço mais a sua obra do que a autora. Não que ela seja menos interessante do que a obra, isso está anos-luz longe da verdade, mas é que ainda não tive oportunidade de saber muito mais do que todo leitor sabe.
Ela escreve e bem em um lugar muito popular. Escreve sobre relacionamentos, sentimentos e as conseqüências de ambos. Acredito que, assim como eu, ela escreva sobre o que vive ou use alguns elementos da sua vida para criar estórias sobre coisas que interessem às pessoas.
Já li coisas sobre casamento, sexo, alegrias extremas e nomes esquisitos. Houve também palavras sobre a traição e sobre o desamor.
Tudo no mesmo estilo emocional, tudo da mesma forma passional, tudo com o mesmo jeitinho fingidamente seguro.
Das poucas coisas que sei, a maioria não me foi dita pessoalmente.
Talvez não maioria do que realmente importe, mas certamente a maioria do que vou mencionar aqui.
Sei que ela foi casada com um cara com quem sonhou durante anos.
Sei que ela foi muito feliz, construiu sonhos, visitou lugares, dirigiu por países de língua estranha e aprendeu a cozinhar divinamente.
Sei que deixou de amar uma pessoa e passou a amar outra, sem muito tempo para colocar as coisas no lugar entre um relacionamento e outro.
Sei que ela não faz nada que não seja intenso, forte, quase extremo.
Sei que ela não tem vocação para ser a outra, mesmo que isso signifique abrir mão do grande amor da sua vida.
Sei que ela é de Touro, mas prefiro não descobrir muito mais coisas neste setor.
Sei que seu nome mudou de acordo com as migrações dos seus ancestrais e que hoje a confundem com uma colônia devido a um certo detalhe anatômico.
Sei que ela tem três tatuagens, três gatos e vários livros empacados na vigésima página.
Com tudo isso que sei, ainda não dá para dizer que sei algo que realmente importe.
Ainda não posso dizer que a conheço ou que sou seu amigo.
Espero ter a oportunidade de seguir aprendendo as coisas que estão por trás daquele jeito Cindy Crawford de ser.
quinta-feira, março 11, 2004
Bonzinho
Aviso: o entendimento deste texto obriga um mínimo de conhecimento sobre a série Dawson´s Creek!!
Durante todas as cinco temporadas, ele foi o cara mais correto, leal e honesto de toda a Costa Leste americana. Tudo nesse era certo, do cabelo bem cortado até o sorriso controlado. Nada ficava fora do lugar e ninguém conseguia encontrar motivos para duvidar de algo que ele tivesse feito.
Ele era o protótipo da perfeição. O cara bonzinho em pessoa. Acho que foi por isso que a Joey escolheu o Pacey: caras certinhos são muito chatos!!
O tal do Dawson era tão quadrado que até minha irmã cineasta, que gravava os episódios e assistia até decorar as falas, ficava bufando impaciente enquanto ele aparecia na tela.
Acho que contei uns 15 chifres, 25 foras e 45 cenas em que ele aparecia sozinho, olhando para o vazio em algum pier ou lagoa.
Isso me leva crer que o mundo não foi feito para os bonzinhos. Acho que já escrevi sobre isso, mas como o blog é meu, cá estou eu remoendo o mesmo tema de novo.
Parece que não adianta ser o mais legal, o mais companheiro, o mais amável e o mais confiável.
Cada vez mais eu me dou conta que as mulheres não querem esse tipo de cara.
Um grande amigo meu acredita que qualquer tipo de relacionamento necessita de algum tipo de insegurança para existir. É preciso que as pessoas não estejam 100% seguras de que o parceiro vai estar ali sempre que eles quiserem e/ou precisarem.
A idéia de poder perder torna ainda mais valioso o ter e faz com que se cuide mais do que se tem.
Apesar de parecer doideira, isso tem todo o sentido do mundo.
Basta ver o que a Joey fez com o Dawson. Ela sabia que ele sempre estaria ali e por isso escolheu o Pacey.
O Dawson não representava um desafio e isso desvalorizava aquilo que a Joey acreditava ser.
Já o Pacey nunca ficou babando pela magrinha. Ele mostrava que a queria mas que não pagaria qualquer preço para tê-la. Ele colocou a responsabilidade nas mãos dela.
No final das contas ele se deu bem.
Acho que todo mundo que representa um certo desafio acaba se dando bem.
E os bonzinhos sobram para fazer filmes e escrever blogs.
Ainda bem que faz tempo que deixei de ser bonzinho.
Aviso: o entendimento deste texto obriga um mínimo de conhecimento sobre a série Dawson´s Creek!!
Durante todas as cinco temporadas, ele foi o cara mais correto, leal e honesto de toda a Costa Leste americana. Tudo nesse era certo, do cabelo bem cortado até o sorriso controlado. Nada ficava fora do lugar e ninguém conseguia encontrar motivos para duvidar de algo que ele tivesse feito.
Ele era o protótipo da perfeição. O cara bonzinho em pessoa. Acho que foi por isso que a Joey escolheu o Pacey: caras certinhos são muito chatos!!
O tal do Dawson era tão quadrado que até minha irmã cineasta, que gravava os episódios e assistia até decorar as falas, ficava bufando impaciente enquanto ele aparecia na tela.
Acho que contei uns 15 chifres, 25 foras e 45 cenas em que ele aparecia sozinho, olhando para o vazio em algum pier ou lagoa.
Isso me leva crer que o mundo não foi feito para os bonzinhos. Acho que já escrevi sobre isso, mas como o blog é meu, cá estou eu remoendo o mesmo tema de novo.
Parece que não adianta ser o mais legal, o mais companheiro, o mais amável e o mais confiável.
Cada vez mais eu me dou conta que as mulheres não querem esse tipo de cara.
Um grande amigo meu acredita que qualquer tipo de relacionamento necessita de algum tipo de insegurança para existir. É preciso que as pessoas não estejam 100% seguras de que o parceiro vai estar ali sempre que eles quiserem e/ou precisarem.
A idéia de poder perder torna ainda mais valioso o ter e faz com que se cuide mais do que se tem.
Apesar de parecer doideira, isso tem todo o sentido do mundo.
Basta ver o que a Joey fez com o Dawson. Ela sabia que ele sempre estaria ali e por isso escolheu o Pacey.
O Dawson não representava um desafio e isso desvalorizava aquilo que a Joey acreditava ser.
Já o Pacey nunca ficou babando pela magrinha. Ele mostrava que a queria mas que não pagaria qualquer preço para tê-la. Ele colocou a responsabilidade nas mãos dela.
No final das contas ele se deu bem.
Acho que todo mundo que representa um certo desafio acaba se dando bem.
E os bonzinhos sobram para fazer filmes e escrever blogs.
Ainda bem que faz tempo que deixei de ser bonzinho.
sexta-feira, fevereiro 27, 2004
Meus quinze anos
Em algum dia de Março eu completo quinze anos.
Infelizmente não são 15 anos de vida. Acho que não teria graça viver aquela "cabascência" de novo.
Felizmente não são 15 anos de namoro. Ninguém sobreviveria tanto tempo ao meu lado.
Na verdade não é nada tão trágico e definitivo. Trata-se apenas do 15º aniversário do dia em que conheci meus amigos de faculdade.
Antes de cometer uma injustiça, tenho que lembrar que um desses meus amigos leva três anos de vantagem com relação aos demais: a gente fez colegial juntos, o que leva o aniversário para a maioridade, mas ísso é papo para outra hora.
O que quero lembrar aqui é a razão de já terem se passado 15 anos e de eu ainda curtir a companhia de cada um daqueles caras.
Uma das possíveis razões é a relação com as piadas.
Nenhuma pessoa que conta a mesma piada há mais de dez anos e ainda te faz rir pode ser menos do que especial.
Acho que até as esposas seriam capazes de contar as piadas com o mesmo estusiasmo e nível de detalhe que a gente faz desde o começo.
Conseguir fazer com que elas achem graça daquelas barbaridades é digno de Oscar.
Infelizmente não temos nenhuma festa memorável no nosso histórico estudantil.
As únicas que rolaram foram no último ano e eu fui impedido de ir por ordem da "sargento" que eu chamava de namorada.
Essa mesma "sargento" me privou de risadas sensacionais durante os micos na Juréia e nos bailes de Iguape, mas também não quero gastar espaço para falar de algo que não me traz alegria.
A hora agora é de festa, de celebração e de bons fluidos. O que passou passou.
Lembrando dos papéis de cada um na turma lembro que não éramos lá muito comuns.
É claro que havia o galã, o semi-neurótico, o gênio e o grandão inofensivo, mas o resto de nós não podia receber outro adjetivo a não ser o quase insosso "normal".
A maioria de nós era normal e não recebia estereótipos.
Isso mudava um pouco quando resolvíamos estudar juntos. Aí as habilidades de cada um vinham à tona: um fazia as colas microscópicas, outro "debugava" a matéria e esclarecia as mentes dos demais, outro ficava desesperado e os demais jogavam videogame.
É impressionante como, depois de tantas partidas de Mario, tantas esfihas, tantos litros de coca e tantas pizzas, todos tenhamos conseguido chegar ao fim do curso.
Acho que era para ser. Era para continuarmos juntos até o fim.
Como não sou ninguém para contrariar desígnios divinos, aproveito para dizer aos membros do clube que, aconteça o que acontecer, vai ser bem difícil eles se livrarem de mim.
Pior: vai ser bem difícil um se livrar de outro!!
Que venham outros 15 anos e que as piadas sigam as mesmas!!!
Em algum dia de Março eu completo quinze anos.
Infelizmente não são 15 anos de vida. Acho que não teria graça viver aquela "cabascência" de novo.
Felizmente não são 15 anos de namoro. Ninguém sobreviveria tanto tempo ao meu lado.
Na verdade não é nada tão trágico e definitivo. Trata-se apenas do 15º aniversário do dia em que conheci meus amigos de faculdade.
Antes de cometer uma injustiça, tenho que lembrar que um desses meus amigos leva três anos de vantagem com relação aos demais: a gente fez colegial juntos, o que leva o aniversário para a maioridade, mas ísso é papo para outra hora.
O que quero lembrar aqui é a razão de já terem se passado 15 anos e de eu ainda curtir a companhia de cada um daqueles caras.
Uma das possíveis razões é a relação com as piadas.
Nenhuma pessoa que conta a mesma piada há mais de dez anos e ainda te faz rir pode ser menos do que especial.
Acho que até as esposas seriam capazes de contar as piadas com o mesmo estusiasmo e nível de detalhe que a gente faz desde o começo.
Conseguir fazer com que elas achem graça daquelas barbaridades é digno de Oscar.
Infelizmente não temos nenhuma festa memorável no nosso histórico estudantil.
As únicas que rolaram foram no último ano e eu fui impedido de ir por ordem da "sargento" que eu chamava de namorada.
Essa mesma "sargento" me privou de risadas sensacionais durante os micos na Juréia e nos bailes de Iguape, mas também não quero gastar espaço para falar de algo que não me traz alegria.
A hora agora é de festa, de celebração e de bons fluidos. O que passou passou.
Lembrando dos papéis de cada um na turma lembro que não éramos lá muito comuns.
É claro que havia o galã, o semi-neurótico, o gênio e o grandão inofensivo, mas o resto de nós não podia receber outro adjetivo a não ser o quase insosso "normal".
A maioria de nós era normal e não recebia estereótipos.
Isso mudava um pouco quando resolvíamos estudar juntos. Aí as habilidades de cada um vinham à tona: um fazia as colas microscópicas, outro "debugava" a matéria e esclarecia as mentes dos demais, outro ficava desesperado e os demais jogavam videogame.
É impressionante como, depois de tantas partidas de Mario, tantas esfihas, tantos litros de coca e tantas pizzas, todos tenhamos conseguido chegar ao fim do curso.
Acho que era para ser. Era para continuarmos juntos até o fim.
Como não sou ninguém para contrariar desígnios divinos, aproveito para dizer aos membros do clube que, aconteça o que acontecer, vai ser bem difícil eles se livrarem de mim.
Pior: vai ser bem difícil um se livrar de outro!!
Que venham outros 15 anos e que as piadas sigam as mesmas!!!
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
O que importa de verdade
Moro no Brasil desde 77. Era mais ou menos na época em que o Travolta estava "mordendo" as meninas que davam mole nas noites de sábado e que o Rocky estava fugindo da fonoaudióloga para paracer "mais natural".
Vim para cá não mais do que um pivete. Ainda sou pequeno mas certamente tenho muito mais estórias para contar.
O que eu gosto no Brasil?
Amo as curvas da geografia e da anatomia, o futebol, o tutu de feijão da minha "sogra", os pés de galinha da minha mineira, os litros vividos com os amigos, o talento "pra dentro" da minha irmã cineasta e os dentes ainda meio indefinidos da menina com nome de sentimento.
Tudo isto é Brasil pra mim.
Se este país tem tanta coisa que me agrada, por que diabos eu ainda me sinto tão ligado à terra natal?
Por que será que aquela coisinha minguada, espremida entre a montanha e o mar me causa tanto fascínio e faz tão parte do que fui, sou e serei?
Essa não foi exatamente a razão que me levou àquela parte do mundo neste mês que passou, mas já que eu estava por lá, não custava fazer uma pesquisa interna.
Por falar em motivos, os parentes estavam todos vivos e bem. Alguns meio cansados, outros um pouco mais gordos, alguns mais bonitos do que eu esperava (minha menininha) e outros ainda mais insuportáveis. Feliz ou infelizmente eles são a minha família e às vezes dou graças a Deus por tê-los. Longe, é verdade, mas tê-los.
Busquei razões na comida. Não foi nada difícil sentir algo diferente ao me deliciar com o congrio frito, com o mariscal frio, com as humitas, com o pastel de choclo, com as machas a la parmesana, com as empanadas de pino, com a cazuela de ave, com a ensalada de centollas e com os porotos granados. A minha mineira ficou especialmente apaixonadas por estes últimos, o que constitui um sério risco à camada de ozônio já que eu também não fico por menos nesse quesito.
Só para não deixar escapar nada, ainda testei o efeito do melão calameño, dos duraznos e das ciruelas.
Tudo tinha o toque de que eu me lembrava. Tudo remetia à infância e ao meu avô que me chamava de huesillo e do qual eu não me lembro fora da cama. Isso se explica por que eu tinha 5 anos quando ele morreu (após um longo período "de molho") e quando a minha mãe me levou para longe. Para o Brasil.
Parece incrível, mas até mesmo as rucas indígenas do sul e o ar seco e poluído da capital ainda me faziam um bem que eu não sei descrever direito.
Eu sou aquilo, mais ou menos da mesma forma que sou isto também. Sou o tropical e o temperado, o É o Tchan e o Inti Illimani, o Zico e o Caszely. Sou ambos e me orgulho disso. Por mais paradoxal que isso possa parecer, sou dois ao mesmo tempo e não vivo nenhum conflito.
Sou feliz sendo dois.
Y viva Chile, mierda!!!
Achei que esta seria uma boa maneira de voltar ao meu amado e esquecido blog.
Não vou prometer mas vou me esforçar para aparecer por aqui (e no Vinil) ao menos uma vez por semana. Valeu.
Moro no Brasil desde 77. Era mais ou menos na época em que o Travolta estava "mordendo" as meninas que davam mole nas noites de sábado e que o Rocky estava fugindo da fonoaudióloga para paracer "mais natural".
Vim para cá não mais do que um pivete. Ainda sou pequeno mas certamente tenho muito mais estórias para contar.
O que eu gosto no Brasil?
Amo as curvas da geografia e da anatomia, o futebol, o tutu de feijão da minha "sogra", os pés de galinha da minha mineira, os litros vividos com os amigos, o talento "pra dentro" da minha irmã cineasta e os dentes ainda meio indefinidos da menina com nome de sentimento.
Tudo isto é Brasil pra mim.
Se este país tem tanta coisa que me agrada, por que diabos eu ainda me sinto tão ligado à terra natal?
Por que será que aquela coisinha minguada, espremida entre a montanha e o mar me causa tanto fascínio e faz tão parte do que fui, sou e serei?
Essa não foi exatamente a razão que me levou àquela parte do mundo neste mês que passou, mas já que eu estava por lá, não custava fazer uma pesquisa interna.
Por falar em motivos, os parentes estavam todos vivos e bem. Alguns meio cansados, outros um pouco mais gordos, alguns mais bonitos do que eu esperava (minha menininha) e outros ainda mais insuportáveis. Feliz ou infelizmente eles são a minha família e às vezes dou graças a Deus por tê-los. Longe, é verdade, mas tê-los.
Busquei razões na comida. Não foi nada difícil sentir algo diferente ao me deliciar com o congrio frito, com o mariscal frio, com as humitas, com o pastel de choclo, com as machas a la parmesana, com as empanadas de pino, com a cazuela de ave, com a ensalada de centollas e com os porotos granados. A minha mineira ficou especialmente apaixonadas por estes últimos, o que constitui um sério risco à camada de ozônio já que eu também não fico por menos nesse quesito.
Só para não deixar escapar nada, ainda testei o efeito do melão calameño, dos duraznos e das ciruelas.
Tudo tinha o toque de que eu me lembrava. Tudo remetia à infância e ao meu avô que me chamava de huesillo e do qual eu não me lembro fora da cama. Isso se explica por que eu tinha 5 anos quando ele morreu (após um longo período "de molho") e quando a minha mãe me levou para longe. Para o Brasil.
Parece incrível, mas até mesmo as rucas indígenas do sul e o ar seco e poluído da capital ainda me faziam um bem que eu não sei descrever direito.
Eu sou aquilo, mais ou menos da mesma forma que sou isto também. Sou o tropical e o temperado, o É o Tchan e o Inti Illimani, o Zico e o Caszely. Sou ambos e me orgulho disso. Por mais paradoxal que isso possa parecer, sou dois ao mesmo tempo e não vivo nenhum conflito.
Sou feliz sendo dois.
Y viva Chile, mierda!!!
Achei que esta seria uma boa maneira de voltar ao meu amado e esquecido blog.
Não vou prometer mas vou me esforçar para aparecer por aqui (e no Vinil) ao menos uma vez por semana. Valeu.
terça-feira, janeiro 06, 2004
Final de ano
O ano acabou de começar para mim.
Na verdade ele começou para todo mundo, mas como minha influência não chega até o sétimo grau de separação, vou me concentrar um pouco no micromundo da minha grande cabeça.
O final de ano foi bom. Aliás, ele sempre é bom.
Por mais que algumas cicatrizes pelo corpo, olhos injetados e fígados detonados queiram emitir opiniões contrárias, sempre acho que as festas de final de ano servem como uma espécie de redenção para tudo o que rolou antes.
Conheço gente que não gosta do Natal por que sente pena de quem não tem o que comer ou vestir nessa época. Prefiro pensar que devemos cuidar dessas pessoas durante o ano inteiro e não sentir culpa da nossa própria felicidade na "presença" do Papai Noel. O Natal é época de fé e felicidade e ponto!
Gosto do Natal por que posso agradar aos meus de uma forma diferente do convencional. No Natal eu fico mais em casa, dou presentes legais, como pantrucas (essa só os chilenos decifram), divido um vinho com o velho e tento convencer a velha a experimentar e ficar alta.
Não gosto muito de ver meu pai colocar os presentes de lado e deixar que a minha mãe os abra, mas não acho que dê para mudar isso nele. Ele aprendeu desse jeito e precisa querer para aprender algo diferente.
Gosto do Reveillon por que todo mundo se enche de fé, de projetos e de promessas. Por mais que tudo isso seja esquecido depois da ressaca, gosto de saber que pelo menos na noite da virada as pessoas se dedicam a pensar no bem.
No Reveillon posso abraçar meus amigos sem medo de parecer gay e distribuir beijos como o Edu gosta de fazer.
Logo eu que me orgulho de passar o ano inteiro só beijando um homem: meu velho.
Gosto do espírito de renovação da época, das comidas da época, das ondinhas que pulamos (e que eu não pulei), das cuecas e calcinhas novas, de comer lentilhas, uvas e romãs, de estourar a champanhe até que ela azede de tão sonsa, de beber como um desvairado, de beijar na boca e de abraçar quem se ama de uma forma bem apertada.
Não gosto da idéia de ter abraçado a minha mineira na virada e de não ter sido abraçado em volta, mas os anos que vêm estão aí para corrigir este deslize.
Quem sabe no próximo não é ela que me beija enquanto eu estiver inconsciente pelo excesso de capiroska de limão??
Ah, um último gosto dessa época do ano: achei muito engraçado ser o primeiro a dar um "abraço" de ano novo para a Gabi e para o Milk, os malteses da casa.
Poucos teriam esse privilégio.
Morram de inveja!!!!
O ano acabou de começar para mim.
Na verdade ele começou para todo mundo, mas como minha influência não chega até o sétimo grau de separação, vou me concentrar um pouco no micromundo da minha grande cabeça.
O final de ano foi bom. Aliás, ele sempre é bom.
Por mais que algumas cicatrizes pelo corpo, olhos injetados e fígados detonados queiram emitir opiniões contrárias, sempre acho que as festas de final de ano servem como uma espécie de redenção para tudo o que rolou antes.
Conheço gente que não gosta do Natal por que sente pena de quem não tem o que comer ou vestir nessa época. Prefiro pensar que devemos cuidar dessas pessoas durante o ano inteiro e não sentir culpa da nossa própria felicidade na "presença" do Papai Noel. O Natal é época de fé e felicidade e ponto!
Gosto do Natal por que posso agradar aos meus de uma forma diferente do convencional. No Natal eu fico mais em casa, dou presentes legais, como pantrucas (essa só os chilenos decifram), divido um vinho com o velho e tento convencer a velha a experimentar e ficar alta.
Não gosto muito de ver meu pai colocar os presentes de lado e deixar que a minha mãe os abra, mas não acho que dê para mudar isso nele. Ele aprendeu desse jeito e precisa querer para aprender algo diferente.
Gosto do Reveillon por que todo mundo se enche de fé, de projetos e de promessas. Por mais que tudo isso seja esquecido depois da ressaca, gosto de saber que pelo menos na noite da virada as pessoas se dedicam a pensar no bem.
No Reveillon posso abraçar meus amigos sem medo de parecer gay e distribuir beijos como o Edu gosta de fazer.
Logo eu que me orgulho de passar o ano inteiro só beijando um homem: meu velho.
Gosto do espírito de renovação da época, das comidas da época, das ondinhas que pulamos (e que eu não pulei), das cuecas e calcinhas novas, de comer lentilhas, uvas e romãs, de estourar a champanhe até que ela azede de tão sonsa, de beber como um desvairado, de beijar na boca e de abraçar quem se ama de uma forma bem apertada.
Não gosto da idéia de ter abraçado a minha mineira na virada e de não ter sido abraçado em volta, mas os anos que vêm estão aí para corrigir este deslize.
Quem sabe no próximo não é ela que me beija enquanto eu estiver inconsciente pelo excesso de capiroska de limão??
Ah, um último gosto dessa época do ano: achei muito engraçado ser o primeiro a dar um "abraço" de ano novo para a Gabi e para o Milk, os malteses da casa.
Poucos teriam esse privilégio.
Morram de inveja!!!!
segunda-feira, dezembro 22, 2003
O amor vence
Ontem eu fui ver um filme que me fez muito bem.
Não tenho passado por muito momentos onde seja necessária uma injeção de ânimo, mas esse filme foi exatamente isso. Saí da sala com o coração tranquilo, a alma lavada e os olhos idem. Fiz força para não chorar e não dar vexame na frente do casal de amigos que estava comigo.
O "culpado" pela choradeira foi o bobinho "Simplesmente amor".
Digo "bobinho" por que se trata de mais uma comédia romântica americana com o mesmo final feliz que a mulheres adoram ver e o mesmo humor inglês que eu adoro ver. O fato de contar com o Hugh Grant é uma grande qualidade já que aproxima o filme do meu grande favorito, Quatro Casamentos e um Funeral.
O filme é repleto de estorinhas de amor que só não enchem o saco por que são justamente estórias de amor. Acho que até o fã do Jason e Freddy Krueger gosta de saber que em algum lugar alguém pensa em amor de vez em quando.
Me arrisco a dizer que até esse tipo de louco tem uma menina ainda mais louca para atazaná-lo e fazer da sua vida um delicioso inferno.
Não tem como não gostar de estórias de amor.
Não tem como não rir com o inglês bobalhão que só decide correr atrás da mulher da sua vida depois que ela vai embora.
Não dá para não se sentir bem ao ver alguém dando um chute na bunda dos americanos e botando-os para correr só por que sentiu ciúmes da amada.
Não para não comemorar o final do bonitão do filme: ele é um dos únicos que fica sozinho. E tudo por causa de um outro tipo de amor.
Não dá para não vibrar ao ver gordos, magros, feios, bonitos, casados, solteiros e todo tipo de aliens se amando sem parar.
É claro que o sexo entra na mistura (graças a Deus), mas foi o amor que me energizou. Foi o amor que me fez esconder o rosto do Presidente para não ser zoado.
É o amor que me faz pensar tanto em você, Branca.
É o amor que me leva até você enquanto você não vem.
É o amor e sou grato a Ele por isso.
Ontem eu fui ver um filme que me fez muito bem.
Não tenho passado por muito momentos onde seja necessária uma injeção de ânimo, mas esse filme foi exatamente isso. Saí da sala com o coração tranquilo, a alma lavada e os olhos idem. Fiz força para não chorar e não dar vexame na frente do casal de amigos que estava comigo.
O "culpado" pela choradeira foi o bobinho "Simplesmente amor".
Digo "bobinho" por que se trata de mais uma comédia romântica americana com o mesmo final feliz que a mulheres adoram ver e o mesmo humor inglês que eu adoro ver. O fato de contar com o Hugh Grant é uma grande qualidade já que aproxima o filme do meu grande favorito, Quatro Casamentos e um Funeral.
O filme é repleto de estorinhas de amor que só não enchem o saco por que são justamente estórias de amor. Acho que até o fã do Jason e Freddy Krueger gosta de saber que em algum lugar alguém pensa em amor de vez em quando.
Me arrisco a dizer que até esse tipo de louco tem uma menina ainda mais louca para atazaná-lo e fazer da sua vida um delicioso inferno.
Não tem como não gostar de estórias de amor.
Não tem como não rir com o inglês bobalhão que só decide correr atrás da mulher da sua vida depois que ela vai embora.
Não dá para não se sentir bem ao ver alguém dando um chute na bunda dos americanos e botando-os para correr só por que sentiu ciúmes da amada.
Não para não comemorar o final do bonitão do filme: ele é um dos únicos que fica sozinho. E tudo por causa de um outro tipo de amor.
Não dá para não vibrar ao ver gordos, magros, feios, bonitos, casados, solteiros e todo tipo de aliens se amando sem parar.
É claro que o sexo entra na mistura (graças a Deus), mas foi o amor que me energizou. Foi o amor que me fez esconder o rosto do Presidente para não ser zoado.
É o amor que me faz pensar tanto em você, Branca.
É o amor que me leva até você enquanto você não vem.
É o amor e sou grato a Ele por isso.
sexta-feira, dezembro 19, 2003
Na boa
Acho que estou ficando velho!!
Ontem rolou a festa de confraternização da empresa.
Por mais que os números não fossem muito favoráveis para quem estava a fim de confraternizar mais com pessoas do sexo oposto (eram seis homens para cada coitada), me espantei com a minha pouca disposição em fazer algo além de admirar decotes, adereços e aberturas de roupas.
Antes que alguém comece a falar inverdades a respeito da minha masculinidade, acho bom ressaltar que continuo gostando muito da fruta (para alívio e felicidade da minha mineira). O problema é que não tenho mais paciência para chegar perto de alguma mulher interessante e puxar papo nem que seja só para passar o tempo.
Na verdade eu nunca fui muito bom nessas coisas de paquera e conquista. Minhas chances sempre foram maiores quando a moça tinha a oportunidade de conviver comigo.
Como me considero até um pouco antipático, não é de se espantar que o "professor" receba muito mais sorrisos e tentativas de puxar conversa. Essa não é a minha e pronto!!
Na tal da festa, além de fugir assintosamente de todas as dezenas de litros de whsiky que passavam com insistências nas bandejas dos garçons, eu me deidiquei a conversar com os poucos amigos, dançar com alguns conhecidos e tirar sarro dos velhos ridículos que acham que roupa de festa é um blazer cinza em cima da roupa de trabalho.
Meu único contato mais próximo com um ente do sexo feminino foi quando a secretária do terceiro andar se jogou em cima de mim para fugir de um tiozinho meio impertinente e quase me matou de rir ao dizer que estava "bebaca".
Como sempre fui devagar, nem pensei que ela queria algo mais e já tratei de levá-la até um canto mais calmo do salão e deixá-la aos cuidados de uma amiga.
Tenho a impressão de que estou mesmo ficando velho!!
Ou será que estou mais concentrado em interesses menos adolescentes??
Que a minha mineira responda!!
Acho que estou ficando velho!!
Ontem rolou a festa de confraternização da empresa.
Por mais que os números não fossem muito favoráveis para quem estava a fim de confraternizar mais com pessoas do sexo oposto (eram seis homens para cada coitada), me espantei com a minha pouca disposição em fazer algo além de admirar decotes, adereços e aberturas de roupas.
Antes que alguém comece a falar inverdades a respeito da minha masculinidade, acho bom ressaltar que continuo gostando muito da fruta (para alívio e felicidade da minha mineira). O problema é que não tenho mais paciência para chegar perto de alguma mulher interessante e puxar papo nem que seja só para passar o tempo.
Na verdade eu nunca fui muito bom nessas coisas de paquera e conquista. Minhas chances sempre foram maiores quando a moça tinha a oportunidade de conviver comigo.
Como me considero até um pouco antipático, não é de se espantar que o "professor" receba muito mais sorrisos e tentativas de puxar conversa. Essa não é a minha e pronto!!
Na tal da festa, além de fugir assintosamente de todas as dezenas de litros de whsiky que passavam com insistências nas bandejas dos garçons, eu me deidiquei a conversar com os poucos amigos, dançar com alguns conhecidos e tirar sarro dos velhos ridículos que acham que roupa de festa é um blazer cinza em cima da roupa de trabalho.
Meu único contato mais próximo com um ente do sexo feminino foi quando a secretária do terceiro andar se jogou em cima de mim para fugir de um tiozinho meio impertinente e quase me matou de rir ao dizer que estava "bebaca".
Como sempre fui devagar, nem pensei que ela queria algo mais e já tratei de levá-la até um canto mais calmo do salão e deixá-la aos cuidados de uma amiga.
Tenho a impressão de que estou mesmo ficando velho!!
Ou será que estou mais concentrado em interesses menos adolescentes??
Que a minha mineira responda!!
quarta-feira, dezembro 17, 2003
Olhos verdes
Ele sempre foi um enorme paradoxo na nossa turma da faculdade.
O enorme pode ser interpretado em diversos sentidos quando se fala naquele cara.
Os anos de surfe aliados a uma genética privilegiada garantiam a posição de maior e mais forte do grupo. A justificativa do paradoxo vinha do temperamento gentil e dócil que ele tinha. Na verdade ele segue tendo esse temperamento, mas o casamento, o filho e os empregos estressantes e milionários mudaram um pouco o shape do garoto.
Uma das tiradas mais engraçadas dos tempos da faculdade é que o comparava com um touro de um desenho da Disney: o touro Ferdinando era o mais forte da fazenda e podia colocar medo em qualquer ser vivo só de olhar para ele; felizmente para os outros, o passatempo preferido do Ferdinando era sentir o cheiro das flores e dar passeios pelo campo. Uma verdadeira moça em corpo de gigante.
Era mais ou menos assim que sempre vimos aquele cara.
Além da gentileza de meninão, era a dedicação às paixões que mais chamava a atenção de quem convivia com ele.
Se não era o surfe era o Palmeiras. Se não era o Mack era a Juréia.
Infelizmente meu relacionamento com uma certa sargenta me impediu de conhecer a casa da praia, mas sei que foi lá que a vida dele começou a mudar. Fói lá que ele conheceu uma certa mulher que mudaria a sua vida para sempre e que o faria feliz por um pouco mais de tempo do que sempre.
Pelo que me lembro, ela era irmã de um companheiro de surfe dele.
Não sei bem por que ela frequentava aquela praia distante, mas certamente a comissão técnica do céu tem algo a ver com isso.
Outra coisa que está bem fresca na memória é o fato dela ter nascido com algo proibido para alguém como ele, tão cioso do respeito e do cuidado com os outros.
Para infelicidade inicial dele, ela tinha namorado!!
Não vale a pena citar o que rolou ou deixou de rolar até que eles pudessem ficar juntos sem se esconder de ninguém. O importante é que eles ficaram livres para entregarem a liberdade um para o outro.
O capítulo seguinte desta estória de amor é meio triste para mim: não pude ir ao casamento deles por que estava passando uma "maravilhosa" temporada de trabalho na minha "amada" Manaus.
Como meu desgosto por esta fase da minha vida ainda é grande, este parágrafo vai acabar depois de deixar registrado que todos os nossos amigos estavam lá para testemunhar o primeiro casamento da turma. Muitos outros vieram depois, mas o primeiro sempre fica marcado na memória de todos. Para o bem ou para o mal.
A chegada do primeiro herdeiro veio para coroar algo que já era bom.
Oivi-lo descrever a paternidade com um "legal" meio abobalhado não necessitava de tradução ou complemento. Tudo estava dito naquela única palavra.
Nunca tive certeza se ele sabia da admiração que sinto pelo que é e pelo que realizou, mas talvez esta seja a oportunidade prefeita de deixar isso para que todos vejam.
Admiro a luta que ele encarou para ter a mulher que amava. Admiro o tipo de vida que ele escolheu. Admiro a coragem de ter sido o primeiro a se casar e o primeiro a ser pai.
Admiro o brilho infantil que ainda sai daqueles olhos verdes, mesmo depois da partida de alguns cabelos, do surgimento de algumas rugas e da chegada de alguns quilos.
Admiro a alegria que sinto quando estamos juntos e admiro a possibilidade de chamá-lo de amigo.
Te admiro, bicho. Ponto final.
Ele sempre foi um enorme paradoxo na nossa turma da faculdade.
O enorme pode ser interpretado em diversos sentidos quando se fala naquele cara.
Os anos de surfe aliados a uma genética privilegiada garantiam a posição de maior e mais forte do grupo. A justificativa do paradoxo vinha do temperamento gentil e dócil que ele tinha. Na verdade ele segue tendo esse temperamento, mas o casamento, o filho e os empregos estressantes e milionários mudaram um pouco o shape do garoto.
Uma das tiradas mais engraçadas dos tempos da faculdade é que o comparava com um touro de um desenho da Disney: o touro Ferdinando era o mais forte da fazenda e podia colocar medo em qualquer ser vivo só de olhar para ele; felizmente para os outros, o passatempo preferido do Ferdinando era sentir o cheiro das flores e dar passeios pelo campo. Uma verdadeira moça em corpo de gigante.
Era mais ou menos assim que sempre vimos aquele cara.
Além da gentileza de meninão, era a dedicação às paixões que mais chamava a atenção de quem convivia com ele.
Se não era o surfe era o Palmeiras. Se não era o Mack era a Juréia.
Infelizmente meu relacionamento com uma certa sargenta me impediu de conhecer a casa da praia, mas sei que foi lá que a vida dele começou a mudar. Fói lá que ele conheceu uma certa mulher que mudaria a sua vida para sempre e que o faria feliz por um pouco mais de tempo do que sempre.
Pelo que me lembro, ela era irmã de um companheiro de surfe dele.
Não sei bem por que ela frequentava aquela praia distante, mas certamente a comissão técnica do céu tem algo a ver com isso.
Outra coisa que está bem fresca na memória é o fato dela ter nascido com algo proibido para alguém como ele, tão cioso do respeito e do cuidado com os outros.
Para infelicidade inicial dele, ela tinha namorado!!
Não vale a pena citar o que rolou ou deixou de rolar até que eles pudessem ficar juntos sem se esconder de ninguém. O importante é que eles ficaram livres para entregarem a liberdade um para o outro.
O capítulo seguinte desta estória de amor é meio triste para mim: não pude ir ao casamento deles por que estava passando uma "maravilhosa" temporada de trabalho na minha "amada" Manaus.
Como meu desgosto por esta fase da minha vida ainda é grande, este parágrafo vai acabar depois de deixar registrado que todos os nossos amigos estavam lá para testemunhar o primeiro casamento da turma. Muitos outros vieram depois, mas o primeiro sempre fica marcado na memória de todos. Para o bem ou para o mal.
A chegada do primeiro herdeiro veio para coroar algo que já era bom.
Oivi-lo descrever a paternidade com um "legal" meio abobalhado não necessitava de tradução ou complemento. Tudo estava dito naquela única palavra.
Nunca tive certeza se ele sabia da admiração que sinto pelo que é e pelo que realizou, mas talvez esta seja a oportunidade prefeita de deixar isso para que todos vejam.
Admiro a luta que ele encarou para ter a mulher que amava. Admiro o tipo de vida que ele escolheu. Admiro a coragem de ter sido o primeiro a se casar e o primeiro a ser pai.
Admiro o brilho infantil que ainda sai daqueles olhos verdes, mesmo depois da partida de alguns cabelos, do surgimento de algumas rugas e da chegada de alguns quilos.
Admiro a alegria que sinto quando estamos juntos e admiro a possibilidade de chamá-lo de amigo.
Te admiro, bicho. Ponto final.
sábado, dezembro 06, 2003
Planos de futuro
Tenho falado muito de futuro ultimamente.
Antes de agora, quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, não havia muita razão para mudar o discurso tradicional: eu queria trabalhar, estudar, ganhar dinheiro, comprar coisas, curtir a vida e encontrar alguém para amar.
Hoje em dia, por mais soltas que pareçam as idéias, me é muiot mais fácil saber o que vou fazer. Quer dizer, não sei lá muita coisa, mas não estou muito preocupado com isso.
Meus amigos-irmãos estão sintonizados com meu momento e percebem que meu olhar pede que eles me perguntem. É mais ou menos como se eu quisesse que todos soubessem, mas sem perder o charme da discrição.
As perguntas são, invariavelmente sobre o futuro com a minha mineira.
Recentemente, meu melhor amigo ficou de queixo caído quando eu falei bem sério que tinha a intenção de deixar Sampa para buscar a confirmação prática de algo que já sei no coração.
Por mais que eu já tivesse falado que poderia fazer isso, o fato de ter usado cores tão sérias, quebrou as pernas do brother.
Por mais que ele deseje a minha felicidade e saiba que os motivos são bastante justos, não foi possível esconder o desejo de "reverter a situação", de virar o jogo e fazer a mudança focar São Paulo e não Minas.
Sei que ele fez isso por que gosta de mim, mas fui muito consciente quando decidi que o primeiro passo será para fora.
Quando falo em primeiro passo me refiro a uma tentativa.
Assim como não dá para ter 100% de que tudo vai continuar funcionando com a minha mineira, não dá para saber se vou conseguir encontrar o que fazer longe da minha "cidade natal".
Sinceramente, não estou preocupado com isso. Estou muito tranquilo e sem pressa. Vou dar um passo de cada vez e não quero saber de milimetrar os detalhes do ano que vem.
Ao contrário, quero terminar este ano em grande estilo, visitar minha vó do lado de lá dos Andes, voltar e ver no que dá.
Hoje é sábado, estou aqui em Ubercity, sozinho em casa, mexendo no computador enquanto minha cara-metade está estudando. Me sinto como em um ensaio do que pode vir e me sinto muito bem.
Ontem um grande amigo, quase um amigo-irmão, me disse que só existe uma coisa que é obrigatória nesse processo: a geladeira da casa nova.
Se essa for a maior das minhas preocupações, 2004 vai ser muito fácil de ser vivido.
Tenho falado muito de futuro ultimamente.
Antes de agora, quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, não havia muita razão para mudar o discurso tradicional: eu queria trabalhar, estudar, ganhar dinheiro, comprar coisas, curtir a vida e encontrar alguém para amar.
Hoje em dia, por mais soltas que pareçam as idéias, me é muiot mais fácil saber o que vou fazer. Quer dizer, não sei lá muita coisa, mas não estou muito preocupado com isso.
Meus amigos-irmãos estão sintonizados com meu momento e percebem que meu olhar pede que eles me perguntem. É mais ou menos como se eu quisesse que todos soubessem, mas sem perder o charme da discrição.
As perguntas são, invariavelmente sobre o futuro com a minha mineira.
Recentemente, meu melhor amigo ficou de queixo caído quando eu falei bem sério que tinha a intenção de deixar Sampa para buscar a confirmação prática de algo que já sei no coração.
Por mais que eu já tivesse falado que poderia fazer isso, o fato de ter usado cores tão sérias, quebrou as pernas do brother.
Por mais que ele deseje a minha felicidade e saiba que os motivos são bastante justos, não foi possível esconder o desejo de "reverter a situação", de virar o jogo e fazer a mudança focar São Paulo e não Minas.
Sei que ele fez isso por que gosta de mim, mas fui muito consciente quando decidi que o primeiro passo será para fora.
Quando falo em primeiro passo me refiro a uma tentativa.
Assim como não dá para ter 100% de que tudo vai continuar funcionando com a minha mineira, não dá para saber se vou conseguir encontrar o que fazer longe da minha "cidade natal".
Sinceramente, não estou preocupado com isso. Estou muito tranquilo e sem pressa. Vou dar um passo de cada vez e não quero saber de milimetrar os detalhes do ano que vem.
Ao contrário, quero terminar este ano em grande estilo, visitar minha vó do lado de lá dos Andes, voltar e ver no que dá.
Hoje é sábado, estou aqui em Ubercity, sozinho em casa, mexendo no computador enquanto minha cara-metade está estudando. Me sinto como em um ensaio do que pode vir e me sinto muito bem.
Ontem um grande amigo, quase um amigo-irmão, me disse que só existe uma coisa que é obrigatória nesse processo: a geladeira da casa nova.
Se essa for a maior das minhas preocupações, 2004 vai ser muito fácil de ser vivido.
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